4º Domingo da Páscoa

D. M. de O. Vocações

8 de Maio de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Cristo Jesus, Tu me chamaste – H. Faria, NRMS, 30

Salmo 32, 5-6

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste 4.º Domingo da Páscoa, tradicionalmente chamado Domingo do Bom Pastor, porque o Evangelho nos fala dele, celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Pedimos vocações para todos os ministérios da Igreja, mas, de um modo especial, imploramos a graça de a Igreja poder dispor de muitos e santos sacerdotes, para servirem o Povo de Deus.

Por uma intuição profética, S. Paulo VI instituiu este Dia em 1964, quando humanamente não se previa a crise de vocações sacerdotais que viria a abater-se sobre a Igreja.

Unamos a nossa oração à de todo o Corpo Místico e deixemos que a Palavra de Deus nos ilumine sobre o dom do sacerdócio ministerial.

 

Acto penitencial

 

(Sugere-se, no Tempo Pascal, que o Ato penitencial seja substituído pela aspersão da assembleia com a água lustral, como evocação do Batismo)

 

Ou:

 

Muitas vezes, o que queremos é ser servidos, quando precisamos da Igreja institucional, e manifestamos o nosso desagrado, quando isso não acontece ao nosso gosto.

Censuramos os sacerdotes que nos desagradam com a sua conduta, mas nunca nos lembramos de rezar, para que sejam o que Deus quer deles.

Peçamos humildemente perdão deste comportamento que não é próprio dos fiéis da igreja e prometamos um esforço generoso para nos emendarmos.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Atos dos Apóstolos narram-nos a grande atividade evangelizadora de S. Paulo e S. Barnabé, em Antioquia da Pisídia.

Dão-nos o exemplo de não desanimarem com as dificuldades encontradas. Foi e é ainda hoje no meio de sacrifícios e perseguições que a Igreja é implantada em todo o mundo.

 

Actos dos Apóstolos 13,14.43-52

Naqueles dias, 14Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 43Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. 44No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. 45Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, 46Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, 47pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». 48Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé 49e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. 50Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. 52Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

 

A leitura apresenta-nos a má reacção dos judeus ao discurso kerigmático de S. Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (vv. 15-41, omitido na leitura), a par da atitude dos discípulos perante a rejeição e a perseguição, que «estavam cheios de alegria e do Espírito Santo» (v. 52); estas são duas notas distintivas da vida dos primeiros cristãos, que S. Lucas não se cansa de sublinhar.

14 «Perga», cidade da Panfília, região a Sul da península da Anatólia (Turquia actual), entre a Lícia e a Cilícia. Ficava a uma dúzia de quilómetros do porto de Atália (cf. Act 14,25). Estamos na primeira viagem de S. Paulo, que decorreu entre os anos 45 e 49. «Antioquia da Pisídia», distinta da célebre Antioquia da Síria, donde Paulo saíra para esta missão com Barnabé e seu sobrinho João Marcos. A cidade ficava na estrada que ligava Éfeso ao Oriente, a uns 160 km a Norte de Perga e a 1200 metros de altitude. Para aqui chegarem tiveram que subir as altas montanhas do Tauro, por caminhos abruptos e infestados de salteadores (cf. 2Cor 11,24), circunstância esta que bem podia ter influído para que o jovem Marcos, o futuro Evangelista, colaborador de Pedro e de Paulo, tenha desistido de prosseguir em tão duro e arriscado plano apostólico (cf. v. 13). «Entraram na sinagoga e sentaram-se»: o texto suprime a intervenção de S. Paulo, que lhe foi facilitada, como visitante categorizado (vv. 15-42).

43 «Perseverar na graça de Deus» – uma exortação sempre actual para todo o cristão –; a graça é o dom de Deus que nos torna santos aos seus olhos; persevera-se nela através duma adesão total e firme a Jesus Cristo (cf. Act 11,23).

47 «Fiz de ti luz das nações» (cf. Is 49,6): de acordo com o anúncio profético, a Igreja, desde os tempos apostólicos, é constituída na grande maioria por fiéis que vieram da gentilidade, que os judeus chamavam as nações ou povos, no plural, em contraste com o singular, o povo (de Israel), o único escolhido dentre as nações.

