aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

A IGREJA CINCO CONTINENTES

 

 

EUROPA

 

 

Moldávia:

Imagem de Nossa Senhora de Fátima

oferecida à Diocese de Chisinau

 

O bispo de Chisinau, cidade capital da Moldávia, recebeu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que foi levada do santuário mariano português, por um comboio de ajuda humanitário organizado por bombeiros e imigrantes romenos.

Uma nota enviada à Agência Ecclesia informa que D. Anton Cosa recebeu a imagem de Nossa Senhora de Fátima depois de ter presidido ao ato de consagração da humanidade, em particular da Rússia e da Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria, na catedral de Chisinau.

“É significativo que a chegada e entrega da imagem da Mãe de Deus tenha ocorrido poucos minutos após o término do ato de consagração e da invocação da paz”, lê-se.

A imagem de Nossa Senhora de Fátima fez a viagem de Portugal até à Moldávia num comboio humanitário, com vários meios de transporte, organizado por bombeiros e com imigrantes romenos.

A ajuda humanitária foi entregue ao governo da Moldávia para o acolhimento dos refugiados que fogem da guerra na Ucrânia e a imagem foi oferecida à diocese moldava, entregue ao padre Cesare Lodeserto, vigário episcopal de Chisinau.

O bispo D. Anton Cosa colocou temporariamente a imagem de Nossa Senhora de Fátima na capela da casa episcopal, enquanto não fica à devoção de todos os fiéis, informa a Diocese de Chisinau.

 

Rússia:

Patriarca Cirilo cada vez mais contestado

 

Quando foi eleito “Patriarca de Moscovo e de Todas as Rússias”, no princípio de 2009, Cirilo era tido por reformador, enquanto o seu contendor mais direto, o metropolita Clemente, era considerado o continuador da velha tradição de uma Igreja Ortodoxa subserviente relativamente ao Estado.

De facto, enquanto hierarca responsável pela comunicação e relações externas do Patriarcado, junto do seu antecessor, Alexis II, era figura mediática, bem-falante, conhecedor do mundo ocidental. Nos primeiros anos no cargo, procurou modernizar a Igreja Ortodoxa, trazendo-a para o centro da própria vida política. Mas esse percurso foi-se alterando e, como observava, em 2017, o jornal The Moscow Times, ele tinha passado “de reformador ambicioso a linha-dura do Estado”.

A guerra desencadeada por Putin na Ucrânia veio pôr em evidência um líder religioso não apenas apoiante e legitimador da invasão, mas a justificá-la como uma guerra contra o Ocidente, “contra as forças do mal”, “um combate que não tem um significado físico, mas metafísico”, como referiu em homilias e discursos já depois de iniciada a invasão.

À medida que se revelava a dimensão e crueldade da catástrofe provocada pelos ataques indiscriminados contra alvos civis, em verdadeira política de terra queimada, o clamor que se levantou em muitos setores da opinião pública internacional acabou por interpelar vigorosamente as diversas religiões, a começar pelas igrejas ortodoxas, maioritárias no país invadido.

O Patriarcado de Moscovo está cada vez mais isolado. O próprio Papa Francisco, que se tem multiplicado em gestos e iniciativas pautadas pela urgência de parar a guerra e enveredar pela via negocial, falou à distância com Cirilo, num diálogo classificado como “difícil e doloroso”.

No interior da Ucrânia, a ortodoxia está dividida há muitos anos. A Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kiev, reconhecida pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla a partir de 2019, desde o início que condenou de forma veemente a invasão russa. A Igreja Ortodoxa ligada a Cirilo, depois de um primeiro momento de hesitação, seguiu a mesma via.

Também noutros países têm sido numerosas as tomadas de posição das igrejas, contra a guerra e de pressão para que Cirilo deixe de dar cobertura ao desastre humanitário que se tem vindo a abater sobre o povo ucraniano.

Conferências episcopais de vários países (casos da Alemanha e da França, por exemplo), bem como a estrutura representativa das conferências episcopais da Europa dirigiram, mensagens ao Patriarca de Moscovo, tendo, até agora, deparado com o silêncio ou com respostas evasivas.

O próprio Papa Francisco, que se tem multiplicado em gestos e iniciativas pautadas pela urgência de parar a guerra e enveredar pela via negocial, falou à distância com Cirilo, num diálogo classificado como “difícil e doloroso”. Os dois líderes que, nos últimos anos, vinham fazendo um percurso de aproximação e de diálogo, parecem encontrar-se em posições de afastamento, ainda que o porta-voz de Cirilo tenha dito, nos últimos dias, que o encontro entre os dois poderia acontecer ainda este ano.

Neste momento, o Patriarca de Moscovo e a Igreja Ortodoxa Russa parecem estar cada vez mais isolados, a ponto de largos setores da ortodoxia terem deixado de evocar o nome de Cirilo nas orações litúrgicas e, em alguns casos, começarem mesmo a colocar sobre a mesa o tema da sua destituição.

“As bombas, as inúmeras mortes, a destruição e o rio de refugiados destruíram, na Ucrânia, todo o respeito pelo Patriarca de Moscovo, que se fundiu com a posição de Putin”, escreve Lorenzo Prezzi no jornal Settimana News, de Itália, reproduzido pelo IHU-Unisinos.

Um tal passo, que é considerado por ora improvável, só poderia acontecer mediante diligências conduzidas pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu. O teólogo ortodoxo francês Jean-François Colosimo, citado na peça do Settimana News, não hesita em pedir a destituição do Patriarca: “Está no direito do trono de Constantinopla, a quem compete o exercício da primazia (…) de reunir os responsáveis das Igrejas locais, fortemente prejudicadas por Cirilo, para depô-lo, num ato colegial. Ou seja, destituí-lo, praticando uma excomunhão que ele mesmo provocou.”

“É inútil procurar, como fazem alguns comentadores, os czares da Rússia; houve uma verdadeira cisão totalitária, que se chamou União Soviética. Estamos diante de uma tentativa de reconstrução imperial do tipo comunista”, escreve o mesmo Colosimo, num texto publicado no Réforme, sintomaticamente intitulado “Putin e Cirilo são fantasmas do estalinismo”(*).

Entretanto, as posições do Patriarca de Moscovo estão a provocar ondas de choque também entre membros do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), os quais consideram que elas atentam contra a organização e deveriam, por isso, conduzir à expulsão de Cirilo e da Igreja Ortodoxa Russa daquele Conselho.

O secretário-geral do CMI, Ioan Sauca, ele próprio ortodoxo, romeno, foi um dos líderes religiosos que, a par do Papa e do Patriarca Bartolomeu, apelaram a Cirilo para persuadir Putin a parar a guerra. A resistência, num ponto tão crítico como é a luta pela paz, é considerada como atentado à missão do Conselho Mundial das Igrejas, de “promover a unidade, a paz e a justiça cristãs”.

 

Eslovénia:

Papa abordou crise da Ucrânia em conversa com presidente

 

O Papa recebeu no Vaticano o presidente da Eslovénia, Borut Pahor, com que abordou a crise na Ucrânia e o alargamento da União Europeia nos Balcãs, informa a Santa Sé, em comunicado.

A nota de imprensa destaca que a conversa passou por “várias questões internacionais e regionais”, incluindo “a cooperação regional, o alargamento da União Europeia aos países dos Balcãs ocidentais e a situação na Ucrânia”.

A audiência privada assinalou o 30.º aniversário do reconhecimento da independência da Eslovénia, por parte da Santa Sé, e do estabelecimento de relações diplomáticas.

Os responsáveis manifestaram “apreço pelas positivas relações bilaterais e pelo diálogo contínuo entre a Igreja e as autoridades civis eslovenas”.

Borut Pahor encontrou-se ainda com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, acompanhado por D. Richard Paul Gallagher, secretário para as Relações com os Estados.

A 26 de janeiro, o Papa promoveu um dia de oração pela paz na Ucrânia, defendendo o diálogo para evitar um cenário de guerra.

“Que as orações e súplicas, que hoje se elevam ao Céu, toquem as mentes e os corações dos responsáveis na terra, para que façam prevalecer o diálogo, e o bem de todos seja colocado acima dos interesses particulares. Por favor, nunca a guerra”, disse, no Vaticano.

 

Suiça:

Primeira Missa na catedral de Genebra depois de cinco séculos

 

No coração de uma Europa agitada pela guerra na Ucrânia, acendeu uma chama de paz entre os cristãos.

A catedral de Genebra, que com a reforma calvinista tinha excluído o culto católico há quase cinco séculos, acolheu pela primeira vez de novo a Santa Missa.

No sábado 5 de março às 6 da tarde, no coração de uma Europa agitada pela guerra na Ucrânia, acendeu-se uma chama de amor entre os cristãos.

 Não é um acontecimento de pouca importância, nem um episódio banal e passageiro. A catedral de genebra que, com a reforma calvinista tinha excluído do seu interior o culto católico há cinco séculos, acolheu pela primeira vez de novo a santa Missa.

Fica longe a retórica de que se fazia eco uma das inscrições ainda hoje gravadas nas paredes do templo: “No ano de 1535, derrubada a tirania, e abolida a superstição, a Santa Religião de Cristo foi restabelecida na sua pureza…”

Na verdade, a última Missa celebrada na catedral, no verão daquele ano, tinha acabado com distúrbios, expulsão dos clérigos, e destruição e pilhagem das imagens e objetos de culto, símbolo da “idolatria”.

Um cenário nas antípodas da cordialidade com a qual calvinistas e católicos se encontrariam, sob estas mesmas abóbadas, depois de séculos.

 

Holanda:

Os holandeses organizam-se

para continuar a oferecer ao Vaticano flores na Páscoa

 

Em cada ano, pela Páscoa, milhares de flores coloridas chegam ao Vaticano enviadas da Holanda. A tradição nasceu em 1985, e, a partir de então, repetem este gesto em cada ano. Os papas costumam recordá-lo na bênção Urbi et Orbi.

O P. Antoine Bodar, Rector da Igreja holandesa de Roma, diz: “O Papa sempre, em cada ano, menciona esta oferta e agradece-a em holandês: “Obrigado pelas flores. É uma tradição nos Países Baixos”.

Assim foi até 2020, quando a pandemia interrompeu a entrega das flores, e se celebrou a Páscoa numa basílica de São Pedro completamente vazia. Os patrocinadores não puderam continuar a enviar a sua oferta. 

O número de peregrinos holandeses em Roma diminuiu drasticamente desde que se desencadeou a pandemia e, com eles, também as ofertas. Significa que poderia haver menos flores junto do Papa Francisco na próxima Semana Santa. O importante, contudo, é que continuarão a ser holandesas. 

 

Itália:

O Vaticano evoca paróquia romana

que salvou 15 meninas do Holocausto nazi

 

O Vaticano associou-se à celebração do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que se assinala anualmente a 27 de janeiro, evocando a história de 15 meninas salvas do regime nazi por uma paróquia romana.

As menores, judias, esconderam-se na igreja de Santa Maria ai Monti, a poucos passos do Coliseu, graças à ajuda de religiosas e do pároco, em 1943, fugindo às rondas dos invasores alemães, durante a II Guerra Mundial.

“Um longo período de terror que transformou Roma numa floresta, onde os predadores alemães arrancaram das suas casas vítimas inocentes”, relata o portal ‘Vatican News’.

O texto refere que as meninas ocupavam o tempo com desenhos, retratando os seus pais, brinquedos, registando nomes e símbolos religiosos judaicos.

“Aida Sermoneta. Moro na sombra destes arcos” é um dos registos destacados na reportagem.

A criança mais jovem do grupo tinha quatro anos de idade e todas as meninas estiveram escondias num espaço de seis metros de comprimento por dois metros de largura, no ponto mais alto desta igreja do século XVI, durante horas e mesmo dias seguidos.

Após escaparem da “morte certa” nos campos de concentração, foram confiadas à congregação das Filhas da Caridade, no então convento das neófitas, misturando-se com as estudantes e noviças.

“Ao primeiro sinal de perigo, eram levadas à paróquia por uma porta interna de comunicação”, acrescenta o ‘Vatican News’.

O padre Francesco Pesce, atual pároco de Santa Maria ai Mont, faz questão de recordar esta história às crianças da catequese.

“Esta porta é simbólica, é uma passagem do desespero para a esperança, do mal para o bem”, refere.

Após algum tempo, as meninas acolhidas pela paróquia tiveram de fugir para outros locais, mas “todas elas foram salvas”, tendo continuado a visitar a igreja, ao longo dos anos

 

CICE:

Padre Luís Marinho foi nomeado assistente mundial

da Conferência Internacional Católica do Escutismo

 

O padre Luís Marinho foi nomeado assistente mundial da Conferência Internacional Católica do Escutismo (CICE) para os próximos quatro anos.

De acordo com um comunicado enviado à Agência Ecclesia pelo Corpo Nacional de Escutas (CNE), o padre Luís Marinho, recebeu a nomeação com grande alegria por “ser chamado a servir o escutismo a nível internacional, dando o contributo específico de presbítero da Igreja Católica”.

“É uma missão pastoral que a Igreja me confia. E sublinha especialmente a confiança da Igreja Católica no movimento e pedagogia escutista”, sublinhou.

Em declarações citadas pelo CNE, o padre Luís Marinho lembrou que “católico significa literalmente universal” e é um “desafio pessoal poder experimentar esta catolicidade no contacto direto com os escuteiros de todo o mundo, nas suas diferentes tradições culturais e estruturas organizativas dentro do escutismo e dentro da Igreja”.

O sacerdote português, que vai continuar a ser o assistente nacional do CNE, expressou também “imensa gratidão” ao padre Jacques Gagey, assistente mundial da CICE durante os últimos oito anos, salientando que “soube imprimir um novo dinamismo e ardor na vida da própria CICE e no contacto com tantas organizações escutistas nacionais e respetivas Igrejas locais.”

A nomeação do assistente mundial da Conferência Internacional Católica do Escutismo é da competência do Comité Mundial da CICE e foi confirmada pelo Dicastério para os Leigos, Família e Vida da Santa Sé.

A CICE, da qual o Corpo Nacional de Escutas é membro, é “um espaço de encontro, reflexão, partilha e comunhão dos Escuteiros Católicos de todo o mundo, tendo um estatuto consultivo junto da Organização Mundial do Movimento Escutista”, indica o comunicado.

“Enquanto membro do Comité Mundial da CICE, o Assistente Mundial apoia o Comité Mundial na prossecução dos seus objetivos, ao mesmo tempo que representa as instituições da Igreja”. A CICE encontra-se dividida em quatro regiões (Europa-Mediterrâneo, Inter-Americana, Ásia e África), contando com de 60 associações membro.

 

Hungria:

Jovem mãe provida e pro-família

foi eleita primeira presidente da Hungria

 

Katalin Novak, uma jovem mãe de família e defensora da vida, foi eleita em 10 de março pelo Parlamento como a primeira presidente da Hungria para os próximos cinco anos.

Segundo informa a agência Efe, Novak, casada e mãe de três filhos, recebeu 137 votos de 188 emitidos, ao passo que o concorrente, o economista Pétér Róna, teve 51 votos.

Novak, de 44 anos e que assistiu ao Parlamento acompanhada pela sua família, assumirá o cargo de presidente da Hungría no próximo 10 de maio.

“Não permitiremos que ninguém jogue a roleta russa com a nossa querida soberania, lograda. Estou a preparar ações”, disse Novak no Parlamento antes da eleição.

“Estou disponível para assumir cada um e todos os deveres que que este cargo exige. Também quero defender a paz como presidente”, acrescentou.

 “O meu trabalho será elevar os meus irmãos húngaros ao nível onde a evidente coesão entre húngaros existir. Alí, a essa altura, haverá paz e segurança”, sublinhou a presidenta eleita.

“Estarei com aqueles a quem pertenço: os húngaros”.

“Que haja paz, liberdade e entendimento!”, concluiu.

 

Rússia:

Kirill seguirá Putin em sua queda

 

Salienta-se que Putin e Kirill são da mesma geração. Para além da sua idade, o que têm estes dois homens em comum?

Na Rússia, depois de 1989, apenas duas instituições surgiram dos escombros do comunismo: a KGB e a Igreja, que têm laços antigos. Kirill entrou imediatamente na corrida para se tornar patriarca, um objetivo que alcançou em 2009. Embora tivesse uma reputação inicial como progressista e ecumenista, assumiu o preconceito anti-ocidental típico do novo regime autoritário e apoiou a política externa de Putin. Tornou-se, de certa forma, o seu ministro para assuntos religiosos.

Da mesma forma que Putin lidera uma federação multi-étnica, multi-fé e multilingue, Kirill, em nome da Ortodoxia, preside o Conselho Religioso da Rússia, que reúne o Rabino Chefe para o Judaísmo, o Grande Mufti para o Islã e o Grande Lama para o Budismo. No exterior, o pontífice e o déspota professam a mesma ideologia da unidade do “mundo russo”, em outras palavras, de uma Rússia que inclui todas as populações de língua russa. Este imperialismo pan-russo foi tornado possível pelo fato de não ter havido um Nuremberg do comunismo. Putin e Kirill são dois sobreviventes do homo sovietus. Concordam sobre o esquecimento dos gulags, a recusa da ordem internacional e a negação dos direitos humanos.

Kirill e Putin são impulsionados pelo mesmo projeto de restauração. O patriarca procura afirmar a grandeza da Igreja russa, tal como o presidente pretende reafirmar a grandeza do Estado russo. Internamente, a Igreja está a assumir o papel outrora desempenhado pelo Partido Comunista. É agora responsável pelo patriotismo, moralidade, normas sociais e pelo recrutamento de elites.

Neste contexto, Kirill pretende imitar a interpretação que ele tem de um catolicismo do século XIX que nunca existiu, uma Igreja fortaleza que teria governado a sociedade. Ele quer fazer esta Igreja travar as grandes batalhas contra a Modernidade com uma dimensão inquisitorial que não é tradicionalmente ortodoxa. No exterior, Kirill promove o apoio diplomático a Putin. O Patriarcado de Moscou é a única instituição russa que ainda cobre a totalidade da ex-URSS. Apoia as manobras geopolíticas do atual regime. As representações do Patriarcado de Moscou na Bielorrússia, na Ucrânia, mas também nos Estados Bálticos, no Cazaquistão e nas Repúblicas da Ásia Central são, de fato, segundas embaixadas. Com as suas extensões nos antigos países satélites e nas antigas repúblicas irmãs, mas também na Europa e nas Américas, o Patriarcado de Moscou constitui cerca de 50% do mundo ortodoxo e se beneficia dos importantes recursos diplomáticos e financeiros que o Estado russo lhe reserva. Os dois homens andam juntos na política interna e externa.

 

Ucrânia:

De Kiev, o arcebispo-Mor Shevchuk:

o amor gera heróis e o ódio gera criminosos 

 

"Encorajo-vos a todos a aprenderem a amar neste momento trágico. Não nos deixemos dominar pelo ódio, não usemos sua linguagem e suas palavras. Segundo a sabedoria popular, quem odeia o inimigo já está derrotado por ele (...). Peço-vos também que rezeis não só pela paz na Ucrânia, mas também pelos nossos inimigos, pela sua conversão, pela conversão da Rússia. Como a Virgem de Fátima nos pediu", foi a exortação do líder da Igreja Greco-Católica, arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk. Louvado seja Jesus Cristo!

Caros irmãos e irmãs, Saudações da capital Kiev, Kiev ucraniana. Hoje tenho uma boa notícia para vós: hoje é 1º de março de 2022. Isso significa que, de acordo com o calendário, começou a primavera. E mesmo que hoje a neve branca tenha polvilhado nossa capital, a primavera inexoravelmente chega em solo ucraniano. Precisamente como um floco de neve que abre caminho pela neve para mostrar sua flor, assim também o dia de luz e paz para nossa terra irrompe implacavelmente, constante e vigorosamente através dos horrores da guerra.

Hoje estamos a viver o sexto dia da guerra sangrenta e injusta. Nestes últimos momentos, especialmente nesta noite, assistíamos aos novos horrores da guerra. Vimos escolas, creches, cinemas, museus destruídos, e pela manhã um foguete atingiu o hospital de maternidade.

Perguntamos a nós mesmos: mas por quê? Trata-se de mulheres e bebês. Por que eles se tornaram vítimas desta guerra? Mas nós rezamos. Nós resistimos. Somos uma nação que constrói, defende a paz na Ucrânia e em todo o mundo à custa do seu próprio sangue. Rezamos por nossos soldados, rezamos por todos aqueles que hoje apoiam a luta pela paz na Ucrânia.

Nestes dias temos visto o heroísmo das pessoas comuns. Choramos as vítimas dos ataques com mísseis em Kharkiv, mas ontem também vimos os habitantes de Berdyansk expulsarem as forças armadas de sua cidade com as próprias mãos com o slogan "Berdyansk é Ucrânia". E a bandeira ucraniana permaneceu hasteada sobre a prefeitura.

Cumprem-se verdadeiramente as palavras de Cristo: ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Vemos que não é o ódio que vence, mas o amor. O amor gera heróis e o ódio gera criminosos.

É por isso que encorajo todos vocês a aprenderem a amar neste momento trágico. Não nos deixemos dominar pelo ódio, não usemos sua linguagem e suas palavras. Segundo a sabedoria popular, quem odeia o inimigo já está derrotado por ele.

Venceremos com a força do amor pelo nosso país, a Deus e ao próximo.

