aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

FÁTIMA

 

ENCONTRO NACIONAL SOBRE

CAUSAS MATRIMONIAIS

 

Na sequência de Encontros anteriores, realizou-se em Fátima, de 8 a 10 de Setembro passado, o V Encontro Nacional sobre causas matrimoniais, organizado pela Associação Portuguesa de Canonistas (APC) e dirigido aos membros dos Tribunais eclesiásticos e aos juristas civis interessados na problemática.

 

Estiveram presentes mais de meia centena de participantes, dos quais metade eram advogados civis, cada vez mais animados com esta temática; os restantes eram quase todos canonistas e a sua presença contribuiu a um melhor aproveitamento nas reuniões de grupo.

O Coordenador do Curso, Pe. Dr. Manuel dos Santos Cartaxo, Juiz do Tribunal Eclesiástico da Guarda e Secretário da APC, seleccionara três causas matrimoniais, correspondentes a outros tantos capítulos de nulidade: o defeito da forma canónica, apresentada pelo Cón. Dr. Alfredo Dionísio, Vigário Judicial de Coimbra; a exclusão da igualdade conjugal, pelo Pe. Dr. José Gomes de Sousa, Juiz do Tribunal Eclesiástico de Viana do Castelo; e a exclusão da educação dos filhos, pelo Pe. Dr. Manuel Joaquim Rocha, Vigário Judicial de Aveiro.

Mais uma vez, seguiu-se a metodologia do caso: depois de uma breve apresentação do caso (species facti) e dos fundamentos do direito a aplicar (in iure), os participantes distribuíam-se por grupos, para estudarem um resumo dos factos apurados (in facto). Por fim, reunidos de novo em plenário, cada grupo apresentava as suas conclusões ou observações, generalizando-se o debate com a presença do autor do caso. Foi geral a satisfação de bom aproveitamento pela metodologia seguida, em particular o estudo nas reuniões de grupo, que permitia conhecer melhor os princípios canónicos e o modo de os aplicar aos casos concretos.

 

Comemoração dos 15 anos da APC

 

Integrada no Encontro, realizou-se a Assembleia Geral ordinária, para apreciação da actividade da Associação no biénio transacto e observações para o plano do biénio seguinte. No decorrer da Assembleia e por proposta da Direcção, foi nomeado sócio honorário o Cón. Doutor José António da Silva Marques, Vigário Judicial de Braga e canonista de mérito; sócio fundador da APC, foi Vice-Presidente da primeira Direcção em 1990-1991 e Presidente da Direcção nos três mandatos seguintes (1991-2003), durante os quais prestou um contributo especial à Associação.

A Assembleia Geral prolongou-se com uma Sessão solene de comemoração dos 15 anos da fundação da APC, dedicada a homenagear em particular os sócios honorários e correspondentes.

Estiveram presentes: D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo emérito de Braga e sócio fundador da APC, que deu um testemunho acerca da sua constante preocupação em prol do ensino do Direito Canónico em Portugal; D. Manuel Monteiro de Castro, Núncio Apostólico em Espanha, que apresentou uma comunicação sobre «Europa e o Tratado Constitucional»; o Desembargador brasileiro Dr. Cleones Carvalho Cunha, do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, cuja comunicação versou os «Efeitos civis do casamento religioso no Brasil»; e o Professor francês Mons. Doutor Dominique Le Tourneau, de Paris, que tratou da «Protecção da verdade nos discursos do Papa João Paulo II à Rota Romana».

O Vigário Judicial de Goa (Índia), Pe. Dr. Mousinho de Ataíde, embora não pudesse vir, enviou uma comunicação sobre «Matrimónio nulo por falta de consentimento adequado», que foi exposta na Sessão. Também comunicaram a sua pena em não poder estar presentes D. Serafim Ferreira e Silva, Bispo de Leiria–Fátima e sócio fundador da APC, e D. Damião António Franklin, Arcebispo de Luanda (Angola).

 

 

FÁTIMA

 

EXÉQUIAS SOLENES POR

D. ALBERTO COSME DO AMARAL

 

Uma multidão de fiéis reuniu-se na Basílica de Fátima, na manhã do dia 10 de Outubro, para a celebração das exéquias solenes pela alma de D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo emérito de Leiria-Fátima, falecido no passado dia 7 de Outubro, festa de Nossa Senhora do Rosário.

 

Presidiu à concelebração eucarística o Bispo da diocese, D. Serafim Ferreira e Silva, com a participação de 25 bispos – entre os quais o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga – e noventa sacerdotes das várias dioceses do país.

