Virgem Santa Maria Rainha

22 de Agosto de 2022

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Salve, Santa Mãe de Deus – J. Santos, NRMS, 45

cf. Salmo 44, 10

Antífona de entrada: A vossa direita, Senhor, está a Rainha, revestida de beleza e de glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, depois de celebrar a de Assunção de Nossa Senhora, quer com que prolongar por oito dias tão grande solenidade e concluir com a festa de hoje e que é a sua consequência. Nossa Senhora é glorificada no Céu como Senhora e Rainha de toda a Criação por ser a Mãe do Rei do Universo. Celebremos a sua festa com o coração transbordante de alegria, pois tão grande Rainha é também a nossa Mãe.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe e Rainha, fazei que, protegidos pela sua intercessão, alcancemos no Céu a glória prometida aos vossos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías contempla no horizonte dos séculos o Messias futuro, que será o Rei eterno e a quem aclama como Deus. A profecia que iremos escutar cumpriu-se, plenamente, pela Encarnação redentora do Filho de Deus.

 

Isaías 9,1-6

1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 2Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 3Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 4Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 5Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 6O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo.

2 «Uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «menino» (v. 5) que nasce para nós na noite de Natal, «a luz do mundo» (cf. Jo 8,12; 1,5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas, que se conta no livro dos Juízes, cap. 7.

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico, e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial     Sl 112 (113), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R. 2)

 

Monição: Bendigamos o Senhor para sempre. Demos graças ao Senhor especialmente hoje pela Santidade e beleza da Rainha do Céu que é a Nossa Mãe

 

Refrão:         Bendito seja o nome do Senhor para sempre.

Ou:                Aleluia.

 

Louvai ao Senhor, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.

 

Desde o nascer ao pôr do sol,

seja louvado o nome do Senhor.

O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

 

Quem se compara ao Senhor, nosso Deus,

que tem o seu trono nas alturas,

e Se inclina lá do alto,

a olhar o céu e a terra?

 

Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: Escutemos com atenção as palavras do santo Evangelho em que Deus anuncia, por meio do Anjo, o mistério da Encarnação. O Rei dos reis que irá nascer de Maria torna a sua Mãe Rainha e Mãe do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 114)

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1,26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução (salve, na nova tradução), correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal (assim, a nova tradução da CEP propõe: “o que é concebido santo será chamdo Filho de Deus”). «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Gn 1,3; Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este sintagma, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti). “A resposta de Maria significou a entrega total da sua vontade ao que Deus lhe pedia naquele momento e ao longo de toda a sua vida” (F. Carvajal).

Apraz-nos citar aqui as palavras de S. João Damasceno sobre Nª Senhora: «Ela é descanso para os que trabalham, consolação dos que choram, remédio para os doentes, porto de refúgio para as tempestades, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro dos que rezam».

 

Sugestões para a homilia

 

     Nossa Senhora Rainha

     Reinar servindo

     A Rainha das nossas almas

 

 

Nossa Senhora Rainha

 

Hoje rezamos com toda a igreja, na oração coleta: Senhor nosso Deus, que nos destes a Mãe do vosso filho como Mãe e Rainha, fazei que protegidos pela sua intercessão alcancemos no céu a gloria prometida aos Vossos filhos.

A festa da realeza da Santíssima Virgem Maria foi instituída pelo Santo Padre Pio XII em 1954, quatro anos depois da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora. Nessa ocasião foi publicada a encíclica Ad Coeli Reginam, sobre o conteúdo dogmático da festa. O Papa determinou que a festa fosse celebrada na oitava da Assunção para manifestar a conexão que existe entre estes dois mistérios da vida de Nossa Senhora.

Na leitura do profeta Isaías que é escolhida, habitualmente, para esta celebração escutamos o anúncio da chegada de um Rei-Messias que reinará para sempre num reino de paz. Esse rei é Jesus Cristo, Deus valoroso! Pai para sempre! que reinará eternamente e ao qual tudo está submetido. É rei por ser Deus e Redentor e, como rezamos no credo, reina junto ao Pai e o seu Reino não terá fim.

A Igreja atribuiu a Nossa Senhora o título de Rainha a partir do seculo IV, e está presente quer na Liturgia (Salve Rainha, Regina Coeli), quer na piedade popular (5º mistério glorioso do Rosário, Ladainha). Também encontramos na arte religiosa uma profusão inumerável de obras que representam a coroação da Virgem Maria na Gloria do Céu.

Na passagem do Evangelho escolhida para este dia, o Arcanjo S. Gabriel prediz que o filho que nascerá de Nossa Senhora reinará eternamente. Dias mais tarde Isabel aclamará à sua jovem parente como Mãe do meu Senhor. Por isso a Igreja não duvida em proclamar a realeza de Maria, apoiada nas Sagrada Escritura, na Tradição e nas verdades reveladas da sua Maternidade divina e a sua associação singular à obra da Redenção do seu Filho.

