30º Domingo Comum

23 de Outubro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Jesus Tu me chamaste – H. Faria, NRMS, 30

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A vida de cada um de nós há-de ser uma caminhada para o Céu. Ali nos espera o prémio da vitória.

Para o alcançarmos temos de lutar. Uma luta dentro de nós. É o bom combate da fé, de que fala S.Paulo na segunda leitura de hoje.

Na Santa Missa vimos renovar o nosso empenho por ser santos e, enchendo-nos da força de Cristo.

 

Reconheçamos os nossos pecados, as feridas da nossa alma e peçamos perdão ao Senhor para que nos cure e purifique.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus escuta a oração do humilde. A humildade é condição fundamental para a oração bem feita.

 

Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a (grego: 12-14.16-18)

 

15bO Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. 16Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. 17Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. 20Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. 21A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. 22aNão desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.

 

A leitura é tirada do corpo do livro de Ben Sira (2 – 43), uma longa amálgama de conselhos morais e sábias sentenças. Neste trecho, ao mesmo tempo que se fala das boas disposições de Deus para quem o invoca, também põe em evidência as condições de uma boa oração: confiança, perseverança e humildade: «A oração do humilde atravessa as nuvens» (v. 21).

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

 

Monição: Neste salmo louvamos o Senhor que escuta a nossa oração e nos conforta em todas as angústias.

 

Refrão:        O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.

 

Ou:               O Senhor ouviu o clamor do pobre.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor,

escutem e alegrem-se os humildes.

 

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo escreve a Timóteo e lembra que a sua vida, que está chegar ao fim, a ofereceu toda ao Senhor,  trabalhando para que a mensagem do Evangelho chegasse a toda a parte.

O Senhor dará o prémio da vida eterna a ele e a todos os que esperam com amor a Sua vinda.

 

2 Timóteo 4, 6-8.16-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 16Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos hoje a parte final da 2ª Carta enviada a Timóteo desde um calabouço em Roma, onde aguardava o seu iminente martírio, no termo do seu 2º cativeiro romano.

6 «Eu já estou oferecido em libação», isto é, «estou a chegar ao momento de derramar o meu sangue em sacrifício». A expressão deve entender-se à luz do costume pagão de fazer libações (sacrifícios que consistiam no derramamento ritual de líquidos em honra da divindade), por ocasião da morte de alguém. Com esta maneira de falar, S. Paulo quer dizer que já chegou a hora da sua morte. Pode significar também que a sua morte violenta – com derramamento de sangue por Cristo e em união com Ele – tem um certo carácter sacrificial, por se tratar de uma imolação em honra de Deus.

«O tempo da minha partida (à letra: o desprender das amarras, isto é, a morte) está iminente». Estamos seguramente no ano 67, ano do martírio do Apóstolo.

7-8 «Combate… carreira… coroa…»: mais uma vez aparece a bela maneira paulina de apresentar a vida cristã como um desporto sobrenatural, através das imagens duma luta, duma corrida e da coroa a ser atribuída por um árbitro; este é Deus, que contempla a competição e atribui o prémio. Era costume honrar os vencedores dos certames com coroas tecidas de agulhas de pinheiros, ou de folhas de louro ou oliveira; a coroa também podia, como hoje, pertencer às honras fúnebres. Esta imagem da coroa já designava então a vida eterna na bem-aventurança do Céu, como prémio de uma vida santa; é dita uma «coroa de justiça», por ser atribuída a quem praticou a justiça, ou obras justas, isto é, de acordo com a vontade de Deus. Mas a ideia de retribuição devida aos méritos também fica patente no texto, pois o prémio é dado por aquele que é o «justo juiz»: Deus remunerador, perante quem todos teremos de prestar contas, «naquele dia», o da «sua vinda», à letra, o da a sua manifestação (epifáneia); «com efeito, todos havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba conforme aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto estava no corpo» (2 Cor 5,10).

