26º Domingo Comum

25 de Setembro de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:   Tudo quanto nos fizestes – C. Silva, OC, pg 258

Dan 3, 31.29.30.43.42

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Esta civilização de conforto e bem estar deu origem a uma doença perigosa: a epidemia da insensibilidade.

Quando uma pessoa deixa de ter sensibilidade às dores e outros sofrimentos, está em perigo, porque deixa avançar o mal sem o tratar. A dor é um alarme a dizer-nos que alguma coisa está mal e precisa ser tratada.

No campo moral, o perigo não é menor, porque é uma doença progressiva, que tem a sua origem no egoísmo.

A Liturgia da Palavra deste 26.º Domingo do Tempo Comum alerta-nos contra esta perigosa doença do espírito.

 

Acto penitencial

 

Queremos reconhecer diante do Senhor que não só temos sido insensíveis aos sofrimentos do próximo, mas também aos nossos pecados com os quais renovamos a Paixão de Jesus Cristo.

Pedimos-Lhe humildemente perdão e a Sua ajuda indispensável para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•    Senhor Jesus: Estamos dominados pelo desejo doentio de conforto

     e tornamos muito dolorosa a vida às pessoas que vivem connosco.

     Senhor, tende piedade de nós.

 

     Senhor, tende piedade de nós.

 

•    Cristo: Pecamos com toda a facilidade e não estamos arrependidos

     e caímos logo nos mesmos pecados depois da confissão rotineira.

     Cristo, tende piedade de nós.

 

     Cristo, tende piedade de nós.

 

•    Senhor Jesus: Portamo-nos com indiferença às dores dos outros

     e agimos como se não pertencêssemos todos à mesma família.

     Senhor, tende piedade de nós.

 

     Senhor, tende piedade de nós.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós, enviado por Deus ao Reino da Samaria, admoesta os novos ricos que vivem instalados na vida, oprimindo os pobres.

Quando as pessoas começam a ter mais um pouco de dinheiro, e se esquecem de que o administram em nome de Deus, correm o perigo de cair neste pecado.

 

Amós 6,1a.4-7

 

Eis o que diz o Senhor omnipotente: 1a«Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria. 4Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo. 5Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. 6Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José. 7Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos».

 

A leitura, que é uma censura do profeta do século VIII à vida opulenta e fácil, frequentemente à custa da miséria do próximo, foi escolhida em função do Evangelho de hoje.

6 «A ruína de José». O profeta pode referir-se tanto à miséria física de tantos compatriotas, como à corrupção moral que alastrava no Reino do Norte. Aqui é dado o nome de José ao Reino do Norte, em vez do nome de Efraim, corrente nos profetas, a tribo mais importante, pelo facto de Efraim ser filho de José, filho de Jacob, que não deu o seu nome a nenhuma tribo (Manassés e Efraim era filhos de José, que deram o seu nome às respectivas tribos).

 

Salmo Responsorial     Sl 145 (146), 7-10 (R.1b ou Aleluia)

 

Monição: O Senhor convida-nos a louvar ao Altíssimo, porque faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos.

Procuremos também imitar na nossa vida de cada dia esta magnanimidade do nosso Deus.

 

Refrão:         Ó minha alma, louva o Senhor.

 

Ou:                Aleluia.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é Rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A recomendações que são Paulo faz ao discípulo Timóteo, na primeira carta que lhe escreve, são também para nós.

Manda-nos praticar a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão.

 

1 Timóteo 6,11-16

 

Caríssimo: 11Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. 13Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos: 14Guarda este mandamento sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, 15a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Amen.

 

Temos apenas três domingos com trechos da 1ª Carta a Timóteo, de que hoje se lêem apenas 6 versículos do último capítulo.

12 «Combate o bom combate da fé». Muitas vezes S. Paulo compara a vida cristã a uma luta desportiva ou mesmo guerreira, uma vez que sem esforço aturado não se pode permanecer fiel a Cristo (cf. Cor 9,24-27; Col 1,29; 2Tim 4,7).

«Fizeste tão bela profissão de fé…», no momento do Baptismo, ou, talvez como pensam alguns, antes da sua Ordenação; também poderia tratar-se simplesmente de um testemunho corajoso perante as autoridades pagãs.

15-16 É mais uma doxologia de sabor litúrgico (ver outras nesta carta: 1,17; 3,16), uma espécie de jaculatória de louvor a Deus, um desabafo duma alma enamorada de Deus Uno e Trino, que frequentemente S. Paulo deixou passar para os seus escritos.

