20º Domingo Comum

14 de Agosto de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos o povo do Senhor – J. P. Martins, CNPL, 655

Sl 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ser cristão é ser batizado no Espírito Santo e no fogo, num compromisso de fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho. Isto faz de nós profetas, pessoas comprometidas em mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos. O cristão, na sua fidelidade a Cristo, não pode ser neutral, passivo ou ausente, mas pedra de tropeço e sinal de contradição... Perante um mundo sem espírito, tem de mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos... incendiando o mundo e o coração dos homens com os valores do desprendimento e solidariedade, amor e oração, coerência e responsabilidade, verdade e liberdade, compromisso firme com a justiça e a libertação de toda a descriminação social, cultural e religiosa...

Fitemos os olhos em Jesus, o guia da nossa fé, e imploremos, para nós e para todos os irmãos, a graça do alimento que nos fortalece e anima, que nos dá a força da perseverança e da resistência. Invoquemos a misericórdia do Senhor.

 

 

Ato Penitencial

Pelas vezes em que nos calamos, por medo de perdermos o nosso lugar, Senhor, tende piedade de nós!

 

Pelas vezes em que fugimos à luta pelo bem, por vergonha da nossa fé, Cristo, tende piedade de nós!

 

Pelas vezes em que não assumimos corajosa e publicamente a nossa fé, Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura apresenta-nos a figura do profeta Jeremias. O profeta recebe de Deus uma missão que lhe vai trazer o ódio dos chefes e a desconfiança do Povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Por isso é acusado de ser um falso profeta e atirado para a prisão até que um estrangeiro corajoso vá em seu socorro.

Jeremias é bem o ícone incandescente das lutas sem fim em defesa da palavra de Deus.

 

Jeremias 38,4-6.8-10

Naqueles dias, 4os ministros disseram ao rei de Judá: «Esse Jeremias deve morrer, porque semeia o desânimo entre os combatentes que ficaram na cidade e também todo o povo com as palavras que diz. Este homem não procura o bem do povo, mas a sua perdição». 5O rei Sedecias respondeu: «Ele está nas vossas mãos; o rei não tem poder para vos contrariar». 6Apoderaram-se então de Jeremias e, por meio de cordas, fizeram-no descer à cisterna do príncipe Melquias, situada no pátio da guarda. Na cisterna não havia água, mas apenas lodo, e Jeremias atolou-se no lodo. Entretanto, 8Ebed-Melec, o etíope, saiu do palácio e falou ao rei: 9«Ó rei, meu senhor, esses homens procederam muito mal tratando assim o profeta Jeremias: meteram-no na cisterna, onde vai morrer de fome, pois já não há pão na cidade». 10Então o rei ordenou a Ebed-Melec, o etíope: «Leva daqui contigo três homens e retira da cisterna o profeta Jeremias, antes que ele morra».

 

A nossa leitura escolhida em função do Evangelho de hoje é extraída de parte final da segunda parte (biográfica) do livro de Jeremias (26,1 – 45,5), a chamada «paixão de Jeremias» (37,1 – 44,30): no tempo do rei Sedecias; ele é metido na prisão sujeito a maus tratos e humilhações. Jeremias é considerado uma figura de Cristo sofredor, corajoso e paciente, um sinal de contradição.

4 «Jeremias semeia o desânimo entre os combatentes». O profeta de Anatot não se cansou de advertir o rei e o povo de que a solução, em face da ameaça de Nabucodonosor, rei da Babilónia, era negociar a rendição. Os altos funcionários, obcecados pela sua visão humana, não querem ouvir Jeremias e acusam-no de traidor à pátria, pois os seus oráculos são de molde a desalentar os combatentes.

5 «O rei Sedecias» tinha sido posto no trono pelo próprio Nabucodonosor, quando entrou vitoriosamente em Jerusalém no ano de 598 e levou para a Babilónia o rei Joaquim (filho) à frente dos prisioneiros. Sedecias, seu tio, era fraco e deixava-se manobrar facilmente pelos cortesãos e, ainda que respeitasse o profeta, não tinha uma fé suficientemente forte para seguir os seus oráculos. A falta de fé do rei havia de custar muito caro a todo o povo, pois em 587 foi o incêndio da cidade e do templo, o exílio e o fim do reino de Judá; Sedecias é preso, são-lhe arrancados os olhos, após terem presenciado o massacre dos seus próprios filhos. A tremenda catástrofe podia ter sido evitado se o rei tivesse dado atenção à voz de Deus, contra os cálculos meramente humanos.

