aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

China:

Fundação pontifícia alerta para «nova estratégia»

para limitar «atividades religiosas»

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informa que as autoridades chinesas “oferecem recompensa” pela denúncia de atividades cristãs que são consideradas ilegais, uma “nova estratégia” para a limitação das atividades religiosas.

“Este sistema visa detetar a infiltração ilegal de estrangeiros, mas também poderá permitir o acesso às autoridades comunistas sobre ‘atividades transregionais não autorizadas, pregação e distribuição de obras religiosas impressas e produtos audiovisuais fora dos locais de culto’, ‘doações não autorizadas, ou reuniões em casas particulares’”, explica a AIS na informação enviada à Agência Ecclesia.

A fundação pontifícia, através do jornal ‘China Christian Daily’, na província de Heilongjiang, no nordeste do país, adianta que o sistema de recompensas entrou em vigor recentemente e quem as realiza – por telefone, ‘email’ ou carta – pode “receber até mil yuans, ou seja, cerca de 130 euros”.

A instituição internacional Ajuda à Igreja que Sofre recorda que no seu mais relatório sobre liberdade religiosa na China alerta que o país está a viver “a mais séria repressão desde a Revolução Cultural”.

“A política é mais centralizada, a repressão é mais intensa e generalizada, e a tecnologia está a ser aperfeiçoada para a criação de um Estado de vigilância; Sob a atual liderança de Xi Jinping, as perspetivas para a liberdade religiosa, e os direitos humanos em geral, estão a tornar-se cada vez mais frágeis”, salienta ainda a AIS do seu documento publicado em abril deste ano.

 

Cuba:

Bispos pedem fim dos confrontos,

mas afirmam que «imobilidade» não resolve problemas

 

Os bispos católicos de Cuba reagiram às manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas, contra a escassez de alimentos e medicamentos, pedindo o fim dos confrontos e criticando a “imobilidade” que prolonga os problemas.

“Neste momento, como pastores, preocupamo-nos que a resposta a essas reivindicações seja a imobilidade que contribui para dar continuidade aos problemas, sem resolvê-los. Não só vemos que as situações pioram, mas também que caminhamos para uma rigidez e endurecimento de posições que podem gerar respostas negativas, com consequências imprevisíveis que nos prejudicariam a todos”, afirma o episcopado cubano, num comunicado publicado na sua página na Internet.

“Não se chegará a uma solução favorável por imposições, nem por apelos ao confronto, mas quando se exerce a escuta mútua, se procuram acordos comuns e se dão passos concretos e tangíveis que contribuem, com a colaboração de todos os cubanos sem exclusão, para a construção da Pátria ‘com todos e para o bem de todos’”, acrescentam os responsáveis.

Os cubanos estão a sair à rua em manifestações com reivindicações que gritam «Temos fome», «Liberdade» e «Abaixo a Ditadura», por causa da crise económica, que agravou a escassez de alimentos e medicamentos, e obrigou o governo a cortar a eletricidade durante várias horas por dia.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em resposta, pediu aos seus apoiantes, para saírem às ruas, prontos para o “combate”, em resposta às manifestações que aconteceram contra o Governo em vários pontos do país.

 

Libéria:

Papa doou equipamentos a hospital da capital

 

O Papa Francisco enviou uma “grande quantidade” de equipamento médico, “úteis para o tratamento de pacientes afetados pelo Covid-19”, ao Hospital católico ‘São José’, localizado na Diocese de Monróvia, a capital da Libéria.

O Santo Padre doou ventiladores, máscaras, capacetes respiratórios, oxigénio, protetores faciais e medicamentos antisséticos para as vias respiratórias, ao hospital dirigido pela Ordem de São João de Deus.

 “Esta última oferta é a continuação de uma longa solidariedade”, disse o Núncio apostólico na Libéria, destacando que o Papa tem apoiado o trabalho da Igreja Católica na Libéria também através de doações em dinheiro, no valor de 40 mil euros, desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020.

A Igreja Católica na Libéria administra 22 estruturas de saúde e “todos os funcionários do hospital” de São José, religiosos e leigos, “enfrentaram” o ébola”, em 2014, e desde esse período estão a fazer “muitos esforços para preparar os funcionários e equipar adequadamente a estrutura para emergências semelhantes”.

 

Hungria:

52.º Congresso Eucarístico Internacional

pode ser um «autêntico sinal» de «esperança e caridade

para a unidade e a paz na Europa»

 

D. José Cordeiro presidiu à Missa em Budapeste e afirmou na homilia que o Congresso Eucarístico, que está a decorrer na cidade, pode ser um sinal de “esperança e caridade para a unidade e a paz na Europa”.

“Que este 52º Congresso Eucarístico Internacional seja um autêntico sinal de fé, de esperança e de caridade para a unidade e a paz na Europa e em todo o mundo, porque a Eucaristia é sacramento que forma o corpo eclesial”, afirmou o bispo de Bragança-Miranda.

Para D. José Cordeiro, é delegado da Conferência Episcopal aos Congressos Eucarísticos, a Liturgia, “sobretudo a Eucaristia” é “fonte e vértice da vida da Igreja” porque “toda a atividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo, sendo na Liturgia que a Igreja manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre”.

Na homilia da Missa, no dia em que a liturgia católica celebra a festa da Natividade de Nossa Senhora, D. José Cordeiro lembrou “a Mãe do Homem novo e a aurora do Mundo novo” e desafiou a “viver a existência humana à luz do Evangelho”.

“A nossa realidade pastoral exige a coragem, a confiança e a paciência para ir ao encontro dos homens e das mulheres do nosso tempo, testemunhando que também hoje é possível, belo, bom e justo viver a existência humana à luz do Evangelho”, afirmou.

D. José Cordeiro referiu-se à festa da Natividade de Nossa Senhora como uma “expressão da universalidade eclesial”, experimentada também na “participação num Congresso Eucarístico Internacional”, enquanto “experiência forte da catolicidade da Igreja”.