17 «E todas as nações a ouvissem». Esta tradução não é a seguida habitualmente pelos comentadores, pois não parece que haja aqui uma referência à pregação da «mensagem do Evangelho» (o texto original fala simplesmente de pregação, sem mais: kérygma); parece referir-se antes a um testemunho dado provavelmente no julgamento público, ouvido «por todos os gentios» (e não por «todas as nações», como diz a actual tradução bíblica revista). Tratar-se-ia de um testemunho de tal modo convincente, que levou ao adiamento da sentença: e eu fui libertado da boca do leão, isto é, da morte (cf. Salm 21(22),22).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: Jesus ensina-nos a rezar com humildade e confiança, para que Deus nos escute. Aclamemos a Sua Palavra e ouçamos com atenção.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 9-14

9Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: 10«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. 13O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. 14Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

 

A parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, é uma forma de Jesus ensinar a humildade, a atitude fundamental com que o homem tem de se apresentar diante de Deus para ser atendido.

11 «Meu Deus, dou-Vos graças». Temos um exemplo da «oração dos hipócritas» (Mt 6,5). O que o fariseu faz não é propriamente rezar, mas gabar-se; não dialoga com Deus, fala consigo. Ele também tem pecados, mas a sua soberba não o deixa ter a hombridade de os reconhecer. Para ele, os maus são os outros, com quem se compara – «não sou como este publicano» –; sente-se com autoridade para julgar, e condena os outros. Apoia-se nas suas pretensas boas obras e, ao não se apoiar na misericórdia de Deus, sai do templo em pecado. Justifica-se a si mesmo e sai por justificar, pois só Deus pode tornar o homem justo. Ele agradece a Deus, mas, no fundo, o que ele pensa é que Deus é quem lhe deve estar agradecido!

14 Pelo contrário, a oração humilde do pecador, que reconhece sinceramente as suas culpas e se arrepende, comove o coração de Deus: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa». A doutrina que S. Paulo havia de desenvolver sobre a justificação pela fé e não pelas obras vai na linha do ensino desta parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

1) Tende compaixão de mim

2) Combati o bom combate

3) A coroa da justiça

 

 

1) Tende compaixão de mim

 

 Jesus apresenta-nos o exemplo do publicano, considerado pecador, como exemplo de oração humilde que Deus não deixa de escutar. Podemos facilmente cair na situação do fariseu orgulhoso, que vai ao templo para se gabar diante de Deus, desprezando os outros. Quando alguém está cheio de si mesmo não pode abrir-se à graça.

Isto pode acontecer na oração e também na confissão. Podemos chegar junto do sacerdote e apresentar as coisas boas que fazemos e acusar os pecados dos outros. Assim fechamo-nos à graça e ao perdão de Deus. Saibamos examinar-nos com sinceridade, chamando os bois pelo nome e reparando nas faltas que nos parecem pequenas mas que ofendem a Deus.

Devemos sempre começar dizendo: padre, acuso-me disto e disto... Não nos desculpemos.  Saibamos bater no peito como o publicano e receberemos o perdão do Senhor e encontraremos a alegria que Deus quer dar aos humildes.

Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes” (1 Ped 5, 5) - diz-nos a Sagrada Escritura. Hoje que o orgulho e a vaidade imperam por toda a parte precisamos de cultivar com mais empenho a humildade. Santa Teresa de Ávila dizia que a humildade é a verdade. Se alguma coisa temos de bom foi Deus que no-lo deu. Temos de lho agradecer. De nosso temos apenas os pecados. Havemos de os reconhecer e pedir perdão ao Senhor, que nos perdoa e nos limpa e nos enche da Sua graça.

 

2) Combati o bom combate

 

S.Paulo, nos finais da vida, em Roma,  escreve a seu discípulo Timóteo consciente de que a sua carreira estava a chegar ao fim. Não o assustava a morte nem o martírio que se aproximava. E pode exclamar: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”.

Toda a vida, após a conversão, foi gasta ao serviço de Cristo, espalhando por toda a parte a Sua doutrina, sem se poupar a sacrifícios, sem medo das perseguições.

Também nós temos o nosso combate na vida de cada dia. Em primeiro lugar dentro da nossa alma. Procurando cumprir fielmente a vontade de Deus, lutando contra os nossos defeitos, acudindo às fontes da graça, cuidando os tempos de oração, recorrendo ao sacramento da penitência com assiduidade, preparando bem o nosso encontro com Cristo na Eucaristia. É a ascese cristã, a luta diária pela santidade, o único negócio que vale a pena e que não podemos descuidar, sob pena de termos fracassado em nossa vida.

