21º Domingo Comum

21 de Agosto de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh que alegria – M. Faria, NRMS, 17

Sl 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Em geral, somos prudentes em defender os nossos valores materiais e a nossa prudência aumenta na medida em que o valor das coisas sobe. Não acautelamos com o mesmo cuidado uma moeda de um euro e uma peça de ouro que vale mil.

Quando, porém, se trata do valor supremo da nossa salvação eterna, procedemos como se não tivesse qualquer valor ou tudo estivesse já garantido e não corrêssemos o risco de a perder.

A Liturgia da Palavra deste 21.º Domingo do Tempo Comum alerta-nos para o cuidado que devemos ter com a nossa salvação eterna.

 

Acto penitencial

 

O pecado pessoal é uma alienação que nos faz viver distraídos do mais importante da nossa vida e longe de toda a prudência.

Peçamos perdão ao Senhor, porque muitas vezes brincamos com o fogo, deixando-nos enganar e distrair num problema tão importante.

Peçamos luz coragem ao Senhor, para sermos mais cuidadosos de aqui em diante.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•    Senhor Jesus: Não nos lembramos de que o mais importante é salvar-nos

     e vivemos, por vezes, como se tudo isto estivesse já garantido e seguro.

     Senhor, tende piedade de nós.

 

     Senhor, tende piedade de nós.

 

•    Cristo: Sentimo-nos tristes quando estamos longe de Vós pelo pecado,

     mas não procuramos recuperar a graça pela Confissão Sacramental.

     Cristo, tende piedade de nós.

 

     Cristo, tende piedade de nós.

 

•    Senhor Jesus: Dizeis-nos que entremos pela porta estreita da fidelidade,

     mas nós teimamos em entrar pela porta errada e enganadora do pecado.

     Senhor, tende piedade de nós.

 

     Senhor, tende piedade de nós.

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, inspirado pelo Espírito Santo, profetiza sobre o que vai ser a Igreja nos novos tempos: uma só família, com espírito missionário e sacerdotal

Alegremo-nos por vermos realizado tudo isto e muito mais, na Igreja a que temos a felicidade de pertencer.

 

Isaías 66,18-21

 

Eis o que diz o Senhor: 18«Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória. 19Eu lhes darei um sinal e de entre eles enviarei sobreviventes às nações: a Társis, a Fut, a Lud, a Mosoc, a Rós, a Tubal e a Javã, às ilhas remotas que não ouviram falar de Mim nem contemplaram ainda a minha glória, para que anunciem a minha glória entre as nações. 20De todas as nações, como oferenda ao Senhor, eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos, em cavalos, em carros, em liteiras, em mulas e em dromedários, até ao meu santo monte, em Jerusalém – diz o Senhor – como os filhos de Israel trazem a sua oblação em vaso puro ao templo do Senhor. 21Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».

 

A leitura é tirada da parte final do último capítulo de Isaías. Aqui se anuncia a conversão dos gentios e a universalidade da salvação, uma perspectiva que sem dúvida ultrapassa o tempo em que o escrito inspirado recebeu a sua forma definitiva.

19 «Tarsis». Provavelmente é a colónia fenícia de Tartesus no Sul de Espanha, perto da foz do rio Guadalquivir. Aqui representa o extremo Ocidente. Os restantes povos são do Norte de África, Ásia Menor e Grécia.

20 «Em Jerusalém». A profecia teve o seu pleno cumprimento na Nova Jerusalém que é a Igreja (cf. Gal 4,25-26; Apoc 21,2).

 

Salmo Responsorial     Sl 116 (117), 1.2 (R. Mc 16, 15)

 

Monição: O salmo responsorial que a liturgia nos convida a entoar recorda o mandato de Cristo a todos os que O seguem: levar a todos a luz do Evangelho.

Procuremos cumprir este mandato, levando ao nosso ambiente de família, trabalho e a amizade a alegria do Evangelho.

 

Refrão:         Ide por todo o mundo,

                      anunciai a boa nova.

 

Louvai o Senhor, todas as nações,

aclamai-O, todos os povos.

 

É firme a sua misericórdia para connosco,

a fidelidade do Senhor permanece para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos Hebreus fala-nos da importância da correção fraterna e pergunta: Qual é o filho a quem o pai não corrige?

Lembra-nos que num primeiro momento, a correção pode causar-nos tristeza. Mais tarde, porém, dá àqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça.

 

Hebreus 12,5-7.11-13

 

Irmãos: 5Já esquecestes a exortação que vos é dirigida, como a filhos que sois: «Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor, nem desanimes quando 6Ele te repreende; porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho». 7É para vossa correcção que sofreis. Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige? 11Nenhuma correcção, quando se recebe, é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza. Mais tarde, porém, dá àqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça. 12Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes 13e dirigi os vossos passos por caminhos direitos, para que o coxo não se extravie, mas antes seja curado.

 

Continuamos com a leitura da Epístola dos Hebreus, um verdadeiro «sermão de exortação» como se chama em 13,22; aqui temos em belo apelo à perseverança nas tribulações a que os destinatários estavam sujeitos.

5 «A exortação que vos é dirigida». Trata-se duma citação do Livro dos Provérbios (Prov 3,11-12). Esta é uma passagem entre muitas que nos fez ver como as palavras da Sagrada Escritura se dirigem aos fiéis de todos os tempos e como, através duma aplicação delas a cada situação concreta, se faz a actualização do texto antigo fazendo-se assim uma verdadeira «leitura espiritual», lectio divina (cf. Dei Verbum, n.º 25).

12 «Mãos fatigadas... joelhos vacilantes». Talvez se trate duma imagem tirada do pugilato, com que S. Paulo já gostava de comparar a vida cristã (1Cor 9,26-27).

13 «Caminhos direitos» são os do cumprimento integral da vontade de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 6

 

Monição: A nossa principal preocupação é seguir o caminho do Céu e Jesus diz-nos que é Ele próprio esse caminho.

Agradeçamos a luz que nos envia pelo Evangelho e procuremos segui-lo com fidelidade.

 

Aleluia

 

Cântico: C. Silva/A. Cartageno, COM, (pg 113)

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:

ninguém vai ao Pai senão por Mim.

 

 

Evangelho

 

Lucas 13, 22-30

 

Naquele tempo, 22Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. 23Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu: 24«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. 26Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. 27Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. 28Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. 29Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. 30Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».

 

O trecho de S. Lucas que hoje temos começa por uma pergunta posta a Jesus: «São poucos os que se salvam?» (v. 23) Tratava-se duma questão teórica que se punha no judaísmo da época; havia duas tendências entre os rabinos: uns diziam que todos se salvariam, até o rude povo da terra (‘am ha’árets), desde que fizessem parte de Israel; outros, de tendência rigorista, asseguravam que a salvação seria privilégio de poucos: «o mundo futuro será consolação para poucos, tormento para muitos» (IV Esdras). Jesus deliberadamente não quer dirimir uma questão teórica, mas aproveita o ensejo para transmitir um ensino verdadeiramente útil e prático. Por um lado, declara o princípio da universalidade da salvação: «Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul» (v. 29). Por outro lado, visando talvez as teorias laxistas, esclarece que não é suficiente uma justificação de tipo comunitário ou sociológico - «comemos e bebemos contigo...» (v. 26) -, pois não basta o fazer parte do povo, é preciso lutar, levar uma vida exigente consigo mesmo - «esforçai-vos por entrar pela porta estreita» (v. 24) -, sem ter ilusões quanto às dificuldades que espera aquele que quer salvar-se.

Estas palavras de Jesus constituem um apelo urgente á conversão (cf. Mt 7,13-14), como lembra o Catecismo da Igreja Católica (nº 1036). Na pregação do Evangelho, a par do apelo para o amor infinitamente misericordiosos de Deus, sempre pronto a perdoar os pecados mais hediondos ao pecador arrependido, não se pode deixar de lembrar «as afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno, que são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o seu destino eterno» (ibid). «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade» (ibid. nº 1035). Iludir ou falsear esta verdade de fé seria uma traição ao Evangelho, causando um prejuízo incalculável à causa da salvação das pessoas, encaminhando-as por uma vã presunção de salvação, um pecado contra o Espírito Santo.

28 «Aí», – fora do Reino de Deus – «haverá choro», o pranto da máxima desdita, fruto dum remorso desesperado e inútil, «e ranger de dentes» próprio duma raiva cheia de ódio e inveja aos que entraram para o banquete do Reino dos Céus, quando lhes tinha sido acessível alcançar a mesma sorte dos Patriarcas e dos Profetas.

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus ama-nos e quer a nossa felicidade

• Respeita a nossa liberdade pessoal

 

1. Deus ama-nos e quer a nossa felicidade

 

Deus não Se permite descanso enquanto não estivermos definitivamente felizes à Sua mesa no Céu. Dia e noite sonha com ver-nos felizes e vai idealizando como tudo isso vai acontecer.

Isaías profetiza depois do regresso do cativeiro de Babilónia. Encontra em Jerusalém uma confusão e grupos de pessoas: judeus que regressaram do exílio e outros que ficaram; estrangeiros não judeus que vêm oferecer a sua mão de obra para a reconstrução da cidade e outros, por causa de negócios.

Esta situação complicada levanta um problema aos organizadores religiosos: Que fazer com toda esta gente?

Uma só família. Para os hebreus, alérgicos a qualquer mistura de pessoas que não fossem da sua raça, a proposta é revolucionaria: Deus quer todas pessoas reunidas numa só família.

Estamos perante uma visão profética da Igreja do Novo Testamento. «Eis o que diz o Senhor: “Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória.”»

Embora admitamos isto, em princípio, temos, no entanto, muita dificuldade em tratar cada pessoa humana, seja qual for a sua condição social, como verdadeira irmã. Tendemos a fechar-nos num grupo a nosso gosto, onde vivemos comodamente, alheando-nos das outras pessoas, sobretudo se estão afastadas do nosso credo.

Marcados por um sinal. Cada um de nós deve ostentar na vida o sinal da caridade, de um coração sem fronteiras.

Muitas pessoas apostam em vários modos de proclamar que são cristãos diante de todos. Usam terços nos carros e imagens nas casas e aproveitam a ocasião para o proclamem em voz alta, quando lhes convém.

Deus quer que sejamos reconhecidos por todos como Seus discípulos pela caridade sem fronteiras.

Todos são chamados. Todas as pessoas são chamadas por Deus à santidade e à felicidade terna no Céu. Esta é mais uma verdade que temos dificuldade em integrar particamente na vida.

Admitimo-lo em teoria, mas acabamos por tratá-las como se o seu fim fosse outro e vivemos tranquilos quando nos damos conta de que não caminham para o Céu, mesmo que sejam pessoas muito próximas de nós.

A profecia de Isaías é uma chamada de Deus a que emendemos o nosso comportamento neste ponto fundamental. Deus chama todas as pessoas, uma a uma, embora dentro da Sua família que é a Igreja.

O Concílio Vaticano II recorda-nos esta verdade: “ao novo Povo de Deus, todos os homens são chamados” (LG 13), seja qual for a sua condição social, raça ou cor.

Somos chamados a partilhar da mesma felicidade de Deus na vida eterna do Céu. Podemos perguntar a nós próprios: as nossas comunidades são, não apenas em teoria, mas também na prática, espaços de igualdade e de fraternidade?

Temos o mesmo Pai do Céu. Ele quis dar-nos a mesma Mãe a todos. Vivemos, na prática como irmãos que se ajudam mutuamente?

Um povo sacerdotal.  O Povo de Deus será um Povo Sacerdotal. Mas entre eles, Deus escolherá alguns para exercer o sacerdócio ministerial, tornando visível a ação de Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote.

Isaías profetiza: «Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».

 

2. Respeita a nossa liberdade pessoal

 

Deus salva-nos dentro do Seu Povo – a Igreja – a família dos filhos de Deus, não no anonimato do grupo, mas um a um, pessoalmente. Espera pacientemente a resposta individual e pessoal à Sua chamada para a Salvação.

Antes do Batismo, ou na renovação das suas promessas, às perguntas que o sacerdote nos faz, não respondemos sim cremos, sim renunciamos; mas; sim, creio! Sim renuncio! A resposta que o Senhor nos pede ao convite para nos salvarmos é pessoal e livre.

O mais importante é salvar-me. Alguém perguntou a Jesus, do meio da multidão: «Senhor, são poucos os que se salvam?»

Jesus viu nesta pergunta uma curiosidade inútil e que pode levar ao erro. Embora cada um de nós deseje de todo o coração que todos se salvem, o mais importante de tudo é a salvação pessoal. Não se pode ir para o Céu À boleia, no meio do anonimato do grupo.

Alguns invocam o seu relacionamento familiar ou de amizade com pessoas importante da hierarquia da Igreja. Isto de nada vale. O importante é que cada um de nós viva em graça santificante e procure ser generoso com Deus.

«Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes

Num segundo plano, esta generosidade para com Deus, traduz-se numa preocupação pela salvação de todas as pessoas.

É urgente cuidar da salvação. A nossa situação na terra não se vai prolongar indefinidamente. O tempo de prova em que estamos é breve e passa muito depressa.

Por isso, o Senhor aconselha-nos: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,» porque terminou o tempo para ganhar a entrada no Céu e vós ficareis do lado de fora.

Ficam do lado de fora os que são apanhados pela morte em pecado mortal. Não se pode brincar com uma coisa tão séria como é a nossa salvação eterna.

Entrar pela porta estreita. Esta recomendação de Jesus sugere-nos diversas realidades:

– A porta é estreita, porque só cabe um de cada vez. Como num controle rigoroso, as pessoas passam uma a uma.

– Quem deseja ir para o Céu não pode escolher um caminho de facilidades e que faz a vontade a todas as paixões desordenadas.

A porta da sensualidade, da preguiça, no cumprimento do desleixo dos deveres religiosos é a porta larga que leva à condenação eterna.

A Mensagem de Fátima, um aviso da Mãe. Vale a pena ter presentes os avisos maternais de Nossa Senhora nas aparições da Cova da Iria, sobretudo na de julho de 1917.

«Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da Fé.

[...] Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem".»

 

Fala o Santo Padre

 

«Não existem “postos limitados” no Paraíso! Mas trata-se de atravessar desde já a porta certa

e esta porta certa é para todos, mas é estreita. É uma “porta estreita”, porque é exigente.

É necessário o esforço de todos os dias, do dia inteiro, para amar a Deus e ao próximo.»

 

O Evangelho de hoje (cf. Lc 13, 22-30) apresenta-nos Jesus que passa ensinando pelas cidades e aldeias, a caminho de Jerusalém, onde sabe que deve morrer na Cruz para a salvação de todos nós. Neste contexto, insere-se a pergunta de um homem, que se dirige a ele dizendo: «Senhor, são poucos aqueles que se salvam?» (v. 23). Trata-se de uma questão que era debatida naquela época — quantos se salvam, quantos não... — e havia diferentes maneiras de interpretar as Escrituras a tal respeito, em conformidade com os textos que eram analisados. Contudo, Jesus inverte a pergunta — que se centra mais na quantidade: isto é, «são poucos?» — e, ao contrário, coloca a resposta ao nível da responsabilidade, convidando-nos a usar bem o tempo presente. Com efeito, diz: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos tentarão entrar, sem o conseguir» (v. 24).

Com estas palavras, Jesus dá a entender que não se trata de número, não existem «postos limitados» no Paraíso! Mas trata-se de atravessar desde já a porta certa e esta porta certa é para todos, mas é estreita. Eis o problema! Jesus não nos quer iludir, dizendo: «Sim, ficai tranquilos, é fácil, há uma bonita auto-estrada e no fundo uma grande porta...». Ele não nos diz isto: fala-nos da porta estreita. Diz as coisas como estão: a porta é estreita. Em que sentido? No sentido que para se salvar é preciso amar a Deus e ao próximo, e isso não é fácil! É uma «porta estreita», porque é exigente, o amor é sempre exigente, requer compromisso, ou melhor, «esforço», isto é, a vontade firme e perseverante de viver segundo o Evangelho. São Paulo chama-lhe «o bom combate da fé» (1 Tm 6, 12). É necessário o esforço de todos os dias, do dia inteiro, para amar a Deus e ao próximo.

E, para se explicar melhor, Jesus narra uma parábola. Há um dono da casa, que representa o Senhor. A sua casa simboliza a vida eterna, ou seja, a salvação. E aqui volta a imagem da porta. Jesus diz: «Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: “Abre-nos, Senhor!”. Mas ele responder-vos-á: “Não sei de onde sois!”». (v. 25).

