Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2022

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ave Maria, mulher admirável – A. Oliveira, NRMS, 18 

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Sabemos que o nascimento de uma pessoa está envolvido pelo mistério do amor de Deus. É Ele que chama à vida e confia a cada pessoa uma missão. Para Deus todos somos amados e com uma missão insubstituível. Nós não somos peças, nem números, mas pessoas misteriosamente escolhidas, chamadas e enviadas.

O nascimento de Nossa Senhora está envolvido pela misericórdia insondável de Deus e a Missão que lhe confia é de uma transcendência que não conseguimos alcançar totalmente.

O aniversário da Nossa Mãe é celebrado por tantos filhos e filhas numa alegria exuberante de gratidão a Deus. Uma Mãe tão bela, tão santa e tão fecunda deixa resplandecer de forma tão transparente o Mistério de Deus.

Louvemos e glorifiquemos a Deus pela maravilha que é a Nossa Mãe do Céu. E como prenda em seu aniversário ofereçamos a nossa vida ao Seu Filho Jesus.

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Na altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe” foi concretizado no dom do Emanuel “Deus connosco”.

 

(Ou texto de Rom. 8,28-30).

Monição: “Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam”.

 

 

Miqueias 5,1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4,11; 1Sam 16,1-13; 17,12; Mt 2,4-6; Jo 7,42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a duma outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…», à letra: «pequena para as que estão entre as milhares (ou famílias) de Judá». S. Mateus (Mt 2,6) cita este texto fazendo dele uma leitura atualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de dois recursos próprios da hermenêutica judaica. Por um lado, transforma a afirmação de Miqueias numa interrogação – «porventura és pequena…? –, o que lhe permite dizer que de modo nenhum é a mais pequena; por outro lado, com a técnica deráxica chamada al-tiqrey («não leias»), lê a palavra hebraica alfey («milhares») com outras vogais, a saber, al-lufey («as principais [príncipes] de»), tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, mas só as consoantes. É assim que Mateus pode dizer, sem falsear o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais (cidades) de Judá» (Mt 2,6).

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9,5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar a alguns comentadores numa alusão à célebre profecia da virgem que concebe de Isaías 7,14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus, a razão da escolha deste texto para a Liturgia de hoje.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2,14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Romanos 8,28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5,5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8,26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28), o que também corresponde ao aforismo popular: Deus escreve direito por linhas tortas.

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do aoristo proléptico), dada a nossa intima uão a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial      Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: Cantemos com alegria as maravilhas que Deus realizou na Nossa Mãe do Céu.

 

Refrão:         Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: A Nossa Mãe do Céu dá-nos Jesus Filho de Deus. E Jesus dá-nos a Sua Mãe.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC (pg 534)

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 1,1-16.18-23;        forma breve: São Mateus 1,18-23

 [1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não corresponde a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4,4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada uma daquelas pessoas da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), mas não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma ação, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afeta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora sem documentar que descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (atualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois, ou mais tarde se faltava tempo para ser fértil.

 «Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»; isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1,26-38), lido na festa da Imaculada Conceição e de Santa Maria Rainha (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da conceção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, uma vez que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias; em face dos dados das suas fontes, nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e, assim, o que deveria ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria atuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e retidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel (se é que ele não esteve mesmo ali); poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia; julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7,14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho, até se prestava a indicar que este não nasceria de germe paterno!). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «atualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) O chamarás».

 

Sugestões para a homilia

 

Um nascimento maravilhoso

Sabemos que a sagrada escritura não nos fala do nascimento de Maria porque pretende centralizar-se em Jesus Cristo, Filho de Deus. Mas juntado todas as “peças” em que a Sagrada Escritura nos fala de Jesus deixa transparecer a Sua Mãe. E podemos e devemos maravilhar-nos com o dom que é a Nossa Mãe do Céu.

Foram os místicos que mais escreveram sobre o nascimento de Maria de Nazaré. Mas mesmo sem eles também poderíamos chegar a compreender que Maria, pelas atitudes que toma, deixa transparecer o belíssimo berço em que nasceu: sua família. Os seus pais Joaquim e Ana eram fantásticos e lhe deram uma educação humana e divina de muita profundidade. Depois no jeito tão agradável de Maria ressaltam os seus encantadores traços. É uma Pessoa bela, pura, santa que foi e é o encanto do Deus Altíssimo e alegria dos seus filhos.

No vínculo indissociável que Maria mantém com Jesus, e Jesus mantém com Sua Mãe, sobressai a sua personalidade cheia de maturidade, inteligência, sabedoria, profundidade de fé, dinamismo da graça, heroísmo de caridade, docilidade acolhedora, maternidade suplicante, simplicidade e discrição, coragem a toda a prova, esperança luminosa, fecundidade sem limites.