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 8, 9

 

Monição: Agradeçamos ao Senhor que Se fez pobre dos bens da terra para nos enriquecer com os bens do Céu.

Aclamemos o evangelho da Salvação que proclama estas consoladoras verdades.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 16,19-31

 

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19«Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. 21Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. 22Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. 24Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. 25Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. 26Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. 27O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – 28para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. 29Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. 30Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. 31Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.

 

A parábola de hoje é contada só por S. Lucas, o evangelista mais preocupado com os pobres e os desvalidos.

20 «Um pobre chamado Lázaro». Em hebraico, Eliázar significa «Deus ajuda». O facto de que é dado um nome ao pobre fez pensar a alguns Padres que não se trata duma parábola, mas dum exemplo com um fundo histórico. Chegou a ser venerado como Santo; em Manaus há mesmo a paróquia de S. Lázaro dos Cachorros. De qualquer modo, não é provável que Jesus se tenha servido dum conto egípcio, como alguém supôs, acrescentando-lhe os vv. 27-31.

21 «Os cães vinham lamber-lhe as chagas», um pormenor que põe em evidência a extrema miséria do pobre, pois não era para lhe servir de alívio, mas de humilhação, já que os judeus os consideravam animais impuros e por isso não os costumavam domesticar.

22-23 Segundo as teorias farisaicas da retribuição, na situação até aqui descrita, nada havia de censurável, uma vez que nesta vida cada um tem já a sorte que merece: o justo, a abundância e o bem-estar; o pecador, a miséria e o sofrimento. Com esta «parábola» Jesus pretende desfazer de vez esse equívoco corrente, e ensinar a remuneração na outra vida, negada pelos saduceus. Não era que nos livros do Antigo Testamento ainda não houvesse referências suficientemente claras à outra vida, mas uma concepção demasiado imediata, utilitarista e mesmo materialista da vida por parte dos judeus levava-os a não dar a devida atenção ao que Deus já tinha revelado para o entenderem e traduzirem na vida. Aqui Jesus dá uma machadada definitiva nas falsas ideias farisaicas acerca da retribuição. A morte é o momento em que chega a hora da verdade: «o pobre morreu…, o rico morreu…» (v. 22) e a situação de cada um mudou também; o pobre «foi colocado ao lado de Abraão» (à letra, foi para o seio de Abraão: assim na nova tradução da CEP), para um lugar ou estado de descanso e alegria onde estavam as almas dos justos. O rico foi metido «em tormentos», noutra zona da «mansão dos mortos» (o hádes em grego, o xeol em hebraico, em latim inferi / infernos).

Não se pense que falta à parábola qualquer motivação ética; com efeito, o pobre é agora feliz não porque antes sofreu, e o rico sofre não porque antes gozou. O rico sofre porque não fez caso do pobre, por ser dos que serviam ao dinheiro (cf. v. 13), e, por isso mesmo, não podia servir a Deus nem fazer bem ao próximo. Por outro lado, o pobre, ao ser uma figura posta em contraste, além de desgraçado seria também piedoso. Não se dá, pois, aqui uma simples inversão de papéis, mas uma verdadeira retribuição de carácter perpétuo (cf. v. 26): um abismo impede de passar de um lado para o outro. E, segundo a profunda observação de S. Gregório Magno, «não foi a pobreza que levou Lázaro ao Céu, mas a humildade; e também não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no grande descanso, mas o seu egoísmo e infidelidade» (Hom. sobre S. Lc 40, 2).

24-31 É importante ter em conta que o diálogo entre o rico e Abraão não pode ser tomado à letra, pois não passa duma encenação para dar vigor ao ensino central da parábola; com efeito, os condenados não se podem mostrar arrependidos nem zelosos da salvação dos vivos, mesmo até dos seus familiares, pois carecem da virtude da caridade. Pela mesma razão, também não é válido refutar o espiritismo com os dados desta parábola, como por vezes se faz. As parábolas, enquanto tais, visam um ensinamento concreto e particular, embora nalgumas se tenha vindo a dar, mesmo já na tradição prévia à sua redacção nos Evangelhos canónicos, um valor alegórico a alguns elementos secundários, conforme põem em relevo muitos estudos científicos da actualidade sobre as parábolas de Jesus.

31 Se não dão ouvidos a Moisés e nem aos Profetas, isto é, aos ensinamentos do Antigo Testamento. Para quem obstinadamente não quer crer, os milagres não valem nada, já que Deus respeita a nossa liberdade; esta é também uma lição da parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

•  A doença da insensibilidade

•  A cura da insensibilidade

 

1. A doença da insensibilidade

 

•  A tentação do comodismo. O aburguesamento é uma tentação muito perigosa nos nossos dias. Grande parte do esforço no trabalho de muitos foi reduzido notavelmente. A máquina substitui, com vantagem. o esforço humano.

