1º Domingo do Advento

27 de Novembro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  • Senhor, para Vós elevo a minha alma – M. Luís, CAC, pg 60-61

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Há algo que hoje começa: um tempo litúrgico novo, marcado, na nossa Arquidiocese, pelo tema “onde há amor, aí habita Deus”. É uma oportunidade. É uma ocasião para sentir que Deus toma a iniciativa de nos visitar, montando a sua tenda no meio de nós, seu povo.

Esta presença alimenta a nossa esperança, mas também desafia a nossa capacidade de acolher, de ser anfitriões. E, porque somos Igreja sinodal samaritana, vamos fazer este caminho de Advento e Natal juntos, em comunidade cristã, com as famílias, com os grupos de catequese, com os jovens, pois todos somos chamados a acolher o mistério de Deus que se revela em Jesus.

 

(Nota: se houver rito de acender as velas da Coroa do Advento, poderá, neste momento, acender-se a primeira vela)

 

 

Ato Penitencial

Ao Deus que nos visita e pede para estarmos preparados peçamos perdão.

 

Senhor, Jesus, esplendor da luz eterna e sol de justiça, vinde iluminar-nos. Senhor, tende piedade de nós.

 

Cristo, Rei das nações e paz do céu sobre a terra, vinde libertar-nos. Cristo, tende piedade de nós!

 

Senhor, Salvador do mundo, juiz de todos os homens, vinde salvar-nos. Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

O Senhor vem! É certo o seu Advento. É incerta a hora. Neste Domingo Jesus compara a sua vinda a um dilúvio e a um assalto. A intensidade e a surpresa são palavras familiares ao amor. Que não nos sejam entrave para o encontro com Ele. A palavra chave é vigiar.

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Vinde, ó Casa de Jacob, caminhemos à Luz do Senhor”. É este o convite do Profeta Isaías, no início deste Advento. Somos convidados a elevar o coração, a dilatar o desejo, a “subir ao alto”, a ver longe, a esperar em grande, a confiar na fidelidade deste “Deus-que-vem... É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica. É um texto paralelo a Miq 4,1-3.

1 “Isaías, filho de Amós”, não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: “Jerusalém”, ou “Sião”, é imagem da Igreja, “a nova Jerusalém” (cf. Gal 4,26; Apoc 21,2-4.10-27), para onde “afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão” (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – “subamos…” e docilidade – “ Ele nos ensinará ... e nós andaremos...”. Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria “palavra do Senhor”. O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3,22; Jo 1,21; 6,14; Lc 7,16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta “palavra do Senhor que sairá de Jerusalém”, leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em “relhas de arado e as lanças em foices“. É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como “um factor de guerra”; seria uma forma retorcida e refinada de “invocar o santo nome de Deus em vão”, contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20,7; Dt 5,11).

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: O mesmo convite a subir com alegria para a casa do Senhor, é-nos apresentado pelo Salmista. A nossa vida em ascensão e oração permanente, a nossa vida como incenso puro subindo para o nosso Deus, assim deve ser o ano que hoje começamos.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: É preciso conservar sempre a consciência de que o Senhor vem, de que a sua vinda está agora mais perto ainda do que no momento em que, pelo baptismo, entramos na comunidade do povo de Deus. Por isso, despertemos da letargia que nos mantém presos ao mundo das trevas e caminhemos, com alegria e esperança, ao encontro da salvação.

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12,1 – 15,13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois “o dia está próximo” (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5,14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1Tes 4,15.17 e 1Cor 15,51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é “revestir-se do Senhor Jesus Cristo“ (v. 14).

11 “Chegou a hora de nos levantarmos do sono” (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, “as obras das trevas”, (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, “a luz que brilha nas trevas” (Jo 1,5), por isso, “a noite vai adiantada” (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado. Com razão os cristãos são designados com o genitivo hebraico de qualidade, “filhos da luz”: Lc 16,8; Jo 12,36; Ef 5,8; 1Tes 5,5 (aqui também chamados “filhos do dia”).

12 “Obras das trevas”: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

“Armas da luz”, são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1Tes 5,8; Ef 6,13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, “ter os mesmos sentimentos de Cristo” (Filp 2,5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3,27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5,24).

 

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84, 8

 

Monição: O evangelista do ano que agora começa, não havendo razões especiais em contrário, é S. Mateus. A sua grande preocupação é a de nos apresentar Jesus como o Messias, Aquele que realiza em Si tudo o que estava predito a seu respeito no Antigo Testamento. Assim, ele nos aponta hoje aquela atitude fundamental do cristão que tanto faltou a muitos dos homens de antes de Cristo: a vigilância, própria de quem está à espera para dar acolhimento.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem».

