OPINIÃO

A NECESSIDADE DE DESCANSAR

 

 

 

 

 

Rodrigo Lynce de Faria

 

 

 

Narra São Marcos, no capítulo VI do seu Evangelho, que, quando os Apóstolos regressaram da missão que Jesus lhes tinha confiado, Ele lhes disse: «Vinde comigo para um lugar solitário e descansai um pouco» (Mc 6, 30-31).

 

Foi Deus que nos fez seres necessitados de descanso. Os anjos não necessitam de descansar, e aqueles que já estão no Céu também não. Mas nós, sim: faz parte da nossa natureza nesta etapa da nossa vida aqui na terra.

 

Descansar não é um luxo, nem uma forma de egoísmo. É uma necessidade e é também um dever. Porque se não descansarmos não poderemos trabalhar tudo o que Deus espera de cada um de nós.

 

Mas, atenção: quantas pessoas, hoje em dia, não sabem descansar!

 

Talvez porque confundem o descanso com a evasão, com não fazer nada ou com deixarem-se levar simplesmente pelo mais primário, fácil e apetecível. É a isso que poderíamos chamar um “descanso pagão”.

 

Nós, cristãos, pelo contrário, descansamos “com Jesus”. Não tiramos férias de Deus na nossa vida, porque Ele é o sentido de tudo o que fazemos: também do descanso.

 

Assim como um marido não tira férias da mulher e dos filhos, mas tira férias com a mulher e com os filhos, porque são parte importantíssima do sentido da sua vida.

 

O descanso comporta sempre uma certa mudança de ares.

 

Afastar-se um pouco da realidade quotidiana para regressar “renovado” não tem nada a ver com “fugir da realidade”. Descansar não é o mesmo que “fugir de si mesmo”. Por isso, há uma virtude que é essencial para descansarmos de um modo cristão: a sobriedade.

 

A sobriedade tira-nos a ansiedade que leva a viver mendigando evasões e sofrendo cada vez que é preciso deixá-las.

 

A sobriedade permite-nos “descansar em liberdade”, com um descanso simples, alegre, nas pequenas coisas do dia a dia.

 

 

 

 

 

 


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