2º Domingo do Advento

5 de Dezembro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Povo de Deus, eis o teu Senhor – M. Luís, CAC, pg 53-54

 

cf. Is 30, 19.30

Antífona de entrada: Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens. O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa na alegria dos vossos corações.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Natal do consumismo, das prendas, das compras que marquem a celebração da festa, e das coisas necessárias ao banquete, começa muito tempo antes. A publicidade inunda-nos, assaltando-nos em todos os lados.

Será mesmo este o Natal que Deus nos pede que preparemos, quando se procura deliberadamente silenciar o nome de Jesus?

O Natal que devemos celebrar é o nascimento de Jesus Cristo no coração de cada um de nós e não pode ficar esquecido.

Ele vem tornar-nos irmãos numa igualdade fundamental de filhos e Deus. Convida-nos a viver de acordo com esta vocação. Filhos de Deus, irmãos uns dos outros, caminhando alegremente para o Céu.

O Advento de que celebramos já o 2.º Domingo é, pois, um chamamento de Deus à conversão pessoal, ao sacudir da rotina para uma vida de enamorados de Deus.

 

Acto penitencial

 

A preocupação desmedida das coisas temporais – banquete, prendas e luzes – faz-nos esquecer o principal e leva-nos à celebração de um Natal sem Jesus Cristo, centro da nossa festa e da alegria de todos.

Queremos pedir perdão desta alienação que nos impede de preparar verdadeiramente o Natal que se aproxima e retomar o caminho da Verdade.

 

(Tempo de silêncio. Pode ser o esquema A, com a confissão e Senhor tende piedade de nós.)

 

•   Senhor Jesus: Temos vivido com distração este Advento,

    em vez de preparamos com generosidade o Natal da alma.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: A urgência que pomos nas compras deste Natal

    faz-nos a esquecer aqueles que precisam da nossa ajuda.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor: Jesus: Ajudai-nos a preparar o Natal no coração,

    com uma confissão sacramental celebrada com verdade.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Baruc dirige-se aos judeus exilados em Babilónia e convida-os a abandonar a tristeza e o desânimo, fortalecendo-se na confiança em Deus, porque Ele mostrará o Seu esplendor.

A todos nós que nos temos deixado afastar da amizade íntima com Deus é dirigido este convite, como sinal do Seu amor por nós.

 

Baruc 5,1-9

1Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. 2Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. 3Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; 4Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». 5Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. 6Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. 7Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. 8Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, 9porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

 

O autor apresenta-se como estando no exílio de Babilónia; felicita jubilosamente Jerusalém, ao mesmo tempo que anuncia a sua restauração e o regresso dos cativos, com uma linguagem de sabor escatológico e messiânico, à maneira de Isaías, de quem retoma as ideias e as próprias expressões poéticas, como se pode ver: v. 1 – Is 52,1; v. 2 – Is 61,10; v. 7 – Is 40,3.4; v. 8 – Is 41,19; v. 9 – Is 40,10-11; 42,16; 52,12. Também são notáveis as semelhanças com a literatura sapiencial (cf. Salm 126), o que leva a situar a obra entre os livros proféticos e os sapienciais. A Jerusalém descida dos Céu de Apoc 21,1-4 tem grande semelhança com o texto da nossa leitura. O autor e a data do escrito continuam a ser discutidos.

4 «Paz da justiça e glória da piedade» são hebraísmos (genitivos de qualidade) que correspondem à nossa maneira de dizer: paz justa e piedade gloriosa.

7 «Aplanar a terra», abatendo «montes» e preenchendo «vales» é uma grandiosa imagem com que, à maneira isaiana (cf. Is 40,3-5), dramatiza a preparação do caminho do regresso de Babilónia, vista como um novo Êxodo. O Baptista, no Evangelho de hoje, apela para o sentido messiânico da imagem: a vinda do exílio prefigura a salvação definitiva. No fundo, temos sempre a teologia do deserto; assim como a libertação da escravidão do Egipto se deu através do deserto, assim também será a libertação do cativeiro e também a salvação messiânica.

