aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

Roma:

Santa Sé divulga rito de instituição do ministério de catequista

 

A Santa Sé publicou o rito litúrgico de instituição dos catequistas, um novo ministério criado pelo Papa Francisco em maio do ano findo.

A decisão diz respeito a homens e mulheres que não pertencem ao clero nem a institutos religiosos, reconhecendo de forma “estável” o serviço que prestam na transmissão da fé, “desempenhado de maneira laical como exige a própria natureza do ministério”.

Com a divulgação do ritual para a instituição do ministério de catequista, o prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos dirige uma carta aos presidentes das Conferência Episcopais onde lembra que é um ministério “destinado aos leigos” e um “serviço estável prestado à Igreja local”.

O arcebispo Arthur Roche refere depois que o ministério de catequista pode ter uma “grande variedade de formas”, enumerando duas “tipologias principais”: “catequistas com a tarefa específica da catequese, outros que participam nas várias formas de apostolado, como a guia da oração comunitária, assistências aos doentes, as celebrações de funerais, a formação de outros catequistas, a coordenação de iniciativas pastorais, ajuda aos pobres”.

A carta indica que candidatos ao diaconado e ao sacerdócio, religiosas e religiosos, professores do ensino religioso nas escolas e aqueles que têm um “serviço destinado exclusivamente aos membros de um movimento eclesial” não devem ser instituídos catequistas.

Além disso, “é absolutamente conveniente” que todos eles recebam no início de cada ano catequético, um mandato eclesial público no qual lhes é confiada essa indispensável função”.

É tarefa das conferências episcopais “clarificar o perfil, o papel e as formas mais coerentes para o exercício do ministério dos catequistas no território da sua competência”.

Finalmente, estabelece-se que “o ministério do catequista é conferido pelo bispo diocesano, ou por um sacerdote delegado por ele, mediante o rito litúrgico ‘De Institutione Catechistarum’”, ontem divulgado.

 

Papa:

«É importante ver a pessoa com deficiência como um de nós

                                       

O Papa Francisco recebeu no Vaticano uma delegação do ‘Instituto Seráfico’ de Assis (Itália), salientando que a pessoa portadora de deficiência deve estar no “centro da atenção de todos e da política”.

“Se a deficiência ou doença torna a vida mais difícil, esta vida não é menos digna de ser vivida, e vivida em plenitude. É importante ver a pessoa deficiente como um de nós, que deve estar no centro de nossos cuidados e preocupações, e também no centro da atenção de todos e da política. É um objetivo de civilização”, disse o Papa, no Auditório Paulo VI.

 “Não é possível deixar sozinhas tantas famílias obrigadas a lutar para sustentar seus filhos em dificuldade, com a grande preocupação pelo futuro que os espera quando não poderão mais segui-las”, assinalou.

“O mais importante é o espírito com o qual todos vocês se dedicam a esta missão. É claro para vocês, como deveria ser para todos, que cada pessoa humana é preciosa, tem um valor que não depende do que tem ou das suas habilidades, mas do simples facto de ser pessoa, imagem de Deus”, desenvolveu.

Segundo Francisco, a lógica do Instituto Seráfico “é o amor” que se aprende do Evangelho na escola de São Francisco de Assis e de São Ludovico: “O amor que sabe ler nos olhos ou nos gestos, antecipa os desejos, não desiste diante das dificuldades, encontra forças para recomeçar todos os dias e se alegra até mesmo com o menor progresso da pessoa que está a ser cuidada”. “A vida é sempre bela, mesmo com poucos recursos”, prosseguiu.

 

Papa:

«Oração dá oxigénio à vida»

 

O Papa celebrou no Vaticano a festa do Batismo de Jesus, que encerra o tempo litúrgico do Natal, sublinhando a importância da oração.

“A oração dá oxigénio à vida”, destacou, antes da recitação dominical do ângelus.

Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco recordou que, nos relatos dos Evangelhos, Jesus “passa muito tempo em oração: no início de cada dia, muitas vezes à noite, antes de tomar decisões importantes”.