“Na diversidade das línguas e culturas é que se encontra a unidade da fé da Igreja una, santa, católica e apostólica”, afirmou.

O 52.º Congresso Eucarístico Internacional tem como tema: “Todas as minhas fontes estão em Ti. A Eucaristia: Fonte da nossa vida e da nossa missão cristã”; de Portugal participaram 26 pessoas, e diversas dioceses.

O Papa Francisco presidiu à Celebração Eucarística de encerramento, a 12 de setembro, na Praça dos Heróis, de onde partiu para a viagem à Eslováquia.

 

Afeganistão:

«Estados membros e União Europeia

têm de salvar o maior número de pessoas»,

disse o presidente da comissão dos episcopados europeus

 

O presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) disse que os bispos da UE estão preocupados com as pessoas “que estão desesperadas e querem sair do Afeganistão”, com medo da opressão, e pede compaixão e acolhimento.

“É muito claro que os Estados da União Europeia – e a própria União Europeia – têm de fazer tudo o que é possível para salvar o maior número de pessoas e também para recebê-los dentro dos países membros”, disse D. Jean-Claude Hollerich, divulgou hoje o portal ‘Vatican News’.

 “Eu gostaria que os políticos não colocassem apenas as estratégias geopolíticas no centro de suas políticas, mas cuidassem de cada pessoa individualmente”, assinalou o presidente da COMECE.

Para o cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo, esta é a oportunidade dos Estados da EU demonstrarem que acreditam nos seus valores, “aceitando, acolhendo e tentando integrar as pessoas”, porque a alternativa é deixar os afegãos “sozinhos com seu medo da morte e da humilhação”.

Os talibãs tomaram o controlo do Afeganistão e chegaram à capital Cabul no dia 15 de agosto, em menos de duas semanas após o início da retirada das tropas da coligação internacional encabeçada pelos Estados Unidos da América, e regressam ao poder 20 anos depois de terem governado o país entre 1996 e 2001.

 

Angola:

«Todos os que têm problemas

que não conseguem resolver

vêm chorar na ‘mamã’»

 

O reitor do Santuário angolano de Nossa Senhora da Muxima disse que há uma “expectativa enorme” para a peregrinação anual, no primeiro fim de semana de setembro, ao local onde os peregrinos procuram “socorro” para os diversos problemas.

“Todos os que têm problemas sociais, económicos, de superstições, muitos problemas que afetam as famílias, problemas que não conseguem resolver vêm chorar na ‘mamã’. Choram e felizmente são consolados, sentem-se confortados”, disse o padre Vicente Pinto Melo em declarações à Agência Ecclesia.

O reitor do Santuário de Nossa Senhora da Muxima sublinha que este local foi ganhando uma “devoção popular” porque “concretizavam tudo o que os fiéis viessem pedir de bom”.

E acrescenta que, “mesmo com grandes dificuldades”, como de transporte, nos anos 80 e 90, por exemplo, o povo conseguia peregrinar ao santuário a cerca de 130 quilómetros de Luanda. “Viam que as dificuldades não são obstáculos para chegar a Nossa Senhora e aqui é esta mãe do coração onde todos se sentem à vontade”, acrescentou.

O reitor lembra que em anos anteriores já receberam “mais de 800 mil pessoas” e uma estatística contabilizou “quase um milhão de pessoas” neste lugar que, apesar de ser pequeno, na celebração desta festa “torna-se grande”.

O emblemático Santuário de Nossa Senhora da Muxima, na província do Bengo, estás nas margens do Rio Kwanza e tem características que também permitem “apreciar a paisagem”. A história deste local remonta ao século XVI, era um lugar central onde os “escravos eram levados para as Américas, antes trabalhavam no outro lado do rio” e eram batizados no santuário. “Com o tempo foi ganhando uma dimensão mais popular. A romaria nos anos de 1833 começou a ganhar popularidade e as pessoas começaram a ver como um lugar de devoção onde muitos pedidos foram feitos e concretizavam os seus sonhos”, desenvolveu sobre o santuário que é “um dos maiores da África austral.

A Igreja Católica no país lusófono quer elevar o santuário mariano de Muxima à condição de primeiro santuário nacional do país, um processo que deve avançar “dentro de quatro ou cinco anos”, quando estiverem concluídas as obras em curso no local.

A imagem de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Senhora da Muxima, que traduzido da língua nacional kimbundu quer dizer “Senhora do Coração”, é uma das mais veneradas e de maior devoção popular em Angola.

 

Argentina:

Papa pede à Cáritas para «servir mais concretamente

de acordo com o tempo e as circunstâncias»

 

O Papa Francisco afirmou numa mensagem-vídeo enviada à Cáritas da Argentina por ocasião da realização do “Caminho 2021” que é necessário “servir mais” de acordo com “o tempo e as circunstâncias”.

“O Caminho 2021 é um processo sinodal que fazemos a cada três anos, uma experiência de nos colocarmos em ‘saída’, escutarmos e discernir como amar e servir mais concretamente de acordo com o tempo e as circunstâncias”, afirmou o Papa.

Francisco pede à Cáritas da Argentina para desenvolver o seu serviço “vendo os sinais dos tempos e lugares”.

O “Caminho 2021” é “um momento de discernimento comunitário em diferentes etapas que ocorre a cada três anos e envolve todos os agentes pastorais da Cáritas Argentina”.

Colaboradores nacionais, diocesanos e paroquiais participam neste “processo sinodal” para “uma reflexão e escuta mútua, à luz do Espírito para avaliar os desafios presentes e futuros”.

 

Japão:

Atletas «juntos» nos Jogos Olímpicos

colocam a competição em sintonia

com a fraternidade proposta pelo Papa

 

O Comité Olímpico Internacional (COI) aprovou a mudança do lema que marcam os Jogos, realizados oficialmente em Tóquio, juntando ao desafio «Mais rápido, mais alto, mais forte», a palavra «juntos», numa marca de solidariedade que a organização quer imprimir.

