DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

10 de Abril de 2022

 

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia do Domingo de Ramos tem duas partes distintas. Em primeiro lugar, fala-nos de triunfo e de glória, ao comemorar a entrada do Senhor em Jerusalém. Mas logo a seguir, fala-nos de sofrimento e convida-nos a contemplar Jesus que partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens e, por nosso amor, entregou a sua vida à morte. As leituras que vamos escutar apresentam-nos Jesus como “Rei messiânico” e como “Servo do Senhor.” O Domingo da Paixão ajuda-nos a compreender que Jesus é o Messias, que realiza a nossa salvação através do sofrimento. A cruz, que a liturgia deste Domingo coloca no horizonte, lembra-nos o ensinamento do divino Mestre: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos.”

 

 

A. Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém

 

 

Primeira forma: Procissão

 

À hora marcada, reúnem-se todos numa igreja secundária ou noutro lugar apropriado fora da igreja para a qual se dirige a procissão. Os fiéis levam ramos na mão.

O sacerdote e o diácono, revestidos de paramentos vermelhos próprios da Missa, dirigem-se para o lugar onde o povo está reunido. O sacerdote, em vez da casula, pode levar o pluvial, que deporá terminada a procissão.

Entretanto, canta-se a antífona seguinte ou outro cântico apropriado.

 

Mt 21, 9

Antífona: Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas.

 

O sacerdote, ao chegar, saúda o povo na forma habitual. Depois exorta os fiéis a participarem activa e conscientemente na celebração deste dia, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Irmãos caríssimos:

Desde o princípio da Quaresma vimos a preparar-nos com obras de penitência e de caridade. Hoje estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da sua paixão e ressurreição.

Foi para realizar este mistério da sua morte e ressurreição que Jesus Cristo entrou na sua cidade de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal na cidade santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora na sua cruz, mereçamos um dia ter parte na sua ressurreição.

 

Seguidamente, o sacerdote, de mãos juntas, diz uma das seguintes orações:

 

 

Oremos.

Deus eterno e omnipotente, santificai com a vossa bênção estes ramos, para que, acompanhando a Cristo nosso Rei nesta celebração festiva, mereçamos entrar com Ele na Jerusalém celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Ou:

 

Aumentai, Senhor, a fé dos que esperam em Vós e ouvi com bondade as nossas humildes súplicas, para que, aclamando com estes ramos a Cristo vitorioso, permaneçamos unidos a Ele e dêmos fruto abundante de boas obras. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Terminada a oração, asperge os ramos com água benta, sem dizer nada.

A seguir, faz-se a proclamação do Evangelho da entrada do Senhor, segundo o texto evangélico correspondente a cada um dos ciclos. Esta proclamação é feita do modo habitual pelo diácono, ou, na falta dele, pelo sacerdote.

 

Evangelho

 

São Lucas 19,28-40

Naquele tempo, 28Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do Monte das Oliveiras, enviou dois discípulos 30e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. 31Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». 32Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. 33Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?» Eles responderam: 34«O Senhor precisa dele». 35Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. 36Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. 37Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, 38dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». 39Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». 40Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».

 

A cena reveste-se de um carácter de entronização messiânica de Jesus, ao cumprir-se a profecia de Zac 9,9, e ao ser aclamado com o Salmo de entronização do Rei-Messias: Salm 119 (118),26.

28 «Subindo para Jerusalém», isto é, vindo de Jericó, pelo caminho a pique que levaria umas 5 ou 6 horas e que vai dar a Betfagé (casa dos figos), entre Betânia e o cimo do Monte das Oliveiras.

39 «Clamarão as pedras». Fórmula proverbial, clara e enérgica, tão ao jeito de Jesus, com que confirma perante os próprios adversários a sua dignidade messiânica e a sua realeza; isto era já uma realidade tão importante e notória, que, se os homens se negam a reconhecê-la, será a própria natureza muda a proclamá-la. Por outro lado, Jesus já tinha cumprido a sua missão de pregar o Evangelho e de instruir os Apóstolos, por isso não havia que temer qualquer tumulto popular, ao apresentar-se solenemente como Messias-Rei.

 

Depois do Evangelho, conforme as circunstâncias, pode fazer-se uma breve homilia. A anunciar o começo da procissão, o sacerdote ou outro ministro idóneo pode fazer uma admonição, dizendo estas palavras ou outras semelhantes:

 

Imitemos, irmãos caríssimos, a multidão que aclamava Jesus na cidade santa de Jerusalém, e caminhemos em paz.

 

Inicia-se a procissão em direcção à igreja onde é celebrada a Missa.

À frente vai o turiferário com o turíbulo aceso (se se usa o incenso); depois, no meio de dois ministros com velas acesas, o cruciferário com a cruz ornamentada; segue-se o sacerdote com os outros ministros: finalmente, os fiéis com os ramos na mão.

 

Á entrada da procissão na igreja, canta-se o responsório seguinte ou outro cântico alusivo à entrada do Senhor.

 

V. Ao entrar o Senhor na cidade santa, as crianças de Jerusalém, com ramos de palmeira, anunciaram a ressurreição da vida, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

V. Quando o povo ouviu dizer que Jesus vinha para Jerusalém, saiu ao seu encontro com ramos de palmeira, cantando alegremente:

R. Hossana nas alturas.

 

Cântico de entrada:  Hosana ao Filho de David – Az. Oliveira, NRMS, 29

 

Ao chegar ao altar, o sacerdote faz-lhe a devida reverência e, conforme as circunstâncias, incensa-o. Seguidamente, dirige-se para a sua cadeira (depõe o pluvial e veste a casula) e, omitindo tudo o mais, diz, como conclusão da procissão, a oração colecta da Missa. Terminada esta oração, a Missa continua na forma habitual.

