Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2022

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ó Cruz Bendita – M. F. Borda, NRMS, 43

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz, na qual brilha a redenção que Deus quer operar em nós, fazendo-nos ver a triste condição em que nos colocamos quando abraçamos a fealdade do pecado, e desejarmos a salvação. Saibamos implorar misericórdia, para podermos ter uma vida digna da beleza do amor de Deus.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Apesar dos nossos queixumes, das nossas insolências, Deus está sempre desejoso de nos perdoar e de nos enviar continuamente ministros do Seu perdão.

 

Números 21,4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

O contexto deste relato é o da longa viagem desde a longa estância no oásis de Cadés até Moab, em que o povo se cansa com os rodeios para evitar enfrentar Edom (cf. v. 4), revolta-se e protesta contra Moisés. O que aqui se relata pode muito bem ser referido a um lugar de Arabá, a atual Timná, onde se encontrou uma serpente de bronze num antigo santuário egípcio. Às serpentes era atribuído um poder mágico

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16,20-21; Salm 78,23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja natureza se ignora. Há mesmo quem pense em pequenos parasitas, as filárias, que perfuram a pele, invadem e obstruem os canais linfáticos, causando a morte por filariose (Prof. Henrique Oliveira).

8 «Faz uma serpente de bronze…» O relato bíblico poderia fazer pensar, à primeira vista, num recurso à magia, rejeitada em toda a Sagrada Escritura, pois aqui a cura até parece pertencer à classe da homeopatia mágica: uma imagem do causador do mal teria o poder de o esconjurar! Talvez por isso o livro da Sabedoria tem o cuidado de atribuir a cura à misericórdia de Deus: «não em virtude do que via, mas graças a Ti, o Salvador de todos» (cf. Sab 16,5-14). Também entre os gregos a serpente era o animal emblemático de Esculápio e conserva-se como símbolo das nossas farmácias. Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3,14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que, arrependidos, olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial      Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: Para nos libertar do pecado, Deus atrai-nos com vínculos de amor, recordando as Suas misericórdias.

 

Refrão:         Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São Paulo canta o mistério da salvação para nos recordar como somos salvos e livres.

 

Filipenses 2,6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino, sendo a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse diretamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». O texto original foi simplificado no texto litúrgico, pois há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão: a) «Não considerou como um roubo o ser igual a Deus»; b) «Não considerou como algo a roubar (=algo cobiçado) o ser igual a Deus». No primeiro caso, considera-se o termo grego harpagmós em sentido ativo (roubo); no segundo, em sentido passivo (coisa cobiçada). A Vulgata, seguida pela Nova Vulgata e assim a Bíblia da Difusora Bíblica, traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido ativo); a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica, considera o termo grego com sentido passivo: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón). Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3,5.22), e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh»; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4,15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-10 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho duma história trágica com que tudo acabou. Temos em paralelo o sublime paradoxo da sua «exaltação»: «por isso Deus – não Ele próprio, mas o Pai, ho Theós (com artigo) – «O exaltou» de modo singularíssimo, à letra, acima de tudo o que existe, como o sugere a preposição hypér na composição do verbo hyperypsóein (exaltar). Esta exaltação deu-se com a glorificação da humanidade de Jesus na sua Ressurreição e Ascensão. A esta sublime exaltação corresponde o «Nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes em todos os tempos. Com efeito, já não se trata do simples nome de Jesus, um nome corrente com que era tratado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, nem apenas o título da sua condição messiânica, Cristo, pois o nome que agora Lhe compete é o mesmo nome com que o próprio Deus é designado no Antigo Testamento: «Kyrios/Senhor», nome divino, como consta da tradução grega de «Yahwéh». Desde agora, a todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo Senhor sem artigo, como no original grego), e o seu domínio sobre toda a criação, a saber, «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente, mão tendo em conta o acusativo grego eis dócsan: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não diretamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62 (prisão romana), se não é mesmo de cerca de 55/56 (data mais provável: prisão em Éfeso), e, como dissemos, estes versículos já fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: O Senhor Jesus recorda-nos no Evangelho os anseios de Deus Pai pela nossa salvação. Recorda-nos que na fidelidade à Sua aliança, para evitar o ultraje ao seu Santo Nome, lança-se do Céu para nos dar a alegria de lhe correspondermos.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3,13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7,13; 4Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu. J. Ratzinger/Bento XVI encara com grande profundidade esta afirmação de Jesus acerca de si mesmo (Jesus de Nazaré, cap. X).

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação: na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13,1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7,38; 12,23-24; 17,1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12,16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21,4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16,5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22,1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, como Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

“Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti”

“Por isso Deus O exaltou”

“Para que o mundo seja salvo por Ele”

 

Exaltar a Santa Cruz do Senhor recorda um duplo movimento do nosso coração: traição e procura de perdão. A nossa vida cristã tantas vezes caminha entre estes dois marcadores. Está quase que bipolar, quando deseja ardentemente reclinar, como São João, a cabeça no peito do Mestre ou cheia de valentia, como São Pedro que proclama o Senhor como Cristo, o Filho de Deus vivo, ou então caminha na crueldade e frieza da traição de Judas.

Assim, podemos ver no nosso coração como a Cruz nos diz quem somos, como é uma revelação acerca de nós próprios para cada um de nós, pois recorda-nos se estamos sob o domínio de Satanás ou de Deus.

 

“Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti”

 

A traição está marcada por se estar contra o Senhor, Este movimento do nosso coração só pode ser assumido se nos for mandatado. E o nosso problema é esse, pois quando estamos agrilhoados pelo pecado, somos escravos de Satanás, sem capacidade de vontade própria e continuamente afastados de Deus. São Basílio de Cesareia deixa-nos muito claramente este aviso: “como não é possível tornar o Inferno atraente, então o Demónio torna atraente o caminho que leva até lá”. Assim tantas vezes nos encontramos nesta terrível situação, aceite por nós próprios de nos rebelarmos contra Deus. Esta é sempre a grande tentação, porque não aceitamos a salvação de Deus nem a ordem de vida que Ele nos concede viver, por isso tentamos criar uma sem Ele, que possa corresponder aos nossos desejos, mas porque somos escravos de Satanás, já não são os nossos desejos e vontades mas os dele que é a nossa perdição.

 

 “Por isso Deus O exaltou”

 

Para sermos libertados de tão miserável situação, não nos bastam as nossas forças. Precisamos primeiro de redenção, de perdão. Mas o perdão que desejamos vem da forma que menos esperaríamos: com Jesus morto e ressuscitado, como o único que nos pode libertar das cadeias do pecado. No entanto, este processo pode ser fonte de grande angústia porque há alguém que morre por nós. Neste processo, com a dor que sentimos, gostaríamos de ser nós a pagar pelas nossas culpas ou então sermos indulgenciados por Deus. Não conseguimos admitir que um inocente morra por nós. Mas é precisamente esta a grande libertação que Cristo opera em nós: libertar-nos do orgulho de que somos capazes de nos salvar, porque foi por causa desta atitude que ficámos em tão triste situação. Por isto mesmo, a Cruz é necessária como única fonte de salvação, para transitarmos da escravidão de Satanás para o reinado de Cristo, porque é o Senhor quem o faz.

 

“Para que o mundo seja salvo por Ele”

 

A grande questão que permanece é como é que se permanece nesta salvação, como permanecemos junto da Cruz salvadora. O Evangelho recorda que Deus amou tanto o mundo. Ora, este amor requer resposta, mas não a da soberba humana marcada pelo pecado, por Satanás, que quer subir ao Céu e arrebatar o trono de Deus para si. Temos pois que ser recordados das palavras do Salmista: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigiam as sentinelas”.

Assim sendo, temos que cultivar a atitude que o Senhor Jesus nos recorda no Evangelho: temos que aprender a reconhecer que somos visitados por Deus. Mas isto não é uma atitude passiva. É uma atitude humilde de quem espera no Senhor e só espera no Senhor quem foi libertado pela Sua Cruz.

Desta festividade, então, percebemos toda a força da vida cristã enquanto preparação, enquanto espera de quem é diariamente visitado por Deus. Compreendemos porque nos sujeitamos à vida da Igreja, à vida sacramental, ao Ano Litúrgico, a peregrinações, a penitências, a boas obras, a tanto quanto nos é proposto, pois é a forma como Deus edifica em nós o Seu Reino.

Que a Virgem Santa Maria, que Deus nos deixa como modelo de espera na Cruz, por nós interceda e nos auxilie a não deixar de desejar a Cruz redentora.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Oremos ao nosso Redentor,

que nos remiu pela sua santa Cruz,

e digamos, confiadamente:

 

R: Cristo ouvi-nos, Cristo atendei-nos.

Ou: Pela vossa santa Cruz, salvai-nos, Senhor.

 

1. Pela santa Igreja, nascida da árvore da Cruz,

para que siga fielmente a Cristo

e seja revestida da sua glória,

oremos, irmãos.

 

2. Pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que sejam testemunhas da sabedoria do Espírito,

que brotou da Cruz do Salvador,

oremos, irmãos.

 

3. Pelos cristãos que sofrem no corpo ou na alma,

para que sintam a presença consoladora de Cristo,

que ilumina a experiência da dor humana,

oremos, irmãos.

 

4. Pelos catecúmenos e por todos os fiéis,

para que ponham a sua alegria em proclamar

que Jesus é o Senhor, para glória de Deus Pai,

oremos, irmãos.

 

5. Pelos perseguidos por causa da fé e da justiça,

para que na Cruz de Cristo encontrem a certeza

da vitória do perdão e do amor,

oremos, irmãos.

 

6. Pela nossa comunidade (paroquial),

para que ponha toda a sua glória

na Cruz de Cristo, o Redentor,

oremos, irmãos.

 

Pai de misericórdia,

que exaltastes o vosso Filho na sua ressurreição,

derramai sobre nós a força do Espírito,

para que possamos levar todos os dias

o peso e a glória da santa Cruz.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A Cruz fizera do mundo velho – J. F. Silva, NRMS, 29

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor.

Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Pode dizer-se o prefácio da Paixão do Senhor I: p. 467 [600-712]

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia, renova-se o Sacrifício da Cruz. Recordamos o que custou a nossa salvação, mas também contemplamos os excessos de amor que o Senhor nos tem. Ao receber Jesus, peçamos a graça de não O deixar sozinho, de sabermos esperar na Sua Cruz.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém quiser seguir-Me – C. Silva, OC, pg 230

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Nós vos louvamos e bendizemos – J. Santos, NRMS, 69

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Do Mistério da Cruz, recebemos a Salvação, recebemos o Seu Corpo e Sangue. Estando na Sua presença, na Sua companhia, não queiramos viver na fealdade do pecado, sob o domínio de Satanás, mas na virtude do Amor, que responde sempre a Jesus e nos leva à vida eterna.

 

Cântico final: Salve ó cruz – M. Faria, 20 cânticos, IC

 

 

Celebração e Homilia:         Jorge Miguel Santos Carvalho

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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