aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

Roma:

Arquivo Vaticano disponibiliza 14 mil documentos

sobre evangelização no Japão

 

O cardeal José Tolentino Mendonça disse que os documentos Marega, que contam a história da evangelização do Japão e pertencem à Biblioteca Apostólica Vaticana (BAV), são “fundamentais” para “reconstruir” esse período e mostram “retrato da sociedade japonesa”.

“Os documentos preservados no Fundo Marega são fundamentais para reconstruir a história do cristianismo japonês. Mas o seu significado histórico vai muito além desse quadro. A documentação produzida constitui um retrato variado da sociedade japonesa na era pré-moderna. Ao abrir as coleções arquivísticas, modernas e contemporâneas, à investigação de pesquisadores, os arquivos apostólicos estão a dar uma contribuição não desprezível ao estudo das relações entre o Japão e a Santa Sé”, afirmou o responsável pela biblioteca e arquivo da santa sé, durante uma conferência de imprensa esta manhã, no Vaticano.

Cerca de 14 mil documentos, que datam do período entre 1603 -1868, foram objeto de estudo, restauração e catalogação em parceria com o Instituto Nacional Japonês de Humanidades e estão agora digitalizados e disponíveis para consulta online.

Os arquivos foram recolhidos pelo padre salesiano Mario Marega na década de 30 do século XX e em 2013, iniciou-se o «Projeto Marega», maior projeto de cooperação cultural realizado pela Biblioteca nos últimos anos.

“O projeto envolveu a reorganização do material, sua conservação e a restauração de parte dele devido às condições precárias em que foi coletado por Marega, a digitalização integral em alta definição como parte do projeto de digitalização dos oitenta mil manuscritos do Vaticano, o estudo e catalogação de documentos e a elaboração de uma base de dados que permitisse o acesso a documentos individuais e sua descrição”, explicou o prefeito da BAV, D. Cesare Pasini.

O responsável deu conta que a colaboração “não vai ficar por aqui” uma vez que vão continuar os contactos com os Institutos japoneses.

“Trabalhar juntos nos documentos que testemunham uma perseguição que durou dois séculos e meio, foi possível construir uma experiência comum, que resultou numa troca de habilidades, que se ampliou e se aprofundou no conhecimento e estima mútuos”, destacou o prefeito da Biblioteca Vaticana sobre a colaboração.

A BAV detém o “maior arquivo feudal preservado fora do Japão” permitindo estudar as relações entre o Japão e a Santa Sé.

“A cultura permite-nos tecer relacionamentos e tratar até as questões mais delicadas ou espinhosas com subtileza e precisão. Mesmo onde a história causou feridas ou contrastes conhecidos ou opostos entre si, podemos construir compreensão e aceitação, harmonia e respeito, pesquisando e investigando, explicando e contextualizando, fazendo uma memória respeitosa de tudo e de todos. E conhecemos ainda melhor a vida dos povos”, sustentou D. Cesare Pasini.

 

Roma:

Os catequistas podem, a partir de agora,

fazer exorcismos?

 

A 13 de dezembro do ano findo, a Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos publicou no Vaticano o novo ritual para a instituição oficial dos catequistas da Igreja Católica.

O ritual foi publicado juntamente com uma carta dirigida aos Presidentes das Conferências Episcopais do mundo inteiro, na qual se estabelecem os requisitos para ser catequista e na qual se pormenoriza quem não deve ser admitido neste ministério laical.

No ponto 1.10, a carta assinala o seguinte: “Aos catequistas que realmente sejam dignos e estiverem bem preparados, o Bispo confie a celebração dos exorcismos menores.

A Enciclopédia Católica define o exorcismo como “o acto de expulsar ou tirar das pessoas os demónios, ou espíritos malignos de lugares ou objetos que supostamente estão possuídos ou infestados por eles, ou que são susceptíveis de virem a ser vítimas ou instrumentos da sua malícia.”

O sítio web da Conferência Episcopal Católica dos Estados Unidos publicou há alguns anos uma explicação sobre as duas classes ou formas de exorcismo que existem na Igreja Católica.

“As formas simples ou menores de exorcismos encontram-se em dois lugares: primeiramente para aqueles que se preparam para o Batismo, o Rito da Iniciação Cristã de Adultos (RICA) e o Ritual para o Batismo das crianças. Ambos contêm exorcismos, seguidamente, o apêndice do Rito de Exorcismo inclui uma série de orações que podem ser usadas pelos fiéis.”

Este é o tipo de exorcismo que o Vaticano indica que os catequistas podem realizar, com a devida autorização do Bispo diocesano.

“A segunda classe de exorcismo é a solene ou o ‘exorcismo maior’, cujo rito só pode realizá-lo um bispo ou sacerdote, este último há-de ter uma licença especial e explícita do ordinário local (cfr Código de Direito Canónico, cc 1172)”, explicam os Bispos dos Estados Unidos.

Este segundo tipo, que é aquele que comumente se conhece só como exorcismo, não pode ser realizado por nenhum leigo nem catequista. Mais ainda: nem sequer o pode praticar um sacerdote que não tenha uma autorização explícita do bispo.

Os exorcismos maiores não têm um tempo determinado de duração e só se fazem depois de descartar com médicos devidamente qualificados, qualquer doença psicológica e psiquiátrica na pessoa afetada.

Só se realizam quando o sacerdote exorcista tem a certeza de que existe uma possessão diabólica.

O cânon 1172 do CDC, com as normas o que regulam na Igreja Católica, estabelece que “sem licença especial e explícita do Ordinário do lugar, ninguém pode realizar legitimamente exorcismos sobre os possessos”.

“O Ordinário (Bispo)do lugar concederá esta licença somente a um presbítero piedoso, douto, prudente e com integridade de vida”, acrescenta o cânon.

O número 1673 do Catecismo da igreja Católica precisa que “o exorcismo solene, chamado ‘o grande exorcismo’ só pode ser praticado por um sacerdote e com a permissão do bispo. Nestes casos é preciso proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja.

“O exorcismo tenta expulsar os demónios ou libertar do domínio demoníaco graças à autoridade espiritual que Jesus confiou à Sua Igreja, acrescenta o texto.

É uma verdade de fé que existem anjos bons e demónios e desde sempre se admitiu, desde o tempo de Jesus, que os anjos maus ou demónios podem apoderar-se fisicamente das pessoas (possessão diabólica), ou perturbá-las com a infestação, a obsessão ou a tentação.

A escassez de resposta, por parte da Igreja, a este problema – mais frequente do que parece à primeira vista – leva as pessoas a cair nas mãos de bruxos e curandeiros duvidosos, piorando a sua situação.

 

Lamego:

D. António Couto pede «coração habitado pela paz»

e «renovada caridade»

 

O bispo de Lamego pediu, na mensagem que escreveu para a Quaresma, que o “ódio e a violência” não tomem o coração do homem, abrindo espaço para a paz.

“As coisas do mundo não podem alimentar-te nem encher de perfume a tua vida. A tua alegria não está entre as coisas passageiras. Relâmpagos, tempestades, terramotos, sons e vozes da terra são estrangeiros para ti. Tu, meu irmão a tempo inteiro, não deixes de sentir os pés no chão do terreiro, mas mantém também a cabeça no céu, ao léu, para poderes ouvir sempre bem a voz de Deus, e ver bem, belo e bom, para tirar o argueiro da vista do teu irmão e companheiro. Que o ódio e a violência nunca tomem conta do teu coração. Que o teu coração seja habitação de paz. Que nunca te seduza o som das espingardas”, escreveu D. António Couto, num texto publicado no site da diocese.

