19º Domingo Comum

7 de Agosto de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa – A. F. Santos, NRMS, 38

Sl 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Organizámos a nossa vida para podermos participar na Missa Dominical.

O Domingo é assim santificado por nós. O Senhor agradece, concedendo-nos inúmeras graças para vivermos felizes em cada dia.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus libertou o Seu povo no Antigo Testamento.

Libertemo-nos de tudo o que ofende o Senhor e sejamos solidários no mundo.

 

Sabedoria 18,6-9

 

6A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. 7Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios, 8pois da mesma forma que castigastes os adversários, nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós. 9Por isso os piedosos filhos dos justos ofereciam sacrifícios em segredo e de comum acordo estabeleceram esta lei divina: que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos; e começaram a cantar os hinos de seus antepassados.

 

A leitura é extraída da última parte do livro da Sabedoria (16 – 18), onde se exalta a Providência divina ao castigar os egípcios e salvar os israelitas. Pertence ao género literário chamado «midraxe hagadá»: é uma piedosa meditação sobre a história sagrada, em que a intenção edificante lança mão da imaginação, sem grande preocupação pelo rigor histórico.

6 «Noite… dada previamente a conhecer», segundo Gn 15,13-14; 11,4-7; 12,21-23.

9 «Ofereciam sacrifícios em segredo», alusão a Ex 12,46, onde se diz que o cordeiro pascal era sacrificado e comido no interior das próprias casas. A referência a «cantar os hinos» tem em conta o hagadá de Páscoa, que prescrevia para a Ceia Pascal o canto dos Salmos do chamado grande Hallel (113 – 118; cf. Mt 26,30), que cantavam os favores divinos para com o seu povo.

 

Salmo Responsorial     Sl 32 (33), 1.12.18-19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: É feliz o povo que vive segundo a Lei de Deus. Ele o abençoará e defenderá sempre.

 

Refrão:         Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l’O.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,

o povo que Ele escolheu para sua herança.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor,

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus chamou Abraão. Homem de fé, nunca hesitou em seguir o Senhor quando vinha ao seu encontro.

 

Forma longa: Hebreus 11,1-2.8-19;       forma breve: Hebreus 11,1-2.8-12

 

Irmãos: 1A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem. 2Ela valeu aos antigos um bom testemunho. 8Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia. 9Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida, habitando em tendas, com Isaac e Jacob, herdeiros, como ele, da mesma promessa, 10porque esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus. 11Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu. 12É por isso também que de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia que há na praia do mar.

 [13Todos eles morreram na fé, sem terem obtido a realização das promessas. Mas vendo-as e saudando-as de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. 14Aqueles que assim falam mostram claramente que procuram uma pátria. 15Se pensassem na pátria de onde tinham saído, teriam tempo de voltar para lá. 16Mas eles aspiravam a uma pátria melhor, que era a pátria celeste. E como Deus lhes tinha preparado uma cidade, não Se envergonha de Se chamar seu Deus. 17Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único Isaac, que era o depositário das promessas, como lhe tinha sido dito: 18«Por Isaac será assegurada a tua descendência». 19Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o seu filho.]

 

A leitura é um eloquentíssimo elogio da fé, uma das mais notáveis páginas de toda a Escritura. Depois de definir o que é a fé, mostra como todas as grandes figuras do Antigo Testamento resplandeceram por uma vida de fé. Aqui temos apenas um pequeno extracto do capítulo 11 da epístola.

1 «A fé é a garantia dos bens que se esperam». As realidades que esperamos na outra vida ainda não são uma realidade de que tenhamos uma posse palpável, mas a fé é já uma base ou garantia de que estão ao nosso alcance. Mas há uma outra interpretação que entende o termo grego (traduzido no leccionário por garantia), «hypóstasis» (substância, à letra, o que está por baixo, o suporte) no sentido de consistência: assim, a fé como que dá corpo e consistência na alma do crente àquelas realidades divinas reveladas por Deus que esperamos vir a possuir em plenitude, (mas, para uma pessoa que não tenha fé, aparecem como inconsistentes, mera alienação,).

«A certeza das realidades que não se vêem». O termo grego élenkhos foi traduzido pela palavra «certeza», com efeito, assim como uma demonstração nos dá a certeza de algo não evidente por si, assim também a fé nos dá a certeza de todas as verdades divinas que se não vêem, uma vez que a fé se apoia numa revelação de Deus que não se engana nem nos pode enganar.

8-19 O exemplo da fé de Abraão está em relação com diversas passagens do Génesis do «ciclo de Abraão» (Gn 12,1 – 23,20).

10 Cidade… cujo arquitecto e construtor é Deus», isto é, «a pátria celeste» (cf. v. 16). Esta passagem concorda com uma tradição judaica que diz que Deus mostrou a Abraão a Jerusalém celeste (cf. Apocalipse Siríaco de Barukh).

11 Pela fé, também Sara... A inicial incredulidade de Sara acabou por dar lugar a uma atitude de fé (cf. Gn 18,10-13).

19 «Prefiguração» (à letra, «parábola», também se podia traduzir por «símbolo»). Desde os Padres Apostólicos que a Tradição da Igreja viu no Sacrifício de Isaac uma figura da Morte e Ressurreição (a recuperação do filho) de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 24, 42a.44

 

Monição: O Senhor convida-nos à vigilância. Como não sabemos quando partiremos ao encontro do Pai, estejamos sempre preparados, cumprindo a missão que nos confiou.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Vigiai e estai preparados,

porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 12,32-48;        forma breve: São Lucas 12,35-40

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

[32«Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. 33Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. 34Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.]

35Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. 37Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. 38Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. 39Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. 40Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».

[41Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?» O 42Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? 43Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. 44Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. 47O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. 48Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».]

