aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

A IGREJA CINCO CONTINENTES

 

 

EUROPA

 

Albânia:

A missão a 1300 km de Portugal

num país onde os católicos são «uma minoria»

 

A irmã Ana Margarida Lucas, Dominicana de Santa Catarina de Sena, está em missão na Albânia e disse à Agência Ecclesia que está num país onde “os católicos são uma presença minoritária” e, na pandemia, a “partilha do pão” foi uma realidade.

“É um país que vivia em ditadura comunista até há 30 anos, e nessa altura houve liberdade religiosa, mas antes não havia possibilidade de haver qualquer presença religiosa, tudo era perseguido, fosse muçulmano, ortodoxo ou católico. todos sofreram a perseguição”, explica a religiosa.

Atualmente a presença católica “é uma minoria”, uma realidade completamente diferente do que a irmã Ana Margarida estava habituada.

“Estamos aqui desde 2016 e somos uma presença missionária e de minoria, acho que somos 0,6% mas como toda a gente sofreu a perseguição existe muita comunhão”, precisa.

A religiosa estava numa missão em Estremoz, no Alentejo, quando recebeu a notícia, em 2019, que iria para a missão da Albânia, aceitou o destino como “um desafio”.

“Cheguei à Albânia a 4 de setembro, fomos à eucaristia e as irmãs da Caridade estavam a distribuir umas pagelas e uma medalhinha de Santa Teresa de Calcutá, era o seu dia, a missa de envio, foi na véspera, dia da nossa fundadora, Teresa de Saldanha, por isso uma a enviar-me e outra a receber”, conta a irmã.

Passados poucos meses de estar na Albânia iniciou a pandemia e o governo, “ao primeiro caso fechou tudo”.

A irmã Ana Margarida viu-se em confinamento com as outras duas irmãs, no colégio que têm na Albânia e um dia “bateu à porta o padeiro”. “O senhor que levava o pão diariamente para o colégio vinha dar pão às irmãs, porque não o conseguia vender, então fomos para o bairro, abrimos a bagageira do carro e ali partilhámos o pão”, recorda.

Um momento que a irmã Dominicana de Santa Catarina de Sena não esquece por a ter marcado, em tempo de pandemia.

 

Alemanha:

Cardeal de Colónia afasta-se temporariamente da arquidiocese

 

O Papa aceitou o pedido do cardeal Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colónia, de se afastar temporariamente do governo da arquidiocese alemã, informou o portal do Vaticano.

O cardeal alimão está a ser investigado pela gestão de casos de abusos sexuais, no contexto de uma visita apostólica ordenada por Francisco, que rejeitou ainda os pedidos de renúncia dos dois bispos auxiliares de Colónia.

A Nunciatura Apostólica na Alemanha precisa que o cardeal Woelki vai passar “um tempo espiritual fora da arquidiocese” de meados de outubro até o início da Quaresma de 2022.

A visita apostólica à arquidiocese de Colónia foi conduzida pelo arcebispo de Estocolmo, cardeal Anders Arborelius, e pelo bispo de Roterdão, Johannes van den Hende, de 7 a 14 de junho.

Segundo os resultados agora divulgados pela representação da Santa Sé na Alemanha, o arcebispo de Colónia não “agiu contra a lei no tratamento dos casos de abuso sexual”, mas mostrou “determinação em combater o crime, em cuidar das vítimas e em promover a prevenção”.

“No seu tratamento geral da questão, porém, o cardeal Woelki também cometeu grandes erros”, ressalta a nota, “sobretudo em termos de comunicação”. “Isto contribuiu essencialmente para a crise de confiança na arquidiocese”, acrescenta a Nunciatura.

O cardeal esteve no Vaticano, para uma “longa conversa” com o Papa. “É claro que o arcebispo e a arquidiocese precisam de uma pausa, de um tempo de renovação e reconciliação”, indica a nota divulgada pelo portal ‘Vatican News’.

A investigação admite “falhas de gestão”, mas rejeita qualquer intenção de “encobrir abusos ou ignorar as vítimas”.

Um relatório independente pedido pela Igreja Católica na Alemanha concluiu que 314 menores sofreram violência sexual por parte de 202 membros do clero e leigos entre 1975 e 2018 na Arquidiocese de Colónia. O documento isentou o cardeal Woelki de qualquer tentativa de encobrir a dimensão dos casos.

 

Inglaterra

Mais um bispo anglicano se torna católico

 

Desde 1992, já são 12 bispos anglicanos recebidos na plena comunhão com a Igreja Católica; o caso mais recente foi há poucos dias.

Mais um bispo anglicano se torna católico: a revista britânica The Spectator noticiou que o reverendo Michael Nazir-Ali, bispo anglicano de Rochester, passou a integrar o Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, entrando em plena comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana. Ele foi ordenado sacerdote católico no final de outubro.

Nazir-Ali já chegou a ser cotado para o posto principal da confissão protestante inglesa, que é o de arcebispo de Canterbury.

O Papa Bento XVI criou em 2011 o Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham para acolher ex-clérigos da Igreja da Inglaterra dispostos a entrar em plena comunhão com a Igreja Católica, embora preservando aspectos compatíveis da sua tradição religiosa. O ordinariato confirmou que Nazir-Ali foi recebido na comunhão católica pelo bispo dom Keith Newton no dia 29 de setembro, festa litúrgica dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Nazir-Ali nasceu no Paquistão em 1949 e foi criado entre influências familiares tanto cristãs quanto muçulmanas. Foi ordenado clérigo anglicano em 1976, no seu país natal, vindo a ser sagrado como o primeiro bispo anglicano de Raiwind. Anos depois de se transferir para o Reino Unido, foi nomeado bispo anglicano de Rochester em 1994. Casado e com filhos, conforme é permitido pela tradição anglicana, ele também atuou como membro do Parlamento britânico a partir de 1999. Aos 72 anos, ele hoje preside o Centro de Formação, Pesquisa, Defesa e Diálogo de Oxford.

Em 3 de setembro, quem confirmou sua plena adesão à fé católica foi o reverendo Jonathan Goodall, que até então era bispo anglicano de Ebbsfleet, na Inglaterra. Na ocasião, ele anunciou ter tomado a decisão “após um longo período de oração, que foi um dos períodos mais difíceis da minha vida”.

Jonathan Goodall foi o segundo bispo anglicano de Ebbsfleet a aderir plenamente à Igreja Católica. Em 2010, Andrew Burnham havia renunciado àquele bispado anglicano e hoje é pároco católico. Na mesma época, também renunciaram ao episcopado anglicano para se converterem oficialmente ao catolicismo os reverendos Keith Newton, ex-bispo de Richborough, e John Broadhurst, de Fulham.

Antes ainda, o reverendo Graham Leonard, que havia sido bispo de Londres de 1981 até 1991, decidiu aderir plenamente à Igreja Católica em 1993.

Outro caso recente de bispo anglicano convertido ao catolicismo que repercutiu nos meios de comunicação foi o do reverendo Gavin Ashenden, em 2019, porque ele era capelão honorário da rainha da Inglaterra.

Segundo o padre católico James Bradley, do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, 12 bispos anglicanos foram recebidos na Igreja Católica desde 1992: “Graham Leonard (Londres); Conrad Meyer; John Klyberg (Fulham); Richard Rutt (Leicester); John Broadhurst (Fulham); Edwin Barnes (Richborough); Keith Newton (Richborough); Andrew Burnham (Ebbsfleet); David Silk; Paul Richardson; John Goddard (Burnley); e Jonathan Goodall (Ebbsfleet)”.

 

Eslováquia:

«Não deis ouvidos a quem vos fala de sonhos

e, em vez disso, vende ilusões», diz o Papa em festa com jovens

 

O Papa presidiu a um encontro com milhares de jovens da Eslováquia, no Estádio Lokomotiva, em Kosice, leste do país, que desafiou a assumir um modelo de vida inspirado nos valores cristãos.

“Os grandes sonhos não são o carro potente, o vestido da moda ou as férias extravagantes. Não deis ouvidos a quem vos fala de sonhos e, em vez disso, vende ilusões”, disse, perante uma multidão que o saudou com entusiasmo.

Francisco percorreu o local em papamóvel, à sua chegada, durante largos minutos, tendo depois ouvido o testemunho de três jovens e uma saudação do arcebispo de Kosice.

“Amigos, não banalizemos o amor, porque o amor não é só emoção e sentimento; isto, quando muito, será o início. O amor não é ter tudo e já, não obedece à lógica do usa e deita fora. O amor é fidelidade, dom, responsabilidade”, referiu, em italiano, numa intervenção traduzida com a ajuda de ecrãs gigantes colocados em vários pontos do recinto.

O Papa convidou os jovens a rejeitar a “cultura do provisório” para “ir além do instinto e do instante, é amar por toda a vida e com todo o próprio ser”.

A intervenção evocou a figura da Beata Ana Kolesárová, “uma heroína do amor”, assassinada em 1944 por um soldado soviético, ao resistir a uma tentativa de violação.

“Ela diz-nos para apostarmos em metas altas. Por favor, não deixemos passar os dias da vida como episódios duma telenovela”, apelou Francisco.

Cada qual é um dom, e pode fazer da vida um dom. Esperam-vos os outros, a sociedade, os pobres. Sonhai uma beleza que vá para além da aparência, para além das tendências da moda”.

Francisco declarou que cada jovem é “único” aos olhos de Deus, convidando-os a “ter a ousadia de decisões grandes”. “Cheios de mensagens virtuais, corremos o risco de perder as raízes reais. Desligar-nos da vida real, fantasiar no vazio, não faz bem; é uma tentação do maligno”, advertiu.

O Papa reforçou o seu convite a promover o diálogo entre gerações, particularmente com os avós, para manter vivas as “raízes” das famílias.

A intervenção concluiu-se com um apelo à Confissão, pedindo que todos descubram a alegria do perdão de Deus.

“Desejo-vos esta alegria, mais intensamente do que qualquer outra coisa. Desejo que a leveis aos vossos amigos. Não sermões, mas alegria. Não palavras, mas sorriso, proximidade fraterna”, realçou Francisco.

A 34ª viagem internacional do pontificado, em Budapeste, onde Francisco encerrou o Congresso Eucarístico Internacional, e encerrou-se quarta-feira seguinte com a Missa no Santuário Nacional de Sastin, na Eslováquia.