“A solidariedade alimenta a nossa missão de tornar o mundo um lugar melhor através do desporto. Só podemos ir mais rápido, só podemos almejar mais alto, só podemos ser mais fortes, se permanecermos juntos – em solidariedade”, afirmou o antigo campeão olímpico alemão de esgrima e atual presidente do COI, Thomas Bach, sobre a mudança, aprovada por unanimidade no dia 20 de junho.

 “«Communiter», “cum munus”, que significa, dom recíproco, mostra que só com um estilo solidário – juntos – se poderá sair melhor da crise. Também através do desporto”, pode ler-se numa nota publicada na página do Facebook da instituição.

No dia 29 de maio, uma delegação da Athletica Vaticana foi recebida pelo Papa Francisco, que lhes manifestou a sintonia com os participantes olímpicos das “delegações menores e mais pobres”, e lembrou a equipa de refugiados, “os que lutam e sofrem na grande corrida da vida”.

O lema original «Citius, Altius, Fortius», adotado em 1894 pelo Movimento Olímpico, a pedido de Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, queria manifestar excelência e incentivar os atletas a dar o seu melhor na competição e pediu emprestado o lema ao padre dominicano, Henri Didon, que ensinava desporto na periferia de Paris.

Devido à pandemia, e ao aumento do número de infeções provocadas pela Covid-19, a Arquidiocese de Tóquio decidiu cancelar o programa pastoral que tinha preparado, dirigido aos atletas. “Estava previsto que cada paróquia pudesse atender às necessidades espirituais de todos os atletas, mas agora decidimos cancelar essas iniciativas”, afirmou o arcebispo de Tóquio, Tarcisio Isao Kikuchi, numa nota divulgada pela imprensa.

No calendário, estava prevista uma missa internacional celebrada na catedral local e a criação de um rosário especial, que seria entregue a todos os participantes dos Jogos.

 

Polónia:

Beatificação do cardeal Wyszyński e madre Czacka

Os milagres

 

Karolina Gawrych e a irmã Nulla são duas mulheres que foram milagrosamente curadas pela intercessão de dois beatos polacos.

No dia 12 de setembro se celebrou-se a beatificação do mentor de são João Paulo II, o cardeal Stefan Wyszyński, e da fundadora da Congregação das Franciscanas Servas da Cruz, madre Róża Czacka.

Durante uma conferência, na Casa dos Arcebispos de Varsóvia, na Polônia, as duas mulheres narraram os acontecimentos medicamente inexplicáveis que levaram à proclamação dos dois novos beatos.

A religiosa da Congregação das Irmãs Discípulas da Cruz, irmã Nulla, afirmou que, quando entrou na vida religiosa em 1986, ela já orava pela beatificação do cardeal Wyszynski. Em fevereiro de 1988, fez uma cirurgia de tiroide e os médicos retiraram lesões cancerosas e gânglios linfáticos com metástases. A doença continuou a crescer e, em 1989, a irmã Nulla teve de voltar ao tratamento no Centro Oncológico de Gliwice.

A terapia foi ineficaz. Um tumor de cinco centímetros cresceu na sua garganta causando-lhe dificuldades para respirar, ingerir remédios e dormir. “Quando o médico me deu o diagnóstico, também me disse que eu tinha, no máximo, três meses de vida. Era possível operar, mas com um alto risco de complicações irreversíveis”, lembrou a irmã Nulla.

Ao ouvir o diagnóstico, a fundadora da Congregação, irmã Helena Christiana Mickiewicz, começou a rezar, com outras religiosas e leigos, pela cura da irmã Nulla, pedindo a intercessão do cardeal Wyszynski.

Milagrosamente, na noite de 14 de março de 1989, uma das mais dolorosas que a religiosa experimentou por causa de uma hemorragia intensa, o tumor começou a diminuir apesar de ela não ter sido operada.

Em 21 de março, a irmã Nulla deixou o hospital. Depois, fez o noviciado para professar seus votos e atualmente serve a Igreja através da congregação.

“Muitas vezes os médicos me disseram que só me haviam recebido na unidade porque eu era jovem, para que eu não ruísse mentalmente, porque o tratamento que me davam não podia me ajudar. Vi milagres ocorrerem e os crentes não precisam de muitas explicações”, acrescentou.

 

Bielorrússia:

Presidente da Conferência Episcopal

destaca preocupação do Papa com o país

 

O presidente da Conferência Episcopal da Bielorrússia sublinhou a preocupação do Papa com o país, que enfrenta uma crise social e política, apelando a uma solução pacífica.

“Agradecemos a oração e a lembrança do Papa Francisco, que está preocupado com o que está a acontecer no nosso país”, destaca D. Aleh Butkevich, em entrevista à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“A representação da Santa Sé na Bielorrússia está a tentar, por via diplomática, ajudar a população nestas circunstâncias difíceis a conseguir uma solução pacífica para a crise do nosso país e a influenciar positivamente a comunidade internacional”, acrescenta.

O secretariado português da AIS enviou hoje à Agência Ecclesia um comunicado sobre a situação na Bielorrússia, “marcada por protestos reprimidos violentamente e sanções”.

A nota destaca o caso do arcebispo de Minsk, D. Tadeusz Kondrusiewicz, que durante alguns meses foi impedido de regressar à Bielorrússia, depois de ter criticado a liderança política do país.

D. Aleh Butkevich, bispo de Vitebsk, no norte da Bielorrússia, defende que “a Igreja deve reagir e não pode ficar indiferente”.

“A Igreja tenta chegar aos seus corações apelando para que trabalhem pela paz e pela reconciliação, bem como iniciar um diálogo que resolva os problemas. Oferecemos todas as formas de assistência possíveis: apoio espiritual, psicológico e, por vezes, também material, para quem se encontra em situações particularmente difíceis”, indica.

 

Inglaterra:

Bispo anglicano entra em plena comunhão com a Igreja Católica

 

O reverendo Jonathan Goodall, bispo anglicano de Ebbsfleet, na Inglaterra, anunciou em 3 de setembro que, “depois de um longo período de oração”, renunciará a seu ministério protestante para entrar na plena comunhão com a Igreja Católica.

“Tomei a decisão de renunciar como bispo de Ebbsfleet para ser recebido na plena comunhão com a Igreja Católica Romana, só depois de um longo período de oração, que foi um dos períodos mais difíceis da minha vida”, disse, na festa de são Gregório Magno, o papa do século VI que enviou uma missão para converter a Inglaterra ao cristianismo.

“A vida na comunhão da Igreja da Inglaterra modelou e alimentou meu discipulado como cristão católico por muitas décadas. Foi aqui que recebi, pela primeira vez e durante metade da minha vida como sacerdote e bispo, a graça sacramental da vida e da fé cristãs. Sempre guardarei isso e serei grato por isso”, disse.

E continuou: “Confio em que todos vós acreditareis que tomei a minha decisão como uma forma de dizer ´sim` ao atual chamado e convite de Deus, e não de dizer ´não` ao que conheci e experimentei na Igreja da Inglaterra, com a qual tenho uma profunda dívida”.

Atualmente com 60 anos, Goodall foi bispo de Ebbsfleet desde 2013, atuando como visitante episcopal provincial e apoiando as congregações da Igreja da Inglaterra que não reconhecem as mulheres sacerdotes e bispos. Ele foi capelão e secretário ecumênico do então arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, de 2005 a 2012.

Goodall tem fortes laços com a abadia de Westminster, a igreja real de Londres’ da qual foi padre menor, capelão e sacristão entre 1992 e 1998. Desde 2004, foi sacerdote vigário da abadia de Westminster.

Um comunicado de imprensa publicado em 3 de setembro afirmou que o atual arcebispo de Canterbury, Justin Welby, aceitou a decisão de Goodall “com pesar”.

“Estou profundamente agradecido ao bispo Jonathan por seu ministério e muitos anos de fiel serviço. Oro por ele e por Sarah [sua esposa], pelo seu futuro ministério e pela orientação à qual estão sendo chamados em sua jornada contínua de serviço dedicado a Cristo”, disse Welby, líder espiritual da Comunhão Anglicana mundial, terceiro maior agrupamento cristão depois da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa.

Goodall é o segundo bispo de Ebbsfleet que busca a plena comunhão com a Igreja Católica.

Não se sabe se ele buscará ser ordenado sacerdote católico ou se se unirá ao Ordinariato Pessoal.

 

Brasil:

Presidente da CNBB pede «medidas públicas»

para que pobres regressem ao mercado de trabalho

 

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, D. Walmor Oliveira de Azevedo, pediu aos cristãos para “não serem indiferentes” à exclusão social e afirmou a importância de medidas públicas para que os pobres regressem ao trabalho.

“A fome é a realidade de quase 20 milhões de brasileiros. Aquele pai que não tem alimentos a oferecer para o próprio filho é seu irmão. Nosso irmão. Do mesmo modo, a criança e a mulher feridas pela miséria são suas irmãs, nossos irmãos e irmãs”, afirmou o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, numa mensagem gravada em vídeo por ocasião do Dia da Independência do Brasil, celebrado a 7 de setembro.

A data que os brasileiros celebram, “deve inspirar ao reconhecimento de que todos são irmãos, inclusive daqueles com quem não se concorda”.

D. Walmor lamentou a raiva e intolerância e criticou quem, em nome de ideologias, se dedica a ofensas e à defesa do armamento da população.

“Quem se diz cristão ou cristã deve ser agente da paz e a paz não se constrói com armas. Somos todos irmãos. Esta verdade é sublinhada pelo Papa Francisco na carta encíclica Fratelli Tutti”, disse.

O Arcebispo sublinhou: “Não se deixe convencer por quem agride os poderes Legislativo e Judiciário. A existência de três poderes impede a existência de totalitarismos”, disse.

 “A exploração desmedida e irracional do solo, com a derrubada de florestas, está levando à escassez de água em nossas torneiras. Não podemos deixar que o Brasil, reconhecimento internacionalmente por ser rico em recursos naturais, seja devastado e torne-se uma terra arrasada”, exortou.

“No dia da Pátria, 7 de setembro, rezemos para que o Brasil encontre um caminho para superar as suas crises. Rezemos também pelas vítimas da Covid-19 “, finalizou

 

Canadá:

Ataques a igrejas católicas aumentam acentuadamente

 

Os ataques a igrejas católicas no Canadá aumentam acentuadamente: segundo a polícia de Vancouver, foram 13 ocorrências desde o início de junho, incluindo desde atos de vandalismo como pedradas e frases pintadas até incêndios criminosos que já destruíram completamente ao menos dez igrejas no país.

A onda de ataques começou em maio, quando foram descobertas cerca de 200 sepulturas num antigo colégio interno da cidade de Kamloops, na província da Colúmbia Britânica. Eram túmulos de crianças indígenas que o próprio governo canadense retirava de suas famílias e comunidades originárias para enviá-las a escolas residenciais com o objetivo de separá-las da sua cultura nativa e educá-las no estilo de vida dito ocidental.

Como a maioria dessas escolas eram geridas por congregações católicas, a indignação com a descoberta das sepulturas foi canalizada contra a Igreja, acusada de omissão ou mesmo de ativa cumplicidade com essa política de imposição cultural do governo canadense.

Após o achado dos primeiros 200 túmulos, começaram a ser descobertas centenas de outros, sem identificações, em diversas outras escolas espalhadas pelo país.

As autoridades policiais também estão preocupadas com o número de igrejas vandalizadas. A polícia de Vancouver, uma das mais importantes cidades do país, diz-se atenta e ativa para impedir novos casos. O sargento Steve Addison declarou:

“Felizmente, ninguém ficou ferido nesses incidentes de Vancouver e a maioria dos danos foram menores. Mas estamos ficando mais preocupados a cada dia com a escalada desses crimes e com a sua natureza explícita. Pedimos aos responsáveis por esses crimes que parem”.

A arquidiocese local também emitiu comunicado: “O caminho certo a seguir é o da reconciliação, do diálogo e da expiação com os povos indígenas e seguindo a maneira como eles nos conduziriam nesse processo”.

 

Camarões:

Mais um padre sequestrado

 

Mais um padre sequestrado em Camarões: a vítima desta vez é o pe. Julius Agbortoko, vigário geral da Diocese de Mamfe, sudoeste de Camarões. O sequestro foi perpetrado no último domingo, 29 de agosto, quando o sacerdote voltava de uma visita pastoral à localidade de Kokobuma.

Os sequestradores invadiram o seminário maior de Mamfe e se dirigiram ao quarto do bispo emérito, dom Francisco Teke Lysinge. No entanto, optaram por sequestrar o jovem pe. Agbortoko.

O pe. Sebastine Sinju, chanceler da diocese de Mamfe, declarou que o ato de violência é terrorista.

Os autores do sequestro são combatentes separatistas que pretendem emancipar as regiões anglófonas de Camarões do governo central do país. No contexto da luta armada que vem sendo travada na região, os sequestros tornaram-se uma arma dos rebeldes para pressionar politicamente e para angariar dinheiro. De fato, os bandidos exigiram um valor de resgate pelo padre sequestrado equivalente a 30 mil euros, ou mais de 180 mil reais.

Usados como meio terrorista para a causa do separatismo camaronês, os sequestros têm sido cometidos em série no país, como também ocorre na vizinha Nigéria, embora neste caso por razões mais ligadas à criminalidade galopante ou ao terrorismo jihadista de grupos fanáticos islâmicos como o Boko Haram. Seminaristas, freiras e sacerdotes têm sido alvo preferencial.

Mesmo que por outros motivos, o cenário em Camarões não tem sido muito menos perigoso para os católicos. Há cerca de três meses, os bandidos sequestraram o Pe. Christopher Eboka, também de Mamfe, e mantiveram-no durante nove dias em cativeiro.

 

Sudão do Sul:

Papa lamenta morte de duas religiosas

em ataque de homens armados

 

O Papa Francisco lamentou a morte de duas religiosas da Congregação do Sagrado Coração de Jesus no Sudão do Sul, num ataque realizado por homens armados no dia 15 de agosto, num telegrama enviado à da nunciatura apostólica do país africano.

O Papa revela que está “profundamente triste” ao ter conhecimento do “ataque brutal a um grupo de freiras da Congregação do Sagrado Coração, que resultou na morte das irmãs Maria Abud e Regina Roba”.

Francisco exprime “condolências às famílias” das duas religiosas e à sua comunidade religiosa, após este “ato de violência sem sentido” e confia que o seu sacrifício vai ajudar “a causa da paz, da reconciliação e da segurança na região”.

“Sua santidade ora pelo seu resto eterno e pelo conforto daqueles que carregam suas perdas”, lê-se no telegrama enviado ao arcebispo Mark Kadima, da Nunciatura Apostólica no Sudão do Sul, assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, e publicado na Sala de Imprensa da Santa Sé.

O ‘Vatican News’ informa que as duas religiosas foram mortas numa emboscada na estrada que liga Juba, capital do Sudão do Sul, a Nimule, na fronteira com Uganda, quando regressavam com outras irmãs e fiéis da celebração do centenário da fundação da paróquia de Loa, na Diocese de Torit, onde a igreja é dedicada a Nossa Senhora da Assunção.

Segundo fontes locais, acrescenta o portal de notícias do Vaticano, para além das irmãs Maria Abud e Regina Roba mais três pessoas foram mortas no ataque realizado em 15 de agosto.

 

Egito:

ataque jihadista gera medo na comunidade cristã

 

A explosão de uma bomba em New Rafah, uma localidade situada na região do Sinai, no Egito, causou a morte a oito soldados, incluindo um oficial, e deixou ainda seis feridos com gravidade. O ataque foi reivindicado pelo Daesh, o grupo terrorista que se auto-intitula de Estado Islâmico.

Este grave incidente veio aumentar o sentimento de insegurança que se vive na região, palco de ataques não só contra as forças de segurança mas também contra a comunidade cristã.

Sinal dessa violência foi a divulgação, em Abril, de um vídeo do assassinato cruel de um cristão copta, Nabil Habshi, de 62 anos, e que havia sido sequestrado em Novembro do ano passado por elementos daquele grupo extremista.

Um dos motivos por que Nabil foi executado a tiro terá sido o seu envolvimento na construção de uma igreja em Bir Al-Abd, precisamente na região do Sinai. 

No vídeo da execução, que os terroristas divulgaram nas redes sociais, tal como a Fundação AIS então revelou, um dos algozes “acusa explicitamente” o cristão por “ter contribuído financeiramente para a construção da igreja”. 

O assassinato deste homem, que a comunidade local já considera como um “novo mártir”, gerou dor e consternação. A Igreja copta descreveu-o como “um servo fiel” que deu “testemunho da sua fé até ao sacrifício de sangue”.

A região norte do Sinai continua a ser muito problemática para a comunidade cristã, mesmo após as operações militares desencadeadas pelo exército e forças de segurança contra grupos jihadistas que operam com relativa facilidade nesta zona. 

 

Mali:

Missionário agradeceu em Fátima a libertação, após dois anos de sequestro

 

O missionário italiano Gigi Maccalli esteve em Fátima, para agradecer pela sua libertação, em finais de 2020, após dois anos de sequestro no Mali.

“Tenho um dever de reconhecimento para com Maria e, em particular, a Nossa Senhora de Fátima porque a minha libertação aconteceu na festa de Nossa Senhora do Rosário. Fui libertado a 8 de outubro de 2020, mas na noite de 7 de outubro – festa do Rosário, anunciaram-me ‘Libération. C’est fini.’ Foi esta ligação, mesmo que simbólica, que quis honrar vindo a Fátima, nestes dias”, referiu o sacerdote ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O sacerdote, que pertence à Sociedade das Missões Africanas, esteve em cativeiro às mãos de um grupo jihadista na região do Sahel e lembrou também o caso da Irmã Gloria Narvaez Argoti, religiosa colombiana igualmente raptada por jihadistas e que está em cativeiro há mais de quatro anos.

“Todos os dias rezo por esta Irmã e mulher que, de há quatro anos e meio para cá, ainda está nas mãos dos seus raptores. Sofri dois anos de prisão e foi longo. Ela tem mais do dobro de tempo de prova, é uma mulher, uma religiosa e está só. Creio que necessita de muitas orações. Peço a todos para rezarem todos os dias por ela e pelos outros prisioneiros, para que aconteça depressa a sua libertação”, assinala o padre Maccalli.

O sacerdote passou pela Cova da Iria com o seu irmão, padre Walter Maccalli, e da missionária portuguesa Alexandra Almeida, ambos em missão na Libéria.

“O momento mais difícil creio que terá sido quando me algemaram. Recordo-me da data: 5 de outubro de 2018, depois de ter sido levado de mota, através de todo o Burquina Faso. Naquele dia, chegamos a uma caverna e ali me algemaram a uma árvore. Foi um momento muito desconfortável. Chorei. Gritei a Deus: ‘Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste’”, relata o missionário.

O padre Maccalli refere que a missão de Bomoanga, onde foi raptado, fica numa região isolada, sem polícia. “É uma missão aberta a todos, bem ao nosso estilo de missionação: estar no meio das gentes, junto das pessoas e com elas. Somos presa fácil de gente que, sem escrúpulos, tem outras intenções”, aponta.

Durante o tempo de sequestro, o missionário fez um terço com o pano que lhe cobria a cabeça. “O terço foi sempre a minha companhia durante todo este tempo de prisão. Muitas vezes digo que Maria e o Espírito Santo me sustentaram nesse momento difícil em que experimentei a noite escura e senti o silêncio de Deus. Mas, ao mesmo tempo, a oração dava-me força, cada dia”, explica.

 

França:

Provincial dos Missionários Monfortinos foi assassinado

 

O padre Olivier Maire, provincial dos Missionários Monfortinos em França, foi assassinado por um homem a quem dava abrigo, informa a imprensa local.

O secretário da Conferência Episcopal Francesa (CEF), padre Hugues de Woillemont, reagiu à notícia, manifestando “dor e incompreensão” perante esta morte, e manifestando “comunhão de oração e esperança” à família religiosa do sacerdote.

O assassinato aconteceu em Vendée, França.

O ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, publicou uma mensagem na sua conta do Twitter, anunciando que se vai deslocar ao local do crime esta tarde.

“Todo o meu apoio aos católicos do nosso país depois do assassinato dramático de um padre em Vendée”, escreveu.

O suspeito do homicídio do padre Olivier Maire é um cidadão ruandês, que se entregou na esquadra da polícia e confessou a autoria do crime; estava sob investigação por causa do incêndio na Catedral de Nantes, em julho de 2020.

“O padre Olivier Maire foi assassinado, vítima da sua generosidade”, escreveu o delegado episcopal para a Informação da Diocese de Rennes, padre Nicolas Guillou.

A Conferência de Religiosas e Religiosas da França (CORREF) e a CEF publicaram um comunicado conjunto, em que manifestam a sua “imensa tristeza” e “horror”, assegurando aos familiares da vítima a suas orações, bem como a todos os missionários Montfortinos, que “continuam o projeto do seu fundador, evangelizar em proximidade e atenção a todos ”.

 

Índia:

Missionárias da Caridade celebraram 111º aniversário

de nascimento de Madre Teresa de Calcutá (c/fotos)

 

As Missionárias da Caridade celebraram em 26 de agosto, o 111º aniversário de nascimento da fundadora, Madre Teresa de Calcutá, na Casa Mãe da Congregação, em Calcutá, na Índia.

O aniversário de Madre Teresa de Calcutá foi assinalado pelas Missionárias da Caridade com a distribuição de alimentos aos pobres da cidade onde a fundadora começou a ajudar pobres e doentes

Gonxha Agnes Bojaxhiu, a Madre Teresa, nasceu em Skopje (atual capital da Macedónia), então sob domínio otomano, a 26 de agosto de 1910, no seio de uma família católica que pertencia à minoria albanesa.

A 25 de dezembro de 1928 partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria (Irmãs do Loreto), para abraçar a Vida Religiosa, com o ideal de ser missionária na Índia.

Acabou depois por embarcar rumo a Bengala, passando por Calcutá até Dajeerling, numa casa da Congregação fundada pela missionária Mary Ward, onde escolheu o nome de Teresa.

Madre Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o às suas religiosas, quando fundou as Missionárias da Caridade.

O seu trabalho nas ruas de Calcutá centrou-se nos pobres da cidade que morriam todas as noites, vestida com um sari branco, debruado de azul, a imagem com que o mundo se habituou a vê-la.

Nobel da Paz em 1979, a religiosa faleceu a 5 de setembro de 1997, na casa geral da congregação que fundou, em Calcutá, aos 87 anos de idade.

Foi beatificada por João Paulo II a 19 de outubro de 2003, depois de o Papa polaco ter autorizado que o processo decorresse sem esperar pelos cinco anos após a morte, exigidos pela lei canónica, e canonizada pelo Papa Francisco no dia 4 de setembro de 2016.

