Páscoa da Ressurreição do Senhor

Missa do Dia

17 de Abril de 2022

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor ressuscitou verdadeiramente – M. Faria, NRMS, 25

Salmo 138, 18.5-6

Antífona de entrada: Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.

Ou:

Lc 24, 34; cf. Ap 1, 5

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Páscoa da ressurreição do Senhor, a festa litúrgica de onde nasceram todas as outras.

Ao entrar nas casas, o cortejo da visita pascal saúda-vos: Boas festas, aleluia, aleluia.

Procuremos que dentro de nós haja verdadeira Páscoa pela reconciliação com Deus a propósitos de fidelidade às promessas do Batismo.

 

Acto penitencial

 

Reconciliemo-nos com Cristo ressuscitado, como os Apóstolos no Cenáculo, pedindo humildemente perdão das nossas infidelidades para com Ele.

 

(Sugere-se, especialmente no Tempo Pascal, que o Acto Penitencial seja substituído pela aspersão da Assembleia com água benta).

 

Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Em casa do Centurião Cornélio, na cidade de Cesareia à beira mar, Simão Pedro, onde foi enviado pelo Espírito Santo, dá um vibrante testemunho sobre a Ressurreição de Jesus.

Sejamos nós também, pela nossa alegria e vida cristã, testemunhas da Ressurreição do Senhor Jesus.

 

Actos dos Apóstolos 10,34a.37-43

 

Naqueles dias, 34aPedro tomou a palavra e disse: 37«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. 39Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. 40Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, 41não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. 42Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. 43É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

 

O texto faz parte do corpo do discurso de Pedro em Cesareia na casa do centurião Cornélio, o qual tinha mandado chamar Pedro a Jope, ilustrado por uma visão (cf. Act 10,1-33). Este discurso tem um carácter mais catequético e apologético do que propriamente missionário, como seria de esperar num primeiro anúncio da fé a um gentio (embora se tratasse dum «temente a Deus»: v. 2). Lucas redige este discurso a pensar mais nos leitores da sua obra, do que com a preocupação de reconstruir exactamente a cena originária e as mesmas palavras pronunciadas naquela circunstância; com efeito, começa por fazer referência ao Evangelho já antes pregado aos ouvintes: «vós sabeis o que aconteceu…», e também parece que dá por suposta a fé no valor salvífico da Cruz (cf. v. 39b), e não termina, como seria de esperar, com um apelo explícito à conversão. Assim, Lucas nos deixou mais uma bela síntese do que era o Evangelho pregado pela Igreja primitiva.

38 «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus». Esta tradução litúrgica desfez a hendíadis tão própria da estilística hebraica (ungiu de Espírito Santo e de fortaleza), recorrendo, por motivo de clareza, a uma equivalência dinâmica, (a força que é o Espírito Santo). Deus (o Pai) concedeu à natureza humana de Jesus todos os dons do Espírito Santo, que Lhe competiam a partir do momento da Incarnação; estes dons manifestam-se visivelmente nos milagres de Jesus, nas teofanias do Baptismo e da Transfiguração e muito particularmente na Ressurreição. A unção era o rito que constituía os reis e os sacerdotes na sua função; assim, a união hipostática em Jesus aparece como uma unção da natureza humana de Jesus, «que passou fazendo o bem e curando a todos» (maravilhoso resumo da vida de Jesus, bem ao sabor do Evangelista da bondade).

41 «Não a todo o povo». Jesus não se mostra a todos depois de ressuscitado, não só para não violentar a liberdade das pessoas, mas também porque está nos planos divinos conduzir o mundo à salvação mediante o ministério dos seus discípulos – testemunhas de antemão designadas por Deus – e mediante a fé, que é meritória (cf. Rom 1,16-17). Note-se o acento que se põe no testemunho acerca da Ressurreição; não estamos apenas perante uns simples pregadores (cf. v. 42a) duma mensagem salvadora, mas diante de verdadeiras testemunhas (cf. v. 42b), que dão testemunho – o verbo grego tem um matiz forense – capaz de fazer fé em tribunal. A ideia de testemunho é fortemente acentuada neste breve texto, não só por ser repetida quatro vezes (vv. 39.41.42.43), mas também por se tratar de testemunhas escolhidas por Deus para esta missão (v. 41), que conviveram com o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, o que exclui logo à partida a hipótese de se tratar de mera fantasia (Lucas mostra especial sensibilidade a este problema: cf. Lc 24,37-43).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)

 

Monição: O Espírito Santo convida-nos pelo salmo responsorial, a exultar de alegria pela Ressurreição o Senhor.