 

Salmo Responsorial     Sl 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R.3)

 

Monição: Contemplando em espírito as maravilhas que o Senhor iria operar para com o Seu Povo, o salmista entoa um hino de ação de graças.

Se olharmos com atenção a nossa vida, sentiremos a necessidade de cantar muitas vezes este salmo.

 

Refrão:        Grandes maravilhas fez por nós o Senhor:

                     por isso exultamos de alegria.

 

Ou:               O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo.

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo escreve aos fiéis da Igreja de Filipos testemunhando-lhes que pede fervorosamente ao Senhor para que eles possam distinguir o que é melhor e se tornem puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça

 

Filipenses 1,4-6.8-11

Irmãos: 4Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, 5recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. 6Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. 8Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. 9Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, 10para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, 11na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.

 

A leitura é tirada do início da Carta aos fiéis de Filipos, a primeira cidade europeia onde Paulo tinha fundado uma comunidade florescente. Temos aqui uma das dimensões da espiritualidade do Advento: a preparação de modo efectivo e progressivo (vv. 9-11) com frutos de santidade – «na plenitude dos frutos de justiça» – para «o dia de Cristo», isto é, o da sua segunda vinda, o seu advento escatológico, que pode dar-se a todo o momento. Os primeiros cristãos de tal maneira viviam numa forte tensão para ele, que o consideravam iminente. S Paulo quer que a espera da vinda de Cristo sirva de estímulo para crescer no amor de Deus – «que a vossa caridade cresça cada vez mais» –, de modo que saibam discernir «o que é melhor» (v. 10), para o porem em prática.

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 3, 4.6

 

Monição: Mais uma vez, a voz do Senhor ressoa em nossos corações, para que os preparemos para a Sua vinda.

Manifestemos o nosso acolhimento a esta recomendação, aclamando O Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 3,1-6

1No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, 2no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. 3E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, 4como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 5Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; 6e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

 

1 «No décimo quinto ano de Tibério»: Lucas, um talento de historiador, não se limita a apresentar a substância da mensagem de salvação. Ele quer que fique bem claro que não se trata duma mensagem fora do tempo, de uma ideia como os mitos; é uma mensagem situada no tempo e no espaço em que se desenvolve a história humana. É assim que nos deixa um dado de excepcional valor para sincronizar os acontecimentos salvíficos com os sucessos da história profana, a saber, ao ano 15 do reinado do imperador romano Tibério, aduzindo também outros cinco dados que, mais do que a cronologia, visam descrever-nos o ambiente político da época (vv. 1-2).

A pregação do Baptista teve início, pois, no ano 27-28 da nossa era. Com efeito, Tibério começou propriamente a reinar só com a morte de Augusto em 19 de Agosto de 767 a. U. c.. Ora, segundo a contagem síria que adoptaria S. Lucas, em 1 de Outubro – o início do ano – já se começava a contar o 2º ano de Tibério; isto leva a pensar que o 15.º ano do reinado de Tibério vem a ser o ano 781 de Roma, o que corresponde ao ano 27-28 da nossa era cristã.

«Pôncio Pilatos» foi governador ou procurador (na inscrição de Cesareia chama-se præfectus) da Judeia, Samaria e Idumeia desde o ano 26 a 36. «Herodes» é o Antipas, filho de Herodes o Grande, com o simples título de tetrarca na Galileia; foi quem mandou degolar João Baptista na fortaleza de Maqueronte, tendo reinado de 4 a. C, a 39 d. C, ano em que foi destituído e exilado para a Gália por Calígula; «Filipe», filho de Cleópatra de Jerusalém (distinto do seu meio irmão Herodes Filipe casado com Herodíades), foi quem reconstruiu Panias com o nome de Cesareia de Filipe e Betsaida com o nome de Júlia; veio a casar com Salomé, filha de Herodíades e Herodes Filipe.

2 José «Caifás» presidiu ao Sinédrio, como sumo sacerdote de 18 a 36 da nossa era, após a deposição pelos romanos, no ano 15, de seu sogro «Anás», que continuou a manter grande influência político-religiosa (cf. Jo 18,12-24). A discrição e respeito com que o IV Evangelho fala de Caifás leva alguns a imaginarem que se terá feito cristão, o que falta provar.