As necessidades básicas das pessoas – habitação, roupa, alimentação e transporte – estão resolvidas. No campo da saúde há grandes progressos.

Para os tempos livres, as pessoas de todas as idades encontram meios de se distraírem e ocuparem o tempo sozinhas: a televisão, o telemóvel, a internet, usadas desordenadamente, isolam a pessoa de comunicar com os outros. Pode-se viver numa família tão separado dos familiares, como quem vive no deserto. Alguns matrimónios falham por esta razão.

As palavras do profeta soam como uma ameaça. «Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria

•  O isolamento. Facilmente as pessoas se entregam a uma vida individualista, cheia de egoísmo, em que cada uma vive para si, como se não existisse mais ninguém na terra.

Isolam-se dos reais problemas das outras pessoas, mesmo de família, para não terem com que se incomodar.

Neste ambiente artificial e doentio, o amor torna-se impossível e a convivência impraticável.

É preciso ter presente que a pessoa humana se desenvolve no grupo familiar. A solidão a que uma pessoa se condena ou é condenada, deforma.

 É esta a imagem que nos dá o profeta Amós: «Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs»

Os novos deuses: a barriga e o sexo. Num tal ambiente, Deus estorva, impede a felicidade imaginária. Deixa-se a missa ao domingo, a oração e os sacramentos.

É urgente descobrir novos deuses que substituam o Deus verdadeiro. Aparecem então as ofertas desta sociedade: comer o melhor possível, e o “sexo sem risco.”

Para encher as horas de tédio, há o desporto que excita os ânimos durante algumas horas. E assim, «comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo

Para este abismo nos vai empurrando suavemente certa comunicação social que aproveita todas as ocasiões para desacreditar o catolicismo, mesmo quando nos dá notícias do papa ou da Igreja.

•  Vida alienada. Com que futuro sonham estas pessoas? O que desejam?

Vive-se no imediato, no fácil prazer dos sentidos, como se tudo acabasse com a morte, como a existência de qualquer animal, condenado a ser comido à mesa ou a corromper-se na lixeira.

Vale a pena recordar que a vida na terra é um tempo de prova a preparar uma eternidade feliz ou infeliz.

«Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos»

Insensíveis ao sofrimento alheio. Este estilo de vida, deformado pelo egoísmo, torna as pessoas insensíveis ao sofrimento dos outros, mesmo quando se trata dos pais, irmãos ou cônjuge. Dos pobres e vizinhos já nem se fala.

Ensaiam-se falas mansas, discursos de compaixão pelos pobres, mas com o propósito de não mover um dedo para os ajudar.

Lembrando a insensibilidade dos irmãos de José do Egito, que comiam sobre a pedra que cobria a cisterna escura e seca onde ele se encontrava, o profeta Amós conclui: «mas não os aflige a ruína de José

O exílio da solidão. Quem se fecha no egoísmo e na comodidade, constrói a própria solidão. Somos nós que construímos a nossa infelicidade neste mundo, deixando-nos enganar. A mão paterna de Deus está sempre estendida para nós e em qualquer momento nos podemos agarrar fortemente a ela, para ultrapassarmos as dificuldades.

Temos a solidão deste mundo que o pecado cava à nossa volta. Isolamo-nos da família dos filhos de Deus e do mesmo Deus, silenciando a oração. 

Mas a maior solidão que espera aqueles que se afastam de Deus nesta vida é a solidão eterna da condenação para sempre. O inferno é o lugar da solidão. Não há amor, nem proximidade fiável. É uma noite sem fim, rodeados de bandidos que nos odeiam e conspiram contra nós com raiva diabólica.

À luz desta verdade, ganham sentido as palavras do profeta: «Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos»

 

2. A cura da insensibilidade

 

Jesus ensinava muitas vezes a Sua doutrina em parábolas, pequenas histórias que ajudam a compreender e a fixar o que Ele dizia.  Ao lermos e meditarmos algumas delas, como a deste Domingo, que nos parece tão dura, devemos ter presente que o Senhor nos ama infinitamente e deseja curar-nos, arrebatar-nos ao alheamento perigoso em que nos deixamos cair. 