7 Ébed-Mélec. É um negro estrangeiro, um oficial cusita, quem desta vez salvou a vida do homem de Deus, rejeitado pelos seus concidadãos como inimigo da sua pátria, que tão ardentemente amava.

 

Salmo Responsorial     Sl 39 (40), 2.3.4.18 (R. 14b)

 

Monição: Neste salmo encontramos uma ação de graça ao Senhor pelos benefícios recebidos..., seguida de uma súplica e lamentação: Senhor, socorrei-me sem demora.

Assim é a nossa vida: tecida de momentos de sonho e de momentos em sofrimento e dor.

 

Refrão:         Senhor, socorrei-me sem demora.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me.

Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal,

assentou os meus pés na rocha

e firmou os meus passos.

 

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

Vendo isto, muitos hão-de temer

e pôr a sua confiança no Senhor.

 

Eu sou pobre e infeliz:

Senhor, cuidai de mim.

Sois o meu protector e libertador:

ó meu Deus, não tardeis.

 

Segunda Leitura

 

Monição: No caminho da nossa vida somos convidados a correr com perseverança e com os olhos postos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição... para alcançarmos a vida plena e recebermos do Pai a coroa da glória.

 

Hebreus 12,1-4

Irmãos: 1Estando nós rodeados de tão grande número de testemunhas, ponhamos de parte todo o fardo e pecado que nos cerca e corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós, 2fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição. Renunciando à alegria que tinha ao seu alcance, Ele suportou a cruz, desprezando a sua ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus. 3Pensai n’Aquele que suportou contra Si tão grande hostilidade da parte dos pecadores, para não vos deixardes abater pelo desânimo. 4Vós ainda não resististes até ao sangue, na luta contra o pecado.

 

Na leitura do domingo anterior o autor sagrado tinha-nos feito considerar exemplos de fé intrépida no Antigo Testamento, hoje no capítulo seguinte, já perto do final da Epístola, temos uma empolgante exortação à constância na fé, lutando contra o pecado, num apelo a imitar a Jesus Cristo, «guia da nossa fé e autor da sua perfeição», Este texto, mais do que comentado, deve ser meditado, palavra por palavra.

4 «Ainda não resististes até ao sangue». Os destinatários da epístola, embora estejam a passar por duras provações pelo facto de serem cristãos, como a prisão e a espoliação dos bens, ainda não tinham sido sujeitos ao martírio, como já acontecera a outros discípulos do Senhor (lembrar o martírio de Estêvão e de Tiago Maior…); a verdade é que têm de estar dispostos a dar a vida por Cristo, na luta contra o pecado, concretamente o pecado de apostasia. Aqui está presente a ideia paulina de que a vida cristã é uma luta, mas não uma luta qualquer, uma luta sangrenta como era a do pugilato, sobretudo quando se usavam luvas com reforço metálico, a luta dos gladiadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 27

 

Monição: S. Lucas, fala-nos do fogo e da divisão até na própria família, trazidos por Jesus. Que fogo é este? É o fogo, anunciado pelos profetas e ateado por Jesus, salva, purifica e cura. É o fogo da sua palavra, é a sua mensagem de salvação, é o seu Espírito, aquele Espírito que, no dia do Pentecostes, desceu como chama sobre os discípulos e começou a difundir-se no mundo como um incêndio benéfico e renovador.

“Quem está próximo de mim está próximo do fogo, quem está longe de mim está longe do Reino”, reza um dito de Jesus transmitido por Orígenes (Citação recolhida por Luciano Manicardi, em Comentário à liturgia Dominical e festiva).

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.

 

 

Evangelho

 

Lucas 12,49-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 49«Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? 50Tenho de receber um baptismo e estou ansioso até que ele se realize. 51Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. 52A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. 53Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

 

O nosso texto evangélico de hoje move-se na linha do sinal de contradição que é Jesus (cf. Lc 2,34), contradição a que está sujeito quem quer ser seu discípulo.