 “Como se não bastassem as chagas a sangrar da pandemia da Covid-19 com que temos ainda de lidar, eis-nos já a braços com os tresloucados desvarios que de tempos-a-tempos assolam a nossa pobre humanidade, e trazem à tona a doença de chegarmos a pensar que somos deuses, no pior sentido, isto é, tiranos e prepotentes, senhores do mundo, senhores dos outros e de tudo! Maus e mais ou menos imortais, assim pensamos, podemos matar e destruir”, assinala.

A Quaresma iniciada com a Quarta-feira de Cinzas, um tempo “favorável que Deus dá para abrir caminhos novos de amor e de paz” entre os homens, um tempo de “conversão, de sementeira” para que nasça “um novo coração aberto aos irmãos mais necessitados”.

D. António Couto indica a importância de “renovar a caridade” neste tempo, “traduzida em renúncia quaresmal”.

Lamego vai destinar a ajuda a projetos espalhados pelo mundo, que contam com o contributo de pessoas originárias da diocese.

Dividida em três parcelas a renúncia quaresmal vai ajuda a construção de um Jardim de Infância e de uma Casa de Formação para Crianças e Jovens, em Laleia, em Timor-Leste, vai também apoiar “melhoramentos necessários” na paróquia de S. Kisito de Begou, Diocese de Sarh, no Chade e, a terceira parcela vai “apoiar as necessidades” de D. Manuel António, bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe.

 

Lisboa:

D. Manuel Clemente destaca a Pastoral Universitária

como «grande sinal» da «Missão País»

         

O cardeal-patriarca de Lisboa elogiou a “vitalidade” da ‘Missão País’, projeto de universitários católicos, considerando que o mesmo retoma o dinamismo original das primeiras comunidades cristãs.

“O grande sinal e o grande êxito da Missão País é retomar a forma inicial do Cristianismo, como ele acontece”, disse D. Manuel Clemente à Agência Ecclesia, destacando o investimento na partilha e no contacto com as populações, “no aprofundamento da Palavra de Deus e na oração”.

D. Manuel Clemente esteve com participantes na ‘Missão País’ reunidos na igreja da Graça, em Lisboa.

O projeto católico realiza em 2022 mais de 60 missões, regressando ao terreno após a paragem provocada pela pandemia de Covid-19, no último ano.

D. Manuel Clemente disse ter encontrado “as devidas cautelas, mas a mesma vontade de participar”.

A semana de missão, em várias localidades portuguesas, inclui atividades de serviço, tempos de oração e partilha.

“Isso refaz a maneira como o Evangelho começou a acontecer, que não foi propriamente numa sala de conferências”, observou o patriarca de Lisboa.

O cardeal português destacou a “vitalidade” do projeto, afirmando que os jovens “trazem para a sua vida” o dinamismo que experimentaram durante essa semana de missão.

“No fundo, isto é Evangelho vivo”, acrescentou.

‘Coragem! Levanta-te que Ele chama!’ é o tema da ‘Missão Pais’ 2022; esta é uma iniciativa universitária que começou com estudantes ligados ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, com 20 jovens, em 2003.

 

Vaticano:

publica novo guia para reforçar identidade própria

da Educação nas Escola Católicas

 

A Congregação para a Educação Católica (Santa Sé) publicou uma nova instrução sobre “A Identidade da Escola Católica para Uma Cultura do Diálogo”, assumindo situações de conflito ligadas a uma “perceção discordante da identidade católica das instituições escolares”.

“As causas da tensão devem-se, principalmente, por um lado, a uma interpretação redutiva ou meramente formal e, por outro, a uma consideração vaga ou fechada da identidade católica”, precisa o texto, divulgado pelo Vaticano.

A Santa Sé recorda que o dever de “reconhecer, respeitar e testemunhar a identidade católica da escola”, exposta oficialmente em cada projeto educativo, destacando que o mesmo se aplica a “professores, pessoal não docente, alunos e suas famílias”.

O documento procura esclarecer o que está em causa com a qualificação “católica” da escola, sustentando que a mesma implica “unidade e comunhão com a Igreja” a todos os níveis, “desde o órgão gestor até a direção da escola e os professores”.

“Os docentes e o pessoal administrativo pertencentes a outras Igrejas, comunidades eclesiais ou religiões, bem como aqueles que não professem nenhum credo religioso, a partir de sua nomeação, têm a obrigação de reconhecer e respeitar o caráter católico da escola”, pode ler-se.

O organismo da Cúria considera recomendável a “presença predominante de um grupo de professores católicos”.

Importa que a própria escola, seguindo a doutrina da Igreja, interprete e estabeleça os parâmetros necessários para o recrutamento dos professores”.

A nova instrução destaca que, se uma pessoa contratada “não cumprir as condições da escola católica e da sua pertença à comunidade eclesial”, poderá ser demitida, “levando em conta todas as circunstâncias do caso”.

“Como todos os professores participam da missão eclesial, o bispo diocesano também pode remover um professor quando se trata de uma escola católica dirigida pela diocese. Nos outros casos, ele pode exigir que um professor seja removido se as condições para a sua nomeação já não forem cumpridas”, acrescenta o texto.

O Vaticano aborda os casos em que o nome “católico” é utilizado de forma “ilícita”, sublinhando a necessidade de um “reconhecimento concreto por parte da autoridade eclesiástica competente”, a começar pelo bispo local.

A Congregação para a Educação Católica aponta o dedo a uma “interpretação, nem sempre correta”, do termo “católico”, bem como à “falta de clareza no que diz respeito às competências e às legislações” destas escolas.

A nova instrução começa por colocar o tema da presença da Igreja no mundo escolar no contexto geral da sua “missão evangelizadora”, apresentando a escola católica como “um sujeito eclesial”.

Num documento com quase 100 pontos, o segundo capítulo trata dos “diversos sujeitos que trabalham no mundo escolar”; já o capítulo final é dedicado a “alguns pontos críticos que podem surgir ao integrar todos os diversos aspetos da educação escolar na vida concreta da Igreja”.

O Vaticano alude ao processo de globalização, com o crescimento do diálogo inter-religioso e intercultural.

“A história das escolas católicas caracteriza-se pelo acolhimento de alunos de ambientes culturais e crenças religiosas diferentes”, indica.

A Santa Sé convida as escolas católicas a estar abertas a todos, “particularmente os mais fracos”, advogando a liberdade de escolha educativa para os pais, “primeiros sujeitos responsáveis pela educação”.

“O Estado tem a responsabilidade de apoiar as famílias no seu direito de escolher a escola e o projeto educativo”, precisa o organismo da Cúria Romana.

Citando os principais documentos do Concílio Vaticano II (192-1965), dos Papas e da Santa Sé, nas últimas décadas, a Congregação para a Educação Católica fala no “perfil dinâmico da identidade da escola católica”, que convida ao diálogo e à cooperação, a nível eclesial e com a sociedade, a partir de “um projeto educativo inspirado claramente no Evangelho”.