Amanhã, a pedido do Santo Padre, o mundo inteiro jejuará e rezará pela paz na Ucrânia. Convido todos os filhos de nossa Igreja na Ucrânia e fora dela a se prepararem para o dia de amanhã e passá-lo em jejum e oração. Peço-vos também que rezeis não só pela paz na Ucrânia, mas também pelos nossos inimigos, pela sua conversão, pela conversão da Rússia. Como a Virgem de Fátima nos pediu.

Eu vos envio a bênção de Deus, que é a transmissão do poder da graça do Espírito Santo, da paz de Cristo a todos vós.

 

Rússia e Ucrânia:

É preciso que se encontre «o caminho para parar as armas e parar a destruição» – Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) destacou em 25 de março que os ucranianos estão a “dar um testemunho de dignidade, de luta pela liberdade”, que precisa de apoio, e de uma “atitude musculada” de paz para “deter a mão dos agressores”.

“Atitude musculada significa, antes de mais, dizer não, significa também encontrar meios não-militares e ir ao encontro das vítimas deste conflito, para encontrar caminhos onde possa haver uma paz sustentável para o futuro. E de dizer que comportamentos destes não são aceitáveis e tirar consequência dai”, disse D. José Ornelas, em declarações à Agência Ecclesia, no Santuário de Fátima.

O presidente da CEP afirmou que para “deter a mão dos agressores” é preciso “uma atitude musculada de toda a comunidade”, e explicou que “não é simplesmente Portugal, é na Europa toda, e o mundo” que se mobilizam para dizer que “comportamentos destes não são aceitáveis”.

“Particularmente não são aceitáveis numa grande potência como é a Rússia e que isso põe em causa os pressupostos de uma convivência e de um futuro harmónico para todo o planeta”, acrescentou.

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia, começando uma guerra que já fez inúmeras vítimas civis, milhões de refugiados e deslocados internos.

D. José Ornelas salienta que “há sinais muito interessantes, de generosidade, de acolhimento”, sinais de recusa deste caminho como “caminho para a humanidade”.

“Os ucranianos estão a dar um testemunho de dignidade, de luta pela liberdade que precisa de ser apoiado, isso não tenho a mínima dúvida”, realçou.

Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, neste momento, é preciso que se encontre “o caminho para parar as armas e parar a destruição”, para que se possa pensar que ajuda e que integração pode ter este povo, que, nestes dias, tem merecido aquilo por que luta, sito é “a sua liberdade e dignidade e o direito a viver com dignidade no seu próprio país”.

O Papa consagrou hoje a Rússia e Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, em ligação ao Santuário de Fátima, durante uma celebração penitencial que presidiu no Vaticano.

Este mesmo ato foi realizado na Cova da Iria, pelo cardeal Konrad Krajewski, esmoler pontifício, como enviado de Francisco, com a recitação do Rosário na Capelinha das Aparições, incluindo mistérios em russo e ucraniano.

D. José Ornelas, bispo da Diocese de Leiria-Fátima, recorda que “infelizmente” a realidade atual “corresponde também à origem do surgir de Fátima”, ligado a toda a situação “calamitosa” que se vivia em 1917, “concretamente durante a Primeira Guerra Mundial, com uma pandemia”.

Segundo o responsável, estes acontecimentos no leste da Europa põem “muitas dificuldades novas” ao diálogo inter-religioso com o mundo ortodoxo, que “já não era brilhante”.

“Infelizmente misturar Deus em coisas destas para justificar intervenções militares, desumanas, é completamente fora da razão do Evangelho”, disse o bispo, lembrando que a “urgência do Evangelho é sempre a mesma desse as suas origens”.

“Ou temos uma opção pela paz, pela humanidade, pela misericórdia, pelo encontro, ou então o resultado vai ser sempre o conflito e a guerra que destrói: Destrói a relação entre as pessoas, destrói o ambiente de vida em que neste planeta, o planeta e as nossas condições de vida em absoluto”, desenvolveu D. José Ornelas.

 

Malta:

Papa alerta para religiosidade de aparências

e pede acolhimento aos mais pobres

 

O Papa visitou o santuário maltês de Ta’ Pinu, na ilha de Gozo, onde alertou para uma religiosidade de aparências, pedindo acolhimento para os mais pobres e quem atravessa o Mediterrâneo.

“O culto a Deus passa pela proximidade ao irmão”, destacou Francisco, perante milhares de pessoas, num dos países com maior percentagem de católicos, na Europa.

A intervenção apelou a uma Igreja aberta, atenta aos “muitos irmãos e irmãs que sofrem e são crucificados pelo sofrimento, a miséria, a pobreza e a violência”, e capaz de “desenvolver a arte do acolhimento”.

“Encontrais-vos numa posição geográfica crucial, que abre para o Mediterrâneo como polo de atração e cais de salvação para muitas pessoas em balia das tempestades da vida, que, por diferentes motivos, chegam às vossas costas. No rosto destes pobres, é o próprio Cristo que se apresenta a vós”, destacou.

No primeiro dos dois dias de viagem a Malta, Francisco sustentou que os católicos devem “acolher, ser peritos em humanidade, acender fogueiras de ternura quando o frio da vida paira sobre aqueles que sofrem”.

O Papa, que tem vários colaboradores malteses, elogiou uma “ilha pequena mas de coração grande”, que considerou “um tesouro na Igreja e para a Igreja”.

“Quero dizer-vos um obrigado especial: aos numerosos missionários malteses que espalham a alegria do Evangelho por todo o mundo, aos inúmeros sacerdotes, às religiosas e

Falando à multidão que o recebeu na praça do santuário, num clima de festa, Francisco convidou todos a “voltar à essência do Cristianismo”.

“Ao amor de Deus, motor da nossa alegria, que nos faz sair e percorrer as estradas do mundo; e ao acolhimento do próximo, que é o nosso mais simples e belo testemunho no mundo”, precisou.

Francisco, que se desloca com visíveis dificuldades, foi acompanhado pelo cardeal maltês D. Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, o arcebispo de Malta, D. Charles Jude Scicluna, e o bispo de Gozo, D. Anthony Teuma.

O Papa evocou a passagem por esta antiga capela, que se tornou santuário nacional, de São João Paulo II, cujo aniversário de morte se assinala hoje.

O discurso identificou sinais de “crise da fé”, de “apatia da prática religiosa”, sobretudo no pós-pandemia, e de indiferença de muitos jovens.

“Não nos pode bastar uma fé feita de usos e costumes recebidos por tradição, de celebrações solenes, belas iniciativas populares, momentos fortes e emocionantes; precisamos duma fé fundada e renovada no encontro pessoal com Cristo, na escuta diária da sua Palavra, na ativa colaboração na vida da Igreja, na alma da piedade popular”, sublinhou.

Nem sempre a elegante amostra de vestes religiosas corresponde a uma fé viva animada pelo dinamismo da evangelização. É preciso vigiar para que as práticas religiosas não se reduzam à repetição dum repertório do passado, mas expressem uma fé viva, aberta, que difunda a alegria do Evangelho”.

Francisco cumpriu a tradição de recitar três Ave-Maria, neste santuário, como fazem os peregrinos locais, rezando para que a Virgem “reacenda nos seus filhos o fogo da missão e o desejo de cuidar uns dos outros”.

No interior do templo, onde cumprimentou um grupo de pessoas doentes, o Papa ofereceu uma Rosa de Ouro, que colocou junto da imagem de Nossa Senhora – esta é uma oferta exclusiva dos pontífices, com o qual mostram a sua devoção a Maria -, rezando depois em silêncio.

Durante o encontro, Francisco ouviu testemunhos de quatro católicos malteses, entre eles o casal Sandi e Domenico Apap, que abordaram a experiência de viver com esclerose múltipla, diagnosticada à mulher, em cadeira de rodas; os dois estão casados há 29 anos.

As viagens entre as ilhas de Malta e Gozo foram feitas pelo Papa num catamarã, demorando cerca de uma hora.

 

Igreja:

Arcebispos de Kiev, Lviv e Moscovo

destacam importância da consagração da Ucrânia e Rússia a Maria

 

Os arcebispos católicos de Kiev, Lviv e Moscovo, agradeceram ao Papa a decisão de consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março.

“É um ato espiritual há muito esperado pelo povo ucraniano. Os católicos ucranianos desde o início da agressão russa em 2014 pediram este ato como uma necessidade urgente para evitar o agravamento da guerra e os perigos vindos da Rússia”, disse o arcebispo-mor de Kiev, D. Sviatoslav Shevchuk, em declarações ao portal ‘Vatican News’.

O Papa Francisco consagrou a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, no dia 25 de março, durante a Celebração da Penitência a que presidiu pelas 17h00 [menos uma em Lisboa] na Basílica de São Pedro.

A Santa Sé informou que “o mesmo ato, no mesmo dia, seria realizado em Fátima por sua eminência o cardeal Krajewski, esmoler de Sua Santidade, como enviado do Santo Padre”, e a celebração decorreu na Capelinha das Aparições.

D. Sviatoslav Shevchuk, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, afirmou que receberam com “esperança” esta notícia, que lhes foi comunicada pela Santa Sé.

Já o arcebispo de Moscovo lembrou que o “significado simbólico” desta consagração vem, “infelizmente”, do “conflito aberto na Ucrânia”.

“O que se pede, acima de tudo, é que possamos parar o derramamento de sangue, que é sempre sangue inocente, e também que possamos iniciar uma paz duradoura”, acrescentou D. Paolo Pezzi à Agência SIR, da Igreja Católica na Itália.

Este responsável adiantou ainda que os bispos russos acolheram “com grande alegria e gratidão a decisão do Papa”, e destacou a presença do cardeal Konrad Krajewski na Cova da Iria.

“Estamos gratos ao Santo Padre por ter, antes de tudo, acolhido o pedido de Nossa Senhora manifestado durante a aparição de 13 de julho de 1917 em Fátima, e de seus filhos, para proteger a Ucrânia e deter ‘os erros da Rússia que promove guerras e perseguições da Igreja’”, desenvolveu o arcebispo-mor de Kiev, D. Sviatoslav Shevchuk.

D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo, salientou que Fátima tem um “vínculo particular, pelo menos no que diz respeito à Igreja Católica, com a Rússia”, e com todos os conflitos no mundo.

“Neste período difícil da guerra na Ucrânia”, os bispos da Conferência Episcopal Latina na Ucrânia já tinham pedido ao Papa que “a Rússia fosse confiada a Nossa Senhora de Fátima”, recordou o arcebispo latino de Lviv, numa reação ao anúncio da Santa Sé.

Segundo D. Mieczysław Mokrzycki, esse pedido foi reafirmado ao cardeal Konrad Krajewski, enviado especial de Francisco à Ucrânia, na visita que efetuou junto da população ucraniana, na última semana.

“Estamos muito felizes e agradecidos que a resposta do Papa Francisco tenha chegado imediatamente”, acrescentou, adiantando que tomaram “imediatamente” a decisão de começar uma novena, esta quinta-feira.

“Esperamos e acreditamos que este ato nos trará a paz e que a guerra terminará em breve”, disse o arcebispo latino de Lviv. A cidade ucraniana recebeu a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.

 

Rússia:

Ortodoxos russos: “perdoem-nos pelo que a Rússia está fazendo”

 

Em entrevista, intelectuais falam sobre a comunidade ortodoxa russa que se opõe a Putin

“Sentimos dor, amargura, medo, vergonha e raiva pelo que a Rússia está fazendo hoje na Ucrânia”, disseram Karina e Andrei Chernykh, ativistas e intelectuais ortodoxos baseados em Moscou, atualmente em Vilnius, em entrevista à agência de notícias católica polonesa KAI.

“Sentimos muito pelos ucranianos moribundos, especialmente as crianças, e também pelos russos sendo levados insensatamente para a morte por um louco. Esta é uma tragédia para ambas as nações: Ucrânia e Rússia”, acrescentam.

 

KAI: Como é que vós – cristãos ortodoxos russos – encarais o ataque do exército russo ao estado ucraniano independente?

Karina e Andrei Czerniakow: Sentimos dor, amargura, medo, vergonha e raiva pelo que está acontecendo. Parece quase impossível de acreditar. Não sabemos como ajudar os ucranianos nesta situação a não ser com a oração. Todos os nossos pensamentos estão com a Ucrânia agora, e percebemos que isso é uma tragédia para ambas as nações, ucraniana e russa. Nossas nações são irmãs, e esta tragédia nos divide e continuará nos dividindo por muitas décadas, talvez por gerações. Sentimos muito por aqueles que têm que sofrer com esse ataque, esses ataques aéreos. Lamentamos muito pelos ucranianos moribundos, especialmente as crianças, e também os russos levados à morte por um louco.

“A propaganda tem um efeito muito forte no cérebro das pessoas. Muitos russos, infelizmente muitos, acreditam nisso”

 

Como interpretam os discursos de Vladimir Putin, em que ele na verdade não apenas nega o direito de independência da Ucrânia, mas alega que a Ucrânia é uma parte inseparável da Rússia e é governada por nazistas que devem ser eliminados?

Os discursos de Vladimir Putin são para nós os discursos de um homem incompreensível. Eles são terríveis palavrões inchados pela propaganda, propaganda que não oferece à Rússia um caminho claro a seguir. A propaganda tem um efeito muito forte no cérebro das pessoas. Muitos russos, infelizmente muitos, acreditam nisso. Foi semelhante na Alemanha de Hitler, onde a propaganda plantou jargões ideológicos na cabeça das pessoas. Hoje o mesmo está acontecendo na Rússia.

 

 

ÁSIA

 

Myanmar:

Papa reforça apelos de paz, denunciando sofrimento da população

 

O Papa reforçou os seus apelos de paz no Myanmar, antiga Birmânia, evocando o sofrimento da população.

“Há um ano que assistimos com dor à violência que ensanguenta o Myanmar. Faço meu o apelo dos bispos do Myanmar, para que a comunidade internacional trabalhe na procura da reconciliação entre as partes”, referiu, no final da audiência pública semanal.

Perante os peregrinos reunidos no Auditório Paulo VI, Francisco disse que ninguém pode “desviar o olhar, diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãos”.

“Peçamos a Deus, na oração, a consolação para aquela população martirizada. A Ele confiamos os nossos esforços de paz”, acrescentou.

O golpe de Estado de 1 de fevereiro de 2021 depôs a dirigente Aung San Suu Kyi, travando uma década de transição democrática no país do sudeste asiático.

Os militares no poder são acusados de ter provocado a morte de mais de 1500 civis, colocando 9 mil pessoas na prisão, segundo um observatório local que denuncia casos de violação, tortura e execuções extrajudiciais.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre convocou para a última terça-feira uma jornada de oração, face à “violência, terror e sofrimento” que afeta a população local, em resposta ao apelo da Conferência Episcopal do Myanmar.

Segundo a AIS, pelo menos 14 paróquias no Estado de Kayah foram abandonadas, “com muitos padres e irmãs refugiados na selva ou em aldeias remotas, acompanhando as populações locais”.

O cardeal Charles Bo, arcebispo de Rangum, convidou à paz, numa mensagem para este aniversário, pedindo que todas as partes abandonem a violência.

O também presidente da Federação das Conferências Episcopais Asiáticas (FABC) descreveu a situação atual como um momento de “caos, confusão, conflito e agonia humana em perigoso crescimento”.

 

Coreia do Norte:

executa grupo de cristãos clandestinos

 

A Coreia do Norte executou um grupo de cristãos clandestinos em uma região do país na qual foi perpetrada uma “varredura massiva” de fiéis, denunciou nesta semana a ONG Portas Abertas (Open Doors), que monitora a perseguição contra os cristãos no mundo.

Segundo reportagem do jornal brasileiro Gazeta do Povo, a região não foi identificada por motivos de segurança, mas fontes ligadas à Portas Abertas informaram que dezenas de cristãos estavam reunidos para um culto clandestino quando o local foi invadido por guardas do regime comunista ateu que governa o país com níveis brutais de repressão. Todos foram presos e executados.

A denúncia divulgada pela ONG acrescenta que até os familiares dos cristãos executados, cerca de 100 pessoas, foram capturados e presos, o que significa que passarão a sobreviver em condições sub-humanas, como é comum nos presídios e campos de concentração mantidos pela ditadura norte-coreana.

Estas prisões e execuções refletem a recente promulgação da assim chamada Lei do Pensamento Anti-Reacionário, que impõe drásticos castigos aos indivíduos e grupos que divulgam produtos ou meramente ideias consideradas “estrangeiras”. Após essa lei, a perseguição estatal, que já era intensa, piorou ainda mais, dificultando ao máximo os eventos religiosos que a população organizava clandestinamente.

Na Coreia do Norte, a religião é estritamente proibida. Em contrapartida, os cidadãos são forçados a praticamente “adorar” o ditador e seus antepassados, conforme você confere nesta matéria.

O país ocupou durante 20 anos o topo do ranking dos piores países do planeta para os cristãos. No ranking deste ano, porém, a Coreia do Norte ficou em segundo lugar: o pior país passou a ser o Afeganistão. Não é que a situação norte-coreana tenha melhorado: pelo contrário, ela piorou, mas a situação afegã conseguiu piorar mais ainda.

 

Afeganistão:

Chega ao 1º lugar entre piores países para cristãos hoje;

entre outros

 

O Afeganistão passou a ocupar um triste 1º lugar na lista dos piores países para cristãos atualmente, “superando” em termos de opressão religiosa a também terrível situação da Coreia do Norte, que “liderou” o ranking da perseguição religiosa durante 20 anos.

Não é que a situação norte-coreana tenha melhorado: o cenário afegão é que piorou drasticamente. Este fato é explicitamente reforçado por David Curry, presidente da organização responsável pela elaboração do relatório, a ONG Portas Abertas, que monitora a perseguição aos cristãos no mundo inteiro. Ele comenta:

 “As pessoas não devem interpretar [a mudança no ranking] como se a situação na Coreia do Norte fosse agora mais segura para as minorias religiosas. Na verdade, a situação lá também é pior. E isto, de certa forma, já diz tudo o que você precisa saber sobre como estão péssimas as condições para os cristãos no Afeganistão”.

A segurança dos cristãos tornou-se inexistente no país agora controlado oficialmente pelos fanáticos talibãs. De acordo com o relatório “World Watch List 2022”, da Portas Abertas, os poucos cristãos que vivem no Afeganistão precisam fugir ou se esconder: eles são alvo dos talibãs não só por causa da fé, mas também por serem tachados de “traidores do país” e “inimigos do povo”.

“As condições dos cristãos nunca foram tão perigosas. Temos que adotar uma ação decisiva para evitar o genocídio religioso contra os cristãos no Afeganistão”. (David Curry).

 

Síria:

Onze anos depois, situação é «catastrófica», relata religiosa

 

A madre Agnès-Mariam de la Croix, superiora das Monjas de Unidade de Antioquia, disse que a situação na Síria é “catastrófica”, que o embargo imposto é injusto para a população que tem mais dificuldade de sobreviver sem emigrar.

“Posso dizer que esta situação é catastrófica. A sobrevivência torna-se impossível para o nosso povo, sejam cristãos ou não, porque nós, no Mosteiro de São Tiago Mutilado, cuidamos de toda a gente, porque todos são seres humanos criados à imagem de Deus”, afirmou a madre superiora, que se encontra em Qara, em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), enviadas hoje às Agência Ecclesia.

Onze anos depois do início de uma guerra que vitimou 500 mil mortos, “a Síria é hoje um país empobrecido, com mais de 13 milhões de pessoas deslocadas, dentro e fora das fronteiras, com uma taxa de pobreza asfixiante e com cerca de 6,5 milhões de crianças que precisam de ajuda humanitária”, indica o comunicado.

A madre superiora do Mosteiro de São Tiago Mutilado pede que o mundo não se esqueça da situação na Síria e que se encontre uma solução.

“Tem de haver uma solução, tem de haver uma solução internacional para a situação na Síria, mas também uma solução de generosidade humana. Esperamos que, tal como a Fundação AIS, outras instituições católicas olhem de mais perto para esta situação desesperada na Síria, para nos ajudar a ajudar e ajudar todos os que estão a ajudar estas pessoas, porque hoje mais de 85% da população síria vive com necessidades. Há 13 milhões que viram as suas casas destruídas, que não têm casa”, lamenta.

A religiosa critica o embargo imposto à Síria, pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia, que explica ser “injusto” e indica estar a “asfixiar a população”.

“Este embargo é injusto porque quem paga o preço mais elevado é o cidadão e o cidadão é inocente, não tem nada a ver com as partes beligerantes. Por isso, é muito importante a oração e chamar a atenção para a urgência de uma solução internacional para a resolução deste conflito e para o fim deste embargo”, sublinha.

Com a libra da Síria a desvalorizar e os ordenados a manterem-se iguais, a população enfrenta dificuldades para adquirir bens, com impactos já no acesso a bens elementares como o pão, eletricidade ou combustíveis, e isto num contexto de pobreza que afeta também o governo.

“O governo está cada vez mais pobre e já não consegue dar apoio em gasolina ou produtos alimentares como cereais, trigo, o que aliviaria as pessoas se houvesse algum apoio que não implicasse despesa. É por isso que a situação se torna cada vez mais complicada para essas pessoas. No passado, podiam cultivar a terra, mas agora está tudo tão caro que já não conseguem. Por isso, volto a sublinhar que é fundamental um plano estratégico para apoiar esta população”, traduz.

“Os cristãos sírios estão a ir-se embora, a deixar a Síria, muitas vezes de barco, morrendo pelo caminho e a sua situação é também muito precária nos países para onde vão como refugiados…”, lamenta a religiosa, indicando a emigração como a saída para uma situação “asfixiante” para muitas famílias.

“O que temos de fazer é ajudar essas famílias a ficar cá. Porque é esse o desejo do Santo Padre, o desejo dos prelados e o desejo de todo o mundo católico. Se o Médio Oriente não tiver a presença dos Cristãos, vamos fazer uma cruzada? Não podemos ficar sem os Cristãos. Se lhes dermos esperança e ajudarmos na sua necessidade a tornarem-se autossuficientes, seria muito, muito importante”, indica.

 

União Indiana:

Supremo rejeita petição para controlar missionários cristãos

 

A rejeição pelo Supremo Tribunal indiano de uma petição exigindo a criação de um observatório para monitorar as atividades dos missionários cristãos foi classificada como “louvável” pelo padre Babu Joseph, ex-porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos da Índia, em entrevista ao Crux publicada no dia 29 de março, a propósito da decisão do tribunal tomada na sexta-feira anterior.

A petição tinha sido apresentada pela organização prosélita Hindu Dharma Parishad (HDP), alegando que “elementos antissociais e antinacionais” estavam a “converter à força pessoas do hinduísmo para outras religiões, principalmente o cristianismo” e que para “fortalecer a unidade, a soberania e a estabilidade da Índia” se tornava necessário monitorizar a atividade dos missionários cristãos. O Supremo Tribunal acusou o HDP de “estar a perturbar a harmonia com este tipo de petições” e rejeitou o pedido.

Grupos nacionalistas hindus têm vindo a acusar cada vez com maior frequência missionários cristãos de “ilegalmente” seduzirem e converterem hindus pobres e analfabetos ao cristianismo. Tais grupos fundamentalistas defendem que as instituições de caridade cristãs – as igrejas têm enorme presença nos setores da educação, saúde e dos serviços socio-caritativos – são usadas principalmente para converterem pessoas ao cristianismo.

“A petição apresentada pelo HDP manifesta a sua má-fé e a vontade de atingir a comunidade cristã sob o pretexto da conversão religiosa”, disse o padre Babu Joseph ao Crux, adiantando que “os missionários cristãos fazem um imenso bem aos indianos, sobretudo aos empurrados para as margens da sociedade” e desafiou o HDP a fazer o mesmo: “Infelizmente uma vida digna ainda é um sonho distante para muitos dos nossos irmãos e irmãs no nosso país. Isto tem de mudar e organizações como o HDP deveriam trabalhar para aumentar a consciência social de todos e promover a igualdade humana”.

O HDP tem acentuado as suas ações fundamentalistas desde que em 2015 o partido Bharatiya Janata (BJP) do primeiro-ministro Narendra Modi assumiu o poder com uma agenda nacionalista hindu.

Entretanto, para o Supremo Tribunal interpuseram recurso duas dioceses católicas do Estado de Kerala, no sul da Índia, contra uma ordem do Supremo Tribunal daquele Estado que lhes retirou a possibilidade de comprar e vender propriedades, a menos que estas estivessem diretamente relacionadas com assuntos espirituais. Em causa estão, uma vez mais, as obras socio-caritativas da Igreja que oferecem aos indianos mais pobres os serviços que o sector público não lhes dá e a que o sector privado não lhes permite aceder.

O Supremo Tribunal do Estado de Kerala decretou, em agosto de 2021, que os bispos católicos, apesar dos seus poderes canónicos, não tinham poderes para alienar bens fundiários de suas dioceses porque os seus “poderes limitam-se aos assuntos religiosos e espirituais”.

Na sua argumentação – explicada à agência UCA News pelos representantes das dioceses – os católicos defendem que esta ordem judicial não tem fundamento por partir do princípio de que os bispos diocesanos possuem propriedades da igreja em nome individual, tal como outros indivíduos possuem propriedades e as transacionam como querem com o objetivo de ganhar dinheiro. Mas as propriedades entregues à Igreja não são propriedade dos bispos locais, nem estes procuram realizar lucros para si quando as vendem ou trocam por razões pastorais, incluindo o objetivo de melhorar a assistência à população mais pobre, defende o recurso enviado ao Supremo Tribunal indiano.

Cerca de 80 por cento dos 1.350 milhões de habitantes da Índia são hindus, país em que os cristãos representam apenas 2,3 por cento da população.

 

Vietname:

Sacerdote dominicano foi assassinado no confessionário

 

O padre Joseph Tran Ngoc Thanh foi morto enquanto escutava confissões na Diocese de Kon Tum, Vietname, este sábado.

O religioso, de 41 anos, foi esfaqueado por um homem com perturbações mentais, informa a Agência Fides, do Vaticano, citando um jornalista católico local.

“A comunidade local ficou profundamente chocada com a morte inesperada do sacerdote, num momento em que se preparava para celebrar o Ano Novo Lunar”, refere a notícia.

 

ÁFRICA

 

São Tomé e Príncipe:

Rádio Jubilar inaugurou novas instalações

 

A Rádio Jubilar, de São Tomé e Príncipe, inaugurou as novas instalações, um projeto financiado pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre e pela Conferência Episcopal Italiana.

“A central de Energia solar composta por 26 painéis solares e 24 baterias de Gel, o que agora pode garantir a emissão da Rádio Jubilar 24 horas por dia, o kit solar foi patrocinado pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre”, pode ler-se em comunicado enviado à Agência Ecclesia.

O padre Rafael Bruno Ferreira, Diretor Geral da Rádio Jubilar de São Tomé e Príncipe-África, e o Bispo Diocesano, Dom Manuel António Mendes dos Santos marcaram presença na inauguração e bênção das novas instalações.

Além do kit solar a Conferência Episcopal Italiana patrocinou o novo Centro de Formação da Rádio Jubilar, que tem como “prioridade” as “formações na área da Comunicação Social, de modo especial, no curso profissional de jornalistas”.

“Tivemos o financiamento para a construção deste Centro de Formação, completamente independente do resto do edifício paroquial, bem como a aquisição de equipamentos radiofónicos, tais como mesa de mistura profissional, computadores, gravadores, microfones, caixa de som e processador de áudio”, informa.

O comunicado recorda ainda que “ao longo da existência da Rádio Jubilar houve sempre a preocupação de dotar a Rádio com os meios minimamente capazes de a levarem a desempenhar com eficiência os seus objetivos”, sendo independente.

“É um meio de esclarecimento das populações, um meio de formação e de informação. Os seus programas de debate, o acompanhamento de atos eleitorais, os programas desportivos, os programas religiosos, criaram a imagem desta Rádio, que esperamos continue a ser um meio de comunicação importante para a vida social, cultural e mesmo religiosa deste país”, reforça.

Por ocasião da inauguração destas duas obras, ocorreu a entrega simbólica do Alvará de Licença para Funcionamento da Rádio Jubilar, emitido pela Secretaria de Estado para Comunicação de São Tomé, que terá um período de validade de 10 anos.

 

Moçambique:

Bispo de Pemba assegura que os ataques terroristas

continuam em Cabo Delgado

 

O bispo de Pemba, em Moçambique, D. António Juliasse revelou que continua a haver ataques terroristas na região de Cabo Delgado, no norte do país.

D. António Juliasse revelou à Renascença que “foram encontradas oitos pessoas mortas” nas proximidades de Pemba, que provavelmente “morreram de fome”.

“Ainda há aldeias a serem queimadas e pessoas a serem mortas”, afirma.

O bispo admite que ainda “ninguém sabe como aconteceu, mas provavelmente são pessoas que estavam a fugir de algum lugar e que tendo feito a caminhada pelas matas não conseguiram chegar até ao ponto de ajuda”.

“E provavelmente morreram de fome ou de alguma outra situação”, lamenta.

O Bispo de Pemba confirmou que prosseguem os ataques terroristas na região de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique e que o “número de deslocados continua a aumentar”.

O bispo refere que “são ataques esporádicos”, mas “há aldeias ainda a serem queimadas, pessoas a serem mortas”.

“E temos novos deslocados que estão a chegar sobretudo quando foram atacadas as aldeias de Miluko, e mais de 1.500 deslocados novos foram chegando às zonas que são ou menos seguras, na zona centro e sul da diocese”, acrescenta.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou para os sequestros na província moçambicana de Cabo Delgado, no norte do país africano, alvo de ataques de grupos armados.

Uma religiosa católica presente no território refere ao secretariado português da AIS que se tem verificado “o rapto sistemático de pessoas que se encontram nas aldeias e nas machambas, principalmente mulheres e mães com suas próprias crianças”.

Frei Boaventura, do Instituto da Fraternidade dos Pobres de Jesus, indicou à AIS que os insurgentes “levam as mulheres, levam as crianças que acabam por ser treinadas lá nesses lugares e acabam por ser doutrinadas também”.

A questão do rapto de rapazes, mas também de raparigas e mulheres como uma consequência da violência terrorista em Moçambique – que começou em 2017 e já provocou mais de três mil mortos e mais também de 850 mil deslocados – foi tema em destaque de um Relatório produzido a nível internacional pela Fundação AIS e divulgado no final de 2021.

Segundo o último relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o número de deslocados na província aumentou em 7% entre dezembro e fevereiro, chegando a 784 mil pessoas.

 

República na República Democrática do Congo:

Assassinato de sacerdote faz temer aumento da violência

 

O padre Richard Masivi foi assassinado a 1 de fevereiro na Diocese de Butembo-Beni, na República Democrática do Congo (RDC), no norte de Kivu, facto que “chocou” a comunidade cristã que teme um aumento da violência.

O assassinato aconteceu quando o padre se dirigia para a sua paróquia, de São Miguel Arcanjo, após ter celebrado Missa em Kanyabayonga, explica um comunicado da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), enviado à Agência ECCLESIA.

“Desde há 10 anos para cá, sobretudo desde 2014, têm acontecido massacres atrás de massacres e as autoridades do nosso país passam o tempo a discutir temas como que ministérios irão assumir”, afirmou D. Melchisédech Sikuli Paluku, bispo da diocese.

O responsável lamentou a “indiferença das autoridades perante os massacres” e face à “população que não conta para nada”.

O bispo de Butembo-Beni explicou que a investigação “está em curso”, com vista a apurar “não só a autoria mas também as circunstâncias deste crime”.

A região nordeste da RDC tem registado um aumento de violência com o Barómetro de Segurança de Kivu a registar, em oito dias, a morte de 123 civis na mesma região, incluindo em campos de deslocados internos.

No dia 2 de fevereiro, um ataque ao campo de deslocados Plaine Savo, em Ituri, vitimou 62 pessoas, entre elas 17 crianças, tendo sido condenado pela Papa Francisco, através de um telegrama enviado ao presidente da RDC, Félix Tshisekedi, que falava em atos “bárbaros”, causadores “de grande sofrimento e desolação no país”.