 

Finlândia:

vai julgar ex-ministra por ter publicado… versículos da Bíblia

 

A Finlândia vai julgar uma ex-ministra por ter publicado… versículos da Bíblia. Está marcado para 24 de janeiro de 2022 o julgamento de Päivi Räsänen, que é mãe de cinco filhos, médica e parlamentar e pode ser condenada a inacreditáveis 2 anos de prisão ou pagamento de multa. As informações são da ADF International, um grupo de defesa jurídica da liberdade religiosa.

Päivi Räsänen, que foi ministra do Interior entre 2011 e 2015, foi denunciada pelo promotor-geral da Finlândia em abril por, segundo ele, ter “ofendido os homossexuais” ao citar versículos da Carta de São Paulo aos Romanos.

Ela é acusada, ainda, por outras afirmações que divulgou num panfleto de 2004 e num programa de televisão de 2018. Segundo o promotor-geral, Räsänen teria incitado à violência contra as pessoas homossexuais.

A deputada é luterana, mas criticou a sua igreja por ter apoiado, em 2019, um evento do assim chamado orgulho LGBT. Ela indagou via rede social, na ocasião, como esse patrocínio seria compatível com a Bíblia e acrescentou uma foto da Bíblia aberta na passagem de Romanos 1, 24-27, onde se lê:

 “Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario”.

A polícia começou a investigar a ex-ministra já em 2019. A respeito do julgamento agora marcado, ela declarou:

“Aguardo com a mente tranquila os procedimentos do tribunal, confiante de que a Finlândia respeitará a liberdade de expressão e de religião, consagradas nos direitos fundamentais e nas convenções internacionais. Não recuarei das minhas convicções baseadas na Bíblia e estou preparada para defender a liberdade de expressão e de religião em todos os tribunais necessários. Não posso aceitar que dar voz a crenças religiosas possa acarretar prisão. Defenderei o meu direito de confessar a minha fé, de modo que ninguém mais seja privado do seu direito à liberdade de religião e de manifestação”.

 

Espanha:

Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Las Nieves, de La Palma,

oferece joias para ajudar população

 

O reitor do Santuário espanhol de Nossa Senhora de Las Nieves ofereceu joias para ajudar a população afetada pelo vulcão Cumbre Vieja, em La Palma (Canárias), assinalando que “essas peças podem adquirir um novo significado”.

“Sentimo-nos obrigados a agir e participar da reconstrução material das comunidades que perderam tudo. Que eles sintam que os seus irmãos e irmãs estão com eles nestes tempos difíceis, que qualquer ação social, solidária ou humanitária será sempre pequena, mas nós estaremos lá”, disse o padre Antonio Hernández.

O portal ‘Vatican News’ informa que o reitor do Santuário Real de Nuestra Señora de las Nieves, padroeira da ilha, propôs que as paróquias colocassem parte do património da Igreja à disposição das famílias afetadas pela erupção do vulcão, que está ativo desde 19 de setembro.

O padre Antonio Hernández explicou que os católicos de La Palma expressaram o seu amor por Nossa Senhora de Las Nieves através de doações e o santuário possui um “um excelente património”, que pode ser admirado no Museu Camarín.

“Hoje, dada a situação dramática, essas peças podem adquirir um novo significado, tornando-se parte da ação solidária e de ajuda do santuário”, acrescentou.

O sacerdote explica que as possuem “joias, correntes, pulseiras e anéis de ouro” que, têm “valor devocional e económico”, mas “sem valor histórico ou artístico”.

“Nós confiamo-nos em comunhão com o bispo à nossa Mãe, a Nossa Senhora de Las Nieves, e a São Miguel Arcanjo, porque estamos enfrentando uma situação extremamente grave em termos de destruição e perda material, felizmente e graças a Deus, a ciência está nos permitindo agir antecipadamente para que a vida das pessoas não corra perigo”, desenvolveu o sacerdote, citado pelo portal de notícias do Vaticano.

 

 

Itália:

Bispo proíbe padrinhos de batismo em diocese italiana

 

A diocese de Catânia, região da Sicília, na Itália, decretou a proibição à antiga tradição de nomear padrinhos e madrinhas de batismo. A medida valerá durante três anos e aplica-se a todos as paróquias sob responsabilidade da diocese.

Ao jornal The New York Times, o Mons. Salvatore Genchi, vigário-geral da Arquidiocese de Catânia, justificou a decisão polémica. Ele alegou que 99% dos padrinhos da região não estão qualificados para o cargo e que não são bons exemplos para seus afilhados.

Além disso, segundo o jornal, a nomeação de padrinhos de batismo “tornou-se uma oportunidade de networking para famílias que buscam melhorar a sua fortuna, garantir doações de colares de ouro e fazer conexões vantajosas.”

O jornal também faz uma ligação entre a escolha dos padrinhos e as entranhas da máfia italiana. Diz a reportagem: “Promotores italianos rastrearam batismos para mapear como os chefes do submundo espalham influência, e as viúvas da máfia no tribunal salvaram seu rancor mais venenoso para “os verdadeiros Judas” que traem o vínculo batismal. É uma transgressão mais associada com, bem, “O Poderoso Chefão”, especialmente a cena do batismo quando Michael Corleone renuncia a Satanás na igreja enquanto seus capangas espancam todos os seus inimigos.”

Em outras palavras: para a máfia italiana, a relação entre padrinhos e afilhados é um vínculo de dependência e subordinação.

O Mons. Genchi disse que proibição dos padrinhos de batismo é uma experiência temporária. Para ele, esse período de três anos será suficiente para que a Igreja prepare melhor os pais e padrinhos em potencial. 

De fato, esse tempo é mais curto do que uma proibição de 10 anos proposta por outro bispo em 2014. Tal ideia não obteve o consenso necessário de outros bispos da região. 

Vale dizer que a Igreja recomenda que a escolha dos padrinhos de batismo não seja um ato meramente social. Aliás, o Direito Canônico sugere que os padrinhos sejam, inclusive, crismados. Ao mesmo tempo, a Igreja permite que o bispo local tenha o poder de adaptar determinadas leis disciplinares à realidade de cada diocese.

 

Ucrânia:

Idoso restaura igreja deixada em ruínas por comunistas soviéticos

 

Mykola Horbal, um membro aposentado do parlamento ucraniano, trabalha na renovação de uma igreja em sua vila natal em Latacz, Ucrânia, há cinco anos. O poeta e ex-ativista de direitos humanos começou o projeto aparentemente impossível de devolver a igreja, que estava cheia de lixo e praticamente em ruínas, à sua função original: adoração.

Ele começou sozinho e usou recursos de sua modesta aposentadoria para renovar o exterior do edifício. Hoje, ele tem o apoio de doações para continuar o trabalho.

Após o encerramento da fazenda coletiva que havia no local, a igreja permaneceu vazia por vários anos e começou a desmoronar.

“Meu pai não suportava vê-la nesse estado. Ele pensava: ‘Muitas pessoas oraram a Deus aqui’. Ele não conseguia mais permanecer passivo diante desse sacrilégio”, contou o filho de Mykola, Andriy Horbal.

Mykola Horbal está a gerir o trabalho de Kiev. Todos os dias ele pede ao Senhor que lhe conceda saúde para concluir a obra. “Em vez de um espírito de desolação, é o Espírito Santo que deve habitar aqui”, afirmou o filho.

No Facebook, Andriy relata o andamento do trabalho. Eletricidade, ventilação, pintura… No momento, tudo ainda precisa ser feito dentro da igreja.

“Um modelo 3D com as dimensões exatas de todas as superfícies já foi feito. A prioridade agora é preparar o design litúrgico interior. Convido todos os especialistas interessados no projeto a participar dele”, escreveu Andriy Horbal num post na rede social.

A igreja, construída no final do século XIX, foi inicialmente o local de oração de uma comunidade católica polonesa de cerca de 30 famílias.

Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, os habitantes foram deportados e, sob o domínio soviético, o edifício foi transformado em uma fazenda coletiva. Durante muito tempo, foi usado como lixão.

Quando Mykola Horbal começou o seu projeto de renovação, 26 caminhões de lixo foram necessários para esvaziar a igreja e o terreno adjacente.

Este idoso de 80 anos quer que o templo seja dedicado a São João Paulo II. Ele espera que seja um lugar de oração, mas acima de tudo um sinal de reconciliação entre ucranianos e poloneses.

Nenhuma comunidade polaca reside mais na área, então o bispo da diocese de Lviv, D. Mieczysław Mokrzycki, escolheu confiar a igreja à comunidade greco-católica da vila.

Mykola Horbal, seu filho Andriy e muitas pessoas de boa vontade continuarão trabalhando diariamente, até o dia em que o louvor a Deus ressoará mais uma vez pelas paredes da igreja.

 

Venezuela:

No país há 40 anos, missionário testemunha crise política e sanitária

 

Há 40 anos naquele país, um missionário suíço testemunha a crise política e sanitária da Venezuela: o pe. Angelo Treccani, que trabalha na paróquia de El Socorro, no estado de Guarico, relatou a dramática situação da população local em matéria publicada pelo Vatican News.

Contando que a pandemia agravou ainda mais a situação social, econômica e institucional, o sacerdote a descreve, em resumo, como extremamente grave.

Papa fala da Venezuela dizendo que o povo sofre com arrogância dos poderosos, por meio de carta dirigida ao cardeal Baltazar Porras, arcebispo de Mérida e Administrador Apostólico de Caracas.

A breve carta foi escrita em 6 de janeiro por ocasião do onomástico do cardeal, já que, na solenidade da Epifania do Senhor, recordam-se os três reis do Oriente que foram visitar Jesus em Belém – e um deles se chama Baltazar.

Francisco afirma, em sua missiva, que o povo da Venezuela está sofrendo não só com a pandemia de covid-19, mas também com “a arrogância dos poderosos” e com “a crescente pobreza que o estrangula”.

Diz a carta: “Neste dia da manifestação da humildade de Deus, que se torna a luz que vence as trevas que recobrem o mundo, envio-lhe, querido irmão, os meus parabéns pelo seu onomástico e também a minha oração a nosso Senhor pelo seu ministério episcopal e pelas suas necessidades pessoais”.

 “Peço que Deus continue lhe dando forças e parrésia para que saiba acompanhar e consolar, com coração de pai, o seu santo povo fiel, colocado à prova pelo sofrimento decorrente do flagelo da pandemia, da arrogância dos poderosos e da crescente pobreza que o estrangula”.

 “Ao confiá-lo à proteção de Nossa Senhora e de São José e ao patrocínio do santo rei Baltazar, concedo-lhe com afeto a bênção apostólica”.