Apenas uma ação forte e unitária da Igreja no campo da educação, num mundo que se torna cada vez mais fragmentado e conflitivo, pode contribuir tanto para a missão evangelizadora que Jesus lhe confiou”.

O texto retoma a proposta do “pacto educativo global”, lançada pelo Papa Francisco, apontando a uma “mudança pessoal, social e ambiental”.

O Vaticano reforça ainda a necessidade de proteger os menores e os mais vulneráveis, com mecanismos que permitam “garantir o respeito pela vida, a dignidade e a liberdade dos alunos e dos outros membros da escola”.

 

Papa:

Fraternidade Humana: «Ou somos irmãos

ou tudo se desmorona»

 

O Papa associou-se à celebração do II Dia Internacional da Fraternidade Humana, alertando para a necessidade de superar cenários de conflito e a “indiferença” perante o sofrimento alheio.

“Ou somos irmãos ou tudo se desmorona, vemos isso nas pequenas guerras, nesta terceira guerra mundial aos bocados, como os povos são destruídos, como as crianças não têm o que comer, como a educação cai… É a destruição. Ou somos irmãos ou tudo se desmorona”, advertiu, numa mensagem em vídeo, divulgada pelo Vaticano.

Esta jornada internacional é convocada pela ONU, evocando a data de assinatura do documento sobre a Fraternidade Humana, a 4 de fevereiro de 2019, pelo Papa e o grande imã de Al-Azhar, em Abu Dhabi.

“Hoje, repito, não é tempo de indiferença: ou somos irmãos ou tudo se desmorona”, assinalou o pontífice.

Francisco destacou que, nestes anos, cresceu a consciência da necessidade de “construir a fraternidade como barreira contra o ódio, a violência e a injustiça”.

“A fraternidade é um dos valores fundamentais e universais que devem ser a base das relações entre os povos, para que aqueles que sofrem ou são desfavorecidos não se sintam excluídos e esquecidos, mas acolhidos, apoiados como parte da única família humana. Nós somos irmãos”, apontou.

Todos, partilhando sentimentos de fraternidade uns pelos outros, devemos promover uma cultura de paz, que encoraje o desenvolvimento sustentável, a tolerância, a inclusão, a compreensão mútua e a solidariedade”.

A mensagem fala em “sinais ameaçadores, tempos sombrios e lógica do conflito”, convidando os crentes a responder com “o sinal da fraternidade”, acolhendo o outro e respeitando a sua identidade.

“Não iguais, não, irmãos, cada um com a própria personalidade, com a sua própria singularidade”, precisou.

Obrigado a todos os que se uniram neste caminho de fraternidade. Encorajo todos a empenhar-se pela causa da paz e na resposta aos problemas e às necessidades concretas dos últimos, dos pobres, de quem é indefeso. A proposta é caminhar lado a lado, ‘fratelli tutti’, para ser, concretamente, artesãos de paz e de justiça, na harmonia das diferenças e no respeito pela identidade de cada um”.

Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, associam-se ao II Dia Internacional da Fraternidade Humana, num evento que o Vaticano e os Emirados Árabes Unidos promovem para esta data, na Expo Dubai, a ‘Mesa Redonda para a Fraternidade Humana e a Aliança Mundial para a Tolerância’.

Al-Tayyeb agradeceu, na sua mensagem, aos que trabalham pela paz, apesar dos obstáculos da pandemia.

“Esta celebração significa a busca de um mundo melhor, em que prevaleça o espírito de tolerância, fraternidade, solidariedade e colaboração”, indicou.

O líder da instituição sunita evocou as pessoas vulneráveis do mundo de hoje, “vítimas do materialismo moderno” e do “egoísmo excessivo”.

“Embarcamos nesta jornada na esperança de um mundo novo, livre de guerras e conflitos, onde os temerosos e os pobres sejam tranquilizados e apoiados, os vulneráveis protegidos e a justiça administrada”, refere o grande imã de Al-Azhar.

O responsável islâmico evoca a declaração assinada em 2019, com o Papa, que visava superar “preconceitos e conflitos que muitas vezes levam a derramamento de sangue e guerras”.

 

Roma:

Pio XII ajudou a salvar 15 mil judeus, diz investigador alemão

 

O historiador alemão Michael Feldkamp, que tem investigado os Arquivos do Vaticano sobre o pontificado de Pio XII (1939-1958), afirmou que o Papa salvou pessoalmente “pelo menos 15 mil judeus” e tentou alertar para o Holocausto.

“Pio XII enfrentou a perseguição dos judeus quase diariamente. Todos os relatórios foram-lhe apresentados e ele estabeleceu o seu próprio escritório na segunda secção da Secretaria de Estado, onde o pessoal teve de lidar exclusivamente com esses assuntos”, refere o especialista, em entrevista ao portal de notícias do Vaticano.

Feldkamp indica que o Papa enviou um relatório sobre a Shoah aos EUA, em 1942, pouco depois da Conferência de Wannsee, na Alemanha nazi, mas não recebeu resposta.

O historiador tem analisado os documentos que ficaram acessíveis pela primeira vez em março de 2020, após a abertura dos Arquivos do Vaticano relativos ao pontificado de Pio XII.

Michael Feldkamp, arquivista-chefe do Bundestag (a Câmara Baixa do Parlamento alemão), colabora com Johannes Ickx, arquivista do Vaticano.

“Eugenio Pacelli, ou seja, Pio XII, soube do Holocausto desde muito cedo”, indica o autor, acrescentando que “em relação ao extermínio sistemático dos judeus da Europa, enviou uma mensagem ao presidente americano Roosevelt em março de 1942”.

“Estas mensagens não foram consideradas credíveis pelos americanos”, acrescentou.

Segundo o historiador, é possível estimar que Pio XII “salvou pessoalmente cerca de 15 mil judeus através dos seus próprios esforços: abrindo mosteiros, transformando claustros para que as pessoas se pudessem esconder, etc.”.

Feldkamp relata que a Guarda Palatina Papal, uma espécie de “guarda-costas” do Papa se envolveu em combates com a Waffen-SS para “esconder judeus na basílica romana de Santa Maria Maior”.

O historiador admite que “o problema do silêncio ainda está lá”, mas entende que “agora pode ser considerado razoável”, dado que Pio XII levou as pessoas a “esconder-se em operações secretas”.

“Ele não poderia chamar a atenção do público para si mesmo, organizando manifestações ou escrevendo notas de protesto”, aponta.

A abertura destes arquivos foi anunciada pelo Papa Francisco a 4 de março de 2019, após um trabalho de mais de 14 anos.

O pontificado de Pio XII atravessou a II Guerra Mundial e o início da chamada ‘Guerra Fria’.

Uma das principais fontes de informação é o arquivo dos Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, com quase 5000 caixas que foram reordenadas, num inventário de cerca de 15 mil páginas.

 

Vaticano:

O exemplo das padroeiras da Europa

para o mundo atual é tema de conferência

 

A Universidade Pontifícia Urbaniana, em Roma (Itália) acolheu, dias 07 e 08 de março, uma conferência internacional sobre “Mulheres Doutoras da Igreja e Padroeiras da Europa em diálogo com o mundo de hoje”,

A iniciativa teve o objetivo de “restituir o estímulo e a esperança aos numerosos desafios da realidade contemporânea através do exemplo das mulheres da Igreja”, refere o site VaticanNews.