João Paulo II lembrava, ao começar o terceiro milénio, que a meta para todos os cristãos é a santidade. O mesmo tem repetido o Santo Padre Bento XVI. O mesmo o papa Francisco

 A Igreja celebrou há pouco a festa de santa Teresa do Menino Jesus. No livro História de uma alma fala do seu desejo de santidade e da consciência da sua pequenez. E descreve a sua descoberta: “Não vai Deus inspirar desejos impossíveis de realizar. Apesar da minha pequenez, nada me impede de aspirar à santidade: Não posso progredir? Terei paciência para me ir suportando como sou, com as minhas imperfeições sem conto. Mas hei-de buscar meio de chegar ao céu por algum caminhito bem direito, bem curto, por uma sendazinha inteiramente nova”

 E Teresa descobre aquilo que chamou o seu ascensor divino: fazer-se pequena nos braços de Jesus. “O ascensor em que hei-de subir ao céu são os vossos braços, ó meu Jesus! Para isso não preciso crescer; pelo contrário, tenho que ser pequenina, tornar-me cada vez mais pequenina” (História de uma alma, Porto 1952, p168).

Podemos amar a Deus apesar de sermos pequenos, se pomos amor nas coisas insignificantes de cada dia. É o amor que dá valor a tudo o que fazemos. Se na Igreja há muitas funções, muitas vocações, a jovem carmelita gostaria de ser no Corpo Místico o coração, crescendo sempre mais no amor e desempenhando assim todas as vocações (Ib., p237).

Para sermos santos contamos com a ajuda do Espírito Santo que Jesus nos enviou no dia do nosso baptismo e depois na confirmação. É Ele que nos faz santos.

Temos de contar com Ele, deixar-nos modelar por Ele. Para nos fazer santos conta com a nossa docilidade. O pecado mortal expulsa-O da nossa alma: o pecado venial estorva a Sua acção em nós. Por isso temos de converter-nos, tirar os obstáculos à acção do Paráclito. Deus que quer divinizar-nos. Peçamos ao Divino Santificador que nos dê um horror muito grande ao pecado mesmo venial. Ele é a única desgraça que verdadeiramente nos pode acontecer. Porque nos leva a perder a Deus e a rejeitar o Seu amor e a Sua salvação.

A luta pela santidade anda unida ao apostolado. O Senhor enviou os Doze por todo o mundo a espalhar a Boa Nova. Enviou a Paulo depois de convertido e a tantos outros que foram colaboradores dos Apóstolos e seus sucessores. Mas envia também todos os Seus discípulos a espalhar a mensagem de salvação entre aqueles que os rodeiam. Assim fizeram os primeiros cristãos, como nos relata o Livro dos Actos dos Apóstolos. O cristianismo espalhou-se rapidamente pelo Império Romano. Apesar das perseguições e apesar do ambiente de podridão que reinava em muitas cidades romanas.

O exemplo daqueles homens e mulheres que levavam uma vida limpa, que amavam até os seus inimigos, que iam para o martírio a cantar com alegria impressionava os que os viam e a sua palavra corajosa e cheia de entusiasmo ia dando a conhecer Jesus e conquistava para Ele novos seguidores.

Temos de imitar esses irmãos nossos e transformar o mundo para Cristo. Este mundo tantas vezes apodrecido nos vícios, que não satisfazem o coração humano.

Que todos nós saibamos combater o bom combate e guardar a fé, tesouro maravilhoso que o Senhor nos confiou e que temos obrigação de comunicar aos outros.

 

3) A coroa da justiça

 

O cristão sabe que vale a pena. Está-nos reservada a coroa da justiça, o premio da santidade, que Deus quer dar a todos os que tiverem esperado com amor a Sua vinda. Espera-nos a felicidade do Céu se somos fiéis. E encontraremos a alegria já na terra, mesmo em meio das dificuldades e dores.

Santa Teresinha do Menino Jesus morreu com uma tuberculose, que na época era muito difícil de curar. E sofreu com alegria as muitas dores que acompanharam os seus últimos anos. Conta ela na História duma alma que na Quinta feira Santa, pouco tempo antes de morrer, estivera em adoração à Santíssima Eucaristia até à meia noite. Ao deitar-se veio-lhe à boca uma golfada de sangue. Dormiu tranquilamente mas repetiu-se na noite seguinte. Teresa dá conta da gravidade da doença e da proximidade da morte. Fica cheia de alegria interior. É o esposo divino que bate à sua porta a chamá-la para Ele.

“Era nessa conjuntura tão viva e tão clara a minha fé que o pensamento do Céu me inebriava de contentamento” (Ib.p172 ).

Dentro de dias a Igreja convida a contemplar a multidão incontável dos nossos irmãos que já alcançaram a glória do Céu. Eles animam-nos com o seu exemplo, apoiam-nos com a sua intercessão. E dizem-nos que o único que vale a pena é amar a Deus, ser santo, combatendo o bom combate da fé e do amor. Apesar das nossas falhas e derrotas: se lutamos e nos arrependemos com a humildade do publicano e começamos de novo apoiados na graça de Deus.

Pelo baptismo tornámo-nos filhos de Deus e herdeiros do Céu, da Sua riqueza infinita. Se vivemos como Seus filhos, já temos a Deus e Sua riqueza infinita. O Céu começa já na terra.

Um dia acabarão as dores, as penas. Será a felicidade plena que não termina e que não cansa.

Que a Virgem do Rosário nos anime a olhar para o Céu e combater cá na terra o bom combate da fé.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

PAPA FRANCISCO

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2022

«Sereis minhas testemunhas» (At 1, 8)

Estas palavras encontram-se no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos: «Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (1, 8). E constituem também o tema do Dia Mundial das Missões de 2022, que, como sempre, nos ajuda a viver o facto de a Igreja ser, por sua natureza, missionária. Neste ano, o citado Dia proporciona-nos a ocasião de comemorar algumas efemérides relevantes para a vida e missão da Igreja: a fundação, há 400 anos, da Congregação de Propaganda Fide – hoje designada Congregação para a Evangelização dos Povos – e, há 200 anos, da «Obra da Propagação da Fé; esta, juntamente com a Obra da Santa Infância e a Obra de São Pedro Apóstolo, há 100 anos foram reconhecidas como «Pontifícias».

Detenhamo-nos nestas três expressões-chave que resumem os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: «Sereis minhas testemunhas», «até aos confins do mundo» e «recebereis a força do Espírito Santo».

1. «Sereis minhas testemunhas» – A chamada de todos os cristãos a testemunhar Cristo

É o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em ordem à sua missão no mundo. Todos os discípulos serão testemunhas de Jesus, graças ao Espírito Santo que vão receber: será a graça a constituí-los como tais, por todo o lado aonde forem, onde quer que estejam. Tal como Cristo é o primeiro enviado, ou seja, missionário do Pai (cf. Jo 20, 21) e, enquanto tal, a sua «Testemunha fiel» (Ap 1, 5), assim também todo o cristão é chamado a ser missionário e testemunha de Cristo. E a Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, não tem outra missão senão a de evangelizar o mundo, dando testemunho de Cristo. A identidade da Igreja é evangelizar.

Uma releitura de conjunto mais aprofundada esclarece-nos alguns aspetos sempre atuais da missão confiada por Cristo aos discípulos: «Sereis minhas testemunhas». A forma plural destaca o caráter comunitário-eclesial da chamada missionária dos discípulos. Todo o batizado é chamado à missão na Igreja e por mandato da Igreja: por isso a missão realiza-se em conjunto, não individualmente: em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria. E ainda que alguém, numa situação muito particular, leve avante a missão evangelizadora sozinho, realiza-a e deve realizá-la sempre em comunhão com a Igreja que o enviou. Como ensina São Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi (um documento de que muito gosto), «evangelizar não é, para quem quer que seja, um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial. Assim, quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade ou administra um Sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um ato de Igreja e o seu gesto está certamente conexo, por relações institucionais, como também por vínculos invisíveis e por raízes recônditas da ordem da graça, à atividade evangelizadora de toda a Igreja» (n.º 60). Com efeito, não foi por acaso que o Senhor Jesus mandou os seus discípulos em missão dois a dois; o testemunho prestado pelos cristãos a Cristo tem caráter sobretudo comunitário. Daí a importância essencial da presença duma comunidade, mesmo pequena, na realização da missão.