Por isso o seu nascimento, a sua vida e a sua constante presença na vida dos seus filhos os põe a cantar cheios de alegria e confiança: glória, honra e louvor! Com Maria sempre estamos em festa e exultam nossas vidas e nossas almas!

 

“Der à luz aquela que há-de ser mãe”. Ele será chamado Emanuel “Deus connosco”.

O Profeta Miqueias vê, e com clareza, que a preciosidade que Deus oferece ao seu Povo tem o sabor da Maternidade.

Em Maria Deus se aproxima, se despoja, se faz um de nós. A sua maternidade faz-nos saborear a surpreendente iniciativa de Deus. É um Deus que não quer fazer coisas, mas assumir a nossa humanidade, amar-nos inteiramente, graças ao Sim de Maria.

Uma maternidade que conta também com a adesão incondicional de São José. Desde o primeiro momento procura responder segundo a vontade Deus a um mistério que o ultrapassa. Nele a maternidade é acolhida, defendida, amada e caminhada apaixonante, descobrindo sempre mais o Rosto de Deus n’Aquele Menino, que encheu sua vida de mil cores e de misteriosa profundidade.

A maternidade de Maria atingiu na cruz, expressão máxima da sua entrega, à maneira da entrega de Seu Filho. E traduziu a profundidade misteriosa e insondável do seu nascimento. E nesta síntese de vida somos interpelados a encontrar as razões últimas e definitivas do nosso nascimento e do nosso lugar e papel ativo na obra magnífica do Deus que salva.

 

Cantemos o nascimento de Maria com Jesus e com José.

Muitas vezes quando caminho e me cruzo com mães que levam os seus meninos ou meninas no colo fixo sempre em primeiro lugar a criança e depois fixo a mãe. E sempre aproveito para, em silêncio, lhe dar a bênção de Deus. E dou-me conta que na realidade mesmo que Maria leve o seu menino no colo é Ele que nos centraliza na Mãe. A Mãe faz realçar o Filho e o Filho leva-nos à candura, docilidade e serviço da Mãe.

Também são os filhos e sobretudo os mais pequenos que folgam com o aniversário da mãe! Jesus tem uma Mãe que O enche de imensa alegria! Se soubéssemos a alegria e o amor que Jesus tem a Sua Mãe! Ele nos quer juntar a todos para A celebrarmos sempre como dom precioso e festejarmos a sua esplendida vida e missão que se repercute em grande manancial sobre todos nós. Ele quer que sejamos gratos com a Sua Mãe e como Ele, a amemos de todo o coração. E muito feliz fica se assumirmos na nossa vida as mesmas atitudes que Maria assumiu de forma plena e total.

Mas também São José que desde cedo se apaixonou por Maria com verdadeiro amor, nos ajude a celebrarmos com encanto esta Mulher Admirável. Ele que é testemunha privilegiada das maravilhas que Deus n’Ela operou. Ele que desde cedo percebeu que Ela nasceu para lhe dar imensa alegria e lhe dar a razão de ser da sua vida e missão. Ele que testemunhou a grandeza, a entrega, o sacrifico e o amor com que Maria amou a Deus e a todos nós. Ele nos estimula a cantar, a agradecer e a louvar a Deus, por esta Mãe admirável.

 

Vamos oferecer-Lhe presentes!

Em cada aniversário o melhor presente é a presença simples, grata e alegre. Sobretudo a gratidão por uma vida que nasceu para nos dar vida, nos amar, no ajudar a crescer e a tornar robustos e fortes.

Quando se trata do aniversário da nossa mãe a celebração enche-se de muita mais profundidade e mistério. E os presentes que uma mãe gosta de receber é a presença dos seus filhos, vê-los reunidos e unidos, vê-los carinhosos e fortes no amor. O que a mãe mais gosta é ver que seus filhos se tornaram responsáveis e comprometidos com a vida e com todas as pessoas.

Assim Maria! Que alegria lhe damos quando estamos unidos, quando o amor entre nós supera todas as diferenças, todas as dificuldades, todos os obstáculos. Quando o amor entre nós se torna eficaz acolhimento, perdão consolador, partilha, serviço, remédio das nossas crises e doenças!

Como esta Mãe gosta de ver em nós a eficácia da Palavra de Seu Filho, que Ela sempre nos reforça nos seus pedidos: “fazei tudo o que Ele vos disser”! Sim Ela gosta de ver a nossa humildade, a nossa disponibilidade o nosso generoso compromisso com o projecto de seu Filho. Como a nossa Mãe gosta da oferta da nossa vida a Deus e por Deus!

