Solenidade da Santíssima Trindade

12 de Junho de 2022

 

Domingo depois do Pentecostes

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao Senhor do Universo – J. F. Silva, NRMS, 8

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Encerrado o Tempo Festivo Pascal, retomamos agora o Tempo Comum que nos vai conduzir até à Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.

Antes, porém, a Liturgia propõe-nos a celebração do Mistério inefável da Santíssima Trindade, nosso prémio para sempre no Céu, nossa felicidade eterna.

É como se, com isto, quisesse animar-nos a percorrer com maior alegria e entusiasmo o que nos falta percorrer na vida para chegarmos até lá.

 

Acto penitencial

 

É verdade que invocamos muitas vezes a Santíssima Trindade: quando nos benzemos, rezamos o Glória ao Pai... e noutras ocasiões.

Mas fazemo-lo distraídos, sem pensarmos no que estamos a fazer. Peçamos perdão desta falta de respeito, de fé e de amor.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Glória a Deus nas alturas

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro dos Provérbios convida-nos a contemplar a Sabedoria infinita de Deus que do nada criou todas as coisas. Adoremos esta divina Sabedoria e peçamos-Lhe nos guie pelos caminhos da vida até ao Céu.

 

Provérbios 8,22-31

Eis o que diz a Sabedoria de Deus: 22«O Senhor me criou como primícias da sua actividade, antes das suas obras mais antigas. 23Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida. 25Antes de se implantarem as montanhas e as colinas, já eu tinha nascido; 26ainda o Senhor não tinha feito a terra e os campos, nem os primeiros elementos do mundo. 27Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; quando traçava sobre o abismo a linha do horizonte, 28quando condensava as nuvens nas alturas, quando fortalecia as fontes dos abismos, 29quando impunha ao mar os seus limites para que as águas não ultrapassassem o seu termo, quando lançava os fundamentos da terra, 30eu estava a seu lado como arquitecto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. 31Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens».

 

A sabedoria divina aparece aqui poeticamente personificada. É ela que se apresenta a si mesma, como um “arquitecto” (v. 30) ao lado de Deus, que Lhe fornece o projecto da maravilhosa obra da criação do universo. Este belo artifício literário parece insinuar um mistério que transcende o próprio hagiógrafo: os Padres da Igreja, baseados na apresentação que o Novo Testamento faz de Cristo como Sabedoria de Deus (Mt 11,19; Lc 11,49; cf. Col 1,16-17; Jo 1,1-3; 6,35, etc.), vêem nesta passagem uma alusão à Segunda Pessoa da SS. Trindade, o Verbo de Deus. De facto, a Sabedoria é apresentada como uma pessoa distinta, mas sem que seja uma criatura, pois existe desde sempre, antes da criação (vv. 24-26) e intervém na obra da criação (vv. 27-31); ela, não sendo criada, foi concebida, gerada desde toda a eternidade. A revelação do N. T. faz-nos supor que esta passagem já conteria um sentido divino mais pleno do que aquele que se podia vislumbrar antes de Cristo. Recorde-se que o v. 22 – “o Senhor me criou” – foi aproveitado por Ario, para tentar demonstrar que o Verbo não era Deus, mas apenas a sua primeira criatura, partindo da tradução grega da Septuaginta, seguida pela Vetus Latina, a que inexplicavelmente se atém a nossa tradução litúrgica; mas a verdade é que o texto hebraico tem: “o Senhor possuiu-me” (“qanáni”), seguido pela Vulgata e pela Nova Vulgata, que é a referência para as traduções litúrgicas.

Aqui, como em tantas outras passagens da Escritura, fala-se do Mundo de acordo com as ideias cosmológicas da época: os Céus (v. 27) seriam uma abóbada firme (firmamento) que cobria a Terra, a qual era uma enorme ilha plana limitada por um círculo (v. 27) que, à maneira de dique (v. 29), a separava do oceano sem limites (o abismo v. 27); por seu turno, a Terra, apesar de ser ilha flutuante no abismo, tinha estabilidade e estava fixa devido a uns alicerces ou “fundamentos da Terra” (v. 29), à maneira de colunas em que se apoiava; as fontes são chamadas “as fontes do abismo” (v. 28), pois brotavam do próprio abismo, isto é, o mar em que a Terra sobrenadava, e, através dos rios, as águas das fontes regressavam à sua origem. (A chuva procedia da abertura de grandes reservatórios de água situados acima do firmamento – as “águas superiores” de Gn 1,7 – e que comunicavam com o oceano). É evidente que, ao falar assim, a Sagrada Escritura não quer dar uma lição de Cosmologia, fala como então se falava.