 

Irão:

expulsa freira idosa italiana que cuidou de leprosos durante 26 anos

 

O Vatican News publicou a triste e chocante notícia de que a República Islâmica do Irão expulsou uma freira italiana de 75 anos, irmã Giuseppina Berti, que, durante mais de duas décadas e meia, trabalhou junto aos doentes de hanseníase da cidade de Tabriz.

Agora aposentada, a irmã vivia na casa da congregação das Filhas da Caridade em Ispahan, mas o seu visto não foi renovado e ela recebeu a ordem de ir embora do país.

A tendência é de que outra religiosa idosa da mesma congregação, a irmã austríaca Fabiola Weiss, de 77 anos, sofra o mesmo tipo de expulsão: após 38 anos cuidando dos pobres e doentes no mesmo instituto em Tabriz, ela conseguiu a renovação do visto para mais um ano, mas não há qualquer garantia de que poderá continuar no Irão após esse prazo.

As duas religiosas dedicaram a vida aos doentes iranianos sem distinção de religião ou etnia.

Além do trabalho junto aos enfermos, as Filhas da Caridade dedicaram-se ainda, durante décadas, à educação de jovens em Ispahan. Elas também cuidaram de centenas de crianças polonesas refugiadas e órfãs de guerra que chegaram ao Irão em 1942, quando a Polônia era martirizada pelos invasores nazistas.

A grande escola que as freiras dirigiam na cidade, porém, foi confiscada logo após a revolução islâmica de 1979. Atualmente, a própria casa das freiras é considerada a única igreja católica latina existente em Ispahan. Sua capela, de 1939, é sede da paróquia Virgem Poderosa, mas nela só se conseguem celebrar Missas ocasionalmente. Segundo o Vatican News, as duas irmãs que moram em Ispahan não realizaram nenhuma atividade externa nos últimos anos para evitar acusações de proselitismo.

 

Líbano:

Papa pede ajuda da comunidade internacional

perante «dura crise» que atinge população

 

O Papa evocou no Vaticano o primeiro aniversário da “terrível explosão” no Porto de Beirute, que matou mais de 200 pessoas e provocou elevados danos materiais, apelando à ajuda da comunidade internacional.

“Apelo hoje à comunidade internacional, pedindo que ajude o Líbano a cumprir um caminho de ressurreição, com gestos concretos, não apenas com palavras. Gestos concretos”, disse, no Auditório Paulo VI, onde retomou as audiências gerais.

Francisco sublinhou o impacto social e económico deste desastre, alertando que muitos libaneses “perderam a vontade de viver”.

“Um ano depois da terrível explosão que aconteceu no porto de Beirute, capital do Líbano, que provocou morte e destruição, o meu pensamento vai para aquele querido país, sobretudo para as vítimas, as suas famílias, aos muitos feridos e aos que perderam a sua casa e o trabalho”, referiu.

A 1 de julho, o Papa convocou um dia de oração e reflexão pelo Líbano, no Vaticano, com a participação de líderes cristãos. “Acolhemos as aspirações e expectativas do povo libanês, cansado e desiludido, invocando de Deus a luz e a esperança para superar esta dura crise”, explicou.

 

México:

padre é assassinado a tiros dentro de igreja

da Paroquia Santo Tomás Apóstol Miacatlán

 

O padre José Guadalupe Popoca Soto, de 43 anos, foi assassinato com um tiro na cabeça. O corpo foi encontrado na manhã de 31 de agosto um tiro na cabeça e estava dentro da igreja paroquial.  de são Nicolau de Bari, em Galeana, estado de Morelos, no México.

A ponto de atingir cem mil homicídios dolosos em menos de três anos, o crime, mais uma vez, atinge a face e o coração da Igreja no México

Popoca Soto, conhecido sobretudo entre as crianças e os jovens da localidade de Galeana como “Padre Cheché”, chefiava a populosa paróquia de San Nicolás de Bari.

Segundo os paroquianos o padre era um sacerdote alegre, que “sempre promovia mudanças” na comunidade e nas pessoas que iam ao templo em busca de ajuda material e espiritual.

Dom Castro, que sofreu em primeira mão as ameaças do crime organizado no Estado de Morelos, refletiu a impotência de tantos bispos do país diante de uma enxurrada de violência que não para nem na frente de um padre.

Em 23 de agosto de 2019, o padre José Martín Guzmán Vega foi esfaqueado do lado de fora de sua igreja paroquial na comunidade de Cristo Rey de la Paz, em Santa Adelaida, na diocese de Matamoros, no nordeste do país.

Já em 28 de março de 2021, o Ministério Público Estadual de Guanajuato (centro do México) informou sobre a descoberta do corpo sem vida do padre Gumersindo Cortés González, na localidade de Cerrito de Guadalupe e San Antón de las Minas, no município de Dolores Hidalgo.

Em 12 de junho de 2021, Frei Juan Antonio Orozco Alvarado, OFM, foi vítima de um fogo cruzado em um confronto entre cartéis rivais. Ele iria celebrar missa na comunidade Tepehuana de Pajaritos e em Mezquital, Durango (noroeste da capital do país).

O padre Luis López Villa, de 71 anos, foi assassinado no interior da paróquia de San Isidro Labrador, localizada na no município de Reyes La Paz, Estado do México. O crime aconteceu no dia 06 de julho de 2017.

 

Tajiquistão:

Fundado o primeiro mosteiro católico, neste país com 120 fiéis

 

Acaba de ser fundado o primeiro mosteiro católico no Tajiquistão, um país de 9 milhões de habitantes e somente 120 fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana.

O Instituto do Verbo Encarnado é a família religiosa responsável pelo novo mosteiro de vida contemplativa no território desse país da Ásia Central, cuja população é majoritariamente

O Tajiquistão conta com a presença da Igreja Católica desde o final da década de 1970, quando o país fazia parte da hoje extinta União Soviética. O regime comunista, ferozmente ateu, impedia a prática pública da fé e considerava a religião um veneno, mas, por coisas da Providência, esse mesmo regime acabou favorecendo a chegada do catolicismo àquela região: os primeiros padres e leigos católicos foram enviados para lá como deportados.

