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O PRESÉPIO

 

Hugo de Azevedo

 

 

Como celebrar o Natal? Tivéssemos nós poder, com uma louca festa de galáxias! O Universo recebe o Criador em corpo e alma de criatura! A estrela dos Magos é tão pouco! Tão fugaz! Este é o mistério.

 

O mistério somos nós, pó e cinza, e o coração aberto ao infinito, que não há universos que nos bastem. Pois aqui temos o Infinito por que ansiamos. E havíamos perdido.

 

E vem mais próximo de nós do que no Paraíso com os nossos primeiros Pais; vem para estar connosco na máxima união e intimidade possíveis. Inimagináveis.

 

Inimagináveis, que é a primeira garantia de verdade: nunca o homem sonharia tal coisa, tal intimidade, anímica e corporal, tão humana e sobrenatural, com Ele. Só o Amor infinito. Podem muitos descrer de tal mistério; o que não podem é negar a sua surpreendente coerência com a infinitude do amor divino.

 

E, justamente, o homem só se conhece bem quando isto é realizado e lhe é revelado. Descobre então em si mesmo tais anseios e sonhos, que nunca admitiria senão como sintomas de loucura. «Cristo mostra o homem ao próprio homem», dizia S. João Paulo II.

 

A contemplação do Presépio abre um silêncio profundo na nossa alma. Não há palavras nem conceitos proporcionais a tal realidade. Um silêncio que é continuação do maravilhado silêncio de Maria e de José na gruta de Belém.

 

Cantem os anjos.

 

 

 

 

 

 

 


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