O perigo da insensibilidade. Jesus contava esta parábola a homens instalados na vida, que não se privavam de nada – nem do pecado, muitos deles –, cobrindo a vida com uma capa hipócrita de religiosidade. Como facilmente podemos cair no mesmo erro, nesta civilização do “faz-de-conta”, temos necessidade de a ler à luz de outras verdades que Jesus diz a esta classe de homens de Israel, que eram, aparentemente, os mais cuidadosos cumpridores da Lei de Moisés e se apresentavam como modelos dos seus semelhantes.

O progresso na comodidade – boa alimentação, habitações confortáveis, meios de transporte acessíveis e fáceis, comunicação eficaz – não é um mal. Estamos diante de talentos que devemos administrar. 

Foi Deus quem dotou a pessoa humana com a capacidade de inventar tudo isto e, falando em linguagem humana, alegra-se com os triunfos da ciência. O mundo não pode andar para trás, nem isso daria gloria a Deus.

Todo o problema se encontra na administração dos bens que o Senhor nos confia. Este homem não conseguiu libertar-se da visão egoísta da vida. Estes bens que o Senhor lhe concedeu eram só para ele e para mais ninguém.

Quando não administramos bem as riquezas que o Senhor pôs à nossa disposição, desenvolve-se rapidamente o egoísmo que se manifesta na insensibilidade para com o sofrimento alheio. Como a pessoa que vive assim se julga rapidamente o centro do mundo, olha só para si e não dispõe de tempo nem vontade para ver o que se passa com os outros e muito menos para os ajudar.

Há também os egoístas com aparências de santidade. Abundam em manifestações de religiosidade, mas não se preocupam em ajudar os que se encontram miseravelmente afastados de Deus.

Eis a sua imagem traçada por Jesus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias

Os Lázaros dos nossos dias. Existe ainda uma certa sensibilidade para quem vive na pobreza extrema. São muitos os marginalizados e os que se auto-marginalizam, por diversas causas: A toxicodependência, o álcool, a sensualidade como ideal de vida e outras chagas sociais continuam a atirar para a exclusão muitas pessoas.

Mas há também aqueles e aquelas que são explorados pela prostituição, pelo trabalho mal pago ou mesmo não remunerado, os explorados em todos os campos, e as pessoas que não têm capacidade para se governarem e levarem uma vida digna de filhos de Deus.

No entanto, a maior quantidade e Lázaros é o das pessoas desorientadas na vida que perderam o sentido de Deus e, por isso, da sua existência; os que se deixaram cativar pelos falsos deuses da gula, da sensualidade, do poder e da avareza. Como este vestem bem e viajam em bons carros, não reparamos neles, até porque, diante de nós, fingem ser felizes.

«Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas

Jazem muito perto de nós. Não é preciso andar grandes distâncias para os encontrar. Estão na nossa família, no mesmo trabalha, à mesa do mesmo café.

Os cães lambiam-lhes a feridas, proporcionando-lhes alguma falsa sensação de alívio. No fim, eram mais “compassivos” do que aquele senhor.

O prémio ou o castigo eterno. Depois de desta vida na terra, somos submetidos a uma avaliação feita por Deus. «No entardecer da vida seremos julgados sobre o amor.» (S. João da Cruz).

«No fim das nossas vidas, seremos julgados pelo amor, isto é, pelo nosso esforço concreto em amar e servir Jesus nos nossos irmãos mais pequeninos e necessitados. Jesus virá no final dos tempos para julgar todas as nações, mas vem a nós todos os dias, de muitas maneiras, e pede-nos para O acolher. Aquele mendigo, aquele esfomeado, aquele encarcerado, aquele doente é Jesus. Pensemos nisto.» (Papa Francisco, Angelus, 26 de Novembro de 2017).

Atenção à Igreja. Uma interpretação simplista desta parábola poderia levar-nos a pensar que os pobres vão para o Céu e os ricos, para o inferno. Quem recebeu nesta vida, não receberá na outra.

Jesus ensina-nos que a nossa vida é responsável, um tempo de prova que receberá uma coroa de glória ou um castigo, segundo o modo como nos comportarmos.

A parábola termina com um aviso: não estejamos à espera de meios extraordinários com que Deus nos avisaria sobre o caminho a seguir. A Igreja, fundada por Jesus Cristo, ensina-nos o que devemos fazer. «Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão.»

Em 13 de julho de 1017, Nossa Senhora mostrou o inferno na Cova da Iria a três crianças de 7, 9 e 10 anos, e convida-nos a meditar na sua mensagem.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Invoquemos o Senhor Jesus Cristo,

que infinitamente ama todos os homens

e a todos chama à felicidade eterna.

