28º Domingo Comum

9 de Outubro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai a minha prece – M. Carneiro, NRMS, 102

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Eucaristia é Ação de Graças é momento para pôr em prática o convite “cantai ao Senhor... pelas maravilhas que Ele operou...” (Salmo).

Sim é verdadeiramente nosso dever é nossa salvação voltar à presença do Senhor para dar graças, glorificar e bendizer o Senhor da Vida, o único Senhor a quem o coração humano se pode entregar.

Pedindo ao Senhor que a sua graça proceda e acompanhe sempre as nossas ações (Cf. Oração Coleta), coloquemo-nos neste movimento de ação de graças ao Pai, por seu Filho Jesus Cristo, deixando-nos purificar pela sua misericórdia infinita.

 

Ato Penitencial

 

Pelas vezes, em que desprezamos os sinais humildes da Tua presença, Senhor, nós Te pedimos: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

 

Pelas vezes em que fomos infiéis e desistimos dos nossos compromissos, Cristo, nós Te pedimos: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

 

Pelas vezes em que não Te soubemos dizer «obrigado», Senhor, nós Te pedimos: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira e a terceira leitura deste domingo põem, lado a lado, dois estrangeiros que mostram ter uma alma mais próxima de Deus do que muitos dos do seu povo.

O segundo livro dos Reis apresenta-nos o sírio Naamã que vem ter com o profeta Eliseu pedindo para ser curado da lepra. Guiado pela palavra do profeta e mergulhando no Rio Jordão Naamã não é só curado da lepra do corpo, mas também da lepra da alma. Do paganismo passou à fé no Deus único e verdadeiro.

 

 

2 Reis 5, 14-17

 

Naqueles dias, 14o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus. A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança e ficou purificado da lepra. 15Naamã foi ter novamente com o homem de Deus, acompanhado de toda a sua comitiva. Ao chegar diante dele, exclamou: «Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel. Peço-te que aceites um presente deste teu servo». 16Eliseu respondeu-lhe: «Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei». E apesar das insistências, ele recusou. 17Disse então Naamã: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais há-de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».

 

O episódio cheio de beleza e vivacidade é tirado do chamado ciclo de Eliseu (2Re 2,13 – 13,30), tem um paralelo semelhante nos Evangelhos, não tanto nas curas dos leprosos dos Evangelhos, como se lê no Evangelho de hoje, mas antes na cura do cego de Jo 9, que se banha na piscina de Siloé.

17 Uma porção de terra, isto é, de terra santa, terra que pertence ao verdadeiro e único Deus, Yahwéh, o único capaz de fazer milagres. Esta terra levada como relíquia vai continuar no futuro costume da piedade cristã de os peregrinos da Terra Santa trazerem consigo um punhado de terra.

 

Salmo Responsorial    Sl 97 (98), 1-4 (R. cf. 2b)

 

Monição: Elevemos, com toda a criação: mar e terra, montes e colinas, a partir do santuário do nosso coração, o hino coral e universal que é o belo salmo 98.

 

Refrão:        O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

 

Ou:               Diante dos povos

                     manifestou Deus a salvação.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus é fiel e não dá o dito pelo não dito. A Sua Palavra anda sempre à solta, e mais dia menos dia há-de encontrar-nos para nos salvar.

Esta leitura é assim um verdadeiro hino, onde se proclama o sentido último da vida cristã, vida que encontra todo o sentido na união ao Senhor Jesus, no seu mistério pascal.

 

2 Timóteo 2, 8-13

 

Caríssimo: 8Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, 9pelo qual eu sofro, até ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está encadeada. 10Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; 12se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; 13se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.

 

Este belo trecho da leitura é uma boa lição de optimismo, baseado na fé, para as horas de provação e de perseguição, bem como um magnífico hino de apelo à fidelidade a toda a prova (vv. 11-13).

8 «Segundo o meu Evangelho». Não parece que se trata do Evangelho de Lucas, discípulo de Paulo, mas do Evangelho que Paulo prega, a boa nova da salvação em Cristo, exposto com os acentos próprios do Apóstolo das Gentes. No Novo Testamento o termo Evangelho não se refere ao Evangelho escrito.