Na sua homilia, D. Serafim comentou o programa episcopal de D. Alberto: «amar e testemunhar Cristo». «D. Alberto, na sua delicadeza, não fez exclusão, não marginalizou ninguém. Dedicou-se de maneira especial aos sacerdotes, a quem escrevia sempre que faziam anos. Tinha um amor muito grande à Igreja e muita dedicação ao Papa, que se manifestavam na sua fidelidade à doutrina e às normas da Igreja». 

D. Serafim também se referiu à terna devoção que D. Alberto tinha por Nossa Senhora, que era bem notória, e recordou as vezes em que rezavam o Terço juntos. Por isso, quando amortalhavam o corpo de D. Alberto e queriam colocar um terço nas suas mãos, D. Serafim prontamente ofereceu o seu.

Ao terminar a homilia, o Bispo de Leiria dirigiu-se sentidamente ao seu antecessor: «Obrigado, D. Alberto. Já viste Deus face a face. Provavelmente também já viste os Pastorinhos de Fátima e também já viste a Irmã Lúcia. Eu te peço: reza por nós».

No fim da celebração, o Vigário Geral da diocese leu um telegrama do Cardeal Ângelo Sodano: o Santo Padre oferecia sufrágios «pelo eterno descanso deste zeloso e fiel Pastor que procurou com bondosa humanidade levar Cristo aos homens sob o olhar de Maria, fazendo-se arauto incansável e ardente da mensagem que ecoa dessa terra bendita para o mundo inteiro».

Terminadas as exéquias, a urna com o corpo de D. Alberto foi selada e tumulada na capela-mor, no lado oposto ao do túmulo de D. José Alves Correia da Silva, primeiro Bispo da diocese de Leiria. D. Alberto foi o primeiro Bispo quando a diocese alterou a designação para Leiria–Fátima, em 1984. Antes de a urna ser colocada no nicho, em cerimónia privada, D. Serafim pediu a D. Alberto que intercedesse pelo próximo sucessor de ambos na diocese.

 

Uma interpelação para a santidade

 

D. Alberto Cosme do Amaral nasceu na freguesia de Touro, Vila Nova de Paiva, diocese de Lamego, em 12 de Outubro de 1916; faleceu uns dias antes de fazer 89 anos. Foi ordenado sacerdote a 13 de Agosto de 1939. Nomeado bispo auxiliar do Porto em 8 de Julho de 1964, passou a auxiliar de Coimbra em 1969. Daqui transitou para bispo residencial de Leiria, onde exerceu o seu ministério episcopal de 1972 a 1993. Por duas vezes recebeu João Paulo II na Cova da Iria, em 1982 e em 1991. Em 1993, passou a bispo emérito, ficando a residir no Santuário de Fátima. Dentro da sua disponibilidade pastoral, que foi diminuindo, privilegiava sempre o sacramento da reconciliação e o atendimento dos sacerdotes.

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, comentou que D. Alberto, na sua simplicidade, testemunhou permanentemente uma vida que pautava em termos de interpelação para a santidade, anunciando os valores que salvam a humanidade. D. Carlos Azevedo, Secretário da CEP, lembrou D. Alberto como um homem simples, afável e, acima de tudo, de uma grande serenidade. «Foi um homem de grande profundidade espiritual, que orientou o Santuário de Fátima durante mais de 20 anos, desde 1972 até 1993, numa fase importante de renovação pastoral».

D. Serafim recordou os últimos anos de vida de D. Alberto: «Nestes últimos anos foi fragilizando no aspecto físico, mas sempre com muita força interior, sempre muito atento aos sintomas da caminhada eclesial». O Reitor do Santuário de Fátima, Mons. Luciano Guerra, na Missa por alma de D. Alberto no dia seguinte ao seu falecimento, disse: «D. Alberto merece ser lembrado neste lugar onde celebrava tantas vezes, anunciando com tanta dignidade a palavra do Senhor».

Nas exéquias, D. Serafim fez referência à presença do Vigário Regional do Opus Dei. Como se sabe, desde que conheceu o espírito do Opus Dei nos anos 50, D. Alberto procurou incorporá-lo na sua vida espiritual, vindo a ser o primeiro sacerdote diocesano da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz no nosso país. Tinha uma grande intimidade, e depois devoção, a S. Josemaria Escrivá. Na altura da beatificação deste, em 1992, referiu num artigo como Mons. Escrivá apreciava os valores humanos, e exemplificou com os fados de Amália, por quem Mons. Escrivá rezava; quando a nossa fadista tomou conhecimento de que um santo rezava por ela, quis vir à Missa solene que se celebrava em Fátima em memória da beatificação e falou com D. Alberto.

