Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

08 de Dezembro de 2022

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Exulto de alegria no Senhor – M. Silva, CEC (II)

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas jóias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja dirige o seu olhar, na presente solenidade, para Aquela criatura escolhida por Deus para ser a Porta pela qual entra no Mundo a Redenção. Ela própria é a primeira redimida mesmo antes de vir a Terra o Redentor. É concebida Imaculada, sem contrair o pecado original, em previsão dos méritos do seu Filho, Jesus Cristo. No tempo de Advento, que estamos a percorrer, olhemos agradecidos, e admirados, para esta Porta que se abre na Terra para que venha o Céu até nos.

 

Acto penitencial

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na leitura do livro do Génesis, que vamos escutar, o Espírito Santo nos transmite verdades que estão na origem da nossa situação terrena. Recordaremos o pecado dos nossos Primeiros Pais, e o amor de Deus por nós que permanece intacto apesar da nossa recusa. O Senhor promete um Salvador, e aparece já anunciada a presença da Mulher pela qual chegará ao Mundo o Redentor que vence o mal e o demónio.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. [...] O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. [...] A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72),9; Is 49,23; Miq 7,17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Nova Vulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa conteret caput tuum, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se tivesse querido designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

 

Monição: No salmo que vamos rezar repetiremos “Cantai ao Senhor um cântico novo”; e de facto a maior “novidade” que aconteceu na Terra desde o início da Criação foi a concepção da criatura nova, Maria, que inaugura a Nova Criação da Humanidade redimida

 

 

Refrão:        Cantai ao Senhor um cântico novo:

o Senhor fez maravilhas.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo recorda-nos o Projecto divino para o homem, que foi destruído pelo pecado dos nossos Primeiros Pais, e restaurado por Jesus Cristo e em Jesus Cristo, com a perfeita cooperação de Maria

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus. Estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2Pe 1,4; Rom 12,1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8,15-29; Gal 4,5-7; 1Jo 3,1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 1,3), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1Pe 2,5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos (cf. Mt 5,48), demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4,23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7,10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 1, 28

 

Monição: Aclamemos o Evangelho com coração agradecido ante o mistério da Encarnação do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução (salve, na nova tradução), correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal (assim, a nova tradução da CEP propõe: “o que é concebido santo será chamdo Filho de Deus”). «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Gn 1,3; Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

 

Sugestões para a homilia

 

O pecado original e as suas consequências

A Encarnação e as suas consequências

 

 

O pecado original e as suas consequências

 

O tempo litúrgico do Advento, que há pouco começamos, tem como finalidade ajudar-nos a preparar, dignamente, a nossa alma para o Nascimento de Nosso Senhor. O Natal é a comemoração da irrupção de Deus na sua Criação. O Ceu entrou na Terra pela porta humana de uma jovem mulher, Nossa Senhora, escolhida e preparada por Deus para ser a Mãe do Filho Unigénito. Por isso recebeu todos os dons e perfeições necessários para tão altíssima missão e dignidade.

Hoje a Igreja celebra a plenitude de graça que Deus concedeu a Nossa Mãe desde o momento da sua conceição. Essa plenitude leva unida a perfeita isenção de toda espécie de mancha do pecado, incluído o original.

A leitura do livro do Genesis, na passagem referente ao pecado das origens e as consequências para toda a Humanidade, ilumina nossa condição humana atual e o plano divino para nossa redenção.

O pecado fez nascer a vergonha e o remorso da consciência. Desde então há, na pessoa humana, uma debilidade e uma fratura da sua constituição em unidade de corpo e alma. O corpo já não obedece docilmente os desejos do espírito, e tem “desejos” contrários ao bem último da pessoa. Desejos que será necessário dominar, com a ajuda de Deus, para reconstruir a unidade perdida. Essa inclinação desordenada costuma designar-se pelo nome de concupiscência.

A superação da situação decaída e fraturada da Humanidade, depois do pecado original, é anunciada no Genesis na condena dirigida à serpente, que é o demónio. Deus lhe diz:Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar”. O pecado e o demónio serão vencidos pelo amor de Deus que chega até ao extremo de habitar no meio de nós e reparar o mal dos nossos pecados com a sua vida redentora. É esse o amor que esmaga a cabeça da serpente. Um amor que continua junto de nós para que sejamos santos e imaculados, como recorda S. Paulo aos cristãos de Éfeso.

 

A Encarnação e as suas consequências

 

O evento que, há dois mil anos, transformou a Humanidade e o Cosmos numa nova Criação aconteceu na pequena e humilde casa de Nazaré onde morava Nossa Senhora. Nesse dia e nessa hora, pela total disponibilidade da Virgem Santa ao plano divino, o Eterno entrou no tempo humano, A imensidade de Deus se tornou limitada na pequenez dum corpo e alma humanos, e a omnipotência divina realizou o que supera todo poder: que Deus, em Cristo, fosse perfeito Deus e perfeito homem.