Que a alegria e o canto deste salmo brote do mais íntimo do nosso coração, como homenagem a Jesus Ressuscitado.

 

Refrão:        Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

 

Ou:               Aleluia.

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta que dirige aos fiéis da Igreja de Colossos, anima-os a colocar o coração muito acima das coisas da terra. «Aspirai às coisas do alto, onde está Cristo».

Mais uma vez somos instados a examinar em que aspirações se funda a nossa esperança.

 

Colossenses 3,1-4  (de manhã)

 

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

 

Com estas palavras é introduzida a parte final da Carta, uma série de exortações morais para que os fiéis tenham um modo de viver coerente com a fé cristã. A sua conduta moral é uma consequência natural da profunda união com Cristo ressuscitado produzida pelo Baptismo recebido.

1 «Aspirai às coisas do alto» corresponde ao mesmo incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Sursum corda! Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós (cf. Rom 6). Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivemos vida de ressuscitados. É a «vida» da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém nos pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixos no Céu.

 

Em vez da leitura anterior pode ler-se a seguinte:

 

Monição: Mais uma vez, S. Paulo convida-nos a uma grande pureza de vida, digna de quem segue Cristo Ressuscitado.

É para nós também este conselho: «Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa»

 

1 Coríntios 5,6b-8  (de tarde)

 

Irmãos: 6bNão sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? 7Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto que sois pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8Celebremos a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.

 

Parece haver aqui (v. 6b) uma referência ao incestuoso de que acaba de falar (vv. 1-5); um mau exemplo é um mau fermento. Mas S. Paulo faz imediatamente uma aplicação mais vasta da ideia de mau fermento, e isto talvez pela proximidade da festa da Páscoa, que já então, pelo ano 55, os cristãos celebravam em Corinto como festa da Ressurreição do Senhor, segundo o que se lê no v. 8: «celebremos pois a festa». Na exortação do Apóstolo há uma alusão ao costume judaico, que ainda hoje se conserva, de limpar escrupulosamente as casas de todo o fermento e pão fermentado durante os sete dias que duravam as festas pascais. Nós os cristãos, para celebrarmos a Páscoa – «Cristo, nosso Cordeiro pascal» (v. 7) –, temos que o fazer sem o fermento (o princípio corruptor) da malícia e da perversidade, mas «com os pães ázimos da pureza e da verdade», isto é, da sinceridade de vida. Poderia haver, nesta referência a Cristo como «Cordeiro imolado», uma alusão à própria celebração da Eucaristia.

 

Sequência

 

À Vítima pascal

ofereçam os cristãos

sacrifícios de louvor.

 

O Cordeiro resgatou as ovelhas:

Cristo, o Inocente,

reconciliou com o Pai os pecadores.

 

A morte e a vida

travaram um admirável combate:

Depois de morto,

vive e reina o Autor da vida.

 

Diz-nos, Maria:

Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo

e a glória do Ressuscitado.

 

Vi as testemunhas dos Anjos,

vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:

precederá os seus discípulos na Galileia.

 

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

tende piedade de nós.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Cor 5, 7b-8a

 

Monição: A aclamação que mais frequentemente ouvimos neste tempo pascal é a palavra Aleluia.

Aclamemos nós também Cristo Ressuscitado que está connosco na Sua Palavra.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado:

celebremos a festa do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 20,1-9 (de manhã)

 

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. 2Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. 4Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão 7e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. 8Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. 9Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Nenhum dos quatro Evangelhos narra o momento da Ressurreição de Jesus, pois não foi presenciado por testemunhas; era um facto sobrenatural que, de si mesmo, escapava à experiência humana. E isto só vem dar credibilidade ao facto da Ressurreição, pois, se se tratasse duma ficção, era de esperar que se dessem os seus pormenores. S. João começa com a verificação do túmulo vazio feita pela Madalena, mas vão ser os dois discípulos, que vão fazer o reconhecimento do local e que verificam indícios eloquentes, aptos para levarem à fé na Ressurreição de Jesus.

2 «Não sabemos…». Este plural parece aludir à tradição sinóptica que conhece a ida de mais mulheres ao sepulcro. É evidente que não houve a mínima preocupação de harmonizar os diferentes relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições, o que é um forte motivo de credibilidade a favor da realidade da ressurreição, facto misterioso, que é a base de toda a fé cristã (cf. 1Cor 15,12-19).

