aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

Papa:

Dirigindo-se ao COP26, apoia luta das novas gerações,

alertando para pobreza energética

 

O Papa manifestou o seu apoio às novas gerações, na luta contra as alterações climáticas, numa mensagem em que aponta preocupações para a COP26, que se realiza em novembro na cidade de Glasgow, Escócia.

“Através de ideias e projetos comuns, podem ser encontradas soluções que superem a pobreza energética e que coloquem o cuidado dos bens comuns no centro das políticas nacionais e internacionais, favorecendo a produção sustentável, a economia circular, a agregação de recursos energéticos, a partilha das tecnologias adequadas”, sustentou Francisco, numa intervenção em vídeo para um seminário sobre a promoção da educação sustentável do ‘Youth4Climate’, em Milão.

A intervenção pediu “decisões sábias” para que todos possam aproveitar as “muitas experiências adquiridas nos últimos anos”, promovendo “uma cultura do cuidado, uma cultura da partilha responsável”.

“Quero agradecer-lhes pelos sonhos e projetos de bem que têm e pelo facto de se importarem tanto com as relações humanas e como com o cuidado do meio ambiente. Obrigado. É uma preocupação que faz bem a todos”, disse aos jovens participantes.

Encorajo-os a unir forças através de uma ampla aliança educativa para formar gerações de bons, maduros, capazes de superar as fragmentações e reconstruir o tecido das relações, de modo que possamos chegar a uma humanidade mais fraterna”.

O Papa evocou Pacto Global pela Educação lançado no Vaticano, em 2019, para dar “respostas partilhadas à mudança histórica que a humanidade está a experimentar e que a pandemia tornou ainda mais evidente”.

“As soluções técnicas e políticas não são suficientes, se não estiverem amparadas pela responsabilidade de cada integrante e por um processo educativo que favoreça um modelo cultural de desenvolvimento e sustentabilidade voltado para a fraternidade e a aliança entre o ser humano com o meio ambiente”, apontou.

 

Papa:

Colocar a pessoa doente «à frente da doença

é essencial» na medicina

 

O Papa Francisco afirmou que colocar a pessoa doente “à frente da doença é essencial em todos os campos da medicina”, na audiência aos membros da Fundação Biomédica, da Universidade Campus Biomédico de Roma, no Vaticano.

“Colocar o doente antes da doença é essencial em todos os campos da medicina; é fundamental para um tratamento que seja verdadeiramente abrangente, verdadeiramente humano”, afirmou o Papa, no discurso publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Francisco disse aos membros da Fundação Biomédica, da Universidade Campus Biomédico em Roma, que a centralidade da pessoa que está “subjacente a seu compromisso de curar”, mas também de ensinar e pesquisar, “ajuda a fortalecer uma visão unificada e sinérgica”.

“Uma visão que não coloca ideias, técnicas e projetos em primeiro lugar, mas o homem concreto, o paciente, a ser tratado conhecendo sua história, conhecendo sua experiência, estabelecendo relações amistosas que curam o coração”, desenvolveu.

O Papa destacou que a fundação, o Campus Bio-Medico, “e a saúde católica em geral”, são chamados a “testemunhar com factos” que não existem “vidas indignas ou descartadas” porque não atendem ao critério do lucro ou às necessidades do lucro.

“Toda a estrutura hospitalar, particularmente as de inspiração cristã, deve ser um lugar onde se pratica a cura da pessoa e onde se pode dizer: ‘Aqui não se vê apenas médicos e pacientes, mas pessoas que se acolhem e se ajudam mutuamente, aqui se encontra a terapia da dignidade humana’”, exemplificou.

Francisco salientou que o foco deve ser a cura da pessoa, sem esquecer a importância da ciência e da pesquisa, porque “a cura sem a ciência é em vão” e a ciência sem a cura “é estéril”.

“Os dois devem caminhar juntos, e só juntos fazem da medicina uma arte, uma arte que envolve cabeça e coração, que combina conhecimento e compaixão, profissionalismo e piedade, competência e empatia”, acrescentou.

O Papa agradeceu à Fundação Biomédica as pesquisas realizadas para “enfrentar patologias e situações sempre novas”, lembrou os idosos e as pessoas que “sofrem de doenças raras”, referindo que “é importante” caminharem “juntos” e enfrentarem “juntos problemas comuns”, como mostrou a pandemia Covid-19.

“A caridade requer um dom: O conhecimento deve ser partilhado, a competência deve ser participada, a ciência deve ser em comum”, realçou.

Neste contexto, e no âmbito da pandemia, Francisco lembrou que há uma “necessidade urgente” de ajudar os países que têm menos vacinas”, que deve ser feito a longo prazo, “não apenas motivados pela pressa das nações ricas sentirem-se mais seguras”.

“Os remédios devem ser distribuídos com dignidade, não como esmolas por piedade. Para fazer um bem real, precisamos promover a ciência e sua aplicação integral: compreender os contextos, implementar os tratamentos, desenvolver a cultura da saúde”, afirmou o Papa.

 

Vaticano:

Publicadas novas regras

para governo das associações internacionais de fiéis

 

O Vaticano publicou o novo decreto que passa a regular o governo das associações internacionais de fiéis, tanto privadas como públicas, sujeitas à supervisão direta do Dicastério para os Leigos, Família e Vida.

O texto apresenta como novidade, relativamente à renovação de cargos governamentais, a limitação obrigatória de cinco anos como duração máxima para cada mandato no órgão do governo central a nível internacional e um máximo de dez anos consecutivos para o exercício de qualquer cargo no referido órgão.

“A função de moderador pode ser exercida por um período máximo de dez anos, após o qual não é mais possível exercer essa função”, acrescenta o organismo da Santa Sé.

O decreto abre uma exceção para os fundadores de várias associações ou entidades internacionais, admitindo a possibilidade de os “isentar” dos limites quando se “considerar oportuno para o desenvolvimento e estabilidade da associação ou entidade, e se tal isenção corresponder à vontade clara do órgão central de governo”.

Outra disposição do Vaticano diz respeito à representatividade, determinando que os membros efetivos de uma associação participem, “pelo menos indiretamente, no processo de eleição do órgão central de governo a nível internacional”.

O Dicastério para os Leigos, Família e Vida, da Santa Sé, realça que existiam, até agora, “práticas muito diversificadas na gestão das responsabilidades de liderança”, nestas associações de fiéis, apresentando, por isso, “critérios de razoabilidade” para aplicação universal, quando aos mandatos dos órgãos de governo a nível internacional e a representatividade destes.

“A falta de limites aos mandatos governamentais estimula, muitas vezes, nos que são chamados a governar, formas de apropriação do carisma, personalismo, centralização de funções, bem como expressões de autorreferencialidade, que facilmente conduzem a graves violações da dignidade e da liberdade pessoal e até mesmo a abusos reais”, adverte o novo decreto.

O Vaticano sustenta que mudança geracional dos órgãos sociais, através da rotação das responsabilidades de gestão, “traz grandes benefícios à vitalidade da associação”.

O Dicastério para os Leigos, Família e Vida espera que este decreto seja recebido “com o devido espírito de obediência filial e comunhão eclesial”

 

Vaticano:

Pobres dão rosto a emissão filatélica de Natal

 

A próxima emissão filatélica de Natal do Vaticano vai destacar os pobres que, diariamente, são ajudados nas estruturas solidárias instaladas dentro e ao redor da Praça de São Pedro.

Os selos, disponíveis a partir de hoje, foram desenhados por um jovem sem-abrigo, que quis representar os Reis Magos com rostos de pessoas vulneráveis que recorrem ao espaço disponibilizado debaixo da Colunata de São Pedro, com serviços de higiene pessoal.

A emissão inclui ainda a reprodução da Sagrada Família, em lembrança do ano especial da ‘Amoris Laetitia’, convocado pelo Papa Francisco.