Então, estas pessoas procurarão ser reconhecidas, lembrando ao dono da casa: «Comemos e bebemos contigo... Ouvimos os teus conselhos, os teus ensinamentos públicos...» (cf. v. 26); «Estivemos presentes, quando tu deste aquela conferência...». Mas o Senhor repetirá que não os conhece, chamando-lhes «praticantes de injustiça». Eis o problema! O Senhor não nos reconhecerá pelos nossos títulos — «Mas olha, Senhor, que eu pertencia àquela associação, eu era amigo daquele monsenhor, daquele cardeal, daquele sacerdote...». Não, os títulos não contam, não contam! O Senhor só nos reconhecerá por uma vida humilde, por uma vida boa, por uma vida de fé, que se traduz em obras.

E para nós, cristãos, isto significa que somos chamados a estabelecer uma verdadeira comunhão com Jesus, rezando, indo à igreja, aproximando-nos dos sacramentos e alimentando-nos com a sua Palavra. Isto mantém-nos na fé, nutre a nossa esperança e reaviva a caridade. E assim, com a graça de Deus, podemos e devemos despender a nossa vida para o bem dos nossos irmãos, lutando contra todas as formas de mal e injustiça.

Que nos ajude nisto a Virgem Maria. Ela passou pela porta estreita, que é Jesus! Acolheu-o de todo o coração e seguiu-o todos os dias da sua vida, até quando não o compreendia, até quando uma espada trespassou a sua alma. É por isso que a invocamos como «Porta do Céu»: Maria, Porta do Céu, uma porta que reproduz exatamente a forma de Jesus: a porta do coração de Deus, um coração exigente, mas aberto a todos nós.

    Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 25 de agosto de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs na mesma fé em Cristo:

Oremos por nós e por todas as pessoas,

pedindo ao Pai, que aqui nos reuniu,

a graça de escutarmos as palavras de Jesus

e as realizarmos na vida de cada dia.

Oremos (cantando), humildemente:

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

1. Pela Igreja santa que vive na nossa Diocese e nesta comunidade,

para que nos faça estar atentos aos sinais de vocação dos jovens,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

2. Pelos responsáveis dos estados, dos governos e de outros grupos,

     para que Deus lhes conceda o feliz exercício dos seus mandatos,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

3. Pelos fiéis de todas as confissões cristãs que amam a Jesus Cristo,

     para que da fé em suas obras e não se fechem nas suas tradições,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

4. Por aqueles que, no mundo, são considerados os últimos de todos,

     para que sejam os primeiros a sentar-se à mesa no reino dos Céus,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

5. Por todos nós aqui presentes, a quem Deus trata como Seus filhos,

     para que respondamos ao apelo que Jesus nos dirige na Sua Palavra,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

6. Pelos familiares, amigos e conhecidos que precisam de sufrágios,

     para que Senhor misericordioso lhes conceda o eterno descanso,

     oremos, irmãos.

 

     Atendei, Senhor, a nossa prece.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

escutai a oração do vosso povo,

para que os nossos corações

possam tornar-se sinal d’Aquele

que, na cruz, abriu a seus irmãos

o caminho da Vida Eterna no Céu.

Ele que vive e reina convosco

por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Em todas as celebrações da Eucaristia, Jesus ilumina-nos na Mesa da Palavra, porque Ele é o nosso Caminho.

Prepara para nós também, em cada celebração, e pelo ministério do sacerdote, o pão divino que nos alimenta.

 

Cântico do ofertório: Bendito Seja Deus – A. Oliveira, NRMS, 48

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Santo: C. Silva – COM, (pg 193)

 

Saudação da Paz

 

Se todas as pessoas quisessem ir para o Céu e trabalhassem para isso com seriedade, a paz seria um dom fácil.

Oremos para que isso aconteça quanto antes nos nossos irmãos e trabalhemos nós também para isso.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Não basta querer ser bom, seguir o Caminho do Céu que é o próprio Senhor Jesus. Precisamos de alimento para caminhar e esta preciosa e indispensável ajuda é nos dada na Sagrada Comunhão.

Comunguemos, pois, mas observando as condições que Jesus nos propõe: na graça de Deus, com uma fé profunda e devoção.

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo – J. F. Silva, NRMS, 67

Sl 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

Ou:    Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Louvado sejais Senhor – J. F. Silva, NRMS, 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não podemos ir para o Céu à boleia dos outros., Deus salva-nos dentro de uma família, mas um a um.

 

Cântico final: Irmãos, a missa não findou – J. F. Silva, NRMS, 4 (II)

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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