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Pentecostes

 

Hugo de Azevedo

 

A melhor imagem de Deus, Uno e Trino, é o homem, como Ele próprio declarou e o lemos no Génesis: «Façamos o homem à nossa imagem» (1, 26).  O homem: uma pessoa, alguém capaz de amar; uma só natureza, consciente de si mesmo e desejando uma felicidade sem fim, talvez nebulosa, mas que é Ele. A vida não tem outro sentido, senão a de O buscarmos para participar de algum modo na sua Vida. É certo que não podíamos sonhar numa participação tão íntima que fosse na Sua própria natureza, em Cristo, mas desde o princípio nos abriu a alma ao contacto pessoal e direto conSigo: a nossa consciência.

 

Quem mais conversa connosco, de facto, é o Espírito Santo. Uma conversa contínua, de amor, de aviso, de sugestão, de censura, consolação ou aplauso, de ânimo, de promessa, de perdão, de retificação… A consciência é o «instrumento» contínuo da nossa comunicação com Deus, que se pode e convém atender com mais rapidez do que o telemóvel.

 

Por vezes o telemóvel serve-nos para nos desviar dessa conversa íntima; outra vezes, para cumprir o dever ou obra de caridade. O decisivo é repararmos que nunca estamos sós e que, sejam quais forem as nossas atitudes, Deus nos ama muito mais do que um pai cada filho.

 

E, se isto é difícil de entender numa sociedade «divorcista», em que a figura de pai é a de um ausente ou desconhecido, dificultando a catequese, chamemos-lhe Amigo, então. Mas que todos reparem nessa outra voz que os confirma ou faz duvidar das suas opções. Será apenas uma hesitação mental? Então, porque te envergonhas ou congratulas pelo que fizeste? Onde há mérito, há valores, há medidas de bem e de mal. Ajudemos todos a reconhecer a sorte de nunca estarem sós e de terem um Amigo que se interessa por cada uma das suas opções internas ou externas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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