 

Vaticano:

Papa lamenta esquecimento de Deus na Europa,

criticando «consumismo» e «pensamento único»

 

O Papa lamentou no Vaticano o esquecimento de Deus na Europa, criticando o consumismo e o que chamou de “pensamento único”.

“A presença de Deus é diluída, vemo-lo todos os dias, no consumismo e nos vapores de um pensamento único, uma coisa estranha, mas que é real, que é fruto da mistura de velhas e novas ideologias. Isto afasta-nos da familiaridade com o Senhor, com Deus”, referiu, durante a audiência geral, no auditório Paulo VI.

Francisco dedicou a sua reflexão semanal à viagem que realizou à Hungria e Eslováquia, de 12 a 15 de setembro, que apresentou como “uma peregrinação de oração, uma peregrinação às raízes, uma peregrinação de esperança”.

O Papa disse ter encontrado uma história de fé e de serviço, destacando a fidelidade destes povos à sua história.

Foi isto que vi no encontro com o povo santo de Deus: um povo fiel que sofreu a perseguição ateia. Também o vi no rosto dos nossos irmãos e irmãs judeus, com os quais recordamos a Shoah. Pois não há oração sem memória”.

Francisco passou por Budapeste, para Missa de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional, e por várias cidades da Eslováquia.

“Foi uma peregrinação de oração no coração da Europa, começando pela adoração e terminando com a piedade popular. Pois o Povo de Deus é chamado sobretudo a isto: adorar, rezar, caminhar, peregrinar, fazer penitência e nisto sentir a paz, a alegria que o Senhor nos dá. A nossa vida deveria ser assim”, declarou.

O Papa convidou todos a preservar as “raízes” da sua fé, rejeitando “interesses de prestígio e de poder, para consolidar uma identidade fechada”.

A intervenção considerou “um sinal forte e encorajante” o encontro com milhares de jovens, particularmente em tempos de pandemia, e recordou a figura da Beata Ana Kolesárová, eslovaca de 16 anos que foi morta em 22 de novembro de 1944 por um militar soviético, na II Guerra Mundial, numa tentativa de violação.

“É um testemunho que infelizmente é mais atual do que nunca, pois a violência contra as mulheres é uma chaga aberta. Por todo o lado”, disse Francisco.

O Papa pediu um aplauso para as Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa de Calcutá, recordando a sua passagem por uma casa de acolhimento para sem-abrigo, gerida pelas religiosas, e disse que foi “comovente” partilhar a festa da comunidade cigana, num bairro do leste da Eslováquia. “São nossos irmãos, devemos acolhê-los, estar próximo deles”, apelou.

 

Direitos Humanos:

Papa Francisco denuncia «trabalho escravo infantil»

causado pela «falta de vida digna das famílias»

 

O Papa Francisco denunciou o trabalho infantil e as condições de pobreza em que vivem muitas famílias, o que tem levado a “um número crescente de menores a abandonar a escola” e a ser alvo “de escravatura”.

“Milhares de meninos e meninas são obrigados a trabalhar incansavelmente, em condições exaustivas, precárias e desanimadoras, sofrendo maus-tratos, abusos e discriminação. Mas a situação chega ao cúmulo da desolação quando são os próprios pais que são obrigados a mandar seus filhos para o trabalho, porque sem a sua contribuição ativa não seriam capazes de sustentar a família”, evidencia uma mensagem do Papa Francisco, assinada pelo Secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, na sessão inaugural do Encontro Global da FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, sobre a eliminação do trabalho infantil na agricultura.

A mensagem foca a necessidade de um sistema jurídico “adequado e eficaz, tanto internacional como nacional”, que defenda os sonhos das crianças da “mentalidade tecnocrática nociva que se instalou no presente”.

O trabalho infantil, sublinha, “fere cruelmente a existência digna e o desenvolvimento harmonioso dos mais pequenos” e representa uma limitação das “oportunidades de futuro”, colocando em primeiro plano “as necessidades produtivas e lucrativas dos adultos”.