Papa pede esforços para evitar ‘sofrimento’ dos venezuelanos

 

ÁSIA

 

Afeganistão:

Igreja Católica em Portugal preparada para acolher refugiados,

sem esquecer os que lá ficaram

 

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana afirmou a disponibilidade da Igreja Católica em Portugal para participar no acolhimento de refugiados vindos do Afeganistão.

“Com o apoio da Cáritas e o envolvimento da Conferência Episcopal faremos o que pudermos para auxiliar os que chegarem”, disse D. José Traquina, em declarações à Agência Ecclesia.

O bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, da Igreja Católica em Portugal, reconhece que não é essa a verdadeira preocupação neste momento.

“A nossa verdadeira preocupação são os que estão lá, e não sabemos como vai ser o futuro daquele país”, acrescentou.

O responsável pelo setor social da Conferência Episcopal Portuguesa manifestou-se preocupado pela falta de respeito pela dignidade das pessoas e reconhece que esta é a hora da solidariedade, mas também do diálogo.

“Desejamos que o diálogo seja a solução para a resolução dos problemas. Não são as armas ou as guerras”, afirmou D. José Traquina, esta sexta-feira, no final do ‘Recital de Agosto’, um momento musical promovido pela Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima para assinalar os 48 anos do falecimento da sua fundadora, Luiza Andaluz.

Os Talibãs tomaram o controlo do Afeganistão, chegaram à capital Cabul, no domingo, dia 15 de agosto, e preparam-se para formar um novo governo, depois da governação entre 1996 e 2001, em menos de duas semanas após o início da retirada das tropas da coligação internacional encabeçada pelos Estados Unidos da América.

 

Arménia:

Nova sede da Nunciatura Apostólica em Yerevan

 

Quando se celebram os trinta anos de relações diplomáticas entre a Santa Sé e a República Arménia, uma nova sede da Nunciatura Apostólica da Geórgia e da Arménia foi inaugurada, na capital Yerevan.

A inauguração do novo espaço – que não substitui a residência oficial em Tbilisi, Geórgia – contou com a presença do substituto da Secretaria de Estado, D. Edgar Peña Parra, refere o site Vaticannews.

A abertura da sede em Yerevan representa uma “localização provisória” em vista de uma organização “mais ampla, a fim de ter espaço suficiente para apoiar de forma adequada os múltiplos compromissos da missão da Santa Sé e da Igreja Católica na República da Armênia”, lê-se

Para a Santa Sé, é mais uma oportunidade de olhar para “a construção de uma relação próspera em benefício de todos os arménios”.

A Nunciatura Apostólica da Armênia foi instituída em 24 de maio de 1992 com a Carta Apostólica «Armeniam Nationem» de São João Paulo II, que visitou o país em setembro de 2001.

As relações entre a Igreja de Roma e a Armênia são “muito antigas”, mas ganharam força com a independência, em 1992, da Arménia.

O primeiro núncio apostólico nomeado na Arménia foi D. Jean-Paul Aimé Gobel (1993-1997), o atual representante do Papa é D. José A. Bettencourt (a partir de 2018).

 

Cazaquistão:

As bolinhas de queijo que alimentavam

as mulheres dos traidores à pátria

 

Foram 18 mil as prisioneiras que passaram pelo ALZHIR, um campo soviético construído no Cazaquistão no tempo de Estaline. Algumas delas deixaram memórias sobre esses tempos de trabalhos forçados, frio e fome. Sentindo-se injustiçadas por estarem detidas sem qualquer acusação, foi a solidariedade dos aldeões cazaques que lhes devolveu alguma fé na humanidade

De repente, as estatísticas do terror vermelho, sobretudo dos anos de Estaline como líder da União Soviética, ganham neste antigo gulag tanto rostos como nomes: calcula-se que 18 mil prisioneiras passaram por ALZHIR, acrónimo em russo para Campo de Akmola para Mulheres dos Traidores à Pátria, nos 28 anos de funcionamento.

Quando foi fundado, em finais de 1937, com o primeiro comboio com vagões cheios de prisioneiras a chegar em janeiro de 1938, ALZHIR ficava nos confins da União Soviética, a uns convenientes 2500 quilómetros de Moscovo, já que a ideia era serem esquecidas. Hoje, porém, o Museu e Memorial às Vítimas das Repressões Políticas e do Totalitarismo está a meia hora de carro de Nursultan, capital do Cazaquistão desde 1997, cidade ligada ao mundo por vários voos diários. Por isso as legendas em inglês, já que há visitantes estrangeiros, muitos deles turistas, outros jornalistas, mas também chefes de Estado, como o presidente polaco, que em 2017 aqui esteve.

Os invernos no Norte do Cazaquistão podem ser terrivelmente frios. Em Nursultan, antiga Astana, os 50ºC negativos são, aliás, uma das marcas da moderna cidade, batizada com o primeiro nome do homem que liderou em 1991 o processo de independência do país, Nursultan Nazarbaiev. Em Akmola, as prisioneiras tiveram de se habituar às temperaturas baixas, que tornavam ainda mais dura uma existência com roupa insuficiente e uma alimentação à base de hortaliças e batatas. São muitas as memórias de sobreviventes que descrevem a penúria em ALZHIR. E até há livros escritos por prisioneiras famosas, atrizes como Tatyana Kirillovna, um grande nome do cinema soviético, onde a vida no gulag é contada (a autobiografia está numa vitrina junto à sua foto).

As recordações de uma prisioneira chamada Gertrude Platays, provavelmente uma alemã étnica, descendente dos agricultores vindos para o Império Czarista no tempo de Catarina, a Grande, revelaram como os camponeses cazaques das imediações de ALZHIR tentaram ajudar aquelas mulheres, vindas, na sua maioria, de longe, muitas delas loiras e de olhos azuis, tão diferentes dos rostos de olhos rasgados e cabelo negro que faz a beleza das mulheres do Cazaquistão.

Contou Platais que, quando trabalhava um dia nos campos, viu aproximar-se gente. Era sobretudo crianças e anciãos. Respondendo às ordens dos mais velhos, as crianças começaram a atirar pedras. Perante o desespero das prisioneiras, alguns guardas começaram a rir, dizendo que ninguém gostava delas, que todos sabiam tratar-se de inimigas do Estado.

 Platais - e isto foi contado por ela mesma aos funcionários do museu numa visita em 1990 - sentiu-se revoltada com a forma como a propaganda estalinista parecia ter sucesso até nas mais remotas aldeias soviéticas, mesmo entre estes povos da Ásia Central. E este apedrejamento durou dias, segundo ela. Até que um dia, exausta, deixou-se cair e notou que as inúmeras pedrinhas brancas acumuladas no chão tinham cheiro. Pegou numa, pareceu-lhe cheirar a queijo e provou.

Afinal, os aldeões estavam a ser coerentes com a hospitalidade que sempre foi costume dos seus e tentavam ajudar as mulheres vindas de longe a sobreviver. Discretamente, Platais encheu os bolsos e depois deu a provar o qurt a outras prisioneiras.

 

China:

Regime comunista chinês prende bispo fiel à Igreja

 

O regime comunista chinês prendeu, pela quinta vez em apenas dois anos, o bispo dom Peter Shao Zhumin, de Wenzhou, perseguido há muito tempo pelo governo por ser fiel à Igreja Católica. Segundo a agência de notícias Asia News, a última prisão havia sido em 2018. Em maio de 2017, ele havia ficado preso durante absurdos sete meses.

Dom Peter é perseguido pelo regime ateu de Pequim porque se recusa a sujeitar-se à assim chamada Associação Patriótica Católica Chinesa, uma entidade criada pelo Partido Comunista Chinês para forçar a ruptura dos vínculos entre os católicos e a Santa Sé, mantendo-os sob vigilância e controle do regime. Os bispos, sacerdotes, freiras, religiosos e fiéis que se mantêm fiéis à Igreja passam a sofrer contínuas vexações, assédios e violências. A pressão também inclui prisão domiciliar e corte no fornecimento de água, luz e gás em suas residências.

O bispo terá agora de enfrentar mais um período de interrogatórios e “doutrinação comunista”. Ele sofrerá novas pressões para submeter-se à “igreja oficial”, aderindo à Associação Patriótica Católica Chinesa e, por conseguinte, separando-se na prática da Igreja Católica verdadeira.

As prisões anteriores de dom Peter ocorreram em datas relevantes para os católicos, como o Natal, a Páscoa e a Assunção de Nossa Senhora. Desta vez, ele foi preso a poucos dias das celebrações de Todos os Santos e de Finados, períodos em que a diocese costuma organizar muitas Missas, terços e orações comunitárias pela alma dos falecidos.

De fato, nos últimos anos, o regime vinha proibindo os fiéis de entrarem no cemitério de Wenzhou: as autoridades chegaram a instalar cercas de ferro no local para impedir as visitas.

A comunidade católica da China pede orações pela libertação do bispo, para que “nosso Senhor lhe dê confiança e coragem” e para que ele “permaneça saudável e lúcido, sob a orientação de Cristo”.

O partido comunista chinês prendeu também sete padres e treze seminaristas católicos fiéis à comunhão com Roma na prefeitura apostólica de Xinxiang, que não é reconhecida pelo governo comunista chinês. Para a ditadura chinesa, as atividades do bispo dom Zhang Weizhu e dos outros católicos presos são “ilegais” e “criminosas”.

O ato abertamente persecutório do governo comunista contra a religião católica foi perpetrado em maio, quando cerca de 100 policias cercaram uma fábrica em cujas instalações funcionava um seminário diocesano. A fábrica foi fechada e seu dono também foi preso.

Após a detenção, os seminaristas foram mandados para casa, proibidos de continuar estudando teologia católica. Seus pertences, assim como os dos sacerdotes também presos, foram confiscados.

 

Coreia do Sul:

Papa recebeu presidente

 

O Papa recebeu no Vaticano o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, com quem debateu a situação na região, deixando apelos à paz e ao diálogo.

A Santa Sé informa, em comunicado divulgado após a audiência privada de cerca de 25 minutos, que os dois responsáveis “partilham a esperança de que o compromisso comum e a boa vontade favoreçam a paz e o desenvolvimento na Península da Coreia, sustentados pela solidariedade e a fraternidade”.

Moon Jae-in ofereceu ao Papa uma cruz feita de arame farpado da zona desmilitarizada na fronteira com a Coreia do Norte, como “símbolo da paz”.

Francisco entregou ao presidente sul-coreano uma medalha de bronze e cópias de várias das suas mensagens sobre a paz e a pandemia.

Segundo o Vaticano, as duas partes “manifestaram satisfação pelas boas relações” existentes e o “contributo positivo que a Igreja Católica oferece à sociedade”, em particular na “promoção do diálogo e da reconciliação entre os coreanos”.

Moon Jae-in reuniu-se ainda com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, acompanhado por D. Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados.

Em cima da mesa estiveram temas ligados à “atualidade regional e a emergências humanas”.

 

Dubai:

Pavilhão da Santa Sé na Expo 2020

promove encontro entre «a estética, a ciência e a fé»

 

A Santa Sé está presente na Expo 2020, no Dubai, com um pavilhão que promove o encontro entre “a estética, a ciência e a fé” sob a bandeira da fraternidade e do diálogo inter-religioso.

O Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé) informou que o desejo do Papa Francisco é dar continuidade à Declaração sobre a Fraternidade Humana para a paz mundial e a convivência comum.

Em comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o organismo aponta como símbolos “dois encontros históricos”, entre São Francisco de Assis e o sultão egípcio Malik Al-Kāmil, há 800 anos, e o encontro do Papa Francisco com o Grande Imam Ahmad Al-Tayyib, xeque de Al-Azhar (Egipto), a 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi.

“Apesar da pandemia de Covid-19 e da crise económica, a escolha foi estar presente com a sobriedade que tem caracterizado os pavilhões do Vaticano das edições anteriores, também por se tratar da primeira Exposição Universal celebrada num país do Médio Oriente com maioria muçulmana”, acrescenta a nota.

A ‘Expo 2020’, no Dubai, Emirados Árabes Unidos, abriu portas esta sexta-feira e termina a 31 de março de 2022, depois de ter sido adiada um ano por causa da pandemia.

O Conselho Pontifício para a Cultura adianta que o Dia Nacional da Santa Sé vai ser celebrado a 19 de março de 2022.

‘Aprofundando a Conexão’ é o tema do pavilhão, para enfatizar a necessidade de construir relações cada vez mais solidárias entre povos, culturas e crenças, a partir do tema geral desta mostra ‘Conectando mentes, Criando o Futuro’ que congrega mais de 190 países.

O Conselho Pontifício para a Cultura informa que a composição do pavilhão – projetado por monsenhor Tomasz Trafny e o arquiteto Giuseppe Di Nicola – tem uma reprodução do fresco de Giotto ‘Francesco encontra o Sultão’, presente na Basílica de Assis, uma vídeoinstalação e a exposição da edição da Declaração da Fraternidade de Abu Dhabi, editada pela Livraria do Vaticano.

Segundo o organismo da Santa Sé, de “particular importância” é a exibição de originais de alguns manuscritos importantes da Biblioteca Apostólica do Vaticano, que também produziu um pequeno documentário, como: O início de uma tradução árabe (ca. 800-830) das tabelas manuais de Theon Alexandrinus (fragmento proveniente de Bayt al-Ḥikmah em Bagdá); 2) o Liber Abbaci de Leonardo Pisano (Fibonacci, c. 1170 – c. 1250) sobre a introdução de números árabes no Ocidente; Observações sobre a reforma do calendário gregoriano pelo astrônomo português Tomás de Orta (†1594).

Os visitantes, que vão ser recebidos e acompanhados pela Juventude Franciscana, também vão poder ver uma reprodução da ‘Criação de Adão’ de Michelangelo da Capela Sistina, uma versão digitalizada da Torre dos Ventos feita pela NTT Data, e alguns uniformes da Guarda Suíça.

 

Índia:

Papa recebeu primeiro-ministro indiano,

Narendra Modi

 

O Papa recebeu em audiência o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para uma conversa que durou cerca de uma hora. Os dois responsáveis destacaram as “relações cordiais” entre Santa Sé e Índia.

Narendra Modi reuniu-se ainda com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, acompanhado por D. Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados.

O primeiro-ministro indiano ofereceu ao Papa um candelabro de prata e um livro sobre o compromisso em prol do ambiente; Francisco deu como presentes um azulejo de bronze com a frase ‘O deserto tornar-se-á um jardim’, alguns livros sobre documentos papais, a Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, e o Documento sobre a Fraternidade Humana.

Narendra Modi é o líder do partido nacionalista hindu BJP (Baratiya janata party – Partido do Povo Indiano), formado em 1980; no cargo desde 2014 e reeleito nas eleições de 2019, esta foi a sua primeira visita ao Vaticano.

O primeiro-ministro indiano anunciou que convidou o Papa a visitar o país, onde já estiveram São Paulo VI (1964) e São João Paulo II (1986 e 1999).

 

Índia:

ONG denunciam «ataques cada vez mais frequentes» contra cristãos

 

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou para os ataques contra a população cristã da Índia, divulgando um relatório da responsabilidade de várias ONG.

O documento, intitulado “Cristãos Sob Ataque na Índia”, regista, até ao momento e ao longo deste ano, cerca de três centenas de incidentes contra esta comunidade religiosa.

“No estado indiano de Madhya Pradesh há relatos de medo, depois de ativistas hindus mais radicais terem intensificado uma campanha para a reconversão dos povos indígenas ou tribais”, refere uma nota da AIS, enviada à Agência Ecclesia.

O padre Rochy Shah, porta-voz da Diocese de Jhabua, fala em pessoas assustadas à medida que vai aumentando a pressão para que “os cristãos indígenas desistam da sua fé no cristianismo”.

“Os ativistas hindus estão a fazer campanhas, exigindo ações contra padres e pastores que lideram as respetivas comunidades cristãs e ameaçam demolir as nossas igrejas, sob a falsa acusação de que elas foram construídas ilegalmente nas terras dos povos indígenas”, acrescenta o sacerdote.

O governo de Madhya Pradesh apresentou em janeiro uma lei “anticonversão”, que prevê penas de prisão até 10 anos a quem se tenha convertido de forma considerada ilegal a qualquer religião com exceção do hinduísmo.

 

Iraque:

Papa condena «vil ato terrorista»

após ataque contra primeiro-ministro

 

O Papa condenou o ataque da segunda-feira, 8 de novembro, contra a residência do primeiro-ministro do Iraque, Mustafa al-Kazemi, que considerou um “vil ato terrorista”.

O responsável político escapou ileso ao ataque com um drone, armado com uma bomba, à sua residência no centro de Bagdade.

Num telegrama enviado através do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Papa Francisco manifesta a sua solidariedade e “proximidade na oração” ao chefe de Governo do Iraque.

A mensagem deixa votos de que o povo iraquiano possa prosseguir “com sabedoria e determinação o caminho da paz, por meio do diálogo e da solidariedade fraterna”.

Na última sexta-feira decorreu uma manifestação em frente da chamada Zona Verde, de Bagdade, contra os resultados das eleições legislativas de 10 de outubro.

 

Libano:

Patriarca dos católicos sírios

alerta para possível «fim dos cristãos»

neste país e no Médio Oriente

 

O patriarca dos católicos sírios, D. Inácio José III Younan, alertou para a crise que se vive no Líbano, admitindo o “fim dos cristãos” nesse país e no Médio Oriente.

“Temos muito medo, se esta crise continuar será o fim dos cristãos no Líbano e em todo o Médio Oriente dentro de alguns anos. Normalmente quando os cristãos partem, como aconteceu no Iraque, Síria e Turquia, já não regressam”, disse o patriarca à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada à Agência Ecclesia, pelo secretariado português da AIS, D. Inácio José III Younan salienta que o Ocidente não está a fazer o suficiente para “defender as minorias no Médio Oriente”.

“O Ocidente não está a fazer com sabedoria e honestidade o que deve fazer para defender as minorias no Médio Oriente, especialmente os cristãos”, desenvolveu.

A fundação pontifícia destaca que é um aviso forte no contexto da migração dos cristãos do Líbano, um país numa profunda crise económica, social e política, onde é, cada vez mais, significativo o êxodo da população.

Os cristãos receiam que não vão poder garantir um ambiente de liberdade religiosa, nem uma vida digna para as suas famílias, no país do Médio Oriente onde calcula-se que cerca de metade da população vive abaixo da chamada linha de pobreza.

“Não podemos convencê-los a ficar”, lamenta o patriarca dos católicos sírios.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre lembra que a crise se acentuou no Líbano após a “brutal explosão acidental” no porto de Beirute, no dia 4 de agosto de 2020, que provocou mais de 200 mortos, cerca de 6500 feridos, e a destruição quase por completo de centenas de habitações, muitas que pertenciam a cristãos.

Em 2020, a fundação pontifícia apoiou com mais de 2,7 milhões de euros a reconstrução de edifícios religiosos destruídos pela explosão e destinou 2,25 milhões euros à ajuda de emergência.

O Papa Francisco evocou no Vaticano o primeiro aniversário da “terrível explosão” no Porto de Beirute, com “apelo à comunidade internacional”, pedindo que ajude o Líbano “a cumprir um caminho de ressurreição, com gestos concretos, não apenas com palavras”.

 

Nepal:

cristãos chocados com prisão de duas religiosas idosas

 

A comunidade cristã do Nepal está chocada com a prisão, há já mais de um mês e meio, de duas religiosas coreanas, ambas idosas, da Congregação das Irmãs de São Paulo de Chartres. As irmãs Gemma Lucia Kim e Martha Park estavam a trabalhar em Pokhara, a cerca de 200 quilómetros da capital, Kathmandu, quando foram detidas pelo polícia na noite de 14 de Setembro. 

Ficaram sob custódia policial durante 13 dias e foram depois enviadas para a prisão distrital após as autoridades judiciais terem negado a libertação com o pagamento de uma fiança.

O vigário apostólico do Nepal, D. Paul Simick, manifestou a sua incompreensão perante esta situação, tanto mais que as duas irmãs vinham desenvolvendo um trabalho absolutamente meritório, nomeadamente distribuindo alimentos junto das populações mais pobres e vulneráveis das favelas da região. Segundo as autoridades, as duas religiosas coreanas estariam a procurar seduzir estas populações levando-as a converterem-se ao catolicismo.

“Acreditamos que as alegações de conversões são totalmente infundadas e injustas. Este acto revela não só o fanatismo por parte daqueles que acusaram as irmãs mas também a ignorância das necessidades dos pobres”, explica o Bispo em declarações à Fundação AIS. “As irmãs são conhecidas por fazerem um trabalho exclusivamente social”, diz ainda o prelado, rejeitando qualquer actividade de proselitismo.