9 «Cadeias como um malfeitor». Segundo a opinião corrente, S. Paulo está no 2.º cativeiro romano, pelo ano 67, no fim da sua vida, em plena perseguição de Nero contra os cristãos, considerado pelo historiador pagão, Suetónio (Vida dos 12 imperadores, Nero, 16), como pertencentes a uma «superstição nova e maléfica».

 

Aclamação ao Evangelho        cf.1 Tes 5, 18

 

Monição: S. Lucas, apresenta-nos a cura a distância de dez leprosos, dos quais só um, samaritano, volta para agradecer. E porque foi o único que reconheceu não só o bem recebido, mas também o intermediário escolhido por Deus para comunicar os seus dons, Jesus Cristo, o verdadeiro Sacerdote fica salvo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Em todo o tempo e lugar dai graças a Deus,

porque esta é a sua vontade a vosso respeito em Cristo Jesus.

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 11-19

 

Naquele tempo, 11indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. 12Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. 13Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». 14Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. 15Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. 17Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? 18Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» 19E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

 

Os Sinópticos referem a cura de leprosos, mas só Lucas relata o episódio da cura dos dez leprosos, que condiz bem com a sua visão universalista da salvação, ao registar que o curado agradecido era um samaritano.

12 «Conservando-se a distância». A própria Lei prescrevia, a fim de evitar o contágio, o isolamento do doente (cf. Lv 13,45-46) e também um certificado de cura passado pelos sacerdotes (cf. Lv 14,2 ss), a fim de poder vir a ser reintegrado no convívio social.

17 «Onde estão os outros nove?» O relato deixa ver que Jesus não os curou logo e manda-os ir pedir o certificado da cura ainda antes de curados. Assim é posto em evidência o seu exemplo de fé, mas a verdade é que só um – e o mais desprezível, pois era samaritano – é quem deu exemplo de gratidão. Lucas, ao pôr em relevo a gratidão dum estrangeiro, também deixa ver a finíssima sensibilidade do Coração de Cristo, que fica contente com o agradecimento deste, e dorido com a ingratidão dos outros nove, que não estiveram para ter a maçada de voltar atrás para agradecer a cura.

 

Sugestões para a homilia

 

Vivemos numa sociedade de gente agitada e apressada onde expressões como “se faz favor” ou “obrigado”, ficam muitas vezes esquecidas... Parece ser mais fácil dobrar a língua para pedir, ou estender a mão para receber e pagar do que agradecer e dar... Daí continuar a ser importante essa educação informal, assumida por pais e educadores, que transmite às crianças e adultos, valores e princípios de educação que ajudem, por um lado, a compreender que sozinho, não posso fazer tudo; tenho necessidade dos outros; de receber e de pedir... E por outro, que, dizendo obrigado reconheço que os outros me fazem bem e compreendo que sem capacidade para receber de coração agradecido não sou capaz de dar de coração generoso.

Porque não é só nosso dever, mas é também nossa salvação dar graças sempre e em toda a parte, a Palavra do Senhor convida-nos a reaprender três atitudes fundamentais da fé: a confiança, a fidelidade e a gratidão, para assim podermos seguir o nosso caminho da missão e do testemunho.

A lepra era a doença mais temida no mundo antigo; não só por ser contagiosa mas também por ser considerada a consequência de um grande pecado. Quem a tinha era excluído da sociedade e um excomungado. É neste contexto de doença e exclusão que vamos encontrar as três atitudes de fé.

1. Confiança num Deus que nos surpreende. Esta é primeira atitude, bem definida na história da cura de Naamã, o comandante do exército Sírio e na dos dez leprosos do Evangelho.

Naamã tinha sido aconselhado por uma serva israelita a ir ter com Eliseu, o homem de Deus, pois ele o libraria da lepra. Aceite o desafio ele vai ter com Eliseu. Este porém não realiza qualquer rito mágico nem pede grande sacrifício sugere-lhe apenas que confie em Deus e na Sua Palavra e vá mergulhar sete vezes na água do rio Jordão. É demasiado simples para que Naamã acredite. Mas ultrapassada a desilusão ele confiou e obedeceu humildemente à palavra do profeta, mergulhando no rio Jordão, o mesmo onde Jesus será batizado (cf. Mt 3,13-17).

Também os dez leprosos do Evangelho anseiam uma cura. Assim, cumprindo a lei, mantendo-se à distância, eles acreditam que podem confiar em Jesus, que o podem abordar e considerar como o Mestre Salvador que terá compaixão deles contagiando-os de saúde e vida. Por isso, empregam todas as suas forças para, com voz forte, se fazerem ouvir a Jesus. Ele, olha-os na sua miséria e, sem os curar de imediato, abre-lhes a porta da esperança, pondo à prova a sua fé. Envia-os aos sacerdotes, para que estes, dentro das suas competências, os possam declarar curados da lepra. Nem precisam de chegar lá; no caminho ficam curados.

2. É assim que chegamos à segunda atitude fundamental à fé: a gratidão.

Quando se dá conta de que está curado, o Sírio Naamã “regressa” à presença de Eliseu para lhe agradecer, oferecer-lhe presentes em sinal de gratidão... Mas o profeta não aceita... Porquê? Porque o poder de lavar, curar, purificar ou perdoar os pecados não está na água, seja ela do Jordão ou de quaisquer outros rios ou fontes e também não está em qualquer força mágica do profeta. Naamã foi curado pela sua adesão à Palavra de Deus, por meio do Profeta. Por isso, é ao Deus de Israel que é o Senhor da vida e que oferece vida, porque a todos ama como filhos, que Naamã deve agradecer... E é em Deus que deve colocar a sua confiança deixando os ídolos e passando a amar o Deus verdadeiro que fará dele um homem novo física e espiritualmente.

No Evangelho só um toma consciência da graça recebida e muda de rota para voltar a Jesus e expressar a sua gratidão. Só um entende que a grande mudança na sua vida não é ter largado a lepra, mas ter encontrado o Senhor, é ter conhecido e experimentado o amor de Deus, é ter descoberto naquele Mestre a pessoa de Deus e o verdadeiro caminho para a sua vida. Só um reconhece Jesus como o verdadeiro Sacerdote que, depois de o ter erguido e salvado, pode fazê-lo caminhar acolhendo-o entre os seus discípulos.

Deus surpreende-nos. A sua vontade é “curar” o ser humano de todas as enfermidades físicas e espirituais, limpar as nossas lepras, devolver a dignidade, eliminar tudo o que nos faz sentir marginalizados.

Mas se Deus nos dá a Sua graça, nós devemos dar-Lhe graças pelo dom da salvação, pelo dom do Seu amor. Devemos ter confiança nele e seguir o caminho da Sua Palavra. Pois cada um de nós que foi curado/lavado pelo batismo deve seguir o seu caminho sendo uma missão nesta terra. Será que em cada dia temos um coração agradecido ao Deus do Amor e da Vida, da Ternura e da Bondade? Será que voltamos para lhe agradecer as maravilhas que realiza em nós? E em relação aos irmãos? Dizemos “obrigado” a quem nos ajuda, a quem vive perto de nós e nos acompanha na vida?

3. Recorda Paulo a Timóteo e a cada um de nós: Lembra-te de Jesus Cristo: se morremos com Cristo também com Ele viveremos… E Jesus dizia: levanta-te e segue o teu caminho. Como quem diz sê fiel ao que descobriste e te salvou. Então, deixemo-nos surpreender por Deus; sejamos-Lhe fiéis todos os dias e aprendamos a louvar o Senhor e a agradecer-Lhe, sempre e em toda a parte, porque esse “é nosso dever e é nossa salvação”!

 

Fala o Santo Padre

 

«Também nós – todos nós – necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos.»