49 «Eu vim trazer o fogo à terra». A linguagem de Jesus não é, evidentemente a dum incendiário ou dum revolucionário político. Também não parece que se trate do fogo da desavença e do ódio a que se referem os vv. 51-53, como pensam alguns. O sentido deve buscar-se no contexto mais próximo, o v. 50, onde se fala da Paixão e Morte redentora de Cristo, a prova máxima do seu amor, a qual levaria os crentes a uma correspondência de amor. É o Filho de Deus feito homem quem traz à terra o fogo do amor de Deus, de Deus que é fogo devorador (Dt 4,24).

«E que quero Eu senão que ele se acenda?» A Nova Vulgata preferiu outra interpretação possível do original grego (que se escrevia sem pontuação nem separação de palavras): «…e qual é o meu desejo? Oxalá ele já estivesse ateado!»; assim também a proposta da nova tradução da CEP: «e que desejo Eu, senão que já estivesse ateado?».

50 «Um baptismo». É sem dúvida o «banho de sangue» da sua dolorosíssima Paixão (cf. Mc 10,38).

51-53 «Paz... divisão». Jesus não veio trazer uma paz mundana baseada numa satisfação egoísta das paixões, que é uma paz podre. Ele trouxe a paz (cf. Lc 2,14; Jo 14,27) baseada no amor de Deus acima de todas as coisas, e, por isso mesmo, os que não quiserem aceitar esse amor entrarão em desavença, mesmo no seio das famílias. Jesus não quer isso, mas permite-o ao respeitar a nossa liberdade.

 

Sugestões para a homilia

 

A Palavra de Deus que nos é servida, fala-nos de escolhas decisivas que não podem mais ser adiadas. Perante um mundo sem espírito, o cristão, animado pelo fogo novo que, no Batismo recebeu de Deus e que arde e opera dentro de si, preparando-o para a luta do amor, tem de mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos: desprendimento e solidariedade, amor e oração, coerência e responsabilidade, verdade e liberdade, compromisso firme com a justiça e a libertação de toda a descriminação social, cultural e religiosa, assim como promoção de quem mais precisa, como pessoas, como cidadão e como filho de Deus.  Deus espera de nós um compromisso, corajoso e coerente, com a construção do “novo céu” e da “nova terra”.

Não é fácil esta missão de ser profeta de Deus. Pois quem assim procede causa impacto nos outros, por vezes até na própria família.

Por isso, dizia o autor da Carta aos Hebreus, dando-nos o tiro de partida: “Ponhamos de parte o fardo e pecado que nos cerca e corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós” (Heb 12,1-2). Não se trata de jogos de água, nem de uma luta livre em lume brando, mas de um combate de fogo, que nos consome e devora, para fazer ressurgir da própria vida, queimada pelos outros, a vida recebida como herança. Não se trata de uma corrida de curto alcance, mas de uma corrida de fundo, de uma corrida com obstáculos e barreiras, com ventos contrários, que pedem resistência e resiliência, até ao suor, lágrimas e sangue.

Assim agiu Jeremias, o profeta da 1ª leitura. Estamos nos últimos dias de Jerusalém, antes da sua capitulação às mãos dos babilónios e do exílio do povo. No ano de 586 o rei da Babilónia, país com grande poder político e militar, chega a Jerusalém cerca-a. Contra ele nada pode o pequeno reino de Judá. Mas os generais israelitas querem resistir a todo o custo.

Então, Jeremias, apercebendo-se da inutilidade da resistência armada e preocupado com a sorte do Povo do Senhor, desafia as autoridades de Jerusalém e o povo a abandonar as intenções de guerra para dialogarem com o rei da Babilónia e negociarem uma rendição de paz. A sua proposta provoca indignação. Porque a sua palavra é verdadeira, o profeta torna-se uma voz incómoda, desestabilizadora, que semeia o desânimo e é preciso eliminar.

Mas o Senhor não abandona o seu profeta perseguido e lançado no lodo. Chamado e enviado por Deus, o profeta, no seu caminho que é tantas vezes de cruz, de sofrimento e de incompreensão, nunca está só... Deus está sempre a seu lado, com presença amiga e reconfortante, como garantia de que a missão não está condenada ao fracasso.