“A pandemia tem levado um número crescente de menores a abandonar a escola para, infelizmente, cair nas garras desta forma de escravatura. Para muitos destes nossos irmãos mais novos, não ir à escola significa não só perder oportunidades que lhes permitam enfrentar os desafios da vida adulta, mas também adoecer, ou seja, ser privado do direito à saúde, pelas condições deploráveis em que eles devem realizar as tarefas que são covardemente exigidas deles”, sublinha a mensagem.

O Papa Francisco urge na mensagem ao “investimento mais lucrativo que a humanidade pode fazer” que indica ser proteger as crianças: “Proteger as crianças significa respeitar o momento do seu crescimento, deixando que estes frágeis rebentos beneficiem das condições adequadas para o seu florescimento”.

 “Proteger as crianças implica agir de forma que se abram horizontes que as configurem como cidadãos livres, honestos e solidários”, indica.

 “É necessário um trabalho de denúncia, educação, conscientização, convicção para que quem não tenha receio de escravizar a infância com fardos insuportáveis possa ver mais longe e mais fundo, superando o egoísmo e essa ansiedade de consumir compulsivamente, que acaba por devorar o planeta, esquecendo que os seus recursos devem ser preservados para as gerações futuras”, sublinha.

 

Vaticano:

Papa e Mahmoud Abbas defendem solução de dois Estados para Israel

e Palestina, com estatuto próprio para Jerusalém

 

O Papa recebeu em audiência, no Vaticano, o presidente palestino Mahmoud Abbas, tendo ambos defendido a solução de dois Estados para Israel e Palestina, com estatuto próprio para Jerusalém, informa a sala de imprensa da Santa Sé.

“A respeito do processo de paz entre israelitas e palestinos, sublinhou-se a absoluta necessidade de reativar o diálogo direto para chegar à solução dos dois Estados, com a ajuda de um compromisso mais vigoroso da comunidade internacional”, refere a nota oficial divulgada após o encontro desta quinta-feira.

As duas partes sustentaram ainda que Jerusalém deve ser reconhecida como “lugar de encontro e não de conflito”.

“O seu estatuto deve preservar a identidade e o valor universal de cidade santa para todas as três religiões abraâmicas [Judaísmo, Cristianismo e Islamismo], também através de um estatuto especial internacionalmente garantido”, pode ler-se.

Em 2018, Francisco defendeu que só um estatuto especial, reconhecido internacionalmente, “pode preservar a identidade de Jerusalém, a sua vocação única enquanto lugar de paz, que abra a um futuro de reconciliação e esperança para toda a região”.

Mahmoud Abbas encontrou-se ainda com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, acompanhado por D. Paul Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados.

Durante as conversações foram reconhecidas “as boas relações entre a Santa Sé e o Estado da Palestina”, sublinhando a necessidade de “promover a fraternidade humana e a convivência pacífica entre os vários credos”.

“Falou-se ainda da urgência de trabalhar pela paz, evitando o uso de armas e combatendo qualquer forma de extremismo e fundamentalismo”, conclui o comunicado.

 

Vaticano:

Papa desafia farmacêuticas

a libertar patentes das vacinas

 

O Papa pediu no Vaticano que as farmacêuticas libertem as patentes das vacinas, de forma a ajudar as populações dos países mais pobres, falando a um encontro de Movimentos Populares dos cinco continentes.

“(Peço) aos grandes laboratórios que libertem as patentes. Tenham um gesto de humanidade e permitam que cada país, cada povo, cada ser humano tenha acesso às vacinas. Há países em que apenas três, quatro por cento dos habitantes foram vacinados”, referiu Francisco, num vídeo divulgado pela Santa Sé e enviado à Agência ECCLESIA.

Este quarto encontro com os Movimentos Populares, por via digital, foi precedido de uma reunião de trabalho no último mês de julho, que debateu o impacto da Covid-19 sobre os trabalhadores mais pobres.