 

Na sequência do Domingo anterior (Lc 12,13-21), este trecho é extraído duma secção do iii Evangelho (Lc 12 – 14), em que predominam os ensinamentos de Jesus, sobretudo os de carácter escatológico, com apelos à vigilância e a viver desprendido, com os olhos postos no reino que há-de vir. A leitura começa (vv. 32-34) com o final da longa exortação ao abandono na Providência amorosa de Deus e ao desprendimento dos bens efémeros.

32 «Pequenino rebanho». Apesar de poucos e sem recursos humanos, os discípulos nada têm a temer, pois foram admitidos no Reino de Deus que é indestrutível (cf. Lc 1,33).

33-34 «Tesoiro inesgotável nos Céus». O texto paralelo de S. Mateus é mais desenvolvido (cf. Mt 6,19-21). Como o nosso coração é forçosamente atraído pelo que ele julga ser o «tesoiro», temos de ter a sensatez de não nos defraudarmos a nós próprios erigindo em tesoiro - bem supremo, fim último - as coisa da terra, trocando o efémero e caduco pelo eterno. As boas obras, a esmola e as obras de misericórdia em geral (cf. Mt 25,31-46) constituem uma riqueza que não se perde, pois essas obras terão uma recompensa eterna nos Céus.

35-48 Na forma longa do Evangelho de hoje, podemos distinguir três parábolas: a dos criados vigilantes (vv. 35-36), a do ladrão (v. 39) e a dos servos administradores (o fiel: vv. 42-44 e o infiel: vv. 45-48). As duas primeiras referem-se à necessidade da vigilância e a terceira à necessidade da fidelidade.

35-37a «Rins cingidos», isto é, as cintas apertadas, num gesto então habitual, próprio de quem, para trabalhar, arregaçava a túnica com um cinto. «As lâmpadas acesas», isto é, em atitude de vigilância ao longo da noite; é assim que devem estar vigilantes os discípulos de Jesus, «como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento», a uma hora incerta.

37b «Em verdade vos digo... os servirá». Aqui já deixamos propriamente de ter a «parábola», uma vez que se acabou toda a «semelhança» com a vida corrente: não são os servos a servir o seu patrão (cf. 17,7-9), mas é o dono a servir os criados! É uma alegoria que exprime como, no momento da sua vinda, Jesus recompensará, um a um – «passando diante deles» – os seus servos vigilantes, servindo-lhes o «banquete» da vida eterna.

39 «A que hora viria o ladrão». Esta segunda parábola, que já não se refere a um criado, mas a um senhor, é também um convite à vigilância, pondo em evidência como a vinda do Senhor será de improviso, sem o dono da casa poder calcular o dia do assalto; os criados da parábola anterior sabiam que era naquela noite que o seu patrão chegava da boda, embora ignorassem a hora, mas aqui o dono da casa não sabe nem o dia nem a hora. Daqui o sério apelo: «Estai vós também preparados».

41 «É para nós que dizes essa parábola?» Esta pergunta de Pedro parece referir-se à primeira parábola, concretamente à afirmação de Jesus no v. 37b, que muito o devia ter impressionado; mas Jesus não responde à pergunta, e propõe uma nova parábola, a do administrador fiel (vv. 42-46), a mesma do «servo fiel e prudente» de Mt 4,45-51, embora com um matiz próprio: precisamente o facto de se chamar este servo «administrador» indica a intencionalidade de referir a parábola aos apóstolos, «os administradores dos mistérios de Deus», de quem se exige uma fidelidade total (cf. 1Cor 4,1-2).

42-48a Na parábola, temos um criado feito administrador da casa durante um certo período de ausência do patrão, o qual tem de dirigir os criados e criadas e, concretamente, de lhes dar diariamente a sua ração de alimento. A parábola do administrador contempla duas hipóteses: a da administração fiel e sensata (vv. 42-44) e a da má administração (v. 45-46). Na primeira, a condição é posta sob a forma duma pergunta retórica (v. 42) que equivale à afirmação: «se o administrador que o senhor colocou à frente do seu pessoal, para lhe dar, no devido tempo, a sua ração de trigo, for fiel e prudente..., pô-lo-á à frente de todos os seus bens».

48b «A quem muito foi dado…». Temos aqui a forma impessoal da voz passiva para, segundo o costume judaico, evitar pronunciar o nome inefável de Deus, por motivo de respeito, equivalendo a: «a quem Deus muito deu...». Os versículos 47-48, que não aparecem no lugar paralelo de S. Mateus, explicitam como no dia de juízo haverá uma desigualdade de castigos proporcionada à responsabilidade de cada um. É fácil perceber que os discípulos de Jesus são aqueles que «sabem o que o Senhor quer» (v. 47) e aqueles «a quem muito foi dado» (v. 48).

 

Sugestões para a homilia

 

Vivamos sempre com o Senhor

Agradeçamos o dom da fé

Vivamos sempre em oração

 

Vivamos sempre com o Senhor

O Senhor concedeu-nos o dom da vida. Não sabemos quando nos vem chamar para junto de Si. Ele, no Evangelho desta Missa, recomenda-nos para estarmos vigilantes, cumprindo em cada dia a Sua vontade.

Cumpri-la-emos, afastando o mal, praticando o bem e amando-O como Ele nos ama.

No mundo onde há ódio, violência e guerra, temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para darmos testemunho do amor, da concórdia e da paz.

Ajudemos os que mais precisam, vendo neles o rosto de Jesus. Procuremos imbuir de espírito cristão o mundo

 

Agradeçamos o dom da fé

Nem sempre temos certezas. As dúvidas que frequentemente nos assaltam deixam-nos inseguros e vacilantes. Por isso temos de avivar a nossa fé.

O Senhor nunca nos abandona. Às vezes pode parecer que nos deixa sozinhos. Mas não. Ele apenas quer que sejamos nós, livremente, a cumprir a missão que nos confiou.

A Segunda Leitura apresenta-nos, como exemplo, um homem que nunca hesitou na sua fé. Mesmo nas horas de incerteza, confiou sempre no Senhor. Esse homem é Abraão.

Como ele, peçamos ao Senhor que nos indique o caminho a seguir. Só assim seremos felizes.

A vida sem Deus não tem sentido. Com Ele temos a Luz que ilumina a nossa vida.

Agradeçamos o dom da fé. Respeitemos os que não a têm mas peçamos ao Senhor que os atraia a Si para que acreditem como nós.

 

Vivamos sempre em oração

Eu quero, Senhor, agradecer-Te o dom da fé que dá um sentido novo à minha vida.

Eu quero, Senhor, manifestar-Te a minha alegria por estares, como no Céu, na Santíssima Eucaristia, sendo tudo para mim.

Eu quero, Senhor, louvar-Te com todos os povos da terra que desejam viver no Teu amor.

Eu quero, Senhor, pedir-Te pelas crianças, pelos jovens, pelos homens e pelas mulheres, pelos doentes, pelos idosos, pelos cristãos perseguidos, pelas vítimas da guerra e da fome…

Eu quero, Senhor, juntar-me a todos os que Te consagram a vida na Igreja ao serviço dos irmãos.

Eu quero, Senhor, com os anjos e os santos, experimentar um pouco do Céu na terra.

Eu quero, Senhor, por intercessão da Tua e minha Mãe, a Virgem Santa Maria, viver Contigo, eternamente feliz. Amém.

 

Fala o Santo Padre

 

«A lâmpada da fé deve ser alimentada continuamente,

com o encontro de coração a coração com Jesus na oração e na escuta da sua Palavra.

Trazei sempre convosco um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, para o ler.»

Na hodierna página do Evangelho (cf. Lc 12, 32-48), Jesus chama os seus discípulos a uma vigilância constante. Porquê? Para sentir a passagem de Deus pela própria vida, porque Deus passa continuamente pela vida. E indica as formas como viver bem esta vigilância: «Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas» (v. 35). Este é o caminho. Antes de mais nada, «estejam apertados os cintos», uma imagem que recorda a atitude do peregrino, pronto para se pôr a caminho. Não se trata de lançar raízes em residências confortáveis e tranquilizadoras, mas de nos abandonarmos a nós mesmos, de nos abrirmos com simplicidade e confiança à passagem de Deus nas nossas vidas, à vontade de Deus, que nos guia para a meta seguinte. O Senhor caminha sempre connosco e acompanha-nos muitas vezes com a mão, para nos guiar, para não nos enganarmos neste caminho difícil. Com efeito, quem confia em Deus sabe bem que a vida de fé não é algo estático, mas dinâmico! A vida de fé é um percurso contínuo, que leva a etapas sempre novas, indicadas pelo próprio Senhor dia após dia. Porque Ele é o Senhor das surpresas, o Senhor das novidades, mas das novidades verdadeiras.

E depois — o primeiro caminho era «estejam apertados os cintos» — pede-se que «estejam acesas as lâmpadas», para podermos iluminar a escuridão da noite. Isto é, somos convidados a viver uma fé autêntica e madura, capaz de iluminar as muitas «noites» da vida. Todos nós sabemos, todos nós vivemos dias que foram verdadeiras noites espirituais. A lâmpada da fé deve ser alimentada continuamente, com o encontro de coração a coração com Jesus na oração e na escuta da sua Palavra. Retomo algo que já vos disse muitas vezes: trazei sempre convosco um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, para o ler. É um encontro com Jesus, com a Palavra de Jesus. Esta lâmpada do encontro com Jesus na oração e na sua Palavra é-nos confiada para o bem de todos: portanto, ninguém pode retirar-se intimamente na certeza da própria salvação, desinteressando-se dos outros. É uma ilusão acreditar que podemos iluminar-nos a nós mesmos dentro. Não, é uma ilusão! A verdadeira fé abre o coração ao próximo, impelindo à comunhão concreta com os irmãos, especialmente com aqueles que vivem em necessidade.

E para nos fazer compreender esta atitude, Jesus narra a parábola dos servos que esperam o regresso do Senhor que volta das bodas (vv. 36-40), apresentando assim outro aspeto da vigilância: estar pronto para o encontro derradeiro e definitivo com o Senhor. Cada um de nós viverá aquele dia do encontro. Cada um de nós tem a sua data do encontro definitivo. O Senhor diz: «Bem-aventurados os servos a quem o Senhor, quando voltar, encontrar vigilantes... E, se vier à meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, bem-aventurados serão eles!» (vv. 37-38). Com estas palavras, o Senhor recorda-nos que a vida é um caminho para a eternidade; por isso, somos chamados a fazer frutificar todos os talentos que temos, sem jamais nos esquecermos de que «aqui não temos uma cidade permanente, mas procuramos a futura» (Hb 13, 14). Nesta ótica, cada momento se torna precioso, e por isso devemos viver e agir nesta terra com nostalgia do Céu: com os pés no chão, caminhar na terra, trabalhar na terra, praticar o bem sobre a terra, mas com o coração nostálgico do Céu!

Não conseguimos compreender realmente em que consiste esta alegria suprema, mas Jesus faz-nos intuir isto, com a analogia do Senhor que encontra os seus servos ainda acordados quando voltar: «Cingir-se-á, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los» (v. 37). O júbilo eterno do Paraíso manifesta-se assim: a situação inverter-se-á, e já não serão os servos, ou seja, nós, que serviremos a Deus, mas é o próprio Deus que se colocará ao nosso serviço. E Jesus age assim desde já: Jesus ora por nós, Jesus olha para nós e intercede junto do Pai por nós; Jesus serve-nos agora, é o nosso servo! E esta será a alegria definitiva. O pensamento do encontro final com o Pai, rico de misericórdia, enche-nos de esperança e estimula-nos a um compromisso constante para a nossa santificação e para construir um mundo mais justo e fraterno.

Com a sua materna intercessão, a Virgem Maria ampare este nosso compromisso.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de agosto de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pela Santa Igreja Católica

que no mundo dá testemunho

do amor de Jesus por todas as pessoas,

oremos.

 

2.     Pelos Judeus, Cristãos e Muçulmanos

que, a exemplo de Abraão,

se deixam guiar por Deus, nosso Pai,

oremos.

 

3.     Pelos cristãos perseguidos em vários países

mas que não renegam a sua fé,

oferecendo a vida ao Senhor,

oremos

 

4.     Pela nossa comunidade ( paroquial )

que aqui se reúne ao Domingo,

como família dos filhos de Deus,

oremos.

 

5.     Pelos doentes. pobres e marginalizados

que no hospital, no lar ou na sociedade

necessitam da nossa ajuda, companhia e dedicação,

oremos.

 

6.     Pelos familiares e amigos falecidos

que esperamos encontrar um dia no Céu

para com eles vivermos felizes eternamente,

oremos.

 

Deus Pai, Todo Poderoso,

atendei estas nossas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por Cristo Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor vem até nós na Sagrada Comunhão, dando-nos força e coragem para cumprirmos a Sua vontade.

Avivemos a nossa fé e, se estamos devidamente preparados, recebamo-l’O fervorosamente.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida  – J. F. Silva, NRMS, 70

Sl 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Cântico de acção de graças: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor – C. Silva, NRMS, 42

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Viemos ao encontro do Senhor. Dialogámos com Ele, agradecemos, louvámos e pedimos a Sua proteção.

Agora vamos, acompanhados da Virgem Santa Maria, dar testemunho d’Ele no mundo.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é amor, – – J. F. Silva, NRMS, 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-VIII: Dar a vida pelos seus.

Ez 1, 2-5. 24-28 / Mt 17, 22-27

Jesus: O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. E os discípulos ficaram profundamente consternados.

Os discípulos não entenderam esta afirmação de Jesus: Pedro rejeitou este anúncio e os outros também não entenderam (EV). Mas é por amor que Jesus entrega a sua vida. O Profeta Ezequiel também viu uma imagem do Senhor, que irradiava uma luz à sua volta (LT). O céu e a terra proclamam a vossa glória (SR).

 A Santa Missa é uma das maiores manifestações do amor de Deus para connosco. O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes hão-de matá-lo (EV). De igual modo, a Eucaristia manifesta esse amor pelos homens, ao ser o seu alimento.

 

3ª Feira, 9-VIII: Sta Teresa B. da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os 2, 16, 21-22 / Mt 25, 1-13

À meia noite ouviu-se um brado: Aí vem o esposo; saí-lhe ao encontro.

 Esta Santa é uma das três Padroeiras da Europa, nomeada por João Paulo II. Na sua vida preparou o encontro com Cristo, enchendo de azeite (a graça de Deus), a lâmpada da sua vida, que terminou no martírio. Ide ao encontro do Senhor (SR). 

A Europa precisará sempre do testemunho de cada um dos seus filhos. Há uma maneira desleixada de percorrer os caminhos de Deus (a das virgens insensatas), e uma maneira heróica (a das virgens prudentes), que consiste em viver com fidelidade as coisas de cada dia, realizadas com muito amor a Deus e ao próximo.

 

4ª Feira, 10- VIII: S. Lourenço: O sofrimento fecundo.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica ele só; mas, se morrer dá muito fruto.

S. Lourenço era diácono do Papa Sisto II e sofreu o martírio poucos dias depois do Papa. Com o seu martírio deu-nos um exemplo de fidelidade à Igreja (Oração) O seu coração está firme, confiado no Senhor (SR).

Graças ao seu martírio, e de tantos outros, a Igreja expandiu-se pelo mundo inteiro. Quem semeia com largueza também colherá com largueza (LT). Deus conta com a nossa colaboração na obra da Redenção, oferecendo as nossas contrariedades, sofrimentos, etc. É o nosso grão de trigo (EV), que dará muito fruto.

 

5ª Feira, 11-VIII: Aprender a perdoar.

Ez 12, 1-12 / Mt 18, 21- 19, 1

Se meu irmão me ofender várias vezes, quantas devo perdoar-lhe?

É quase inevitável que, no nosso dia, apareçam pequenos conflitos com as pessoas com quem nos relacionamos. O Senhor pede–nos que procuremos perdoar do íntimo do coração (EV) e que procuremos dar bom exemplo, que nos vejam (LT).

O amor ao próximo consiste em amar a pessoa que não me agrada, ou que nem sequer conheço, com o amor de Deus. Vale a pena lembrar as palavras do Pai-nosso: Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não esqueçais as obras do Senhor (SR).

 

6ª Feira, 12-VIII: A dignidade do matrimónio.

Ez 16, 59-63 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído por Deus no princípio da criação (EV). Infelizmente, o ambiente continua a desfigurar esta dignidade: pedem-se formas de reconhecimento legal paras convivências de facto, modelos de casamento onde não interessa a diferença de sexos, etc,

Ajuda a viver esta dignidade, a lembrança de que Deus está sempre presente para ajudar a ultrapassar as dificuldades que se apresentam ao longo da vida Restabelecerei a minha aliança contigo (LT) O Senhor é a minha salvação (SR).

 

Sábado, 13-VIII: Deus e as crianças.

Ez 18, 1-10. 13. 30-32 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino de Deus é daquelas que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é a condição para receber a revelação de Deus, pois Jesus revela-se aos pequeninos; e também é para entrar no reino dos Céus (EV).

Para isso, é necessário um coração contrito e confiante, que nos faça voltar ao estado de criança. Além disso, precisamos converter-nos e criar um coração novo e uma alma nova. O dom da adoção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. Convertei-vos e renunciai às vossas iniquidades, formai um coração novo e um espírito novo (LT). Criai em mim um coração puro (SR).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Aurélio A. Ribeiro

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 

 

 

 

 

 

 

20º Domingo Comum

14 de Agosto de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos o povo do Senhor – J. P. Martins, CNPL, 655

Sl 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ser cristão é ser batizado no Espírito Santo e no fogo, num compromisso de fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho. Isto faz de nós profetas, pessoas comprometidas em mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos. O cristão, na sua fidelidade a Cristo, não pode ser neutral, passivo ou ausente, mas pedra de tropeço e sinal de contradição... Perante um mundo sem espírito, tem de mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos... incendiando o mundo e o coração dos homens com os valores do desprendimento e solidariedade, amor e oração, coerência e responsabilidade, verdade e liberdade, compromisso firme com a justiça e a libertação de toda a descriminação social, cultural e religiosa...

Fitemos os olhos em Jesus, o guia da nossa fé, e imploremos, para nós e para todos os irmãos, a graça do alimento que nos fortalece e anima, que nos dá a força da perseverança e da resistência. Invoquemos a misericórdia do Senhor.

 

 

Ato Penitencial

Pelas vezes em que nos calamos, por medo de perdermos o nosso lugar, Senhor, tende piedade de nós!

 

Pelas vezes em que fugimos à luta pelo bem, por vergonha da nossa fé, Cristo, tende piedade de nós!

 

Pelas vezes em que não assumimos corajosa e publicamente a nossa fé, Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira leitura apresenta-nos a figura do profeta Jeremias. O profeta recebe de Deus uma missão que lhe vai trazer o ódio dos chefes e a desconfiança do Povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Por isso é acusado de ser um falso profeta e atirado para a prisão até que um estrangeiro corajoso vá em seu socorro.

Jeremias é bem o ícone incandescente das lutas sem fim em defesa da palavra de Deus.

 

Jeremias 38,4-6.8-10

Naqueles dias, 4os ministros disseram ao rei de Judá: «Esse Jeremias deve morrer, porque semeia o desânimo entre os combatentes que ficaram na cidade e também todo o povo com as palavras que diz. Este homem não procura o bem do povo, mas a sua perdição». 5O rei Sedecias respondeu: «Ele está nas vossas mãos; o rei não tem poder para vos contrariar». 6Apoderaram-se então de Jeremias e, por meio de cordas, fizeram-no descer à cisterna do príncipe Melquias, situada no pátio da guarda. Na cisterna não havia água, mas apenas lodo, e Jeremias atolou-se no lodo. Entretanto, 8Ebed-Melec, o etíope, saiu do palácio e falou ao rei: 9«Ó rei, meu senhor, esses homens procederam muito mal tratando assim o profeta Jeremias: meteram-no na cisterna, onde vai morrer de fome, pois já não há pão na cidade». 10Então o rei ordenou a Ebed-Melec, o etíope: «Leva daqui contigo três homens e retira da cisterna o profeta Jeremias, antes que ele morra».

 

A nossa leitura escolhida em função do Evangelho de hoje é extraída de parte final da segunda parte (biográfica) do livro de Jeremias (26,1 – 45,5), a chamada «paixão de Jeremias» (37,1 – 44,30): no tempo do rei Sedecias; ele é metido na prisão sujeito a maus tratos e humilhações. Jeremias é considerado uma figura de Cristo sofredor, corajoso e paciente, um sinal de contradição.

4 «Jeremias semeia o desânimo entre os combatentes». O profeta de Anatot não se cansou de advertir o rei e o povo de que a solução, em face da ameaça de Nabucodonosor, rei da Babilónia, era negociar a rendição. Os altos funcionários, obcecados pela sua visão humana, não querem ouvir Jeremias e acusam-no de traidor à pátria, pois os seus oráculos são de molde a desalentar os combatentes.

5 «O rei Sedecias» tinha sido posto no trono pelo próprio Nabucodonosor, quando entrou vitoriosamente em Jerusalém no ano de 598 e levou para a Babilónia o rei Joaquim (filho) à frente dos prisioneiros. Sedecias, seu tio, era fraco e deixava-se manobrar facilmente pelos cortesãos e, ainda que respeitasse o profeta, não tinha uma fé suficientemente forte para seguir os seus oráculos. A falta de fé do rei havia de custar muito caro a todo o povo, pois em 587 foi o incêndio da cidade e do templo, o exílio e o fim do reino de Judá; Sedecias é preso, são-lhe arrancados os olhos, após terem presenciado o massacre dos seus próprios filhos. A tremenda catástrofe podia ter sido evitado se o rei tivesse dado atenção à voz de Deus, contra os cálculos meramente humanos.

7 Ébed-Mélec. É um negro estrangeiro, um oficial cusita, quem desta vez salvou a vida do homem de Deus, rejeitado pelos seus concidadãos como inimigo da sua pátria, que tão ardentemente amava.

 

Salmo Responsorial     Sl 39 (40), 2.3.4.18 (R. 14b)

 

Monição: Neste salmo encontramos uma ação de graça ao Senhor pelos benefícios recebidos..., seguida de uma súplica e lamentação: Senhor, socorrei-me sem demora.

Assim é a nossa vida: tecida de momentos de sonho e de momentos em sofrimento e dor.

 

Refrão:         Senhor, socorrei-me sem demora.

 

Esperei no Senhor com toda a confiança e Ele atendeu-me.

Ouviu o meu clamor e retirou-me do abismo e do lamaçal,

assentou os meus pés na rocha

e firmou os meus passos.

 

Pôs em meus lábios um cântico novo,

um hino de louvor ao nosso Deus.

Vendo isto, muitos hão-de temer

e pôr a sua confiança no Senhor.

 

Eu sou pobre e infeliz:

Senhor, cuidai de mim.

Sois o meu protector e libertador:

ó meu Deus, não tardeis.

 

Segunda Leitura

 

Monição: No caminho da nossa vida somos convidados a correr com perseverança e com os olhos postos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição... para alcançarmos a vida plena e recebermos do Pai a coroa da glória.

 

Hebreus 12,1-4

Irmãos: 1Estando nós rodeados de tão grande número de testemunhas, ponhamos de parte todo o fardo e pecado que nos cerca e corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós, 2fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição. Renunciando à alegria que tinha ao seu alcance, Ele suportou a cruz, desprezando a sua ignomínia, e está sentado à direita do trono de Deus. 3Pensai n’Aquele que suportou contra Si tão grande hostilidade da parte dos pecadores, para não vos deixardes abater pelo desânimo. 4Vós ainda não resististes até ao sangue, na luta contra o pecado.

 

Na leitura do domingo anterior o autor sagrado tinha-nos feito considerar exemplos de fé intrépida no Antigo Testamento, hoje no capítulo seguinte, já perto do final da Epístola, temos uma empolgante exortação à constância na fé, lutando contra o pecado, num apelo a imitar a Jesus Cristo, «guia da nossa fé e autor da sua perfeição», Este texto, mais do que comentado, deve ser meditado, palavra por palavra.

4 «Ainda não resististes até ao sangue». Os destinatários da epístola, embora estejam a passar por duras provações pelo facto de serem cristãos, como a prisão e a espoliação dos bens, ainda não tinham sido sujeitos ao martírio, como já acontecera a outros discípulos do Senhor (lembrar o martírio de Estêvão e de Tiago Maior…); a verdade é que têm de estar dispostos a dar a vida por Cristo, na luta contra o pecado, concretamente o pecado de apostasia. Aqui está presente a ideia paulina de que a vida cristã é uma luta, mas não uma luta qualquer, uma luta sangrenta como era a do pugilato, sobretudo quando se usavam luvas com reforço metálico, a luta dos gladiadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 27

 

Monição: S. Lucas, fala-nos do fogo e da divisão até na própria família, trazidos por Jesus. Que fogo é este? É o fogo, anunciado pelos profetas e ateado por Jesus, salva, purifica e cura. É o fogo da sua palavra, é a sua mensagem de salvação, é o seu Espírito, aquele Espírito que, no dia do Pentecostes, desceu como chama sobre os discípulos e começou a difundir-se no mundo como um incêndio benéfico e renovador.

“Quem está próximo de mim está próximo do fogo, quem está longe de mim está longe do Reino”, reza um dito de Jesus transmitido por Orígenes (Citação recolhida por Luciano Manicardi, em Comentário à liturgia Dominical e festiva).

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor;

Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me.

 

 

Evangelho

 

Lucas 12,49-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 49«Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? 50Tenho de receber um baptismo e estou ansioso até que ele se realize. 51Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. 52A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. 53Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

 

O nosso texto evangélico de hoje move-se na linha do sinal de contradição que é Jesus (cf. Lc 2,34), contradição a que está sujeito quem quer ser seu discípulo.

49 «Eu vim trazer o fogo à terra». A linguagem de Jesus não é, evidentemente a dum incendiário ou dum revolucionário político. Também não parece que se trate do fogo da desavença e do ódio a que se referem os vv. 51-53, como pensam alguns. O sentido deve buscar-se no contexto mais próximo, o v. 50, onde se fala da Paixão e Morte redentora de Cristo, a prova máxima do seu amor, a qual levaria os crentes a uma correspondência de amor. É o Filho de Deus feito homem quem traz à terra o fogo do amor de Deus, de Deus que é fogo devorador (Dt 4,24).

«E que quero Eu senão que ele se acenda?» A Nova Vulgata preferiu outra interpretação possível do original grego (que se escrevia sem pontuação nem separação de palavras): «…e qual é o meu desejo? Oxalá ele já estivesse ateado!»; assim também a proposta da nova tradução da CEP: «e que desejo Eu, senão que já estivesse ateado?».

50 «Um baptismo». É sem dúvida o «banho de sangue» da sua dolorosíssima Paixão (cf. Mc 10,38).

51-53 «Paz... divisão». Jesus não veio trazer uma paz mundana baseada numa satisfação egoísta das paixões, que é uma paz podre. Ele trouxe a paz (cf. Lc 2,14; Jo 14,27) baseada no amor de Deus acima de todas as coisas, e, por isso mesmo, os que não quiserem aceitar esse amor entrarão em desavença, mesmo no seio das famílias. Jesus não quer isso, mas permite-o ao respeitar a nossa liberdade.

 

Sugestões para a homilia

 

A Palavra de Deus que nos é servida, fala-nos de escolhas decisivas que não podem mais ser adiadas. Perante um mundo sem espírito, o cristão, animado pelo fogo novo que, no Batismo recebeu de Deus e que arde e opera dentro de si, preparando-o para a luta do amor, tem de mostrar os verdadeiros valores espirituais e humanos: desprendimento e solidariedade, amor e oração, coerência e responsabilidade, verdade e liberdade, compromisso firme com a justiça e a libertação de toda a descriminação social, cultural e religiosa, assim como promoção de quem mais precisa, como pessoas, como cidadão e como filho de Deus.  Deus espera de nós um compromisso, corajoso e coerente, com a construção do “novo céu” e da “nova terra”.

Não é fácil esta missão de ser profeta de Deus. Pois quem assim procede causa impacto nos outros, por vezes até na própria família.

Por isso, dizia o autor da Carta aos Hebreus, dando-nos o tiro de partida: “Ponhamos de parte o fardo e pecado que nos cerca e corramos com perseverança para o combate que se apresenta diante de nós” (Heb 12,1-2). Não se trata de jogos de água, nem de uma luta livre em lume brando, mas de um combate de fogo, que nos consome e devora, para fazer ressurgir da própria vida, queimada pelos outros, a vida recebida como herança. Não se trata de uma corrida de curto alcance, mas de uma corrida de fundo, de uma corrida com obstáculos e barreiras, com ventos contrários, que pedem resistência e resiliência, até ao suor, lágrimas e sangue.

Assim agiu Jeremias, o profeta da 1ª leitura. Estamos nos últimos dias de Jerusalém, antes da sua capitulação às mãos dos babilónios e do exílio do povo. No ano de 586 o rei da Babilónia, país com grande poder político e militar, chega a Jerusalém cerca-a. Contra ele nada pode o pequeno reino de Judá. Mas os generais israelitas querem resistir a todo o custo.

Então, Jeremias, apercebendo-se da inutilidade da resistência armada e preocupado com a sorte do Povo do Senhor, desafia as autoridades de Jerusalém e o povo a abandonar as intenções de guerra para dialogarem com o rei da Babilónia e negociarem uma rendição de paz. A sua proposta provoca indignação. Porque a sua palavra é verdadeira, o profeta torna-se uma voz incómoda, desestabilizadora, que semeia o desânimo e é preciso eliminar.

Mas o Senhor não abandona o seu profeta perseguido e lançado no lodo. Chamado e enviado por Deus, o profeta, no seu caminho que é tantas vezes de cruz, de sofrimento e de incompreensão, nunca está só... Deus está sempre a seu lado, com presença amiga e reconfortante, como garantia de que a missão não está condenada ao fracasso.

Sentindo Deus presente na nossa vida e que a Sua palavra nos faz viver, dá esperança, reaviva corações cansados e abre para uma visão do mundo e da vida que vai além do sofrimento e da morte, estamos, como profetas a construir um mundo de justiça e de paz? Somos coerentes com a vocação procurando, com fidelidade, ser testemunha de Deus e dos seus valores?

É este batismo de fogo e de missão que Jesus assume e nos chama a assumir, como escutamos no Evangelho. Na urgência do Reino que O apaixona e levará à paixão, Jesus, continua a apresentar a sua palavra e a sua missão – que é também a nossa. Palavra e missão que é como um fogo que tem que fazer arder e purificar o mundo inteiro. Ele veio a transformar o mundo com o fogo de um amor decidido, de uma entrega apaixonada... E que quer Ele senão que arda?

Interpretado à letra este Evangelho levar-nos-ia a considerar Jesus como um incendiário, um guerrilheiro, um desestabilizador; ou dar-nos-ia uma leitura oposta da Sua vida e doutrina de amor, de paz e de reconciliação. Mas o Evangelho apenas anuncia um facto que será inevitável, na linha do que Simeão já tinha dito a Maria no Templo: este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição.

O que é o fogo que Jesus veio trazer à terra? O que é o Baptismo que Ele veio receber? Porque é que afirma que não veio trazer a paz?

O fogo de que fala Jesus não é um vulgar incêndio. Trata-se de um fogo novo, que não é nosso; é de Deus! Vem de Deus! É o fogo que purifica e salva: é o fogo da sua Palavra, é a sua mensagem de salvação, é o seu Espírito que, no dia de Pentecostes começou a propagar-se pelo mundo como um incêndio. E o Baptismo de que fala Jesus é a sua paixão e morte. É a sua imersão nas águas da morte. “Água” preparada pelos seus inimigos para apagar para sempre o fogo da sua palavra, do seu amor, do seu espírito, que se transformou em fonte de vida nova a jorrar para a vida eterna.

É este fogo que o Senhor quer pôr a arder, a queimar e a operar dentro de nós. Só entrando no mesmo banho de sangue com Cristo, deixando-nos queimar por este Seu fogo de amor em vez do fogo da vingança ou do ódio que nos domina, só fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da nossa perfeição é que nós venceremos o combate que se apresenta diante de nós e nos tornaremos construtores de paz nas situações e acontecimentos de cada dia...

Na verdade, “nós os cristãos, se formos o que devemos ser, incendiaremos o mundo” (Santa Catarina de Sena)! Sejamos, então o que devemos ser: cristãos que ardem com o fogo de Cristo, lendo o Evangelho, meditando-o e emocionando-nos com Ele... até que o nosso coração se transforme, pouco a pouco, num coração igual ao de Jesus: fornalha ardente de caridade, fonte donde jorra a vida, refúgio seguro para todos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Com a adoração a Deus e o serviço ao próximo — juntos— o Evangelho manifesta-se verdadeiramente

como o fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.»