4-6 «Preparai o caminho do Senhor…» A longa citação do início da segunda parte de Isaías, o Dêutero-Isaías (Is 40,3-5), é aplicada pelo Baptista a si próprio (cf. Jo 1,23). Esta passagem isaiana contempla, num primeiro plano, o «regresso triunfal» dos deportados de Babilónia, uma figura dos tempos messiânicos, em que «toda a criatura verá a salvação de Deus». S. Lucas, o único evangelista a dar-nos a citação completa de Isaías, em que inclui o v. 5, pretende sublinhar a universalidade da salvação trazida por Cristo. A imagem de «endireitar os caminhos» provém do costume de ajeitar os caminhos, em geral escabrosos, por onde vai passar um soberano; presta-se muito bem a indicar a purificação das consciências para receberem a Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

• Convite à Esperança e ao otimismo

• Preparemos os caminhos do Senhor

 

1.      Convite à Esperança e ao optimismo

 

O profeta Baruc, “secretário” de Jeremias, convida à esperança o Povo de Deus exilado no cativeiro de Babilónia. Recorda-lhe a sua vocação de Povo Escolhido entre todos os outros e fala de um regresso alegre e triunfal à Pátria, na felicidade e na liberdade de outros tempos.

Este convite é também para nós, que nos afastamos do caminho pelo pecado e pela infidelidade a Deus é-nos dirigido especialmente neste Advento.

Recomeçar. Esta mensagem fundamental pode resumir-se num pensamento: “o tempo de luto acabou, porque Deus perdoou as tuas faltas todas e quer devolver-te a vida e a esperança.”

Diz a cada um de nós o mesmo que o profeta proclama para a Cidade Santa: «Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno

É preciso acabar com o desânimo espiritual e com o pessimismo da nossa vida, para regressar à alegria e otimismo de filhos de Deus, àquela alegria que tivemos no dia da nossa Primeira Comunhão e noutros momentos que marcaram a nossa vida.

Essa convicção pessimista de que não podemos, com esta idade, nesta situação e com estes problemas, viver como crianças diante de Deus, amando-O e fazendo a Sua vontade, porque os tempos são outros, não vem de Deus, mas do Inimigo do homem.

Contemos com Deus. Chegamos a este pessimismo e convencemo-nos de que não somos capazes de viver como amigos de Deus, porque olhamos só para a nossa experiência amarga e não contamos com o Senhor que nos quer ajudar. Se deixarmos que isto aconteça, veremos maravilhas. «Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu».

Regressemos hoje mesmo. Como havemos de regressar ao Senhor? Pelos caminhos da humildade. Deixemo-nos ajudar por Ele, usando os meios que Ele nos indica.

São precisos dois encontros: um connosco mesmos, para vermos como nos encontramos, e outro com Deus. Assim fez o filho pródigo. Olhou atentamente, sem medo, para a situação em que se encontrava e pensou no Pai. A generosidade e a alegria com que o pai o recebeu, ultrapassou toda a sua expectativa. A maior alegria de Deus é perdoar os nossos pecados.

Assim dizia o Senhor a S. Jerónimo, que deixara Roma, com todos os seus haveres, e fora morar para uma das grutas de Belém.

Na noite de Natal, pedia a este sacerdote uma prenda do dia de anos. Jerónimo respondia que nada tinha para lhe dar, porque deixara tudo e viera para ali. Então ouviu esta resposta: “Dá-me os teus pecados, para os perdoar.”

Conversão pessoal.  Baruc fala de um regresso do Povo de deus à cidade santa. É uma imagem que significa conversão, regressar à intimidade com Deus. «vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis

A nossa vida há-de ser uma conversão contínua, pois estamos sempre e diminuir a exigência de Deus nas nossas vidas e a abrandar o ritmo do caminhar ao encontro do Senhor.

Preparar os caminhos do Senhor. O profeta Baruk, partindo da experiência humana na construção de caminhos, sugere-nos o que devemos fazer.