O Papa destacou que a oração “não é um caminho de fuga, não é um rito mágico ou uma repetição de cantilenas, aprendidas de cor”.

A oração ajuda-nos porque nos une a Deus, abre-nos ao encontro com Ele. Sim, a oração é a chave que abre o nosso coração ao Senhor. É dialogar com Deus, é ouvir a sua Palavra, é adorar: estar em silêncio, confiando-lhe o que vivemos”.

 “[Jesus] Não vai sozinho nem com um grupo de eleitos, privilegiados, não: vai com o povo”, observou o pontífice.

Francisco convidou todos os católicos a valorizar o dia do seu Batismo, uma data de “renascimento” que deve ser registada “para a festejar, para agradecer ao Senhor”.

Após a oração, o Papa recordou a celebração com o Batismo de 16 bebés, a que presidiu esta manhã na Capela Sistina, e concedeu a sua bênção a todos os recém-nascidos que vão receber o Batismo nesta data.

“Aprendei a data do vosso Batismo”, insistiu, antes de se despedir dos peregrinos.

 

Roma:

Papa vai instituir leigos e leigas nos ministérios de leitor e acólito

 

O Papa Francisco instituiu leigos e leigas, de diferentes regiões do mundo, nos ministérios de leitor e acólito, na celebração do III Domingo da Palavra, dia 23 de janeiro, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O Papa estabeleceu que as mulheres tenham acesso aos ministérios de Leitor e Acólito com o motu proprio ‘Spiritus Domini’ que foi publicado a 11 de janeiro de 2021, e modifica o primeiro parágrafo do cânone 230 do Código de Direito Canónico.

Nesse documento e na carta para o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Francisco estabeleceu que os ministérios do Leitorado e do Acólito são abertos a leigos e leigos, “de forma estável e institucionalizada com mandato específico”, que nesta celebração se vai realizar e concretizar através de “um ato litúrgico”.

Nesta celebração, presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro, os candidatos foram chamados pelo nome e apresentados à Igreja, antes da homilia.

Depois da reflexão, rodo quele que foi instituído no ministério de leitor recebeu uma Bíblia, e aos catequistas foi entregue uma cruz, reprodução da cruz pastoral usada por São Paulo VI e São João Paulo II, para “recordar o caráter missionário do serviço que se preparam para administrar”.

Receberam o ministério de leitor, “em representação do Povo de Deus”, pessoas da Coreia do Sul, Paquistão, Gana, e de várias regiões da Itália.

No ministério de catequista foram instituídos dois leigos do Vicariato Apostólico de Yurimaguas (Peru), na Amazónia, dois fiéis do Brasil, uma mulher de Kumasi, no Gana, o presidente do Centro de Oratórios Romanos, fundado pelo catequista Arnaldo Canepa, e um leigo e uma leiga de Łódź (Polónia) e Madrid (Espanha), respetivamente.

Estiveram ausentes dois fiéis da República Democrática do Congo e do Uganda, por causa das restrições sanitárias da pandemia Covid-19, que afetam as viagens.

O Papa Francisco ofereceu aos presentes, a celebração esteve limitada a duas mil pessoas, um livro com um comentário dos Padres da Igreja sobre capítulos 4 e 5 do Evangelho de Lucas, publicado pela Edições San Paolo.

 

Vaticano:

Papa recorda reclusos e critica condenações

sem «janela de esperança»

 

O Papa recordou no Vaticano as pessoas reclusas, em todo o mundo, criticando as condenações sem “janela de esperança” e de reintegração na sociedade.

“Não pode haver condenações sem janelas de esperançam, qualquer condenação tem sempre uma janela de esperança”, sustentou, durante a audiência pública semanal.

Francisco falava aos peregrinos reunidos no Auditório Paulo VI da “revolução da ternura” promovida pelo Cristianismo, alertando para “o risco de permanecer presos numa justiça que não permite levantar-se facilmente e que confunde redenção com castigo”.