 

Salmo Responsorial     Sl 8, 4-9 (R. 2a)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um salmo de louvor em honra da Santíssima Trindade que do nada criou tantas maravilhas.

Façamos dele uma oração frequente na vida, elevando o coração ao Senhor louvando-O e agradecendo-Lhe tudo o que Ele criou.

 

Refrão:         Como sois grande em toda a terra,

Senhor, nosso Deus!

 

Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos,

a lua e as estrelas que lá colocastes,

que é o homem para que Vos lembreis dele,

o filho do homem para dele Vos ocupardes?

 

Fizestes dele quase um ser divino,

de honra e glória o coroastes;

destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos,

tudo submetestes a seus pés:

 

Ovelhas e bois, todos os rebanhos,

e até os animais selvagens,

as aves do céu e os peixes do mar,

tudo o que se move nos oceanos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Roma, convida-nos a glorificar a Deus que nos ama de forma gratuita e incondicional.

Lutemos contra as tentações de pessimismo que nos assaltam, dando graças a Deus pelas graças que nos concede e pela felicidade a que nos chama.

 

Romanos 5,1-5

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 3Mais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz a constância, 4a constância a virtude sólida, a virtude sólida a esperança. 5Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

 

O texto com que se inicia o capítulo 5 de Romanos introduz um tema central da carta, o do “amor de Deus” (a ser desenvolvido no capítulo 8), paralelo ao tema da “justiça de Deus” (anunciado em 1,17 e desenvolvido em 3,21-31).

2 “Esta graça em que permanecemos”: é a graça, que a Teologia chama santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 “A esperança não engana”, não nos deixa confundidos. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: “trabalhai com temor e tremor na vossa salvação” (Filp 2,12). “O amor de Deus foi derramado em nossos corações”; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações “pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um “hábito” permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego (“que permanece derramado”); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também “nos foi dado” (Ele é a graça incriada: assim se dá a inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ap 1, 8

 

Monição: Em união com os coros dos Anjos e dos Santos do Céu, adoremos e louvemos a Santíssima Trindade.

Aclamemos o Evangelho da Salvação que nos revela este mistério da nossa fé, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São João 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12«Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. 13Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. 14Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

 

A leitura é um pequeno trecho do chamado discurso do adeus (Jo 13 – 17), de grande alcance na revelação do mistério da SS. Trindade.

13 “Dirá tudo o que tiver ouvido”. O Espírito Santo, directamente ou através dos seus carismas, jamais trará uma “nova” revelação, nova, tanto no sentido de contraditória, como no sentido de uma revelação que possa deixar “ultrapassada” a revelação de Cristo. Não obstante, vai ser o Espírito Santo quem possibilitará a plena compreensão da Revelação na vida da Igreja e que a completará com a pregação dos Apóstolos (cf. “Dei Verbum”, nº 4). O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Anunciará o que está para vir” não significa uma previsão dos acontecimentos futuros, mas antes o sentido do futuro e a nova ordem das coisas resultante da obra redentora de Jesus.

14-15 Temos aqui o texto bíblico mais claro a falar simultaneamente de unidade da natureza divina e da distinção real das Pessoas da Santíssima Trindade, concretamente, sobre a procedência, por parte do Espírito Santo, do Pai e do Filho. O Espírito Santo não é autónomo; por isso a sua acção está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. “Tudo o que o Pai tem é Meu”, portanto, também a natureza, que em Deus não se distingue da sua ciência. Por isso mesmo, quando Cristo diz que o Espírito Santo “receberá do que é meu” indica, como bem o exprime Santo Agostinho, a procedência da Terceira Pessoa do Pai e do Filho: “Ele não é de si mesmo, mas é daquele de quem procede. Donde lhe vêm a essência, também lhe vem a ciência: dele lhe vem a audição que não é mais do que a ciência” (In Jo. tract. 99).

 

Sugestões para a homilia

 

Um mistério oculto no Antigo Testamento

A Santíssima Trindade, verdade fundamental

 

1. Um mistério oculto no Antigo Testamento

 

O Livro dos Provérbios fala-nos da Sabedoria de Deus, do Verbo, da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Começa por falar da criação, mas logo acrescenta: «Desde a eternidade fui formada, desde o princípio, antes das origens da terra. Antes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das águas, já eu tinha sido concebida

Trata-se de uma linguagem humana, figurada, para nos ajudar a compreender a eternidade de Deus.

Mistério oculto aos antigos. O mistério da Santíssima Trindade permaneceu oculto até à vinda do Filho de Deus ao mundo.

O Povo Eleito estava rodeado de nações idólatras que adoravam falsos deuses: as fontes, as árvores, os animais e até os vícios dos homens.

A revelação de um só Deus em Três Pessoas distintas poderia confundi-los, perturbar a sua fé e afastá-los do verdadeiro caminho.

“Vestígios” desta verdade de fé. Não tendo, porém, revelado este mistério na antiguidade, encontramos, no entanto, na Bíblia, textos que podem ser interpretados como insinuações dele.

Quando fala da criação do homem, Deus diz: «Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.» (Génesis 1, 26). Não disse, “vou fazer”, mas “façamos”, como se se tratasse de uma deliberação de várias pessoas em comum.

Três personagens misteriosos visitam Abraão e param junto da sua tenda. Abraão recebe-os com deferência e trata-os por “meu Senhor.”

«E disse: Meu Senhor (Adonai), se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo.» (Génesis 18, 3).

Mistério revelado na plenitude dos tempos. Depois da vinda de Jesus ao mundo, já as pessoas podem acolher esta verdade sem perigo de desvios, porque Ele é a Verdade, a Luz e confiou à Sua Igreja a infalibilidade na doutrina e na moral.

O mistério da Santíssima Trindade resplandece no Novo Testamento.

Na Anunciação. O Arcanjo revela-o a Maria. O Filho que vai conceber sê-lo-á pela força do Espírito Santo, será Filho do Altíssimo e será chamado – quer dizer, será – Filho de Deus.

No Batismo de Jesus. Quando o Divino Mestre foi batizado no rio Jordão, houve uma teofania que nos revelou a Santíssima Trindade. O Espírito Santo desceu sobre Jesus sob a figura de uma pomba; o Pai proclamou em voz alta que todos puderam ouvir: «Este é o Meu Filho muito amado

Antes da Ascensão. Depois de enviar os Apóstolos e os discípulos a evangelizar o mundo, mandando que lhes ensinasse tudo o que o Mestre lhes tinha ensinado, mandou-os batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

A verdade de fé da Santíssima Trindade é um mistério absoluto que só compreenderemos no Céu. A Irmã Lúcia teve uma visão da Santíssima trindade na capela das Doroteias, em Tuy e disse que não valia a pena explicá-la, porque não compreenderíamos. Vamos compreendê-lo no Céu, com o lume da glória que aumentará ao infinito a nossa capacidade de compreender.

 

2. A Santíssima Trindade, verdade fundamental

 

A contemplação do mistério da Santíssima Trindade enche-nos de alegria, porque nos revela uma grande riqueza.

Um Deus Comunhão de pessoas. O Senhor revela-Se-nos como um Deus que não é um ser isolado, mas uma comunhão de Três Pessoas na Verdade e no Amor. Deus é comunhão e vocaciona-nos para uma comunhão de Amor com Ele e com todos os bem-aventurados para sempre no Céu. A nossa vocação é o Amor (Santa Teresinha).

Nesta comunhão, faz uma partilha connosco. Como se isto não fosse suficiente, Ele chama-nos a participar dessa mesma comunhão, para sempre, na eternidade do Paraíso.

Um mistério a aprofundar. Nesta vida, nunca compreenderemos totalmente este mistério, mas podemos progredir na intimidade com as Três Divinas Pessoas.

A comunhão na Verdade começa nesta vida da terra pela fé que devemos aprofundar cada vez mais. A comunhão no Amor inicia-se para nós na caridade, Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

É esta maravilha de que fala Jesus. «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espirito da verdade,

Ele vos guiará para a verdade plena».

