1º Domingo do Advento

28 de Novembro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Para vós, Senhor, elevo a minha alma – A. F. Santos, BML, 153-154)

 

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este é o primeiro domingo de Advento e do novo ano litúrgico. O ano litúrgico começa com a mesma expectativa com que acabara: a da plenitude do Reino no encontro definitivo de Deus com o Homem. Na verdade, mais habituados à ideia do Advento como preparação para o Natal, esquecemos esta linha espiritual do Advento que acentua a preparação e a expectativa da última vinda de Cristo. Aliás, até ao dia 17 a Liturgia voltar-se-á tematicamente para a segunda vinda de Cristo e só nos últimos nove dias se concentrará na preparação do Natal do Senhor. A confirmá-lo está a Liturgia da Palavra neste Domingo, em que a última vinda de Cristo exige aos cristãos redobrada vigilância, oração mais intensa, caridade mais diligente. A espera não é uma atitude passiva, mas uma vigilância ativa, um «progredir na caridade», como nos diz São Paulo, ou um «levantar a cabeça», na linguagem do Evangelho.

«Maranathá, vem, Senhor Jesus». E o Senhor vem e está connosco nesta Eucaristia.

 

Kyrie

 

Senhor Jesus, Rebento Justo,

esperança de um tempo novo,

onde habita a paz e a justiça,

Senhor tende piedade de nós!

 

Cristo Jesus, Filho do Homem,

que um dia vireis com grande poder e glória,

Cristo, Cristo, tende piedade de nós.

 

Senhor Jesus,

fonte de esperança para o tempo presente

e esperança da glória para os tempos sem fim,

Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Uma profecia messiânica. Em pleno exílio, Jeremias vislumbra tempos melhores. «O Senhor é a nossa justiça».

 

Jeremias 33, 14-16

Eis o que diz o Senhor: 14«Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá: 15Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra. 16Naqueles dias, o reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’».

 

O profeta Jeremias, em face de ruína do seu povo e da destruição da cidade de Jerusalém pelas tropas de Nabucodonosor no ano 587, lança um grito de esperança, apelando para as antigas promessas divinas, como a célebre profecia de Natã (2Sam 7) e a das bênçãos de Jacob (Gn 49,10). O texto é extraído da parte final do chamado «Livro da Consolação» de Jeremias (Jer 30,1 – 33,26) e pensa-se que a sua redacção corresponde a esta época do fim do reinado de Sedecias. A verdade é que a organização dos oráculos que constam desta vasta e complexa obra não obedece a critérios cronológicos, mas temáticos. Lembrar que já antes, no ano 597, Nabucodonosor tinha conquistado e submetido a tributo Jerusalém e levado cativos homens mais notáveis juntamente com o jovem monarca Yoyaquin, filho de Yoyaquim, tendo deixado no trono o seu tio Sedecias, como rei vassalo.

15 «Um rebento». Metáfora clássica com que os profetas designam o Messias, «descendente» de David (cf. Is 4,2; 11,1; Jer 23,5; Zac 3,8).

16 «Este é o nome que chamarão à cidade: ‘O Senhor é a nossa justiça’». O nome indica a vocação da futura Jerusalém (a Igreja), um povo justificado por Deus, chamado a participar da sua santidade (cf. Is 1,26).

Como curiosidade, diga-se que este texto não aparece na versão grega dos LXX, que, por esta razão, parece transmitir um texto mais puro, isto é, sem repetições; a leitura de hoje é um duplicado de Jer 23,5-6.

 

Salmo Responsorial     Sl 24 (25), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R.1b)

 

Monição: Escutando a Palavra, elevemos a nossa alma para Deus que é bom e reto.

 

Refrão:        Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.

 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,

ensinai-me as vossas veredas.

Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,

porque Vós sois Deus, meu Salvador.

 

O Senhor é bom e recto,

ensina o caminho aos pecadores.

Orienta os humildes na justiça

e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

 

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade

para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.

O Senhor trata com familiaridade os que O temem

e dá-lhes a conhecer a sua aliança.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «O Senhor confirme os nossos corações, no dia da vinda de Jesus». O desejo expresso pelo autor da 2ª leitura.