O Conselho Norueguês para Refugiados disse em comunicado que o campo de Plaine Savo abriga “mais de 24.000 pessoas que fugiram da violência no território de Djugu em 2019”, região que acolhe os refugiados expulsos das suas casas em ataques anteriores.

A AIS indica que, apesar de não haver dados oficiais sobre o crime que vitimou o padre Richard, “a imprensa local tem apontado o dedo às Forças Democráticas Aliadas (ADF), um grupo rebelde afiliado ao Daesh, os jihadistas do Estado Islâmico”.

 

Líbia:

Igreja recorda o martírio de vinte cristãos assassinados na Líbia

 

A comunidade de Samalut, na Diocese de Minya (Egipto), está a assinalar o martírio, há sete anos, de vinte trabalhadores cristãos assassinados por jihadistas do Daesh, o grupo terrorista Estado Islâmico, numa praia da Líbia.

Um comunicado enviado à Agência Ecclesia pela secção portuguesa da Fundação à Ajuda que Sofre (FAIS) realça que as homenagens aos mártires coptas decorrem de 01 a 15 de fevereiro e vão ocorrer “maioritariamente no santuário erguido na cidade de al Awar, onde quase todos eles viviam”.

“Celebrações litúrgicas, encontros de oração, palestras e visitas ao museu que foi, entretanto, construído junto ao santuário, são algumas das iniciativas que a comunidade de Samalut está a organizar nestes dias que pretendem ser também de despertar espiritual, lê-se.

As imagens do martírio destes cristãos correram mundo e mostraram a barbaridade dos terroristas e, em simultâneo, a fidelidade destes homens até ao último momento das suas vidas.

No vídeo pode ver-se que alguns destes simples operários estavam a rezar e a dizer “Jesus Cristo” no momento da bárbara execução.

O vídeo da decapitação foi divulgado no dia 15 de Fevereiro desse ano de 2015, pelo que a data passou a ser, por decisão do Patriarca Copta Ortodoxo Tawadros II, de memória deste martírio.

 

Madagáscar:

Papa expressa «comunhão orante»

para com a vítimas das catástrofes naturais

 

O Papa Francisco enviou um telegrama ao presidente da República de Madagáscar, Andry Rajoelina, manifestando a sua “comunhão orante” com todos os que foram atingidos pelas catástrofes naturais, este ano.

“Profundamente triste por estes acontecimentos, o Papa exprime a sua profunda solidariedade para com os que foram atingidos por esta tragédia e reza por eles, que choram a perda de entes queridos e dos seus bens”, refere a mensagem.

Uma das zonas mais atingidas pelo ciclone Batsirai, no início de fevereiro, foi a região de Mananjary, onde é bispo o madeirense D. José Alfredo Caires de Nóbrega.

Natural do Caniço, pertence à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos) e está em Madagáscar há mais de 40 anos, onde é bispo da diocese de Mananjary desde 2001.

Em entrevista ao Jornal da Madeira, nesta sexta-feira, D. José Alfredo Caires de Nóbrega disse que o ciclone “Batsirai” deixou a cidade “completamente dizimada” e apontou como “grande projeto” a “reconstrução das missões”.

“Vamos fazer um ano zero para a recuperação”, afirmou o bispo madeirense, que está de passagem na Região também para pedir ajuda para a reconstrução necessária em Madagáscar.

O ciclone abateu-se sobre a Ilha, ao largo de Moçambique, no início do mês de fevereiro e causou cerca de uma centena de mortos, mais de 100 mil deslocados e a destruição de mais de sete mil casas.

No mês de janeiro, o país já tinha sito atingido pela tempestade Ana que vitimou 58 pessoas e afetou mais de 130 malgaxes, a maioria da capital, Antananarivo.

 

Angola:

Presidente da CEAST denuncia

o aumento «assustador» da pobreza

 

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) considera que a pobreza “continua assustadora” naquela região do continente africano e não poupa criticas aos governantes e à comunicação social.

D. José Imbamba fala no “divórcio entre governantes e o povo, no aumento assustador da pobreza, e no risco de radicalismo e indisciplina”, refere uma nota da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) enviada à Agência Ecclesia.

“Existe um perigoso vazio de diálogo entre governantes e governados, entre as lideranças partidárias, e entre os vários atores cívicos, elevando ainda mais os níveis de ansiedade, radicalismo, intolerância, indisciplina, violência física, verbal, moral e psicológica”, disse D. José Imbamba, arcebispo de Saurimo.

As palavras mais duras do presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé foram para a “pobreza extrema que atinge já grande parte da população deste país lusófono”.

“Calcula-se que cerca de um terço dos angolanos está desempregado, sendo que a falta de trabalho afeta de forma brutal, com quase 60 por cento, os mais jovens”, lê-se no comunicado da AIS.

 

Moçambique:

catequista degolado por terroristas em Cabo Delgado

 

Um catequista e animador da palavra da comunidade São Paulo, da aldeia Nova Zambézia, foi assassinado no dia 15 de Dezembro num dos mais recentes ataques da responsabilidade dos terroristas na região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O catequista, identificado como Matias Buscam, estava a deslocar-se para a machamba – terreno usado para a agricultura –, na companhia da mulher e filhos, quando foi surpreendido pelos “insurgentes”, como os terroristas são conhecidos localmente, tendo sido assassinado de “forma cruel”.

Uma fonte da Igreja Católica, que pediu para não ser identificada, confirmou o ataque à Fundação AIS explicando que o catequista teria sido “abordado por um grupo não especificado de insurgentes” que o “degolaram”. 

“Informações recolhidas junto de populares – acrescentou a mesma fonte –, indicam que depois de degolarem o senhor Matias, os insurgentes obrigaram a sua esposa a carregar a cabeça do marido até à aldeia para a apresentar às autoridades com uma suposta mensagem: ‘nós ainda [aqui] estamos’”.

A notícia deste ataque à aldeia Nova Zambézia, situada na zona de Macomia, é conhecida na mesma altura em que a imprensa dá conta da morte de um militar sul africano, na sequência de um assalto dos terroristas nesta segunda-feira, dia 20 de Dezembro, ao posto administrativo situado na aldeia de Chai, também no distrito de Macomia. 

Segundo a imprensa da África do Sul, haverá a registar também algumas baixas entre soldados moçambicanos que integravam a unidade que terá sido alvo de “uma emboscada”. Segundo Andries Mahapa, porta-voz das Forças Armadas da África do Sul, “os militares conseguiram resistir à emboscada, mas quando esperavam por um helicóptero, foram novamente atacados pelos insurgentes”.

A par destes ataques na província de Cabo Delgado, tem havido notícias também da presença de terroristas em Niassa. Em 28 de Novembro ocorreu um ataque na aldeia de Naulala, no distrito de Mecula, nesta província, e já no início de Dezembro o alvo foi a localidade de Lichengue, onde várias casas foram incendiadas.

 

Burquina Faso:

Jihadistas atacaram seminário

e ameaçaram de morte jovens estudantes

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou, em comunicado, para ataques de jihadistas contra um seminário no Burquina Faso, onde ameaçaram de morte os jovens estudantes.

“Cerca de três dezenas de jihadistas armados atacaram o seminário menor de Saint Kisito de Bougui, na semana passada, durante a noite de 10 para 11 de fevereiro. Destruíram equipamento e instalações, causando elevados danos materiais e ameaçando de morte os jovens cristãos, exigindo que abandonassem de vez o local”, refere uma nota da AIS, enviada hoje à Agência Ecclesia.

A fundação pontifícia cita fontes locais, acrescentando que os jihadistas destruíram um crucifixo que se encontrava no edifício.

“O ataque causou natural pânico entre a população, levando à fuga de muitas pessoas para outros lugares considerados como mais seguros”, acrescenta a AIS.

O seminário está situado a cerca de dez quilómetros da cidade de Fada N’Gourma, sede da diocese com o mesmo nome.

O ataque durou cerca de uma hora, tendo os jihadistas queimado dois dormitórios, uma sala de aulas e um veículo; outro veículo, ao serviço do seminário, foi roubado.

O bispo diocesano, D. Pierre Claver Yenpabou Malgo, visitou o local logo na sexta-feira, tendo-se encontrado com os jovens estudantes e os seus familiares.

A Fundação AIS informa que os 146 seminaristas estão em casa, junto das suas famílias, aguardando a evolução dos acontecimentos.

Após uma audiência com o Papa, a 11 de outubro do último ano, o cardeal Phillipe Ouèadraogo, arcebispo de Ouagadougou, classificou como “dramática” a situação na região, acusando os terroristas do Boko Haram de serem responsáveis pela violência contra as populações.

A AIS alertava, em 2020, que os grupos jihadistas estavam a transferir do Médio Oriente para a região do Sahel o plano para a edificação de um ‘Califado Islâmico’, que visa “eliminar todos os vestígios do Ocidente na região”.

 

República Democrática do Congo:

Papa Francisco manifesta «pesar» pelo ataque a deslocados

 

O Papa Francisco enviou um telegrama ao Presidente da Republica Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, onde manifesta proximidade e lamenta o ataque ao campo de deslocados Plaine Savo, em Ituri, que vitimou 62 pessoas, entre eles 17 crianças.

“Sua santidade pede ao Pai toda a misericórdia e que acolha na sua paz e na sua luz, os mortos, e dê conforto aos que lamentam a sua perda”, pode ler-se no telegrama, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé e assinado pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de estado do Vaticano.

Um ataque, atribuído à milícia Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (Codeco), foi cometido no dia 1 de fevereiro, no campo de deslocados Plaine Savo, em Ituri, no nordeste da Republica Democrática do Congo, e vitimou 62 pessoas, segundo informação das autoridades locais.

O Papa Francisco “condena fortemente” os atos “bárbaros”, causadores “de grande sofrimento e desolação no país”.

“Imploro os divinos dons de cura e consolo para os feridos e enlutados, a quem manifesta a sua proximidade espiritual e profunda simpatia. Que o próprio Senhor dê coragem e força às famílias com problemas e a todas as pessoas que ajudam a aliviar a vítimas”, pode ler-se.

O texto expressa ainda o desejo de paz para a região e apresenta a “bênção a todos os povos congoleses”.

O Conselho Norueguês para Refugiados disse em comunicado que o campo de Plaine Savo abriga “mais de 24.000 pessoas que fugiram da violência no território de Djugu em 2019”, região que acolhe os refugiados expulsos das suas casas em ataques anteriores.

Barómetro de Segurança do Kivu registou em oito dias a morte de 123 civis na mesma região, incluindo em campos de deslocados internos.

 

Camarões:

Ameaças do Boko Haram

provocam «miséria extrema» na Diocese de Yagoua

 

O bispo de Yagoua, diocese no norte dos Camarões, afirmou que as ameaças do grupo de terroristas Boko Haram votam a população à pobreza e “miséria extrema”, agradecendo o apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“A Diocese de Yagoua encontra-se numa zona do Boko Haram, o que explica a nossa extrema pobreza, a nossa extrema miséria”, explicou D. Barthélemy Yaouda à FAIS a que Agência ECCLESIA teve acesso.

“Vimos de ambientes muito pobres e as pessoas não têm meios para pagar as propinas dos filhos no seminário, não temos meios para construir igrejas e os padres nem sequer têm meios para se deslocarem na sua diocese a fim de visitar as paróquias, nem para se vestirem”, lamenta.

A ajuda prestada pela AIS e pelos benfeitores é considerada fundamental para fazer face a dificuldades que “colocam a sobrevivência do clero em risco” e ajudar na formação de futuros sacerdotes.

A Diocese de Yagoua situa-se no extremo norte dos Camarões, muito perto da fronteira com o Chade e a Nigéria, local que se tem vindo a tornar centro de atividade dos terroristas do Boko Haram, que têm procurado estender os seus ataques desde a Nigéria para vários países da região.

O Boko Haram iniciou a sua atividade em 2009 com “sucessivos ataques” a instituições estatais e a aldeias, “matando indiscriminadamente as populações, raptando jovens rapazes e raparigas e assumindo a comunidade cristã como um dos alvos preferenciais da sua violência”.

 

Moçambique:

Bispo de Tete destaca testemunhos de martírio

na diocese moçambicana

 

O bispo de Tete, em Moçambique, foi a Roma para “ajudar na documentação final” do processo de canonização dos mártires leigos de Guiúa, adiantando que também está a decorrer o processo de dois missionários Jesuítas.

“É uma causa de martírio em que as testemunhas são leigos, 24; eram catequistas que estavam em formação no Centro Catequético do Guiúa. Houve um ataque, foram capturados, interrogados e mortos”, explicou D. Diamantino Antunes.

Este processo começou em 2017, na diocese moçambicana, e, neste momento, está de passagem por Portugal, a caminho de Roma, para “ajudar na documentação final referente ao martírio” destes catequistas e familiares – homens, mulheres e crianças – que foram assassinados a 22 de março de 1992.

No dia 21 de novembro de 2021, a Diocese de Tete abriu um novo processo de canonização, desta vez de dois missionários da Companhia de Jesus (Jesuítas), pela sua “fama de martírio, de santidade”.

O padre Sílvio Alves Moreira, natural de Rio Meão, no Porto, e o padre João de Deus, de Moçambique, foram “barbaramente assassinados, no dia 30 de outubro de 1985”, num contexto “muito difícil da história” do país lusófono, “em plena revolução e plena guerra civil”.

D. Diamantino Antunes contextualiza que os dois padres Jesuítas colocaram-se do lado das pessoas “denunciando os massacres das duas partes em conflito, com uma atitude neutral”, e “nunca deixaram de visitar as comunidades, de administrar os sacramentos”.

A Igreja Católica tem tido um papel importante na denúncia dos males sociais do país, numa atitude construtiva, procura ser voz profética na denúncia mas ao mesmo tempo colaborar para resolver os problemas que afligem a sociedade moçambicana a vários níveis.”

A Igreja Católica celebra anualmente o Dia Mundial da Vida Consagrada, a 2 de fevereiro, na festa litúrgica da apresentação de Jesus no Templo, a festa de Nossa Senhora das Candeias.

D. Diamantino Antunes pertence ao Instituto Missionário da Consolata e afirma que se sente como quando era sacerdote, antes da ordenação episcopal, que aconteceu a 12 de maio de 2019, em Tete.

 

 

AMÉRICA

 

Nicarágua:

Santa Sé lamenta expulsão do seu embaixador

 

A Santa Sé lamentou, em comunicado, a expulsão do seu embaixador na Nicarágua, em meados de março, falando numa medida “incompreensível”.

Em comunicado oficial, o Vaticano manifesta a “grande surpresa” com a qual recebeu a comunicação de que o Governo da Nicarágua decidiu retirar a aprovação (agrément) de D. Waldemar Stanislaw Sommertag, núncio apostólico em Manágua desde 2018, exigindo que deixasse o país imediatamente após a notificação da medida.

“Esta medida parece incompreensível porque, no decorrer da sua missão, sua excelência D. Waldemar Sommertag trabalhou com profunda dedicação pelo bem da Igreja e do povo nicaraguense, especialmente o mais vulnerável, procurando sempre fomentar boas relações entre a Sé Apostólica e as autoridades”, lê-se na nota.

O Vaticano destaca o papel desempenhado pelo diplomara como testemunha e acompanhante na Mesa de Diálogo Nacional entre o governo e a oposição política, com vista à reconciliação do país e à libertação dos presos políticos.

“Embora esteja convencida de que esta medida unilateral grave e injustificada não reflete os sentimentos do povo profundamente cristão da Nicarágua, a Santa Sé deseja reafirmar a sua total confiança no representante papal”, conclui o comunicado.

 

Chile:

Imagem da Virgem Peregrina

encerrou dois anos de visita a este país

 

A imagem da Virgem Peregrina que percorreu as dioceses do Chile, durante mais de dois anos, regressou em 20 de janeiro a Fátima, informou o santuário português.

A entrega da imagem contou com a presença de dois dos responsáveis pela ‘Missión Fátima Chile’, que agradeceram esta presença.

Segundo o Santuário de Fátima, a iniciativa “intensificou o fervor e a piedade mariana, registado numa maior participação na oração do Rosário, e aumentou a conversão, numa maior procura pelo sacramento da Reconciliação”.

Os responsáveis chilenos foram recebidos pelo reitor do Santuário de Fátima, que sublinhou a importância do “entusiasmo que reuniu esta visita junto dos fiéis do Chile”.

“A conversão é uma dimensão fundamental da Mensagem de Fátima (…) e estes frutos da passagem da Virgem Peregrina junto dos fiéis são os mais importantes”, disse o padre Carlos Cabecinhas.

Entre 16 de setembro de 2019 e 18 de janeiro de 2022, a Virgem Peregrina esteve em 22 dioceses (mais de 500 paróquias) daquele país sul americano, num percurso que foi acompanhado de perto por milhares de fiéis, que se consagraram ao Coração Imaculado de Maria.

A imagem esteve em centros de saúde, lares de idosos, prisões, escolas, universidades, instituições públicas e fez dinamizar quase mil Missas, mais de 500 Adorações Eucarísticas, 170 vigílias de oração e mais de 1800 momentos de veneração em espaços públicos, percorrendo 4300 quilómetros, chegando à Ilha da Páscoa, no Pacífico sul.

A Imagem n.º 12 está agora reservada para visitar a Colômbia, a partir de 12 de maio deste ano, numa visita que aguarda a confirmação por parte do bispo da diocese que formulou o pedido, indica o Santuário de Fátima.

 

Equador:

Igreja Católica apoia vítimas das enxurradas,

alertando para desastres evitáveis

 

A Conferência Episcopal do Equador (CEE) e a Cáritas do país estão a apoiar as populações afetadas pelas chuvas intensas, denunciando que estas catástrofes são evitáveis.

“Muitos desses desastres poderiam ter sido evitados se todos tivessem agido responsavelmente, colocando o bem comum acima dos próprios interesses pessoais; se o Estado tivesse a proteção da vida como eixo de sua ação; se respeitássemos a natureza como dom do Criador e não como propriedade a ser explorada”, lê-se num comunicado publicado online.

A Cáritas colocou-se “imediatamente” a serviço das populações e comunidades “afetadas em Coca, Sucumbíos, Tena, Latacunga, Babahoyo, Montalvo, Durán, Quito e muitas outras”.

“Nos últimos dias, vimos com dor quantos de nossos irmãos e irmãs estão sofrendo com as intensas chuvas, as inundações dos rios e os danos ambientais. Em meio aos escombros continuamos encontrando os corpos de crianças, jovens, adultos e idosos”, acrescenta a nota.

O portal de notícias do Vaticano – ‘Vatican News’ – divulga o documento e destaca que o balanço do mau tempo em Quito, capital do Equador, é de 25 mortos, seis desaparecidos e 53 feridos.

O mau tempo tem afetado o país na sua generalidade, nas regiões amazónicas, andinas e costeiras.

Os serviços da Cáritas do Equador, a nível nacional, diocesano e paroquial, não pararam um momento de garantir “comida quente, cobertores, colchões, géneros alimentícios, cuidados médicos e assistência espiritual” às populações.

Os bispos agradecem “a todos os católicos do Equador”, homens e mulheres de boa vontade, que “confiam na ação pastoral da Igreja”, para socorrer de imediato das centenas de vítimas, “bem como à polícia, exército, bombeiros, serviços de emergência, que trabalham incansavelmente e sem grandes recursos”.

 

Amazónia:

Dois anos depois, «sonhos do Papa para a Igreja»

começam a «germinar»

 

O secretário-geral do Sínodo dos Bispos, o cardeal Mario Grech, afirmou que a Exortação Apostólica «Querida Amazónia» escrita pelo Papa Francisco, apresenta “quatro sonhos” para a Igreja, “sociais, culturais, ecológicos e eclesiais”.

“Estes sonhos encarnam um renascimento dos mais profundos convites do Concílio Vaticano II, e fazem da «Querida Amazónia» um meio adequado para conduzir a Igreja à conversão sinodal integral para a qual nos convida o Sínodo 2021-2023”, afirmou o responsável num artigo publicado pela secretaria-geral do Sínodos dos bispos.

“Deus manifesta-se aqui apesar do medo de uns para mudar, ou do desejo de outros de impor uma visão ideológica”, acrescentou.

O responsável reconhece, no entanto, que “dar passos, leva tempo”.

“Algumas sementes ainda estão em processo de germinação, outras ainda não deram frutos, mas muitas cresceram, estão a florescer vão dar vida por gerações futuras”, vaticina o responsável.

 “Este caminho, onde os marginalizados se convertem em fonte de vida, é próprio do caminho de Jesus. As vozes do território amazónico estão a mudar o modelo pastoral da Igreja Amazónica, convertendo-se em fonte de vida renovada para a Igreja e para o mundo”, elucidou.

A criação da Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA), criada pelo Papa Francisco, “é fruto do sínodo” e “abre um novo caminho para o discipulado peregrino e missionário da Igreja amazónica”, uma vez que estão a dar resposta “tarefas urgentes” e contam com “a participação direta de diversas vozes dentro da Igreja”.

 

Canadá:

Crianças não foram mortas

em escolas católicas do Canadá, afirma novo estudo

 

Cerca de 7 meses após um escândalo de proporções planetárias sobre “centenas de crianças indígenas” sepultadas de modo anônimo “em escolas católicas do Canadá”, uma reviravolta coloca grande parte das narrativas de 2021 na berlinda.