Pouco antes de ter falado com a Fundação AIS, o vigário apostólico do Nepal tinha visitado as duas religiosas no estabelecimento prisional para onde foram colocadas. “Estavam muito calmas e serenas. Elas não têm instalações especiais e vivem com as outras reclusas. Ambas as irmãs são idosas e eu estou preocupado com a saúde delas…”

 

Paquistão:

«Somos tratados como cidadãos de terceira»,

lamenta dirigente cristão sobre as acusações de blasfémia

 

Joel Amir Sohatra, antigo membro do Parlamento Provincial do Punjab e militante cristão paquistanês, alertou para o abuso generalizado da Lei da Blasfémia e a facilidade em acusar alguém, a partir do exemplo do casal Shagufta Kausar e Shafqat Emmanuel.

“Graças a Deus, o nosso irmão Emmanuel e a nossa irmã Kausar estão finalmente numa zona segura. Em nome da comunidade católica, gostaria de expressar a minha gratidão e agradecimento especial à União Europeia pelos seus esforços especiais”, assinalou o dirigente cristão à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O secretariado português da AIS explica que Shagufta Kausar e o marido Shafqat Emmanuel, acusados de blasfémia contra o Islão, foram recebidos num país da Europa, em agosto, depois de oito anos no corredor da morte no Paquistão.

O Tribunal Superior de Lahore decretou a inocência do casal cristão anulando a sentença de morte, após uma “batalha terrível” onde diversas organizações da Igreja e de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Fundação AIS, defenderam a sua libertação.

Em 2013, Shagufta Kausar e Shafqat Emmanuel, que viviam com os filhos na missão da Igreja de Gojra, no Punjab, foram acusados de terem enviado mensagens de texto com conteúdo considerado blasfemo a um clérigo local, através de um telefone alegadamente registado em nome de Emmanuel, em 2013.

A fundação pontifícia recorda que foi provado na justiça que ambos são analfabetos mas o tribunal declarou-os culpados de blasfémia a 21 de julho de 2013.

Joel Amir Sohatra alerta para o abuso generalizado da chamada ‘Lei da Blasfémia’ e a facilidade com que é possível acusar alguém, mesmo através de mentiras ou calúnias.

Neste contexto, realça que a situação que se vive no Paquistão “é péssima”, por causa da “discriminação” que atinge as minorias religiosas, e que a “comunidade cristã enfrenta a pior das situações”, os cristãos estão a ser tratados “como cidadãos de terceira categoria”.

A fundação pontifícia assinala que o casal Shagufta Kausar e Shafqat Emmanuel foi defendido por Saiful Malook, o advogado de Asia Bibi, a mulher cristã paquistanesa, mãe de cinco filhos, que também foi acusada de blasfémia, por ter bebido um copo de água de um poço, e depois de cerca de oito anos na prisão, foi libertada em 2018, pelo Supremo Tribunal do Paquistão, e agora vive com a família no Canadá.

No seu relatório sobre liberdade religiosa no mundo 2021, a AIS afirma que a religião no Paquistão “continua a ser uma fonte de discriminação e de negação de direitos”, a discriminação, a blasfémia, o rapto de mulheres e raparigas, e as conversões forçadas assombraram “a vida quotidiana das minorias religiosas”.

 

Índia:

Papa recebeu primeiro-ministro indiano,

Narendra Modi

 

O Papa recebeu em audiência o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para uma conversa que durou cerca de uma hora. Os dois responsáveis destacaram as “relações cordiais” entre Santa Sé e Índia.

Narendra Modi reuniu-se ainda com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, acompanhado por D. Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados.

O primeiro-ministro indiano ofereceu ao Papa um candelabro de prata e um livro sobre o compromisso em prol do ambiente; Francisco deu como presentes um azulejo de bronze com a frase ‘O deserto tornar-se-á um jardim’, alguns livros sobre documentos papais, a Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, e o Documento sobre a Fraternidade Humana.

Narendra Modi é o líder do partido nacionalista hindu BJP (Baratiya janata party – Partido do Povo Indiano), formado em 1980; no cargo desde 2014 e reeleito nas eleições de 2019, esta foi a sua primeira visita ao Vaticano.

O primeiro-ministro indiano anunciou que convidou o Papa a visitar o país, onde já estiveram São Paulo VI (1964) e São João Paulo II (1986 e 1999).

 

ÁFRICA

 

Benim: 

A missão de iniciar uma comunidade

 

A irmã Teresa Martins, Escrava da Santíssima Eucaristia e Mãe de Deus, partilhou com a Agência Ecclesia que a congregação vai iniciar uma missão em Benim, no continente africano, e que vai ser um grande desafio.

“É uma missão que está a ser preparada pela congregação há quatro anos e o governo geral foi desafiado a ir para este país porque o nosso Carisma é a adoração, dar a conhecer Jesus Eucaristia e através também da educação formar pessoas, ao nível humano e espiritual, nas diversas dimensões da pessoa”, explica a religiosa.

A irmã Teresa Martins recordou um sacerdote, natural de Benim, que encontrou a congregação, “quando estudava em Espanha, onde está sedeada a casa geral” e pediu a presença das irmãs no seu país.

“No ano da Eucaristia divulgou-se muito e propagou-se a eucaristia, os cristãos católicos do Benim sobretudo, têm grande adoração à Eucaristia então ele fazia adoração na nossa casa e entendeu propor ao seu bispo, em Porto Novo, se recebia a congregação das irmãs, estava eu no governo geral, na altura”, lembra.

O processo foi decorrendo, a irmã Teresa Martins saiu do governo geral e sonhava ir em missão para Timor, onde já tinha estado, mas um dia a proposta chegou e o destino era Benim.

“Eu nunca pensei ir, sinto-me muito pequena, muito frágil e até muito limitada para esta missão bastante exigente que é iniciar um colégio, num novo país, que não será fácil mas eu conto com Deus eu estou aqui”, refere.

irmã foi a primeira vez a Benim em 2018 acompanhar o início do projeto e ali ficou com ideia do povo. “Foi o meu primeiro contacto direto com as pessoas e acolheram-nos bem; há um bocadinho de impacto embora não possa dizer que foi inesperado, porque já sabia que era uma população com muitas necessidades mas realmente esse foi em alguns aspetos que se pode dizer um bocadinho chocante”, assinala.

A irmã Teresa Martins afirmou as várias carências, ao nível de habitação, ao nível da alimentação e educação” mas sentiu que ali está um povo feliz, “que se contenta com o pouco que tem”.

A comunidade em Benim vai ser composta por quatro religiosas, de quatro nacionalidades diferentes, sendo a irmã Teresa Martins a única portuguesa

 

Angola:

Religiosa em missão no sul

alerta para a importância da educação

 

A irmã Violante Manuel, Missionária Reparadora do Sagrado Coração de Jesus, é natural de Angola onde se encontra em missão, e contou à Agência Ecclesia as necessidades do povo do sul do país e o grande desafio da catequese e da educação.

“Hoje é o grande desafio para nós, a educação, a catequese, dar a conhecer o nome de Jesus a todos, nós estamos num grande desafio também é hora de ir aos lugares, trabalhar e ajudar neste momento, a sensibilização para a educação é outro desafio porque o encarregado diz que o filho não pode ir à escola, porque se dedica à pastorícia”, lamenta a religiosa.

A irmã Violante, natural do norte de Angola, depara-se com estes problemas que requerem “sensibilização” e a presença constante das irmãs.

“Eu vivo na comunidade com doze meninas e vamos poder ajudar na sua educação e o desafio é fazê-las aprender a falar o português para depois poderem estudar”, explica.

A religiosa, professora do 1º ciclo, sente esta grande dificuldade na área da educação mas dá o exemplo que tem duas jovens a frequentar o 11º ano, uma realidade “muito gratificante”.

Em missão no sul de Angola, em Namibe, onde o “povo é nómada”, a irmã Violante refere a pobreza com que vivem, numa zona desértica, onde “vivem da pesca” e não é possível cultivar.

“A população é carente de tudo, em Angola quando não se cultiva há muita fome, a maioria vive da pesca e é difícil a sobrevivência, há gente com fome e muitas vezes nós não conseguimos dar resposta às necessidades da população”. Lamenta.

 

Cabo Verde :

Missão «muito pobre» leva franciscano

a «restaurar matrimónios e famílias»

 

O franciscano Sérgio Pinheiro esteve quatro meses em missão em Cabo Verde e contou à Agência Ecclesia que os grandes desafios foram “estruturar a paróquia”, percorrer longas distâncias e “restaurar matrimónios e famílias”.

“O trabalho que fizemos foi organizar a catequese, estruturar a paróquia e também no trabalho junto dos casais, ajudar a restaurar os próprios matrimónios mas sobretudo restaurar as famílias porque quando não há famílias, nem adultos responsáveis, não se constrói o futuro”, explica o franciscano.

No caminho para o diaconado, Sérgio Pinheiro esteve quatro meses na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, “numa das paróquias mais pobres”, onde além de pobreza material o religioso aponta a “pobreza cultural, de educação e infraestruturas”.

“Uma missão por ser pobre é que nos alegra, que nos dá muita vontade de lá permanecer e eu sempre tive o desejo de ser missionário, desde a altura da minha formação”, recorda.

A reestruturação da paróquia de São João Batista foi “o grande desafio” da sua estadia, no serviço que faziam, “percorrendo grandes distâncias para dar assistência às pessoas”.

“As pessoas procuram sobretudo a presença e depois, claro, a conversa e o gesto simples, às vezes o abraço, o sorriso, o poder falar a língua deles, eles ficaram impressionados, era uma coisa que aprendi com amigos Cabo Verdianos, ainda em Portugal, uma mais valia para chegar mais facilmente ao coração das pessoas”, refere.

 

Cabo Verde:

Marcelo Rebelo de Sousa visitou primeira igreja católica do arquipélago

 

O presidente da República Portuguesa visitou a igreja de Nossa Senhora do Rosário, no centro da Cidade Velha da Praia, em Cabo Verde.

Esta foi a primeira igreja católica do arquipélago, construída em 1495.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido pelo presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, Nelson Moreira, e pelo presidente do Instituto do Património Cultural, Hamilton Jair Fernandes.

“O presidente da República ficou a conhecer as obras de restauro da Igreja, construída há mais de cinco séculos”, indica uma nota divulgada pela Presidência portuguesa.

As obras de reabilitação no edifício foram concluídas em julho do ano passado, com o apoio do Fundo de Turismo de Cabo Verde, tendo a capela gótica sido restaurada com apoio português, nomeadamente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

 

Etiópia: 

Missionário católico alerta que situação piorou em Kombolcha

e população tem de «fugir»

 

Um missionário católico na Etiópia alertou, em mensagem enviada à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que “as coisas estão a piorar” na cidade de Kombolcha e muitos têm de “fugir”.

