Quarta-Feira de Cinzas

2 de Março de 2022

 

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: No tempo favorável que nos dais –M. Faria, (dos vinte cânticos), IC, pg 934

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com a celebração da Quarta Feira de Cinzas, a Igreja inaugura a celebração da Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa da Ressurreição do Senhor.

Chama-nos a uma caminhada catecumenal de quarenta dias, na qual vamos procurando pôr em prática a doutrina que nos é anunciada, até ao Batismo ou à renovação das promessas do Batismo, na noite da Vigília Pascal.

Nesta celebração recebemos a imposição das cinzas, num gesto penitencial e como sinal acolhimento à renovação que todos desejamos.

 

Acto penitencial

 

Peçamos humildemente ao Senhor perdão de todos os nossos pecados por pensamentos, palavras, obras e omissões.

Imploremos-Lhe também a graça de um generoso e sincero esforço para nos emendarmos.

 

(Tempo de silêncio. Quando há imposição das cinzas, esta substitui o ato penitencial. Em caso contrário, apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema A do Ordinário da Missa)

 

Confessemos os nossos pecados...

Senhor, tende piedade de nós...

 

Omite-se o acto penitencial, porque é substituído pela imposição das cinzas.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Joel dirige um apelo ao Povo de Deus para que se volte de verdade e definitivamente para o Senhor, por uma conversão sincera.    

Acolhe este convite do profeta do Antigo testamento e convida-nos a vivê-lo especialmente na Quaresma que hoje iniciamos.

 

Joel 2,12-18

 

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1,2 – 2,17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1,13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37,29; Mt 26,65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Nova Vulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36,22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11,29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus, que sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Respondendo ao apelo que o Espírito Santo nos faz pelo profeta Joel, o Espírito Santo convida-nos a rezar o salmo 50, do rei David.

Ele é o ato de contrição mais denso da Sagrada Escritura e uma bela oração para rezarmos muitas vezes, especialmente durante a Quaresma.

 

Refrão:        Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:               Tende compaixão de nós, Senhor,

                     porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo dirige-se aos fiéis da Igreja de Corinto, na sua segunda Carta, para os animar à conversão pessoal.

São para nós, também, as palavras do Apóstolos dos Gentios: Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus.

 

2 Coríntios 5,20 – 6,2

 

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5,14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio». Os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de Cristo), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11,50; Gal 3,13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado), uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador. A nova tradução da CEP não receia propor a tradução literal: «Àquele que não conhecera o pecado, Deus por nós o fez pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus». O que se pretende dizer é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral. Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3,13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado. Isto, que podia parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado». Com efeito, pelo sacrifício de Cristo, tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6,2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49,8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo insiste em que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4,4-5). A tradução litúrgica não valorizou este advérbio «agora», repetido por duas vezes, mas recuperado na nova tradução da CEP. S. Paulo actualiza a expressão grega de Isaías, «tempo favorável» (LXX), ao fazer ver que agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. E a Liturgia pretende fazer aqui uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: Durante a Quaresma, até à Vigília Pascal, não vamos cantar o aleluia festivo.

A Igreja convida-nos a moderar as nossas manifestações de alegria, até que retomemos o aleluia na solene Vigília Pascal.

 

Refrão: (escolher um dos 7 refrães)

1. Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

2. Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

3. Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

4. Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

5. Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

6. Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

7. A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

Cântico: M. Simões, NRMS 1 (I)

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6,1-6.16-18

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do meio do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes versículos não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça, como teremos na nova tradução da CEP), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual. O que exige é que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10,3). Com efeito, são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14,23; Mc 1,35; Lc 5,16; 6,12; 9,18; 11,1.28-29), um exemplo que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10,9). Também a experiência pessoal de todos os Santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Quaresma, primavera da alma

• O programa desta Quaresma

 

1. A Quaresma, primavera da alma

 

A Quaresma é inaugurada solenemente com o rito penitencial de imposição das Cinzas.  Ao mesmo tempo, na Mesa da Palavra, acolhemos um vibrante apelo à conversão pessoal, à mudança de vida.

Conversão pessoal. Mais do que os sinais exteriores de penitência, o Senhor deseja a nossa mudança de coração.

Deus quer em nós um coração sensível, limpo, normal. Peçamos-Lhe que cumpra em nós o que prometeu pelo profeta Ezequiel: Hei-de arrancar-te do peito o coração de pedra e dar-te um coração de carne.

É preciso centrar a nossa atenção nos pensamentos e sentimentos do coração, sobretudo em relação às outras pessoas, corrigindo as alergias e repugnâncias não cristãs.

Começando pelo que é mais importante, deve desaparecer em nós qualquer sombra de ódio ou mal-querença. Não podemos excluir ninguém do nosso amor ao próximo.

É insensibilidade também a indiferença perante os problemas e dificuldades dos outros, sobretudo se as não conseguem resolver sem ajuda.

É urgente que peçamos ao Senhor um coração caridoso e limpo. A imundície moral torna as pessoas cruéis, insensíveis. O demónio aposta na imundície moral das almas, como plano inclinado para as fazer resvalar até ao abismo. Torna-as escravas, prisioneiras, impedindo-as de gozar a alegria e liberdade dos filhos de Deus.

«Diz agora o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos

Contrição das ofensas a Deus. A palavra hebraica “converter” significa arrepiar caminho”. É indispensável reconhecer humildemente que nos enganamos e caminhamos em sentido oposto àquele em que devíamos caminhar. Os desvios introduzem-se a pouco e pouco na nossa vida e acabamos por não os ver, ou desculpá-los com o nosso feitio, o ambiente e com outras desculpas.

A falta de luta espiritual causa em nós a insensibilidade perante as nossas faltas e um desconforto espiritual que nos leva a andar de mau humor.

Pode ajudar-nos à contrição dos pecados a meditação mais assídua da Palavra de Deus, como está indicado especialmente para a Quaresma, de modo particular, a Paixão de Jesus.

Se fizéssemos a qualquer amigo da terra o que fazemos a Deus, no que se refere a indiferenças, agravos, ou faltas de atenção, onde estaria a nossa amizade agora?

«Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia

Esperança na luta espiritual. A primeira tentação que nos assalta é a de pensar que não somos capazes de mudar. Já o tentamos de outras vezes e voltamos ao mesmo. Para quê ter ilusões?

Concretizemos a luta espiritual e não fiquemos em propósitos genéricos de “hei-de ser melhor... Vou mudar...”

Procuremos usar os meios que o Senhor nos oferece: fugir das ocasiões, orar e frequentar os sacramentos. De outro modo, seríamos como o aluno que passa a vida a sonhar com um curso brilhante, mas não vai às aulas, nem estuda.

«Quem sabe? Talvez Ele mude de ideia e volte atrás, deixando, ao passar, alguma bênção, para oferenda e libação ao Senhor vosso Deus

A pedagogia divina da cinza. Receber na fronte as Cinzas no primeiro dia da quaresma é um ato de humildade. Gostamos de nos identificar com os melhores do Povo de Deus, e aqui fazemos precisamente o contrário. A cinza fala-nos de algo que foi destruído pelo fogo e se converteu, por isso, de nocivo em útil.

Não nos importamos que nos considerem santos, embora protestemos, por delicadeza, mas fugimos de nos confundirmos com os pecadores. E, no entanto, é entre eles o nosso verdadeiro lugar e aceitamos esta verdade quando nos é imposta a cinza.

Lembra-nos também que tudo o que temos e fazemos, na hora da partida para a eternidade, ficará transformado em cinza, excepto o que fizermos por Amor. Nenhuma obra de arte resiste ao tempo. A terra está cheia destas ruínas, algumas delas já sepultadas. Só ficará o amor com que forem realizadas.

Participar no rito das cinzas significa estar decidido a recomeçar, com nova generosidade e vigor, a luta pela santidade, fazendo tudo por amor.

Recomeçar é a palavra de ordem na Quaresma, embora sabendo que vamos recomeçar a vida inteira. Com este propósito abraçamos o projecto de Deus na Quarta Feira de Cinzas.

Recomeçamos nas nossas práticas religiosas, acabando com a rotina; recomeçamos nesta ou naquela virtude humana que nos custa mais a viver; recomeçamos na alegria, ao renovar a alegria nas mortificações que temos de exercitar todos os dias: levantar da cama pontual; o trabalho sem lamúrias, nem queixumes; o comer com alegria o que nos preparam, sem procurarmos nada de especial; o sorrir quando menos nos apetece, combater o pensamento de nos julgarmos vítimas incompreendidas e injustiçadas... são algumas das muitas situações em que já nos mortificamos, mas nos esquecemos de oferecê-lo a Deus.

Então poderemos dizer com verdade: «0 Senhor encheu-se de zelo pelo seu país e teve compaixão do seu povo.»

 

2. O programa desta Quaresma

 

A esmola que damos. A Quaresma é um tempo propício para nos desprendermos de algo para o darmos.

O jejum não tem por finalidade melhorar a nossa imagem física, nem sequer a saúde, nem aumentar as economias, mas renunciar a gastar para o distribuir aos mais necessitados.

Há muitas esmolas que podemos dar, sem que a pessoa contemplada por nós se sinta humilhada: a esmola de ouvir com a atenção o que nos dizem, em vez de falarmos sempre; a esmola de um sorriso, mesmo quando a nossa disposição não é a ideal; a esmola de um bom conselho dado com sensatez, mesmo quando gostaríamos de não discordar; a esmola de corrigir com delicadeza os erros de doutrina ou de moral que proclamam na nossa presença.

«Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te

O jejum que praticamos. O jejum faz referência, em primeiro lugar, à mortificação do apetite no comer e no beber.

Mas há muitas outras coisas de que podemos jejuar, com economia de tempo e de gastos: podemos jejuar no tempo que dedicamos à televisão, sobretudo quando se trata de certos programas que não nos ajudam a sermos melhores cristão.

Jejuemos no uso do telemóvel, a não ser que o usemos por motivos de caridade, ajudando outras pessoas a vencer a solidão e o desânimo.

Podemos ainda jejuar na curiosidade doentia que nos leva a andar sempre com o olhar na vida dos outros, em vez de cuidar das nossas coisas.

Há, sobretudo, um jejum que devemos praticar a todo o custo: evitar o que desagrada a Deus.

«E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, [...] para que os outros vejam que eles jejuam. [...] Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está pre­sente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te

A oração que fazemos. O Mestre Divino não condena a oração em público. Ele mesmo a fez, ao ensinar o Pai nosso, ao dar graças ao Pai por ter revelado certas verdades aos mais pequeninos...

Dissuade-nos de usar a oração diante dos outros como recurso a melhorar a imagem que eles têm de nós.

Não trazemos, acaso, o terço no carro, mas não é verdade que nunca ou quase nunca o rezamos? Que atenção prestamos às orações que rezamos em comum com outras pessoas?

Acresce ainda que não falamos para Deus, ao rezar, com a naturalidade com que falamos para as outras pessoas...

«Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. [...].Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te

Sós na presença de Deus. Ninguém deve suportar o peso da nossa vida penitente. Sorrir, participar na vida, melhor do que antes, é o que Deus quere de nós.

O Senhor não nos pede que andemos a escondermo-nos de tudo e de todos para fazer o bem, como se se tratasse de um crime, mas que não procuremos atrair com o que fazemos os louvores das pessoas.

A discrição é uma virtude humana e sobrenatural. Como todas as virtudes, é equilíbrio, de modo que nos leve a comportarmo-nos com naturalidade.

Há uma insistência de Jesus para fazermos as coisas diante do olhar do Pai, e não à procura do olhar das pessoas, para que nos louvem, ou, pelo menos, tenham boa imagem de nós.

A naturalidade leva-nos a fazer o bem com recato, resguardando-nos das vistas profanas. Vencermos grande parte do perigo da vaidade e evitamos elogios e faltas de recta intenção que nos prejudicariam.

«Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo»

Reconciliemo-nos com Deus. Tudo o que fazemos deve levar-nos a amar cada vez mais a Deus, a aproximarmo-nos d’Ele, pela oração confiada e a viver mais na Sua presença.

Confiemos a Nossa Senhora e a S. José esta Quaresma, pedindo-lhes que seja, para nós, a melhor de sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

A Quaresma é o tempo para nos libertarmos da ilusão de viver correndo atrás de pó.

A Quaresma é descobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, não para a cinza que imediatamente se some; para a eternidade do Céu, não para o engano da terra.

De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?

«Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum» (Jl 2, 15): diz o profeta na primeira Leitura. A Quaresma abre-se com um som estridente: o som duma trombeta que não afaga os ouvidos, mas proclama um jejum. É um som intenso, que pretende abrandar o ritmo da nossa vida, sempre dominada pela pressa, mas muitas vezes não sabe bem para onde vai. É um apelo a deter-se – um “parar!” para ir ao essencial, a jejuar do supérfluo que distrai. É um despertador da alma.

Ao som deste despertador segue-se a mensagem que o Senhor transmite pela boca do profeta, uma mensagem breve e veemente: «Voltai para Mim» (2, 15). Voltar. Se devemos voltar, isso quer dizer que a direção seguida não era justa. A Quaresma é o tempo para reencontrar a rota da vida. Com efeito, no caminho da vida – como em todos os caminhos –, aquilo que verdadeiramente conta é não perder de vista a meta. Pelo contrário, quando o que interessa na viagem é ver a paisagem ou parar a comer, não se vai longe. Cada um de nós pode interrogar-se: no caminho da vida, procuro a rota? Ou contento-me de viver o dia a dia, pensando apenas em sentir-me bem, resolver alguns problemas e divertir-me um pouco? Qual é a rota? Talvez a busca da saúde, que hoje muitos dizem vir em primeiro lugar, mas mais cedo ou mais tarde faltará? Porventura a riqueza e o bem-estar? Mas não é para isso que estamos no mundo. Voltai para Mim, diz o Senhor. Para Mim: o Senhor é a meta da nossa viagem no mundo. A rota deve ser ajustada na direção d’Ele.

Hoje, para encontrar a rota, é-nos oferecido um sinal: cinzas na cabeça. É um sinal que nos faz pensar naquilo que trazemos na cabeça. Frequentemente, os nossos pensamentos seguem coisas passageiras, coisas que vão e vêm. Os grãos de cinza que receberemos pretendem dizer-nos, com delicadeza e verdade: de tantas coisas que trazes na cabeça, atrás das quais corres e te afadigas diariamente, nada restará. Por mais que te afadigues, não levarás contigo qualquer riqueza da vida. As realidades terrenas dissipam-se como poeira ao vento. Os bens são provisórios, o poder passa, o sucesso declina. A cultura da aparência, hoje dominante e que induz a viver para as coisas que passam, é um grande engano. Pois é como uma fogueira: uma vez apagada, ficam apenas cinzas. A Quaresma é o tempo para nos libertarmos da ilusão de viver correndo atrás de pó. A Quaresma é descobrir que somos feitos para o fogo que arde sempre, não para a cinza que imediatamente se some; para Deus, não para o mundo; para a eternidade do Céu, não para o engano da terra; para a liberdade dos filhos, não para a escravidão das coisas. Hoje podemos interrogar-nos: De que parte estou? Vivo para o fogo ou para as cinzas?

Nesta viagem de regresso ao essencial que é a Quaresma, o Evangelho propõe três etapas, que o Senhor pede para percorrer sem hipocrisia nem ficção: a esmola, a oração, o jejum. Para que servem? A esmola, a oração e o jejum reconduzem-nos às únicas três realidades que não se dissipam. A oração liga-nos a Deus; a caridade, ao próximo; o jejum, a nós mesmos. Deus, os irmãos, a minha vida: tais são as realidades, que não acabam em nada e sobre as quais é preciso investir. Eis para onde nos convida a olhar a Quaresma: para o Alto, com a oração, que liberta duma vida horizontal e rastejante, onde se encontra tempo para si próprio, mas se esquece Deus. E depois para o outro, com a caridade, que liberta da nulidade do ter, de pensar que as coisas estão bem se para mim correm bem. Por último, convida-nos a olhar para dentro de nós mesmos, com o jejum, que liberta do apego às coisas, do mundanismo que anestesia o coração. Oração, caridade, jejum: três investimentos num tesouro que dura.

Jesus disse: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21). O nosso coração aponta sempre para uma direção: é como uma bússola que sempre procura a orientação. Podemos também compará-lo a um imã: precisa de se apegar a qualquer coisa. Mas, quando se apega só às coisas terrenas, mais cedo ou mais tarde torna-se escravo delas: as coisas de que nos servimos passam a coisas às quais servimos. O aspeto exterior, o dinheiro, a carreira, os passatempos: se vivermos para eles, tornar-se-ão ídolos que nos usam, sereias que nos encantam e, em seguida, nos deixam à deriva. Ao contrário, se o coração se apega ao que não passa, encontramo-nos a nós mesmos e tornamo-nos livres. Quaresma é o tempo de graça para libertar o coração das nulidades; é tempo de cura de dependências que nos seduzem; é tempo de fixar o olhar naquilo que resta.

Então onde devemos fixar o olhar ao longo do caminho da Quaresma? É simples: no Crucificado. Jesus na cruz é a bússola da vida, que nos orienta para o Céu. A pobreza do lenho, o silêncio do Senhor, a sua nudez por amor mostram-nos a necessidade duma vida mais simples, livre da azáfama excessiva pelas coisas. Da cruz, Jesus ensina-nos a coragem esforçada da renúncia. Pois, carregados com pesos embaraçantes, nunca iremos para diante. Precisamos de nos libertar dos tentáculos do consumismo e dos laços do egoísmo, de querer sempre mais, de não nos contentarmos jamais, do coração fechado às necessidades do pobre. Jesus, abrasado de amor no lenho cruz, chama-nos a uma vida inflamada por Ele, que não se perde entre as cinzas do mundo; uma vida que arde de caridade, e não se apaga na mediocridade. É difícil viver como Ele pede? Sim, é difícil, mas conduz à meta. No-lo mostra a Quaresma. Esta começa com as cinzas, mas leva-nos no final ao fogo da noite da Vigília Pascal, a descobrir que, no sepulcro, a carne de Jesus não se torna cinza, mas ressuscita gloriosa. O mesmo vale para nós, que somos pó: se voltarmos ao Senhor com as nossas fragilidades, se tomarmos o caminho do amor, abraçaremos a vida que não tem ocaso. E certamente viveremos na alegria.

Papa Francisco, Homilia, Basílica de Santa Sabina, 6 de março de 2019

 

Bênção das cinzas

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico: Perdão, Senhor, Perdão – M. Faria, NRMS, 13

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V.  Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V.  Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R.  Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Ao darmos início ao tempo santo da Quaresma,

rezemos para que todos os homens se convertam

e tomem parte na renovação pascal,

 

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

1. Por todos os fiéis da santa Igreja que hoje iniciam o tempo da Quaresma,

para que, neste tempo de graça, se reconciliem com os irmãos e com Deus,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

2. Pelos Pastores da Igreja e por todos os homens que governam as nações,

para que procurem lealmente o bem comum e façam esforços pela paz,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

3. Por todos os discípulos de Cristo, e pelos seus companheiros de trabalho,

para que se convertam e creiam em Jesus, dêem esmola, rezem e jejuem,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

4. Pelos doentes e pelos que sofrem, os pobres, os pecadores e os famintos,

    para que tenham quem os socorra, e os encaminhem ao encontro de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

5. Por esta comunidade litúrgica, hoje aqui reunida a celebrar a Santa Missa,

para que receba a graça de seguir a Cristo, no caminho da renovação pascal,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

6. Pelos parentes e amigos que desde a última Quaresma Deus chamou a Si,

    para que, pela Sua misericórdia infinita, sejam acolhidos na luz do Céu.