 

1 Tessalonicenses 3,12-4, 2

Irmãos: 12O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós a temos tido para convosco. 13O Senhor confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor, com todos os santos. 1Finalmente, irmãos, eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais. 2Conheceis bem as normas que vos demos da parte do Senhor Jesus.

 

A leitura contém uma bênção (final do cap. 3) e um pedido ou apelo (início do cap. 4), com a mesma ideia de fundo: a de «crescer» (ou exceder-se, v. 12) e «progredir» (vv. 1 e 10), no «proceder» (à letra, no «caminhar») «para agradar a Deus». De facto, a vida cristã é um caminho em que nunca se acaba de atingir a perfeição, e tem de se lutar sem descanso para chegar à meta (cf. Filp 3,12-15), que corresponde à «vinda de Jesus, com todos os santos». O tempo do Advento encerra um apelo para que todos nos preparemos para esta segunda vinda de Jesus (a parusia).

A vida cristã também é encarada por S. Lucas, o Evangelista deste Ano C, como um «caminho» (cf. Act 9,2; 18,25.26; 19,9.23; 22,4; 24,14.22). Notar como na parte mais característica do III Evangelho (Lc 9,51 – 19,27), S. Lucas apresenta Jesus a caminho de Jerusalém, seguido dos seus discípulos e convidando outros a segui-lo pelo caminho da renúncia (cf. Lc 9,57-62).

 

Aclamação ao Evangelho          Sl 84, 8

 

Monição: O lodo e as estrelas. Erguer a cabeça e dilatar o coração. Eis os desafios de um Advento que agora começa.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 21,25-28.34-36

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 25«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. 26Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. 34Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, 35e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele sobrevirá sobre todos os que habitam a terra inteira. 36Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para terdes a força de vos livrar de tudo o que vai acontecer e poderdes estar firmes na presença do Filho do homem».

 

A leitura é uma selecção de versículos do chamado «discurso escatológico» de Lucas, em que se entrelaçam três realidades distintas, que temos dificuldade em destrinçar: a destruição de Jerusalém, o fim dos tempos e a segunda vinda de Cristo. Esta dificuldade de interpretação torna-se maior em virtude da linguagem simbólica usada, própria dos profetas e do género apocalíptico, e pelo facto de o fim de Jerusalém aparecer como uma imagem do fim do mundo; por outro lado, nem Jesus nem os Evangelistas pretendem com estas palavras satisfazer a curiosidade humana acerca de quando e de como vai ser o fim deste mundo efémero, pois o que se tem em vista é uma exortação a superar as dificuldades e perseguições que ameaçam os fiéis e a permanecer firmes na fé e vigilantes até ao fim: «vigiai e orai em todo o tempo» (v. 36). Este discurso é também um grito de esperança para todos os cristãos sujeitos a sofrimentos de toda a espécie: «erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima» (v. 28).

25-26 A comoção do «universo» – descrita em S. Marcos com mais realismo e com citações literais do Antigo Testamento – não aparece como um anúncio ou sinal prévio da vinda do Filho do Homem, mas forma parte da própria parusia: o próprio cosmos, e não apenas a humanidade, estremecerá de pavor perante a tremenda majestade do supremo Juiz, que surgirá com todo o seu poder e glória. Há aqui uma referência clara ao Juízo final, universal e público, verdade de fé que professamos no Credo. Jesus descreve-nos este acontecimento com o mesmo colorido do «Dia de Yahwéh», o dia da justa retribuição definitiva, anunciado pelos Profetas (Is 34,4; 13,10; cf. Ez 32,7-8; Joel 2,10; 4,15-16; etc.). As «forças celestes» são as forças que mantêm os astros nas suas órbitas, ou, por uma metonímia, os próprios astros. Estas imagens grandiosas e aterradoras, pertencentes ao estilo apocalíptico, prestam-se a encarecer a singular seriedade dos acontecimentos anunciados, bem como a suma dignidade do Juiz, Senhor do Universo. O Catecismo da Igreja Católica fala do Juízo final como sendo a palavra definitiva do Senhor sobre toda a história, que «revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte» (n.º 1040).