– Contar com Deus. Por vezes, as nossas iniciativas falham porque contamos só com as nossas forças havemos de contar com a ajuda de Deus que nunca falta. «Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus

– Humildade. Fala-se desta virtude sob a figura de abater os altos montes. Hoje, depois a invenção dos túneis, já se podem evitar grandes e custosas subidas.

Mas a imagem continua válida. Para nós, abater os montes significa baixar a cabeça com humildade, reconhecendo a própria pequenez e as limitações. O Senhor decidiu «decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares

  – Moral de vitória. Com a ajuda de Deus, podemos tudo. É preciso acabar com falsos complexos de inferioridade. Somos filhos de Deus e, com Ele, podemos tudo.  O profeta fala de «encher os vales para se aplanar a terra

Com este programa, viveremos um bom Advento, na espera da vinda do Senhor ao nosso encontro, para nos salvar.

 

2. Preparemos os caminhos do Senhor

 

S. João Batista foi escolhido por Deus para Precursor – aquele que vai à frente a chamar a atenção para a passagem de alguém muito importante – do Seu Filho, despertando a atenção das pessoas para a presença de Jesus no meio dos homens, evitando que passasse despercebido e não O acolhessem convenientemente.

Arrependimento dos pecados. Não há mudança de vida sem detestação do que está mal dentro de nós. Quem ama o mal, continua a praticá-lo.

S. João apresenta-se diante do povo do seu tempo «pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados».

Não é trabalho fácil para nós descobrir os próprios pecados e defeitos. Somos mais hábeis em descobri-los nos que vivem ao nosso lado. Como consequência disto, não nos emendamos. Se tudo está bem, para quê mudar?

Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a conhecer os nossos pecados, limitações e defeitos e nos dê um sincero desejo de nos emendarmos.

Estamos com Deus. Uma das tentações do cristão é a de ter medo de se encontrar só, diante de tantas pessoas que pensam e agem ao contrário de nós.

Usam as armas de sempre. Apontam-nos como antiquados, pessoas que vivem fora do mundo, desmancha-prazeres e inimigos da felicidade dos outros.

Também S. João deve ter enfrentado esta dificuldade. «Uma voz clama no deserto.» este deserto não é só físico. Havia também um deserto moral à sua volta, de vidas a viver em modo contrário, descrentes do que pregava.

Preparemos o Natal. O Advento tem uma finalidade clara: preparar a vinda de Cristo, para O acolhermos convenientemente na nossa vida. João Batista vai diretamente ao assunto: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas

Corremos o risco de ficar em preparações superficiais, secundarias, esquecendo o principal. Muitas pessoas fazem até listas do que é necessário e revêem-na frequentemente, para que nada falte na hora devida. É preciso colocar ao alto dessa lista esta palavra: Eu!

Que devemos fazer, para realizar em nós o que é indicado pelo Precursor?

Falsa humildade. É preciso acabar com os falsos complexos de inferioridade que servem de capa à nossa preguiça e falta de compromisso na missão da Igreja. «Sejam alteados todos os vales

Quando dizemos que não sabemos, que não podemos, evitamos comprometer-nos continuamos a entregarmo-nos à preguiça.

Presunção. Afastemos da nossa vida uma demasiada confiança em nós que nos leva a não rezar para que as coisas resultem bem «e (sejam) abatidos os montes e as colinas».

Retidão de intenção. Com que intenção falamos e atuamos? Para glória de Deus, ou para a nossa? Servimos, ou procuramos disfarçadamente ser servidos? «endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas

Precursores de Jesus. Todos nós havemos de ser precursores de Jesus Cristo, devemos alertar as pessoas para os sinais que nos manifestam a Sua presença, pela caridade, pela alegria, e pelo o cuidado com os mais carenciados.

Mostremos com a nossa vida que Cristo vive, por uma grande sinceridade no que dizemos e fazemos, uma seriedade no trabalho e nas relações humanas de negócios e de amizade.