Em segundo lugar, é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão: são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo. Assim o diz, com palavras verdadeiramente comoventes, o apóstolo Paulo: «Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo» (2 Cor 4, 10). A essência da missão é testemunhar Cristo, isto é, a sua vida, paixão, morte e ressurreição por amor do Pai e da humanidade. Não foi por acaso que os Apóstolos foram procurar o substituto de Judas entre aqueles que tinham sido, como eles, testemunhas da ressurreição (cf. At 1, 22). É Cristo, e Cristo ressuscitado, Aquele que devemos testemunhar e cuja vida devemos partilhar. Os missionários de Cristo não são enviados para comunicar-se a si mesmos, mostrar as suas qualidades e capacidades persuasivas ou os seus dotes de gestão. Em vez disso, têm a honra sublime de oferecer Cristo, por palavras e ações, anunciando a todos a Boa Nova da sua salvação com alegria e ousadia, como os primeiros apóstolos.

Por isso, em última análise, a verdadeira testemunha é o «mártir», aquele que dá a vida por Cristo, retribuindo o dom que Ele nos fez de Si mesmo. «A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 264).

Enfim, a propósito do testemunho cristão, permanece sempre válida esta observação de São Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas» (Evangelii nuntiandi, 41). Por conseguinte é fundamental, para a transmissão da fé, o testemunho de vida evangélica dos cristãos. Por outro lado, continua igualmente necessária a tarefa de anunciar a pessoa de Jesus e a sua mensagem. De facto, o mesmo Paulo VI continua mais adiante: «Sim! A pregação, a proclamação verbal duma mensagem, permanece sempre como algo indispensável. (...) A palavra continua a ser sempre atual, sobretudo quando ela for portadora da força divina. É por este motivo que permanece também com atualidade o axioma de São Paulo: “A fé vem da pregação” (Rom 10, 17). É a Palavra ouvida que leva a acreditar» (Ibid., 42).

Por isso, na evangelização, caminham juntos o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo. Um serve ao outro. São os dois pulmões com que deve respirar cada comunidade para ser missionária. Este testemunho completo, coerente e jubiloso de Cristo será seguramente a força de atração para o crescimento da Igreja também no terceiro milénio. Assim, exorto todos a retomarem a coragem, a ousadia, aquela parresia dos primeiros cristãos, para testemunhar Cristo, com palavras e obras, em todos os ambientes da vida.

2. «Até aos confins do mundo» – A atualidade perene duma missão de evangelização universal

Ao exortar os discípulos a serem as suas testemunhas, o Senhor ressuscitado anuncia aonde são enviados: «Em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8). Aqui emerge muito claramente o caráter universal da missão dos discípulos. Coloca-se em destaque o movimento geográfico «centrífugo», quase em círculos concêntricos, desde Jerusalém – considerada pela tradição judaica como centro do mundo – à Judeia e Samaria, e até aos extremos «confins do mundo». Não são enviados para fazer proselitismo, mas para anunciar; o cristão não faz proselitismo. Os Atos dos Apóstolos narram-nos este movimento missionário: o mesmo dá-nos uma imagem muito bela da Igreja «em saída» para cumprir a sua vocação de testemunhar Cristo Senhor, orientada pela Providência divina através das circunstâncias concretas da vida. Com efeito, os primeiros cristãos foram perseguidos em Jerusalém e, por isso, dispersaram-se pela Judeia e a Samaria, testemunhando Cristo por toda a parte (cf. At 8, 1.4).

Algo semelhante acontece ainda no nosso tempo. Por causa de perseguições religiosas e situações de guerra e violência, muitos cristãos veem-se constrangidos a fugir da sua terra para outros países. Estamos agradecidos a estes irmãos e irmãs que não se fecham na tribulação, mas testemunham Cristo e o amor de Deus nos países que os acolhem. A isto mesmo os exortava São Paulo VI, ao considerar a «responsabilidade que se origina para os migrantes nos países que os recebem» (Evangelii nuntiandi, 21). Com efeito, experimentamos cada vez mais como a presença dos fiéis de várias nacionalidades enriquece o rosto das paróquias, tornando-as mais universais, mais católicas. Consequentemente, o cuidado pastoral dos migrantes é uma atividade missionária que não deve ser descurada, pois poderá ajudar também os fiéis locais a redescobrir a alegria da fé cristã que receberam.

A indicação «até aos confins do mundo» deverá interpelar os discípulos de Jesus de cada tempo, impelindo-os sempre a ir mais além dos lugares habituais para levar o testemunho d’Ele. Hoje, apesar de todas as facilidades resultantes dos progressos modernos, ainda existem áreas geográficas aonde não chegaram os missionários testemunhas de Cristo com a Boa Nova do seu amor. Por outro lado, não existe qualquer realidade humana que seja alheia à atenção dos discípulos de Cristo, na sua missão. A Igreja de Cristo sempre esteve, está e estará «em saída» rumo aos novos horizontes geográficos, sociais, existenciais, rumo aos lugares e situações humanos «de confim», para dar testemunho de Cristo e do seu amor a todos os homens e mulheres de cada povo, cultura, estado social. Neste sentido, a missão será sempre também missio ad gentes, como nos ensinou o Concílio Vaticano II (veja-se, por exemplo, o Decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, 07/XII/1965), porque a Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo. A propósito, quero lembrar e agradecer aos inúmeros missionários que gastaram a vida para «ir mais além», encarnando a caridade de Cristo por tantos irmãos e irmãs que encontraram.

3. «Recebereis a força do Espírito Santo – Deixar-se sempre fortalecer e guiar pelo Espírito

Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Com efeito, segundo a narração dos Atos, foi precisamente a seguir à descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que teve lugar a primeira ação de testemunhar Cristo, morto e ressuscitado, com um anúncio querigmático: o chamado discurso missionário de São Pedro aos habitantes de Jerusalém. Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos.

Como «ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor” senão pelo Espírito Santo» (1 Cor 12, 3), também nenhum cristão poderá dar testemunho pleno e genuíno de Cristo Senhor sem a inspiração e a ajuda do Espírito. Por isso cada discípulo missionário de Cristo é chamado a reconhecer a importância fundamental da ação do Espírito, a viver com Ele no dia a dia e a receber constantemente força e inspiração d'Ele. Mais, precisamente quando nos sentirmos cansados, desmotivados, perdidos, lembremo-nos de recorrer ao Espírito Santo na oração (esta – permiti-me destacá-lo mais uma vez – tem um papel fundamental na vida missionária), para nos deixarmos restaurar e fortalecer por Ele, fonte divina inesgotável de novas energias e da alegria de partilhar com os outros a vida de Cristo. «Receber a alegria do Espírito é uma graça; e é a única força que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a fé no Senhor» (Francisco, Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias, 21/V/2020). Assim, o Espírito é o verdadeiro protagonista da missão: é Ele que dá a palavra certa no momento justo e sob a devida forma.

É à luz da ação do Espírito Santo que queremos ler também os aniversários missionários deste 2022. A instituição da Sacra Congregação de Propaganda Fide, em 1622, foi motivada pelo desejo de promover o mandato missionário nos novos territórios. Uma intuição providencial! A Congregação revelou-se crucial para tornar a missão evangelizadora da Igreja verdadeiramente tal, isto é, independente das ingerências dos poderes do mundo, a fim de constituir aquelas Igrejas locais que hoje mostram tanto vigor. Esperamos que, à semelhança dos últimos quatro séculos, a Congregação, com a luz e a força do Espírito, continue e intensifique o seu trabalho de coordenar, organizar e animar as atividades missionárias da Igreja.

O mesmo Espírito, que guia a Igreja universal, inspira também homens e mulheres simples para missões extraordinárias. E foi assim que uma jovem francesa, Pauline Jaricot, há exatamente 200 anos fundou a Associação para a Propagação da Fé; celebra-se a sua beatificação neste ano jubilar. Embora em condições precárias, ela acolheu a inspiração de Deus para pôr em movimento uma rede de oração e coleta para os missionários, de modo que os fiéis pudessem participar ativamente na missão «até aos confins do mundo». Desta ideia genial, nasceu o Dia Mundial das Missões, que celebramos todos os anos, e cuja coleta em todas as comunidades se destina ao Fundo universal com que o Papa sustenta a atividade missionária.