27 «O Filho do Homem vir numa nuvem». Não se trata de uma vinda do tipo espiritual, místico ou moral, mas duma vinda com poder e majestade, para o Juízo final (como disse, corresponde a um artigo da fé professada no «Credo»). A nuvem é uma imagem cheia de grandiosidade, própria do estilo apocalíptico, que contém uma clara referência a Daniel 7,13; é a partir desta passagem profética que Jesus adopta o título (talvez a partir da figura de linguagem chamada asteísmo), ao mesmo tempo glorioso e humilde, de Filho do Homem (cf. Bento XVI, Jesus de Nazaré, pp. 398-413). A nuvem, que ao mesmo tempo tem a propriedade de revelar e de esconder, acompanha frequentemente as teofanias (Gn 9,13s; Jz 5,4s; Job 38,1; Ez 1,4.28; Mc 9,7) e algumas vezes aparece como o carro de Yahwéh (ls 19,1; Salm 10,3).

 

Sugestões para a homilia

 

1. “A vossa libertação está próxima” (Lc 21, 28)

2. O advento de uma Igreja sinodal

 

 

1. “A vossa libertação está próxima” (Lc 21, 28)

 

Iniciamos hoje um novo litúrgico – o Ano C – onde predomina a leitura do Evangelho segundo S. Lucas. E todo o ano litúrgico começa sempre com o tempo do Advento, quatro semanas de preparação para essa grande festa, esse dia jubiloso do Natal, o nascimento do Deus-Menino.

O Advento prepara-nos, de facto, para o encontro com Aquele que já veio e há de vir novamente no final dos tempos. É dessa última vinda que nos fala o texto evangélico.

Perante as expressões dramáticas do Evangelho de hoje, pode-se pensar que Jesus esteja a dar algumas informações acerca do fim do mundo. É assim que o texto foi muitas vezes interpretado.

Mas se o objetivo de Jesus era meter medo, então não teve sucesso, até porque o anúncio do fim do mundo atemoriza cada vez menos. Contudo, Jesus não pretende assustar, mas obter exatamente o contrário. Ele quer libertar do medo, suscitar alegria, infundir esperança. Não quer ameaçar cataclismos, mas anuncia um acontecimento feliz.

As imagens apocalípticas usadas por Jesus não se referem a explosões de astros, a grandes catástrofes, mas falam do que acontece nos dias de hoje. É no nosso mundo que se torna impossível viver: cometem-se abusos e injustiças, existem ódios, violências, guerras, condições desumanas, a própria natureza é destruída pela exploração sem medida dos seus recursos, e até mesmo os ritmos dos tempos e das estações deixaram de ser regulares.

E isto aplica-se à nossa vida pessoal. Quantas pessoas vemos que caminham «curvadas», oprimidas pela dor, encolhidas pelo medo. Não têm a força para erguer a cabeça porque perderam toda a esperança: a esposa abandonada pelo marido, os pais desiludidos pelas escolhas dos filhos, o trabalhador arruinado pela inveja dos colegas, as pessoas vítimas do ódio e da violência...

Quantas vezes medos, desilusões, remorsos, experiências infelizes tornam-nos incapazes de sorrir. Será ainda possível recuperar a confiança em nós próprios e nos outros? Haverá ainda alguém que nos possa dar de novo a serenidade, a confiança e a paz?

Não espanta, portanto, que angustiadas, as pessoas perguntam-se: o que irá acontecer? Onde acabaremos? Está a humanidade a caminhar em direção a uma inevitável catástrofe?

Não - garante Jesus - e é esta a mensagem central do Evangelho: a humanidade caminha em direção a uma nova criação. E por isso onde se vislumbram sinais da desordem provocada pelo pecado, aí podemos esperar a vinda do Filho do homem com grande poder e glória.

Por isso Jesus convida a abrir o coração à esperança: o mundo dominado pela injustiça, pela maldade, pelo egoísmo chegou ao fim e já surgiu um mundo novo e maravilhoso.

Este mundo novo nasce no próprio instante em que se permite a Deus que realize o seu Advento na nossa vida. Este mundo novo começa quando abrimos, quando escancaramos as portas dos nossos corações a Jesus que vem. Este mundo novo nasce quando reconhecemos Cristo no outro e nos dispomos a partilhar e a acolher os que se encontram em dificuldade, dando prioridade a todos os que Jesus privilegiou.