A missão das Três Pessoas. Há apropriações a cada uma das Três Divinas Pessoas, na Sua ação no mundo, ao mesmo tempo que as maravilhas operadas na criação nos revelam a intimidade de Deus.

Ao Pai é atribuída a criação do mundo, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Pensemos na grandeza do universo, nos astros e seu movimento perfeitamente ordenado; na variedade de plantas e animais; na maravilha que é o corpo humano... Pela criação, Deus manifesta a Sua Omnipotência, Sabedoria infinita e Amor.

Ao Filho é atribuída a Redenção. Sem deixar a Sua condição de divina, o Verbo, a Segunda Pessoa, uniu-Se à nossa natureza humana para ser um de nós, pagar a nossa dívida e nos ensinar a viver como bons filhos de Deus.

Ao Espírito Santo, a Santificação das pessoas na Igreja. Pertence-lhe cultivar a perfeição dos santos que tanto admiramos. Ele move-nos continuamente a amar cada vez mais a Deus, fazendo a Sua Santíssima Vontade.

Sacrários da Santíssima Trindade. No Última Ceia, Jesus prometeu aos Apóstolos que faria de nós templos vivos da Santíssima Trindade. «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a Ele e faremos nele a nossa morada.» (S. João 14, 16).

Não se trata apenas de uma visita eventual, ou de se aproximar de nós quando Lhe falamos, mas de uma presença contínua e admirável em nós.

A Igreja reconhece esta verdade, pregando o respeito pelo corpo humano e presta-lhe homenagem antes de o entregar à terra.

Devemos exteriorizar esta maravilha no nosso arranjo pessoal, cuidando do corpo, respeitando-o e fazendo-o respeitar.

Em qualquer momento do dia e da noite e em qualquer lugar, podemos recolher-nos uns momentos, para adorar em nós a Trindade Santíssima e pedir-Lhe ajuda.

Digamos com especial recolhimento o Glória ao Pai, benzamo-nos com devoção e rezemos a Oração que o Anjo de Portugal ensinou aos Pastorinhos.

Maria tem uma relação especial com a Santíssima Trindade. É filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, e Esposa, do Espírito Santo, Templo e Sacrário da divindade.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Trindade não é um enigma teológico, mas o maravilhoso mistério da proximidade de Deus.

Ele é o Pai que nos ofereceu o seu Filho, o qual se fez homem como nós,

e que para estar ainda mais próximo de nós, para nos ajudar a carregar os pesos da vida,

envia-nos o seu próprio Espírito.»

«Que é o homem, para vos lembrardes dele?», rezamos no Salmo (8, 5). Vieram-me à mente estas palavras, pensando em vós. Face àquilo que vistes e sofrestes, diante das casas desabadas e de edifícios reduzidos a destroços, surge esta pergunta: que é o homem? Que é, se aquilo que ele constrói pode desabar num instante? Que é, se a sua esperança pode acabar em pó? Que é o homem? A resposta parece chegar da continuação da frase: que é o homem, para vos lembrardes dele? Deus recorda-se de nós, tal como somos, com as nossas fragilidades. Na incerteza que sentimos fora e dentro, o Senhor concede-nos uma certeza: Ele recorda-se de nós. Recorda-se, ou seja, volta para nós com o coração, porque lhe estamos a peito. E enquanto aqui demasiadas situações são depressa esquecidas, Deus não nos deixa no esquecimento. Ninguém é desprezível aos seus olhos, para Ele cada pessoa tem um valor infinito: somos pequeninos debaixo do céu e impotentes quando a terra treme, mas para Deus somos mais preciosos do que qualquer coisa.

Recordação é uma palavra-chave para a vida. Peçamos a graça de re-cordar todos os dias que não somos esquecidos por Deus, que somos seus filhos amados, únicos e insubstituíveis: recordar isto dá-nos a força para não nos rendermos perante as contrariedades da vida. Recordemos quanto valemos, diante da tentação de nos entristecermos e de continuarmos a desenterrar o pior, parece nunca acabar. As recordações negativas veem, até quando não pensamos nelas; mas não compensam: só deixam melancolia e nostalgia. Mas como é difícil libertar-se das más recordações! É válido aquele ditado, segundo o qual para Deus foi mais fácil tirar Israel do Egito do que o Egito do coração de Israel.