“Agora estou sozinho com os vigias, vou ver se também posso fugir. A guerra está agora mais difícil”, explicou o missionário, que ia tentar fugir em 2 de novembro, na mensagem enviada à diretora de comunicação da Fundação AIS, Maria Lozano, a quem pede orações de todos pelo povo etíope.

A fundação pontifícia contextualiza que se agravou o conflito armado entre as forças do governo e a Frente de Libertação do Povo Tigray.

Segundo o sacerdote católico na última semana de outubro registou-se um aumento considerável de pessoas em fuga, agravando a “muito delicada situação humanitária” na região etíope de Kombolcha, nomeadamente ao nível alimentar.

“Ouvimos bombas a cair nas montanhas, as coisas estão a ficar muito difíceis, não conseguimos dormir, estamos vigiando. Há toque de recolher entre as 18h00 e as seis da manhã, mas fora desse período, estamos a tentar acompanhar a evolução”, relatou numa mensagem anterior.

O missionário explicou que as pessoas tentam fugir para a capital, Adis Abeba, mas os elementos da Igreja insistiram em ficar: “Nós, os padres, estamos aqui com as pessoas, para ver como as coisas evoluem.”

“Na nossa pequena cidade de Kombolcha, temos mais de quatro mil deslocados internos, estando muitos outros nas cidades vizinhas; Temos testemunhado muito sofrimento, com muitas pessoas a morrer, outras a ficarem desalojadas, sem comida, água, medicamentos ou abrigo”, desenvolveu na mensagem anterior.

Os combates entre as forças governamentais e os elementos separatistas da Frente de Libertação do Povo Tigray começaram no dia 4 de novembro de 2020, e a fundação AIS adianta que “já provocaram numerosas vítimas mortais e um número assinalável, na ordem dos milhares, de deslocados internos”.

A AIS assinala que esta região está “praticamente isolada do resto do mundo”, o que aumenta o “sentimento de insegurança das populações”; Em julho, a ONU considerou, que há cerca de 400 mil pessoas em risco de fome na região de Tigray.

A Etiópia tem duas comunidades religiosas principais, os cristãos, com cerca de 60% da população, e os muçulmanos, que representam quase 35%, e no entanto, tem uma riquíssima tradição, sendo mesmo considerado como o mais antigo país cristão independente do mundo.

O Santo Padre, numa das audiências dominicais de novembro, pediu orações pelo povo da Etiópia.

 

Líbia:

Papa denuncia condições «desumanas»

que migrantes e refugiados enfrentam na

 

O Papa denunciou no Vaticano as condições “desumanas” com que “milhares de migrantes, refugiados” e outras pessoas que precisam de proteção estão detidas na Líbia.

“Não vos esqueço nunca, ouço os vossos gritos e rezo por vós”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus.

Francisco referiu que “muitos destes homens, mulheres e crianças são submetidos a uma violência desumana”.

“Mais uma vez peço à comunidade internacional que cumpra a promessa de procurar soluções, concretas e duradouras para a gestão dos fluxos migratórios na Líbia e em todo o Mediterrâneo”, acrescentou.

O Papa criticou as devoluções forçadas de migrantes e refugiados para a Líbia, onde ficam em centros de detenção geridos pela Direção de Combate à Migração Ilegal.

“Quanto sofrem os que são devolvidos, há verdadeiros ‘lager’, lá”, alertou, evocando os campos de detenção nazi, na II Guerra Mundial.

É preciso colocar um ponto final ao regresso dos migrantes para países não seguros, dando prioridade ao socorro das vidas humanas no mar, com dispositivos de resgate e desembarque previsíveis”.

Francisco pediu aos responsáveis internacionais que garantam condições dignas de vida aos migrantes, “com alternativas à detenção, vias regulares de migração e acesso aos procedimentos de asilo”.

“Sintamo-nos todos responsáveis por estes nossos irmãos e irmãs, que há demasiado anos são vítimas desta gravíssima situação, e rezemos juntos, por eles, em silêncio”, concluiu.

A Comissão Independente de Inquérito da ONU denunciou no início de outubro, num relatório, graves violações dos Direitos Humanos desde 2016, por parte de responsáveis líbios e estrangeiros, estatais e não estatais.

O país africano é ponto de passagem para centenas de milhares de migrantes que procuram alcançar a Europa, através do Mediterrâneo.

 

Moçambique:

Bispo missionário quer «recuperar» tempo,

após pandemia, com visitas às famílias

 

D. Diamantino Antunes, missionário da Consolata e bispo de Tete (Moçambique) desde 2019, disse à Agência Ecclesia que “quer recuperar o tempo” em que não podia fazer celebrações comunitárias, devido à pandemia, e aposta na visita às famílias.

“A minha missão de pastor é animar a pastoral local nesta grande diocese e responder aos desafios novos que a realidade moçambicana nos coloca; como bispo tenho o dever de testemunhar, animar e estar presente, apesar destes dois últimos anos terem sido difíceis, devido às igrejas fechadas, tenho marcado presença, e agora com a reabertura ando em ritmo acelerado para recuperar tempo”, referiu o missionário português à Agência ECCLESIA.

D. Diamantino Antunes explica que as “pessoas são muito abertas do ponto de vista ecuménico” e a ver “o bispo a chegar a casa das pessoas é algo que nunca tinham visto”.

“Existe um ecumenismo prático e pluralismo religioso muito intenso o que leva ao respeito e tolerância muito grandes, eu não vou para fazer proselitismo mas para pôr em prática o diálogo que deve existir nas diversas igrejas”, afirma.

Um dos projetos que o bispo missionário tem acompanhado é a “Fazenda da Esperança”, para “dar oportunidade de recuperação aos jovens vítimas de álcool e drogas”.

“Na minha vida missionária sempre me preocupei com os jovens, são o presente e o futuro deste país, mais de metade da população tem menos de 18 anos”, precisa.

O entrevistado explica que o governo moçambicano tem apostado na formação dos jovens mas que há outras áreas em que é “carente” e o fenómeno do toxicodependência e alcoolismo “é uma realidade muito espalhada e maior do que parece”.

“Não há estruturas de recuperação onde os jovens se possam libertar e são um peso muito grande para as famílias, muitas vezes desesperadas”, indica.

 

Nigéria:

Papa condena violência no norte do país

 

O Papa manifestou a sua “dor” perante os recentes ataques contra aldeias no norte da Nigéria, que provocaram mais de 30 mortes.

“Rezo pelos que morreram, os feridos e por todo o povo nigeriano. Desejo que seja sempre garantida, no país, a incolumidade de todos os cidadãos”, disse, no final da audiência pública semanal, que decorreu no Auditório Paulo VI.

O ataque de terroristas num domingo à noite provocou a morte de 34 pessoas, no Estado de Kaduna, região castigada pela violência há vários anos.

 

São Tomé e Príncipe:

O Banco de Leite nasceu numa noite inspirada

 

Frei Fernando Ventura, missionário Capuchinho, contou à Agência Ecclesia como nasceu o projeto “Banco de Leite” de São Tomé e Príncipe, uma missão que tem defendido há mais de 10 anos.

“Fui a São Tomé e Príncipe, há cerca de 11 anos, para dar uma formação bíblica e, numa de noite à conversa com o bispo, D. Manuel António, ele confessou a aflição do orfanato, casa dos meninos, só ter leite para aquele mês”, recorda o religioso.

O entrevistado regressou a Portugal, “passou a mensagem” e, passados 10 dias, já tinha a promessa de leite para vários meses. “Houve uma grande reação imediatamente dos Açores, da Ilha de São Miguel, onde está criado e funciona o grupo de “ilha para Ilha”, veio logo a primeira e grande ajuda das indústrias leiteiras da zona e por isso costumo dizer que o banco de leite de São Tomé é filho de São Miguel”, explica.

O Banco de Leite não parou de crescer e frei Fernando Ventura tem mantido esta missão como sua e destaca ainda o “Projeto de Desenvolvimento Integrado de Lemba, nas Neves – S. Tomé e Príncipe”, que teve conhecimento através da iniciativa.

“O PDIL – Projeto de Desenvolvimento Integrado de Lemba, nas Neves – S. Tomé e Príncipe, envolve 1.200 crianças e 250 idosos, onde são confecionadas refeições diariamente, existe cozinha, escola e carpintaria, um trabalho notável e onde também há a necessidade do leite para as crianças”, conta.

O Banco de Leite, também atua em Portugal, através da associação Amparo da Criança – Associação de Solidariedade Social, e, mais recentemente, a Cabo Verde.

 

AMÉRICA

 

Brasil:

Cidade brasileira cria o Dia Municipal do Terço dos Homens

 

O município litorâneo de Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, aprovou a criação do Dia Municipal do Terço dos Homens, a ser celebrado no dia 16 de outubro. O projeto do vereador Cristian Bota obteve o apoio unânime da Câmara e segue agora para a sanção do prefeito, Aguilar Júnior.

O autor justificou o projeto ressaltando os benefícios que a tradição do Terço dos Homens potencializa na vida das famílias envolvidas:

 “O terço fortalece a religiosidade [dos homens] e pode ter a participação de mulheres, além de unir a família e despertar a harmonia entre as pessoas da sociedade”.

O vereador expôs ainda um testemunho pessoal sobre o papel do Terço dos Homens na sua experiência com Deus, recentemente, enquanto enfrentava a covid-19:

“Sou testemunha viva do bem que a fé nos faz. Recentemente, passei 19 dias internado com covid e senti a importância de crer em Deus para superar os desafios e as barreiras que surgem em nossas vidas. Muitas igrejas realizam semanalmente o Terço dos Homens, que é um grande incentivo para que mais homens venham a fazer parte deste importante movimento”.

De fato, o movimento a que ele se refere é composto por grupos locais de homens que se reúnem para rezar o terço na própria comunidade. A iniciativa tem crescido e se expandido consideravelmente pelo Brasil nos últimos anos.

O Instituto dos Padres de Schoenstatt, por exemplo, tem no “Terço dos Homens Mãe Rainha” um dos seus mais fortes apostolados, com grupos espalhados pelo país inteiro e que contam com o apoio específico de um sacerdote assessor.

