Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

3ª Missa

2 de Novembro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós te rogamos, Senhor – M. Luís, NRMS, 19-20

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ontem a solenidade de Todos os Santos e, hoje, a comemoração dos fiéis defuntos, convidam-nos a olhar para a meta definitiva da nossa vida: o Paraíso.

Disse Jesus aos Apóstolos: «Vou preparar-vos um lugar para que, onde Eu estiver, estejais vós também. E vós sabeis para onde Eu vou e conheceis o caminho» (Jo 14, 2-4).

Pensar no Céu, seguindo a Cristo, dá-nos aquela serenidade e aquela coragem indispensáveis para enfrentar as dificuldades quotidianas, com a esperança certa de participar um dia no júbilo eterno da comunhão dos Santos.

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A perspetiva messiânica da primeira leitura, tirada do livro do profeta Isaías, terá a sua plena realização quando o Senhor, ao vencer completamente a morte, vier a coroar a Sua obra na altura da ressurreição geral.

 

1 Tessalonicenses 4,13-18

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (talvez apenas uns dois ou três meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1Tes 1,7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1Tes 3,1-2.6). 

13 S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3,10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13).  Garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha).

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1Cor 15,30-31; 2Cor 1, 8-9; 4,14; Filp 2,17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então estiverem vivos, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1Cor 15,51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

16 A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cfr. Dan 7,13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas, a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada anástasis. Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 1954, pp. 29-34. Por outro lado, J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19,17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro. Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos; «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyríou.

17 O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: Ainda andemos por vales tenebrosos, não temamos porque o Senhor está connosco, Ele é o nosso Bom Pastor.

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor:

                     nada me faltará.

 

Ou:               Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                     nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Jesus dá tudo e dá-se a Si mesmo para nos alcançar a fonte da vida eterna.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6,37-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 37«Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei, 38porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. 39E a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. 40De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

As palavras do Senhor são solenes, como se pode ver pela repetição dos vv. 37.39.40, palavras que enchem de esperança todos os fiéis, ou seja, aqueles que, movidos pela graça de Deus – «tudo o que o Pai me dá» vêm a Jesus pela fé na sua palavra e nas suas obras - «virá a Mim». A fé em Jesus leva à «vida eterna» e à «ressurreição no último dia», isto é, no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

(Ver primeira missa)

 

 

Oração Universal

 

(Ver primeira missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Felizes os homens – M. Simões, NRMS, 11

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

O Pão eucarístico é penhor de vida eterna. Embora tenha de passar pela morte corporal quem dele comer viverá eternamente.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida – M. Faria, NRMS, 19-20

Filip 3, 20-21

Antífona da comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

Cântico de acção de graças: Aquele que vive e crê em Mim – A. Oliveira, NRMS, 144

 

Oração depois da comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

«Preferíamos exilar-nos do corpo para irmos habitar junto do Senhor». Paulo tem pressa do futuro, mas a missão prende-o no presente. Judas Macabeu vira partir muitos dos seus homens, mortos no campo de batalha por fidelidade à aliança com o Senhor. Ausentes, faziam parte do seu presente; ausentes, eram estímulo à continuação da luta. Foram heróis na fé e firmes na esperança da libertação de Jerusalém. Por amor ao Senhor. Só a comunhão no amor une passados e futuros, em que se parte ficando e se fica partindo. O Dia de Fiéis Defuntos faz parte da comunhão dos santos que ontem celebrámos. Aos que já estão na festa do Cordeiro, pedimos por nós; os que estão a caminho, pedimos por eles. Um único desejo: encontrarmo-nos todos, um dia, «junto do Senhor» onde o «banquete de manjares suculentos» anunciado por Isaías já está a ser preparado pelo «Pão vivo que desceu do céu». Só então acabarão as saudades.

 

Cântico final: Eu sei que o meu redentor vive – M. Faria, NRMS, 19-20

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 3-XI: A conversão dos pecadores e a vida eterna.

Flp 3, 3-8 / Lc 15, 1-10

Este homem acolhe os pecadores e come com eles.

O Senhor acolhe efectivamente os pecadores (EV). Assim o deu a entender porque, ao sentar-se à mesa com eles, os admitia também no banquete messiânico. Ele só espera que eles se convertam, pois só assim entrarão no Reino. E mostra-lhes a imensa alegria que haverá no Céu por um só pecador que se arrependa (EV):

S. Paulo, depois da sua conversão, confessa: considero todas as coisas como prejuízo, perante a enorme vantagem de conhecer Cristo Jesus, Senhor meu, Por Ele, aceito todos os danos, e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo (LT). Recordai as suas maravilhas, prodígios, oráculos da sua boca (SR).

 

6ª Feira, 4-XI: Bens terrenos e vida eterna.

Flp 3, 17-4, 1 / Lc 16, 1-8

Quanto a nós, a nossa pátria está nos Céus: e de lá esperamos, como salvador, o Senhor Jesus Cristo.

O Apóstolo lamenta, banhado em lágrimas, aqueles que se portam como inimigos da Cruz de Cristo, que só apreciam as coisas terrenas. Esquecem-se da verdadeira pátria, que está no Céu (LT). Iremos com alegria para a casa do Senhor (SR).

Para isso, precisamos ser bons administradores dos bens da terra que o Senhor nos confiou, pois somos chamados a prestar contas dos bens recebidos. Tudo o que o verdadeiro cristão possui, deve olhá-lo como um bem que lhe é comum com os demais. O cristão é um administrador dos bens do Senhor (EV).

 

Sábado, 5-XI: Desprendimento e vida eterna.

Flp 4, 10-19 / Lc 16, 9-15

Em todo o tempo e em todas as situações, estou preparado para comer com fartura e passar fome, para viver na abundância e para viver na penúria.

O Apóstolo ensina-nos a aceitar com paz e alegria a escassez e, até a falta do que é necessário; a evitar os gastos pessoais, devido ao capricho, à vaidade, ao desleixo, etc.

Não podemos servir a dois senhores (EV). Toda a prática que reduza as pessoas a não serem mais que simples meios com vista ao lucro, escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para propagar o ateísmo. Não podemos servir a Deus e ao dinheiro (EV). Procuremos ser fiéis nas coisas pequenas para sermos fiéis nas grandes (EV)

 

 

 

Celebração e Homilia:       Nuno Westwood

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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