51 «Sacudindo o pó dos seus pés». Cf. Mt 10,14. Os judeus, ao deixarem uma terra gentia para entrarem na Palestina, tinham o costume de sacudir o pó dos pés e do calçado a fim de não contaminarem a Terra Santa. Este gesto dos Apóstolos era como dizer aos judeus incrédulos que, pelo facto de não aceitarem Jesus, se equiparavam aos gentios e contraíam uma gravíssima responsabilidade moral.

 

Salmo Responsorial     Sl 99 (100), 2.4.5.6.11.12.13b (R. 3c ou Aleluia)

 

Monição: De novo o Espírito Santo nos convida a entoar um cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que operou na Páscoa.

Que o louvor a Deus pelos benefícios que nos concede esteja sempre em nosso coração.

 

Refrão:         Nós somos o povo de Deus,

somos as ovelhas do seu rebanho.

 

Ou:                Nós somos o povo do Senhor;

                      Ele é o nosso alimento.

 

Ou:                Aleluia.

 

Aclamai o Senhor, terra inteira,

servi o Senhor com alegria,

vinde a Ele com cânticos de júbilo.

 

Sabei que o Senhor é Deus,

Ele nos fez, a Ele pertencemos,

somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

O Senhor é bom,

eterna é a sua misericórdia,

a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João evangelista, no Apocalipse, dá-nos um vislumbre do Céu: uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.

Lembremo-nos que um dia, pela misericórdia de Deus, faremos parte desse grupo que goza a felicidade eterna no Céu.

 

Apocalipse 7,9.14b-17

9Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 14bUm dos Anciãos tomou a palavra para me dizer: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. 17O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».

 

A leitura é extraída da visão consoladora da imensa multidão triunfante, resgatada das tribulações iminentes, que se verão desencadeadas com a abertura do sétimo selo (8,1), o qual dá origem ao septenário das trombetas e este ao das sete taças cheias das sete pragas, prelúdio da vitória de Cristo sobre as forças do mal e da glorificação da Igreja, com que culmina o Apocalipse.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o autor tenha presente, em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras. A «multidão incontável de todas as nações tribos e línguas» de bem-aventurados acrescenta-se àquele número simbólico de 144.000 dos vv. 3-8, correspondente ao resultado da multiplicação de 12.000 pelas 12 tribos de Israel: a exactidão matemática denuncia o valor simbólico do número, que bem pode designar os cristãos procedentes do judaísmo e poupados às calamidades que acompanharam a destruição de Jerusalém e da nação judaica.

«Branquearam as suas túnicas no Sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no Sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: ‘e o Seu Sangue purifica-nos’ (1Jo 1,7)». Notar o paradoxo: Sangue que branqueia, pois não é um sangue qualquer, mas o Sangue Redentor do Cordeiro oferecido em sacrifício, não se tratando, pois, duma lavagem material.

15-17 Temos aqui uma maravilhosa alusão à Liturgia Celeste e à felicidade eterna, em que participam os que deram a vida por Cristo. Notar mais um paradoxo: o Cordeiro que é Pastor. É Jesus que, dando a vida pelos seus como cordeiro de sacrifício, torna-se o Pastor que conduz às nascentes da vida divina.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 14

 

Monição: Aclamemos o Evangelho da Salvação que nos fala das maravilhas de Amor do Bom Pastor por cada um de nós.

Prometamos-Lhe, uma vez mais, a nossa fidelidade em segui-l’O pelos caminhos da vida.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10,27-30

Naquele tempo, disse Jesus: 27«As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. 28Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um só».

 

Estas palavras de Jesus fazem referência à parábola do pastor e do ladrão (vv. 1-6) e são dirigidas aos incrédulos judeus que intimam o Senhor a declarar-lhes abertamente se é ou não o Messias. Jesus censura-os pela sua falta de fé, «vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!» (v. 26). Falta-lhes docilidade, humildade e amor.

28 «Nunca hão-de perecer», contanto que estas queiram continuar a ser ovelhas que não deixam o Pastor; o Pai é suficientemente poderoso para as defender de qualquer perigo.