“Hoje quero recordar de modo particular os nossos irmãos e irmãs que estão na prisão. É justo que aqueles que cometeram um erro paguem por esse erro, mas é igualmente justo que aqueles que falharam possam redimir-se do seu erro”, indicou.

Pensemos nos nossos irmãos e irmãs na prisão, pensemos na ternura de Deus por eles e rezemos por eles, para que encontrem naquela janela de esperança um caminho para uma vida melhor”.

 

Família:

Papa pede mais diálogo e menos telemóvel

 

O Papa apelou ao diálogo nas famílias, com mais espaço para o encontro pessoal e menos tempo ao telemóvel, assinalando no Vaticano a festa litúrgica da Sagrada Família, no primeiro domingo depois do Natal. “É triste ver, nas refeições em família, cada um com o seu telemóvel, sem se falarem”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do ângelus.

“Ajuda-nos muito falar em família, falar à mesa. O diálogo entre pais e filhos, entre irmãos, ajuda-nos a viver esta raiz familiar, que vem dos avós”, acrescentou.

Francisco alertou para os perigos da “ditadura do eu”, que corrói os relacionamentos. “É perigoso quando, em vez de nos ouvirmos, nos culpamos pelos erros; quando, em vez de fazermos gestos de cuidado com os outros, nos fixamos nas nossas necessidades; quando, em vez de falar, nos isolamos com o telemóvel”, indicou.

O Papa sublinhou a necessidade de procurar entendimentos e evitar “um silêncio frio”, após eventuais discussões. “Repito um conselho: à noite, no fim de tudo, façam as pazes”, recomendou.

Quantas vezes, infelizmente, surgem conflitos entre silêncios muito longos e o egoísmo não tratado em casa! Às vezes, chega-se até à violência física e moral”.

Francisco convidou as famílias a rezar, todos os dias, para pedir o “dom da paz”.

“Temos de aprender a ouvir e a compreender-nos, a caminhar juntos, a enfrentar os conflitos e as dificuldades. É o desafio diário, que é vencido com a atitude certa, com pequenas atenções, com gestos simples, cuidando dos detalhes das nossas relações”, declarou.

 

Vaticano:

Papa Francisco vai encontrar-se com jovens de 41 países,

da comunidade «Scholas Ocurrentes»

 

O Papa Francisco conversou com 71 jovens da comunidade ‘Scholas Ocurrentes’, de 41 países, incluindo Portugal, sobre os efeitos da pandemia.

Num comunicado enviado à Agência Ecclesia, a Sala de Imprensa da Santa Sé informa que os jovens partilharam com o Papa Francisco os efeitos da Covid-19 na sua vida e apresentaram um novo projeto político, inspirado na encíclica ‘Fratelli Tutti’.

Durante este encontro houve também oportunidade para debater a forma como os jovens imaginam “o mundo” e os passos que vão dar quando regressarem aos seus países.

O Papa e os jovens reuniram-se no Colégio Pontifício Internacional Maria Mater Ecclesiae, em Roma.

Os jovens, com idades entre os 16 e os 27 anos, eram provenientes dos cinco continentes e pertencem a diferentes culturas, credos religiosos – judeus, muçulmanos, cristãos, hindus, budistas, agnósticos e outros – e contextos socioeconómicos, refugiados, estudantes de universidades de prestígio e alguns “excluídos do sistema educativo”.

Desde uma terça-feira até ao domingo, os jovens da Comunidade ‘Scholas’ estiveram reunidos de forma presencial a partilhar as experiências que viveram até agora durante a pandemia e as “lições aprendidas nas suas diferentes comunidades”.

A Sala de Imprensa da Santa Sé informa ainda que 50 jovens vão começar um ano de formação humana e política inspirada na encíclica do Papa Francisco ‘Fratelli Tutti’, com o objetivo de “cocriar um olhar renovado que proponha novos paradigmas das periferias sociais e existenciais”.

Em Portugal, no contexto da pandemia Covid-19, a ‘Scholas Ocurrentes’ também promoveu encontros de partilha e reflexão sobre a saúde emocional dos jovens, através do programa virtual ‘Scholas Pensarmo-nos’, em parceria com o Município de Cascais.