 

 

Reinar servindo

 

Eis a serva do Senhor. Estas palavras de Nossa Senhora, depois de escutar a mensagem do Céu, resumem a sua inteira existência. Maria entendeu a sua vida como um serviço antes e depois da Anunciação. Depois de um modo ainda mais intenso e abrangente. Esse seu serviço alcança uma nova plenitude quando Jesus, no momento supremo da Paixão confia João aos seus cuidados maternos, e com João todos os filhos e filhas de Deus, toda a Igreja e a Humanidade inteira. Desde então, no tempo e na eternidade, Nossa Senhora serve, cuida, ajuda e adverte aos seus filhos com coração de Mãe e Senhora. Maria reina servindo, porque é o estilo de Deus. Jesus, Deus, reina servindo, por isso diz de Si próprio que não veio para ser servido, mas para servir.

Ser rei no Antigo Oriente queria dizer ser o protetor que oferecia ajuda, justiça e segurança aos seus súbditos. Nele encontravam um pai que defendia e procurava, sinceramente, o bem do seu povo.

Também na nossa tradição ocidental, quer na sociedade civil quer na eclesiástica, os ministros são aqueles que por título e obrigação devem servir. O Primeiro ministro é o mais obrigado a servir, e o Papa tem o título de Servo dos servos de Deus.

Jesus, Rei Universal, e a Rainha do Céu, servem a todos, porque a todos amam e desejam com paixão o nosso bem verdadeiro, a nossa felicidade.

O reinado de Jesus e de Maria não se impõe pela força, mas pelo amor e espera que por amor abramos a nossa alma a esse Rei e essa Rainha que tomam posse de ela para a santificar.

 

 

A Rainha das nossas almas

 

Por vezes, quando entramos numa vivenda ou num escritório e vemos tudo limpo e arrumado, acontece-nos pensar que ali “reina a ordem”. O mesmo dizemos ao referi-nos a uma família, ou uma instituição, quando nelas reina a boa disposição, ou a confiança, ou a alegria, etc.

Também Nossa Senhora deve reinar na nossa alma, porque é o caminho querido por Deus para nossa santificação. Quando Jesus diz a João Eis a tua mãe (João 19, 27) e o discípulo desde aquela hora acolhe Maria na sua casa, ensina-nos o caminho que todos devemos percorrer. Nossa Senhora, depois da sua glorificação, por estar tão intimamente unida a Deus, está, permanentemente, junto de cada um de nós.

Nossa Mãe está mais próxima de nos do que o estava junto de João no Calvário. Mas devemos acolhê-La, também, na nossa casa. A casa de João experimentou, com a presença de Maria, algo semelhante à inundação de graças que recebeu Isabel quando Nossa Senhora foi visita-la. É recorrente a comparação entre os três meses que ficou a Arca da aliança em casa de Obed-Edom de Gat (2Sam 6,10-12) e os três meses que Maria, verdadeira arca da aliança, passou em casa de Zacarias e Isabel. No livro de Samuel se diz que O Senhor abençoou a família de Obed-Edom e todos os seus por causa da arca de Deus, e é lógico pensar que chegaria muita maior abundância de graças, por meio de Maria, à casa da sua prima e, mais tarde, à casa de João.

A presença de Nossa Senhora é, e será sempre, uma bênção de Deus. Acolher essa presença é acolher a Jesus Cristo, pois Ela continua a dizer-nos, como em Caná, que façamos o que Jesus nos dizer.

Acolhemos Nossa Senhora quando meditamos na sua vida, rezamos o terço, o angelus, e tantas devoções marianas, quando visitamos e veneramos as suas imagens, quando rezamos breves orações durante o dia, quando falamos com Ela com amor de filhos para louvar agradecer pedir e desagravar, quando realizamos com Ela nossos trabalhos e atividades, quando dirigimos a Ela o nosso primeiro e último pensamento do dia, etc.

Assim viveram os santos, e se também nós lutarmos por viver assim, toda a nossa alma e a nossa vida adquirem perfume mariano como aconteceu em Betânia quando Maria derramou o perfume para ungir Jesus e toda a casa ficou impregnada pelo aroma do perfume. Pode-se dizer que numa alma assim “reina Nossa Senhora”, porque adquire um ambiente interior cheio de serviço, de humildade, de amor a Jesus Cristo sincero e traduzido em obras, de caridade e de alegria.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por intercessão da Virgem cheia de graça,

que Deus Pai todo-poderoso

quis que fosse Mãe do Seu Filho

peçamos com confiança e alegria:

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

1. Para que a Virgem Maria, Mãe da Igreja

ilumine o Santo Padre, os Bispos, Sacerdotes, Diáconos e Leigos

a fim de que sejam sempre fiéis à sua vocação,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

2. Para que a Virgem Maria, Rainha da Paz

inspire os responsáveis pelas nações para eliminarem

as injustiças que podem conduzir à guerra,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

3. Para que a Virgem Maria, Mãe Puríssima,

defenda de todos os perigos as nossas crianças

e aponte aos jovens o caminho da felicidade,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

4. Para que a Virgem Maria, Rainha do Santíssimo Rosário

nos ensine a rezá-lo todos os dias,

como pediu nas aparições de Fátima,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