30 «Eu e o Pai somos um só». É a resposta mais clara e categórica aos seus inimigos. Jesus aparece não só a afirmar a sua identidade da natureza com o Pai (em grego, uma só coisa – pois é a forma neutra), mas também indica a distinção pessoal, ao dizer somos. Os judeus entendem as palavras de Jesus melhor que os arianos de todos os tempos, considerando que Ele reivindica para Si a divindade, por isso o querem apedrejar (v. 31). Esta afirmação de Jesus situa-se no centro e no eixo de duas afirmações categóricas da sua divindade: 1,1 e 20,28. Se não fosse verdade, Jesus devia ser apedrejado (v. 31). Ele defende-se à maneira rabínica com um argumen­to corrente nas escolas rabínicas, segundo a regra de Hillel chamada Qal wahômer, isto é, o argumento a fortiori (cf. vv. 35-36); Jesus, sem tirar nada ao que disse, mas reforçando-o, afirma: «para que saibais que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai» (v. 38).

 

Sugestões para a homilia

 

• O bom Pastor dos Pastores

• A missão do Bom Pastor

 

1. O bom Pastor dos Pastores

 

Paulo e Barnabé anunciam a fé em Jesus Ressuscitado, nosso Salvador, em várias cidades da Ásia Menor. A sua pregação teve grande êxito, porque foram muitas as pessoas que abraçaram a fé cristã.

Mas este êxito espicaçou a inveja de muitos judeus daquelas cidades que os receberam, no sábado seguinte, com blasfémias, obrigando-os a sair para outras cidades.

O sacerdote, mensageiro de Cristo. Jesus Cristo assumiu uma natureza humana como a nossa, no seio imaculado de Maria, para saldar, diante do Pai, a nossa dívida contraída pelos pecados de Adão e Eva e pelos nossos.

Evangelizou as pessoas da Sua terra e do Seu tempo durante três anos e foi crucificado e morto, ressuscitando ao terceiro dia.

Para continuar a Sua atuação salvadora no mundo, antes de morrer instituiu a Igreja como sinal e instrumento de Salvação das pessoas. Investiu, pela força do Espírito Santo, um grupo de homens com a Sua mesma missão, ao instituir o Sacramento da Ordem, na noite de Quinta Feira Santa no Cenáculo.

Deste modo, o anúncio da Salvação e a administração dos Sacramentos, especialmente da Penitência e Eucaristia, continua em todos os tempos e lugares. Paulo e Barnabé, por este motivo, deslocaram-se pelo mundo de então a evangelizar.

São do mesmo barro humano. As pessoas que Jesus chama a servi-l’O no sacerdócio ministerial são pessoas do mesmo barro frágil que os seus irmãos, embora tenham recebido uma preparação adequada intensa.

Quando olhamos para a ação do Padre, notamos que há uma grande distância entre as maravilhas que opera e a sua fragilidade pessoal.

Judas traiu-O, entregando-O aos inimigos e abandonou o Colégio Apostólico; Pedro jurou segui-l’O com fidelidade, mas negou-O por três vezes na noite da Paixão; Tomé negou-Se a aceitar a verdade da Sua Ressurreição, antes de a comprovar por si mesmo; e os outros nove fugiram.

Depois deste início que parecia ter pouco êxito, todos, à exceção de Judas, deram a vida por Cristo e estão nos nossos altares.

A história da Igreja continua a ser assim. Temos muitos sacerdotes santos nos altares, mas também lamentamos a existência de misérias e feridas em alguns.

 • Um sinal de misericórdia. Lamentamos que cada sacerdote não seja uma reprodução fiel do rosto do Mestre culpamo-los da falta de êxito da Igreja entre os nossos contemporâneos.

Talvez a misericórdia de Deus tenha permitido este contraste entre a vida pessoal e as maravilhas que operam, para nos darmos contas de que é Jesus Cristo, em virtude da força do Espírito Santo, que opera neles, consagrando o pão e o vinho e perdoando os pecados.

Como S. Pedro ao coxo de nascença do Templo de Jerusalém, dizem a cada pessoa: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». (Atos 3, 1 e ss).