 

A Missa deste domingo é dotada de três leituras, que muito se recomendam, se não há um motivo pastoral que aconselhe outra coisa.

Dada a importância da leitura da Paixão do Senhor, compete ao sacerdote, tendo em conta a natureza de cada grupo de fiéis, a opção de ler apenas uma das duas leituras que precedem o Evangelho, ou apenas a história da Paixão, se for necessário, mesmo na forma breve.

Isto vigora apenas para as Missas celebradas com participação do povo.

 

B. Missa

 

Depois da procissão ou da entrada solene, o sacerdote começa a Missa com a oração colecta.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Não desviei o meu rosto dos que Me ultrajavam, mas sei que não ficarei desiludido.» Is. 50, 4-7

Esta leitura é um dos chamados “Cânticos do Servo sofredor.” Este Servo é uma prefiguração de Jesus, que na Paixão, oferece a sua vida pela redenção de toda a humanidade.

 

Isaías 50,4-7

 

4O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. 5O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. 6Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. 7Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e por isso não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

 

O texto é tirado do II Isaías e corresponde aos primeiros 4 vv. do 3° poema do Servo de Yahwéh (Is 50,4-9). Quem está a falar parece ser o próprio servo, embora não seja aqui nomeado, mas é o que se deduz do contexto imediato deste canto (v. 10). De qualquer modo, considera-se como a figura profética de Jesus Cristo. O texto consta de três estrofes iniciadas com a mesma fórmula (que a tradução não respeitou): «O Senhor Deus»; na primeira sublinha-se a docilidade de discípulo; na segunda, o sofrimento que esta docilidade acarreta; na terceira, a fortaleza no meio das dores.

4 Apresenta-se «a falar como um discípulo», embora não se trate de um discípulo qualquer; é um discípulo do Senhor (cf. Is 5413), instruído pelo próprio Deus, tal como dirá Jesus: «a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou» (Jo 7,16; cf. 14,24).

5 «Não resisti nem recuei». Mesmo os maiores profetas e os maiores santos tiveram a consciência clara de opor alguma resistência, embora sem qualquer rebeldia, à acção de Deus, como Moisés e Jeremias (cf. Ex 3,11; 4,10; Jer 1,6). Jesus, porém, identifica-se plenamente com a vontade do Pai (cf. Jo 4,34; Lc 22,42).

6 «Apresentei as costas àqueles que me batiam... não desviei o rosto daqueles que me insultavam e cuspiam». Os evangelistas hão-de deixar ver como o pleno cumprimento deste hino profético se deu no relato da Paixão do Senhor, particularmente Mt 26,67; 27,26-30; Mc 15,19; Lc 22,63-64…

 

Salmo Responsorial    Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

 

Monição: O salmo de hoje é um pequeno resumo da paixão de Jesus. A Igreja escolheu como refrão a pergunta: «meu Deus, porque me abandonaste?»  Sabemos que o grito de Jesus, na cruz, não traduz a angústia de um desesperado, mas a oração do Filho, que por nosso amor se oferece a seu eterno Pai, como cantaremos na Sexta-feira Santa: «Pai, nas vossas mãos entrego o meu espírito.»

 

Refrão:        Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?

 

Todos os que me vêem escarnecem de mim,

estendem os lábios e meneiam a cabeça:

«Confiou no Senhor, Ele que o livre,

Ele que o salve, se é seu amigo».

 

Matilhas de cães me rodearam,

cercou-me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,

posso contar todos os meus ossos.

 

Repartiram entre si as minhas vestes

e deitaram sortes sobre a minha túnica.

Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,

sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

 

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,

hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,

glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,

reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Humilhou-Se a Si próprio; por isso Deus O exaltou.» Filip 2, 6-11

“Cristo Jesus que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus.” Começa assim a leitura deste texto que é considerado um hino cristológico, utilizado nas primeiras assembleias cristãs e resume o Mistério Pascal: “Cristo Jesus humilhou-Se até à morte e morte de cruz; por isso, foi exaltado até à glória: recebeu um nome que está acima de todos os nomes: agora proclamamos que Jesus Cristo é o “Senhor, para glória de Deus Pai.”

 

Filipenses 2,6-11

 

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, um hino que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino; é a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta «forma» (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considerar o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou em sentido passivo (coisa roubada). A Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo). Segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón)… Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3,5.22), e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo n’Ele a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje. «Tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4,15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz; um crescendo de humilhações:  homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o humilhante desfecho dum história trágica com que tudo acabou. Temos em paralelo o sublime paradoxo da sua «exaltação»: «por isso Deus – não Ele próprio, mas o Pai (ho Theós) O exaltou» de modo singularíssimo, à letra, acima de tudo o que existe, como o sugere a preposição hypér na composição do verbo hyperypsóein (exaltar). Esta exaltação deu-se com a glorificação da humanidade de Jesus na sua Ressurreição e Ascensão. A esta sublime exaltação corresponde o «Nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes em todos os tempos. Com efeito, já não se trata do simples nome de Jesus, um nome corrente com que era tratado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, nem apenas o título da sua condição messiânica, «Cristo», pois o nome que agora Lhe compete é o mesmo nome com que o próprio Deus é designado no A. T.: «Kyrios-Senhor», nome divino, como consta da tradução grega de «Yahwéh». Desde agora, a todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) – e o seu domínio sobre toda a criação, a saber: «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 55/56 (data mais provável), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho        Filip 2, 8-9

 

Monição: O Evangelho convida-nos a contemplar o amor de Jesus, um amor infinito: “Jesus Cristo, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” (João 13,1)

“Amar até o fim” significa amar sem medida, amar até ao último suspiro. “Amar até ao fim” encerra também a ideia da suprema perfeição: Jesus amou-nos até dar tudo e dar-se a si mesmo, na máxima medida.