Num discurso de cerca de 40 minutos, em espanhol, Francisco deixou uma série de pedidos, começando pelas farmacêuticas, com o objetivo de “melhorar o mundo”, no pós-pandemia. “Quero pedir em nome de Deus aos grupos financeiros e organismos internacionais de crédito que permitam aos países pobres garantir as necessidades básicas da sua população”, disse, apelando ao perdão das dívidas.

Francisco apelou a mudanças nas grandes empresas extrativas – mineiras, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agronegócios – e grandes empresas alimentares, criticando, neste caso, “estruturas monopolistas de produção e distribuição que inflacionam os preços”.

 “Quero pedir em nome de Deus aos países poderosos que acabem com as agressões, bloqueios e sanções unilaterais contra qualquer país em qualquer lugar da terra”, acrescentou.

O Papa apontou ainda aos “gigantes da tecnologia”: Quero pedir em nome de Deus aos gigantes das telecomunicações que liberalizem o acesso aos conteúdos educativos e o intercâmbio com os professores pela internet para que as crianças pobres possam também ter acesso à educação em contextos de quarentena”.

Francisco lamentou ainda que os meios de comunicação promovam a lógica da “pós-verdade, a desinformação, a difamação, a calúnia e esse fascínio doentio pelo escândalo e o sórdido”.

O Papa convidou a superar a “lógica implacável do lucro” e defendeu uma política centrada no “bem comum”.

“Quero pedir também a todos os líderes religiosos que nunca usemos o Nome de Deus para fomentar guerras nem golpes de Estado”, indicou.

É necessário que juntos enfrentemos os discursos populistas de intolerância, xenofobia, aporofobia (que é o ódio aos pobres) e todos os que nos levem à indiferença, à meritocracia e ao individualismo; estas narrativas apenas servirão para dividir os nossos povos e minar e neutralizar a nossa capacidade poética. A capacidade de sonharmos juntos”.

Francisco admitiu que as suas propostas têm sido alvo de críticas e até de uma “adjetivação degradante”, sublinhando que as mesmas têm como base a Doutrina Social da Igreja.

“Isso não me aborrece, entristece-me. Faz parte da trama da pós-verdade que procura anular qualquer busca humanista alternativa à globalização capitalista, faz parte da cultura do descarte e faz parte do paradigma tecnocrático”, declarou.

O Papa manifestou o seu apoio à criação de um salário universal e à redução do horário de trabalho.

“Um rendimento básico (o RBU) ou salário universal para que cada pessoa neste mundo possa aceder aos bens mais elementares da vida. É justo lutar por uma distribuição humana destes recursos”, indicou, acrescentando que “não pode haver tantas pessoas oprimidas pelo excesso de trabalho e tantas outras oprimidas pela falta de trabalho”.

 

Vaticano:

Papa desafia a servir quem «não tem como retribuir»

 

O Papa disse no Vaticano que os católicos são chamados a servir, em particular, quem precisa e “não tem como retribuir”.

“O valor de uma pessoa não depende do papel que desempenha, do sucesso que tem, do trabalho que faz, do dinheiro no banco; não, não depende disso: a grandeza e o sucesso, aos olhos de Deus, têm um padrão diferente, são medidos pelo serviço”, realçou, perante os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do ângelus.

Francisco convidou a rejeitar uma visão centrada no sucesso exterior e sublinhou que, para um cristão, o verdadeiro valor está “não no que se tem, mas no que se dá”.

“A nossa fidelidade ao Senhor depende da nossa disposição para servir. E isso, sabemo-lo, custa”, apontou.

Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus. Principalmente quando servimos aqueles que não têm nada para nos dar em troca, os pobres, abraçando as suas dificuldades e necessidades, com terna compaixão”.

O Papa declarou que, quando aumentam este cuidado e disponibilidade para com os outros, as pessoas tornam-se mais “livres interiormente, mais semelhantes a Jesus”.

“Acolhendo quem está marginalizado, abandonado, acolhemos Jesus, porque Ele está ali”, acrescentou.