Para libertar o coração do passado que volta, das recordações negativas que nos mantêm prisioneiros, dos remorsos que paralisam, precisamos de alguém que nos ajude a carregar os pesos que temos dentro de nós. Hoje Jesus diz precisamente que de muitas coisas não somos “capazes de carregar o peso” (cf. Jo 16, 12). E o que faz diante da nossa debilidade? Não nos tira os pesos, como gostaríamos nós, que estamos sempre à procura de soluções rápidas e superficiais; não, o Senhor concede-nos o Espírito Santo! Precisamos dele, porque é o Consolador, ou seja, Aquele que não nos deixa sozinhos sob os fardos da vida. É Ele que transforma a nossa memória escrava em memória livre, as feridas do passado em recordações de salvação. Realiza em nós aquilo que fez por Jesus: as suas chagas, aquelas feridas horríveis causadas pelo mal, mediante o poder do Espírito Santo tornaram-se canais de misericórdia, chagas luminosas nas quais resplandece o amor de Deus, um amor que levanta, que faz ressurgir. É isto que faz o Espírito Santo, quando o convidamos a entrar nas nossas feridas. Ele unge as más recordações com o bálsamo da esperança, porque o Espírito Santo é o reconstrutor da esperança!

Esperança. De que esperança se trata? Não é uma esperança passageira. As esperanças terrenas são fugazes, têm sempre a data de vencimento: são feitas de ingredientes terrenos, que mais cedo ou mais tarde se estragam. A do Espírito é uma esperança de longa duração. Não expira, porque se baseia na fidelidade de Deus. A esperança do Espírito não é nem sequer otimismo. Nasce mais em profundidade, reacende no fundo do coração a certeza de sermos preciosos, porque amados. Infunde a confiança de não estarmos sozinhos. Trata-se de uma esperança que deixa dentro paz e alegria, independentemente daquilo que acontece fora. É uma esperança que tem raízes fortes, que nenhuma tempestade da vida pode erradicar. É uma esperança, diz hoje São Paulo, que «não desilude» (Rm 5, 5) — a esperança não desilude! — que infunde a força para superarmos todas as tribulações (cf. vv. 2-3). Quando estamos atribulados ou feridos — e vós bem sabeis o que significa estar atribulado, ferido — somos levados a “construir o ninho” em volta das nossas tristezas e dos nossos temores. O Espírito, ao contrário, liberta-nos dos nossos ninhos, faz-nos levantar voo, abre-nos o destino maravilhoso para o qual nós nascemos. O Espírito alimenta-nos com esperança viva. Convidemo-lo. Peçamos-lhe que venha ao nosso encontro e Ele aproximar-se-á. Vinde, Espírito Consolador! Vinde conceder-nos um pouco de luz, dar-nos o sentido desta tragédia, oferecer-nos a esperança que não desilude. Vinde, Espírito Santo!

Proximidade é a terceira e última palavra que gostaria de partilhar convosco. Hoje celebramos a Santíssima Trindade. A Trindade não é um enigma teológico, mas o maravilhoso mistério da proximidade de Deus. A Trindade diz-nos que não temos um Deus solidário lá no Céu, distante e indiferente; não, Ele é o Pai que nos ofereceu o seu Filho, o qual se fez homem como nós, e que para estar ainda mais próximo de nós, para nos ajudar a carregar os pesos da vida, envia-nos o seu próprio Espírito. Ele, que é Espírito, vem ao nosso espírito e assim consola-nos a partir de dentro, leva-nos ao íntimo da ternura de Deus. Com Deus, os pesos da vida não permanecem sobre os nossos ombros: o Espírito, que mencionamos cada vez que fazemos o sinal da Cruz, exatamente quando tocamos os ombros, vem fortalecer-nos, encorajar-nos, sustentar os pesos. Com efeito, Ele é especialista em ressuscitar, em levantar, em reconstruir. É preciso mais força para reparar que para construir, para recomeçar que para iniciar, para reconciliar que para se dar bem. Esta é a força que Deus nos concede. Por isso, quem se aproxima de Deus não se abate, vai em frente: recomeça, tenta de novo, reconstrói. Também sofre, mas consegue recomeçar, tentar de novo, reconstruir. […]