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 1 (I)

 

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.

Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 22, 14 – 23, 56               Forma breve: São Lucas 23, 1-49

[N  14Quando chegou a hora, Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos 15e disse-lhes:

J    «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer; 16pois digo-vos que não tornarei a comê-la, até que se realize plenamente no reino de Deus».

N   17Então, tomando um cálice, deu graças e disse:

J    «Tomai e reparti entre vós, 18pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o reino de Deus».

N   19Depois tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-lho, dizendo:

J    «Isto é o meu corpo entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim».

N   20No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo:

J    «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue, derramado por vós. 21Entretanto, está comigo à mesa a mão daquele que Me vai entregar. 22O Filho do homem vai partir, como está determinado. Mas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!»

N   23Começaram então a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa. 24Levantou-se também entre eles uma questão: qual deles se devia considerar o maior? 25Disse-lhes Jesus:

J    «Os reis das nações exercem domínio sobre elas e os que têm sobre elas autoridade são chamados benfeitores. 26Vós não deveis proceder desse modo. O maior entre vós seja como o menor e aquele que manda seja como quem serve. 27Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve. 28Vós estivestes sempre comigo nas minhas provações. 29E Eu preparo para vós um reino, como meu Pai o preparou para Mim: 30comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino, e sentar-vos-eis em tronos, a julgar as doze tribos de Israel. 31Simão, Simão, Satanás vos reclamou para vos agitar na joeira como trigo. 32Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».

N   33Pedro respondeu-Lhe:

R   «Senhor, eu estou pronto a ir contigo, até para a prisão e para a morte».

N   34Disse-lhe Jesus:

J    «Eu te digo, Pedro: não cantará hoje o galo, sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me».

N   35Depois acrescentou:

J    «Quando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?».

N   Eles responderam que não lhes faltara nada. 36Disse-lhes Jesus:

J    «Mas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela, bem como no alforge; e quem não tiver espada venda a capa e compre uma. 37Porque Eu vos digo que se deve cumprir em Mim o que está escrito: ‘Foi contado entre os malfeitores’. Na verdade, o que Me diz respeito está a chegar ao fim».

N   38Eles disseram:

R   «Senhor, estão aqui duas espadas».

N   Mas Jesus respondeu:

J    «Basta».

N   39Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. 40Quando chegou ao local, disse-lhes:

J    «Orai, para não entrardes em tentação».

N   41Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo:

J    42«Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».

N   43Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. 44Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. 45Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os discípulos, que encontrou a dormir, por causa da tristeza. 46Disse-lhes Jesus:

J    «Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação».

N   47Ainda Ele estava a falar, quando apareceu uma multidão de gente. O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente e aproximou-se de Jesus, para O beijar. 48Disse-lhe Jesus:

J    «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?».

N   49Ao verem o que ia suceder, os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:

R   «Senhor, vamos feri-los à espada?»

N   50E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. 51Mas Jesus interveio, dizendo:

J    «Basta! Deixai-os».

N   E, tocando na orelha do homem, curou-o. 52Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro, príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos:

J    «Vós saístes com espadas e varapaus, como se viésseis ao encontro dum salteador. 53Eu estava todos os dias convosco no templo e não Me deitastes as mãos. Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.

N   54Apoderaram-se então de Jesus, levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo sacerdote. Pedro seguia-os de longe. 55Acenderam uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se em volta dela e Pedro foi sentar-se no meio deles. 56Ao vê-lo sentado ao lume, uma criada, fitando os olhos nele, disse:

R   «Este homem também andava com Jesus»

N   57Mas Pedro negou:

R   «Não O conheço, mulher».

N   58Pouco depois, disse outro, ao vê-lo:

R   «Tu também és um deles».

N   Mas Pedro disse:

R   «Homem, não sou».

N   59Passada mais ou menos uma hora, afirmava outro com insistência:

R   «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus, pois até é galileu».

N   60Pedro respondeu:

R   «Homem, não sei o que dizes».

N   Nesse instante, ainda ele falava, um galo cantou. 61O Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro. Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: ‘Antes do galo cantar, Me negarás três vezes’. 62E, saindo para fora, chorou amargamente. 63Entretanto, os homens que guardavam Jesus troçavam d’Ele e maltratavam-n’O. 64Cobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:

R   «Adivinha, profeta: Quem Te bateu?»

N   65E dirigiam-Lhe muitos outros insultos. 66Ao romper do dia, reuniu-se o conselho dos anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas. Levaram-n’O ao seu tribunal e disseram-Lhe:

R   67«Diz-nos se Tu és o Messias».

N   Jesus respondeu-lhes:

J    «Se Eu vos disser, não acreditareis 68e, se fizer alguma pergunta, não respondereis. 69Mas o Filho do homem sentar-Se-á doravante à direita do poder de Deus».

N   70Disseram todos:

R   «Tu és então o Filho de Deus?»

N   Jesus respondeu-lhes:

J    «Vós mesmos dizeis que Eu sou».

N   71Então exclamaram:

R   «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca».]

N   1Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. 2Começaram a acusá-l’O, dizendo:

R   «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo, a impedir que se pagasse o tributo a César e dizendo ser o Messias-Rei».

N   3Pilatos perguntou-Lhe:

R   «Tu és o Rei dos judeus?»

N   Jesus respondeu-lhe:

J    «Tu o dizes».

N   4Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão:

R   «Não encontro nada de culpável neste homem».

N   5Mas eles insistiam:

R   «Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui».

N   6Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu; 7e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-O a Herodes, que também estava nesses dias em Jerusalém. 8Ao ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito. Havia bastante tempo que O queria ver, pelo que ouvia dizer d’Ele, e esperava que fizesse algum milagre na sua presença. 9Fez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.10Os príncipes dos sacerdotes e os escribas que lá estavam acusavam-n’O com insistência. 11Herodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo e, por troça, mandou-O cobrir com um manto magnífico e remeteu-O a Pilatos. 12Herodes e Pilatos, que eram inimigos, ficaram amigos nesse dia. 13Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes:

R   14«Trouxestes este homem à minha presença como agitador do povo. Interroguei-O diante de vós e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que O acusais. 15Herodes também não, uma vez que no-l’O mandou de novo. Como vedes, não praticou nada que mereça a morte. 16Vou, portanto, soltá-l’O, depois de O mandar castigar».

N   17Pilatos tinha obrigação de lhes soltar um preso por ocasião da festa. 18E todos se puseram a gritar:

R   «Mata Esse e solta-nos Barrabás».

N   19Barrabás tinha sido metido na cadeia por causa de uma insurreição desencadeada na cidade e por assassínio. 20De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra, querendo libertar Jesus. 21Mas eles gritavam:

R   «Crucifica-O! Crucifica-O!»

N   22Pilatos falou-lhes pela terceira vez:

R   «Mas que mal fez este homem? Não encontrei n’Ele nenhum motivo de morte. Por isso vou soltá-l’O, depois de O mandar castigar».

N   23Mas eles continuavam a gritar, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. 24Então Pilatos decidiu fazer o que eles pediam: 25soltou aquele que fora metido na cadeia por insurreição e assassínio, como eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. 26Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus. 27Seguia-O grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele. 28Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:

J    «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; 29pois dias virão em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram’. 30Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’; e às colinas: ‘Cobri-nos’. 31Porque, se tratam assim a madeira verde, que acontecerá à seca?».

N   32Levavam ainda dois malfeitores para serem executados com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34Jesus dizia:

J    «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».

N   Depois deitaram sortes, para repartirem entre si as vestes de Jesus. 35O povo permanecia ali a observar. Por sua vez, os chefes zombavam e diziam:

R   «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito».

N   36Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:

R   37«Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».

N   38Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». 39Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo:

R   «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».

N   40Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:

R   «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável».

N   42E acrescentou:

R   «Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza».

N   43Jesus respondeu-lhe:

J    «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

N   44Era já quase meio-dia, quando as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde, porque o sol se tinha eclipsado. 45O véu do templo rasgou-se ao meio. 46E Jesus exclamou com voz forte:

J    «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito».

N   Dito isto, expirou. (Todos ajoelham para uma pausa em silêncio) 47Vendo o que sucedera, o centurião deu glória a Deus, dizendo:

R   «Realmente este homem era justo».

N   48E toda a multidão que tinha assistido àquele espectáculo, ao ver o que se passava, regressava batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que O acompanhavam desde a Galileia, mantinham-se à distância, observando estas coisas.

 [50Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia, que era pessoa recta e justa e esperava o reino de Deus. Era membro do Sinédrio, 51mas não tinha concordado com a decisão e o proceder dos outros. 52Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. 53E depois de o ter descido da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. 54Era o dia da Preparação e começavam a aparecer as luzes do sábado. 55Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia acompanharam José e observaram o sepulcro e a maneira como fora depositado o corpo de Jesus. 56No regresso, prepararam aromas e perfumes. E no sábado guardaram o descanso, conforme o preceito.]

 

A parte da vida de Jesus relatada mais pormenorizadamente e com grande intensidade dramática por todos os quatro Evangelistas é a sua Paixão. Ela é a culminância de toda a vida e obra redentora de Cristo. Os padecimentos colossais que o Senhor abraçou voluntariamente põem em evidência, do modo mais significativo, tanto o seu amor infinito por todos e cada um de nós (cf. Gal 2,20), como a tremenda gravidade dos nossos pecados (cf. Gal 1,4).

N.B. – Podem ver-se mais comentários sobre a Paixão do Senhor, em Sexta-feira Santa. Limitamo-nos a anotar os pormenores exclusivos de S. Lucas, nomeadamente coisas que põem em evidência a misericórdia e a preocupação pelos outros que Jesus manifesta, quando era Ele quem devia merecer toda a atenção em horas tão aflitivas. Assim, temos mais pormenores no relato da Ceia, começando pela manifestação do desejo ardente que Jesus tinha de celebrar esta Páscoa (22,15-16) e conservando o pormenor do ritual judaico da bênção e entrega do 1º cálice (22,17); a oração especial para que a fé de Pedro não desfaleça e o encargo pastoral de confirmar na fé os seus irmãos (22,31-32); o episódio das duas espadas (Lc 22,35-38); Jesus cura o criado ferido pela espada de Pedro (22,51); Jesus diante de Herodes (23,6-12); Pilatos declara Jesus inocente (23,13-16); Jesus consola as mulheres a caminho do Calvário (23,27-31); Jesus pede perdão ao Pai para os que o crucificam (23,34); o diálogo com o ladrão arrependido (23,40-43); o véu do santuário que se rasga ao meio (23,45); as palavras de Jesus ao expirar: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (23,46); a multidão que regressa do Calvário contrita, batendo no peito (23,48); o regresso das mulheres do túmulo, que preparam perfumes e essências, mas observando o repouso sabático (23,56).