«A tua fé te salvou» (Lc 17, 19). É o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da fé. Neste percurso de fé, vemos três etapas, vincadas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.

Primeiro, invocar. Os leprosos encontravam-se numa condição terrível não só pela doença em si, ainda hoje difusa e devendo ser combatida com todos os esforços possíveis, mas pela exclusão social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados (cf. Lv 13, 46). De facto, quando vão ter com Jesus, vemos que «se mantêm à distância» (Lc 17, 12). Embora a sua condição os coloque de lado, todavia diz o Evangelho que invocam Jesus «gritando» (17, 13) em voz alta. Não se deixam paralisar pelas exclusões dos homens e gritam a Deus, que não exclui ninguém. Assim se reduzem as distâncias, e a pessoa sai da solidão: não se fechando em auto lamentações, nem olhando aos juízos dos outros, mas invocando o Senhor, porque o Senhor ouve o grito de quem está abandonado.

Também nós – todos nós – necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao telemóvel, à opinião dos outros. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos, se lhe dissermos: «Senhor, eu creio que me podeis curar; curai-me dos meus fechamentos, livrai-me do mal e do medo, Jesus». No Evangelho de Lucas, os primeiros a invocar o nome de Jesus são os leprosos. Depois fá-lo-ão também um cego e um dos ladrões na cruz: pessoas carentes invocam o nome de Jesus, que significa Deus salva. De modo direto e espontâneo chamam Deus pelo seu nome. Chamar pelo nome é sinal de confidência, e o Senhor gosta disso. A fé cresce assim, com a invocação confiante, levando a Jesus aquilo que somos, com franqueza, sem esconder as nossas misérias. Invoquemos diariamente, com confiança, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: é oração. Dizer «Jesus» é rezar. A oração é a porta da fé, a oração é o remédio do coração.

A segunda palavra é caminhar. É a segunda etapa. Neste breve Evangelho de hoje, aparece uma dezena de verbos de movimento. Mas o mais impressionante é sobretudo o facto de os leprosos serem curados, não quando estão diante de Jesus, mas depois enquanto caminham, como diz o Evangelho: «Enquanto iam a caminho, ficaram purificados» (17, 14). São curados enquanto vão para Jerusalém, isto é, palmilhando uma estrada a subir. É no caminho da vida que a pessoa é purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A fé requer um caminho, uma saída; faz milagres, se sairmos das nossas cómodas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confortáveis. A fé aumenta com o dom, e cresce com o risco. A fé atua, quando avançamos equipados com a confiança em Deus. A fé abre caminho através de passos humildes e concretos, como humildes e concretos foram o caminho dos leprosos e o banho de Naaman no rio Jordão (cf. 2 Re 5, 14-17). O mesmo se passa connosco: avançamos na fé com o amor humilde e concreto, com a paciência diária, invocando Jesus e prosseguindo para diante.

Outro aspeto interessante no caminho dos leprosos é que se movem juntos. Refere o Evangelho, sempre no plural, que «iam a caminho» e «ficaram purificados» (Lc 17, 14): a fé é também caminhar juntos, jamais sozinhos. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus desabafa a sua mágoa assim: «Onde estão os outros?» (17, 17). Quase parece perguntar pelos outros nove, ao único que voltou. É verdade! Constitui tarefa nossa – de nós que estamos aqui a «fazer Eucaristia», isto é, a agradecer –, constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: todos nós somos guardiões dos irmãos distantes. Somos intercessores por eles, somos responsáveis por eles, isto é, chamados a responder por eles, a tê-los a peito. Queres crescer na fé? Tu que estás aqui hoje, queres crescer na fé? Ocupa-te dum irmão distante, duma irmã distante.

Invocar, caminhar e… agradecer: esta é a última etapa. Só àquele que agradece é que Jesus diz: «A tua fé te salvou» (17, 19). Não se encontra apenas curado; também está salvo. Isto diz-nos que o ponto de chegada não é a saúde, não é o estar bem, mas o encontro com Jesus. A salvação não é beber um copo de água para estar em forma; mas é ir à fonte, que é Jesus. Só Ele livra do mal e cura o coração; só o encontro com Ele é que salva, torna plena e bela a vida. Quando se encontra Jesus, brota espontaneamente o «obrigado», porque se descobre a coisa mais importante da vida: não o receber uma graça nem o resolver um problema, mas abraçar o Senhor da vida. E isto é a coisa mais importante da vida: abraçar o Senhor da vida.

É encantador ver como aquele homem curado, que era um samaritano, manifesta a alegria com todo o seu ser: louva a Deus em voz alta, prostra-se, agradece (cf. 17, 15-16). O ponto culminante do caminho de fé é viver dando graças. Podemos perguntar-nos: Nós, que temos fé, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em nós mesmos à espera de pedir a próxima graça, ou encontramos a nossa alegria em dar graças? Quando agradecemos, o Pai deixa-Se comover e derrama sobre nós o Espírito Santo. Agradecer não é questão de cortesia, de etiqueta, mas questão de fé. Um coração que agradece, permanece jovem. Dizer «obrigado, Senhor», ao acordar, durante o dia, antes de deitar, é antídoto ao envelhecimento do coração, porque o coração envelhece e cria maus hábitos. E o mesmo se diga em família, entre os esposos: lembrem-se de dizer obrigado. Obrigado é a palavra mais simples e benfazeja. […]

   Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 13 de outubro de 2019

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Elevemos as nossas súplicas a Deus Pai,

que quer salvar todos os homens,

mesmo aqueles que O não invocam nem adoram,

e supliquemos, dizendo (ou: cantando):

R. Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que o nosso Bispo N., os presbíteros e os diáconos

acolham sem distinções nem preconceitos

os mais rejeitados que deles se aproximam, oremos.

 

2. Para que os médicos, capelães e enfermeiros,

que assistem aos doentes que perderam toda a esperança,

recebam como prémio a vida eterna, oremos.

 

3. Para que os leprosos e doentes incuráveis

encontrem em cada homem que os serve

um irmão, uma irmã e a própria mãe, oremos.

 

4. Para que Jesus, que sofre nos doentes,

os pacifique com a graça da sua presença

e lhes dê a fidelidade até ao fim, oremos.

 

5. Para que cada um de nós, quando estiver doente,

saiba mostrar-se reconhecido com quem o trata

e dar graças a Deus, fonte de todos os bens, oremos.

 

Deus, nosso Pai, que enviastes o vosso Filho muito amado

para nos curar de todo o mal, dai-nos um coração agradecido

que saiba dar-Vos louvor e glória. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vós me salvastes Senhor – M. Simões, NRMS, 16

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio Comum IV e Oração Eucarística II ou Oração Eucarística para as diversas necessidades III.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

 

Cântico da Comunhão: Anunciai em toda a terra – J. F. Silva – NRMS, 106

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:    cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei eternamente – M. Luís, NRMS, 6 (I)

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Saibamos pedir com confiança, agradecer com reconhecimento, proclamar com alegria as maravilhas de Deus, em nosso favor e em favor da terra inteira.

 

Cântico final: Dai graças ao Senhor – A. F. Santos, CNPL, 335

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-X. A Conversão e a liberdade dos filhos de Deus.

Gal 4, 22-24. 26-27 / Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa, nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

O sinal de Jonas (EV) é uma lembrança da conversão dos habitantes de Nínive que acataram os pedidos de Deus. O mesmo nos pede o Senhor no 3º mistério luminoso: o convite à conversão, traduz-se por andarmos mais pelos caminhos de Deus. Ele levanta o pó ao indigente e tira o pobre da miséria (SR).

Pede-nos para estarmos firmes e não nos sujeitarmos ao jugo da escravidão. Se Cristo nos libertou foi para sermos realmente livres (LT), com a liberdade própria dos filhos de Deus. Nossa Senhora recomenda-nos: Fazei o que Ele vos disser: a conversão e o bom uso da liberdade.