Que é o homem, para vos lembrardes dele? Deus, que se recorda de nós, Deus que cura as nossas recordações feridas, ungindo-as de esperança, Deus que está próximo de nós para nos consolar a partir de dentro, que este Deus nos ajude a ser construtores de bem, consoladores de corações. Cada um pode realizar um pouco de bem, sem esperar que os outros comecem. «Eu começo, eu começo, eu começo»: cada um deve dizê-lo. Cada um pode consolar alguém, sem esperar que os seus problemas sejam resolvidos. Também carregando a minha cruz, eu procuro aproximar-me para consolar os outros. Que é o homem? É o vosso grande sonho, Senhor, do qual vos recordais sempre. O homem é o vosso grande sonho, Senhor, do qual vos recordais sempre. Não é fácil entendê-lo nestas circunstâncias, Senhor! Os homens esquecem-se de nós, não se recordam desta tragédia. Mas Vós, Senhor, não vos esqueceis. O homem é o vosso grande sonho, Senhor, do qual vos recordais sempre! Senhor, fazei com que também nós nos recordemos que estamos no mundo para oferecer esperança e proximidade, porque somos vossos filhos, «Deus de toda a consolação» (2 Cor 1, 3)!

  Papa Francisco, Homilia, Praça Cavour, Camerino, 16 de junho de 2019

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Imploremos a bondade de Deus Pai todo-poderoso,

por intercessão de seu Filho Unigénito, nosso Salvador,

e na força do Espírito Santo, Dom do Pai.

Oremos (cantando), cheios de confiança:

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

1. Pela santa Igreja de Deus verdadeiro, presente em toda a terra,

     para que nos revele este mistério inefável e nos ajude a vivê-lo,

     oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

2.  Pelos homens tristes e humilhados ou sofrem doença e solidão,

      para que encontrem quem sempre os ajude, defenda e conforte,

   oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

3. Pelos que adoram o Deus único, como nós, Judeus e Maometanos,

     para que o Espírito os leve à verdade plena da Santíssima Trindade,

     oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

4. Pelos que, iluminados por Deus, vêm no homem um ser quase divino,

     para que defendam e o promovam na dignidade, e o ajudem a realizar-se,

     oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

 

5. Pelas famílias da nossa comunidade (paroquial), parcela da Igreja,

para que a Palavra e o Pão da Vida as façam crescer na unidade,

oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

6. Pelos que o Senhor chamou à Sua presença e são ainda purificados,

     para que obtenham da bondade do Senhor o perdão e a luz do Céu,

     oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

 

     Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

Pai santíssimo, que criastes o universo

e por Jesus Cristo, vosso Filho e Deus convosco,

nos enviastes o Espírito da verdade,

ouvi as orações do vosso povo

 e alegrai-nos com a vossa salvação.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Santo Sacrifício da Missa é ação da Santíssima Trindade e de todo o Corpo Místico a que temos a alegria e a honra de pertencer.

O Pai fala-nos por Seu Filho e dá-nos as ofertas que levamos ao altar; o Espírito Santo dá ao sacerdote o poder de agir em nome de Jesus.

 

Cântico do ofertório: Deus de Eterna Glória – da Missa alemã, F. Schubert, NRMS, 107

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor ...

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Se procurarmos glorificar a Santíssima trindade pela nossa vida fiel, seremos verdadeiros construtores da paz, vivendo o mandamento novo do Amor.

Sejamos na vida de cada dia construtores da paz e do amor entre todas as pessoas de boa vontade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Anjo da Guarda de Portugal, Anjo da Paz, como ele se identificou, ensinou aos Pastorinhos de Fátima, na Loca do Cabeço, no outono de 1916, uma oração que podemos rezar depois da Sagrada Comunhão.

Rezemo-la depois da sagrada comunhão: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente.

 

Cântico da Comunhão: Glória ao Pai que nos criou – C. Sila, OC, pg128

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Nós vos louvamos, ó Deus – M. Faria NRMS, 4

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Recordemos muitas vezes ao dia que, desde o nosso Batismo, somos templos da Santíssima Trindade. O Pai e o Filho e o Espírito Santo fizeram de nós a Sua morada.

 

Cântico final: Com a bênção do Pai, – J. Santos, NRMS, 38

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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