Scholas Occurrentes’ é uma organização internacional de direito pontifício presente em 190 países nos cinco continentes e que, por meio da sua rede, integra meio milhão de redes educativas.

A sua missão é responder ao apelo à criação de uma cultura do encontro, aproximando os jovens numa educação que gere sentido.

 

Vaticano:

Papa aponta para «crise de fé»

e «desaparecimento do desejo de Deus»

 

O Papa presidiu no Vaticano à Missa da solenidade da Epifania, conhecida popularmente como “Dia de Reis”, em Portugal, alertando para o que designou como “desaparecimento do desejo de Deus”.

“Na nossa vida e nas nossas sociedades, a crise da fé tem a ver também com o desaparecimento do desejo de Deus. Tem a ver com a sonolência do espírito, com o hábito de nos contentarmos em viver o dia a dia, sem nos interrogarmos acerca daquilo que Deus quer de nós”, declarou, na homilia da celebração a que presidiu na Basílica de São Pedro.

Francisco evocou o exemplo dos três Magos que, segundo os Evangelhos, partiram do Oriente em “peregrinação”, ao encontro de Jesus, recém-nascido, convidando todos a fazer a mesma “viagem da fé”. “Não estaremos já há bastante tempo bloqueados, estacionados numa religião convencional, exterior, formal, que deixou de aquecer o coração e já não muda a vida?”, questionou.

“É triste quando uma comunidade de crentes já não tem desejos, arrastando-se, cansada, na gestão das coisas, em vez de se deixar levar por Jesus, pela alegria explosiva e desinquietadora do Evangelho”, acrescentou.

Os Magos desafiam Herodes. Ensinam-nos que temos necessidade duma fé corajosa, profética, que não tenha medo de desafiar as lógicas obscuras do poder, tornando-se semente de justiça e fraternidade numa sociedade onde, ainda hoje, muitos ‘herodes’ semeiam morte e massacram pobres e inocentes, perante a indiferença da multidão”.

O Papa destacou que os três Magos, sábios e ricos, se deixaram “inquietar por uma pergunta e um sinal”, o da estrela, citando a homilia de Bento XVI, Papa emérito, na celebração deste dia, em 2013.

“Esta saudável inquietação, que os levou a peregrinar, donde nasce? Do desejo. Eis o seu segredo interior: saber desejar. Meditemos nisto. Desejar significa manter vivo o fogo que arde dentro de nós e nos impele a buscar mais além do imediato, mais além das coisas visíveis”, realçou Francisco.

 

Vaticano:

Papa alerta para exploração «chocante»

das crianças no mundo laboral

 

O Papa alertou para a “chocante” exploração das crianças no mundo laboral, criticando os processos de produção da economia global que está a “roubar” o futuro dos menores.

“É chocante e perturbador que, nas economias atuais – cujas atividades de produção são baseadas em inovações tecnológicas, tanto que falamos da ‘quarta revolução industrial’ -, o emprego de crianças em atividades de trabalho persista em todas as partes do globo”, referiu, num discurso aos participantes na Conferência Internacional “Erradicar o trabalho infantil, construir um futuro melhor”.

Francisco denunciou esta “violação da dignidade humana”, que coloca em risco a saúde das crianças “o seu bem-estar mental e físico”, privando-as do “direito à educação e de viver a sua infância com alegria e serenidade”.

“A pobreza extrema, a falta de trabalho e o desespero resultante nas famílias são os fatores que mais expõem as crianças à exploração no trabalho. Se quisermos erradicar a chaga do trabalho infantil, temos de trabalhar juntos para erradicar a pobreza”, apontou, falando aos participantes na iniciativa promovida pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), com a colaboração da FAO.

O Papa convidou os responsáveis políticos a “favorecer uma educação de qualidade, gratuita para todos, em cada país, bem como um sistema de saúde que seja acessível a todos sem distinção”.