Celebração Litúrgica, onde D. Alberto colaborou várias vezes, associa-se à saudade e à oração de todos quantos o conheceram de perto, procurando que o exemplo da sua vida de fé e a claridade da sua doutrina continuem a ser uma grande ajuda no seguimento de Cristo.

M.F.

 

 

LISBOA

 

CÓDIGO DE ÉTICA DOS

EMPRESÁRIOS E GESTORES

 

«Procurar proteger as pessoas mais frágeis, económica e/ou psicologicamente, não explorando a sua situação nem as utilizando como modo de obter vantagens competitivas» e «não influenciar de modo ilegítimo a decisão política, nomeadamente não financiando à margem da lei os partidos políticos ou participando em actos de corrupção de decisores públicos» – são duas das obrigações éticas na acção empresarial contidas no Código de Ética dos empresários e gestores que foi assinado no dia 20 Outubro passado.

 

Este documento, cuja discussão pública se iniciou em Maio de 2004 e que culminou com o comprometimento pessoal de empresários e gestores, pretende ser uma referência para a actuação dos homens e mulheres que gerem as empresas, propondo a adopção de valores e sugerindo caminhos que permitam promover a competitividade do tecido empresarial português.

O projecto que levou à elaboração do Código de Ética da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) resultou de um moroso processo de debate e discussão pública de ideias e valores nele contidos, e teve como principal coordenador José Roquette, que partiu da premissa de que a ética empresarial implica o confronto permanente entre a procura de uma maior rentabilidade com a defesa da dignidade humana.

Dividido em quatro pontos – Preâmbulo, Princípios Fundamentais, Obrigações Éticas na Acção Empresarial e Defesa do Sentido do Compromisso Ético Empresarial – salienta que a «ética profissional é a mesma da vida privada». Esta não depende «de políticas, países ou momentos, mas é caminho para o fim último a que aspiramos para a nossa Vida».

Ao nível do funcionamento da economia de mercado, o documento sublinha que devem ser respeitados «os sãos princípios da economia de mercado, na compra e na venda, como nos investimentos a realizar, evitando todas as práticas que tendam a falsear o processo económico». E exemplifica: «a economia paralela ou a fixação de preços e acordos «informais» de partilha de mercado». A luta activa contra todas as formas de corrupção é outra das obrigações éticas na acção empresarial.

O Código de Ética pede também aos responsáveis pelas empresas portuguesas uma rejeição total à «publicidade e marketing que sejam degradantes, indignas, manipuladoras ou abusivas» e uma abstenção de «divulgar, ou fazer circular, notícias sobre pessoas ou entidades, com o objectivo de promoção do seu negócio de comunicação».

A ACEGE pretendeu que esta sessão pública de assinatura do Código de Ética mobilize as consciências «do maior número possível de pessoas com responsabilidades de gestão, ajudando-as não só a direccionar a sua vida profissional e social para a criação de uma sociedade mais justa, mas contribuindo também para transformar Portugal via compromissos com o bem e a verdade».

 

 

VISEU

 

PRIMEIRA BEATIFICAÇÃO

NA DIOCESE

 

 

A beatificação da Irmã Rita Amada de Jesus (1848-1913) terá lugar em Portugal, numa cerimónia presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

 

A decisão foi revelada pelo Bispo de Viseu, D. António Marto, que definiu esta matéria com a Secretaria de Estado do Vaticano na sua passagem por Roma, para participar no Sínodo dos Bispos. A beatificação, decidida ainda no pontificado de João Paulo II e adiada por causa da morte do Papa, deverá ocorrer na primavera de 2006.

Inicialmente marcada para o passado dia 24 de Abril, a primeira beatificação na história da Diocese de Viseu segue, agora, as novas normas para estas cerimónias determinadas por Bento XVI.

Na Nota pastoral que escreveu para esta ocasião, D. António Marto considera que «figuras como a da Madre Rita são para nós um sinal de esperança neste tempo complexo e confuso que atravessamos». «O seu testemunho de vida é um apelo e uma provocação a sair da mediocridade de vida, a viver a nossa fé e o nosso testemunho cristão com maior intensidade».

João Paulo II promulgou a 20 de Dezembro de 2004, no Vaticano, o decreto no qual se reconhece um milagre atribuído à intercessão da Ir. Rita Amada de Jesus. Esta decisão abriu o caminho à beatificação da fundadora do Instituto Religioso das Irmãs Jesus Maria José.

Rita Lopes de Almeida nasceu a 5 de Março de 1848, em Casalmendinho, Ribafeita, Diocese de Viseu. As religiosas do Instituto que fundou recordam dela uma herança de «amor às crianças, aos jovens, à família, e à dignidade da mulher». No dia 24 de Setembro de 1880, a Madre Rita fundou em Gumiei, Portugal, o primeiro Colégio, marco inicial do Instituto Jesus Maria José, «que se identifica na Igreja pelo anúncio do Evangelho da conversão e a vivência da espiritualidade de Nazaré».

O Instituto religioso tem como objectivo principal «o zelo pela reabilitação de homens e mulheres de vida menos exemplar, a educação de crianças abandonadas e jovens».

Em 1912, com a Implantação da República e as perseguições religiosas subsequentes, o Instituto foi forçado a parar a sua actividade, e a Irmã Rita, que entretanto adoptara o nome de Rita Amada de Jesus, decidiu enviar algumas religiosas para o Brasil.

A congregação foi-se instalando e fortalecendo no Brasil, onde se encontra actualmente a casa-mãe, no Estado de São Paulo. Em Portugal, o Instituto voltou à actividade em 1935 e encontra-se representado, além de Ovar e Viseu, também na Covilhã, com infantários, casas de acolhimento de crianças em risco e lares-escola.

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AVEIRO

 

LAICISMO E INDIFERENTISMO

 

«Em questões de religião, o Estado tem que perceber que é leigo na matéria» – afirmou o padre jesuíta Vasco Pinto de Magalhães, na jornada sobre «Laicismo e Indiferentismo», realizada de 28 a 29 de Outubro passado.

 

O «Estado é laico; o povo tem as crenças que tiver. O Estado é arreligioso, o que é muito diferente de ser anti-religioso. Compete-lhe gerir todas as formas de religiosidade de maneira a que as pessoas vivam os seus espaços de religiosidade», acrescentou.

A Jornada reuniu cerca de duas centenas de pessoas no salão do Seminário de Aveiro, para falarem de duas tendências do tempo actual que obrigam a repensar o modo de estar da Igreja: o laicismo e o indiferentismo.

Por laicismo entende-se a corrente que pretende relegar a religião para o espaço privado. Em última instância, para a consciência de cada pessoa, apagando-a do espaço público. Essa tendência, presente em alguns políticos portugueses e muito actuante na Europa, é um «laicismo serôdio», diria o Bispo de Aveiro relembrando o laicismo anticlericalista dos sécs. XIX e XX.

Indiferentismo é o caldo cultural difuso e ambíguo em que a sociedade actual vive e que se caracteriza pelo relativismo moral, pelos compromissos descartáveis, pelas opções contraditórias, como mostrou um estudo apresentado pela gestora Madalena Abreu. O indiferentismo «é um inimigo que está dentro de casa», afirmou o jesuíta, reconhecendo que é a base para que o laicismo seja aceite sem ser criticado.

D. António Marcelino, na última intervenção da Jornada, descreveu vários domínios da sociedade segundo o laicismo e segundo a laicidade. Alguns exemplos: A economia pode ser o domínio das leis de mercado, ou ter rosto humano. A cultura pode ser relativista («tudo é igual») ou criticar as várias «verdades» para definir prioridades.

A terminar, o Bispo de Aveiro apontou alguns caminhos para a Igreja e seus agentes. Estes caminhos sugerem uma nova atitude principalmente no campo cultural: trata-se de «cultivar o pluralismo legítimo e equilibrado», «sem pôr em causa o mundo da fé».

 

 

FÁTIMA

 

CONGRESSO E RELÍQUIAS DE

SANTA TERESINHA

 

Para evitar que a visita a Portugal das relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus fosse «mal interpretada e um puro sentimentalismo», realizou-se um congresso em Fátima, 28 a 30 de Outubro passado, sobre «A Ciência do Amor. Teresa de Lisieux, doutora da Igreja».

 

«Queremos que as relíquias sejam uma memória viva» – disse o carmelita Pe. Joaquim Teixeira, um dos responsáveis desta iniciativa.

Com mais de 700 pessoas, este congresso serviu também para divulgar a espiritualidade, obra e vida desta Santa da Igreja. Um dos prelectores referiu mesmo que Santa Teresinha marcou muito a espiritualidade portuguesa. E avança: «existem muitas associações de fiéis com o nome dela» e «muitos escritores portugueses fizeram eco da mensagem de Santa Teresinha». Alguns bispos portugueses realça o Pe. Joaquim Teixeira foram muito devotos desta doutora da Igreja. E cita exemplos: «o Cardeal Cerejeira tinha nas suas armas as rosas que faziam referência a Santa Teresinha» e o «arcebispo de Évora trocava correspondência com o Carmelo de Lisieux após a morte desta». Uma Santa que teve «grande impacto na espiritualidade e devoção portuguesa».

A dimensão cristocêntrica e eclesiológica de Santa Teresinha do Menino Jesus foram pontos que mereceram também análises reflexivas. «Santa Teresa foi uma mulher profundamente cristológica. Toda a sua espiritualidade nasceu desta proximidade com a pessoa de Jesus. Toda a sua espiritualidade é fundamentada na Sagrada Escritura. Antecipou-se àquilo que o Vaticano II viria afirmar» – sublinhou aquele responsável. Na dimensão eclesiológica, a Santa descobriu a Igreja como «uma mãe e como espaço de missão».

Um congresso que trouxe para a ribalta um ponto inovador: «convergência entre os Beatos Jacinta e Francisco e Santa Teresinha». O investigador, Pe. Manuel Reis, fez uma «sinopse entre os núcleos centrais dos Beatos de Fátima e de Santa Teresinha do Menino Jesus». E ressalta que quer os Beatos quer a Santa têm uma relação com Maria muito próxima e forte.

 

 

MADEIRA

 

JORNADAS DE BIOÉTICA

 

A apresentação das Actas das primeiras Jornadas de Bioética realizadas no Funchal, em Março passado, foi uma oportunidade para alguns esclarecimentos sobre questões controversas do progresso científico na actualidade, como a eutanásia e as experiências com as células estaminais.

 

«A Bioética é o confronto entre o progresso tecnológico e a dignidade humana» referiu ao Jornal da Madeira o professor Jorge Biscaia, especialista em Pediatria e fundador do Centro de Estudos de Coimbra sobre bioética, em 1985 – um dos mais antigos da Europa, a par dos Centros de Barcelona, Lovaina e Paris. A instituição reúne juristas, médicos, teólogos e psicólogos, num «verdadeiro encontro de saberes para o conhecimento total do homem», sublinhou.

Para Jorge Biscaia, não se pode defender a dignidade humana e ao mesmo tempo condenar à morte quem já não seja «útil» à sociedade: «O respeito das pessoas tem que estar acima de tudo», defende o especialista preocupado com as questões éticas da vida; «os critérios por que se rege a decisão para a eutanásia são de ordem economicista e, nessa óptica, é melhor eliminar do que cuidar».

As preocupações com a Bioética «começaram com as experiências nazis sem consentimento das pessoas e progrediram com a intervenção de Pio XII, por exemplo, sobre a distanásia e em defesa dos cuidados paliativos, isto é, defesa da relação pessoal, o amparo e o carinho devidos, dando-se assim sentido à vida até ao fim.»

Na actualidade, continuam a surgir novas inquietações, como é o caso das «células estaminais, em que se admite que possam resolver problemas de saúde relacionados com o Parkison ou Alzheimer; o progresso científico é inevitável, mas há que preservar a dignidade da pessoa», considera ainda Jorge Biscaia.

Em Portugal, o debate sobre estas questões continua no bom caminho e acompanha o que se faz lá fora. «Depois do Centro de Estudos de Coimbra apareceu o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, entre outras associações, e há muita bibliografia a esse respeito», conclui o especialista nesta matéria.

A cerimónia pública de apresentação das Actas decorreu na Livraria Paulinas e reuniu os responsáveis pela realização das Jornadas sobre Bioética.

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FÁTIMA

 

MISSA DA ESPERANÇA

 

Cerca de cem mil pessoas participaram no domingo 6 de Novembro passado ontem na «Missa da Esperança», no Santuário da Fátima, celebração vivida em sentido de oração e recolhimento, pelos doentes e pelos mais desprotegidos.

 

O Santuário acolheu pela terceira vez esta celebração, proposta pelo Conselho da Comunidade Luso-brasileira, e que tem a particularidade de, após a celebração da Eucaristia, contar com a presença de um grupo de cantores, de Portugal e do Brasil, que dedicam uma canção/oração a Nossa Senhora, no momento da oração do Rosário, na Capelinha das Aparições.

Na homilia da Missa, o Bispo de Leiria-Fátima apelou ao esforço dos católicos no sentido do fim da «exclusão» social, lutando contra «a marginalização de pessoas». D. Serafim Ferreira e Silva evocou os acontecimentos violentos que têm marcado as últimas noites em Paris e noutras cidades francesas.

«A propósito dos acontecimentos em Paris, alguns comentadores já começaram a juntar duas palavras: exclusão e explosão», disse o prelado, sublinhando os problemas de integração dos jovens que estarão envolvidos nos distúrbios das últimas noites em França. «Temos que integrar todos», independentemente da sua raça ou religião, exortou D. Serafim.

Posteriormente, milhares de pessoas partilharam a emoção de assistir aos momentos em que, no Santuário, Maria Bethânia, Joanna, Kátia Guerreiro, Marco Paulo e o padre António Maria cantaram temas dedicados a Nossa Senhora. Durante a recitação do Terço, que se seguiu à Missa da Esperança, aqueles artistas tiveram a seu cargo cinco «canções/orações», que levaram, em alguns momentos, muitos dos fiéis às lágrimas.

A actriz Christiane Torloni, a apresentadora Ana Maria Braga e o seleccionador nacional de futebol Luís Felipe Scolari, foram outros dos participantes daquele momento de oração na Capelinha das Aparições.

A Missa da Esperança foi transmitida em directo pelas estações de televisão RTP – Canal 1 e RTP Internacional – e Rede Vida de Televisão (Brasil).

 

 

LISBOA

 

EUTANÁSIA E CUIDADOS PALIATIVOS

EM CONGRESSO INTERNACIONAL

 

As problemáticas da eutanásia e do final da vida estiveram em destaque no Congresso Internacional da Nova Evangelização (ICNE), no dia 10 de Novembro passado, na Igreja dos Jerónimos, na conferência intitulada «A morte, último tabu, e o renascer da esperança».

 

Isabel Galriço Neto, médica de cuidados paliativos e Assistente da Faculdade de Medicina de Lisboa, referiu repetidas vezes que a eutanásia não é a última resposta e que os doentes merecem, por parte dos médicos, mais do que um simples «não podemos fazer mais nada» quando a doença já não tem cura.

Esta especialista lembrou que a vida humana tem dignidade «mesmo quando precisamos de alguém até para nos limpar as lágrimas» e criticou as correntes que consideram a «morte como uma espécie de derrota» da ciência todo-poderosa.

«Apesar de todos os progressos da ciência, a morte continua a ser uma certeza para cada ser humano», sublinhou, contestando assim o chamado «direito a morrer», dado que este facto não é uma escolha.

«A maioria dos pedidos de eutanásia e de suicídio assistido têm que ver com a perda de dignidade, a perda de sentido da vida, por acharem que não vale a pena viver. Os pedidos têm a ver muito mais do que com a questão dos sintomas não controlados. E só isto bastaria para que nós reflectíssemos sobre como ajudar as pessoas a encontrarem um sentido e a recuperarem a sua dignidade», afirmou Isabel Neto.

O primeiro passo é «controlar os sintomas», porque segundo Isabel Neto, «se não removermos determinadas condições físicas de sofrimento, dificilmente a pessoa doente se poderá centrar nos aspectos mais profundos e transcendentes da busca de sentido».

É nesta busca que o papel da espiritualidade pode ganhar importância: «Encontrar um sentido para vida, mesmo quando se vive uma doença terminal, passa por ter a convicção, por sentir que se está a cumprir um papel e um fim que são únicos, numa vida que traz consigo a responsabilidade de ser vivida plenamente», disse a especialista.

«É interessante ver que doentes com uma forte vivência espiritual e religiosa encaram o fim de vida com mais serenidade. E isto está fundamentado», acrescentou.

Como resposta à eutanásia, Isabel Neto propõe a promoção de melhores cuidados paliativos, que «afirmam a vida, mas defendem que ela não tem de ser mantida obstinadamente a todo o custo, aceitando a morte como um processo natural».

O Cardeal Patriarca D. José Policarpo, ao lançar a sessão lisboeta do Congresso Internacional para a Nova Evangelização, que decorreu de 5 a 13 de Novembro, tinha anunciado que o tema central seria «Anunciar a Vida», concretizando o lema «Cristo Vivo» que anima toda a iniciativa.

 


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