É esse o momento que S. Lucas nos apresenta no seu Evangelho, possivelmente conhecido pelo relato em primeira mão da única testemunha ali presente, Nossa Senhora. Uma mensagem do Céu é dirigida pelo Anjo à “cheia de graça”. “dirige-se a Maria com uma palavra não fácil de traduzir, que significa “cheia de graça”, “criada pela graça”, «cheia de graça» (Lc 1, 28). Antes de chamar Maria, chama-lhe cheia de graça, e assim revela o novo nome que Deus lhe atribuiu e que é mais apropriado do que o nome que lhe foi dado pelos seus pais. Também nós lhe chamamos assim, a cada Ave-Maria.

O que quer dizer cheia de graça? Que Maria é cheia da presença de Deus. E se é inteiramente habitada por Deus, nela não há lugar para o pecado. Trata-se de algo extraordinário, porque infelizmente tudo no mundo está contaminado pelo mal. Cada um de nós, olhando dentro de si mesmo, vê lados obscuros. Inclusive os maiores santos eram pecadores, e todas as realidades, até as mais sublimes, são manchadas pelo mal: todas, exceto Maria. Ela é o único “oásis sempre verde” da humanidade, a única incontaminada, criada Imaculada para acolher plenamente, com o seu “sim”, Deus que vinha ao mundo e deste modo começar uma nova história” (Papa Francisco. Ângelus, Praça de São Pedro, 8 de dezembro de 2017)

Da celebração de este dia podemos retirar duas consequências para nós:

Primeiro que é verdade que somos pecadores, não somos imaculados como nossa Mãe, mas houve um tempo em que sim fomos imaculados. O tempo que se seguiu desde nosso batismo até ao nosso primeiro pecado. Se nesse intervalo temporal tivéssemos morrido, entraríamos no Céu diretamente sem necessidade de purificação. Mas somos históricos, nossa vida é temporal e se desenvolve ao longo do tempo. Por isso a santidade ontológica adquirida no nosso batismo deve ser vivida como santidade moral todos os dias. Os nossos atos livres devem ser coerentes, na nossa biografia, com o nosso ser de filhos de Deus. É verdade, dizíamos que somos pecadores, por isso temos de retificar e reparar as nossas quedas, mas Deus o sabe bem e por isso entregou à sua Igreja o sacramento da reconciliação, que é o sacramento da nossa reconstrução da santidade batismal perdida. O Papa Bento XVI dizia que “quando nos confessamos voltamos a mergulhar no nosso próprio batismo”. Por isso o sacramento do perdão é o sacramento da nossa alegria de filhos de Deus, e os nossos pecados purificados nos tornam mais humildes, mais agradecidos e mais santos.

Em segundo lugar nos convém recordar que Aquela que é a porta pela qual o Filho de Deus entrou na Terra, é também Aquela que nos conduz a nós, filhos de Deus adotivos, até a porta pela qual entramos no Céu. Essa porta está aberta e a nosso lado permanentemente para nos ajudar. Essa porta nos leva a Jesus Cristo, caminho para a verdadeira Vida. Essa porta é a Nossa Senhora que todos os dias nos introduz um pouco mais na Glória eterna para nós preparada. Ela é a porta do Céu, mas não é um limiar que nos aguarda imóvel. Ela nos acompanha no caminho terreno e pela sua mão entraremos um dia na nossa verdadeira Pátria e a nossa primeira alegria será o abraço Maternal dos seus braços imaculados.

 

Fala o Santo Padre

 

«O “sim” de Maria a Deus assume desde o início a atitude de serviço, de atenção às necessidades dos outros.

Isto é testemunhado concretamente com a visita a Isabel logo após a Anunciação.

A disponibilidade para com Deus encontra-se na disposição de assumir as necessidades do próximo.»

Hoje celebramos a solenidade de Maria Imaculada, que se enquadra no contexto do Advento, um tempo de espera: Deus cumprirá o que prometeu. Mas na festa de hoje é-nos dito que algo  foi feito, na pessoa e na vida da Virgem Maria. Hoje consideramos o início deste cumprimento, que existe ainda antes do nascimento da Mãe do Senhor. De facto, a sua imaculada conceição leva-nos àquele preciso momento em que a vida de Maria começou a palpitar no seio materno: já existia o amor santificador de Deus, preservando-a do contágio do mal que é a herança comum da família humana.

No Evangelho de hoje ressoa a saudação do Anjo a Maria: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo» (Lc 1, 28). Deus sempre a pensou  e a quis, no seu desígnio inescrutável, como uma criatura cheia de graça, isto é, cheia do seu amor. Mas para estar repleto, é preciso encontrar espaço, esvaziar-se, pôr-se de lado. Precisamente como fez Maria, que soube pôr-se à escuta da Palavra de Deus e confiar totalmente na sua vontade, aceitando-a sem reservas na sua vida. A ponto que nela o Verbo se fez carne. Isto foi possível graças ao seu “sim”. Ao Anjo que lhe pede para estar pronta para se tornar Mãe de Jesus, Maria responde: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (v. 38).

Maria não se perde em tantos raciocínios, não coloca obstáculos no caminho do Senhor, mas entrega-se prontamente e deixa espaço para a ação do Espírito Santo. Ela põe imediatamente à disposição de Deus todo o seu ser e a sua história pessoal, para que a Palavra e a vontade de Deus os plasme e os leve a cumprimento. Assim, correspondendo perfeitamente ao desígnio de Deus sobre ela, Maria torna-se a “toda bela”, a “toda santa”, mas sem a menor sombra de autocomplacência. Ela é humilde. Ela é uma obra-prima, mas permanece humilde, pequena, pobre. Nela se reflete a beleza de Deus, que é todo amor, graça, dom de si.

Apraz-me frisar também a palavra com que Maria se define na sua entrega a Deus: professa-se “serva do Senhor”. O “sim” de Maria a Deus assume desde o início a atitude de serviço, de atenção às necessidades dos outros. Isto é testemunhado concretamente com a visita a Isabel logo após a Anunciação. A disponibilidade para com Deus encontra-se na disposição de assumir as necessidades do próximo. Tudo isto sem clamor nem ostentação, sem procurar lugares de honra, sem publicidade, porque a caridade e as obras de misericórdia não precisam de ser expostas como um troféu. As obras de misericórdia são feitas em silêncio, em segredo, sem se vangloriar. Até nas  nossas comunidades, somos chamados a seguir o exemplo de Maria, praticando o estilo de discrição e escondimento.

Que a festa da nossa Mãe nos ajude a fazer de toda a nossa vida um “sim” a Deus, um “sim” feito de adoração a Ele e de gestos diários de amor e de serviço.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 8 de dezembro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Confiantes por podermos contar sempre com Maria

em todas as dificuldades que surgem na nossa vida,

e de que Ela gosta que lhe falemos delas para nos socorrer,

lembremos-lhe, com a maior confiança o que nos preocupa.

Oremos (cantando) com toda a esperança:

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

 1. Para que o Santo Padre, com os Bispos a ele unidos,

sinta o conforto e a coragem da sua protecção materna,

oremos, irmãos.

 

 Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

2. Para que as mães de família encontrem na Imaculada

o modelo da sua entrega generosa à vocação maternal,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

3. Para que os cristãos, onde a Igreja é perseguida,

encontrem na fidelidade da Imaculada a sua força,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

4. Para que os jovens escolham Maria, a sempre jovem,

como perfeito modelo da sua caminhada na terra,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

5. Para que as associações marianas da santa Igreja

se entreguem com generosidade à sua missão,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

 

6. Para que as almas dos fiéis defuntos em purificação,

pela mediação da Imaculada entrem na Vida Eterna,

oremos, irmãos.

 

Pela Imaculada Conceição de Maria,

ouvi-nos, Senhor!

 

 

 

Senhor, que nos destes em Maria Virgem Imaculada

a Mãe solícita e abnegada de todos os momentos:

ensinai-nos a ajudai-nos a tê-l’A sempre presente,

para que Ela nos conduza à glória eterna do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tu és a glória de Jerusalém – M. Luís, CAC, pg 547

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

Deus fez Imaculada Nossa Senhora porque haveria de receber Jesus. Nós recebemos também Jesus na Sagrada Comunhão. Examinemos a nossa alma para ver se estamos em condições de comungar, e se estivermos, preparemo-nos com a ajuda de Nossa Senhora.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Voltemos aos nossos afazeres acompanhados de Maria, para proclamar como Ela em casa de Isabel, que o Senhor fez em nós coisas maravilhosas, e dar a conhecer Jesus com o bom exemplo e as nossas palavras.

 

Cântico final: Desde toda a eternidade – M. Carneiro, NRMS, 18

 

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 9-XI: A felicidade e a Palavra de Deus.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Se tivesses atendido as minhas ordens, o teu bem estar seria como um rio e a tua prosperidade como as ondas do mar.

Segundo o profeta, a nossa felicidade estaria ligada ao acolhimento da palavra de Deus (LT). No entanto, chegou o Messias, nem Ele nem João Baptista tiveram bom acolhimento (LT).

Procuremos aproveitar cada vez melhor os ensinamentos do Senhor, para adquirirmos uma maior confiança nEle, para apreciarmos melhor os tesouros de bondade, de ternura, que derrama sobre nós. E rejeitemos totalmente os comportamentos dos ímpios e os conselhos deles (SR).

 

Sábado, 10-XII: Elias, o Precursor do Senhor.

Sir 48, 1.49, 2 / Mt 17, 10-13

Como brilhaste, Elias, pelos teus prodígios. Foram preparados em ordem ao futuro.

Nas Leituras (EV e LT) é recordada a figura do profeta Elias, que realizou grandes prodígios, graças ao poder divino: ressuscitou o filho da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o monte Carmelo, etc. O seu nome significa: O Senhor é o meu Deus!

Todos estes prodígios são, no entanto, uma pequena parte daquilo que o Messias realizou. Mas agora, o fogo passa a ser o fogo do Espírito Santo, que queimará todas as impurezas do nosso coração. Se Elias restaurou tantas coisas (EV), o Messias vem restaurar tudo. Deus do Universo, vinde de novo (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Carlos Santamaria

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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