O pe. Vandemir Jozoé Meister, membro do Instituto de Schoenstatt e assessor nacional do Terço dos Homens Mãe Rainha no Brasil, divulgou recentemente aos homens que participam dessa transcendente iniciativa a seguinte mensagem:

“Maria convida-nos a um olhar sincero e honesto para nossas realidades. Cada vez que olhamos para seu rosto, percebemos que Ela nos olha, indiferentemente do ângulo de que nós a ‘espiamos’. Vemo-La e contemplamos o rosto materno da Mãe de Deus; rosto alegre, terno, mas, ao mesmo tempo, um rosto que nos olha e olha para a realidade do dia a dia. Quando olhamos, como Maria, para a realidade, encontramos desafios que nos animam a buscar respostas e empreender soluções.

Nossos grupos do Terço dos Homens são verdadeiros espaços de vida. São verdadeiras casas, espaços de ternura e misericórdia. Ali nos sentimos bem em oração; como irmãos do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, unidos através de sua Mãe, Maria.

 

Canadá:

Bispos católicos fazem «pedido inequívoco de desculpas»

aos povos indígenas

 

A Conferência Episcopal do Canadá publicou um “pedido inequívoco de desculpas” aos povos indígenas do território, numa nota em que aborda envolvimento histórico da Igreja Católica nas escolas residenciais.

“Juntamente com as entidades católicas que estiveram diretamente envolvidas no funcionamento das escolas residenciais e que já pediram as suas sinceras desculpas, nós, os bispos católicos do Canadá, manifestamos o nosso profundo remorso e apresentamos um pedido inequívoco de desculpas”, referem os responsáveis, numa nota publicada após a Assembleia Plenária do organismo episcopal, que se encerrou na última sexta-feira.

Em 2021 foram descobertas centenas de sepulturas anónimas junto de antigas escolas residenciais indígenas; várias destas instituições pertenciam à rede de escolas administrada pela Igreja Católica, destinadas à “reeducação” de crianças indígenas, com o apoio do Governo canadiano.

“Reconhecemos os graves abusos cometidos por alguns membros de nossa comunidade católica: físicos, psicológicos, emocionais, espirituais, culturais e sexuais. Reconhecemos igualmente, com tristeza, o trauma histórico e contínuo, bem como o legado de sofrimento e os desafios que perduram até hoje para os povos indígenas”, acrescenta o comunicado dos bispos católicos do Canadá, dirigido aos povos indígenas (Primeiras Nações).

A nota admite que o sistema implementado nestes internatos, nos séculos XIX e XX, “levou à supressão das línguas, cultura e espiritualidade autóctones, sem respeitar a rica história, tradições e sabedoria dos povos indígenas”.

A Igreja Católica assume o compromisso de promover uma arrecadação de fundos em todas as regiões do Canadá para apoiar “iniciativas assumidas localmente com os parceiros indígenas”.

Uma delegação de povos indígenas vai encontrar-se com o Papa em dezembro, para promover um momento de “diálogo e cura”.

Francisco vai promover “reuniões pessoais com cada um dos três grupos distintos de delegados – Primeiras Nações, Métis e Inuit -, assim como uma audiência final com todos os delegados, juntos, no dia 20 de dezembro”.

A 6 de junho, o Papa reagiu no Vaticano à descoberta de restos mortais de 215 crianças numa instituição católica.

“As autoridades políticas e religiosas do Canadá devem continuar a colaborar com determinação para fazer luz sobre este triste acontecimento, empenhando-se humildemente num caminho de reconciliação e cura”, apelou.

Em 2015, após sete anos de pesquisa, a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá divulgou um relatório sobre escolas residenciais, revelando que entre 1890 e 1996 mais de 3 mil crianças morreram por causa de doenças, fome, frio e outros motivos.

 

Colômbia:

Missão entre os grupos armados

 

O irmão José Manuel Duarte, Missionário Comboniano, esteve 13 anos em missão na Colômbia e partilhou com a Agência Ecclesia o ambiente vivido junto dos grupos armados que o fez entender melhor a realidade local.

“Fui para trabalhar na formação dos nossos estudantes mas, no primeiro ano e meio, pedi para fazer uma experiência diretamente no conflito armado, tive essa experiência do Norte da Colômbia, ali é procurar, mais do que tudo, ser uma companhia, não temos o poder de resolver grandes problemas de conflitos mas acompanhar, estar presente com as famílias, e procurar entender o que se está a passar nestes seres humanos que os leva a pegar numa arma e fazer o que fazem”, recorda o religioso.

O irmão José Manuel Duarte referiu que tinha “curiosidade” para perceber aquela realidade porque todos os dias lidava com famílias, vítimas dos conflitos, e tinha de entender as razões. “Foi uma experiência surpreendente porque descobrir em cada ser humano, que independentemente ser da guerrilha ou militar, tem a a essência de Deus, descobrir isso nessas pessoas foi um desafio para mim”, afirma.

Durante 13 anos na Colômbia o Missionário Comboniano caracteriza a missão como “rica em “muitas histórias e muitas aventuras”, num país com 48 milhões de seres humanos, uma “grande riqueza humana, mas também diversidade cultural e riqueza natural”.

Depois daquele ano e meio junto dos conflitos armados, o irmão José Manuel Duarte conseguia “entender o sofrimento” e propunha um caminho diferente, “de perdão e reconciliação”. “Nós acreditávamos que fazia falta que pedissem perdão e assim conseguimos começar a fazer vários encontros, várias reuniões com grupos de vítimas, alguns deles feitos até nas nossas próprias casas; no princípio com muita resistência, porque havia muito sofrimento, muita mágoa, a falar de famílias que foram muito muito sacrificadas”, explica.

O religioso aponta que, na realidade atual do país, quando se fala de paz fala-se destes grupos que” já trabalham pela paz da Colômbia” e esse é a grande esperança do país.

Apesar de muito sofrimento e violência a que assistiu o Missionário Comboniano aponta os “momentos muito fortes de alegria”. “Quando víamos que as pessoas mudavam de grupo, saiam dos grupos armados, quando as vítimas começavam uma vida de reconciliação e conseguiam superar essas dores era uma alegria, este é um povo muito positivo, muito alegre, tem uma história cultural muito rica, de música, de arte, dança e folclore muito rico, então são pessoas com uma resiliência muito própria”, precisa.

Até ao ano 2000 os portugueses na Colômbia eram, no máximo 40, e até se “reuniam através da embaixada”.

“Depois do ano 2000 chegaram muitos portugueses, eram já cerca de dois ou três mil portugueses e sentimos a necessidade de criar a casa portuguesa para ajudar também os que chegavam em serviços e a ser mais fácil a inculturação”, conta.

 

Estados unidos da América:

 já são 40 ataques contra igrejas católicas em 2021 – só até setembro

Diocese of El Paso

 

Já são 40 ataques contra igrejas católicas registrados em território norte-americano ao longo de 2021 – só até setembro.

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) divulga em seu site um relatório que enumera as igrejas católicas atacadas no país desde maio de 2020, o que totaliza pelo menos 95 episódios – apenas entre os casos conhecidos e confirmados.

No período de janeiro de 2021 até a primeira semana de setembro, já são 40 registros. Em 29 estados do país houve igrejas que sofreram incêndios criminosos e atos diversos de vandalismo, que incluem de pichações a decapitação de imagens sacras.

A presidência do episcopado norte-americano considera que “a nação vive um momento extraordinário de conflito cultural”. E acrescenta que “o caminho que devemos seguir é o da compaixão e da compreensão praticada e ensinada por Jesus e por sua Santa Mãe”. Os bispos pedem que, “em vez de destruir, contemplemos as imagens desses exemplos do amor de Deus”, para adotarmos o modelo de Jesus e “respondermos à confusão com compreensão e ao ódio com amor”.

O comunicado dos bispos também exorta os fiéis a rezarem pelos vândalos, sejam eles “indivíduos problemáticos clamando por ajuda” ou “agentes do ódio que procuram intimidar”. Seus ataques, afinal, “são sinais de uma sociedade que precisa de cura”.

O episcopado observa que “as ações humanas são claras, mas os motivos ainda não são”. Esse contexto de vandalismo, no entanto, é uma “oportunidade para testemunharmos a nossa esperança no Senhor, cuja beleza se revela na Cruz”.

O ato mais recente de vandalismo registrado no site da USCCB é de 5 de setembro, quando criminosos picharam placas, portas e paredes da igreja de São Luís em Louisville, no Colorado, como represália à entrada em vigor da Lei do Batimento Cardíaco no Texas. Essa lei impede a execução de abortos naquele estado quando os médicos constatam as batidas do coração do bebê em gestação.

A defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural tem sofrido furiosos ataques de vários grupos de ativistas ideológicos que apelam para narrativas “pró-direitos”, muito embora se trate de direitos inexistentes como o de exterminar um bebê em gestação.

Entre os que utilizam essa narrativa para atacar explicitamente a defesa da vida estão desde o presidente democrata Joe Biden até seitas satânicas que, pasmem, advogam pelo “direito” de executar abortos como “ritos sagrados”. A este respeito, confira as matérias recomendadas logo abaixo deste artigo.

Não deixa de chamar a atenção a significativa ligação entre ataques a igrejas católicas e ataques à vida humana.

 

Estados Unidos da América:

Núncio pede clemência, em nome do Papa,

 para condenado à morte.

 

O núncio apostólico nos Estados Unidos da América (EUA), D. Christophe Pierre, pediu que não seja executada a sentença de morte contra Ernest Johnson, de 61 anos, como sinal da “sacralidade da vida humana”.

“Em nome do Papa Francisco, peço-lhe sinceramente que interrompa a execução do senhor Ernest Johnson”, escreveu o núncio numa carta ao governador do Estado norte-americano do Missouri, Michael I. Parson.

D. Christophe Pierre explica que o pedido “não se baseia nos fatos e circunstâncias dos crimes” de Ernest Johnson mas deseja centrar-se na sua “humanidade” e na “sacralidade de toda vida humana”.

O núncio apostólico nos EUA citou a encíclica ‘Fratelli Tutti’, do Papa Francisco: “Não desabafe o desejo de vingança contra as atrocidades dos pecadores, mas transforme sua vontade em curar as feridas”.

O responsável católico assinalou que o Estado do Missouri teve posições corajosas em apoio à dignidade da vida e salienta que que rejeitar a aplicação da pena de morte no caso de Ernest Johnson, de 61 anos, seria “um reconhecimento igualmente corajoso da dignidade inalienável da pessoa humana”.

O portal ‘Vatican News’ informa que a carta foi divulgada pela irmã Helen Prejean, religiosa norte-americana da Congregação das Irmãs de São José, que há quase 30 anos luta contra a pena de morte nos Estados Unidos da América.