A fragilidade com que se apresentam é um desafio a que os ajudemos com a nossa oração e acolhimento. Assim o entenderam as pessoas de Deus e a isto nos convida o Santo Padre neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Pedimos muitos e santos sacerdotes para serviço dos irmãos, na Igreja. Não peçamos apenas quantidade.

Vós, que sois tão exigentes com os outros, tomais a sério a vossa vocação à santidade, na fidelidade à vocação a que fostes chamados?

 

2. A missão do Bom Pastor

 

Cristo associou à Sua Missão na terra homens que chamou do meio dos seus semelhantes, para a missão que o Pai lhe confiou.

Identidade do sacerdote. Pela imposição das mãos, receberam, no dia da ordenação sacerdotal, o Espírito Santo que fez deles instrumentos de Cristo O sacerdote “im-persona” Jesus Cristo, como gostava de dizer S. João Paulo II, possibilitando ao Mestre uma visibilidade na Sua atuação do mundo. Dá-lhe a sua voz, a inteligência e o coração, as mãos e os pés e até o Seu rosto.

A sua missão é, pois, a mesma de Jesus: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.» Esta vida a que Se refere é a graça sobrenatural, a participação na natureza divina que nos torna filhos de Deus, recebida no Batismo.

Anuncia a Palavra de Deus. Jesus é o Caminho e a Verdade. Ensina-nos como deve viver na terra um bom filho de Deus, fazendo a vontade do Pai.

«As minhas ovelhas escutam a minha voz.» Sem boa doutrina não podemos chegar ao Céu. Hoje esta necessidade é maior, porque há muita “desinformação” em alguns meios de Comunicação Social e no ambiente.

Algumas pessoas reagem, às vezes, contra a doutrina, porque não gostam de fazer sacrifícios no caminho do Céu. Esperam “descontos doutrinais” e que a Igreja fosse mudando a doutrina à medida que as pessoas a abandonam: a fidelidade e indissolubilidade matrimonial, a castidade, o respeito dos bens alheios...

Cristo preveniu-nos que a Sua Lei é imutável para sempre e sem a cumprir não podemos agradar a Deus e, portanto, chegar às portas do Céu. Gostaríamos acaso do médico que enganasse o doente, aprovando os seus atentados contra a saúde e a vida, em vez de lhe falar verdade para o curar?

 

Alimenta a Vida. A nossa vida da graça é alimentada com os Sacramentos instituídos por Jesus Cristo. A oração é para a alma como a respiração para o corpo.

Pelo Batismo, esta vida é infundida em nós. Alimenta-se com os Sacramentos, especialmente dois: a Confissão e a Eucaristia.

«Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão

Sacerdote, sacerdote. O Padre nasceu para uma missão insubstituível e urgente. Peçamos-lhe tudo e só aquilo para que Deus o chamou, ajudando-o a viver com fidelidade a sua missão.

Só assim tem sentido pedirmos mais sacerdotes: se estivermos dispostos a aproveitá-lo em todas as suas possibilidades: celebrar a Eucaristia, reconciliar pessoas com Deus na Confissão e aproveitar os seus conselhos e ajuda para caminhar até ao Céu. Pedir mais pão para o jogar ao lixo não faz sentido.

Maria, Mãe do sacerdote. Ele, pelo seu sim generoso, trouxe-O do Céu à terra, ao seio virginal, em Nazaré. O sacerdote, ao pronunciar as palavras da consagração, torna Cristo presente no altar para, em seguida, entrar em cada alma.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus recebe-nos e ama-nos tal como somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos.

Para cada um de nós Ele “dá a vida eterna”: ou seja, oferece-nos a possibilidade de levar uma vida cheia, sem fim.»

No Evangelho de hoje (cf. Jo 10, 27-30) Jesus apresenta-se como o verdadeiro Pastor do povo de Deus. Ele fala da relação que o une com as ovelhas da grei, ou seja com os seus discípulos, e insiste sobre o facto de que se trata de um relacionamento de conhecimento recíproco. «As minhas ovelhas — diz — ouvem a minha voz. Eu conheço-as e elas seguem-me. Dou-lhes a vida eterna e elas nunca perecerão» (vv. 27-28). Lendo atentamente esta frase, vemos que a obra de Jesus se realiza mediante algumas ações: Jesus fala, Jesus conhece, Jesus dá a vida eterna, Jesus protege.