 

Na página do Evangelho de hoje (cf. Lc 12, 49-53), Jesus adverte os seus discípulos de que chegou o momento de tomar uma decisão. A sua vinda ao mundo coincide com o tempo das escolhas decisivas: a opção pelo Evangelho não pode ser adiada. E para que esta chamada seja compreendida melhor, ele serve-se da imagem do fogo que ele mesmo veio trazer à terra. Ele diz: «Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado!» (v. 49). Estas palavras pretendem ajudar os discípulos a abandonar toda atitude de preguiça, apatia, indiferença e fechamento para acolher o fogo do amor de Deus, aquele amor que, como recorda São Paulo, «foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5). Porque é o Espírito Santo que nos faz amar a Deus e amar o próximo; é o Espírito Santo que todos nós temos dentro de nós.

Jesus revela aos seus amigos, e também a nós, o seu desejo mais ardente: levar à terra o fogo do amor do Pai, que acende a vida e pelo qual o homem é salvo. Jesus chama-nos a espalhar este fogo no mundo, graças ao qual seremos reconhecidos como seus verdadeiros discípulos. O fogo do amor, acendido por Cristo no mundo através do Espírito Santo, é um fogo sem limites, é um fogo universal. É o que se verifica desde os primeiros tempos do cristianismo: o testemunho do Evangelho difundiu-se como um fogo benéfico, superando todas as divisões entre indivíduos, categorias sociais, povos e nações. O testemunho do Evangelho queima, queima todas as formas de particularismo e mantém a caridade aberta a todos, com a preferência pelos mais pobres e pelos excluídos.

A adesão ao fogo do amor que Jesus trouxe à terra envolve toda a nossa existência e requer adoração a Deus e também a disponibilidade para servir o próximo. Adoração a Deus e disponibilidade para servir o próximo. A primeira, adorar a Deus, significa também aprender a oração de adoração, que normalmente esquecemos. É por isso que convido todos a descobrir a beleza da oração de adoração e a praticá-la com frequência. E depois a segunda, a disponibilidade para servir os outros: penso com admiração em muitas comunidades e grupos de jovens que, mesmo durante o verão, se dedicam a este serviço aos doentes, aos pobres, às pessoas com deficiência. Para viver segundo o espírito do Evangelho é necessário que, diante das necessidades sempre novas que surgem no mundo, haja discípulos de Cristo que saibam responder com novas iniciativas de caridade. Por isso, com a adoração a Deus e o serviço ao próximo — juntos, adorando Deus e servindo o próximo — o Evangelho manifesta-se verdadeiramente como o fogo que salva, que transforma o mundo a partir da mudança do coração de cada um.

Nesta perspetiva, compreendemos também a outra afirmação de Jesus no trecho evangélico de hoje, que à primeira vista pode desconcertar: «Pensas que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, mas divisão» (Lc 12, 51). Ele veio para «separar com o fogo». Separar o quê? O bem do mal, o justo do injusto. Neste sentido ele veio para «dividir», para pôr em «crise» — mas de forma saudável — a vida dos seus discípulos, pondo fim às ilusões fáceis daqueles que acreditam que podem combinar vida cristã e mundanidade, vida cristã e compromissos de todos os tipos, práticas religiosas e atitudes contra os outros. Combinar, pensam alguns, a verdadeira religiosidade com práticas supersticiosas: muitos que se consideram cristãos vão ao adivinho ou à adivinha para que lhes leiam as mãos! E isto é superstição, não é de Deus. Trata-se de não viver de forma hipócrita, mas de estar disposto a pagar o preço de escolhas coerentes — é esta a atitude que cada um de nós deve procurar na vida: a coerência — pagar o preço da coerência com o Evangelho. Coerência com o Evangelho. Porque é bom considerar-nos cristãos, mas sobretudo devemos ser cristãos em situações concretas, testemunhando o Evangelho que é essencialmente amor a Deus e aos irmãos.

Maria Santíssima nos ajude a deixar-nos purificar o coração com o fogo que Jesus trouxe, a difundi-lo na nossa vida, através de escolhas decisivas e corajosas.

  Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 18 de agosto de 2019

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos em Cristo:

Iluminados pela palavra de Deus que escutámos,

alimento da nossa esperança e fermento de fraternidade,

elevemos a nossa oração ao Pai do Céu,

dizendo (ou: cantando): R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Tende compaixão de nós, Senhor.

 

1. Por todas as Igrejas particulares e suas paróquias,

pelos que aí dão testemunho da sua fé

e pelos que sofrem por causa do Evangelho, oremos.

 

2. Pelos governantes de todas as nações,

pelos cidadãos perseguidos e humilhados

e pelas vítimas da violência dos poderosos, oremos.

 

3. Pelas famílias divididas e sem paz,

pelos filhos abandonados por seus pais

e pelos pais a quem os filhos esqueceram, oremos.

 

4. Pelos homens e mulheres de vida contemplativa,

pelos religiosos, religiosas e lares cristãos

e por todos os que Deus chama ao seu serviço, oremos.

 

5. Por nós próprios que escutámos a Palavra,

pela nossa conversão à sua mensagem

e pelos nossos amigos e vizinhos, oremos.

 

(Outras intenções: os que promovem o diálogo entre as grandes religiões ...).

 

Abri, Senhor, os nossos ouvidos à mensagem da Palavra que escutámos e que Jesus trouxe à terra como um fogo, para corrermos, com perseverança, para a vitória de que a Cruz é o sinal. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai e recebei as horas do meu dia – H. Faria, CNPL, 965

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio Comum IX e Oração Eucarística II ou Oração Eucarística para as diversas necessidades III.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão Vivo – C. Silva, NRMS, 36

Sl 129, 7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

Ou:    Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: Ficai connosco Senhor – M. F. Borda, NRMS, 43

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Na Esperança de que o Espírito Santo acenda em nós a chama capaz de, através de todas as dificuldades, alcançarmos o Reino de Deus, ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!

 

Cântico final: Queremos ser construtores – Az. Oliveira, NRMS, 35

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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