O historiador Jacques Rouillard, professor emérito na Faculdade de História da Universidade de Montreal, publicou no portal canadense DorchesterReview.ca, neste último dia 11 de janeiro, um texto em que afirma que “nenhum corpo” de criança foi encontrado em alegadas valas comuns, sepulturas clandestinas ou em qualquer outra forma de sepultamento irregular na Escola Residencial Indígena Kamloops, no Canadá – e muito menos foram achados indícios de que alguma delas tenha sido assassinada.

De acordo com o levantamento apresentado por Rouillard, 51 crianças morreram naquele internato ao longo dos 49 anos transcorridos entre 1915 e 1964. No caso de 35 delas, foram encontrados documentos que comprovam que a causa da morte, para a grande maioria, foram doenças, e, em alguns casos, acidentes. Nenhuma das 51 crianças falecidas foi assassinada.

Ao longo de 2021, porém, teve ampla divulgação na grande mídia canadense, com repercussão mundial, a alegada descoberta de sepulturas sem identificação em escolas residenciais indígenas do país. Transportadas imediatamente para as redes sociais, estas alegações se transformaram em narrativas diversas, algumas das quais afirmavam que “centenas de crianças” haviam “sido mortas” e “enterradas secretamente” em “valas comuns” ou em túmulos irregulares dentro dos terrenos de “escolas católicas” espalhadas “por todo o Canadá”.

De fato, várias das escolas residenciais indígenas em questão, embora pertencessem ao governo canadense, tinham sua gestão confiada a congregações religiosas, muitas delas católicas. Por esta razão, a Igreja foi rapidamente acusada de “conivência ou omissão” diante de “abusos e atos de violência, física e psicológica”, infligidos às crianças nativas naquelas instituições, que haviam sido implantadas pelo governo do país para, em tese, “integrar crianças nativas” à sociedade canadense. O modelo governamental de suposta “integração”, porém, foi acusado de forçar as crianças a se distanciarem bruscamente da sua cultura, tradições e idiomas. Como não foi possível sustentar a narrativa de que “centenas de crianças” tinham “sido mortas” em “escolas católicas”, a mídia passou a enfatizar a indignação social causada não pelas mortes em si, mas pela maneira como as crianças eram separadas da família tanto em vida quanto no próprio sepultamento.

Até mesmo a China, cujo governo comunista perpetra explicitamente abusos sistemáticos e comprovados contra os direitos humanos dos próprios cidadãos, teve o desplante de exigir no Tribunal de Direitos Humanos da ONU, em junho de 2021, uma investigação sobre as “violações aos direitos humanos da população indígena do Canadá”. A Anistia Internacional, organização que defende abertamente o assassinato de bebês em gestação por meio do aborto livre, também exigiu que os responsáveis pelos “restos mortais” que “foram encontrados” em Kamloops fossem processados.

Mas Jacques Rouillard questiona: onde estão estes alegados “restos mortais”?

Segundo o extenso e detalhado artigo do pesquisador, a suposta “descoberta” de mais de “200 corpos” de crianças “mortas em escolas católicas” se baseou numa varredura de solo, feita por radar, em busca de corpos de crianças que já se pressupunha que tivessem sido anonimamente sepultadas em terreno pertencente à escola residencial indígena de Kamloops. Um relatório preliminar não encontrou corpo algum, mas sim rupturas do solo num pomar de macieiras das proximidades. Nenhum “resto mortal” chegou a ser exumado, mas a líder indígena canadense Rosanne Casimir afirmou que, “de acordo com o ‘conhecimento’ da comunidade”, aquelas anomalias do solo “eram 215 crianças desaparecidas”, incluindo algumas de apenas 3 anos de idade.

Rouillard prossegue a exposição das suas investigações afirmando que, com base naquelas anomalias do solo, a jovem antropóloga Sarah Beaulieu, que havia supervisionado as assim descritas “varreduras”, teorizou que “provavelmente” havia 200 “possíveis sepultamentos” no local. Somente uma escavação, no entanto, poderia apresentar evidências – mas nenhuma escavação foi feita, nem na época, nem até hoje (!)

As desvirtuações de informação provocaram uma série de violentos ataques incendiários contra igrejas católicas no país.

Mesmo com a responsabilidade final pelas escolas e pela sua metodologia cabendo ao governo canadense, os bispos católicos do Canadá fizeram publicamente um pedido de desculpas pelas graves falhas cometidas por membros da Igreja na gestão daqueles internatos. Além das palavras, a Igreja também assumiu compromissos concretos com as comunidades nativas canadenses. Segundo o Vatican News, foram disponibilizados 30 milhões de dólares, em todo o Canadá, durante cinco anos, para financiar programas a serem definidos conjuntamente entre as lideranças indígenas e as dioceses, paróquias e órgãos da Igreja no país. Dom Donald Bolen, arcebispo de Regina, disse que seria “um longo caminho” e que era “importante percorrê-lo: precisamos continuar com ações concretas por justiça e reconciliação”.

Representantes das comunidades indígenas canadenses manifestaram à Santa Sé o desejo de um encontro pessoal com o Papa, exigindo diretamente dele um pedido de desculpas. O Papa Francisco se declarou disposto a aceitar. Em 27 de outubro de 2021, o boletim diário da Santa Sé informou que “a Conferência Episcopal do Canadá convidou o Santo Padre a fazer uma viagem apostólica ao Canadá, também no contexto do longo processo pastoral de reconciliação com os povos indígenas. Sua Santidade indicou a sua disponibilidade para visitar o país, numa data a combinar”.

Enquanto isso, em contraposição à postura de responsabilização e reconciliação que a Igreja Católica apresentou desde o início das supostas “descobertas”, manifestantes radicais anticatólicos reagiram com estúpida violência no Canadá, promovendo uma onda de ataques contra igrejas e, com isso, dando uma mostra do que seria na realidade o seu hipocritamente alegado “desejo de paz e reconciliação”.

Agora, a reviravolta provocada pela extensa matéria de Jacques Rouillard começa a repercutir em outros veículos da América do Norte, questionando as anteriores narrativas e suas intenções.

O “The Spectator World” se pergunta: “Por que o governo canadense não esperou por provas antes de lançar o país numa espiral de fúria e violência anticristã?”.

O “National Post” reforça a proposta do próprio Jacques Rouillard de exortar todos os canadenses a se questionarem se, “no caminho para a reconciliação, não seria melhor procurar e contar a verdade completa em vez de criar deliberadamente mitos sensacionalistas”.

O “The Daily Wire“, em matéria cujo título diz que “a narrativa pode estar colapsando”, recorda que, na época das alegadas “descobertas”, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau declarou categoricamente que “restos mortais foram achados na antiga escola residencial Kamloops” e que tal achado “parte meu coração”, porque, segundo ele, “é uma dolorosa lembrança daquele capítulo escuro e vergonhoso da história do nosso país”.

Que a história real e completa seja agora – literalmente – escavada e exposta ao mundo.

 

Venezuela:

Bispos denunciam “emigração forçada”

de quase seis milhões de pessoas

 

Os bispos da Venezuela denunciam “emigração forçada” de quase seis milhões de compatriotas ao analisar a situação daquele país do continente americano.

“É um pecado que clama ao céu querer manter o poder a todo o custo e pretender prolongar o fracasso e a ineficiência destas últimas décadas: é moralmente inaceitável”, disse o Arcebispo de Cumaná, D. Jesús González de Zárate, após a assembleia plenária dos bispos venezuelanos que terminou a 13 de janeiro.

No final dos trabalhos, D. Jesús Zárate, que é agora também o presidente da Conferência Episcopal da Venezuela, fez alguns comentários sobre a situação no país no seguimento da publicação de uma Carta Pastoral em que a Igreja analisa a situação político-social na Venezuela.

O responsável refere três realidades que considera “escandalosas” no país: “O desmantelamento das instituições democráticas e das empresas estatais”; “o êxodo dramático devido à emigração forçada de quase seis milhões de compatriotas” e “a pobreza em que vive a grande maioria do povo”, lê-se num comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS)

As palavras do bispo de Cumaná são “particularmente críticas face à constatação de que, ao lado da miséria que afeta grande parte da população, há situações de opulência que se tornam difíceis de entender e aceitar”.

O Arcebispo denuncia a existência de “investimentos consideráveis que estão a ocorrer no país e que beneficiam apenas algumas pessoas ou grupos de investidores em áreas inacessíveis à maioria empobrecida da população”, e o aparecimento, em algumas cidades, de “casinos e casas de jogo, bares, restaurantes e hotéis, casas e edifícios luxuosos”.

Estas palavras apresentam o mesmo tom crítico das declarações de D. Raul Biord, Bispo de La Guaira, que no final do ano passado esteve em Königstein, na Alemanha, na sede internacional da Fundação AIS.

Na ocasião, o bispo descreveu um país à beira da rutura, com a Igreja a procurar ajudar os mais pobres, os mais afetados pela crise, sem nunca esquecer todos os que se viram obrigados a deixar a pátria e que se encontram também a atravessar sérias dificuldades.

 

 

OCEANIA

 

Filipinas:

Foi construída ali uma réplica da Capelinha das Aparições

 

O Apostolado Mundial de Fátima informa que foi construída uma réplica da Capelinha das Aparições de Nossa Senhora de Fátima nas Filipinas, em Cebu, e a bênção e dedicação desta capela realizou-se no dia 4 de abril.

“Ajudará a fortalecer os laços daquele povo com o santuário português e a fazer crescer a devoção mariana, particularmente pela vivência da espiritualidade de Fátima”, destaca a associação internacional sobre a réplica da Capelinha de Fátima, recordando que também existem no Brasil, nos Estados Unidos da América e Porto Rico.

A réplica da Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima nas Filipinas foi construída no município de San Remígio, em Cebu, e “é a primeira construção do género no país e em toda a Ásia”, numa iniciativa do Apostolado Mundial de Fátima, que se dedica à “vivência e divulgação” da mensagem de Fátima.

Foi escolhido para a bênção da capela o dia 4 de abril por ser  o aniversário da morte de São Francisco Marto, um dos três videntes da Cova da Iria, na Eucaristia onde vão entronizar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e “relíquias dos Santos Pastorinhos, oferta do Santuário de Fátima”.

Uma delegação de Portugal participou nesta celebração em representação do santuário mariano português e do Secretariado Internacional do Apostolado Mundial de Fátima.

O projeto da Capelinha de Fátima foi lançado oficialmente a 20 de fevereiro de 2020, data da festa litúrgica dos Santos Francisco e Jacinta Marto, “através da bênção da primeira pedra”.

O comunicado destaca ainda que a inauguração do novo espaço litúrgico, que apesar dos condicionalismos “impostos pela pandemia”, coincide com as celebrações do Jubileu dos 500 anos de Cristianismo nas Filipinas.

 


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