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O NATAL DE TODOS OS DIAS

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

Quantas vezes contemplamos, emocionados, a Anunciação do Arcanjo a Nossa Senhora! E voltamos a sentir, com São Bernardo, a transcendência universal e a urgência da resposta daquela jovem de Nazaré:

- «Ouviste, ó Virgem, a voz do Anjo: Conceberás e darás à luz um Filho (…) O Anjo aguarda a tua resposta! (…) Também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia! Em tuas mãos está o preço da nossa salvação (…) Todo o mundo, prostrado a teus pés, espera a tua resposta; da tua palavra depende a consolação dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua linhagem! (…) Profere a tua palavra humana e concebe a divina! Diz uma palavra transitória e acolhe a Palavra eterna!» (Hom. 4, 8-9)

 

«Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra». (Lc 1, 37)

«E O Verbo se fez carne e habitou entre nós». (Jo 1, 14)

 

Não continuamos nós, sacerdotes, a ouvir interiormente todos os dias, o apelo do Arcanjo? Não deseja o Verbo incarnado, «voltar» corporalmente, na Santa Missa, à nossa terra, para Se oferecer ao Pai por todos os seus filhos, «os degradados, filhos de Eva… neste vale de lágrimas»?

Somos conscientes da necessidade da Sagrada Eucaristia para a salvação das almas, da nossa responsabilidade e do nosso poder sacramental. Pois quem O pode trazer «de novo» ao mundo, senão o sacerdote? Mas não corremos o risco vergonhoso da tibieza e da rotina?

 

Todos os Anjos do Céu esperam a nossa resposta viva e amorosa ao desejo divino de voltar diariamente até nós e de fazer connosco a Sua morada.

Todos os dias se repetem, de algum modo, a Anunciação e o Natal. Todos os dias o próprio Deus nos vem pedir licença, como à Virgem Santíssima, para voltar, física e animicamente, a este mundo, na Santa Missa – com «povo» ou sem ele! – para permanecer por uns minutos corporalmente no nosso seio. E habitar connosco no Sacrário.

 

«Eis que o Desejado de todas as nações está à tua porta e chama (…) Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela devoção, abre pelo consentimento!» (S. Bern., id, ibid)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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