 

Sugestões para a homilia

 

Entrada triunfal 

Naquele tempo

Serenidade de Jesus

“Quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

 

Entrada triunfal 

Neste Domingo, a Igreja começa a celebração da Eucaristia, recordando a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, para consumar o seu mistério de amor por nós. Desde o princípio da Quaresma, vimos a preparar-nos para celebrarmos dignamente a Páscoa do Senhor, isto é, a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Para cumprir o que fora anunciado pelo profeta Zacarias, Jesus entrou em Jerusalém, montado num “jumentinho.” Durante a vida pública, Jesus tinha evitado todas as aclamações messiânicas, mas agora apresenta-se como o Messias, entrando montado num humilde jumentinho e não como um rei temporal, montado num cavalo. Ele não é um rei dominador, mas um rei de amor. Deste modo, a entrada de Jesus em Jerusalém manifesta que o Reino dos Céus chegou à terra. Manifesta também que Jesus é o Rei-Messias. A cena reveste-se de um carácter de entronização, ao cumprir-se a profecia de Zacarias: “Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, filho de uma jumenta.” (Zacarias 9,9)

Com a celebração do Domingo de Ramos, entramos na Semana Santa. Foi para realizar este mistério da sua morte e ressurreição que Jesus entrou na sua cidade de Jerusalém. A multidão dos discípulos acompanha-O. Estendem os seus mantos diante d’Ele. Cantam este louvor: «Bendito seja o Rei que vem, em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!»  (Evangelho Lucas 19, 28-40)

A entrada de Jesus em Jerusalém é o anúncio da Ressurreição gloriosa. Depois dos sofrimentos da Paixão, vem a vitória sobre a morte, com a Ressurreição. Acompanhemos Jesus, permaneçamos a seu lado, subamos com Ele ao Calvário, de modo que, participando, agora na sua paixão, mereçamos também participar na sua ressurreição: “Vós permanecestes a meu lado, nas minhas tribulações; comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino.” (Lucas 22,28.30)

 

Naquele tempo…

A Paixão de Jesus é relatada com grande intensidade pelos quatro Evangelistas. Os sofrimentos que o Senhor abraçou voluntariamente revelam o seu amor infinito por todos nós: “Jesus Cristo amou-me e entregou-se à morte por mim.” (cf. Gal 2, 20) E noutra passagem podemos ler: “Vós nos resgatastes, Senhor com o vosso sangue, homens de toda a tribo, língua e nação.” (Apocalipse. 5,9)

“Naquele tempo, levantaram-se os anciãos, os sumos sacerdotes e os escrivas e levaram Jesus a Pilatos e começaram a acusá-lo.”  É assim que começa o Evangelho, na forma breve. Ao lermos as palavras “naquele tempo”, podemos pensar que a Paixão de Jesus é um acontecimento do passado e que isto já não acontece hoje. Na realidade, Jesus é o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade. Fez-se homem e identifica-se com os pobres e com todos os que sofrem. “Eu tive fome e deste-me alimento. Era peregrino e tu me acolheste. Estive doente e tu fostes visitar-me. Tudo quanto fizestes a um dos meus irmãos, foi a Mim que o fizeste ou deixaste de fazer.” (Conf. Mateus 25, 31-46) Onde estiver um homem que sofre, aí está Jesus, que continua a sua paixão, através dos membros do seu Corpo místico. São João Eudes afirma que Jesus quer “completar em nós o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, fazendo‑nos padecer, morrer e ressuscitar com Ele.” (Liturgia das Horas, Ofício de Leitura, Sexta-feira da 33 Semana) Por sua vez o Apóstolo São Paulo diz que “completa na sua carne o que falta à paixão de Cristo.” (Colossenses 1,24)

 

Serenidade de Jesus

Jesus afirmou que desejava ardentemente comer aquela Páscoa com os seus discípulos. Entretanto, aproximando-se o tempo em que devia ser arrebatado deste mundo, “tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém.” (Lucas 9,51) Esta determinação de Jesus de subir a Jerusalém, onde voluntariamente ia entregar a sua vida, dando a maior prova de Amor por nós, mostra-nos uma profunda serenidade nas palavras e nas acções. Jesus sabia que era a última refeição com os seus Apóstolos. Antes de entregar o seu corpo e antes de derramar o seu sangue, desejou ardentemente celebrar a Última Ceia. É nesse ambiente tão íntimo e de significado tão profundo, que vai concretizar a promessa de ficar connosco, até ao fim dos tempos, oferecendo-nos o Seu Corpo e o Seu Sangue como alimento, que permanece para a vida eterna. Nesta entrega amorosa, Jesus aponta-nos o sentido da Sua morte: “Isto é o meu Corpo entregue por vós. Este é o cálice do meu sangue derramado pela multidão dos homens. Fazei isto em minha memória.” Nós conhecemos o Amor infinito e misericordioso do Coração de Jesus: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” (João 13,1) Antes de expirar, perdoou aos que O matavam, desculpando-os. Ofereceu o paraíso a um malfeitor. Rezou tranquilamente, cheio de confiança filial: “Pai nas Tuas Mãos entrego o meu espírito!” O Centurião, ao ver a serenidade com que Jesus morria, “deu glória a Deus, dizendo: Realmente este Homem era Justo.”