 

Vaticano:

Papa afirma que mulheres vítimas de violência

«devem ser protegidas pela sociedade»

 

O Papa Francisco afirmou que “as mulheres vítimas de violência devem ser protegidas pela sociedade”, numa mensagem pelo Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, na rede social Twitter.

“As diversas formas de maus-tratos que muitas mulheres sofrem são uma covardia e uma degradação para os homens e para toda a humanidade. Não podemos olhar para o outro lado”, escreveu o Papa.

Francisco acrescenta que as mulheres vítimas de violência “devem ser protegidas pela sociedade”, na mensagem publicada na conta ‘@Pontifex_pt’ na rede social Twitter.

O Dia Internacional de combate à violência contra as mulheres, que se celebra anualmente a 25 de novembro, foi criado pelas Nações Unidas com o “objetivo de alertar para um problema transversal que atinge todos os anos milhares de mulheres em todo o mundo”

 

Roma:

Papa João Paulo I será beatificado em Roma

em 4 de setembro de 2022

 

O Papa João Paulo I, cujo pontificado durou apenas 33 dias e foi um dos mais breves da história da Igreja, será beatificado em uma cerimónia presidida pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro em 4 de setembro de 2022.

A informação veio a público neste último dia 23 de dezembro mediante um artigo do jornal italiano Avvenire, assinado pela jornalista e vice-postuladora da causa Stefania Falasca. Até então, a Santa Sé ainda não tinha confirmado a notícia, mas, na véspera de Natal, a informação oficial também foi divulgada pelo portal Vatican News.

Batizado como Albino Luciani, o assim chamado “Papa do Sorriso” foi eleito em 1978 como o 263º pontífice da Igreja Católica. Pouco mais de um mês depois, João Paulo I morreu de ataque cardíaco na noite de 28 de setembro.

No último dia 13 de outubro, o Papa Francisco aprovou um decreto da Congregação para as Causas dos Santos em que reconhece um milagre atribuído à intercessão do Papa João Paulo I. O milagre em questão foi registrado em 23 de julho de 2011 em Buenos Aires: uma menina de 11 anos recuperou-se inexplicavelmente de uma encefalopatia inflamatória aguda grave e de um quadro descrito pelos médicos como epilepsia maligna refratária e choque séptico, após vários meses de internação e com prognóstico muito negativo. Os médicos não conseguiram encontrar nenhuma explicação científica para a recuperação da menina.

 

Roma:

22 agentes pastorais foram assassinados em 2021

 

A Agência Fides, do Vaticano, informou que 22 missionários foram assassinados em 2021, entre leigos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e catequistas católicos. O relatório anual sublinha que o ano ficou marcado ainda por impacto de vários conflitos, como no Sudão do Sul e Mianmar, na vida das comunidades cristãs.

A Fides fala de religiosas “mortas a sangue-frio por bandidos no Sudão do Sul e catequistas mortos em confrontos armados nas comunidades do país africano, além de jovens mortos por atiradores “enquanto tentavam levar ajuda aos deslocados que fugiam de confrontos entre o exército e guerrilheiros em Mianmar”.

No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, mais de 35 civis, todos católicos, foram mortos pelos militares de Mianmar e os seus corpos queimados.

Já na Diocese de Tombura-Yambio, no Sudão do Sul, 16 pessoas, incluindo catequistas e agentes pastorais foram mortos em 2021 durante os confrontos armados.

Estes números não são incluídos na listagem, que aborda especificamente a morte de missionários, a “ponta do icebergue” dos que “sofrem e pagam com a vida a sua fé em Cristo”.

Em 2021, a África teve 11 casos de assassinatos e o continente americano registou sete mortes; na Ásia foram mortos três missionários e a Europa registou o homicídio de um sacerdote, na França.

A agência de notícias do Vaticano para o mundo missionário: “Da África à América, da Ásia à Europa, partilharam a vida quotidiana com os irmãos e irmãs, com os seus riscos e medos, as suas violências e as suas privações, trazendo em pequenos gestos o testemunho cristão todos os dias como semente de esperança”, pode ler-se.