Sentindo Deus presente na nossa vida e que a Sua palavra nos faz viver, dá esperança, reaviva corações cansados e abre para uma visão do mundo e da vida que vai além do sofrimento e da morte, estamos, como profetas a construir um mundo de justiça e de paz? Somos coerentes com a vocação procurando, com fidelidade, ser testemunha de Deus e dos seus valores?

É este batismo de fogo e de missão que Jesus assume e nos chama a assumir, como escutamos no Evangelho. Na urgência do Reino que O apaixona e levará à paixão, Jesus, continua a apresentar a sua palavra e a sua missão – que é também a nossa. Palavra e missão que é como um fogo que tem que fazer arder e purificar o mundo inteiro. Ele veio a transformar o mundo com o fogo de um amor decidido, de uma entrega apaixonada... E que quer Ele senão que arda?

Interpretado à letra este Evangelho levar-nos-ia a considerar Jesus como um incendiário, um guerrilheiro, um desestabilizador; ou dar-nos-ia uma leitura oposta da Sua vida e doutrina de amor, de paz e de reconciliação. Mas o Evangelho apenas anuncia um facto que será inevitável, na linha do que Simeão já tinha dito a Maria no Templo: este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição.

O que é o fogo que Jesus veio trazer à terra? O que é o Baptismo que Ele veio receber? Porque é que afirma que não veio trazer a paz?

O fogo de que fala Jesus não é um vulgar incêndio. Trata-se de um fogo novo, que não é nosso; é de Deus! Vem de Deus! É o fogo que purifica e salva: é o fogo da sua Palavra, é a sua mensagem de salvação, é o seu Espírito que, no dia de Pentecostes começou a propagar-se pelo mundo como um incêndio. E o Baptismo de que fala Jesus é a sua paixão e morte. É a sua imersão nas águas da morte. “Água” preparada pelos seus inimigos para apagar para sempre o fogo da sua palavra, do seu amor, do seu espírito, que se transformou em fonte de vida nova a jorrar para a vida eterna.

É este fogo que o Senhor quer pôr a arder, a queimar e a operar dentro de nós. Só entrando no mesmo banho de sangue com Cristo, deixando-nos queimar por este Seu fogo de amor em vez do fogo da vingança ou do ódio que nos domina, só fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da nossa perfeição é que nós venceremos o combate que se apresenta diante de nós e nos tornaremos construtores de paz nas situações e acontecimentos de cada dia...

Na verdade, “nós os cristãos, se formos o que devemos ser, incendiaremos o mundo” (Santa Catarina de Sena)! Sejamos, então o que devemos ser: cristãos que ardem com o fogo de Cristo, lendo o Evangelho, meditando-o e emocionando-nos com Ele... até que o nosso coração se transforme, pouco a pouco, num coração igual ao de Jesus: fornalha ardente de caridade, fonte donde jorra a vida, refúgio seguro para todos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Com a adoração a Deus e o serviço ao próximo — juntos— o Evangelho manifesta-se verdadeiramente

como o fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.»

 

Na página do Evangelho de hoje (cf. Lc 12, 49-53), Jesus adverte os seus discípulos de que chegou o momento de tomar uma decisão. A sua vinda ao mundo coincide com o tempo das escolhas decisivas: a opção pelo Evangelho não pode ser adiada. E para que esta chamada seja compreendida melhor, ele serve-se da imagem do fogo que ele mesmo veio trazer à terra. Ele diz: «Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado!» (v. 49). Estas palavras pretendem ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, apatia, indiferença e fechamento para acolher o fogo do amor de Deus, aquele amor que, como recorda São Paulo, «foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5). Porque é o Espírito Santo que nos faz amar a Deus e amar o próximo; é o Espírito Santo que todos nós temos dentro de nós.

Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar à terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e pelo qual o homem é salvo. Jesus chama-nos a espalhar este fogo no mundo, graças ao qual seremos reconhecidos como seus verdadeiros discípulos. O fogo do amor, acendido por Cristo no mundo através do Espírito Santo, é um fogo sem limites, é um fogo universal. É o que se verifica desde os primeiros tempos do cristianismo: o testemunho do Evangelho difundiu-se como um fogo benéfico, superando todas as divisões entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações. O testemunho do Evangelho queima, queima todas as formas de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com a preferência pelos mais pobres e pelos excluídos.