É, pois, o caminho da caridade a via-mestra para ir ao encontro do Senhor que há de vir, para saborear já nesta terra o mundo novo e maravilhoso que o Senhor hoje nos oferece.

“Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.” (Lc 21, 28).

 

 

2. O advento de uma Igreja sinodal

 

Um sinal dos novos tempos e da presença viva de Cristo no meio de nós é a comunhão e a unidade dois discípulos na Igreja que os torna verdadeiros missionários da alegria do Evangelho.

Neste sentido, o Papa Francisco convida a Igreja inteira a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: o caminho da sinodalidade como o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio. Na verdade, o nosso “caminhar juntos” é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário, uma Igreja «com as portas abertas» (EG, 46), para poder acolher e chegar a todos. Esta é sua a vocação por excelência (cf. Mc 16, 15).

Para “caminhar juntos”, é necessário que nos deixemos educar pelo Espírito para uma mentalidade verdadeiramente sinodal, entrando com coragem e liberdade de coração num processo de conversão, sem o qual não será possível aquela «reforma perene da qual a Igreja necessita perpetuamente» (UR, n. 6; cf. EG, n. 26).

Que esta sinodalidade seja, no início e acima de tudo, um percurso de conversão a Cristo, Aquele que deve ser o primeiro a ser escutado: realmente presente na Eucaristia e vitalmente ativo nos irmãos. Se assim for, a sinodalidade consolidará a alegria pela presença dos irmãos e pela possibilidade de caminhar a seu lado. “Nem todos quererão vir, mas nós não podemos deixar de ir. A catolicidade só será real com a presença – e a participação – total” (Pe. João Teixeira). E onde os irmãos se reúnem, há novo advento e o Senhor vem (cf. Mt 18,20). Maranatha!

 

Fala o Santo Padre

 

«Eis como viver este tempo, a partir de hoje até ao Natal.

Rezar, esperar Jesus, abrir-se aos outros, ser vigilantes, não nos fecharmos em nós mesmos.

Mas se pensarmos no Natal num clima de consumismo, de festa mundana, Jesus passará e não o encontraremos.»

Hoje começa o Advento, o tempo litúrgico que nos prepara para o Natal, convidando-nos a elevar o olhar e abrir o coração para receber Jesus. No Advento não vivemos unicamente a expetativa do Natal; somos convidados também a despertar a expetativa da vinda gloriosa de Cristo — quando, no fim dos tempos, Ele há de voltar — preparando-nos para o encontro final com Ele, mediante escolhas coerentes e corajosas. Recordamos o Natal, esperamos a vinda gloriosa de Cristo e inclusive o nosso encontro pessoal: o dia em que o Senhor chamará. Durante estas quatro semanas, somos chamados a abandonar um modo de viver resignado e habitudinário, e a sair alimentando esperanças, nutrindo sonhos para um novo futuro. O Evangelho deste domingo (cf. Lc 21, 25-28.34-36) vai precisamente nesta direção, alertando-nos a não nos deixarmos oprimir por um estilo de vida egocêntrico, nem pelos ritmos frenéticos dos dias. Ressoam particularmente incisivas as palavras de Jesus: «Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe repentinamente […] Vigiai, pois, em todo o tempo e orai» (vv. 34.36).

Vigiar e rezar: eis como viver este tempo, a partir de hoje até ao Natal. Vigiar e rezar! O sono interior nasce do girar sempre em volta de nós mesmos e do permanecer sitiados no fechamento da própria vida, com os seus problemas, as suas alegrias e as suas dores, mas girar sempre ao nosso redor. E isto é cansativo, aborrece, fecha à esperança. Encontra-se aqui a raiz do torpor e da indolência dos quais o Evangelho fala. O Advento convida-nos a um compromisso de vigilância, olhando para fora de nós mesmos, ampliando a mente e o coração, para nos abrirmos às necessidades das pessoas, dos irmãos, ao desejo de um mundo novo. É o desejo de muitos povos martirizados pela fome, pela injustiça e pela guerra; é o desejo dos pobres, dos frágeis, dos abandonados. Este tempo é oportuno para abrirmos o nosso coração, para fazermos perguntas concretas sobre como e por quem despendemos a nossa vida.

