OS BONS LIVROS, NOSSOS AMIGOS                          

 

 

ANTÓNIO CARTAGENO, Bendizei o Senhor, ed. do Secretariado Nacional de Liturgia, Fátima, 2021.

Trata-se de uma coletânea de músicas deste autor ou harmonizadas por ele.

O P. António Júlio da Silva Cartageno nasceu em Trás-os-Montes, na paróquia de S. Mamede de Ribatua (Alijó), a 9 de junho de 1946. Foi ordenado sacerdote na Diocese de Beja em 3 de dezembro de 1972, por D. Manuel dos Santos Rocha.

Depois de alguns anos de vida pastoral na Diocese Alentejana, foi enviado para Roma, entre Outubro de 1987 e Junho de 1994 estudou no Pontifício Instituto de Música Sacra de Roma, onde fez os mestrados em Canto Gregoriano e em Composição Sacra.

A partir daí, uma faceta notória da sua vida pastoral é a composição musical para integrar na Liturgia. As composições sacras do Padre Cartageno fomentam um ambiente de contemplação e de comunhão nos mesmos sentimentos de piedade.

A vocação musical do Padre António Cartageno acabou também por ser uma bênção para o canto religioso alentejano que ele tem recolhido e recuperado, como perito na arte dos sons.

Não admira, pois, que a coletânea Bendizei o Senhor seja aguardada e acolhida com verdadeiro júbilo.

O autor é Diretor do Secretariado Diocesano de Liturgia de Beja e Presidente do Serviço Nacional de Música Sacra.

Para além deste género de música, o Padre Cartageno tem colocado o seu talento ao serviço de outras espécies de música.

Da sua produção musical destaca-se a Cantata “Na Sa da Conceição, Padroeira de Portugal” (1996), para solistas, Coro e Orquestra, para comemorar os 350 da proclamação de Na Sa da Conceição como Rainha de Portugal, pelo Rei D. João IV, e apresentada em Vila Viçosa, Beja, Évora e Faro, a Cantata “Santo Agostinho, o cantor da sede de Deus”, (2004), para solista, Coro e Orquestra, encomendada pela Diocese de Leiria para comemorar os 1650 anos do nascimento do seu santo Padroeiro e já apresentada 12 vezes em várias cidades do Centro e do Sul de Portugal e a Oratória “Fátima. Sinal de esperança para a humanidade” (2007), para solistas, grande Coro e Orquestra, para assinalar os 90 anos das Aparições de Fátima e a inauguração da Igreja da SS.ma Trindade, já apresentada 9 vezes.

A presente coletânea aparece apresentada D. João dos Santos Marcos, Bispo de Beja E contém cânticos litúrgicos principais “que eu fui escrevendo ao longo da vida, especialmente a partir de 1982, ano em que comecei a colaborar nos Guiões dos ENPL. Desde então, a pouco e pouco os cânticos foram-se divulgando nessa e noutras publicações do SNL, e também na Nova Revista de Música Sacra a partir de 1990.”

Bendizei o Senhor vem estruturado nos seguintes capítulos: I. Ordinário da Missa. II. Cânticos por ordem alfabética. III. Virgem Santa Maria.

Saudamos calorosamente o Padre António Júlio da Silva Cartageno, e agradecemos-lhe mais este valioso trabalho para nos ajudar a cantar melhor os seus cânticos e, por eles, nos aproximarmos mais de Deus.

Fazemos votos para que as belas composições de música sacra continuam a manar do seu coração sacerdotal, com a certeza de que, ao cantá-las, nos ajuda a uma aproximação progressiva de Deus.

Fernando Silva

 

***

 

  HUGO DE AZEVEDO, O Fundador do Opus Dei em Portugal, Princípia Editora, Lisboa, maio de 2021, 192 pgs em 230X145mm.

 

O Autor: Monsenhor Doutor Hugo Fernando de Moura e Castro Brandão Fernandes de Azevedo, nasceu na então Vila – hoje, cidade – de Santo em 16 de Janeiro de 1932.

Pertence ao Opus Dei desde 1948, altura em que conheceu o Fundador, com quem conviveu em Roma de 1952 a 1956.

Estudou Direito Civil na Universidade de Coimbra e Direito Canónico na Universidade Lateranense, em Roma e foi ordenado sacerdote – o primeiro sacerdote português da que seria mais tarde Prelatura Pessoal do Opus Dei, na Sé Coimbra, a 7 de agosto de 1955, ainda com 23 anos de idade. Reside atualmente num Centro da Obra, em Lisboa, de onde se desloca para as muitas e variadas atividades pastorais.

Doutorou-se em «Direito Civil Comparado» pela Universidade Lateranense (Roma, 1956).

Uma vez regressado a Portugal e ordenado sacerdote, tem-se dedicado generosamente à actividade pastoral em que sobressai a pregação de retiros aos mais diversificados grupos de pessoas e à escrita, tendo publicado diversos livros e folhetos, e colaborado em revistas e jornais.

Celebração Litúrgica sublinha, com muita alegria, a sua colaboração pontual e todos os números, desde o outono de 1976.

Brindou-nos ultimamente, como número importante da comemoração dos 75 anos do Opus Dei “neste jardim à beira mar plantado”, com o livro O Fundador do Opus Dei em Portugal que a conceituada Principia Editora lançou no grande público em maio deste ano.