Tomemos como modelo para a nossa conduta Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe: atenta e obediente aos planos Senhor, na Anunciação; meditativa na Apresentação de jesus no Templo e diligente quando Ele fica no templo de Jerusalém; humildemente oculta e oportuna, em Caná da Galileia; sofrendo como mediadora no Calvário.

 

Fala o Santo Padre

 

«Pensemos, cada um de nós: como posso mudar algo da minha atitude

a fim de preparar o caminho ao Senhor?»

No domingo passado a liturgia convidou-nos a viver o tempo do Advento e da expetativa da vinda do Senhor com atitude de vigilância e também de oração: “vigiai” e “rezai”. Hoje, segundo domingo de Advento, é-nos indicado o modo como fortalecer esta expetativa, empreendendo um caminho de conversão, para tornar concreta esta expetativa. Como guia para este caminho, o Evangelho apresenta-nos a figura de João Batista, o qual “percorre toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados” (Lc 3, 3). Para descrever a missão do Batista, o evangelista Lucas inspira-se na antiga profecia de Isaías, que diz o seguinte «Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas! Todo o vale será aterrado, e todo o monte e outeiro serão arrasados» (vv. 4-5).

Para preparar o caminho ao Senhor que vem é necessário considerar as exigências de uma conversão para a qual o Batista convida. Quais são estas exigências da conversão? Antes de tudo, somos chamados a aterrar os vales produzidos pela frieza e pela indiferença, abrindo-nos aos outros com os mesmos sentimentos de Jesus, isto é, com cordialidade e atenção fraterna que se ocupam das necessidades do próximo. Aterrar os vales produzidos pela frieza. Não podemos ter um relacionamento de amor, de caridade, de fraternidade com o próximo se há “buracos”, assim como é difícil percorrer uma estrada com muitos buracos. Isto exige que mudemos de atitude. E devemos fazer tudo com um zelo especial pelos mais necessitados. Depois, é preciso aplainar as asperezas causadas pelo orgulho e pela soberba. Quantas pessoas, talvez até sem se dar conta, são soberbas, ásperas, não mantêm um relacionamento de cordialidade. É necessário superar isto através de gestos concretos de reconciliação com os nossos irmãos, de pedido de perdão das nossas culpas. Não é fácil reconciliar-se. Pensamos sempre: “quem dará o primeiro passo?”. O Senhor ajudar-nos-á nisto, se tivermos boa vontade. De facto, a conversão será completa se levar a reconhecer humildemente os nossos erros, as nossas infidelidades e omissões.

O crente é aquele que, através da sua proximidade ao irmão, como João Batista abre caminhos no deserto, isto é, indica perspetivas de esperança até em contextos existenciais impenetráveis, marcados pela falência e pela derrota. Não nos podemos render diante das situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar submeter pela mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus com a sua palavra de luz, amor e consolação. É Ele! O Batista exortava com força, vigor e severidade as pessoas do seu tempo à conversão. Contudo, sabia ouvir e realizar gestos de ternura, gestos de perdão para com a multidão de homens e mulheres que iam ter com ele para confessar os próprios pecados e para receber o batismo de penitência.

O testemunho de João Batista ajuda-nos a ir em frente no nosso testemunho de vida. A pureza do seu anúncio, a sua coragem ao proclamar a verdade conseguiram despertar as expetativas e as esperanças do Messias que há muito tempo estavam adormecidas. Também hoje, os discípulos de Jesus são chamados a ser as suas humildes, mas corajosas, testemunhas para reacender a esperança, para fazer compreender que, não obstante tudo, o reino de Deus continua a ser construído dia a dia com o poder do Espírito Santo. Pensemos, cada um de nós: como posso mudar algo da minha atitude a fim de preparar o caminho ao Senhor?

A Virgem Maria nos ajude a preparar dia a dia o caminho do Senhor, começando por nós mesmos; e a espalhar ao nosso redor, com paciência tenaz, sementes de paz, de justiça e de fraternidade.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 9 de dezembro de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Peçamos ao Senhor que a voz de João Baptista

desperte em nós o desejo de percorrer, com alegria,

os caminhos de conversão e da vida em Jesus Cristo.