7-8 «Viu e acreditou». Porque começou a crer o discípulo? A explicação habitual é que um ladrão não deixaria ficar os panos, e muito menos em ordem. Mas há mais dados a ter em conta: porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra tumular, ao passo que o pano que envolvera a cabeça do Senhor não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera (cf. a nossa tradução na Nova Bíblia da Difusora Bíblica). Não sabemos se Pedro partilhou da fé do Discípulo Amado, mas S. Lucas diz que ficou maravilhado (cf. Lc 24,12). Os panos com que Jesus foi amortalhado eram com toda a probabilidade: 1) um lençol mortuário (síndone), tecido largo e comprido que envolvia todo o corpo; 2) um lenço (sudário) que cobria a cabeça e caia sobre o rosto (e ajudaria a manter a boca fechada); 3) várias ligaduras que não só serviam para manter apertados os pés um contra o outro e as mãos unidas ao corpo, mas também que poderiam ajudar a aconchegar a síndone ao corpo. S. João não fala especificamente desta síndone, mas deve englobá-la na designação genérica de «ligaduras» (em grego, othónia).

9 «Ainda não tinham entendido a Escritura». Os discípulos não estavam psicologicamente predispostos a admitir a Ressurreição, para que esta pudesse ser fruto de uma alucinação; com efeito, só depois de confrontados com a realidade da ressurreição de Jesus é que se recordaram das Escrituras (cf. 1Cor 15,4; Act 2,24-32; Jo 2,22) e as entenderam. A ressurreição era uma realidade só admissível para o fim do mundo (cf. Jo 11,24), pois, apesar de Jesus ter anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, este só poderia ser o dia final, de acordo com a profecia de Oseias (Os 6,2). Diante do sepulcro vazio, só pensam num roubo (vv. 2.13.15) e não dão crédito a quaisquer notícias das aparições (cf. Mc 6,11.13; Lc 24,21-24; Jo 20,25).

 

Em vez deste Evangelho, pode ler-se o que se leu na Vigília da Noite Santa.

 

Nas missas vespertinas pode ler-se o Evangelho de Lc 24,13-35.

 

São Lucas 24,13-35   (de tarde)

 

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais. Podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições; não temos, porém, elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a maior parte deles regista 60 estádios; outros, de grande valor, têm 160 (o que equivale a uns 32 Km, leitura mais difícil e por isso a mais credível). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã, sendo as mais venerados Al-Qubeibeh, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa e Nicópolis (a árabe Amuás, correspondente aos 160 estádios), a visitada por Bento XVI; a caminho deste local ainda temos Abu-Ghosh (a 12 Km) com a abadia beneditina, o santuário de Nossa Senhora Arca da Aliança e o recente Saxum Visitor Center.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19,25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Klôpás; em Al-Qubeibeh venera-se o seu túmulo.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos». Aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23,56b – 24,9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que «os nossos» são «Pedro e o outro discípulo» (certamente João, cf. v. 12 e Jo 20,1-10). «Mas a Ele não O viram»: se este não é um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro, referida adiante, no v. 34; (cf. 1Cor 15,5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia – a fracção do pão do v. 30 – constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus); Jesus, depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto mesmo nos sucede muitas vezes na vida cristã. Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25,40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia. Com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença». É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real.  Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato também se põe em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus ressuscitou verdadeiramente

• Procuremos Jesus Ressuscitado

 

1. Jesus ressuscitou verdadeiramente

 

Quando Pedro estava em Jope, na casa de Simão Curtidor, foi enviado pelo Espírito Santo, quando estava a fazer oração no terraço da casa, a Cesareia da Beira Mar, ao encontro de Cornélio, Centurião romano, para o batizar.

Foi um momento importante para a vida da Igreja, porque todos estavam convencidos de que somente os judeus podiam entrar nela, pois o centurião era pagão.

Perante a família deste homem e seus amigos, reunidos no mesmo lugar, Simão Pedro deu um solene testemunho da Ressurreição de Jesus.

Depois de resumir a vida pública de jesus e a Sua paixão e Morte, Pedro afirma: «Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos Judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia

Verdade fundamental da fé. Também seríamos capazes de dar este testemunho, mesmo que nos custasse a vida?

E, no entanto, esta é a verdade fundamental da nossa fé cristã. Sendo assim, nós não nos limitamos a defender algumas verdades de ordem moral, ou a recordar Alguém que passou pela terra, foi importante, mas desapareceu.

Nós seguimos uma Pessoa divina e humana, Cristo vivo, que nos ama, com quem falamos e a quem seguimos na vida até ao Céu.

Todavia, comportamo-nos como se Cristo não tivesse ressuscitado dos mortos, porque não Lhe falamos, não fazemos amizade com Ele e não Lhe pedimos ajuda. Vivemos, na prática, como se Ele continuasse morto.

E, assim, não Lhe falamos acerca da nossa vida. Ele marca encontro connosco em cada domingo, para nos falar e nos dar o Seu Corpo e Sangue em Alimento, e nós faltamos; quer ser o nosso guia e companheiro no caminho do Céu e não O acompanhamos.

Valor do testemunho que recebemos. O testemunho que nos garante a ressurreição de Jesus vem de pessoas que estiveram presentes na vida, morte e ressurreição do Mestre; e morreram por esta verdade.

Pedro afirma que o Pai «permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos

 

2. Procuremos Jesus Ressuscitado

 

Maria Madalena, acompanhada por outras mulheres que também tinham estado no Calvário, dirigiu-se à sepultura de Jesus, antes do nascer do sol.

Dão-nos um exemplo de Fortaleza, motivada pelo Amor ao Divino Mestre. A cidade estava agitada por causa da morte de Jesus e podia alguém maltratá-las. Além disso, não podiam mover a pedra do sepulcro – uma grande mó, rolada para uma calha.

Procuravam Crisdto morto. Mas não acreditavam na Ressurreição. Tinham embrulhado à pressa o Corpo ensanguentado de Jesus num lençol, sem o lavar nem ungir com perfumes, como era devido, porque o tempo urgia. O rigoroso descanso do sábado começava cerca das cinco e um quarto da tarde – com o pôr do sol – e o número de passos que podiam dar ao sábado era muito limitado.

Agora que tinha começado o primeiro dia da semana – mais tarde chamado Domingo, Dia do Senhor –  podia dedicar a este trabalho de carinho todo o tempo disponível. Compraram um novo lençol e perfumes. Procuram Cristo morto, um cadáver que tinham deixado no túmulo nos últimos minutos de Sexta Feira.

Também nos comportamos, às vezes, como se Cristo estivesse morto. Falamos d’Ele como de uma figura do passado e não conversamos com Ele, como Alguém que está sempre ao nosso lado para nos ajudar.

Cristo vive é o nome da Exortação Apostólica sobre os jovens publicada pelo Papa Francisco. Dá-lhe este nome para nos encher de otimismo.

Na verdade, falamos da Igreja e do cristianismo nos nossos dias com tanto pessimismo e desânimo, como se Jesus continuasse morto e o Espírito Santo tivesse desanimado, de uma vez para sempre, de nos santificar. Isto é especialmente verdadeiro, quando nos referimos ao mundo dos jovens.

Cristo está vivo. A primeira grande surpresa para elas foi encontrarem a pedra rolada para o lado, a franquear a entrada, e o sepulcro vazio. Os guardas não estavam ali.

Dois anjos – um à cabeceira e outro aos pés – elucidaram-nas: «Procurais Jesus o Nazareno? Ressuscitou Não está aqui

Jesus nunca falara da Sua Paixão e Morte sem acrescentar: “mas ao terceiro dia ressuscitará.” Mas elas não puseram senão a hipótese de que alguém roubara o corpo de Jesus. Maria Madalena foi avisar Simão Pedro. Ele, com João, correram para o lugar da sepultura.

Recordaram-se da promessa de Jesus de ressuscitar ao terceiro dia. No sepulcro tudo estava em ordem, não na confusão que as pessoas deixam depois de um roubo.

O lenço que lhe cobrira o rosto, dobrado ao lado, era um sinal usado naquela época para avisar que voltaria. Assim faziam as pessoas quando tinham de sair por momentos da mesa.

Jesus ressuscitou. Jesus ensinou-nos que a Sua Ressurreição é uma verdade fundamental. Porquê?

Seguimos no cristianismo, não apenas umas ideias belas, em recordação de alguém que passou, mas uma Pessoa viva que nos vè, nos fala, nos ama e nos ajuda.

Deste modo, Ele pode cumprir a promessa que nos fez: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos

Como poderia estar vivo no Sacrário e dar-Se-nos em Alimento na Comunhão, se não tivesse ressuscitado?

O que é ressuscitar? Não consiste apenas voltar à vida que tinha antes, mas a uma vida muito superior, imortal, sem limitações nem sofrimentos e com os dotes do corpo glorioso. São eles:

A impassibilidade. Nunca mais sofre nem se desgasta, pelo que é imortal e não envelhece, nem precisa de se alimentar.

A claridade. Resplandece de luz. Foi assim que os Pastorinhos viram Nossa Senhora em Fátima: “Uma Senhora toda vestida e luz.”

A subtilidade. Não encontra obstáculos para se movimentar. Não foi preciso retirar a pedra do sepulcro para que saísse de lá; não Lhe abriram as portas ou janelas do Cenáculo para que entrasse e saísse; não precisou de sair pela porta de Emaús para desaparecer.

A agilidade. Move-se com toda a facilidade, sem esforço, nem gasto de tempo.

Aspiremos às coisas do alto. S. Paulo recomenda-nos que aspiremos às coisas do Alto, como alguém que há-de ressuscitar com Cristo, no fim dos tempos.

O que quer isto dizer? As nossas aspirações andam muito pela terra: que o nosso clube ganhe; que o salário aumente…

Aspiremos a viver uma amizade e união progressivo com Jesus Cristo, na graça de Deus, na fidelidade ais Mandamentos, na oração e nos sacramentos.

Com Maria, alegremo-nos na Ressurreição de Jesus e procuremos segui-l’O.

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo:

Neste dia santíssimo que o Senhor fez,

em que o Espírito nos torna homens novos,

Imploremos ao Pai, que a alegria da Páscoa

se estenda quanto antes ao mundo inteiro.

Oremos (cantando), com fé e amor:

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela Igreja católica e apostólica, conduzida pelo Santo Padre,

    para que, na alegria da Páscoa, proclame que Jesus ressuscitou,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

2. Por todos os que ontem foram batizados a Vigília Pascal,

    para que aspirem à santidade e dêem graças pelo Batismo,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

3. Pela nossa comunidade paroquial e pela humanidade inteira,

para que acolha a Boa Nova e a Aliança que Deus lhe oferece,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

4. Por todas as famílias cristãs da Igreja que desejam ser fiéis,

    para que Jesus, Cordeiro pascal, as alimente com a Eucaristia,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

5. Por todas as comunidades cristãs que são perseguidas na fé,

    para que vivam alegres, dando testemunho a Ressurreição,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

6. Pelos parentes, amigos e conhecidos que Deus chamou a Si,

    para que neste dia de festa contemplem Jesus Cristo no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho, ouvi-nos, Senhor.

 

Deus santo, Deus da vida, Deus salvador,

que na Ressurreição do vosso Filho

destes ao mundo a vitória sobre a morte,

fazei-nos viver ressuscitados com Ele,

deixando-nos conduzir pelo seu Espírito.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Eu estarei sempre convosco, promete-nos solenemente o Senhor Ressuscitado.

De facto, esteve connosco na Palavra que foi proclamada e prepara agora, pelo ministério do sacerdote, com os dons que levamos ao altar, a Sua Presença como Alimento na Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Nasceu o Sol da Páscoa – M. Luís, NRMS, 21

 

Oração sobre as oblatas: Exultando de alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.

Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Saudação da Paz

 

Jesus levou a paz os Apóstolos, congregados no Cenáculo, inseguros por causa dos últimos acontecimentos em Jerusalém.

Ele quer dar também a verdadeira para cada um de nós e pede-nos apenas que abramos o coração para a receber.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão bem feita, com as disposições que o Senhor quer, é penhor da nossa ressurreição futura.

Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue – diz Jesus – tem a vida eterna e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia.

 

Cântico da Comunhão: O hino da alegria – M. Faria, NRMS, 21

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da verdade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Neste dia que o Senhor fez – B. Salgado, NRMS, 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos que a nossa vida seja uma Páscoa todos os dias, vivendo na graça de Deus e iluminando o ambiente de família e de trabalho com a nossa alegria de filhos de Deus.

 

Cântico final: Louvai ao Senhor – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

Na despedida, durante toda a Oitava, diz-se:

 

V. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

R. Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Homilias Feriais

 

OITAVA DA PASCOA

 

2ª Feira, 18-IV: A alegria da Ressurreição

Act 2, 14. 22-32 / Mt 28, 8-15

Pedro: Mas, como David era profeta, viu de antemão e anunciou a ressurreição do Messias.

No dia de Pentecostes, Pedro recorda no seu discurso a profecia de David acerca da ressurreição do Messias (LT). As santas mulheres foram as primeiras a encontrar-se com o Ressuscitado, e também as primeiras mensageiras da Ressurreição junto dos Apóstolos, apesar dos boatos espalhados em sentido contrário (EV).

Jesus ressuscitado é a causa da nossa alegria, porque venceu o pecado e a morte. Se alguma vez passamos por momentos de desânimo, procuremos rapidamente a sua companhia. E, como as santas mulheres, demos testemunho da nossa alegria aos outros

.

3ª Feira, 19-IV: Ressurreição e conversão.

Act  2, 36-41 / Jo 20, 11-18

Jesus: Mulher, por que estás a chorar?

No dia de Pentecostes, Pedro comove os seus ouvintes ao falar da paixão de Cristo: todo sentiram o coração despedaçar-se (LT) Maria de Magdala chora intensamente junto ao túmulo de Jesus (EV). Os discípulos perguntam: Que havemos de fazer?  A Madalena recomeça, depois do encontro com Jesus ressuscitado, cheia de esperança.

É Deus que nos dá a coragem de recomeçar. O nosso coração, abatido pelo desânimo e pelo peso do pecado, descobre a misericórdia de Deus. E converte-se, olhando para aquele que os nossos pecados trespassaram.

 

4ª Feira, 20-IV: Toda a fortaleza vem de Deus.

Act 3, 1-10 / Lc 24, 13-35

Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho vou dar-to: Em nome de Jesus de Nazaré: anda!

Pedro cura um coxo dando-lhe a força de Deus, e ele começou a andar de novo (LT). Jesus encontra dois discípulos e dá-lhes o alimento da palavra de Deus e o pão eucarístico (EV), e eles recomeçam, cheios do fogo do amor de Deus, a sua vida junto ao Senhor.

Já sabemos onde temos que procurar forças para recomeçar a andar pelos caminhos de Deus. Por um lado, toda a força vem de Deus: é preciso rezar mais. Por outro lado, aproveitar as graças que recebemos pela participação na Eucaristia, pois o Pão e a Palavra são indispensáveis para ultrapassarmos os desânimos.

 

5ª Feira, 21-IV: Deus dá-nos a sua Paz.

Act 3, 11-26 / Lc 24, 35-46

E disse-lhes: Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dos mortos.

Pedro, para explicar a cura do coxo, fala da morte e ressurreição de Cristo e diz que foi enviado para nos abençoar (LT). Neste caso, para dar a bênção da paz, Jesus aparece aos discípulos e deseja-lhes a paz (EV).

A paz é um dos grandes dons do Ressuscitado. A paz terrena é a imagem da paz de Cristo. Jesus reconciliou os homens consigo, através do sangue derramado na Cruz. Na Missa repetimos: Dou-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não, como a dá o mundo. Difundamos esta paz no ambiente familiar e no convívio com os outros.

 

6ª Feira, 22-IV: Em nome do Senhor.

Act 4, 1-12 / Jo 21, 1-14

Pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré é que este homem se encontra na vossa presença, perfeitamente são.

Pedro explica aos chefes do povo, aos anciãos e aos escribas, o milagre do coxo: Em nome de Jesus Cristo (LT). A pesca milagrosa também é levada a cabo pelo mesmo poder, pois Pedro lança as redes conforme o Senhor indica (EV).

Uma vez que foi muito fecunda a influência do cristianismo na Europa, devemos continuar a pedir que, em nome do Senhor, se plasme uma mentalidade cristã na vida corrente: na família, na Escola, na comunicação social, no mundo da cultura, do trabalho, da Economia, da Política, nos tempos livres, na saúde e na doença (S. João Paulo II).

 

Sábado, 23-IV: O mandato de Cristo.

Act 4, 13-21 / Mc 16, 9-15

Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas.

O milagre da cura do coxo continua a preocupar as autoridades, de modo que proíbem terminantemente os Apóstolos de falar no assunto (LT). Mas estes, seguindo o mandato de Cristo (EV), não podem deixar de dizer o que viram e ouviram (LT)

A despedida no fim da Missa constitui um mandato, que leva o cristão a empenhar-se na propagação do Evangelho e na animação cristã da sociedade. Imitemo-los, apesar das dificuldades que ouvimos: deixem as vossas convicções para dentro da sacristia, não imponham os vossos valores num estado laico, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 

 


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