O Bom Pastor — Jesus — está atento a cada um de nós, procura-nos e ama-nos, dirigindo-nos a sua palavra, conhecendo profundamente os nossos corações, os nossos desejos e as nossas esperanças, assim como os nossos fracassos e as nossas desilusões. Recebe-nos e ama-nos tal como somos, com as nossas qualidades e os nossos defeitos. Para cada um de nós Ele “dá a vida eterna”: ou seja, oferece-nos a possibilidade de levar uma vida cheia, sem fim. Além disso, preserva-nos e guia-nos com amor, ajudando-nos a percorrer as sendas íngremes e as estradas por vezes perigosas que se apresentam no caminho da vida.

Aos verbos e aos gestos que descrevem o modo como Jesus, Bom Pastor, se relaciona connosco, correspondem os verbos relativos às ovelhas, isto é, a nós: «Ouvem a minha voz», «seguem-me». São gestos que mostram de que modo devemos corresponder às atitudes ternas e amáveis do Senhor. Com efeito, ouvir e reconhecer a sua voz implica intimidade com Ele, que se consolida na oração, no encontro de coração a coração com o Mestre divino e Pastor das nossas almas. Esta intimidade com Jesus, este estar aberto, falar com Jesus, fortalece em nós o desejo de o seguir, saindo do labirinto dos percursos errados, abandonando os comportamentos egoístas, para nos encaminharmos pelas novas sendas da fraternidade e do dom de nós mesmos, à imitação d’Ele!

Não nos esqueçamos que Jesus é o único Pastor que nos fala, nos conhece, nos dá a vida eterna e nos protege. Nós somos o único rebanho e devemos esforçar-nos apenas por ouvir a sua voz, enquanto Ele perscruta com amor a sinceridade dos nossos corações. E desta intimidade contínua com o nosso Pastor, deste diálogo com Ele, brota a alegria de o seguir, deixando-nos conduzir rumo à plenitude da vida eterna.

Agora dirijamo-nos a Maria, Mãe de Cristo Bom Pastor. Ela, que respondeu prontamente à chamada de Deus, ajude em particular quantos são chamados ao sacerdócio e à vida consagrada a aceitar com alegria e disponibilidade o convite de Cristo a sermos os seus colaboradores mais diretos no anúncio do Evangelho e no serviço do Reino de Deus nesta nossa época.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 12 de maio de 2019

 

Oração Universal

 

(Hoje, a Oração Universal poderia ser dita por várias pessoas, para melhor se manifestar a diversidade das vocações na Igreja: um pai ou uma mãe, um par de namorados, um jovem do Seminário, uma postulante dum noviciado, uma religiosa ou uma leiga consagrada, etc.)

 

Irmãos e irmãs, a celebrar esta Eucaristia:

Peçamos a Jesus Ressuscitado dos mortos,

o Bom Pastor que nos guia para o Pai,

para que dê bons pastores à Sua Igreja.

Oremos (cantando), com alegria pascal:

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos e demais os ministros e os fiéis da Igreja

     escutem a voz do Bom Pastor e O sigam com prontidão e confiança,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

2. Para que o Senhor conceda a paz ao mundo inteiro e apague os ódios,

     sacie os que têm fome e sede de justiça e dê a fé aos que O não creem,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

3. Para que os jovens que o Bom Pastor chama a segui-l’O no sacerdócio

     sirvam o Povo de Deus como Ele e abram os seus corações ao Espírito,

  oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

4. Para que Deus enxugue as lágrimas dos que sofrem, os doentes e aflitos, 

     e o Bom Pastor os leve às fontes da água viva, onde os conforte e alegre,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

5. Para que os fiéis desta nossa comunidade sigam a Cristo, com amor fiel,

     e reconheçam a voz do Bom Pastor, Cristo, único Salvador do mundo,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

6. Pelos que serviram a Deus no sacerdócio ministerial e foram para o Pai,

     para que hoje possam contemplar a glória de Cristo Ressuscitado no Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

 

Senhor Jesus, Cristo, Bom Pastor,

ensinai-nos a reconhecer a vossa voz

no meio dos ruídos deste mundo

e não deixeis que nada, nem ninguém

nos arrebate das Vossas santas mãos.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Bom Pastor veio ao mundo para que tenhamos vida, a vida da graça que nos faz participantes da natureza divina, e a tenhamos em abundância.