 

3ª Feira, 11-X: A limpeza do interior

Gal 5, 1-6 / Lc 11, 37-41

Limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e malvadez

O Senhor convida-nos a uma limpeza do nosso interior (EV), que está contida no 9º e 10º mandamentos. De um modo especial, o que se refere às críticas. Uma solução podia ser rezar por quem criticamos. E depois, a imaginação, tão difícil de controlar. Peçamos ajuda ao Espírito Santo, para que nos liberte destas escravidões (LT). Quero cumprir fielmente a vossa lei, agora e para sempre (SR).

Para melhorarmos as limpezas da nossa alma, recorramos à confissão destes pecados, E à ajuda de Nossa Senhora, concebida sem mancha do pecado original.

 

4ª Feira, 12-X: Os frutos do Espírito Santo.

Gal 5, 18-25 /  Lc 11, 42-46

O fruto do Espírito Santo consiste em caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e continência.

A vinda do Espírito Santo à nossa alma produz frutos abundantes e da melhor qualidade. Esses frutos do Espírito Santo são perfeições que Ele forma em nós, como primícias da glória eterna. A Tradição fala de doze: caridade, alegria, etc (LT).

É graças ao Espírito Santo que podemos dar bons frutos, porque Ele nos enxerta na verdadeira Vide, que é Cristo. A sua intervenção na vida de Nossa. Senhora produziu como fruto a Encarnação de Cristo: bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Quando dizemos que sim a Deus, cumprindo a sua vontade, reforçamos a imagem de Cristo dentro de nós.

 

5ª Feira, 13-X: A exigência eterna da santidade

Ef 1, 1-10 / Lc 11, 47-54

Foi assim que Ele nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença.

Esta afirmação (LT) pode aplicar-se também a Nª Senhora. É o que lhe repetimos em cada Ave-Maria. Ela é a morada de Deus entre os homens. É a cheia de graça. Bendito é o fruto do seu ventre, Jesus. Cantai-lhe um Cântico novo, porque Ele fez maravilhas (SR).

Esta exigência de santidade é para todos os baptizados. Portanto, devemos procurar responder cada dia melhor, empregando os meios que o Senhor nos deixou: os Sacramentos, o Pão da vida eterna, a Palavra de Deus, os tempos de oração e leituras espirituais, etc. De facto, é para se pedirem contas aos homens desta geração (EV).

 

6ª Feira, 14-X: Os cuidados de Deus e os nossos cuidados.

Ef 1, 11-14 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um deles está esquecido diante de Deus,

Deus ama e cuida de todas as suas criaturas, e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: Valeis mais que muitos passarinhos (EV). Jesus ensina-nos a ter um abandono filial à Providência do Pai celestial, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos, que orienta todas as coisas que nos acontecem para a nossa salvação. Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança (SR).

Se Deus assim cuida de nós, também nós devemos cuidar de tudo o que se refere a Deus, concretamente o que se refere à sua Palavra, como fez Nossa Senhora, que a levou à prática: Vós também ouvistes a Palavra de Verdade, a Boa Nova da vossa salvação (LT).

 

Sábado, 15-X: O pecado e a misericórdia divina.

Ef 1, 15-23 / Lc 12, 8-12

E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á, mas aquele que disser uma blasfémia contra o Espírito Santo, não se perdoará.

O pecado consiste na rebelião contra Deus, ou, ao menos, no esquecimento ou indiferença para com Ele e para com o seu Amor (S. João Paulo II). É um desejo insensato viver afastado, muito ou pouco, de Deus. A lembrança da misericórdia divina ajudará a viver a contrição, para nos aproximarmos outra vez. Deus tudo submete aos pés de Cristo e pô-lo acima de todas as coisas como cabeça da Igreja (LT). A blasfémia contra o Espírito Santo consiste em fechar a alma à graça de Deus, excluindo a própria fonte do perdão.

Destes poder ao Vosso Filho sobre a obra das vossas mãos (SR). Rezemos com muita confiança a Salvé Rainha a Nossa Senhora, Mãe de misericórdia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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