Na história da Igreja, há mulheres que deixaram “testemunhos importantes, que se abriram ao diálogo, que ofereceram grandes ensinamentos ou que se dedicaram ao próximo”.

A conferência, patrocinada pela Congregação para as Igrejas Orientais, pelo Pontifício Conselho para a Cultura e muitas outras entidades, incluindo a COMECE (Conferência Episcopal dos Bispos Europeus), visa tornar essas mulheres da Igreja “mais conhecidas”, para que a sua mensagem possa oferecer “luz e esperança no mundo de hoje, dilacerado por uma grave crise antropológica, social, econômica e moral, que se agravou com a pandemia”, lê-se

A iniciativa é ocasião para comemorar os 50 anos, celebrado em 2020, do doutorado de Catarina de Sena e Teresa de Ávila; os 400 anos de canonização de Teresa de Ávila ocorrido em 12 de março de 1622; os 25 anos do doutorado de Teresa de Lisieux realizado em 1997; e os 10 anos, também de doutorado, de Hildegard de Bingen em 2012.

A programação do encontro académico será enriquecida também com as santas padroeiras da Europa proclamadas por João Paulo II em 1999: Teresa Benedita da Cruz, nascida Edith Stein, e Brigite da Suécia, junto com Catarina de Sena.

 

Vaticano:

Papa alerta para Igreja «barricada na sacristia»

 

O Papa apelou à abertura da Igreja Católica e ao compromisso na luta contra as desigualdades, falando numa audiência com seminaristas do Seminário Pontifício Lombardo em Roma.

“Por favor, não fiquemos barricados na sacristia e não cultivemos pequenos grupos fechados, onde nos podemos aconchegar e ficar sossegado”, advertiu Francisco, numa intervenção divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé.

Falando aos futuros sacerdotes, o Papa destacou que “é necessário abrir, expandir o horizonte do ministério às dimensões do mundo”.

“Há um mundo que espera pelo Evangelho e o Senhor deseja que os seus pastores se conformem a Ele, carregando no coração e aos ombros as expectativas e os fardos do rebanho. Corações abertos, compassivos, misericordiosos”, indicou.

Francisco disse que os sacerdotes católicos devem ser “tecedores de comunhão”, atuando contra as desigualdades e “atentos aos sinais de sofrimento do povo”.

O discurso centrou-se na figura do Papa Pio XI, Achille Ratti (1857-1939), um dos primeiros alunos do Seminário Lombardo, evocando “sinais proféticos” do pontífice que foi eleito a 6 de fevereiro de 1922.

“Pio XI escolheu fazer a sua saudação já não dentro da Basílica, mas na varanda central. Ele queria que a sua primeira bênção fosse dirigida ‘Urbi et Orbi’, à cidade de Roma e ao mundo inteiro”, recordou.

O Papa defendeu que os novos padres devem ter também “o desejo de levar o Evangelho às ruas do mundo, aos bairros e lares, especialmente aos lugares mais pobres e esquecidos”.

“Testemunhas, gestos, como aquele primeiro gesto de Pio XI”, acrescentou.

Francisco citou ainda a encíclica ‘Quadragesimo anno’ de quase um século atrás, na qual Pio XI alertava contra a acumulação de riqueza e do poder nas mãos de poucos.

“Como isso é verdade e como é trágico agora, quando a distância entre os poucos ricos e os muitos pobres é cada vez maior”, lamentou o Papa.

 

Vaticano:

Papa alerta para solidão e inveja na vida dos sacerdotes

 

O Papa alertou para as consequências da solidão e da “inveja” na vida dos sacerdotes, pedindo que bispos e padres promovam relações de proximidade. “

“Em muitos presbíteros, vai-se consumando o drama da solidão, de se sentirem sozinhos. Sentimo-nos não dignos de paciência, de consideração; antes, parece que do outro nos vem o julgamento, não o bem, nem a benignidade”, assinalou, na conferência de abertura do Simpósio Internacional ‘Para uma Teologia Fundamental do Sacerdócio’.

Num discurso proferido no Auditório Paulo VI, Francisco considerou que a inveja está muito presente nas comunidades sacerdotais, falando numa “porta para a destruição”, que se sente até nos processos de nomeação de novos bispos.

“O outro é incapaz de se alegrar com o bem que nos acontece na vida, ou então sou eu que me sinto incapaz de me alegrar quando vejo o bem na vida dos outros. Esta incapacidade é a inveja, quero sublinhar isto, que tanto atormenta os nossos ambientes”, advertiu.

Francisco criticou o que designou como formas “clericais” de bullying, convidando todos a deixar de parte o “ressentimento”.

“O amor verdadeiro compraz-se com a verdade e considera um pecado grave atentar contra a verdade e a dignidade dos irmãos através de calúnias, maledicências, falatórios”, indicou.

O Papa destacou a importância da fraternidade sacerdotal e dos “laços de verdadeira amizade”, que permitem viver com mais serenidade a opção celibatária.

O celibato é um dom que a Igreja latina guarda; mas, para ser vivido como santificação, necessita de relações sadias, relações de verdadeira estima apostando no bem autêntico, cuja raiz está em Cristo. Sem amigos e sem oração, o celibato pode tornar-se um peso insuportável e um contratestemunho da própria beleza do sacerdócio”.

A conferência destacou a importância de uma relação de proximidades entre os padres e o seu bispo, refletindo em particular sobre a obediência.

“Obedecer significa aprender a escutar, lembrando-se de que ninguém se pode arvorar em detentor da vontade de Deus e que esta há de ser compreendida apenas através do discernimento”, precisou.

O Papa observou que há padres com “vida de solteirão”, por se fecharem à relação com outros membros do clero, pedindo que cada o bispo seja um “pai”, conhecendo a realidade da sua comunidade.

“Isto requer necessariamente que os sacerdotes rezem pelos bispos e saibam exprimir, com respeito e sinceridade, o seu parecer. Requer, igualmente dos bispos, humildade, capacidade de escuta, de autocrítica e de se deixar ajudar. Se defendermos esta ligação, avançaremos com segurança no nosso caminho”, acrescentou.

Além da obediência, Francisco destacou a centralidade da “fraternidade”, sublinhando que esta “não pode ser uma imposição moral, externa à pessoa”.

“O amor fraterno, se não pretendermos açucará-lo, acomodá-lo, diminuí-lo, é a grande profecia que somos chamados a viver nesta sociedade do descarte”, sustentou.

O Papa falou numa “síndrome de Caim”, de quem rejeita o amor e acaba por viver como um errante, “sem nunca se sentir em casa, e por isso mesmo está mais exposto ao mal, a fazer-se mal e a fazer o mal”.

O simpósio promovido pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, tem organização do Centro de Investigação em Antropologia e Vocações, organismo independente da Santa Sé.

Entre os temas em debate estão a questão das “mulheres e ministérios” e o “celibato, carisma, espiritualidade”.

Os trabalhos da manhã de sábado, dia final do evento, vão ser presididos pelo cardeal José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé.

 

Vaticano:

Papa apela à valorização dos idosos, na Igreja e na sociedade

 

O Papa apelou à valorização dos idosos, na Igreja e na sociedade, anunciando o tema para o II Dia Mundial dos Avós, que a Igreja Católica vai celebrar a 24 de julho.