 

“Quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.”

“Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém.” (Lucas 19,28)

Jesus entrou em Jerusalém acompanhado pelos discípulos que cantavam um hino de louvor: “Toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus: glória a Deus nos céus, paz na terra aos homens por Ele amados.” (Lucas 19, 40) Ao terminar a narrativa da Paixão, São Lucas fala também “da multidão que tinha assistido à morte de Jesus e se retirava batendo no peito. Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, mantinham-se à distância, observando estas coisas.”  Jesus tinha anunciado: “Quando Eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.” (João 12, 32) A Paixão de Jesus começou a produzir os primeiros frutos de conversão, desde esse momento, no Calvário: As pessoas manifestavam o seu arrependimento, por isso “batiam no peito.” Pela cruz, Jesus reconciliou com Deus os pecadores. Com São Paulo, cada um de nós pode dizer: “Toda a nossa glória está na Cruz. Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gálatas 6,14)

“A cruz é a vontade do Pai, a glória do Filho Unigénito, o júbilo do Espírito Santo, a honra dos Anjos, a segurança da Igreja.” (São João Crisóstomo, Ofício de Leitura, Nossa Senhora ao Sábado) Fixemos o olhar em Jesus crucificado. Diante das dificuldades tenhamos confiança. O Povo da Nova Aliança nasceu do sangue e água que jorrou do Coração de Jesus, trespassado pela lança. Nenhuma espécie de crueldade poderá destruir a nossa Igreja, fundada pelo mistério da Cruz de Cristo.

Abracemos a cruz, beijemos a cruz pela qual subimos ao reino dos céus. Na cruz está a salvação, na cruz está a vida, na cruz o amparo contra os inimigos, na cruz a abundância da suavidade divina, na cruz a fortaleza do coração, na cruz o compêndio das virtudes, na cruz a perfeição da santidade. (Imitação de Cristo, Livro I, Capítulo 11, 2)

 “Para nós a cruz já não é um instrumento de medo e de morte, mas um símbolo de vida e de paz.” (CEP, O Rosário com João Paulo II, p 40) A cruz é a manifestação visível do amor de Deus que “amou tanto o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito, a fim de que todo aquele que Nele acredita não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3,16)

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espaço a Deus; e, para tal, só há um modo:

o despojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se.

Com a cruz, não se pode negociar: abraça-se ou recusa-se.»

As aclamações da entrada em Jerusalém e a humilhação de Jesus. Os gritos festosos e o encarniçamento feroz. Anualmente, este duplo mistério acompanha a entrada na Semana Santa com os dois momentos caraterísticos desta celebração: ao início, a procissão com os ramos de palmeira e de oliveira e, depois, a leitura solene da narração da Paixão.

Deixemo-nos envolver nesta ação animada pelo Espírito Santo, para obtermos o que se pede na oração: acompanhar com fé o caminho do nosso Salvador e ter sempre presente o grande ensinamento da sua Paixão como modelo de vida e de vitória contra o espírito do mal.

Jesus mostra-nos como enfrentar os momentos difíceis e as tentações mais insidiosas, guardando no coração uma paz que não é isolamento, não é ficar impassível nem fazer o super-homem, mas confiante abandono ao Pai e à sua vontade de salvação, de vida, de misericórdia; e Jesus, em toda a sua missão, viu-Se assaltado pela tentação de «fazer a sua obra», escolhendo Ele o modo e desligando-Se da obediência ao Pai. Desde o início, na luta dos quarenta dias no deserto, até ao fim, na Paixão, Jesus repele esta tentação com uma obediente confiança no Pai.

E hoje, na sua entrada em Jerusalém, também nos mostra o caminho. Pois, neste acontecimento, o maligno, o príncipe deste mundo, tinha uma carta para jogar: a carta do triunfalismo, e o Senhor respondeu permanecendo fiel ao seu caminho, o caminho da humildade.

O triunfalismo procura tornar a meta mais próxima por meio de atalhos, falsos comprometimentos. Aposta na subida para o carro do vencedor. O triunfalismo vive de gestos e palavras, que não passaram pelo cadinho da cruz; alimenta-se da comparação com os outros, julgando-os sempre piores, defeituosos, falhados... Uma forma subtil de triunfalismo é a mundanidade espiritual, que é o maior perigo, a mais pérfida tentação que ameaça a Igreja (Henri de Lubac). Jesus destruiu o triunfalismo com a sua Paixão.

Verdadeiramente o Senhor aceitou e alegrou-Se com a iniciativa do povo, com os jovens que gritavam o seu nome, aclamando-O Rei e Messias. O seu coração rejubilava ao ver o entusiasmo e a festa dos pobres de Israel, de tal maneira que, aos fariseus que Lhe pediam para censurar os discípulos pelas suas escandalosas aclamações, Jesus respondeu: «Se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40). Humildade não significa negar a realidade, e Jesus é realmente o Messias, o Rei.

Mas, ao mesmo tempo o coração de Cristo encontra-se noutro caminho, no caminho santo que só Ele e o Pai conhecem: aquele que vai da «condição divina» à «condição de servo», o caminho da humilhação na obediência «até à morte e morte de cruz» (Flp 2, 6-8). Ele sabe que, para chegar ao verdadeiro triunfo, deve dar espaço a Deus; e, para dar espaço a Deus, só há um modo: o despojamento, o esvaziamento de si mesmo. Calar, rezar, humilhar-se. Com a cruz, não se pode negociar: abraça-se ou recusa-se. E, com a sua humilhação, Jesus quis abrir-nos o caminho da fé e preceder-nos nele.