Oremos (cantando), com humildade:

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

1. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    e pelos que neste mundo a anunciam a vinda do Senhor,           

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

2. Pelos povos que ainda não receberam a luz do Evangelho,

    e pelos homens e mulheres que lhe são fiéis e pelos pobres,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

3. Pelos que reconhecem em Jesus o Caminho da Salvação,

    e pelosos que pedem ao Senhor que prepare a Sua vinda,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

4. Pelos homens e mulheres e pelas crianças sem lar nem pão,

    e pelos que, no mundo, são deportados ou sofrem violência,   

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

5. Por aqueles que pertencem à nossa comunidade paroquial,

    pelos que se sentem frios na fé, preocupados ou vacilantes,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

6. Pelos que, desde há um ano, partiram para a Vida Eterna,

    e aguardam pelos nossos sufrágios para entrarem no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e salvai-nos.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai do Céu,

que começastes em nós a boa obra

da conversão aos valores do Evangelho,

dai-nos a generosidade, a força e a coragem

de a prosseguirmos até ao fim, com alegria.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de termos sido iluminados pela Palavra de Deus, a nossa esperança fixa-se agora no altar onde Jesus Cristo, pelo ministério do sacerdote, prepara o pão e o vinho que vai transubstanciar no Seu Corpo e Sangue, para Se nos dar na sagrada Comunhão.

 

Cântico do ofertório: Preparai os caminhos do Senhor – M. Carneiro, NRMS 95-96|

 

Oração sobre as oblatas: Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio I do Advento I: p. 453 [586-698] ou I/A p. 454

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Ter esperança na vinda de Cristo é inseparável da esperança da verdadeira para que Ele vem trazer ao mundo.

Imploremos a verdadeira paz de Deus para todas as pessoas de boa vontade que procuram construí-la na terra.

 

Monição da Comunhão

 

A preparação dos caminhos do Senhor é inseparável da preparação para comungar bem.

Aproximemo-nos com fé e amor do Verbo de Deus que Se fez Homem e ficou na Santíssima Eucaristia, para ser o nosso Alimento.

 

Cântico da Comunhão: Preparai os caminhos do Senhor – M. Carneiro, NRMS, 95-96

 

Bar 5, 5; 4, 36

Antífona da comunhão: Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria que vem do teu Deus.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a Terra – M. Simões, NRMS, 64

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quem vamos ajudar nesta semana a preparar-se para o Natal de Jesus Cristo que se aproxima?

 

Cântico final: Ave, Senhora do Advento – Az. Oliveira, NRMS, 95-96

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 6-XII; A cura das nossas «paralisias».

Is 35, 1-10  /  Lc 5, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

De acordo com o anúncio profético, a vinda do Messias será acompanhada por acontecimentos extraordinários (LT). E, entre eles, destacam-se aqui o perdão dos pecados e a cura de um paralítico (EV). Deus virá para nos salvar (SR)

Deixemos que o Messias ajude a curar as nossas «paralisias» e as dos nossos amigos, tais como: o afastamento de Deus, dos sacramentos e da vida de oração, as poucas ajudas na vida familiar, a preguiça no trabalho, etc. E que Ele perdoe igualmente os nossos pecados, aproximando-nos do sacramento da Penitência.

 

3ª Feira, 7-XII: Os cuidados do Bom Pastor.

Is 40, 1-11 / Mt 18, 12-14

Olhai que o Senhor vai chegar com poder. É como o pastor que apascenta o seu rebanho.

A profecia anuncia que o Messias será o Bom Pastor, que cuida de todas as ovelhas do seu rebanho (LT). E Jesus diz que exercitará essa tarefa, procurando que todas as ovelhas se salvem (EV). O Senhor virá com poder (SR).

Preparemos a vinda do Senhor, através de pequenas conversões: aquilo em que falhámos deve ser compensado; os altos e baixos devem transformar-se, de modo que o nosso dia seja mais equilibrado (LT). Renovemos igualmente os actos de contrição, sempre que alguma coisa não nos correr bem, pois é um sinal claro de conversão.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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