O” tema escolhido pelo Santo Padre para a ocasião é ‘Dão fruto mesmo na velhice’ (Sl 92, 15), e pretende destacar o quanto os avós e idosos são um valor e um dom, tanto para a sociedade quanto para a comunidade eclesial”, assinala o Vaticano, em comunicado de imprensa.

A celebração do II Dia Mundial dos Avós e dos Idosos convida a valorizar estas pessoas, “tão frequentemente deixadas às margens das famílias, das comunidades civis e eclesiais”.

“A experiência de vida e de fé deles pode contribuir, com efeito, para construir sociedades conscientes das suas próprias raízes e capazes de sonhar um futuro mais solidário”, pode ler-se.

A Santa Sé destaca que o convite do Papa “a dar ouvidos à sabedoria dos anos” se revela “particularmente significativo no contexto do caminho sinodal que a Igreja tem empreendido”.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé) convida as paróquias, as dioceses, as realidades associativas e comunidades eclesiais do mundo inteiro a “encontrarem as modalidades para celebrarem essa jornada, cada qual no seu contexto pastoral”.

O organismo do Vaticano vai partilhar, em breve, ferramentas pastorais para as comunidades católicas.

 

Vaticano:

Papa apela ao diálogo entre religiões para promover a paz

 

O Papa associou-se no Vaticano ao II Dia Mundial da Fraternidade Humana, convocado pela ONU para 4 de fevereiro, pedindo que as religiões dialoguem entre si e com a sociedade, promovendo a paz.

Francisco considerou “motivo de satisfação que todas as nações do mundo se unam nesta celebração, destinada a promover o diálogo inter-religioso, intercultural, como é desejado também no documento sobre a fraternidade humana”, assinado em Abu Dhabi, a 4 de fevereiro de 2019, pelo Papa e pelo grande imã de Al-Azhar, a mais prestigiada instituição do Islão sunita.

“Fraternidade significa estender a mão aos outros, respeitá-los e ouvi-los, de coração aberto”, acrescentou o Papa, falando no final da audiência pública semana, que decorreu no Auditório Paulo VI.

A intervenção defendeu a necessidade de “passos concretos, com crentes de outras religiões e pessoas de boa vontade”, para afirmar que “hoje é tempo de fraternidade, evitando alimentar confrontos, divisões, encerramentos”.

“Rezemos e empenhemo-nos todos os dias, para que todos possamos viver em paz, como irmãos e irmãs”, concluiu.

 

Vaticano:

Papa aprova nova Constituição para a Cúria Romana,

mais virada para fora e menos centrada na gestão interna

 

O Papa promulgou em 19 de março, solenidade de S. José, a nova constituição para a Cúria Romana, os serviços centrais de governo da Igreja Católica, assinalando os nove anos de início solene do seu pontificado.

O texto dá corpo a um projeto central de Francisco, que promoveu uma reforma interna com a ajuda de um inédito conselho consultivo de cardeais, representando os cinco continentes.

A nova constituição apostólica ‘Praedicate evangelium’ (Pregai o Evangelho) propõe uma Cúria mais atenta à vida da Igreja Católica no mundo e à sociedade, rejeitando uma atenção exclusiva à gestão interna dos assuntos do Vaticano.

Uma das novidades é o fim da distinção entre Congregações e Conselhos Pontifícios, passando os vários “ministérios” da Santa Sé a assumir a denominação de Dicastérios.

“A Cúria Romana é composta pela Secretaria de Estado, pelos Dicastérios e pelos Organismos, todos juridicamente iguais entre si”, precisa o Papa.

O novo documento condensa várias das alterações implementadas nos últimos anos, ao nível da estrutura da Cúria Romana, e entra em vigor no dia 5 de junho, solenidade litúrgica de Pentecostes.

Francisco, defensor de uma “Igreja em saída”, propõe ao longo dos 250 artigos desta constituição uma estrutura mais missionária para a Cúria Romana, ao serviço das dioceses de todo o mundo.

“A Cúria Romana não se coloca entre o Papa e os bispos, mas coloca-se ao serviço de ambos, segundo as modalidades que são próprias da natureza de cada um”, pode ler-se.

Simbolicamente, o primeiro Dicastério na nova ordem da Cúria é o da Evangelização – que unifica a antiga Congregação para a Evangelização dos Povos e o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização -, presidido pelo próprio Papa, com dois pró-prefeitos para cada uma das secções deste organismo.

A nova Constituição, que substitui a “Pastor Bonus” de João Paulo II – promulgada a 28 de junho de 1988 – é apresentada pelo Vaticano como “resultado de um longo trabalho colegial”, que se inspirou nas reuniões pré-conclave de 2013, envolvendo o Conselho de Cardeais, com reuniões de outubro de 2013 a fevereiro de 2022, e contributos de todo o mundo.

Francisco cria um novo Dicastério para o Serviço da Caridade – terceiro na ordem -, representado pela Esmolaria Apostólica, que vê o seu papel reforçado dentro da Cúria Romana como “uma expressão especial da misericórdia”.

“Partindo da opção pelos pobres, os vulneráveis e os excluídos, exerce em qualquer parte do mundo a obra de assistência e ajuda-os em nome do Romano Pontífice, o qual, nos casos de particular indigência ou de outra necessidade, disponibiliza pessoalmente as ajudas a serem destinadas”, indica o artigo 79.

O Dicastério para a Doutrina da Fé, segundo a ser elencado, engloba a partir de agora a Comissão para a Proteção de Menores, criada em 2013, que continua a funcionar com suas próprias regras e os seus próprios presidente e secretário, nomeados pelo Papa.

Francisco sublinha que os leigos podem assumir funções de governo da Cúria Romana, por decisão do Papa.

“Todos os cristãos, em virtude do Batismo, são discípulos-missionários, na medida em que encontraram o amor de Deus em Cristo Jesus. Não se pode ignorar isso na atualização da Cúria, cuja reforma, portanto, deve incluir o envolvimento de leigas e leigos, também em papéis de governo e responsabilidade”, destaca o preâmbulo do texto.

O Papa propõe a sinodalidade como modalidade de trabalho habitual para a Cúria Romana, propondo uma “sã descentralização” que ofereça novas competências aos bispos diocesanos e conferências episcopais.

A Santa Sé sublinha, entre outras novidades, a definição da Secretaria de Estado como “Secretaria Papal” e a transferência do Escritório do Pessoal da Cúria para a Secretaria para a Economia, com a indicação de que a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) deve atuar por “meio da atividade instrumental do Instituto para as Obras de Religião”, popularmente conhecido como ‘Banco do Vaticano’.

O Papa consagrada, por outro lado, o princípio de que clérigos e religiosos em serviço na Cúria Romana devem ter um mandato é de cinco anos, que pode ser renovado por mais cinco anos, devendo depois regressar às dioceses e comunidades de referência.

Francisco, que iniciou solenemente o seu pontificado a 19 de março de 2013, tem sido particularmente crítico do “carreirismo” na Igreja Católica – uma das doenças identificadas no seu discurso à Cúria Romana, em 2014

A nova Constituição procede a uma redução de Dicastérios, “combinando aqueles cuja finalidade era muito semelhante ou complementar”, a fim de “racionalizar as suas funções” e “evitar sobreposições de competências”, para tornar o trabalho mais eficaz.