Houve casos de párocos assassinados nas suas comunidades, na África e na América, torturados e sequestrados. “Padres mortos por aqueles que ajudavam, como na França, ou na Venezuela, onde um religioso foi morto por ladrões na mesma escola onde ensinou aos jovens a construir um futuro”, assinala a Fides.

A lista inclui o caso do padre Manuel Ubaldo Jáuregui Vega, colombiano, do Instituto de Missões Estrangeiras de Yarumal, que foi assassinado em Zango, município de Viana, Angola, em março de 2021.

Segundo a Fides, entre 1990 e 2000 houve registo de 604 missionários mortos, incluindo as vítimas do genocídio do Ruanda (1994) que causou pelo menos 248 vítimas entre o pessoal eclesiástico. Já nos anos 2001 a 2020, o número total de agentes pastorais mortos foi de 505.

 

Papa:

Francisco convoca as Filhas da Caridade

para serem «mães e irmãs dos que mais precisam»

 

O Papa Francisco enviou uma vídeo mensagem às participantes da Assembleia de Paris da Companhia das Filhas da Caridade e pediu para “não se cansarem de ir em direção de quem precisa, sendo suas mães e irmãs”.

“São uma Companhia de mulheres feita para sair e levar o Amor de Cristo aos pobres. Isto as levou a todo o mundo não só a ajudar os pobres em grandes institutos, hospitais, orfanatos e escolas, mas também a visitá-los, a sair ao seu encontro nos lugares onde vivem, a participar com eles dos caminhos do crescimento humano, da promoção da vida e do cuidado espiritual; Deus confiou-vos os pobres, seus prediletos, vocês são para eles mães e irmãs””, referiu na sua mensagem.

A Assembleia de Paris da Companhia das Filhas da Caridade tem como tema “Uma profunda reflexão sobre sua missão à luz do Evangelho” e o Papa convocou as religiosas a “acompanhar as vítimas de violência, de discriminação, de fazer crescer as crianças que são as primeiras vítimas dos abusos dos adultos, de custodiar e defender a vida ao seu redor, com seu sorriso, seu cuidado, sua dedicação ao serviço dos pequenos”.

Francisco indicou que as religiosas são mães “porque com seu amor, sua atenção a todas as suas necessidades, geram ao Amor de Deus e os reabrem à beleza da vida” e irmãs porque “os apoiam nas suas condições e os acompanham a redescobrir a dignidade nos muitos caminhos da vida que fazem com eles”.

“Ser Filhas da Caridade significa ser Filhas de Deus, a imagem do Amor maior que o próprio Deus nos testemunhou”, destacou.

 

Vaticano:

Festa de Nossa Senhora de Guadalupe coloriu Praça de São Pedro

 

O Papa assinalou no dia 12 de dezembro no Vaticano a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, deixando uma mensagem de “afeto” às comunidades de vários países da América, que se reuniram para rezar o Rosário na Praça de São Pedro.

“Com este gesto, uniram-se aos que, desde o Alasca à Patagónia, celebram Santa Maria de Guadalupe, mãe do verdadeiro Deus, pelo qual se vive, a cada 12 de dezembro”, indicou, desde a janela do apartamento pontifício.

Francisco desafiou as comunidades católicas a “caminhar juntas, desde as periferias para o centro, em comunhão com os sucessores dos apóstolos, que são os bispos, para assim ser boa notícia para todos”.

“Deus, que é comunhão, animará a conversão e a renovação da Igreja e da sociedade, tão necessária nas Américas”, declarou.

O Papa assinalou, a este respeito, que “a situação de tantos países americanos é muito triste”.

Francisco apontou a importância do testemunho público de fé para preparar o Jubileu de Guadalupe, em 2031, e o Jubileu da Redenção de 2033.

“Temos de olhar em frente, sempre”, indicou.

O encontro concluiu-se com o Papa a pedir a todos que se unissem a ele para dizer “viva Nossa Senhora de Guadalupe”.