Neste contexto, recordo também o Bispo francês Charles de Forbin-Janson, que iniciou a Obra da Santa Infância para promover a missão entre as crianças sob o lema «As crianças evangelizam as crianças, as crianças rezam pelas crianças, as crianças ajudam as crianças de todo o mundo»; e lembro ainda a senhora Jeanne Bigard, que deu vida à Obra de São Pedro Apóstolo, para apoio dos seminaristas e sacerdotes em terras de missão. Estas três obras missionárias foram reconhecidas como «pontifícias», precisamente há cem anos. E foi também sob a inspiração e guia do Espírito Santo que o Beato Paolo Manna, nascido há 150 anos, fundou a atual Pontifícia União Missionária a fim de sensibilizar e animar para a missão os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e todo o povo de Deus. Desta última Obra, fez parte o próprio Paulo VI, que lhe confirmou o reconhecimento pontifício. Menciono estas quatro Obras Missionárias Pontifícias pelos seus grandes méritos históricos e também para vos convidar a alegrar-vos com elas, neste ano especial, pelas atividades desenvolvidas em apoio da missão evangelizadora na Igreja universal e nas Igrejas locais. Espero que as Igrejas locais possam encontrar nestas Obras um instrumento seguro para alimentar o espírito missionário no Povo de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, continuo a sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs. E repito o desejo de Moisés para o povo de Deus em caminho: «Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse» (Nm 11, 29). Sim, oxalá todos nós sejamos na Igreja o que já somos em virtude do Batismo: profetas, testemunhas, missionários do Senhor! Com a força do Espírito Santo e até aos extremos confins da terra. Maria, Rainha das Missões, rogai por nós!

Papa Francisco, Mensagem, Roma, Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2022

 

Oração Universal

 

Unidos a Cristo, vivo no meio de nós e ajudados pela intercessão de Virgem Santíssima, peçamos a Deus nosso Pai, cheios de humildade e confiança:

 

    1-Pela Santa Igreja de Deus, para que o Senhor desperte nela abundância de vocações sacerdotais, missionárias e religiosas, oremos ao Senhor.

 

    2-Pelo Santo Padre, para que o Deus o encha de alegria, de fortaleza e sabedoria e abençoe com muitos frutos as suas viagens e canseiras, oremos ao Senhor.

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que se entreguem generosamente no serviço de Deus e de todas as almas, no exercício do ministério sacerdotal, oremos ao Senhor.

 

    4-Por todos os casais, para que saibam vencer o egoísmo, aceitando alegremente os filhos e ensinando-os desde pequenos a amar a Jesus e a cumprir os Seus mandamentos, oremos ao Senhor.

 

    5-Para que, imitando Nossa Senhora, saibamos amar a Deus, cumprindo fielmente a Sua vontade nas tarefas humildes de cada dia e procurando aí a santidade, oremos ao Senhor.

 

    6-Para que nos entusiasmemos a dar testemunho de Cristo em toda a parte, com a nossa alegria, a nossa bondade e a nossa palavra corajosa, oremos ao Senhor.

     

    Senhor, que nos chamastes à vida nova em Cristo, aumentai em nós a fé e o amor, para que, vivendo sempre na alegria de filhos vossos, cheguemos todos à glória do Céu.

    Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Maria, Rainha das missões – CT, 567

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Alimentando-nos da Palavra de Jesus e do Pão da Vida eterna podemos vencer todos os combates.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida – F. Silva, NRMS, 70

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

Ou:    Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças:  – Cantai ao Senhor – J. Santos, NRMS, 36

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir mais animados em lutar pela santidade e estender o Reino de Cristo por toda a parte.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo – J. Santos, NRMS, 59

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-X: Olhar para o Alto.

Ef 4, 32. 5, 8 / Lc 13, 10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos: andava encurvada.

Esta mulher que andava encurvada (EV) é o símbolo daqueles que têm uma visão muito rasteira e muito humana, e não conseguem levantar os olhos do chão e olhar pra cima para contemplar a Deus. E, assim se tornam escravos dos bens terrenos.