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24,1 – 25,46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24,37 – 25,30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 “Como aconteceu nos dias de Noé…” Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10,4; Hebr 11,7; 1Pe 3,20; 2Pe 2,5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): “portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá…”.

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: “Estai vós também preparados!” Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

 

Sugestões para a homilia

 

Iniciamos um novo Ano Litúrgico que, no seu conjunto, é uma imagem e sinal sacramental, do plano eterno de salvação.  Não é mais um ano-calendário, mas marca a centralidade da vida cristã que deve ritmar toda a ação eclesial. É o mistério de Cristo, o tempo carregado de eternidade, onde Deus manifesta o seu plano salvífico e onde a Igreja considera seu dever celebrar em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo (Sacrosanctum Concilium, 102).

A primeira etapa deste caminho é feita em atitude de Advento, tempo novo que nos é oferecido como oportunidade para cultivar a esperança, a expectativa da vinda do Senhor ao nosso encontro... Tempo novo que exige, da nossa parte a disposição certa para hospedar, acolher, ser anfitrião do Deus que vem e, no respeito extremo pela nossa liberdade, deseja encontrar-nos e visitar-nos; deseja salvar-nos... Tempo novo para desenvolvermos a capacidade de sermos anfitriões das bênçãos de Deus (Cf. D. José Cordeiro, Mensagem para o Advento 2022).

 

O Senhor vem: eis a raiz da nossa esperança, a certeza de que no meio das tribulações do mundo nos vem a consolação de Deus, uma consolação que não é feita de palavras, mas de presença, da Sua presença... Ele não nos deixa sozinhos. Ele veio há dois mil anos e voltará no fim dos tempos, mas vem também hoje à na minha vida, na tua vida. Sim, esta nossa vida, com todos os seus problemas, ansiedades e incertezas, é visitada pelo Senhor (Cf. Papa Francisco, Homilia 1º Domingo do Advento 2019).  

Por isso, vinde, subamos à montanha do Senhor (1ª leitura). É este convite, da parte de Deus, que nos lança o profeta Isaías, num dos oráculos mais profundos e bonitos do A.T.. O profeta fala de um tempo diferente... aponta para os tempos futuros, como uma reunião dos povos, em que todos são convidados a subir ao monte do Senhor para ficarem à volta de Deus e conhecerem os seus caminhos. E, à medida que isto acontece, continua Isaías, à medida que todos se juntam à volta de Deus, escutam a sua Palavra e aprendem os seus caminhos…, as divisões, as hostilidades, os conflitos vão-se desvanecendo e as máquinas de guerra transformam-se em instrumentos pacíficos de trabalho e de vida.

 

Mas ao convite de Deus nós podemos responder “não eu não vou”. Em vez de nos sentirmos convidados, e esperados pelo Senhor, podemos querer continuar a viver como no tempo de Noé, numa alegre inconsciência preocupados apenas em gozar a vida descomprometida... viver adormecidos e instalados sem dar atenção às realidades essenciais. É para isso que nos alerta o Evangelho de Mateus.

É muito curioso o modo como Jesus se dirige aos seus discípulos: Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Aparentemente nada vemos de mal: comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento. Não se fala de maldade nem violência, pecados ou injustiças... mas há um pormenor que não nos pode escapar: não deram por nada. Ou seja, não esperavam ninguém, a única preocupação era ter algo para si, para consumir.

Jesus alerta-nos para o perigo da indiferença. É possível viver sem saber porquê, sem darmos por nada, nem sequer por quem passa rente a ti em tua casa, por quem te dirige a palavra... é possível viver sem saber ver os rostos: rostos dos povos em guerra; rostos de crianças vítimas da fome, da violência, de abusos ou abandono; rostos de mulheres violentadas; rostos de refugiados e migrantes em busca de sobrevivência e dignidade; rostos de doentes e de sós... É possível não dar por nada; nem nos apercebemos que esta fome de um bem estar cada vez maior está a gerar risco de morte em todo o planeta... a gerar um novo dilúvio...

 

O Senhor vem, Ele visita a humanidade! Sabemos que a sua primeira visita foi a Encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; e a segunda visita acontece no presente: o Senhor visita-nos continuamente, todos os dias, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; por fim teremos a terceira, a última visita, no esplendor da Sua glória, como proclamamos todas as vezes que recitamos o credo: De novo há de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.

Então, se o Senhor vem para nos tornarmos mais felizes, mais completos do que aquilo que éramos, qual deve ser a nossa atitude?

A nossa atitude é a da Vigilância sabendo que a noite não durará sempre e que o Senhor nos espera na sua montanha santa, para, em cada manhã, escutarmos a sua Palavra e lhe pedirmos: Senhor, põe luz nos meus pensamentos, luz nas minhas palavras, luz no meu coração para que eu te possa ver e acolher na minha vida.

A nossa atitude é também a capacidade de sermos anfitriões das bênçãos de Deus, acreditando que onde há amor, aí habita Deus... e assim revestidos das armas da luz poderemos como o salmista dizer:

Por amor de meus irmãos e amigos, pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor, pedirei para ti todos os bens.

 

Fala o Santo Padre

 

«Vigiar [significa] ter o coração livre, disposto a dar e servir.

Devemos despertar [da] indiferença, vaidade, incapacidade de estabelecer relações genuinamente humanas,

incapacidade de cuidar do nosso irmão sozinho, abandonado ou doente.»

Hoje, primeiro domingo do Advento, começa um novo Ano litúrgico. Nestas quatro semanas de Advento, a liturgia leva-nos a celebrar o Natal de Jesus, porque nos recorda que Ele vem todos os dias às nossas vidas, e voltará gloriosamente no final dos tempos. Esta certeza leva-nos a olhar para o futuro com confiança, como nos convida o profeta Isaías, que com a sua voz inspirada acompanha todo o caminho do Advento.

Na primeira leitura de hoje, Isaías profetiza que «no fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes» (2, 2). O templo do Senhor em Jerusalém é apresentado como o ponto de convergência e encontro de todos os povos. Depois da Encarnação do Filho de Deus, o próprio Jesus revelou-se como o verdadeiro templo. Portanto, a maravilhosa visão de Isaías é uma promessa divina e impele-nos a assumir uma atitude de peregrinação, de caminho para Cristo, sentido e fim de toda a história. Aqueles que têm fome e sede de justiça só podem encontrá-la através dos caminhos do Senhor, enquanto o mal e o pecado provêm do facto de os indivíduos e os grupos sociais preferirem seguir caminhos ditados por interesses egoístas, provocando conflitos e guerras. O Advento é o tempo propício para acolher a vinda de Jesus, que vem como mensageiro de paz para nos mostrar os caminhos de Deus.

No Evangelho de hoje, Jesus exorta-nos a estar prontos para a sua vinda: «Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor» (Mt 24, 42). Vigiar não significa ter os olhos materialmente abertos, mas ter o coração livre e orientado para a direção certa, ou seja, disposto a dar e servir. Isto é vigiar! O sono do qual devemos despertar é constituído pela indiferença, pela vaidade, pela incapacidade de estabelecer relações genuinamente humanas, pela incapacidade de cuidar do nosso irmão sozinho, abandonado ou doente. Portanto, a expetativa de Jesus que vem deve traduzir-se num compromisso de vigilância. Trata-se, sobretudo, de se maravilhar com a ação de Deus, com as suas surpresas e  dar-lhe a primazia. Vigilância significa também, concretamente, estar atento ao próximo em dificuldade, deixar-se interpelar pelas suas necessidades, sem esperar que ele ou ela nos peça ajuda, mas aprendendo a prevenir, a antecipar, como Deus sempre faz connosco.

Maria, Virgem vigilante e Mãe da esperança, nos guie neste caminho, ajudando-nos a dirigir o olhar para o “monte do Senhor”, imagem de Jesus Cristo, que atrai  a si todos os homens e todos os povos.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 1 de dezembro de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Peçamos ao Pai, que está nos céus,

que as próximas solenidades do Natal

tragam luz e esperança ao coração de cada ser humano,

dizendo (ou: cantando), com toda a confiança:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Senhor, venha a nós o vosso reino.

 

1.      Pelos pastores e fiéis da santa Igreja,

para que vivendo dignamente, como em pleno dia,

sejam sinal da vinda próxima do Senhor, oremos.

 

2.      Pelas nações do mundo inteiro e seus governos,

para que, abandonando os caminhos da guerra,

convertam as armas em instrumentos de paz, oremos.

 

3.      Por todas as Igrejas e comunidades cristãs,

para que se revistam dos sentimentos de Jesus

e apressem a reconciliação tão desejada, oremos.

 

4.      Pelas crianças e jovens dos grupos de catequese,

para que em Cristo, Filho de Deus e de Maria,

descubram Aquele que dá sentido às suas vidas, oremos.

 

5.      Pelos que, nesta comunidade (paroquial) ou em qualquer outra,

estão de vela junto aos doentes e aos moribundos,

para que o Senhor seja a sua recompensa, oremos.

 

Senhor, nosso Deus, não nos deixeis andar sonolentos, no meio das injustiças deste mundo, mas dirigi o nosso coração e o nosso olhar para Aquele que nos vem trazer a paz. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Senhor virá governar com Justiça – J. F. Silva, NRMS, 7

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Nós acreditamos que, sobre o altar da celebração e no Sacrário está presente o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, como está no Céu.

Adoremos profundamente o nosso Deus e, com verdadeira humildade, preparemo-nos para O receber sacramentalmente. 

 

Cântico da Comunhão: Estai preparados – A. F. Santos, ENPL, XIX

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas povo de Deus – M. Borda, NRMS, 56

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Bênção Solene do Advento

 

Monição final

 

Ide em paz e vivei com o coração vigilante. O que aqui celebraste se torne realidade na vida de cada dia. Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e que Ele vos acompanhe.

 

Cântico final: Ave Maria Senhora – J. F. Silva, NRMS, 81

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-XI: O Bom acolhimento do Senhor.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

O centurião: Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

Ao começarmos o novo Ano litúrgico, procuremos aproximar-nos mais do Senhor, que vem ter connosco (LT) O centurião aproximou-se do Senhor, para que lhe curasse um seu criado (EV).

As virtudes requeridas nas Leituras são fundamentalmente: a fé (do centurião) e a alegria: iremos com alegria para a casa do Senhor (SR). A Igreja também nos anima a viver estas virtudes quando, por exemplo, nos preparamos para a Comunhão sacramental; quando nos confessamos para O recebermos, como Nossa Senhora O recebeu.

 

3ª Feira, 29-XI: A actuação do Espírito Santo.

Is  11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Sobre Ele repousará o Espírito Santo: espírito de sabedoria e inteligência, espírito de conselho e de fortaleza.

O profeta anuncia a actuação do Espírito Santo no Messias esperado. Ele virá restaurar a harmonia do princípio da criação (LT). E S. Lucas mostra já realizada essa actuação: Jesus estremeceu de alegria pela ação do Espírito Santo (EV).

Esta actuação do Espírito Santo será comunicada a todo o povo de Deus para que se obtenham frutos abundantes. A primeira beneficiada foi Nossa Senhora, que deu à luz Jesus. E todos precisamos do Espírito Santo para que se forme a imagem de Cristo, restaurando a «semelhança divina» e assim nos parecermos cada vez mais com Ele.

 

4ª Feira, 30-XI: Santo André, Apóstolo: Falar do Messias aos amigos.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Jesus viu dois irmãos: Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam ao mar uma rede, pois eram pescadores.

André foi um dos primeiros discípulos de João Baptista. Tendo ouvido falar do Messias, apresentou-lhe o seu irmão Simão (EV). Segundo a Tradição, pregou o Evangelho na Grécia e morreu crucificado numa cruz como todos os Apóstolos: Ai de mim senão pregar o Evangelho (LT).

Como Santo André, não deixemos de levar aos amigos e conhecidos a notícia da chegada do Messias, para que se preparem para O acolherem bem. A voz deles propagou-se por toda a terra e, as suas palavras, até aos confins do mundo (SR).

 

5ª Feira, 1-XII: Apoiar-se em Cristo.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

O Messias é apresentado como uma rocha eterna (LT). Todos somos convidados a edificar a nossa vida em Cristo, e não na areia, que não tem consistência (EV), ou então apoiando-nos apenas em nós. Melhor é procurar refúgio no Senhor (SR).

Edificamos a nossa vida, apoiados em Cristo, quando ouvimos as suas palavras, que são palavras de vida eterna, e que são conselhos para os problemas que dizem respeito ao nosso trabalho, à vida familiar, à construção de uma sociedade mais justa, etc. Deste modo, seremos também uma rocha para os outros.

 

6ª Feira, 2-XII: Bom acolhimento para o Senhor

Is 29, 1-5 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escravidão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios com a vinda do Messias (LT). Entre eles, está a cura de dois cegos que o reconhecem como Filho de David (EV).

Pedimos ao Senhor que nos abra os olhos para a luz divina. O Senhor é a minha luz e salvação (SR). Uma luz para podermos ver Jesus nas outras pessoas que nos rodeiam, nos acontecimentos de cada dia, para as vermos com sentimentos de misericórdia, para as vermos como Ele as vê: a dor, o trabalho, a vida familiar. E também os ouvidos: os surdos ouvirão a palavra do livro divino.

 

Sábado, 3-XII: Frutos abundantes.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1, 6-8

O Senhor dará chuva para a semente que tiveres lançado à terra e haverá frutos abundantes, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

De acordo com o profeta, o Messias exercerá a sua misericórdia e haverá frutos abundantes (LT). Jesus manifesta a misericórdia, cura doenças e proclama a Boa Nova aos que andam como ovelhas sem pastor (EV). Ele cura os corações feridos (SR).

Para que haja abundância de frutos é preciso acolher bem a palavra de Deus. Jesus pede-nos que continuemos a sua missão. Ensinemos, portanto, os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostrando-lhes os caminhos da felicidade. Acompanhemos o nosso trabalho com a oração: pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a messe (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo


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