 

Papa:

Países devem permitir o acolhimento de migrantes e refugiados

por instituições eclesiais

 

O Papa Francisco incentivou os países europeus a permitirem o acolhimento de migrantes e refugiados destacando a “generosa abertura” das autoridades italianas na viagem que realizou ao Chipre e à Grécia, de onde levou um grupo de pessoas para Roma.

“Constatei que são poucos os países europeus que suportam a maior parte das consequências do fenómeno migratório na zona mediterrânica, embora na realidade exija uma responsabilidade partilhada por todos, da qual nenhum país se pode eximir, porque é um problema de humanidade”, disse o Papa, na audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano.

 “Bem-vinda! Cuidaremos deles, como Igreja, nos próximos meses”, assegurou o Papa.

“É um pequeno sinal, que espero que sirva de estímulo para outros países europeus, para que permitam às realidades eclesiais locais de se encarregar de outros irmãos e irmãs que precisam urgentemente de serem recolocados, acompanhados, promovidos e integrados com urgência”, acrescentou.

Segundo o Papa Francisco, são “numerosas” as Igrejas locais, as congregações religiosas e as organizações católicas “dispostas a recebê-los e a acompanhá-los para uma integração fecunda”.

“Você só precisa abrir uma porta, a porta do coração! Não vamos deixar de o fazer neste Natal”, pediu.

O portal ‘Vatican News’ contextualiza que, no espaço de uma semana, “mais de 160 refugiados perderam a vida” no Mar Mediterrâneo, entre a Líbia e a ilha italiana de Lampedusa.

 

Roma:

Papa critica sociedade do «descarte»,

que abandona os mais necessitados

 

O Papa censurou no Vaticano a “economia do descarte” que obriga os mais pobres a “viver à margem” da sociedade, apelando à intervenção organizada dos católicos para superar esta situação.

Numa Missa com a presença de 2 mil pobres, na Basílica de São Pedro, Francisco sublinhou a precariedade em que estas pessoas são “constrangidas a viver”, vítimas “da injustiça e da desigualdade duma sociedade do descarte, que corre apressada sem os ver e, sem escrúpulos, os abandona ao seu destino”.

A celebração, que assinalou o V Dia Mundial dos Pobres, contou ainda com a presença de voluntários e representantes de organizações de caridade que trabalham diariamente no território de Roma.

O Papa declarou que os católicos devem ser “pessoas que agem”, que “partilham o pão com os famintos, trabalham pela justiça, levantam os pobres e lhes devolvem a sua dignidade”.

O Dia Mundial dos Pobres, que estamos a celebrar, pede-nos que não viremos a cara para o outro lado, que não tenhamos medo de olhar de perto o sofrimento dos mais frágeis, para os quais é muito atual o Evangelho de hoje”.

Francisco refletiu sobre o significado da “salvação” proposta por Deus, sublinhando que esta é mais do que uma “promessa reservada para o Além” e deve abrir caminho na sociedade, “por entre as opressões e injustiças do mundo”.

Aos cristãos, acrescentou, compete “alimentar a esperança do amanhã, curando a dor de hoje”. “A esperança que nasce do Evangelho não consiste em esperar passivamente por um amanhã em que as coisas hão de correr melhor, mas em tornar concreta hoje a promessa de salvação de Deus: hoje, em cada dia”, precisou.

O Papa insistiu na necessidade de ser “construtores incansáveis de esperança” e “testemunhas de compaixão”, com uma presença atenta no meio de uma “indiferença generalizada”. “Se a nossa esperança não se traduzir em opções e gestos concretos de atenção, justiça, solidariedade, cuidado da casa comum, não poderão ser aliviados os sofrimentos dos pobres”, advertiu.

O Dia Mundial dos Pobres celebra-se anualmente no penúltimo domingo do ano litúrgico, antes da solenidade de Cristo-Rei.

“Em 2021, a celebração teve como tema ‘Sempre tereis pobres entre vós’, inspirado numa passagem do Evangelho segundo São Marcos (Mc 14, 7).


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