Oremos (cantando), cheios de confiança:

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Pelo Santo Padre, pelo nosso Bispo e pelo seu Presbitério,

     dado por Deus à sua Igreja, para o serviço do Evangelho,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Pelos homens investidos em responsabilidades mundiais,

      pelos que defendem os pobres e pelos profetas de Deus,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Pelos que são humilhados e desprezados como Lázaro,

     pelos que estão aburguesados como o rico da parábola,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Pelos emigrantes que deixam a terra em busca de trabalho,

  e por todos os que se sentem excluídos da vida laboral,

  oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Pelos professores e alunos de todas as escolas deste país,

     e pelos que vão entrar no último ano de estudos da vida,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Por nós aqui reunidos a celebrar a Eucaristia Dominical,

     e pelos que guardam no coração a mensagem de Jesus,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

7. Pelos nossos irmãos defuntos que o Senhor chamou a Si,

     e pelos que ainda estão a ser purificados no Purgatório,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Senhor Jesus Cristo,

que não cessais de nos interpelar pela Palavra,

abri os ouvidos do nosso coração

à voz daqueles que nos chamam a servi-los

nas suas necessidades e problemas.

Vós que viveis e reinais

por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Para que não nos deixemos iludir com os bens deste mundo, tentando construir um paraíso na terra, o Senhor iluminou-nos na Mesa da Palavra.

Para que não desanimemos nesta subida para o Céu, Ele mesmo vai agora preparar para nós o Alimento da Santíssima Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados – A. Oliveira, NRMS, 17

 

Oração sobre as oblatas: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

A ambição desmedida dos bens é a causa de muitas das guerras entre os homens.

Peçamos ao Senhor um coração desprendido, para gozarmos a verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Cantávamos no salmo responsorial que o Senhor, como o melhor dos pais, dá pão aos que têm fome.

É para matar a nossa fome de amor e de intimidade com Ele que nos convida a comungar com as verdadeiras disposições.

 

Cântico da Comunhão: Vós sereis meus amigos – A. Oliveira, NRMS, 146

cf. Sl 118, 9-5

Antífona da comunhão: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

Ou:    1 Jo 3, 16

Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Acautelemo-nos a tentação do aburguesamento que nos insensibiliza perante o sofrimento dos nossos irmãos.

 

Cântico final: A vida só tem sentido – H. Faria, NRMS, 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

26ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-IX: O valor das provações.

Job 1, 6-22 / Lc 9, 46-50

Em tudo isto, Job não cometeu pecado, nem disse contra Deus qualquer insensatez.

Job vai recebendo notícias das sucessivas desgraças que se abateram sobre a sua família, os seus rebanhos e as suas terras (LT). Vai aceitando tudo, como vindo do Senhor, para seu bem. Atendei, Senhor, a minha causa, escutai o meu clamor (SR).

Para que na nossa vida haja frutos abundantes, é preciso que soframos algumas provocações, como Job, para ver como anda a nossa fé. Os discípulos, pelo contrário, só pensam qual deles será o maior? (EV). As provações servem-nos para aceitarmos a vontade de Deus, que é para nosso bem, desde que amemos a Deus e menos a nós.

 

3ª Feira, 27-IX:  O novo sinal da dor,

Job 3, 1-3, 11-17. 20-23 / Lc 9, 51-56

Job: Desapareça o dia em que eu nasci, Por que não morri eu no ventre de minha mãe, ou não expirei ao sair do seio materno?

Job lamenta-se por ter nascido e estar a padecer tantos sofrimentos (LT).

Os sofrimentos apresentam-se de muitas maneiras e nenhuma delas é espontaneamente querida por ninguém. Mas Jesus resolve ir até Jerusalém, para ali morrer (EV), porque nos queria redimir pela sua paixão e a sua morte. A partir de então, a dor passa a ter um novo sentido. Ele proclama bem-aventurados os que choram, os que sofrem nesta vida: doenças, dores físicas ou morais, injustiças. A fé altera o sinal da dor de menos (-) para mais (+), dando-lhe um sentido positivo

 

4ª Feira, 28-IX: O seguimento de Cristo.

Job 9, 1-12. 14-16 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm a suas tocas, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome, a sede, a indigência, não tem onde reclinar a cabeça(EV). Por isso, é exigente com todos os que desejam segui-lo, pedindo-lhes uma disponibilidade total, que não admite quaisquer desculpas (EV).

Poderemos nós encontrar uma razão para tais acções? Poderia o homem ter razão contra Deus? Ele realizou coisas grandiosas, incompreensíveis, maravilhas que não podem calcular-se (LT).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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