Atrás d’Ele, a primeira que o percorreu foi a sua Mãe, Maria, a primeira discípula. A Virgem e os santos tiveram que padecer para caminhar na fé e na vontade de Deus. No meio dos acontecimentos duros e dolorosos da vida, responder com a fé custa «um particular aperto do coração» (cf. São João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 17). É a noite da fé. Mas, só desta noite é que desponta a aurora da ressurreição. Ao pé da cruz, Maria repensou nas palavras com que o Anjo Lhe anunciara o seu Filho: «Será grande (…). O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim» (Lc 1, 32-33). No Gólgota, Maria depara-Se com o desmentido total daquela promessa: o seu Filho agoniza numa cruz como um malfeitor. Deste modo o triunfalismo, destruído pela humilhação de Jesus, foi igualmente destruído no coração da Mãe; ambos souberam calar.

Precedidos por Maria, incontáveis santos e santos seguiram a Jesus pelo caminho da humildade e da obediência. Hoje, Dia Mundial da Juventude, quero lembrar os inúmeros santos e santas jovens, especialmente os de «ao pé da porta», que só Deus conhece e que às vezes gosta de no-los revelar de surpresa. Queridos jovens, não vos envergonheis de manifestar o vosso entusiasmo por Jesus, gritar que Ele vive, que é a vossa vida. Mas, ao mesmo tempo não tenhais medo de O seguir pelo caminho da cruz. E, quando sentirdes que vos pede para renunciardes a vós mesmos, para vos despojardes das próprias seguranças confiando-vos completamente ao Pai que está nos céus, então alegrai-vos e exultai! Encontrais-vos no caminho do Reino de Deus.

Aclamações festosas e encarniçamento feroz; é impressionante o silêncio de Jesus na sua Paixão. Vence inclusivamente a tentação de responder, de ser «mediático». Nos momentos de escuridão e grande tribulação, é preciso ficar calado, ter a coragem de calar, contanto que seja um calar manso e não rancoroso. A mansidão do silêncio far-nos-á aparecer ainda mais frágeis, mais humilhados, e então o demónio ganha coragem e sai a descoberto. Será necessário resistir-lhe em silêncio, «conservando a posição», mas com a mesma atitude de Jesus. Ele sabe que a guerra é entre Deus e o príncipe deste mundo, e não se trata de empunhar a espada, mas de permanecer calmo, firme na fé. É a hora de Deus. E, na hora em que Deus entra na batalha, é preciso deixá-Lo agir. O nosso lugar seguro será sob o manto da Santa Mãe de Deus. E enquanto esperamos que o Senhor venha e acalme a tempestade (cf. Mc 4, 37-41), com o nosso testemunho silencioso e orante, demos a nós mesmos e aos outros a «razão da esperança que está em [nós]» (1 Ped 3, 15). Isto ajudar-nos-á a viver numa santa tensão entre a memória das promessas, a realidade do encarniçamento palpável na cruz e a esperança da ressurreição.

     Papa Francisco, Homilia, Praça São Pedro, 14 de abril de 2019

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Contemplando a Cristo, nosso Salvador,

oremos pela salvação de todos os homens,

vítimas do ódio, da violência e da injustiça,

dizendo, confiadamente:

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Abençoai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que os ministros e os fiéis da santa Igreja

anunciem com a palavra e com a vida

que Jesus é o Salvador do mundo, oremos.

 

 2. Para que os responsáveis das nações,

 em toda a terra, trabalhem pela justiça e pela paz

e promovam os valores fundamentais da vida, oremos.

 

3. Para que os homens e as mulheres

que estão doentes encontrem na paixão do Redentor

um sentido para o seu sofrimento, oremos.

 

 4. Para que aqueles que não sabem perdoar

escutem Jesus, que, na hora da agonia,

pediu ao Pai o perdão para os seus algozes, oremos.

 

 5. Para que os fiéis da nossa comunidade (paroquial),

 unidos em esperança àqueles que já partiram,

entrem na oferenda pascal de Jesus Cristo, oremos.

 

Senhor, nosso Deus,

 que Vos dignastes contar-nos entre o número daqueles

para quem o vosso Filho implorou o perdão ao expirar,

 dai-nos a graça de descobrir, à luz da fé,

o amor infinito com que nos amais.

 Por Cristo Senhor nosso.

 

PREFÁCIO

 

A paixão redentora de Cristo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

dar-Vos graças, sempre e em toda a parte,

por Cristo nosso Senhor.

Sendo inocente, entregou-Se à morte pelos pecadores;

não tendo culpas, deixou-Se condenar pelos culpados.

