ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

25 de Março de 2006

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegrai-vos, ó Virgem Maria, M. Luís, NCT 647

Hebr 10, 5.7

Antífona de entrada: Ao entrar no mundo, o Senhor disse: Eu venho, meu Deus, para fazer a vossa vontade.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A festa da Anunciação do Senhor convida-nos a celebrar a fidelidade de Deus que, na concepção da Virgem Maria, deu a prova de que é possível confiar n’Ele.

Jesus veio testemunhar o amor do Pai para connosco, amor que se manifestou no dom da vida.

O Senhor pede-nos que aceitemos e confiemos docilmente na Sua iniciativa e nos esforcemos por fazer a Sua vontade porque, apesar das nossas pobrezas, incertezas e infidelidades Ele sempre corresponderá com o Seu amor infinito.

 

Oração colecta: Deus, Pai santo, que na vossa benigna providência quisestes que o vosso Verbo assumisse verdadeira carne humana no seio da Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando o nosso Redentor como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mereçamos também participar da sua natureza divina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta primeira leitura conta-se um episódio que ilustra aquilo que o Senhor pede ao homem: que acredite na sua Palavra, que confie n’Ele de modo incondicional. Tal abandono total e confiante é aquilo a que a Bíblia chama fé.

 

Isaías 7, 10-14 8, 10

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». 13Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco».

 

Este célebre texto messiânico é extraído do início do «Livro do Emanuel», assim chamado pela misteriosa figura central do Immánu-El (Deus connosco), um «menino» descrito com traços que, excedem tudo o que a história da monarquia hebraica regista (Is 7, 1 – 12, 6), lhe dão um carácter messiânico, em quem os cristãos vêem uma figura do Salvador.

10-13 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica (estamos na conjura siro-efraimita contra o rei de Judá), o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, por mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião (o que não quer dizer exactamente no mesmo momento) que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 2 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é a virgem que concebe. Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco). Ainda que, num primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas, Áquila, Símaco e Teodocião) e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciada em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...

 

Salmo Responsorial    Sl 39 (40), 7–8a.8b–9.10.11 (R. 8a.9a)

 

Monição: O salmo responsorial, rezado com sinceridade por cada um de nós aqui presente, será o agradecimento e a resposta ao pedido de Deus formulado na primeira leitura.

 

Refrão:         Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.

 

Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,

mas abristes–me os ouvidos;

não pedistes holocaustos nem expiações,

então clamei: «Aqui estou».

 

De mim está escrito no livro da Lei

que faça a vossa vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a vossa lei está no meu coração».

 

Proclamei a justiça na grande assembleia,

não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

 

Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,

proclamei a vossa fidelidade e salvação.

Não ocultei a vossa bondade e fidelidade

no meio da grande assembleia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Esta segunda leitura, proposta na festa da Anunciação do Senhor, ilumina-nos sobre o significado da incarnação do Filho de Deus, o qual veio ao mundo para testemunhar o amor do Pai para com o homem, manifestando-se na dádiva da sua própria vida.

 

Hebreus 10, 4-10

Irmãos: 4É impossível que o sangue de touros e cabritos perdoe os pecados. 5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. 6Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. 7Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, meu Deus, para fazer a tua vontade’». 8Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. 9Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. 10É em virtude dessa vontade que nós somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

 

O autor de Hebreus está no final da primeira parte da obra, precisamente quando discorre sobre a superioridade do sacrifício de Cristo relativamente a todos os sacrifícios da Lei Antiga (8, 1 – 10, 18), sob o ponto de vista da eficácia, argumentando, à boa maneira rabínica, a partir dos Salmos 40, 7-9 e 110, 1. Perante a ineficácia dos sacrifícios da Antiga Lei, o próprio Deus decide vir à Terra, na pessoa do Filho para poder oferecer, da parte da humanidade (Cristo é perfeito homem), um sacrifício de eficácia infinita (Cristo é perfeito Deus), oferecido de uma vez para sempre (v. 10), e assim aboliu o primeiro culto, o levítico (v. 9). Recorde-se que o Sacrifício do Calvário é único pelo seu infinito valor, o Sacrifício da Missa não é outro sacrifício diferente, mas o mesmo sacrifício que se torna presente sacramentalmente a todos os tempos nos nossos altares, aplicando-nos os méritos da Cruz (cf. Encíclica Ecclesia de Eucharistia, nº 12).

7 «Eis-me aqui». Palavras do Salmo 40 (39) que o autor inspirado aplica a Jesus, e que a Liturgia hoje põe no coração do Filho de Deus, ao incarnar no seio da Santíssima Virgem.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 1, 14ab

 

Monição: Jesus, Palavra de Deus, é a luz que ilumina a consciência de todo o homem para partilhar a vida e felicidade de Deus. Por isso, nós lhe cantamos louvor e glória.

 

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

O Verbo fez–Se carne e habitou entre nós

e nós vimos a Sua glória.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A narrativa da Anunciação reveste-se duma densidade tal, que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais transcendente da História, o preciso momento em que, com o sim da Virgem Maria, o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura.

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois nela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias exigira (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também a expressão «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia dos Capuchinhos): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto grego admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

Sonhos dos homens, provas de Deus

Experiência do amor divino

Cumprir a vontade do Senhor

Sonhos dos homens, provas de Deus

A primeira leitura desta celebração, confronta-nos com a atitude do rei Acaz. O episódio decorre cerca do ano 733 a.C.. Os inimigos coligam-se para atacarem Judá e o rei teme ser derrotado. Ele, descendente do rei David a quem Deus tinha prometido um reino eterno, decide aliar-se à Assíria. Confia mais nos mandatos humanos e nos seus poderes, cálculos, astúcias e espertezas do que confia na palavra do Senhor. Confiar comporta riscos e ele não pretende arriscar.

Intervém, então, o profeta Isaías que na sua profecia nos oferece a chave de leitura da festa da anunciação do Senhor: convida-nos a vê-la e celebrá-la como prova da fidelidade de Deus para com a palavra dada aos homens.

Tal prova vem a concretizar-se na concepção de Jesus no seio da virgem Maria. O Senhor demonstrou que é possível confiar n’Ele, porque mantém sempre a palavra dada e nos ama com amor infinito.

Jesus é o Messias anunciado. Não há outro, nem ninguém o pode substituir.

Hoje, como outrora, aparecem pessoas que se apresentam como novos messias, como novos salvadores. Mesmo que tenham o seu momento de glória, consola o facto de que não é a eles que Deus prometeu um reino eterno, o reino de amor divino junto de si.

Experiência do amor divino

Um equívoco, porém, surge na mente de muitos crentes: confiar em Deus não equivale a ter sucesso garantido neste mundo, não significa receber a certeza de que se irá ser poupado das doenças e das desventuras que atingem os outros homens. O cristão deverá superar tudo isso, pois recebeu como dom a luz que vem do alto. Tal luz guia a sua vida permitindo descobrir em tudo quanto lhe acontece – nos acontecimentos felizes ou nos mais tristes – o projecto do amor do Pai e n’Ele confia, mesmo quando não consegue entender. A isso chama-se ter fé.

Tal aconteceu com Maria e, por isso, somos convidados a contemplar as «grandes coisas» que nela operou Aquele que é «Poderoso» e «Santo é o seu nome». Maria soube experimentar o amor divino na simplicidade do seu coração, pois ao amor do Senhor ela soube oferecer a sua pobreza, que Deus encheu com os seus dons; consagrou a sua virgindade e Ele tornou-a fecunda. Não contrapôs os seus projectos e sonhos pessoais à vontade d’Ele. Perguntou apenas qual o papel que lhe queria confiar e aceitou docilmente a sua iniciativa, cumprindo a sua vontade.

Cumprir a vontade do Senhor

Cada um de nós é chamado a fazer esta experiência do amor omnipotente de Deus, como nos refere o autor da Epístola aos Hebreus que proclamamos na segunda leitura: não se opera por meio da oferta de sacrifícios e holocaustos, mas «cumprindo a vontade do Senhor», como fizeram Jesus Cristo e Maria.

 

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, com toda a confiança

a Deus nosso Pai,

por Jesus Cristo único Senhor e Mestre,

na unidade do Espírito Santo,

para que nos ajude a viver com coerência, fidelidade e responsabilidade

a missão que nos foi confiada pelo baptismo que recebemos,

dizendo:

Senhor, ajudai-nos a cumprir a vossa vontade.

 

1.  Pelo Papa, Bispos, Sacerdotes e Diáconos,

para que, na fidelidade ao anúncio de Cristo,

cumpram a vontade de Deus a seu respeito,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações,

para que exerçam os cargos para que foram eleitos

com espírito de serviço à Comunidade,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos nós, os baptizados,

para que dêmos verdadeiro testemunho de vida,

em responsabilidade e coerência,

na total confiança do amor de Deus,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos aqueles

que têm a seu cargo algum ministério na comunidade,

para que o exerçam como serviço na fidelidade à vontade do Senhor,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que os jovens possam ver nos adultos

o exemplo prático da experiência do amor divino,

oremos, irmãos.

 

Senhor, que nos permitistes reflectir na Vossa Palavra,

dai-nos fortaleza, fazei-nos solidários com todos os nossos irmãos,

e ajudai-nos a sermos fiéis, coerentes e responsáveis

na aceitação da vossa vontade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Anjo do Senhor, M. Simões, NRMS 31

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons da vossa Igreja, que reconhece a sua origem na Encarnação do vosso Filho e fazei-lhe sentir a alegria de celebrar nesta solenidade os mistérios do seu Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Pela Anunciação do mensageiro celeste, a Virgem Imaculada acolheu com fé a vossa Palavra e pela acção admirável do Espírito Santo trouxe em seu ventre com amor inefável o Primogénito da nova humanidade, que vinha cumprir as promessas feitas a Israel e revelar-Se ao mundo como a esperança de todos os povos.

Por isso com os Anjos, que adoram a vossa majestade e exulta eternamente na vossa presença, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Somente conseguiremos manter a fidelidade, a responsabilidade e a coerência na confiança do amor de Deus se nos fortalecermos com o Pão Eucarístico, em que o próprio Jesus Cristo se nos dá em alimento. Recebamo-lo com as devidas disposições ensinadas pela Palavra e recomendadas pela Santa Igreja.

 

Cântico da Comunhão: Eu venho, Senhor, Az. Oliveira, NRMS 62

Is 7,14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um Filho e o seu nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

 

Oração depois da comunhão: Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé, para que, tendo proclamado que Jesus Cristo, concebido da Virgem Maria, é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cheguemos, pelo poder da sua ressurreição, às alegrias da vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados pelo Pão Eucarístico e pela Palavra meditada, procuremos dar testemunho de vida na renúncia aos nossos sonhos e projectos se forem contrários à vontade de Deus. Ponhamos à sua disposição toda a nossa «nulidade», a fim de que Ele a transforme em verdadeira «obra-prima» que vá de encontro à experiência do seu amor omnipotente.

 

Cântico final: Avé Maria Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    António Elísio Portela

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha


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