 

Vaticano:

Papa denuncia ilusão de «autossuficiência» da prosperidade

 

O Papa denunciou a ilusão da “autossuficiência” de quem vive na “prosperidade”, referindo que os católicos se devem tornar “pequenos” e confiar em Deus.

“Na oração, o Senhor abraça-nos, como um pai ao seu filho. Assim, tornamo-nos grandes: não na pretensão ilusória de nossa autossuficiência, isso não torna ninguém grande, mas na força de colocar toda a esperança no Pai. Assim como fazem os pequeninos”, disse, desde a janela do apartamento pontifício do Vaticano, perante milhares de peregrinos reunidos para a recitação da oração do ângelus.

Francisco alertou para o “engano” de confiar no próprio sucesso.

“Na prosperidade, no bem-estar, temos a ilusão de ser autossuficientes, de nos bastarmos a nós mesmos, de não precisarmos de Deus. Irmãos e irmãs, isto é um engano, porque cada um de nós é um ser necessitado, um pequenino”, insistiu.

O Papa convidou cada batizado a “reconhecer-se como pequeno”, necessitado de salvação, e a deixar cair a “máscara da superficialidade”.

“Crescemos não tanto pelos sucessos e pelas coisas que temos, mas sobretudo nos momentos de luta e fragilidade”, apontou.

Os contratempos, as situações que revelam nossa fragilidade são ocasiões privilegiadas para experimenta o amor de Deus. Quem reza com perseverança sabe bem disso: nos momentos de escuridão ou de solidão, a ternura de Deus para connosco torna-se – por assim dizer – ainda mais presente”.

 

Vaticano:

Natal na Praça de São Pedro com presépio dos Andes

 

O Vaticano vai receber este ano um presépio dos Andes peruanos para exposição na Praça de São Pedro, durante o tempo do Natal.

A obra chega da aldeia de Chopcca, uma comunidade do departamento de Huancavelica (Peru), informa uma nota do governo do Estado da Cidade do Vaticano, sendo composto por mais de 30 peças tradicionais.

As imagens serão apresentadas em tamanho natural, usando materiais como cerâmica, madeira maguey (agave) e fibra de vidro; o Menino Jesus vai ser apresentado como uma criança “Hilipuska”, envolto num típico cobertor huancavelica e amarrado com um “chumpi” ou cinto trançado.

 “O presépio peruano comemora os 200 anos da independência do país, reproduzindo um recorte da vida dos povos andinos, e simboliza o apelo universal à salvação”, assinala o comunicado, enviado à Agência Ecclesia.

Já a tradicional árvore de Natal é, este ano, um abeto de 28 metros, vindo de Andalo, província de Trentino, norte da Itália.

Quanto ao Auditório Paulo VI, a representação do presépio foi confiada ao grupo de jovens da paróquia de San Bartolomeo Apostolo di Gallio, província de Vicenza, Diocese de Pádua, na Itália.

A cerimónia de inauguração do presépio e a iluminação da árvore de Natal, na Praça de São Pedro, vai decorrer a 10 de dezembro.

 

Vaticano:

João Paulo I vai ser beatificado.

 

A graça obtida por intercessão do Servo de Deus João Paulo I e que permitirá sua beatificação foi a cura de uma menina de Buenos Aires, em 2011. A mãe da menina desconhecia Albino Luciani até pedir a intercessão dele. Entretanto, a confiava no padre de sua paróquia, que diante da morte iminente da garota, pediu o milagre por sua intercessão. E aconteceu!

Candela tinha, então 10 anos, e levava uma vida normal. Tudo começou com uma forte dor de cabeça, que não desaparecia e foi acrescentando sintomas, até que foi internada em um hospital pediátrico.  

Ela sofria de “encefalopatia inflamatória aguda grave, doença epilética refratária maligna, choque séptico” e estava em fim de vida. O quadro clínico era muito grave. A menina tinha inúmeras crises epiléticas diárias e passava por um estado séptico causado por broncopneumonia. Quando a família decidiu pedir a intercessão de João Paulo I, o quadro mudou.

Nenhum estudo deu conta da origem de sua doença, e Candela não mostrava sinais de recuperação. Pelo contrário, com as convulsões, seu estado piorava a cada dia. Sempre acompanhada de sua mãe Roxana, chefe de família, foi transferida para Buenos Aires, para a Fundação Favaloro. Lá os médicos pediram para que ela voltasse à sua cidade para morrer em casa. O prognóstico, de fato, era muito ruim.

No dia 22 de julho, conforme Roxana relatou ao portal Infobae, o médico avisou que Cande morreria naquela mesma noite, que não havia mais o que fazer. Foi então que ela buscou o apoio do padre José, da paróquia Nossa Senhora de la Rabida, perto do hospital. E junto com ele foram ver a moça. Por sugestão do sacerdote, e mesmo sem saber quem era João Paulo I, eles pediram sua intercessão pela garota agonizante.

A partir daquele momento, a menina começou uma melhora notável. Um mês depois, saiu da UTI. E em setembro, deixou o hospital de Buenos Aires. Não houve explicação médica para a recuperação surpreendente.

Com o reconhecimento do milagre, abre-se o caminho para a beatificação. O próximo passo é aguardar a data, que será estabelecida por Francisco.

 

Vaticano:

 Encontro Mundial das Famílias de 2022 aberto a todos,

com aposta na participação digital

 

O Vaticano apresentou em conferência de imprensa o próximo Encontro Mundial das Famílias (EMF), que vai decorrer em 2022 num formato inédito, com eventos em cada diocese católica, em ligação digital com Roma.

Os organizadores do evento sublinham “todos podem participar”, através dos meios digitais, dando o “protagonismo” às famílias cristãs.

O cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), sublinhou que o EMF tem sido sempre um “acontecimento mundial”, que no próximo ano vai ser vivido “em todas as Igrejas locais”.

O evento vai decorrer de 22 a 26 de junho de 2022, com iniciativas globais nas dioceses católicas e em Roma, que acolhe 2 mil delegados de Conferências Episcopais e dos movimentos internacionais empenhados na Pastoral Familiar.

D. Kevin Farrell recordou que o EMF assinala o encerramento do Ano ‘Amoris Laetitia’, convocado pelo Papa, com apelo à participação de todas as dioceses.

“As famílias desejam ser acompanhadas, sustentadas, sentir-se Igreja”, apontou.

Durante a conferência foi apresentado o hino oficial do encontro, “Acreditamos no amor”, da autoria de monsenhor Marco Frisina.

O cardeal Angelo De Donatis, vigário-geral para a Diocese de Roma, destacou que o EMF 2022 vai promover um conjunto de iniciativas de solidariedade para as famílias mais atingidas pela pandemia.

Os organizadores lançaram ainda a oração, o site e a imagem oficial do evento, esta última criada pelo padre Marko Ivan Rupnik.

O tema do 10.º EMF será ‘O Amor em família: vocação e caminho de santidade’ e decorre após o adiamento de um ano, por causa da pandemia.

O Papa anunciou a realização do evento neste novo formato, no último dia 2 de julho, destacando que, nas edições anteriores, a maior parte das famílias ficava em casa e “o Encontro era visto como uma realidade distante, no máximo acompanhada pela televisão, ou desconhecida para a maioria das famílias”.

“Desta vez, porém, vai decorrer com uma fórmula inédita: será uma oportunidade da Providência para realizar um evento mundial capaz de envolver todas as famílias que quiserem sentir-se parte da comunidade eclesial”, apontou.

Francisco fala numa organização “multicêntrica e disseminada” para promover a participação das comunidades diocesanas do mundo inteiro.

A Igreja Católica está a viver um Ano ‘Família Amoris Laetitia’, que começou na solenidade de São José (19.03.2021), e decorre até à celebração em Roma (26.06.2022).

 


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