Em hora feliz Mons. Hugo de Azevedo confiou às nossas mãos – melhor, ao nosso coração – este precioso livro, verdadeiro marco miliário da comemoração destes 75 anos do Opus Dei em Portugal.

Com um estudo profundo e apurado – sou testemunha da sua seriedade em apurar a verdade até aos últimos redutos –, debruçou-se sobre as muitas visitas de S. Josemaria Escrivá a Portugal.

Ao ler e reler pausadamente o livro, fiz uma colheita de flores que peço licença para vos ofertar, embora não sejam minhas, mas do Autor da obra.

A obra em Portugal, um mimo da Mãe.  A Irmã Lúcia (então, irmã Maria das Dores, doroteia) não conhecia S. Josemaria de lado nenhum e o primeiro encontro deveu-se a uma grande amizade entre D. José Lopez Ortiz, Bispo de Tui e o Fundador do Opus Dei.

O encontro entre S. Josemaria e a Irmã não foi banalmente acolhedor, mas com as palavras: “Irmã Lúcia: Se a irmã Lúcia e eu, que recebemos tantas graças de Deus, não somos santos, vamos para o inferno.” (O Fundador do Opus Dei em Portugal, pg. 17).

A vidente de Fátima reagiu com profunda humildade a estas palavras.

Não sabemos porque fez isso, mas a irmã voltou ao Paço de Tui uma segunda vez, para insistir com o Fundador da Obra para que viesse quanto antes a Portugal para aqui implantar o Opus Dei. Por que o fez? De onde lhe vieram os conhecimentos sobre aa Obra?

A fidelidade de S. Josemaria à vontade de Deus. S. Josemaria tinha pensado, usando a inteligência e os recursos humanos que se lhe ofereciam, em começar a expansão da Obra por outros países, antes e Portugal.

Logo que viu a vontade de Deus que Nossa Senhora manifestou por meio da Irmã Lúcia, pôs de lado todos os seus projetos e voltou-se generosamente para o nosso país, seguindo com dedicação e carinho únicos todos os passos iniciais e continuou com este interesse até fechar os olhos à luz deste mundo e abri-los à serenidade. Também se preocupou connosco nos conturbados tempos que se seguiram ao 25 de abril.

Nas páginas deste livro, com as repetidas – mas nunca demasiadas – vindas de S. Josemaria – torna-se evidente a sua fidelidade, com amor, em cumprir a vontade de Deus, na expansão do Opus Dei na nossa Pátria.

A devoção a Nossa Senhora de Fátima e a sua vinculação com a Obra. Foi sempre notória a devoção profunda do Fundador do Opus Dei a Nossa Senhora, revelada de vários modos.

Quem entra num Centro da Obra ou numa casa destinada a atividades formativas, logo depara com imagens ou quadros de Nossa Senhora a lembrar a sua presença e a convidar a dizer-lhe uma jaculatória. Por vezes, encontramos também ao lado uma flor, como beijo discreto de um filho ou filha à sua mãe.

Ficamos a saber, por esta leitura, que nunca vinha a Portugal, sem que fizesse uma visita à Capelinha das Aparições. Algumas vezes fê-lo única e exclusivamente para rezar na Capelinha das Aparições.

A última vez que esteve ali foi em novembro de 1972, a rezar e a reparar pela Igreja, a sofrer grave crise pós-conciliar nessa ocasião. Andou descalço desde a Cruz Alta até à Capelinha das Aparições, apesar mau tempo que fazia.

Renovou na Capelinha das Aparições a consagração que tinha feito em Loreto, a 15 de agosto de 1950.

S. Josemaria esteve em Braga. Lemos com emoção que S. Josemaria esteve na Bracara Augusta e calcorreou as ruas desta cidade. Nas suas idas à Quinta da Formigueira, que já não existe, passava na estrada da estação que desce para Prado, subia a rua D. Diogo de Sousa e de Souto, terá passado na Avenida Central, em frente da Igreja dos Congregados e subiu, pelo mesmo caminho do eléctrico, até ao Bom Jesus do Monte.

D. Álvaro disse em Fátima que o S. Josemaria celebrou numa igreja de Braga e apercebeu-se de que tínhamos um rito próprio – o rito bracarense, que iniciava a santa Missa com uma Ave Maria e preparava o cálice logo no princípio – , ao folhear o missal à procura dos textos da Missa.

A paternidade de S. Josemaria. Com este livro, Mons. Hugo de Azevedo esculpiu em bronze páginas da história do Opus Dei em Portugal. Nós ficamos-lhe profundamente agradecidos por ter trazido ao nosso conhecimento muitas coisas belas que desconhecíamos.

Uma das coisas mais belas é o trato familiar com os membros da Obra, ainda muito jovens. Conseguia estabelecer um clima de família, cordial alegre e familiar, sem deixar de ser respeitoso.

Aparecem muitos pormenores sobre os seus cuidados pelos seus filhos, reparando em tudo: no seu aspeto, nas preocupações de saúde, de alimentação, da relação os pais, e até de incremento às preferências deles, desde a música, às correntes de arte, etc.

Manifestava o seu bom gosto – ele tinha planeado ser arquiteto – , dando indicações de arranjos nas casas que visitava, apresentando sugestões para resolver problemas.

O Fundador do Opus Dei em Portugal apresenta-se como uma obra que não pode deixar de ser tida na devida em conta, quando se escrever a história da Igreja em Portugal.

 

Fernando Silva

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial