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A REVOLUÇÃO

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

Entramos no tempo litúrgico mais tenso e intenso de cada ano: um percurso ascético e espiritual que vai da morte à vida: da nossa morte, pelo pecado, à nossa ressurreição espiritual pela Cruz e Ressurreição de Cristo. Tempo suavizado pelo breve «retorno» a Maria, na sua Anunciação, e a S. José, na sua paterna e laboriosa fidelidade. E, quase a rematar, o grande momento do Dia Mundial da Juventude.

Que lhes vamos dizer e que nos dirão os jovens deste tempo? Dir-nos-ão certamente, como os insatisfeitos discípulos de Jean Barois: - «Nós queremos apaixonar-nos, mas queremos que valha a pena!»

A mera inquietação e as reivindicações genéricas, embora os entusiasmem, só por breve tempo se mantêm, porque a juventude é impaciente. E os seus preciosos sonhos e visões facilmente desembocam em desilusão e numa vida de mera subsistência individual. É preciso dizer-lhes desde já - em palavras de Eliot - que uma desilusão que se prolonga, pode converter-se ela mesma numa ilusão: no seu caso, na ilusão de que, afinal, não vale a pena sonhar.

Vale, vale a pena sonhar e ter «visões». Sem isso, não somos homens; não podemos ser felizes. Mas têm de aprender que a vida mais rotineira, o trabalho mais insignificante, a própria doença, podem e devem ser «revolucionários», unindo-nos a Cristo, que nunca desiste de ninguém e Se dispõe sempre a recomeçar. Sonhem os sonhos que quiserem, mas sobretudo aumentem a sua visão cristã. A «revolução» consiste, acima de tudo em ver tudo e todos com o olhar de Cristo.

Reparem nas multidões que passam a seu lado, cada indivíduo concentrado nas suas preocupações, empenhado em ser «bem-sucedido», em ser tão «importante» ou mais «importante» do que outros… E que ainda não sabem que são – que é cada um – a pessoa mais importante do mundo!

Não foi «por nós», por uma coletividade, mas por mim, por cada um de nós, que Deus criou o mundo e fundou a Santa Igreja; foi por mim, por ele, ou ela, que morreu de amor na Cruz: por cada filho ou filha, únicos, insubstituíveis.

Se os jovens desejarem apenas modificar «agora», e «já», «este» mundo, que amarguras os esperam! Mas, se olharem para si e virem os outros com o olhar de Cristo, nada e ninguém os desiludirá, não desistirão de nenhum «sonho» ou «visão», e tudo o que fizerem pelos outros valerá a pena. Aqui já na Terra e para sempre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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