A segunda atitude para viver bem o tempo da expetativa do Senhor é a oração. «Reanimai-vos e levantai as vossas cabeças, porque se aproxima a vossa libertação» (v. 28), admoesta o Evangelho de Lucas. Trata-se de nos erguermos e de rezarmos, dirigindo os nossos pensamentos e o nosso coração a Jesus, que está prestes a chegar. Levantamo-nos quando esperamos algo ou alguém. Nós aguardamos Jesus, queremos esperar na oração, que está estreitamente ligada à vigilância. Rezar, esperar Jesus, abrir-se aos outros, ser vigilantes, não nos fecharmos em nós mesmos. Mas se pensarmos no Natal num clima de consumismo, de ver o que posso comprar para fazer isto e aquilo, de festa mundana, Jesus passará e não o encontraremos. Esperamos Jesus e queremos esperá-lo na oração, que está estreitamente ligada à vigilância.

Mas qual é o horizonte da nossa expetativa orante? No-lo indicam, na Bíblia, sobretudo as vozes dos profetas. Hoje é a de Jeremias, que fala ao povo duramente provado pelo exílio e que corre o risco de perder a própria identidade. Inclusive nós, cristãos, que também somos povo de Deus, corremos o risco de nos mundanizarmos e de perdermos a nossa identidade, aliás, de “paganizarmos” o estilo cristão. Por isso, precisamos da Palavra de Deus que, através do profeta, nos anuncia: «Eis que virão outros dias. E nesses dias cumprirei as promessas de bem que fiz [...]. Farei nascer de David um rebento justo que exercerá o direito e a equidade na terra» (33, 14-15). E aquele rebento justo é Jesus, é Jesus que vem e que nós esperamos. A Virgem Maria, que nos traz Jesus, Mulher da expetativa e da oração, nos ajude a revigorar a nossa esperança nas promessas do seu Filho Jesus, para nos levar a experimentar que, através das adversidades da história, Deus permanece sempre fiel, servindo-se também dos erros humanos para manifestar a sua misericórdia.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 2 de dezembro de 2018

 

Credo

 

Oração Universal

 

P. Oremos ao Senhor Jesus, que é Deus Connosco,

e digamos-lhe com esperança

 

R. «Vinde, Senhor Jesus»!

 

1. Cristo, Luz sem ocaso, que vindes como sol nascente:

despertai do sono a fé da vossa Igreja

e reavivai nas nossas famílias a chama do amor.

 

2. Cristo, Palavra de salvação para todos os homens:

sede o nosso único Mestre e Senhor

e inspirai boas medidas aos nossos governantes

e boas palavras a todos os membros das nossas famílias.

 

3. Cristo, Vida nova para os que vos aceitam e seguem:

renovai o nosso coração tão pecador

e tornai-o capaz de amar, até ao fim.

 

4. Cristo, Caminho que conduz a Deus nossa meta final:

fazei que nesta paróquia, família de famílias,

haja sempre vontade de caminharmos juntos

para sermos Igreja sinodal.

 

P- Vinde, Senhor Jesus,

transformai-vos com a vossa presença viva em nós

e que todos aceitem a vossa mensagem de paz, de justiça e de amor.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Senhor virá governar com Justiça – J. F. Silva, NRMS, 7

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

“Fazei da dupla visita de Cristo tema de contemplação: Velai sobre a vossa vida. Que jamais se apaguem as vossas velas nem se desapertem as vossas cinturas, mas estai preparados. Não sabeis a hora em que vem o nosso Senhor. Reuni-vos com frequência procurando o que convém às vossas almas. De nada vos valerá todo o tempo da vossa fé se não estiverdes perfeitos no final” (Didaquê, 16, 1-2).

 

Cântico da Comunhão: Estai preparados – A. F. Santos, ENPL, XIX

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas povo de Deus – M. Borda, NRMS, 56

 

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrámos o primeiro deste ano litúrgico novo e o primeiro deste tempo novo de Advento. Semana a semana a Igreja celebra esta presença de Cristo que veio e que vem e que virá. Advento é para rasgar caminhos, descobrir sinais, celebrar a presença viva de Cristo à história de cada um. Bom Domingo. Ide em paz…

 

Cântico final: Ave Maria Senhora – J. F. Silva, NRMS, 81

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-XI: Para acolhermos bem o Senhor.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

O centurião: Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

Ao começarmos o novo Ano Litúrgico, procuremos aproximar-nos mais do Senhor, que vem ter connosco (LT). O centurião aproximou-se do Senhor, para que lhe curasse um seu criado (EV).

As virtudes referidas nas Leituras são fundamentalmente: a fé (do centurião) e a alegria: iremos com alegria para a Casa do Senhor (SR). A Igreja também nos anima a viver estas virtudes quando, por exemplo, nos preparamos para a Comunhão sacramental; quando nos confessamos para O recebermos, como Nossa Senhora O recebeu.

 

3ª Feira, 30-XI: Santo André, Apóstolo: Falar do Messias aos amigos.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Jesus viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam ao mar uma rede, pois eram pescadores.

André foi um dos primeiros discípulos de João Baptista. Tendo ouvido falar do Messias, apresentou-lhe o seu irmão Simão (EV). Segundo a tradição, pregou o Evangelho na Grécia e morreu crucificado numa cruz. Pregou o Evangelho, como todos os Apóstolos: Ai de mim se não pregar o Evangelho (LT).

Como Santo André, não deixemos de levar aos amigos e conhecidos a notícia da chegada do Messias, para que se preparem para O acolherem bem. A voz deles propagou-se por toda a terra e, as suas palavras, até aos confins do mundo (SR)

 

4ª Feira, 1-XII: A ´fome de Deus` e a Eucaristia.

Is 25, 6-10 /  Mt 15, 29-37

Há no mundo uma grande ´fome de Deus`. O Messias prepara um grande banquete de pratos suculentos (LT). E, até materialmente, mata a fome a uma grande multidão (EV).

Este milagre prefigura a abundância do pão eucarístico e também o banquete de vida eterna (Oração). Peçamos pois: o pão nosso de cada dia nos dai hoje; preparemos o melhor possível cada celebração eucarística, através de comunhões espirituais e a lembrança da presença do Senhor no Sacrário. Habitarei na casa do Senhor (SR).

 

5ª Feira, 2-XII: Apoiar a nossa vida em Cristo.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que é uma rocha eterna.

O Messias é apresentado como uma rocha eterna (LT). E todos somos convidados a edificar a nossa vida em Cristo, e não na areia, que não tem consistência (EV), ou apoiando-nos apenas em nós. Melhor é procurar refúgio no Senhor (SR).

Edificamos a nossa vida, apoiados em Cristo, quando ouvimos as suas palavras, que são palavras de vida eterna, e que são conselhos para os problemas que dizem respeito ao nosso trabalho, à vida familiar, à construção de uma sociedade mais justa, etc., Deste modo, seremos também uma rocha para os outros.

 

6ª Feira: 3-XII: Abrir os olhos à luz divina.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escravidão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios, com a vinda do Messias (LT). Entre eles, está a cura de dois cegos, que O reconhecem como o filho de David (EV).

Pedimos ao Senhor que nos abra os olhos para a luz divina, O Senhor é a minha luz e salvação (SR). Uma luz para podermos ver Jesus nas outras pessoas que nos rodeiam, nos acontecimentos de cada dia, para as vermos com sentimentos de misericórdia, para as vermos como Ele as vê: a dor, o trabalho, a vida familiar. E também os ouvidos: os surdos ouvirão a palavra do livro divino (LT).

 

Sábado, 4-XII:  A abundância de frutos

Is 30. 19-21. 23-26 /  Mt 9-35-10 ,1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

De acordo com o profeta, o Messias exercerá a sua misericórdia e haverá frutos abundantes (LT). Jesus manifesta a misericórdia, cura doenças e proclama a Boa-Nova aos que andam como ovelhas sem pastor (EV). Ele cura os corações feridos (SR).

Para que haja abundância de frutos é preciso acolher bem a palavra de Deus. Jesus pede-nos que continuemos a sua missão. Ensinemos, portanto, os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostrando-lhes os caminhos da felicidade. Acompanhemos o nosso trabalho com a oração: pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a messe (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Nuno Westwood

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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