A sua morte redimiu os nossos pecados

e a sua ressurreição abriu-nos as portas da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos,

proclamamos com alegria a vossa glória,

cantando numa só voz:

Santo, santo, santo...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Pelo sangue derramado na paixão – M. Faria, NRMS, 13

 

Oração sobre as oblatas: Pela paixão do vosso Filho Unigénito, apressai, Senhor, a hora da nossa reconciliação: concedei-nos, por este único e admirável sacrifício, a misericórdia que nossos pecados não merecem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. E nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Sendo inocente, entregou-Se à morte pelos pecadores; não tendo culpas, deixou-Se condenar pelos culpados. A sua morte redimiu os nossos pecados e a sua ressurreição abriu-nos as portas da salvação.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

“Jesus tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo entregue por vós. No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu Sangue, derramado por vós. Fazei isto em minha memória.”  (Lucas 22,19-20)

Participamos na Eucaristia, memorial do infinito amor do nosso Redentor. Na mesa da comunhão, Jesus alimenta-nos com o seu Corpo e o seu Sangue. Se saboreássemos como Jesus é bom, participaríamos com mais frequência na Santa Missa. Ficamos comovidos ao celebrarmos a Última Ceia, na Quinta-feira Santa. No entanto, todos os dias, no altar da Eucaristia, celebramos o memorial do Amor de Jesus. Vivamos para Aquele que por nós morreu e ressuscitou e nos alimenta com o seu Corpo e o seu Sangue. O nosso Salvador, na noite em que foi entregue, instituiu o Sacrifício Eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue, para perpetuar o Sacrifício da Cruz, ao longo dos séculos, até que Ele venha e para confiar à Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória.

“Sacrosanctum Concilium, a Sagrada Liturgia, Sagrado Mistério da Eucaristia, Cap. II, n.47. 48)

 

Cântico da Comunhão: Nós Vos louvamos e bendizemos – J. Santos, NRMS, 69

Mt 26, 42

Antífona da comunhão: Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-Se a tua vontade.

 

Cântico de acção de graças:  Não há maior prova de amor – M. Faria, NRMS, 29

 

Oração depois da comunhão: Saciados com estes dons sagrados, nós Vos pedimos, Senhor: assim como, pela morte do vosso Filho, nos fizestes esperar o que a nossa fé nos promete, fazei-nos também chegar, pela sua ressurreição, às alegrias do reino que esperamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Domingo de Ramos, Dia Mundial da Juventude. Jesus responde assim aos fariseus de ontem, de hoje e de todos os tempos, que nos pedem para estarmos calados: «Se eles se calarem, gritarão as pedras.» (Lucas 19, 40) “Queridos jovens, cabe a vós a decisão de gritar, cabe a vós decidir-vos pelo Hossana do Domingo para não cair no «crucifica-O» de Sexta-feira. Não fiqueis calados. Se os outros se calam, se o mundo se cala e perde a alegria, pergunto-vos: vós gritareis? Por favor, decidi-vos antes que gritem as pedras.” (Papa Francisco, Praça São Pedro, 25 de Março de 2018)

“Imitai o que celebrais para que, participando no mistério da morte e ressurreição do Senhor, leveis a morte de Cristo nos vossos membros e caminheis com Ele em novidade de vida. Deus Pai escolheu-nos entre os homens em seu favor para atender às coisas de Deus. Praticai com alegria e caridade sincera na obra sacerdotal de Cristo. Sede jubilosos, nunca tristes. Alegria. Com a alegria do serviço de Cristo, até no meio dos sofrimentos, das incompreensões, dos próprios pecados. Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos. (Mensagem do Santo Padre dirigida aos jovens, Domingo de Cristo Rei, 21 Novembro 2021)

 

Cântico final: Caminho pelo deserto – J. Santos, NRMS, 60

 

 

Homilias Feriais

 

SEMANA SANTA

 

2ª Feira, 11-IV: O cumprimento do plano de salvação

Is 42, 1-7 / Jo 12, 1-11

Fui eu, o Senhor, quem te chamou, num projecto de salvação

O plano divino de salvação (LT) apoia-se na entrega de Jesus à morte. Ele próprio apresentou o plano de sua vida como cumprimento da vontade do Pai: O Filho age como servo de Deus: Eis o meu servo, a quem protejo, o meu eleito (LT).

No começo da Semana Santa é-nos sugerido o exemplo da unção de Maria de Betânia, como modo de preparar a paixão do Senhor, derramando sobre Ele uma libra de perfume de elevado preço (EV). Esta unção é também uma boa pauta para o ambiente das celebrações eucarísticas: para o Senhor, o melhor que pudermos preparar.

 

3ª Feira, 12-IV: Darás a vida por mim?

Is 49, 1-6 / Jo 13, 21-33. 36-38

Não basta que sejas meu servo. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue aos confins da terra.

Pela sua obediência até à morte, Jesus leva a cabo a missão do servo sofredor, que ofereceu a sua vida em expiação, carregando sobre os seus ombros as nossas faltas e oferecendo ao Pai uma satisfação pelos nossos pecados.

Na Última Ceia, Jesus vê partir Judas, que O vai entregar e profetiza as negações de Pedro (EV). Também a nós nos pergunta: Darás a vida por mim? Procuremos oferecer igualmente a nossa vida em expiação pelos nossos pecados; aceitemos as contrariedades, dores e sofrimentos, que Ele nos enviar, arrependamo-nos das nossas faltas de fidelidade.

 

4ª feira, 13-IV: Preparativos para a Última Ceia.

Is 50, 4-9 / Mt 26, 14-25

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?

Jesus dá o encargo aos discípulos para levarem a cabo uma cuidadosa preparação da casa, onde terá lugar a última Ceia Pascal (EV).

Façamos igualmente uma cuidadosa preparação para esta Páscoa: ofereçamos ao Senhor as indelicadezas que tiverem connosco, ajudem os que andam extenuados, oiçamos melhor a palavra de Deus (LT). Tenhamos um grande desejo de nos reunirmos com Ele e os discípulos, para celebrarmos a instituição da Eucaristia nesta 5ª Feira Santa. Jesus deseja a nossa companhia, e pede-nos que não sejamos infiéis como Judas.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       José Roque

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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