Ernest Johnson foi condenado por matar três pessoas durante um assalto a um supermercado, em 1994; Os advogados pedem que a pena capital não seja executada porque ele tem uma deficiência intelectual.

Os Estados Unidos procederam à primeira execução federal de um prisioneiro no “corredor da morte” em 17 anos, através de uma injeção letal, a 14 de julho de 2020, e os bispos católicos dos EUA promoveram uma recolha de assinaturas online para travar as execuções federais.

Em agosto de 2018, o Papa Francisco ordenou a alteração do número do Catecismo da Igreja Católica relativo à pena de morte, cuja nova redação sublinha a rejeição total desta prática; No ano anterior defendeu a “condenação enérgica da pena de morte”, um encontro com membros do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

“A Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa, e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo”, pode ler-se, agora, no n.º  2267 do Catecismo.

 

Haiti:

Papa alerta para «abandono» deste país

e evoca sofrimento da população

 

O Papa Francisco criticou no Vaticano o “abandono” de que sofre a população no Haiti, atingida por tragédias naturais, crises políticas e económicas.

“Peço aos responsáveis das nações que apoiem este país, não o deixem só”, referiu, após a recitação da oração do ângelus de 31 de outubro, considerando que a população haitiana “vive em condições limite”.

Francisco deixou um apelo aos peregrinos que se reuniram na Praça de São Pedro: “Quando voltardes a casa, procurai notícias sobre o Haiti e rezai, rezai muito”.

A intervenção falou de testemunhos de missionários camilianos, divulgados num programa da Igreja Católica na televisão italiana.

“As coisas que nos dizia, quanto sofrimento, quanta dor nesta terra. E quanto abandono”, assinalou o Papa. “Não os abandonemos”, acrescentou.

Um dos missionários, o padre Antonio Menegon, disse ao portal ‘Vatican News’ que a situação na ilha é “cada vez mais dramática” não só por causa do terramoto de 14 de agosto e da passagem da tempestade Grace, mas sobretudo “pelo agravamento da violência e dos gangues armados, que já tomaram conta e efetivamente governam o país”.

O Papa aludiu ainda às cheias das últimas semanas, no Vietname, “com milhares de deslocados”.

“A minha oração e o meu pensamento vão para as muitas famílias que sofrem, juntamente com o meu encorajamento para as autoridades do país e a Igreja local, que se estão a empenhar para responder a esta emergência”, declarou.

 

México:

Abertura do processo de canonização do "Inge Arturo"

 

O Cardeal D. José Francisco Robles Ortega, da diocese de Guadalajara (México), promulgou um edital anunciando a próxima abertura do Processo Diocesano de Canonização do leigo, engenheiro e professor Arturo Álvarez Ramírez.

Por meio de um edital, a Arquidiocese de Guadalajara exorta os que o conheceram a relatar as razões pelas quais ele deve ou não ser proclamado santo.

Arturo Álvarez Ramírez faleceu em 28 de novembro de 1992, com fama de santidade. Foi professor de Química na Universidade de Guadalajara (UdeG) por mais de trinta anos.

Conheceu o Opus Dei em 1963 e a sua incorporação definitiva data de 1974. Teve a oportunidade de conhecer S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, em Roma, e o Beato Álvaro del Portillo, que lhe fez ver o privilégio que tinha de poder conduzir os outros a Deus através do seu trabalho.

Era um homem com grande amor a Deus, devoto da Sagrada Eucaristia e com profundo sentido de identificação com a vontade divina. Tinha uma devoção especial à Bem-aventurada Virgem Maria sob a invocação do Perpétuo Socorro.

Lutou constantemente para obter as virtudes humanas vividas no Opus Dei. Era um homem muito pontual, ordenado, dedicado ao seu trabalho; sabia ouvir e dar conselhos a todos os que se aproximavam dele. Diz-se que o seu gabinete era denominado "confessionário", porque todos os que se aproximavam se sabiam ouvidos. Sempre encorajou os seus amigos a crescerem na sua vida interior e a aproximarem-se do sacramento da confissão.

Arturo tinha uma relação constante com Deus e grande jeito no relacionamento apostólico com alunos e colegas: fazia-o com muita naturalidade e amizade. Dava aulas com alegria e gostava de cantar canções “rancheras”. Preocupava-se com os seus alunos em todas as áreas: importava-se realmente com eles e era um grande educador.

Arturo Álvarez, “El Inge” - como era conhecido entre os alunos - foi um verdadeiro professor que, com a sua humildade e a sua alma de pedagogo, incentivou os outros a aproximarem-se de Deus. Graças à sua profunda vida interior e alegria, causou um impacto muito para lá das paredes da sua sala de aula.

 

México:

«Pastoral del Amor», uma missão

 

A irmã Lucia Pinheiro, Concepcionista ao Serviço dos Pobres, natural do México, encontra-se em missão no próprio país, e contou à Agência Ecclesia o significado da “pastoral do amor”.

“A “Pastoral del amor”, como aqui dizemos é a proteção que damos a pessoas especiais, nesta casa a pessoas com deficiência, são cerca de 60, a quem tentamos, o melhor possível, dar dignidade, ser presença e dar carinho, porque muitos são abandonados pelas famílias”, explica.

A missionária, que sempre sonhou “ir em missão ad gentes”, foi chamada à missão no próprio país, na zona de Mérida Yucatán e essa realidade tornou-se “uma grande alegria”.

Há 14 anos nesta casa a acompanhar “pessoas especiais”, a irmã Lúcia Pinheiro, que ali está com três irmãs e algumas colaboradoras, conta que lá vivem pessoas com dificuldade de mobilidade, com síndrome de Down, autismo ou atraso mental, a quem dão “proteção e dignidade”.

A mim já me calhou receber aqui quatro pessoas e não é fácil porque estão ali situações muito vulneráveis, muitas com condutas agressivas que temos de mudar, é necessário muito carinho e paciência da nossa parte, podemos dizer que é muito bonito mas é difícil porque estão habituados a viver de uma maneira e quando entram nesta casa convertem a sua vida, como que voltam a nascer”.

A Missionária Concepcionista ao Serviço dos Pobres tem uma ligação especial a Portugal, onde esteve duas vezes no seu caminho de formação, e a oração diária do terço, unida a Fátima, tornou-se um “momento de serenidade”.

“Todos os dias estamos ligados a Fátima, rezamos o terço através da televisão, e tem sido um momento muito importante porque eles rezam sempre pelas irmãs e é um momento calmo”, partilha.

 

OCEANIA

 

Filipinas:

«Somos bem aceites pelo povo filipino

e chamam-nos de americanas» – irmã Regina Francisco

 

A irmã Regina Francisco, Missionária do Espírito Santo, está em missão nas Filipinas há três anos e contou à Agência Ecclesia o seu quotidiano entre a vida pastoral e as visitas ao povo indígena, que as conhecem por “freiras americanas”. 

“Somos bem aceites e chamam por nós, as irmãs, freiras ou até americanas, não é preciso apresentação, eles conhecem-nos e sabem que estamos ali para servir e isso é uma alegria, eles próprios sabem que é importante a nossa missão ali”, explica a consagrada.

A irmã Regina Francisco, de naturalidade angolana, está nas Filipinas e os seus dias são passados entre as atividades de pastoral e o apoio ao povo indígena. 

“Apesar da pandemia não podemos parar, temos a pastoral, há um centro diocesano onde vamos sempre, temos atividades, reuniões para preencher o nosso dia a dia, depois há outro lugar, trabalhamos com o povo indígena e ali ajudamos em todos os sentidos, desde a educação, higiene, moral e ajudamos as famílias até a registar as crianças quando nascem para terem acesso à escola”, explica.

A missionária reconhece que o trabalho das irmãs espiritanas junto daquele povo faz com que “sejam inseridos na sociedade”, pois sendo “nómada, vivem à beira mar” e são muitas vezes “postos de parte”. 

“Vamos fazendo visitas e damos apoio social, por exemplo há crianças que já fazem a 6ª classe, sabem ler e, na pandemia, não podíamos fazer visitas, fazíamos chegar o material e havia irmãos a ajudarem-se, é um trabalho gratificante porque estamos a ver os frutos da nossa missão e isso é muito importante para um missionário”, reconhece.

A religiosa angolana teve de aprender o inglês e já foi aprendendo a comunicar-se com o povo filipino, com o entendimento de todos, e da experiência que já tem nestes três anos considera que a “miséria está em toda a parte”.

 

Timor-Leste:

Morreu D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau

 

D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau, em Timor-Leste, faleceu em 30 de outubro no Hospital Nacional Guido Valadares (Díli), aos 71 anos de idade, na sequência de um problema cardíaco.

O responsável era bispo da segunda diocese do país lusófono desde março de 2004, após ter sido nomeado, a 30 de novembro de 1996, por São João Paulo II, como administrador apostólico de Baucau; foi ordenado bispo em 1997 e foi também administrador apostólico da Diocese de Díli.

Em 2011, tornou-se o primeiro presidente da Conferência Episcopal Timorense.

A Arquidiocese de Évora, onde o falecido bispo foi ordenado sacerdote, manifestou “profunda tristeza” perante esta notícia, destacando a ligação que D. Basílio do Nascimento sempre manteve com a comunidade alentejana.

“D. Basílio do Nascimento teve sempre uma forte ligação à Arquidiocese de Évora, pois estudou no Seminário Maior de Évora. Foi ordenado sacerdote em 1977, em Évora. Viveu em Paris até 1982, onde completou a sua formação académica, viajando nesse ano para Évora, onde foi Pároco de Cano e Casa Branca (Sousel) e Santa Vitória do Ameixial (Estremoz). Foi Professor no Instituto Superior de Teologia de Évora, foi Diretor Espiritual do Seminário Maior e trabalhou ativamente na Pastoral Vocacional nesta Arquidiocese”, refere a nota.

O comunicado recorda que D. Basílio católico recebeu, a 7 de dezembro de 1999, o grau de Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

A Arquidiocese de Évora endereça “sentidas condolências à família, aos amigos e à Diocese de Baucau pela partida para a Casa do Pai do senhor D. Basílio do Nascimento”.

A Presidência do Conselho de Ministros de Timor-Leste publicou um voto de pesar pelo falecimento do bispo de Baucau, manifestando “enorme consternação e grande pesar”.

D. Basílio do Nascimento nasceu a 14 de junho de 1950 no Suai, capital do município de Cova Lima.

 


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