Cristo quer ajudar-nos a levantar: entregou-se a si mesmo por nós, oferecendo-se como vítima agradável (LT). Deste modo, libertou-nos das escravidões e tornou-nos filhos de Deus: Comportai-vos como filhos de Deus (LT). Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados (SR) Agradeçamos a Nossa Senhora o seu fiat, que nos obteve a graça da filiação divina.

 

3ª Feira, 25-X: O fermento na vida familiar.

Ef 5, 21-33 / Lc 13, 18-21

O reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos fermento (EV), que faz crescer o amor de Deus nos ambientes que nos rodeiam. Para que o fermento mantenha a sua força, é necessário que esteja unido a Cristo,

Dum modo particular, podemos ver como ser melhor fermento na vida familiar (LT). O modelo que nos apresenta é o amor com que Cristo ama a Igreja: Ele entregou-se à morte por ela, a fim de a santificar (LT). Cada dia há oportunidades de os esposos se entregarem mais: na ajuda mútua, no carinho, na amabilidade, nas desculpas, etc. Tua esposa será como a videira fecunda e teus filhos como ramos de oliveira (SR).

 

4ª Feira, 26-X: A porta estreita, caminho para o Céu.

Ef 6, 1-9 / Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse: esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas, no enanto, pede-nos que entremos pela porta estreita. Esta afirmação é um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade. E, ao mesmo tempo, é um apelo urgente à conversão: Entrai pela porta estreita (EV).

O nosso caminho de salvação passa pela porta do Céu. Este título atribui-se a Nossa Senhora, dada a sua união íntima com o Filho e pela sua participação na plenitude e misericórdia de Cristo. Também pela sua poderosa intercessão, obtém-nos os auxílios necessários para chegarmos ao Céu.

 

5ª Feira, 27-XI: As armas para a luta.

Ef 6, 10-20 / Lc 13, 31-35

Alguns fariseus disseram a Jesus: Sai, vai-te embora, porque Herodes quer mandar-te matar.

Jesus tinha tomado a decisão de se dirigir a Jerusalém (EV), pois era a vontade do Pai. Para cumprirmos a vontade de Deus, encontramos vários obstáculos no caminho.

O Apóstolo sugere-nos as armas que devemos levar para o combate. A ’armadura de Deus’, para podermos resistir nos dias difíceis; o ‘escudo da fé’ para apagar a setas incendiárias do Maligno, o ‘capacete da salvação’ e a ‘espada do espírito’, que é a Palavra de Deus; a ‘oração em todo o tempo’ em união com o Espírito Santo (LT). O Senhor é o meu amparo, a minha força e salvação (SR). E rezemos a oração «Lembrai-vos» a Nossa Senhora.

 

2ª Feira, 28-X: S. Simão e S. Judas: Os alicerces da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12.19

Fostes edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular.

A Igreja está fundada sobre os Apóstolos (EV). S. Simão e S, Judas participaram activamente na construção da Igreja (EV). Segundo a Tradição andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.

Todos estamos integrados na construção da Igreja (LT). Toda a Igreja é apostólica, na medida em que é enviada a todo o mundo. Todos os membros participam deste envio, embora de modos diferentes: O seu eco ressoou por toda a terra e a sua notícia até aos confins do mundo (SR) . Pedimos a Nª Senhora. Mãe da Igreja, para que participemos mais activamente na sua construção.

 

Sábado, 29-X: Será a morte um lucro?

Flp 18-26 / Lc 14,1, 7-11

É que para mim, viver é Cristo e morrer um lucro.

Mas, em primeiro lugar, a morte de Cristo é um lucro para nós: O seu sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus o realizou e voltou para o Pai, depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos: a Santa Missa

Se temos fé, a nossa própria morte é um lucro, porque ela é a chave que nos abre a porta do reino dos Céus. Sigamos o conselho do Senhor, pois todo aquele que se eleva será humilhado e o que se humilha, será exaltado (EV). Ao participarmos na Missa procuremos ter as mesmas disposições de Nossa Senhora no Calvário (S. Cura de Ares).

 

 

Celebração e Homilia:       Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial