3.º Domingo dA QUARESMA

19 de Março de 2006

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Quaresma é tempo de conversão e renovação. Mas não é possível uma verdadeira e eficaz conversão sem uma verdadeira renovação da própria vida e da oração. As leituras que vamos escutar isso mesmo nos ensinam.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Decálogo quer dizer, dez Palavras. Neste caso, os dez mandamentos. Estes são o núcleo da moral que Jesus veio aperfeiçoar e completar.

 

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

*Forma longa: Êxodo 20, 1-17                                Forma breve: Êxodo 20, 1-3.7-8.12-17

1Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: 2«Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravidão. 3Não terás outros deuses perante Mim. [4Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. 5Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; 6mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos.] 7Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. 8Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. [9Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. 10Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. 11Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado.] Honra pai e mãe, a fim de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. 12Não matarás. 13Não cometerás adultério. 14Não furtarás. 15Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 16Não cobiçarás a casa do teu próximo; 17não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença».

 

Temos na leitura o Decálogo, uma palavra grega – «Dez Palavras» – segundo o nome que é dado aos Dez Mandamentos (cf. Ex 34, 28; Dt 4, 13; 10, 4). Com efeito, na origem, seriam 10 breves sentenças lapidares (como: «não matarás», «não furtarás»…), que vieram a receber desenvolvimentos explicativos inspirados. Aparece no contexto da teofania do Monte Sinai, como Palavras da Aliança (Ex 34, 28). Em Dt 5, 6-21 temos uma formulação muito semelhante. O Decálogo constitui o núcleo de toda a moral bíblica, para o qual Jesus apela (Lc 18, 20) e que Ele completa e leva à perfeição (Mt 5, 17-48). Vem a ser a expressão revelada da Lei escrita no coração de todos os homens, a lei natural (cf. Rom 2, 12-15); todos os preceitos desta lei moral se podem ver incluídos mais ou menos claramente no Decálogo. A sua distribuição por 10 não tem sido feita sempre do mesmo modo: quando o 1º mandamento é desdobrado em dois («adorar um só Deus» e «não esculpir imagens»: vv. 3 e 4), então o 9º e o 10º são englobados num só; a divisão do 1º é a seguida pelos judeus e por algumas confissões cristãs (como os calvinistas), ao passo que a divisão do último é a adoptada pelos católicos e luteranos (desde Sto. Agostinho), tendo em conta o texto de Dt 5, 21, onde se usam dois verbos diferentes, um para «não desejarás» ( thahmór) a mulher do próximo e outro para «não cobiçarás» ( thithavvéh) as suas coisas.

As várias formulações cristãs do Decálogo que há nos catecismos têm em conta, por um lado, o progresso da Revelação, que culminou nos ensinamentos do Novo Testamento; por outro, a caducidade daquilo que não passava de prescrições cultuais próprias dum povo e duma cultura. Assim, o 1º mandamento, que se limitava a proibir a idolatria – «não terás outros deuses» (v. 3) –, é formulado positivamente «amarás» –, segundo o ensino de Jesus (cf. Mt 22, 37par). No v. 4 nós suprimimos «não farás qualquer imagem…», pois a proibição de fazer imagens é considerada uma lei meramente ritual, própria da cultura daquele povo, com vistas a evitar o perigo de induzir à magia e idolatria (no entanto, para a própria Arca da Aliança, estavam prescritas duas imagens de Querubins: Ex 25, 18). Também a determinação do «Sábado» como o dia a guardar (v. 8) é actualizada, tendo em conta que o 1º dia da semana passou a ser «o dia do Senhor» (Apoc 1, 10), já celebrado nos tempos apostólicos (cf. Act 20, 7; 1 Cor 16, 2); com efeito, a determinação do dia da semana não pertence à lei moral, mas ao culto antigo, que foi abolido (cf. Hebr 10, 9-10) com o Sacrifício Redentor de Cristo, o novo Templo (cf. Evangelho de hoje: Jo 2, 19-21). Por outro lado, os nossos catecismos dizem, para o 6º mandamento: «guardar castidade nas palavras e nas obras» (os espanhóis dizem «não cometerás actos impuros»), em vez de «não cometerás adultério» (v. 13), pois Jesus Cristo não se limitou a condenar o adultério; a revelação cristã fala da castidade como a perfeita regulação da faculdade generativa (cf. Mt 5, 8. 27-32; 1 Tes 4, 3-5; 1 Cor 6, 5 19-20; 1 Tim 5, 22). Também para o 9º mandamento não dizemos «não desejarás a mulher do teu próximo» (v. 17), mas, de acordo com os ensinamentos de Jesus, que põe em pé de igualdade homem e mulher (cf. Mt 19, 9) e ensina a castidade como uma afirmação positiva e em toda a sua extensão, a partir da rectidão interior, do coração (cf. Mt 5, 8.28-30), nós dizemos «guardar castidade nos pensamentos e nos desejos».

2 «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei... dessa casa da escravidão». À maneira dos antigos pactos hititas (na época de Moisés os hititas acabavam de se afastar da Palestina), que começavam com um prólogo histórico, a justificar a imposição das obrigações ao povo vencido, também o Decálogo é introduzido com uma referência histórica. Mas aqui as cláusulas não se fundamentam na derrota do povo, mas num facto salvífico gratuito, procedente do amor do Senhor: a libertação da escravidão do Egipto. As prescrições da Lei aparecem como a expressão de uma aliança (cf. Dt 5,2-3), que não é um pacto para manter um vencido sob controlo e domínio despótico, mas é um vínculo de amor com que Deus assegura a união com Ele, a liberdade e a bênção (cf. Salmo responsorial), àqueles que constituiu em seu Povo (cf. Ex 19, 6). É por isso que transgredir a Lei não é uma mera indisciplina jurídica, é dizer não ao próprio Deus, ao seu Amor, é romper a Aliança, «pecar contra o Céu» (cf. Lc 15, 18). A Lei de Deus é, como diz a Carta de S. Tiago «a lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1, 25), para que o homem possa encontrar o verdadeiro sentido da sua vida; orienta-o para a verdade e para o bem, fazendo render ao máximo as suas capacidades.

8-11 Note-se que o preceito sabático não inclui qualquer acto religioso de culto; é o próprio descanso que aparece com valor cultual. Neste preceito está implícita a obrigação de trabalhar, pois só o trabalho justifica que se imponha a lei do descanso; o apelo para o trabalho de Deus (v. 11) também sugere a dignidade do trabalho do homem como cooperação com a obra criadora de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 18 (19), 8.9.10.11 (R. Jo 6, 68c)

 

Monição: Os preceitos do Senhor são rectos. São o verdadeiro caminho que devemos trilhar.

 

Refrão:         Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma;

as ordens do Senhor são firmes,

dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração;

os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece para sempre;

os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino;

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo diz-nos: nós pregamos Cristo Crucificado (1 Cor. 1, 23). Crucificado e Ressuscitado. Pela sua Ressurreição tomamo-nos participantes da sua vida Divina.

 

1 Coríntios 1, 22-25

Irmãos: 22Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. 23Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; 24mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. 25Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

 

A leitura é um pequeno trecho da primeira parte da Carta (1 Cor 1, 10 – 6, 20) onde S. Paulo começa por corrigir as divisões que havia na comunidade (1, 10 – 4, 21), uns grupinhos à volta do prestígio e da eloquência dos diversos pregadores do Evangelho (Paulo, Apolo, Cefas…), havendo cristãos que, fascinados pela sabedoria humana – a dos «judeus» e a dos «gregos» –, corriam o risco de esquecer ou desvirtuar a autêntica sabedoria do Cristo, que os salvou pela Cruz. De facto, o centro da mensagem do cristianismo é particularmente chocante, porque é a pregação da salvação pela Cruz: Cristo crucificado era um «escândalo para os judeus», que esperavam um messias espectacular, glorioso e vencedor dos inimigos e, por outro lado, constituía uma «loucura para os gentios», ciosos de retórica empolada e lisonjeira das vis paixões. «A sabedoria de Deus» é a loucura do seu incompreensível infinito amor, incompatível com a soberba auto-suficiente tanto das expectativas messiânicas judaicas, como do racionalismo grego.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 3, 16

 

Monição: Aclamamos Cristo, nosso Redentor que nos revela o amor do Pai por nós.

 

 

Cântico: M. Luís, 1 (I)

 

Deus amou tanto o mundo

que lhe deu o seu Filho Unigénito;

quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois; deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; 16e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». 17Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». 18Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» 19Jesus respondeu-lhes: «Destruí este templo e em três dias o levantarei». 20Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. 22Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. 24Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porque os conhecia a todos 25e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.

 

Este episódio deverá ser o mesmo relatado pelos Sinópticos, mas com um profundo simbolismo. O actuar de Jesus é à maneira das acções simbólicas dos antigos profetas e não se destina a punir transgressores (os vendilhões actuariam legalmente e de boa fé), mas a mostrar a sua suprema autoridade na «Casa de meu Pai» (v. 16) e a veicular ensinamentos que ficassem gravados para sempre. Em S. João, Jesus aparece a cumprir o anunciado no Salmo 69, 11, e o seu gesto visa, mais que purificar, substituir o templo de Jerusalém com todo o seu complexo sistema de comunicação com Deus. Só João refere a expulsão de ovelhas e bois, deixando assim ver que os animais deixam de ter sentido no novo culto centrado, a partir de agora, na pessoa de Jesus. Também se pode ver neste episódio o cumprimento da célebre profecia de Malaquias (3, 1-3); e, se «o Mensageiro da Aliança» (v. 1) designa Yahwéh (como muitos pensam), então teríamos aqui um «deraxe cristológico», isto é, uma aplicação a Jesus do que se diz do próprio Deus no A. T., uma forma subtil de indicar a condição divina de Jesus.

13 «Subiu a Jerusalém». A ida a Jerusalém sempre se chamava uma subida, por a cidade se encontrar nas montanhas de Judá, a 150 metros acima do nível do mar. Era a primeira ida de Jesus à capital, durante a sua vida pública por ocasião da Páscoa.

19 «Destruí este templo…» As palavras do Senhor encerram um sentido misterioso que só a reflexão posterior – «recordaram-se» (v. 22) instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo espírito da Verdade (Dei Verbum 19) – permitiu captar; contêm uma maneira de exprimir o mistério da Incarnação, ao designarem o Corpo de Jesus como um templo em que Deus habita (cf. Col 2, 9). Para os inimigos de Jesus esta afirmação era passível da pena de morte: Mt 26, 61; Mc 14, 58; ver Mt 27, 40; Mc 15, 29; Act 6, 14.

19 «Eu o levantarei». Dado o sentido figurado das palavras de Jesus, João não põe na boca de Jesus «o reconstruirei». Note-se que quem protesta da atitude de Jesus não são os comerciantes, mas «os judeus», aqui provavelmente dirigentes pertencentes ao sinédrio (cf. Mc 11, 28) que viam usurpada a sua autoridade de velar pela ordem do Templo; a verdade é que todos julgavam permitida a venda de animais para os sacrifícios no átrio exterior, o dos gentios (o nosso adro). Jesus mostra uma autoridade bem superior.

20 «Foram precisos 46 anos…» Esta referência é interessante para a cronologia evangélica. A primeira Páscoa da vida pública de Jesus corresponderia, de acordo com Lc 3, 1, ao ano 28 da nossa era, uma vez que o templo, ainda em obras, começara a ser reedificado por Herodes, o Grande, havia 46 anos. Ora, segundo Flávio Josefo, isto deu-se no ano 18 do seu reinado, isto é, no ano 20/19 a. C. Sendo assim, a Páscoa da Morte de Jesus teria sido a do ano 30, quando Ele andaria pelos 37 anos.

 

Sugestões para a homilia

 

O Decálogo é caminho de vida

A Minha casa é casa de oração

Viver a Quaresma com os olhos postos no Pai.

O Decálogo é caminho de vida

O Decálogo é para o homem. Longe de coarctar a nossa liberdade, nos dignifica.

Aquilo que proíbe não tem nada de caprichoso e injustificado. Dá-nos a possibilidade de termos relações equilibradas e justas com Deus e com os outros. Ou seja impede que o homem deixe de ser homem no plano moral. Basta pensar, v. v. o que significa descansar ao domingo; cuidar dos pais sobretudo quando são idosos ou quando enfermos e necessitados; não roubar nos negócios ou na fuga ou fisco; não se deixar arrastar pelas paixões da carne e evitar o adultério.

O decálogo toca a realidade da vida quotidiana: a família, o trabalho, relações sociais, a vida sexual. Se não existisse tinha de se inventar. Deus é um Pai que deseja ver felizes todos os homens seus filhos.

A Minha casa é casa em oração

Estava próxima a Páscoa. Jesus subiu ao templo, examinou todo e viu toda aquela cena que o evangelho relata. Cheio de santa indignação, derruba as bancas dos cambistas e expulsa-os do Templo.

Não é o principio de uma revolta social ou política. Trata-se dum episódio totalmente religioso. Jesus quer purificar o Templo. Aqui temos a explicação do seu gesto e das suas palavras.

A purificação do Templo é um gesto messiânico: indica começo de uma nova era em que «se oferece-a a Deus uma oblação segundo a justiça» (Mal. 3, 1) E se há de adorar a Deus em espírito e verdade (Jo. 4, 23).

Agora toda a oração e todo o sacrifício há-de ser oferecido «em Jesus», para que seja um culto vivo, santo e agradável a Deus. Será expressão de uma vida orientada para Deus, na obediência aos seus mandamentos, que honra a Deus não só com os lábios, mas também com o coração. Em autêntica unidade de vida.

Viver a Quaresma com os olhos postos no Pai.

Estamos no 3° domingo da Quaresma. Quer dizer que a nossa caminhada rumo à Páscoa já vai a meio. Porém, nunca será demais insistir na renovação Quaresmal.

A palavra de Deus oferece-nos uma ocasião propícia para a renovação Quaresmal. Convida-nos ao arrependimento, à purificação e a deitar fora o fermento do homem velho, para assim nos preparamo-nos para as festas Pascais.

Na mensagem Quaresmal de 1999, o Papa João Paulo II, de saudosa memória, fazia esta proposta: «viver a Quaresma com os olhos postos no Pai».

Viver assim a Quaresma é «reflectir sobre o carinho providente do Pai Celeste por todos nós homens e reforçar a consciência de que Deus é realmente um Pai que nos ama infinitamente». Deus, acrescentou o Papa, «incansavelmente nos chama para Ele e, se cairmos no pecado, indica-nos o caminho para o regresso da sua casa.

Viver a Quaresma com os olhos postos no Pai exige que tomemos consciência do amor que Deus nos tem e do dever de testemunhar esse amor procurar os outros como Deus nos ama.

Viver a Quaresma com os olhos postos no Pai é também viver a caridade fraterna concretizada nas obras de misericórdia corporais e espirituais, lembra a referida mensagem

 

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai, pedindo-Lhe que todos os homens

se convertam a Cristo e tomem parte na renovação pascal.

 

1. Pela Igreja: para que o Senhor avive nela o pensamento da eternidade

e se digne renová-la por meio dos mistérios pascais,

oremos, irmãos.

 

2. Pelos que têm muitos bens ou exercem autoridade:

para que os interesses deste mundo

não os afaste dos bens eternos,

oremos, irmãos.

 

3. Pelos pobres, pelos oprimidos, pelos doentes

e pelos que sucumbiram à tentação:

para que Deus os levante e os fortaleça,

oremos, irmãos.

 

4. Por esta assembleia cristã e pelos que faltam à Missa dominical:

para que, unidos ao Senhor e a Igreja,

façamos penitência, acreditemos no Evangelho

e entremos todos no caminho da renovação pascal,

oremos, irmãos.