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Ao celebrarmos o nascimento de Nossa Senhora

que deu ao mundo a Cristo Salvador,

invoquemos humildemente o nosso Deus,

dizendo (ou cantando), com alegria:

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou: Interceda por nós a Mãe do Verbo de Deus.

 

1- Pelo Papa Francisco,

para que encontre em todos nós

disponibilidade e entrega generosa

no evangelho da alegria,

dando frutos de serviço à vida humana,

oremos.

 

2- Pelo Nosso Bispo (N.),

que o Senhor o assista no seu ministério episcopal

ao serviço desta diocese e da Igreja de Cristo,

e encontre em todos a coragem do testemunho,

a audácia do anúncio e o compromisso generoso,

oremos.

 

3- Pelos Povos e Governos de todo o mundo,

para que não coloquem Cristo fora das suas cidades e das suas vidas,

se convençam que são servos e não donos absolutos  

do mundo, da vida, das pessoas e da natureza,

e aceitem Cristo como referência de humildade, doação e serviço,

oremos.

 

4- Pelos noivos que se preparam para o matrimónio,

para que vivam o tempo de namoro como autêntica preparação

de uma santa e verdadeira comunidade de vida e de amor,

oremos.

 

5- Por todas as famílias para que fomentem o amor à vida,

sejam verdadeiras comunidades, onde cada pessoa

se sinta amada e possa crescer,

e onde o serviço e a doação fazem descobrir a autêntica felicidade,

oremos.

 

6- Por todos nós, reunidos nesta assembleia,

para que, imitando a santidade de Maria,

nos tornemos imagens vivas do seu Filho Jesus Cristo,

oremos.

 

Deus todo-poderoso e eterno,

ouvi as orações do vosso povo

que celebra a festa da Natividade da Santíssima Virgem Maria,

e, por sua intercessão e auxílio,

enriquecei-o com os dons da vossa graça.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Virgem sagrada – J. F. Silva, NRMS, 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade]: p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

A minha vida é um dom imenso. Que nunca me canse de agradecer este dom. Que nunca me deixe abater diante das dificuldades e obstáculos que encontro no meu caminho.

Deus me chamou por entranhas de misericórdia. E ele em mim continua a chamar, a confiar e a enviar-me. A minha vida é um mistério de amor e demasiado importante para ser desperdiçada. Deus precisa de mim e me envia em missão para levar aos irmãos a doçura da sua paz, do seu amor, do dinamismo transformador da sociedade.

 

Cântico da Comunhão: Vós sois a glória de Jerusalém – M. F. Borda, NRMS, 41

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: O meu coração exulta – M. Faria, NRMS, 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria, que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que faço eu da minha vida? Como posso viver com a qualidade do evangelho a exemplo da Mãe do Céu?

O nosso nascimento, a razão de ser da nossa vida, encontra-se no amor de Deus, que passa pelo amor dos nossos pais e de outras pessoas que nos acolhem. A vida precisa ser acolhida, amada e acompanhada. O egoísmo, o materialismo e o narcisismo são um perigo para a nossa vida e a dos nossos irmãos.

Com e como Maria deixemos transparecer em nós a santidade de Deus e semeemos, com largueza e abundância, o grande dom da vida.

 

Cântico final: Desde toda a eternidade – M. Carneiro, NRMS, 18

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 9-IX: A cegueira espiritual.

1 Cor 9, 16-19. 22-27 / Lc 6, 39-42

Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirares o argueiro que o teu irmão tem no dele.

Esta cegueira espiritual tende a descobrir demasiados defeitos nos outros e muito poucos em nós. Havemos de procurar descobrir as virtudes e coisas boas nos outros, a ocultar os seus defeitos, com os nossos grandes pecados (Sta Teresa de Jesus).

Para vermos melhor, sigamos o conselho do Senhor: tira a trave da tua vista (EV), isto é, preocupa-te mais por eliminar os teus defeitos e já não verás os dos outros. Ou o conselho de S. Paulo: Fiz-me tudo para todos, para ganhar alguns por todos os meios. Louvarei o Senhor, meu conselho e meu guia (SR)

 

Sábado, 10-IX: O cumprimento da vontade de Deus.

1 Cor 10, 14-22 / Lc 6, 43-49

Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

Se queremos construir a nossa vida sobre um fundamento sólido, devemos ouvir a palavra de Deus e pô-la em prática (EV). Mas isso exige que estejamos dispostos a cumpri-la nos deveres de cada dia, na aceitação das contrariedades, etc.

De igual modo, a casa edificada sobre rocha é a vida apoiada na Eucaristia. Não é o pão que nós partimos uma comunhão com o corpo de Cristo? (LT). Pela comunhão eucarística, a Igreja consolida-se igualmente na sua unidade do Corpo de Cristo. Hei-de oferecer-vos, Senhor um sacrifício de acção de graças (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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