5º Domingo da Quaresma

3 de Abril de 2022

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me, Senhor – J. Santos, NRMS, 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos reunidos com Jesus, que é a manifestação viva da misericórdia de Deus. De Deus que acolhe os pecadores e a todos quer salvar.

 

Como o filho pródigo saibamos voltar para o nosso Pai Deus, pelo arrependimento. É isso que a Santa Igreja nos convida a fazer, de modo especial, neste tempo de Quaresma.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anima os israelitas no desterro de Babilónia. O Senhor não os esqueceu e vai reconduzi-los de novo à sua terra. É um símbolo da conversão do coração, que Deus nos pede a todos nós, de modo especial neste tempo santo.

 

Isaías 43,16-21

16O Senhor abriu outrora caminhos através do mar, veredas por entre as torrentes das águas. 17Pôs em campanha carros e cavalos, um exército de valentes guerreiros; e todos caíram para não mais se levantarem, extinguiram-se como um pavio que se apaga. 18Eis o que diz o Senhor: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. 19Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. 20Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a minha glória, porque farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, 21o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores».

 

A leitura é tirada do II Isaías, que tem por centro o regresso dos judeus deportados na Babilónia, após a queda desta cidade em 539, com a invasão de Ciro, rei persa, que decretou a libertação dos judeus. Era urgente animar este povo a regressar, pois ao cabo de mais de 60 anos, já aclimatados àquela situação de degredo e escravidão, não estariam motivados para a aventura do regresso – haveria mesmo gente instalada numa situação sofrível. O Profeta apresenta o regresso de Babilónia como um novo Êxodo, em que os antigos prodígios não só se renovarão, mas os deixarão a perder de vista: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados» (v. 18). Vale a pena tomar parte em tão maravilhosa aventura! É também um apelo válido para a conversão quaresmal, que a Igreja espera dos seus filhos.

 

Salmo Responsorial    Sl 125 (126), 1-6 (R. 3)

 

Monição: O salmo é todo ele um recordar do regresso do cativeiro. Fala-nos da alegria da conversão de cada um de nós.

 

Refrão:        Grandes maravilhas fez por nós o Senhor.

Ou:               O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo.

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo ensina-nos o amor apaixonado a Jesus, desprezando todas as coisas por Seu amor

 

Filipenses 3,8-14

Irmãos: 8Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele renunciei a todas as coisas e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo 9e n’Ele me encontrar, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a que se recebe pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e se funda na fé. 10Assim poderei conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte, 11para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos. 12Não que eu tenha já chegado à meta, ou já tenha atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus. 13Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido. Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, 14continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus.

 

O texto desta leitura constitui uma das mais belas jóias dos escritos paulinos. Há mesmo exegetas pensam que esta carta é um conjunto de dois ou três pequenos escritos de S. Paulo. O contexto da passagem é a parte polémica desta carta do cativeiro (3,1b – 4,1), em que o Apóstolo põe os seus fiéis de sobreaviso contra os cristãos judaizantes, que queriam impor aos cristãos vindos dos gentios as práticas da lei de judaica, nomeadamente a circuncisão, vendo nelas uma forma de alcançar a justiça, a conformidade com Deus e com a sua vontade de modo a ser-Lhe agradável e a alcançar a salvação. A reacção de Paulo é extremamente enérgica e dura; confidencia que também ele tinha posto a sua confiança na carne (v. 4), sendo «irrepreensível quanto à justiça que deriva da observância da Lei» (v. 6); mas tinha-se dado nele uma viragem completa: em face do valor absoluto, o bem supremo, que é conhecer Cristo, tudo tinha mudado: «tudo quanto para mim era um ganho, isso mesmo considerei uma perda» (v. 7).

8 «Conhecer Jesus Cristo» não é um mero conhecimento teórico, mas experimental, vivencial, de Cristo; por Ele, insiste o Apóstolo, eu deixei perder todas estas coisas: os pergaminhos judaicos – vv. 4-6 – em suma, a justiça que vem da Lei (v. 9); tudo isso é lixo, uma porcaria (v. 8: o termo grego – skybala – é mesmo muito duro, «excrementos»), em face da justiça que vem de Deus e da condição de estar em Cristo.

9 «A justiça que vem da Lei» não vai muito além da simples observância de prescrições, em que, de modo mais ou menos oculto, se aninha a afirmação do eu e das próprias capacidades para cumprir, e em que se reclama o mérito próprio perante Deus (como se o homem fosse o credor e Deus o devedor: lembre-se a parábola do fariseu e do publicano). «A justiça que vem de Deus» é um dom gratuito que eleva o ser humano, tirando-o da sua radical incapacidade para se identificar com o projecto salvador de Deus; funda-se na fé, isto é, no acolhimento e aceitação de Cristo como dom de Deus, nomeadamente do valor salvador do que Ele padeceu por nós.

10 «A participação nos seus sofrimentos» é um dos aspectos essenciais de quem faz a experiência da fé em Cristo (o referido conhecimento de Cristo); mas esta experiência de morte não desemboca no vazio, pois tem como força motriz (dynamis) a Ressurreição de Cristo, e tem como meta a participação neste mistério, que não deixa de aparecer também como prémio para quem corre para a meta (v. 14).

12 «Uma vez que também fui alcançado». Paulo recorre com frequência às imagens das competições desportivas (cf. 2,16; 1Cor 9,24-27; Gal 2,2; 2Tim 4,6-8) para falar da vida cristã como uma luta. Apanhado por Cristo a caminho de Damasco (cf. Act 9,3 ss), não deixa de correr, apenas muda o sentido da sua corrida.

 

Aclamação ao Evangelho        Jl 2, 12-13

 

Monição: Jesus está sempre pronto a perdoar, mesmo os pecados mais graves, mas anima-nos a sair deles.

Aclamemos a Sua palavra.

 

Cântico: Louvor a Vós Rei da eterna glória – M. Simões, NRMS, 40

 

Convertei-vos a Mim de todo o coração, diz o Senhor;

porque sou benigno e misericordioso.

 

 

Evangelho

 

São João 8,1-11

Naquele tempo, 1Jesus foi para o Monte das Oliveiras. 2Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. 3Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes 4e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». 6Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistiam em interrogá-lo, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». 8Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. 9Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. 10Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». 11Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

 

Esta passagem de sabor lucano é omitida nos manuscritos mais antigos do IV Evangelho, por isso é uma das passagens deutrocanónicas do Novo Testamento; também há manuscritos que colocam este relato no final deste Evangelho, ou então em Lc 21,38. De qualquer modo, está fora de dúvida o seu valor canónico.

5-6 «Tu que dizes?» Tratava-se duma cilada à pessoa de Jesus. Se Ele dissesse que se devia apedrejar a adúltera, os seus inimigos conseguiriam denegrir a sua misericórdia para com os pecadores, que chegava a ser motivo de duras críticas (cf. Lc 5,30; 15,2; 19,7), e poderiam denunciá-lo à autoridade romana por mandar executar uma pena capital, que lhe estava reservada. Se dissesse que se lhe devia perdoar, podia vir a ser acusado ao Sinédrio como advogado da desobediência à Lei (cf. Lv 20,10; Dt 17,5-7; 22,20-24). Mas Jesus põe a questão noutros termos: não se trata de escolher entre a observância da Lei e a misericórdia, entre a justiça e a caridade, mas sim entre a mentira e a verdade, entre a hipocrisia dos acusadores e a sinceridade de quem se reconhece pecador e chora o seu pecado. A Lei não determinava o género de morte, a não ser para a virgem que depois dos esponsais aguardava o início da vida conjugal (Dt 22,23-24). Talvez se tivesse vindo a generalizar a lapidação, ou então tratava-se duma noiva após os esponsais e antes das bodas. Note-se que os rabinos da época cristã, por razão de benignidade, comutaram o apedrejamento pelo estrangulamento, pena menos selvagem.

6 «Começou a escrever com o dedo no chão». S. Jerónimo, baseado em Jer 17,13, comenta curiosamente que se pôs a escrever os pecados dos acusadores.

7-9 «Atire a primeira pedra»: isto pertencia pela Lei (Dt 13,10; 17,7) à principal testemunha de acusação. Com esta sentença, Jesus pretende confundir a malícia de falso zelo pela Lei, da parte dos seus inimigos, hipocritamente arvorados em defensores duma Lei que não observavam. A sentença de Jesus transforma os acusadores em acusados; e o receio de virem a ser desmascarados por Cristo fá-los debandar. 

11 «Nem Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar». O Senhor mostra-se tolerante e compassivo para com a pessoa que peca e ao mesmo tempo intransigente para com o pecado, ofensa a Deus, e, neste caso, um absoluto moral, que em nenhuma circunstância se poderia justificar.

 

Sugestões para a homilia

 

Vai e não tornes a pecar

Continuo a correr

Considerei tudo como lixo

 

 

1) Vai e não tornes a pecar

 

O evangelho de hoje continua a lembrar-nos a misericórdia de Jesus, sempre pronto a perdoar. Mesmo que alguém tivesse cometido os maiores crimes do mundo, tem ainda aberto o coração de Cristo, que nos lava no Seu sangue, que nos limpa de todo o pecado.

A nossa reconciliação com Deus passa pelo sacramento da reconciliação. Ao institui-lo, em dia de Páscoa, Jesus diz aos apóstolos: “àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes serão retidos” (Jo 20,23 ). Jesus concede-lhes esse poder e ensina que só neste sacramento dará o perdão. Por isso pensam erradamente os que afirmam que se confessam directamente a Deus. Ele, que é o ofendido, é que põe as condições e não quem O ofendeu, que somos nós.

Com a pandemia muitos se desleixaram na confissão. Alguns pensam que ali se apanha o Covid. Pelo contrário, ali nos curamos do pior dos vírus que é o pecado, que é o vírus mais perigoso do mundo porque nos conduz à infelicidade eterna.

Temos de estimar muito este sacramento maravilhoso. É o sacramento da alegria, que nos tira de cima das costas o peso dos nossos pecados. Robert de Niro, cineasta americano, numa das suas películas, relata a sua história de menino num dos bairros mais pobres de Nova Yorque, o Bronx. O pequeno personagem de nove anos tinha visto um assassinato mas não contou à polícia que o interrogara. Para tirar aquele peso das costas foi à igreja confessar-se. Juntamente com as suas traquinices referiu aquela situação sem revelar nomes. O sacerdote deu-lhe a absolvição e uns Pai-nossos de penitência. E o cineasta faz, em voz de fundo, este comentário: -que maravilha ser católico, porque, graças à confissão, podes partir sempre do zero.

Na confissão podemos sempre começar uma vida nova e ser nova criatura, de que falava S.Paulo.

Temos de animar os sacerdotes para este ministério tão importante, hoje que se vêem tão absorvidos por muitos trabalhos. João Paulo II, no seu livro Dom e mistério, por ocasião dos seus cinquenta anos de sacerdote, conta a sua visita a Ars, em França, quando era jovem sacerdote, em fins de 1947.Emocionou-se ao visitar a igreja onde o santo Cura d’Ars confessava: “S.João Maria Vianney impressiona – refere o papa – sobretudo porque nele se revela a força da graça que age na pobreza de meios humanos. Tocava-me profundamente, de modo particular, o seu heróico serviço no confessionário. Aquele humilde sacerdote, que confessava mais de dez horas por dia, alimentando-se pouco e dedicando ao descanso apenas umas horas, tinha conseguido num período histórico difícil, suscitar uma espécie de revolução espiritual em França e não só. Milhares de pessoas passavam por Ars e ajoelhavam-se no seu confessionário

…Do encontro com a sua figura nasceu-me a convicção de que o sacerdote realiza uma parte essencial da sua missão através do confessionário, através daquele fazer-se “prisioneiro do confessionário” (Dom e mistério (Lisboa 1996) p.66).

Na cena da mulher adúltera, que escutámos no Evangelho, o Senhor perdoa-lhe mas lembra: Vai e não tornes a pecar. Um elemento próprio do arrependimento e uma das suas manifestações é o propósito de emenda. Embora saibamos que podemos voltar a cair estamos dispostos a lutar seriamente para evitar todo o pecado.

Temos de pedir ao Senhor a graça duma verdadeira contrição com o propósito decidido de evitar o pecado. Pode ser a forma de fazermos melhor a nossa confissão nesta Quaresma.

É importante a acusação dos pecados e a Igreja continua a chamar a atenção para os abusos das absolvições colectivas que vão aparecendo aqui e além.

Mas o mais importante dos actos do penitente é a contrição ou dor de amor. Ao menos a contrição imperfeita, arrepender-se pela fealdade do pecado, perda do paraíso ou temor do castigo do inferno.

 

2) Continuo a correr

 

O melhor sinal de arrependimento e propósito de emenda é o desejo sério de sermos santos, sem ficar nas meias tintas. Ouvíamos como S.Paulo exclamava: “Não que eu tenha já chegado à meta ou já tenha atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço… Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta

O mal de muitos cristãos é ter medo de serem bons demais. Por vezes até criticam os que pretendem viver o cristianismo com todas as suas consequências. Chamam-lhes radicais, fundamentalistas, etc. Muitos santos foram incompreendidos e perseguidos por gente boa, por viverem a sério a sua vocação cristã.

Não nos assustemos. Animemo-nos a amar ao Senhor sempre mais, pois a medida para amar a Deus é amá-Lo sem medida

Foi assim que o Senhor nos amou. “Fui alcançado por Jesus Cristo” - dizia o Apóstolo. E noutro lugar exclamava: “Ele amou-me e entregou-se à morte por mim”. A Igreja põe-nos nestes dias diante dos olhos a Paixão e Morte de Cristo. Olhemos para Jesus crucificado. É livro aberto que nos fala do amor sem limites que nos tem.

Neste tempo santo o Senhor bate à nossa porta, convidando-nos a lutar mais a valer pela santidade, a empregar os meios que põe à nossa disposição.

A Igreja convida-nos a viver melhor a Eucaristia, alimentando-nos do Corpo de Cristo. Mas não basta comungar. É preciso confessar-se também. A confissão frequente é a melhor forma de nos prepararmos para a comunhão. Quem recebe uma visita ilustre em sua casa procura prepará-la, vestir a melhor roupa. E Jesus que vem a nós pela comunhão é o Senhor do Céu e da terra. A Igreja insiste, neste tempo da Quaresma, na confissão e na comunhão.

Lembra-nos o nosso baptismo pelo qual morremos e ressuscitámos com Cristo, essa vida nova de filhos de Deus e convida-nos a deixar o velho fermento do pecado, para ser homens novos em Cristo.

 

3) Considerei tudo como lixo

 

S.Paulo ensina-nos a viver o radicalismo cristão, que é sinónimo desta luta pela santidade”. Considerei tudo como lixo para ganhar a Cristo e nEle me encontrar”. Este há-de levar-nos a crescer sempre mais na fé e no amor, vivido nas situações concretas do dia a dia, sem regatear nada ao Senhor.

“Estas crises mundiais são crises de santos” (JOSEMARIA ESCRIVA, Caminho 301). Um dos meios para alcançar a santidade é a confissão frequente. João Paulo II lembrou-o muitas vezes. Na Exort. Reconciliação e Penitência, que vale a pena voltar a ler, o Papa dizia: “É necessário continuar a atribuir grande valor ao Sacramento da Penitência e educar os fiéis a recorrerem a ele, mesmo só para os pecados veniais, como atestam a tradição doutrinal e a prática já seculares” (nº32)

E mais abaixo: “A celebração deste Sacramento torna-se para todos os cristãos “ocasião e estímulo a conformarem-se mais intimamente com Cristo e a tornarem-se mais dóceis à voz do Espírito”. Sobretudo deve frisar-se bem o facto de a graça própria da celebração sacramental ter grande eficácia terapêutica e contribuir para arrancar as próprias raízes do pecado” (nº32).