5. Para que a Virgem Maria, Porta do Céu

nos venha buscar um dia para o Seu reino celeste

e aí nos faça encontrar a todos os nossos familiares e amigos

e todos quantos no Purgatório esperam os nossos sufrágios,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, Rainha do Céu e da Terra

dignai-vos atender as nossas súplicas

que por Sua intercessão vos dirigimos.

por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Rainha da Graça – A. Oliveira, NRMS, 75

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, nós Vos oferecemos, Senhor, os nossos dons e Vos pedimos que venha em nosso auxílio o vosso Filho feito homem, que a Vós Se ofereceu na cruz como oblação imaculada. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade]: p. 486 [644-756], ou II p. 487

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 195)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus está na Eucaristia para nos servir e salvar. Peçamos a Nossa Senhora a fé e o amor com que Ela O recebeu; e se estivermos em condições de comungar, deixemo-nos transformar pelo sacramento do amor, para ser verdadeiros servidores dos nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão:  É celebrada a Vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

cf. Lc 1,45

Antífona da comunhão: Bendita sejais, ó Virgem Maria, que acreditastes na palavra do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: O meu Espírito exulta – C. Silva, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este sacramento celeste, ao venerarmos a memória da Virgem Santa Maria, concedei-nos a graça de tomar parte no banquete do reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus está na Eucaristia para nos servir e salvar. Peçamos a Nossa Senhora a fé e o amor com que Ela O recebeu; e se estivermos em condições de comungar, deixemo-nos transformar pelo sacramento do amor, para ser verdadeiros servidores dos nossos irmãos.

 

Cântico final: Salve Regina – Gregoriano, CNPL, 887

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

3ª Feira, 23-VIII: Os limpos do coração.

2 Tes 2,1-3. 13-16 / Mt 23, 23-26

Fariseu cego! Purifica primeiro o interior do teu copo e do prato, para o exterior ficar também limpo.

Os fariseus dedicavam mais atenção às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (EV).

A limpeza interior é muito importante, pois, como disse Jesus: os limpos de coração verão a Deus. Também é necessária para recebermos o Senhor na Eucaristia. Nos tempos que correm, está a perder-se o sentido do pecado e, por consequência, a esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximar dignamente da comunhão sacramental. O Senhor julgará todos com equidade (SR).

 

4ª Feira, 24-VIII: S. Bartolomeu: O elogio da veracidade.

Ap 21, 9-14 / Jo 1, 45-51

A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes, e neles doze nomes: os doze Apóstolos do Cordeiro.

Jesus escolheu doze Apóstolos, que são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (LT). Em S. Bartolomeu destacou a virtude da veracidade (EV). Esta virtude consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia (CIC, 2565). O Senhor está perto dos que O invocam em verdade (SR).

O ambiente está muito carregado de falsidade e mentira. Contribui para alterar os critérios morais de uma sociedade. Apoiemo-nos em Cristo, que é a Verdade.

 

5ª Feira, 25- VIII: Atitude vigilante.

1 Cor 1, 1-9 / Mt 24, 42-51

Vigiai, porque não sabeis o dia em que virá o Senhor. Por isso, estai vós também preparados.

O mesmo apelo faz S. Paulo aos fiéis de Corinto: Ele é que vos fará firmes até ao fim, irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo (LT). Estaremos vigilantes quando nos esforçamos por melhorar a nossa vida, pondo mais empenho na nossa oração pessoal, no sacrifício, no cuidado das coisas pequenas, como o servo fiel que cuida de tudo (EV) O Senhor quer bendizer-nos dia após dia (SR). Procuremos também melhorar a vida da sociedade em que estamos, vivendo melhor a profissão e a vida familiar, tornando os ambientes mais justos e mais humanos.

 

6ª Feira, 26-VIII; Vigilância e comunhão.

1 Cor 1, 17-25 / Mt 25, 1-13

O reino dos Céus é comparável a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo

Para cumprirmos a vontade de Deus e sermos santos, precisamos estar vigilantes (EV). A vigilância opõe-se à negligência ou falta de solicitude devida, que procede de uma certa falta de vontade (S. Tomás). Porque a linguagem da cruz é o caminho de salvação para nós (LT).

Estaremos vigilantes se procurarmos lutar por viver bem as coisas correntes, o azeite (EV), e procurando evitar a preguiça e o desalento (das virgens insensatas). Vivamos melhor a fidelidade: da fidelidade do Senhor nascem as suas obras (SR).

 

Sábado, 27-VIII: Caminhos para a vida eterna.

1 Cor 1, 26-31 / Mt 25, 14-30

Muito bem, excelente e fiel servidor! Como foste fiel em pouca coisa, vem tomar parte na alegria do teu Senhor.

No Novo Testamento há muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chamou o homem: a visão de Deus, a entrada na alegria do Senhor (EV) Os olhos do Senhor estão voltados para libertar da morte as suas almas (SR).

Para alcançarmos a vida eterna, recebemos muitos talentos (EV), que temos que administrar muito bem, aproveitando o tempo de vida que Ele nos concederá. E sermos   humildes, pois o que é fraco aos olhos do mundo é que Deus escolheu, e é de Cristo que vem para nós a sabedoria, a justiça e a redenção (LT).

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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