Exemplo dessa fusão é o novo Dicastério para a Cultura e a Educação, que visa promover os valores da “antropologia cristã”.

O já anteriormente criado Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano integral, por sua vez, assume a missão de promover e defender “modelos equitativos de economia e estilos de vida sóbrios, sobretudo promovendo iniciativas contra a exploração económica e social dos países pobres, relações comerciais assimétricas, especulação financeira e modelos de desenvolvimento que criam exclusões”.

A Cúria Romana passa a ser constituída pela Secretaria de Estado, 16 dicastério, três tribunais, os organismos económicos, três departamentos e outras instituições ligadas à Santa Sé.

Francisco apresenta como critérios para desempenhar cargos de responsabilidades nos organismos centrais de governo da Igreja Católica a “vida espiritual, boa experiência pastoral, sobriedade de vida e amor aos pobres, espírito de comunhão e de serviço, competência nos assuntos que são confiados, capacidade de discernir os sinais dos tempos”.

 

Vaticano:

Papa começou a receber delegações

de povos indígenas canadianos

 

O Papa recebeu no Vaticano os primeiros dois grupos de representantes dos povos indígenas canadianos, uma dezena de delegados dos Métis e dos Inuit, respetivamente, acompanhados por bispos católicos.

“Cada encontro durou cerca de uma hora e foi caraterizado pelo desejo do Papa de ouvir e dar espaço às dolorosas histórias trazidas pelos sobreviventes”, refere uma nota da Santa Sé, enviada aos jornalistas.

O comunicado indica que “as reuniões e a escuta continuarão nos próximos dias de acordo com as informações já prestadas”.

O programa prevê reuniões pessoais do Papa com cada um dos três grupos de delegados – Primeiras Nações, Métis e Inuit – e uma audiência final, além de visitas a instituições da Santa Sé.

32 anciãos indígenas, sobreviventes de escolas residenciais e jovens estão no Vaticano para uma “viagem histórica”, segundo a Conferência Episcopal do Canadá (CCCB, sigla em inglês).

Os delegados foram selecionados em colaboração com a Assembleia das Primeiras Nações, o Conselho Nacional Métis e o Inuit Tapiriit Kanatami, com o objetivo de abordar “o legado das escolas residenciais e os impactos do colonialismo”.

“Como bispos canadianos, estamos gratos a estes delegados por caminharem connosco nesta jornada e ao Papa Francisco pela sua atenção ao seu sofrimento e o seu profundo compromisso com a justiça social”, disse o presidente do CCCB, D. Raymond Poisson.

Os encontros prosseguem ao longo desta semana, até 1 de abril, quando acontece uma audiência na Sala Clementina do Palácio Apostólico, “com a participação conjunta das várias delegações e da Conferência Episcopal do Canadá, durante a qual o Papa terá forma de intervir”, segundo o Vaticano.

 

Papa:

Consagrou a Rússia, a Ucrânia e a humanidade

ao Imaculado Coração de Maria, perante «ameaça nuclear»

 

Cidade do Vaticano, 25 mar 2022 (Ecclesia) – O Papa pediu hoje que a humanidade seja preservada da “ameaça nuclear”, durante o Ato de Consagração a que presidiu no Vaticano, em ligação a Fátima, invocando a paz, particularmente na Ucrânia e Rússia.

“Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear”, disse, durante o Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria, a que presidiu na Basílica de São Pedro, no final da tradicional celebração penitencial de Quaresma, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

A consagração decorreu, simultaneamente, na Cova da Iria, onde o cardeal Konrad Krajewski, esmoler pontifício, presidiu à recitação do Rosário, na qualidade de enviado do Papa.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e bispo de Leiria-Fátima, D José Ornelas, introduziu a oração na Capelinha das Aparições.

“Em comunhão com o Santo Padre Francisco, em Roma, estamos reunidos neste lugar onde a Mãe do Céu nos convida à conversão, à oração pela paz e nos revela o seu Imaculado Coração como refúgio e caminho para Deus”, declarou.

“Unidos ao povo ucraniano que nestes dias recebe a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, e nesta hora sombria da história do mundo, deixamo-nos atrair pela luz que irradia do seu Coração Imaculado, e rezamos para que escute a nossa oração e nos alcance do Coração misericordioso do nosso Deus o dom da paz e da concórdia entre os povos”, acrescentou D. José Ornelas.

Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima foi colocada em destaque, na Basílica de São Pedro, para o ato de consagração.

“O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria”, refere a oração proferida pelo Papa, em união a todos os bispos e padres dos cinco continentes, convidados a participar neste ato solene.

Francisco disse que a humanidade perdeu o “caminho da paz”.

“Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais”, lamentou, num texto previamente divulgado pela Santa Sé.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz”.

Após a oração, o Papa depositou um ramo de flores junto da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Os media do Vaticano transmitiram esta consagração para todo o mundo, incluindo uma emissão em Língua Gestual (italiana), para permitir a “participação dos fiéis”.

A liturgia penitencial e do Ato de Consagração incluíram-se nas “24 horas para o Senhor”, iniciativa promovida em todo o mundo pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Após a celebração, os sinos da Basílica de São Pedro associam-se à invocação de paz por intercessão da Virgem Maria, explica uma nota divulgada pela Santa Sé.

Centenas de pessoas acompanharam a celebração, tanto no templo como na Praça de São Pedro, onde foram colocadas várias cadeiras, junto a ecrãs gigantes

 

Roma:

Papa convoca bispos para Ato de Consagração

da Rússia e da Ucrânia

 

O Papa convocou os bispos de todo o mundo para que se unam a si, no Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria que pede a paz para o mundo, especialmente a Rússia e a Ucrânia.

“Convido-o, querido irmão, a unir-se ao referido Ato, convocando os sacerdotes, os religiosos e os outros fiéis para a oração comunitária nos lugares sagrados, no dia de sexta-feira 25 de março, de modo que o santo Povo de Deus faça, de modo unânime e veemente, subir a súplica à sua Mãe”, escreve Francisco, numa carta divulgada pelo Vaticano.

O Papa consagrou a Rússia e Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, em ligação a Fátima, durante uma celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro.

O mesmo ato foi realizado no Santuário de Fátima, pelo cardeal Konrad Krajewski, esmoler pontifício, como enviado de Francisco, com a recitação do Rosário na Capelinha das Aparições, a partir das 16h00.

“Pretendo realizar um Ato solene de Consagração da humanidade, particularmente da Rússia e da Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria. Uma vez que é bom predispor-se para invocar a paz renovados pelo perdão de Deus, tal Ato acontecerá no contexto duma Celebração da Penitência, que terá lugar na Basílica de São Pedro às 17h00, hora de Roma. O Ato de Consagração está previsto para as 18h30”, precisa o Papa.

A carta aos bispos de todo o mundo refere que “já passou quase um mês do início da guerra na Ucrânia, que está a causar sofrimentos cada dia mais terríveis àquela atormentada população, ameaçando mesmo a paz mundial”.

Nesta hora escura, a Igreja é fortemente chamada a interceder junto do Príncipe da Paz e a fazer-se próxima a quantos pagam na própria pele as consequências do conflito. Nesta linha, sinto-me agradecido a todas as pessoas que estão a responder, com grande generosidade, aos meus apelos à oração, ao jejum e à caridade”.