E aos sacerdotes lembrava: “Quero dirigir instante apelo a todos os sacerdotes do mundo, especialmente aos meus Irmãos no Episcopado e aos Párocos, para que favoreçam com toda a solicitude a frequência dos fiéis a este Sacramento, ponham em prática todos os meios possíveis e convenientes e tentem todos os meios para fazer chegar ao maior número de irmãos nossos a “graça que nos foi dada”, mediante a Penitência, para a reconciliação de cada alma e de todo o mundo com Deus em Cristo” (nº31).

O mesmo fez Bento XVI. Ao proclamar o Ano sacerdotal, nos 150 anos do Santo Cura d’Ars, quis pôr diante dos olhos trabalho heróico deste humilde apóstolo do confessionário.

Também o Papa Francisco tem insistido na confissão e confidenciava que se confessa todos os quinze dias.

No discurso aos jovens na Eslováquia, em Setembro do ano passado, dizia: “E quando nos sentimos em baixo, que podemos fazer? Há um remédio infalível para erguer-se: a Confissão. Vós ouvistes Petra? [«sim!»] O remédio da Confissão... Não vamos confessar-nos como pessoas castigadas que se devem humilhar, mas como filhos que correm para receber o abraço do Pai. E o Pai levanta-nos em qualquer situação, perdoa-nos todos os pecados. Fixai-o bem: Deus perdoa sempre! Entendestes? Deus perdoa sempre!

Deixo-vos um pequeno conselho: depois de cada Confissão, permanecei alguns momentos a recordar o perdão que recebestes. Guardai aquela paz no coração, aquela liberdade que sentis dentro de vós: não os pecados, que já não existem, mas o perdão que Deus te deu, a carícia de Deus Pai. Este, o perdão de Deus, guardai-o; não deixeis que vo-lo roubem. E na próxima vez que vos fordes confessar, lembrai-vos disto: vou receber de novo aquele abraço que me fez muito bem. Não vou a um juiz para regularizar as contas; vou a Jesus que me ama e cura”. (Discurso aos jovens 14-9-21)

Vale a pena redescobrir a maravilha deste sacramento. Mesmo humanamente.

Os sacerdotes receberam este poder de Jesus no dia de Páscoa. É a prenda de Jesus ressuscitado à Sua Igreja. Por isso, a confissão é, dum modo especial, o sacramento da alegria.

Que Nossa Senhora, que viveu sem mancha de pecado, nos ensine a crescer no horror ao pecado e em amor ao sacramento que nos lava e nos dá forças para vencê-lo e que tanto nos ajuda no caminho da santidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«No episódio da mulher adúltera, os interlocutores de Jesus estão fechados nos restringimentos do legalismo e querem fechar o Filho de Deus na sua perspetiva de juízo e de condenação.

Mas Ele não veio ao mundo para julgar nem condenar, mas para salvar e oferecer às pessoas uma nova vida.»

Neste quinto domingo de Quaresma, a liturgia apresenta-nos o episódio da mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11). Nele contrapõem-se duas atitudes: por um lado, a dos escribas e dos fariseus e, por outro, a de Jesus. Os primeiros querem condenar a mulher, porque se sentem os tutores da Lei e da sua aplicação fiel. Ao contrário, Jesus quer salvá-la, porque Ele personaliza a misericórdia de Deus, que perdoando redime, e reconciliando renova.

Portanto, analisemos o acontecimento. Enquanto Jesus ensina no templo, os escribas e os fariseus levam-lhe uma mulher surpreendida em adultério; põem-na no meio e perguntam a Jesus se se deve lapidá-la, como prescreve a Lei de Moisés. O Evangelista especifica que eles levantaram a questão «para o porem à prova e para terem de que o acusar» (v. 6). Pode-se supor que o propósito deles era este — vede a malvadez daquelas pessoas: o “não” à lapidação teria sido um motivo para acusar Jesus de desobediência à Lei; ao contrário, o “sim” para o denunciar à autoridade romana, que tinha reservado para si as sentenças, e não admitia a linchagem popular. E Jesus deve responder.

Os interlocutores de Jesus estão fechados nos restringimentos do legalismo e querem fechar o Filho de Deus na sua perspetiva de juízo e de condenação. Mas Ele não veio ao mundo para julgar nem condenar, mas para salvar e oferecer às pessoas uma nova vida. E como reage Jesus diante desta prova? Antes de tudo, permanece por alguns instantes em silêncio, e inclina-se para escrever com o dedo na terra, como que para recordar que o único Legislador e Juiz é Deus, que tinha escrito a Lei na pedra. E depois diz: «Quem de vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra!» (v. 7). Deste modo Jesus apela-se à consciência daqueles homens: eles sentiam-se “paladinos da justiça”, mas Ele chama-os à consciência da sua condição de homens pecadores, pela qual não podem arrogar-se o direito de vida ou de morte sobre um dos seus semelhantes. Naquele ponto, um após o outro, a começar pelos mais idosos — ou seja, aqueles que estão mais conscientes das próprias misérias — foram-se embora todos, renunciando a lapidar a mulher. Esta cena convida também cada um de nós a ter consciência de que somos pecadores, e a deixar cair das nossas mãos as pedras da difamação e da condenação, da bisbilhotice, que às vezes gostaríamos de atirar contra o próximo. Quando falamos mal dos outros, lançamos pedras, somos como eles.

No fim, lá no meio só permanecem Jesus e a mulher: «A mísera e a misericórdia», diz Santo Agostinho (In Joh 33, 5). Jesus é o único sem culpa, o único que poderia lançar a pedra contra ela, mas não o faz, porque Deus “não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva” (cf. Ez 33, 11). E Jesus despede a mulher com estas palavras maravilhosas: «Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (v. 11). E assim Jesus abre diante dela um caminho novo, criado pela misericórdia, uma vereda que exige o seu compromisso de não voltar a pecar. Trata-se de um convite válido para cada um de nós: quando nos perdoa, Jesus abre-nos sempre um caminho novo para irmos em frente. Neste tempo de Quaresma, somos chamados a reconhecer-nos pecadores e a pedir perdão a Deus. E o perdão, por sua vez, enquanto nos reconcilia e nos concede a paz, leva-nos a recomeçar uma história renovada. Toda a verdadeira conversão visa um futuro novo, um caminho novo, uma vida boa, uma vida livre do pecado, uma vida generosa. Não tenhamos medo de pedir perdão a Jesus, porque Ele nos abre a porta para esta vida nova. A Virgem Maria nos ajude a testemunhar a todos o amor misericordioso de Deus que, em Jesus, nos perdoa e renova a nossa existência, oferecendo-nos sempre renovadas possibilidades.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 7 de abril de 2019

 

Oração Universal

 

Ao celebrar a Paixão e Morte de Jesus neste tempo litúrgico,

peçamos ao Senhor nos ensine a amá-Lo de verdade, como Ele nos amou. Por isso pedimos:

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

1-Para que a Santa Igreja proclame no mundo a misericórdia de Deus

e a todos anime a buscar o Seu perdão, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

2-Pelo Santo Padre, para que todos escutem com atenção

os seus ensinamentos sobre o Sacramento da Penitência, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que saibam estar disponíveis

para administrar o sacramento do perdão, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

4-Por todo o povo cristão, para que saiba apreciar o sacramento da alegria

e recebê-lo com frequência, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

5-Por todos os que vivem longe de Deus,

para que tenham a coragem de O buscar e de O encontrar, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

6-Pelos jovens do mundo inteiro,

para que se entusiasmem a viver o radicalismo cristão que Jesus lhes pede,

para serem santos, oremos irmãos.

Dai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Senhor, que em Vosso Amado Filho nos manifestastes a maravilha do Vosso amor

e da Vossa misericórdia, fazei que saibamos decidir-nos a amar-Vos sem medida.

Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cruz fiel e redentora – M. Faria, NRMS, 25

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

Como o centurião do Evangelho, avivemos a consciência da nossa indignidade e também o desejo de preparar bem a nossa alma, para O receber.

 

Cântico da Comunhão: Tomai e Comei – J. F. Silva, NRMS, 25

,o 8, 10-11

Antífona da comunhão: Mulher, ninguém te condenou? Ninguém, Senhor. Nem Eu te condeno. Vai em paz e não tornes a pecar.

 

Cântico de acção de graças: O cálice de bênção – J. F. Silva, NRMS, 21

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir jubilosos por termos estado com Jesus e com o desejo de O amarmos sem nada regatear, como Ele nos amou e levar-Lhe também os nossos amigos.

 

Cântico final: Perdoa ao teu povo – Az. Oliveira, NRMS, 105

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-IV: O perdão de Deus e a conversão.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou?  Vai, e doravante, não tornes a pecar.

Susana foi acusada de um pecado de adultério e foi salva da morte pelo profeta Daniel (LT). Algo de semelhante se passou com outra mulher adúltera, salva por Jesus (EV). A primeira nunca perdeu a confiança no Senhor. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos nada temerei, pois vós estais comigo (SR).

Deus não nega a sua ajuda àqueles que passam por momentos difíceis. Nestes dois casos, trata-se de pecados graves, mas Deus vem perdoar todos os pecados. Nunca desanimemos, pois o perdão de Deus é infinito.

 

3ª Feira, 5-IV: Olhar para o crucifixo.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de bronze e prende-a a um poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela terá a vida salva.

Esta serpente é uma prefiguração da Cruz de Cristo no Calvário. Já no Antigo Testamento, Deus ordenou a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação como, por exemplo, a serpente de bronze (LT). Deus debruçou-se para a terra para libertar os condenados à morte (SR).

É muito útil andarmos acompanhados por um cruxifico. Se aparece alguma tentação, pedimos forças para continuar a nossa tarefa. Se levantarmos o Filho do Homem, Ele diz-nos: Sou Eu (EV). Também podemos olhar para Ele, durante Consagração na Missa

 

4ª Feira, 6-IV: A Verdade que liberta.

Dan 3, 14-20 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança nEle.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens foram salvos e libertados pela sua confiança em Deus, que é a Verdade (LT),

Jesus recorda-nos que é a «Verdade que vos libertará» (EV). Ele obteve a salvação de todos os homens pela sua morte na Cruz. Resgatou-nos do pecado, que nos mantinha na situação de escravatura. Ao libertar-nos desta, ficámos livres. Chegaremos ao conhecimento da Verdade, contida nos ensinamentos de Cristo, que encontraremos na leitura habitual dos Evangelhos. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

 

5ª Feira, 7-IV: Fidelidade à Aliança

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Esta é a minha Aliança contigo: serás pai de um grande número de nações.

Deus estabeleceu uma Aliança (LT) com Abraão, válida igualmente para os seus descendentes. Ele confiou em Deus e venceu todas as provações, tornando-se um exemplo de fidelidade. Se confiarmos igualmente na Palavra de Deus, seremos salvos. Se alguém guardar a minha palavra, nunca mais verá a morte (EV e SR).

Esta Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. Quando actualizamos o sacrifício de Cristo na Missa, é o momento adequado para reiterarmos a nossa fidelidade aos preceitos do Baptismo (do matrimónio, etc).

 

6ª Feira, 8-IV; A vitória de Cristo na Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 19, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso (LT) é o próprio Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. Apesar disso, os judeus querem matá-lo, apedrejando-o (EV).

Esta luta contra o demónio continuará até ao fim dos tempos. Mas temos motivos de esperança, porque Cristo venceu e nada temos a temer, porque a derrota já esta consumada. O meu clamor chegou aos seus ouvidos (SR). Façamos o sinal da Cruz com alguma frequência, para que Deus nos liberte dos nossos inimigos e utilizemos a água benta. Para os combates habituais, temos igualmente a oração e o crucifixo.

 

Sábado, 9-IV: Meios para conseguir a unidade.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte. farei deles um só povo.

Segundo esta profecia (LT), Deus promete reunir os filhos de Israel, dispersos por todo o mundo. E Caifás afirma que esta unidade será um dos frutos da morte de Cisto (EV). No entanto, é muito mais do que isso: é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes reuniu uma enorme multidão de diferentes línguas.

A oração do Pai nosso ajudará a unidade: pois unirá todos os homens que ainda não O conhecem. O Bom Pastor guarda o seu rebanho (SR). Esta unidade é indispensável para que a Igreja seja um sinal visível para toda a humanidade (Paulo VI).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Celestino F. Correia

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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