 

Deus todo poderoso: ouvi as orações do vosso povo, ensinai-o a escutar a vossa palavra

e a observar com amor a penitência quaresmal. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

O verdadeiro efeito da Eucaristia é transformação de um homem em Cristo. Pela Eucaristia nos tomamos concorpórios e consanguíneos de Cristo, diz S. Cirilo de Jerusalém.

 

Cântico da Comunhão: O cálice de bênção, F. Silva, NRMS 21

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Cântico de acção de graças: Bendiz minha alma o Senhor, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Disse na mística escutística que o escuteiro é activo, fazendo o bem. Não passivo sendo bom. A novidade que Jesus nos veio ensinar dizer-nos que o novo culto consiste em adorar em Cristo em verdade, no serviço e na solidariedade e aos irmãos.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

feira, 21-III: A necessidade de perdoar o próximo.

Dan. 3, 25. 34-43 / Mt. 18, 21-35

Não nos deixeis ficar envergonhados, mas tratai-nos segundo a vossa brandura e segundo a vossa misericórdia.

Sabemos que os nossos pecados, por muito numerosos e grandes que sejam, recebem o perdão, pela misericórdia de Deus (cf. Leit. e Ev.). E como reagimos perante as ofensas que o próximo nos faz?

É indispensável o nosso perdão para a vida familiar e da sociedade: «E como é grande a necessidade do perdão e da reconciliação no mundo de hoje nas nossas comunidades e família, no nosso próprio coração!» (João Paulo II). Além disso, se não perdoamos de todo o coração aos nossos irmãos «o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).

 

feira, 22-III: Benefícios do cumprimento da Lei.

Dt. 4, 1. 5-9 / Mt. 5, 17-19

Escutai agora, Israelitas, as leis e os preceitos que hoje vos ensino, a fim de os pordes em prática.

Moisés pede ao povo de Deus que cumpra a Lei e os preceitos de Deus quando entrar na terra prometida. Deste modo dará um belo exemplo aos povos vizinhos: «qual é a grande nação que tenha leis e preceitos como esta?» (Leit.). Também pedia que ensinassem aos filhos e seus descendentes.

Jesus deixou um bom exemplo de quem cumpriu tudo (cf. Ev.). E pede-nos que vivamos como Ele viveu. A nossa sociedade será tanto mais admirada quanto melhor seguirmos a lei de Deus (coerência de vida) e quanto melhor a transmitirmos à geração seguinte (educação familiar).

 

feira, 23-III: O segredo da felicidade: escutar o Senhor.

Jer. 7, 23-28 / Lc. 11, 14-23

Escutai a minha voz... Segui inteiramente o caminho que vou traçar-vos, a fim de serdes felizes.

Deus não se cansa de falar ao seu povo. Enviou muitos profetas, desde a saída do Egipto (cf. Leit.) até ao aparecimento de Cristo, a quem compete proclamar a Boa Nova. O povo não escutava a voz do Senhor (Leit.) e até se opunha a Cristo («quem não está comigo é contra mim» : Ev.).

Procuremos não fechar os nossos corações aos ensinamentos do Senhor (cf. S. Resp.). Recebamos a Boa Nova, tal como a Igreja no-la propõe. Assimilemos os seus ensinamentos para que sejam vida da nossa vida. Guardemo-los nos nossos corações e transmitamo-los aos nossos familiares e amigos.

 

feira, 24-III: Voltar para Deus e amá-lo mais.

Os. 14, 2-10 / Mc. 12, 28-34

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que não se alie aos outros poderosos, que tenha confiança no Senhor (cf. Leit.). Deus compromete-se a ajudá-lo: «amá-los-ei generosamente pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit).

Jesus confirma que Deus é o único Senhor e que é necessário amá-lo sobre todas as coisas e com todo o empenho (cf. Ev.). Nesta Quaresma pede-nos que voltemos para Deus, que o procuremos amar mais, colocando-o à frente de tudo, fazendo um esforço maior.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Armando B. Marques

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha


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