Para isso, iluminou-nos com a Sua Palavra e prepara agora, pelo ministério do sacerdote, o Seu Corpo e Sangue com que nos vais alimentar.

 

Saudação da Paz

 

O Bom Pastor garante a segurança das Suas ovelhas, dando-lhes a verdadeira paz.

Se queremos ter paz, mantenhamo-nos sempre unidos a Ele, vivendo em graça e crescendo na intimidade com Ele.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Cântico do ofertório: Ressuscitou o Bom Pastor – J. Santos, NRMS, 57

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Bendigamos o nosso Bom Pastor que cuidado sempre de nós, alimentando-nos com o Seu Corpo e Sangue.

Agora que O vamos receber sacramentalmente, peçamos-Lhe a graça de O seguirmos com fidelidade até ao Céu.

 

Cântico da Comunhão: O Eterno é meu Pastor – M. Faria, CT

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos pastores e ovelhas do rebanho de Cristo que é a Igreja a que temos a felicidade de pertencer.

 

Cântico final: Povos batei palmas – CS, NRMS, 48

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-V: A Palavra de Deus sobre o Bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 11-18

Disse Jesus: Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.

Jesus é o Bom Pastor que, por amor do Pai, dá a vida pelas suas ovelhas. O Pai ama-me porque eu dou a minha vida (EV).

Jesus pede a Pedro que prossiga a sua missão (LT). E confirmou este encargo depois da Ressurreição: apascenta as minhas ovelhas. E Pedro foi o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino dos Céus. Mandai, Senhor, a vossa luz e a vossa Verdade; sejam elas os guias (SR) para o Papa. Peçamos a Nossa Senhora, Mãe da Igreja, que confie abundantes graças a todos os bons Pastores.

 

3ª Feira, 10-V: A Palavra de Deus e a sociedade.

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém passaram a Antioquia, onde os discípulos se começaram a chamar cristãos (LT). Naquele tempo deu-se uma rápida expansão da Igreja e assim há-de continuar. Contamos sempre com a ajuda do Senhor. Dou-lhes a vida eterna, jamais hão-de perecer. E ninguém os há-de arrebatar da minha mão (EV).

Também nós temos que levar a Boa Nova a todas as pessoas e ambientes da sociedade. O Senhor marca no livro dos povos: Estes são os meus filhos (SR). As aparições de Nossa Senhora têm contribuído para melhorar o ambiente de muitos países.

 

4ª Feira, 11-V: A Palavra de Deus e a actuação da Igreja.

Act 12, 24-13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.

A Igreja sempre se apoiou nestes dois pilares: a oração e a penitência (LT). imprescindíveis para o seu crescimento. O Senhor nos dê a sua bênção, e chegue o seu temor aos confins da terra (SR).

Cada um de nós há-de descobrir a presença do Senhor na oração; receberemos luz para desaparecerem as trevas da nossa vida e compreendamos o significado dos acontecimentos (EV). Nossa Senhora meditava no seu coração todos acontecimentos. Assim, junto à Cruz, recebeu-nos a todos como filhos e irmãos de Cristo.

 

5ª Feira, 12-V: A palavra de Deus e a evangelização.

Act 13, 13-25 / Jo 13, 16-20

Quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe; e, quem me receber, recebe aquele que me enviou.

Jesus é enviado pelo Pai. A seguir, escolhe os Apóstolos que, a partir de então, são seus enviados. Neles, Jesus continua a sua missão. Assim actuaram S. Paulo e os seus companheiros, ao falar ao povo na sinagoga, resumindo a história da salvação.  A todos compete: Cantarei eternamente a bondade do Senhor (SR).

Peçamos a Deus que suscite em nós esta urgência de evangelização, para contrariar o paganismo reinante. Peçamos a Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, por esta expansão e, à Rainha da Família, para que proteja todas as famílias.

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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