Francisco indica que o Ato de Consagração responde a “numerosos pedidos do Povo de Deus”, visando “confiar de modo especial a Nossa Senhora as nações em conflito”.

“Quer ser um gesto da Igreja universal, que neste momento dramático leva a Deus, através da sua e nossa Mãe, o grito de dor de quantos sofrem e imploram o fim da violência, e confia o futuro da humanidade à Rainha da Paz”, realça.

A carta é acompanhada pelo texto da própria oração de consagração, para que todos a possam recitar ao longo desse dia, “em união fraterna”.

O testemunho dos videntes de Fátima regista que, na aparição de 13 de julho de 1917, Nossa Senhora lhes disse: “Para impedir a guerra virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados”.

“Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”, registava Irmã Lúcia, falecida em 2005, nas suas ‘Memórias’.

 

Vaticano:

Papa critica homilias «abstratas» e distantes da realidade

 

O Papa criticou homilias “abstratas”, que “adormecem a alma”, pedindo uma maior atenção à realidade concreta.

“Às vezes, acontece que as nossas pregações e ensinamentos permanecem genéricos, abstratos, não tocam a alma e a vida das pessoas. Porquê? Porque não têm a força deste hoje que Jesus preenche de significado com o poder do Espírito”, referiu, após a recitação do ângelus.

Falando a respeito da celebração do Domingo da Palavra, que a Igreja Católica assinala hoje em todo o mundo, Francisco falou de “palestras impecáveis, discursos bem construídos, mas que não comovem o coração e, assim, tudo fica como antes”.

“A pregação corre este risco: sem a unção do Espírito, empobrece-se a Palavra de Deus, cai-se em moralismos e conceitos abstratos, apresenta-se o Evangelho com distância, como se estivesse fora do tempo, distante da realidade”, advertiu.

Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa falou do início da pregação de Jesus, em Nazaré, onde cresceu, e da primeira palavra que proferiu, “hoje”.

“Os concidadãos de Jesus ficam impressionados com sua palavra. Mesmo que, obscurecidos por preconceitos, não acreditem nele, percebem que o seu ensino é diferente do de outros mestres: intuem que há mais em Jesus”, observou, falando da “unção do Espírito Santo”.

“Uma palavra em que não há pulsar a força de hoje não é digna de Jesus e não ajuda a vida das pessoas. Por isso, quem prega, por favor, é o primeiro a ter de experimentar o hoje de Jesus, para poder comunicá-lo no hoje dos outros”, acrescentou.

O Papa agradeceu depois a “todos os pregadores e arautos do Evangelho que permanecem fiéis à Palavra que sacode o coração”.

A intervenção deixou um desafio particular aos católicos: “Nos domingos deste ano litúrgico é proclamado o Evangelho de Lucas, o Evangelho da misericórdia. Por que não lê-lo pessoalmente, todo, uma pequena passagem a cada dia?”.

Francisco renovou o seu conselho de ter no bolso ou na mala uma cópia dos Evangelhos, para os ler regularmente.

“A Palavra de Deus é também o farol que orienta o caminho sinodal lançado em toda a Igreja. Enquanto nos esforçamos para ouvir uns aos outros, com atenção e discernimento, – porque não é um inquérito de opinião, não – ouçamos juntos a Palavra de Deus e o Espírito Santo”, prosseguiu.

Após a oração, Francisco recordou a proclamação de Santo Irineu (séc. II-III) como doutor da Igreja, com o título de ‘Doctor unitatis’, “doutor da unidade”, colocando esta decisão no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

“Que, por sua intercessão, o Senhor nos permita trabalhar, todos juntos, pela plena unidade dos cristãos”, concluiu.

 

Vaticano:

Papa proclamou Santo Irineu como doutor da Igreja

 

O Papa proclamou em 21 de janeiro Santo Irineu (séc. II-III) como doutor da Igreja, com o título de ‘Doctor unitatis’, “doutor da unidade”.

“Santo Irineu de Lyon, vindo do Oriente, exerceu o seu ministério episcopal no Ocidente: foi uma ponte espiritual e teológica entre os cristãos orientais e ocidentais”, refere o decreto, publicado pelo Vaticano.

Francisco destaca o significado do nome Irineu, ligada à palavra grega para “paz”, sublinhando a “paz que vem do Senhor e que reconcilia, reintegrando na unidade”.

O Papa deixa votos de que “a doutrina de tão grande mestre encoraje cada vez mais o caminho de todos os discípulos do Senhor para a plena comunhão”.

Esta quinta-feira, Francisco tinha recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos.

Irineu nasceu em Esmirna (atual Turquia) entre os anos 130-140 e faleceu em Lyon, França, em 202.

Um ‘doutor’ é alguém reconhecido pela Igreja Católica como exemplo de “santidade de vida, ortodoxia doutrinal e ciência sagrada”.

O título foi atribuído a Santo António de Lisboa pelo Papa Pio XII, em 1946.

O portal ‘Vatican News’ destaca que Santo Irineu foi o primeiro teólogo cristão a tentar elaborar uma síntese global do cristianismo primitivo; até hoje chegaram duas obras dos seus escritos, os cinco livros ‘Contra as heresias’ e a ‘Exposição da Pregação Apostólica’, definido como o mais antigo catecismo de doutrina cristã.

Em outubro de 2021, o Papa tinha anunciado ao Grupo de Trabalho Misto Ortodoxo-Católico ‘Santo Irineu’, que reúne especialistas de várias Igrejas e de diferentes países, a sua intenção de proclamar o santo como doutor da Igreja.

 

Papa:

Lugar dos sacerdotes é «no meio das pessoas»

 

O Papa alertou no Vaticano contra o “funcionalismo” dos sacerdotes, pedindo “proximidade compassiva e terna” com a realidade concreta.

“O lugar de cada sacerdote é no meio das pessoas, numa relação de proximidade com o povo”, disse, na abertura de um simpósio internacional de três dias, sobre o tema ‘Para uma Teologia Fundamental do Sacerdócio’.

Francisco assinalou a importância de conhecer e interpretar a realidade onde se vive, para que os padres não sejam “clérigos de Estado” nem “profissionais do sagrado”.

“Tenho a certeza de que hoje, para se compreender de novo a identidade do sacerdócio, é importante viver em estreita ligação com a vida real das pessoas, ao lado delas, sem qualquer via de fuga”, precisou.

A intervenção, que durou cerca de uma hora, partiu da experiência pessoal do Papa, com mais de 50 anos de sacerdócio, alertando para a tentação de procurar respostas na “ideologia do momento” ou de se fechar no passado.

“Não sei se estas reflexões são o ‘canto do cisne’ da minha vida sacerdotal, mas posso certamente assegurar que provêm da minha experiência. Nada de teoria, aqui, falo do que vivi”, começou por referir.

O Papa falou da crise vocacional que preocupa, em várias partes do mundo, as comunidades católicas, muitas vezes “funcionais”, mas sem “entusiasmo”.

“Onde houver vida, fervor, anseio de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas”, afirmou.

O discurso apresentou aos participantes as “quatro colunas constitutivas da vida sacerdotal”, a proximidade com Deus, o povo, o bispo e os outros padres.

“Sem uma relação significativa com o Senhor, o nosso ministério tende a tornar-se estéril”, realçou Francisco.