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, um coração novo.

 

Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia,

que nos chamais a converter o coração,

dai-nos a alegria de sermos salvos,

e guiai-nos, pela força do Espírito,

para a festa da Páscoa jubilosa.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

É bem verdade que o nosso corpo é pó e em pó se há-de tornar depois da morte.

Mas, pela força da graça, alimentada com a Eucaristia – penhor da ressurreição gloriosa – havemos de ressuscitar no último dia.

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado – J. Santos, NRMS, 61

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Todos os nossos projetos e ambições são pó da terra que os homens calcam aos pés.

Mas o projeto de construir em nós e nos outros a verdadeira paz de Cristo torna-nos possuidores da terra.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Quaresma que hoje iniciamos marca o ritmo das exigências da Palavra de Deus em nós.

Com a comunhão eucarística teremos força para corresponder aos apelos do Espírito Santo.

 

Cântico da Comunhão: Dai-me, Senhor, um coração puro, C. Silva, OC, pg 76

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Cântico de acção de graças: Tudo o que pedirdes – C. Silva, OC, pg 256

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Façamos um plano espiritual para Quaresma e consultemo-lo todos os dias, no momento do exame de consciência

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus – J. F. Silva, NRMS, 106

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª Feira, 3-III: O caminho da vida e o caminho da morte.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

E dizia a todos: Se alguém quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz todos os dias e siga-me.

Diante de nós temos dois caminhos: um que conduz à vida e outro que conduz à perdição (LT). Jesus deu-nos exemplo, pegando na sua cruz, com muito amor a caminho do Calvário. Pede-nos que nos decidamos a seguir o mesmo caminho (EV).

Para isso, teremos que provocar uma rotura com o pecado, ter aversão ao mal, manter o desejo e o propósito de mudar de vida, de perder o medo à pequena cruz de cada dia e pedindo perdão pelos pecados que cometemos diariamente. Assim obteremos frutos abundantes, como a árvore plantada à beirada das águas (SR).

 

6ª Feira, 4-III: O jejum agradável a Deus

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-15

Será então jejum que me agrada mortificar-se um homem durante um dia? O jejum que me agrada não será antes este….

Que jejum agradará ao Senhor? (EV). O jejum é uma forma particular de oração dos sentidos: sobriedade nas comidas, bebidas, uso da TV e Redes sociais, vencimento do comodismo etc. Sacrifício agradável a Deus é o espirito de arrependimento (SR).

Para que o jejum seja autêntico, deve ser sempre acompanhado pela caridade (LT). Procuremos pois viver as obras de misericórdia, que são acções caridosas, pelas quais vamos em auxílio do nosso próximo, das suas necessidades materiais e espirituais. Como consequência, haverá mais luz na nossa vida e o Senhor também curará as nossas feridas.

 

Sábado, 5-III: A cura das feridas da alma.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

Não são os que têm saúde… mas aqueles que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores.

Jesus apresenta-se como o Médico divino (EV), para curar as feridas da nossa alma. Para isso, sofreu muitos padecimentos na sua Paixão, até que o seu corpo ficou feito uma chaga. Ensinai-me, Senhor, o vosso caminho (SR).

Para isso, contamos com a ajuda de Deus para repararmos as brechas (LT) que há na nossa vida: as do egoísmo, da sensualidade, da preguiça, etc. Contamos com o sacramento da Penitência, pelo qual se aplica nas nossas feridas a paixão de Cristo, os méritos de Nossa Senhora e de todos os Santos, o bem que fizermos e o mal que evitarmos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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