A adesão ao fogo do amor que Jesus trouxe à terra envolve toda a nossa existência e requer adoração a Deus e também a disponibilidade para servir o próximo. Adoração a Deus e disponibilidade para servir o próximo. A primeira, adorar a Deus, significa também aprender a oração de adoração, que normalmente esquecemos. É por isso que convido todos a descobrir a beleza da oração de adoração e a praticá-la com frequência. E depois a segunda, a disponibilidade para servir os outros: penso com admiração em muitas comunidades e grupos de jovens que, mesmo durante o verão, se dedicam a este serviço aos doentes, aos pobres, às pessoas com deficiência. Para viver segundo o espírito do Evangelho é necessário que, diante das necessidades sempre novas que surgem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Por isso, com a adoração a Deus e o serviço ao próximo — juntos, adorando Deus e servindo o próximo — o Evangelho manifesta-se verdadeiramente como o fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.

Nesta perspetiva, compreendemos também a outra afirmação de Jesus no trecho evangélico de hoje, que à primeira vista pode desconcertar: «Pensas que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, mas divisão» (Lc 12, 51). Ele veio para «separar com o fogo». Separar o quê? O bem do mal, o justo do injusto. Neste sentido ele veio para «dividir», para pôr em «crise» — mas de forma saudável — a vida dos seus discípulos, pondo fim às ilusões fáceis daqueles que acreditam que podem combinar vida cristã e mundanidade, vida cristã e compromissos de todos os tipos, práticas religiosas e atitudes contra os outros. Combinar, pensam alguns, a verdadeira religiosidade com práticas supersticiosas: muitos que se consideram cristãos vão ao adivinho ou à adivinha para que lhes leiam as mãos! E isto é superstição, não é de Deus. Trata-se de não viver de forma hipócrita, mas de estar disposto a pagar o preço de escolhas coerentes — é esta a atitude que cada um de nós deve procurar na vida: a coerência — pagar o preço da coerência com o Evangelho. Coerência com o Evangelho. Porque é bom considerar-nos cristãos, mas sobretudo devemos ser cristãos em situações concretas, testemunhando o Evangelho que é essencialmente amor a Deus e aos irmãos.

Maria Santíssima nos ajude a deixar-nos purificar o coração com o fogo que Jesus trouxe, a difundi-lo na nossa vida, através de escolhas decisivas e corajosas.

  Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 18 de agosto de 2019

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Iluminados pela palavra de Deus que escutámos,

alimento da nossa esperança e fermento de fraternidade,

elevemos a nossa oração ao Pai do Céu,

dizendo (ou: cantando): R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Tende compaixão de nós, Senhor.

 

1. Por todas as Igrejas particulares e suas paróquias,

pelos que aí dão testemunho da sua fé

e pelos que sofrem por causa do Evangelho, oremos.

 

2. Pelos governantes de todas as nações,

pelos cidadãos perseguidos e humilhados

e pelas vítimas da violência dos poderosos, oremos.

 

3. Pelas famílias divididas e sem paz,

pelos filhos abandonados por seus pais

e pelos pais a quem os filhos esqueceram, oremos.

 

4. Pelos homens e mulheres de vida contemplativa,

pelos religiosos, religiosas e lares cristãos

e por todos os que Deus chama ao seu serviço, oremos.

 

5. Por nós próprios que escutámos a Palavra,

pela nossa conversão à sua mensagem

e pelos nossos amigos e vizinhos, oremos.

 

(Outras intenções: os que promovem o diálogo entre as grandes religiões ...).

 

Abri, Senhor, os nossos ouvidos à mensagem da Palavra que escutámos e que Jesus trouxe à terra como um fogo, para corrermos, com perseverança, para a vitória de que a Cruz é o sinal. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai e recebei as horas do meu dia – H. Faria, CNPL, 965

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio Comum IX e Oração Eucarística II ou Oração Eucarística para as diversas necessidades III.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão Vivo – C. Silva, NRMS, 36

Sl 129, 7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

Ou:    Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: Ficai connosco Senhor – M. F. Borda, NRMS, 43

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Na Esperança de que o Espírito Santo acenda em nós a chama capaz de, através de todas as dificuldades, alcançarmos o Reino de Deus, ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!

 

Cântico final: Queremos ser construtores – Az. Oliveira, NRMS, 35

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 

 


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