Muitas crises sacerdotais têm origem precisamente numa escassa vida de oração, numa falta de intimidade com o Senhor, numa redução da vida espiritual a mera prática religiosa”.

Numa intervenção em que elogiou os “santos” que trabalham na Cúria Romana, o Papa convidou todos a promover espaços de silêncio ao longo do dia, rejeitando a “fuga” do ativismo”.

“É justamente aceitando a desolação que vem do silêncio, do jejum de atividades e palavras, da coragem de nos examinarmos com sinceridade, que tudo ganha uma luz e uma paz que já não assentam sobre as nossas forças e capacidades”, indicou.

O Papa destacou que a proximidade com Deus abre espaço para todas as pessoas, permitindo ao sacerdote reconhecer “as feridas do seu povo, o sofrimento vivido em silêncio, a abnegação e os sacrifícios de tantos pais e mães para manter as suas famílias, e também as consequências da violência, da corrupção e da indiferença”.

Francisco defendeu a centralidade da dimensão comunitária, como resposta ao “sentimento de orfandade”, que abunda nas sociedades em rede, com ligações mas sem pertença, e advertiu para a “perversão” do clericalismo.

O simpósio promovido pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, tem organização do Centro de Investigação em Antropologia e Vocações, organismo independente da Santa Sé.

 

Vaticano:

Confissão é secreta, «do início ao fim», diz o Papa

 

O Papa Francisco reafirmou que a Confissão sacramental é secreta “do início ao fim”, falando aos participantes da 32ª edição do Curso sobre o Foro Interno do Tribunal da Penitenciaria Apostólica, no Vaticano.

“O diálogo confessional está vinculado pelo sigilo, é secreto do início ao fim”, disse na audiência, no Auditório Paulo VI, onde distinguiu do diálogo de acompanhamento espiritual que “é reservado, embora de forma diferente”.

Os 800 participantes do curso promovido pelo Tribunal da Penitenciaria Apostólica aprofundam o ‘Sacramento da Confissão’ e Francisco destacou que era “um bom sinal”, porque hoje uma mentalidade generalizada “tem dificuldade de entender a dimensão sobrenatural, ou até mesmo quer negá-la”.

O Papa destacou que “o perdão é um direito humano”, um ‘direito’ no sentido que Deus, no Mistério Pascal de Cristo, “o deu total e irreversivelmente a toda pessoa disposta a aceitá-lo, com um coração humilde e arrependido”.

Acolhimento, escuta e acompanhamento são “três dimensões essenciais do ministério do confessor” que Francisco desenvolveu na reflexão aos participantes da 32ª edição do Curso sobre o Foro Interno.

“Três faces do amor, às quais devemos acrescentar a alegria, que sempre o acompanha”, explicou.

Acolhimento, que “deve ser a primeira característica do confessor”, é a medida “da caridade pastoral, que é amadurecida no caminho da formação para o sacerdócio”.

“É rica em frutos “para o penitente como para o próprio confessor, que vive sua paternidade, como o pai do filho pródigo, cheio de alegria com o retorno de seu filho”, observou.

Sobre a escuta, o segundo elemento, o Papa realçou que “é mais do que ouvir”, e quer uma “disposição interior feita de atenção, vontade, paciência”.

“Se, enquanto o outro está a falar, já se está a pensar no que dizer, o que responder, então não estamos a ouvi-lo, mas a nós mesmos. A escuta é uma forma de amor que faz a outra pessoa sentir-se verdadeiramente amada”, alertou, acrescentando que implica esvaziar-se de si “para acolher o outro”.

Francisco salientou que um confessor “não decide no lugar dos fiéis, não é o mestre da consciência da outra pessoa”.

“Simplesmente acompanha, com toda a prudência, discernimento e caridade de que é capaz, o reconhecimento da verdade e da vontade de Deus na experiência concreta do penitente”, desenvolveu, lembrando também que tem sempre como objetivo “o chamamento universal à santidade” e acompanha-o “discretamente na sua direção”.

O Papa incentivou a irem “de boa vontade ao confessionário”, que acolham, escutem, acompanhem, “sabendo que todos, mas realmente todos, precisam de perdão”, sentirem-se “amados como filhos por Deus Pai”.

Francisco pediu também aos participantes do Curso sobre o Foro Interno do Tribunal da Penitenciaria Apostólica também que leiam a ‘Nota sobre o foro interno e a inviolabilidade do sigilo sacramental’, publicada em 2019, e explicou que este documento ajuda a “redescobrir” o quanto é “precioso e necessário o ministério da Reconciliação”.

 

Roma:

Pontifício Colégio Português

condecorado com Ordem do Infante D. Henrique

 

O Pontifício Colégio Português, em Roma, foi condecorado pelo presidente da República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé.

“Este reconhecimento da nação que nos viu nascer e crescer é um tributo, em primeiro lugar, a todos aqueles, que no passado e no presente, formaram e formam esta comunidade”, disse o reitor do Colégio Pontifício Português, o padre José Alfredo Patrício, lê-se num comunicado enviado hoje à Agência Ecclesia.

Na cerimónia protocolar, a 29 de janeiro, o embaixador cessante de Portugal junto da Santa Sé, afirmou que o colégio, entidade da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), “tem sabido ser um centro fulcral da estadia romana de estudos e formação do clero”.

“Mas também ser um sinal relevante da cultura portuguesa em Roma, onde se destaca claramente um permanente e empenhado exemplo de fraternidade, espírito de serviço e de entreajuda, mas também na expressão quotidiana de tantas manifestações identitárias da nossa nação”, desenvolveu António Almeida Lima.

As insígnias foram entregues ao reitor do colégio da CEP em Roma pelo representante diplomático, após a leitura do alvará de atribuição da Ordem do Infante D. Henrique.

O padre José Alfredo Patrício assinalou que a história do Pontifício Colégio Português se “entrelaça”, não só com a história da Igreja em Portugal”, mas com as “sucessivas vicissitudes sociais, políticas e culturais do séc. XX e já do séc. XXI”.

“As sucessivas comunidades viveram o seu período de permanência no Colégio participando das alegrias e esperanças, das tristezas e das angústias dos homens e mulheres de cada tempo”, desenvolveu o sacerdote da Diocese de Lamego.

O reitor do Pontifício Colégio Português lembrou os reitores, vice-reitores, sacerdotes, religiosos e religiosas – nomeadamente as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias -, leigos e leigas que “foram e são a razão da atribuição da Ordem do Infante D. Henrique”.

Participaram na cerimónia, para além da sua comunidade residente, o cardeal D. José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecária da santa Sé, antigo reitor do Colégio; D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra e vice-presidente da CEP; D. Carlos Azevedo, delegado do Conselho Pontifício da Cultura; D. Edgar Peña Parra, substituto da Secretaria de Estado do Vaticano; e D. Andrés Ferrada Moreira, secretário da Congregação para o Clero da Santa Sé.

O Pontifício Colégio Português, em Roma, foi criado pela Carta apostólica ‘Rei catholicae apud lusitanos’, do Papa Leão XIII, para alojar os padres enviados para Roma pelos seus bispos ou superiores, com o objetivo de aprofundarem os estudos nas várias áreas do saber humano e teológico.

A Ordem do Infante D. Henrique destina-se a “distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

 


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