O pe. Pedro López, que está a serviço pastoral da pequena comunidade católica tajique, assim declarou sobre o novo mosteiro:

“Ele tem um significado muito importante, porque são religiosas rezando pelos frutos dos apostolados em que estamos trabalhando. E é muito oportuno nesses tempos de conflito. É um privilégio muito grande”.

Na fundação do mosteiro, a Celebração Eucarística foi presidida pelo pe. Jerzy Maculewicz, administrador apostólico do vizinho Uzbequistão. Houve também uma tocante procissão com a imagem de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, que foi entronizada no edifício do mosteiro. O pe. López comenta:

“Foi emotivo porque não são coisas que costumamos ver nestes países. Não há proibições explícitas, mas não é costume haver manifestações públicas da fé [cristã]”.

O novo mosteiro conta com quatro religiosas do Instituto do Verbo Encarnado, procedentes do Uzbequistão, do Paraguai e da Argentina. O edifício se localiza junto a uma das únicas duas igrejas católicas existentes no país: trata-se de uma paróquia dedicada a São José.

Além das quatro religiosas contemplativas recém-chegadas, a comunidade católica local inclui outras três freiras de vida ativa e dois sacerdotes.

 

Mianmar:

Soldados transformam duas igrejas cristãs

em aquartelamentos militares

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informa que soldados do exército de Mianmar ocuparam e transformaram em aquartelamentos militares uma igreja católica e um templo batista, na localidade de Chat, no oeste do país.

“Eles requisitaram a igreja para o seu uso. Abriram o tabernáculo, pegaram nas hóstias consagradas e atiraram-nas para o chão, pisando-as”, disse o padre John Aung, em declarações divulgadas pelo secretariado português da AIS.

“O exército deve saber respeitar os edifícios religiosos e não deve tocar em nada dentro das igrejas. Condenamos esta agressão e a violência gratuita e a profanação da nossa igreja, com a flagrante violação da liberdade de culto”, acrescentou o sacerdote.

Os militares tiveram a oposição de elementos das forças locais de resistência, enquanto o padre fugiu para a floresta com a população da aldeia, que tem cerca de 70 habitações, das quais 42 casas pertencem a famílias católica.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre recorda que a situação em Mianmar tem vindo a agravar-se desde o golpe militar a 1 de fevereiro deste ano.

Os militares derrubaram o Governo de Aung San Suu Kyi na antiga Birmânia acusando a comissão eleitoral do país de não ter posto cobro às “enormes irregularidades” que dizem ter existido nas legislativas de novembro.

O Papa Francisco, que visitou Mianmar em 2017, tem apelado ao entendimento e à paz, em março, manifestou “preocupação e amor” e encorajou a Igreja Católica a “empenhar-se no processo de paz”, numa carta enviada ao presidente da conferência episcopal local, o cardeal Charles Bo, arcebispo de Rangum.

O presidente executivo internacional da AIS, Thomas Heine-Geldern, lançou um apelo para o fim da escalada da violência no país, em abril, e as Nações Unidas alertaram que “teriam morrido mais de 880 pessoas”, no mês de julho.

A Fundação pontifícia informa que a comunidade cristã é “muito pequena” em Mianmar, corresponde a cerca de 8% da população total no país maioritariamente budista.

A Ajuda à Igreja que Sofre apoia a Igreja local financiando a formação de sacerdotes e religiosas, bem como as atividades de catequese para os fiéis, além de projetos relacionados com a construção e renovação de igrejas, capelas, casas paroquiais e conventos, bem como de centros comunitários.

 

Paquistão:

Menino de 8 anos acusado de blasfêmia

foi preso e sofreu risco de pena de morte

 

Um menino de 8 anos acusado de blasfêmia no Paquistão foi preso e sofreu risco de pena de morte. Segundo o jornal britânico The Guardian, ele ficou detido durante uma semana sob custódia policial e foi libertado após pagamento de fiança.

O alegado crime de blasfêmia atribuído ao menino foi o de urinar propositalmente em um tapete na biblioteca de uma madrassa, escola religiosa islâmica, na província do Punjab, perto da fronteira com a Índia.

Aliás, o menino e sua família são hindus e tiveram de se esconder para escapar de um furioso ataque da população local, majoritariamente muçulmana. E não apenas eles: muitos outros hindus da região chegaram a ter de fugir de casa, ainda segundo o The Guardian, porque uma multidão islâmica invadiu um templo hinduísta com paus e barras de ferro depois da soltura do menino.

Um membro da família da criança declarou ao jornal que o menino nem sequer tem noção do que seja blasfêmia, nem entende qual teria sido o tão grave crime que o levou a merecer uma semana de prisão. Ele acrescentou:

“Toda a comunidade está assustada e temos medo de represálias. Não queremos voltar para esta área, não vemos ações concretas sendo tomadas quanto aos culpados, nem para proteger as minorias que vivem aqui”.

O nome do menino que esteve em risco de ser condenado à morte não foi divulgado pelo The Guardian, embora a sua identidade seja publicamente conhecida no Paquistão. Ele é a pessoa mais jovem já acusada até hoje do crime de “blasfêmia” desde a promulgação da assim chamada “lei antiblasfêmia” no Paquistão em 1986. No entanto, está bem longe de ser o único.

 

Síria:

Religiosa portuguesa alerta para agravamento da crise económica

 

A irmã Maria Lúcia Ferreira, religiosa portuguesa que vive na Síria, afirma que há pessoas que vivem «a pão e água», alertando para a crise económica está a deixar profundas marcas no quotidiano das populações.

“Está a ser muito difícil. Aqueles que tinham algumas reservas de dinheiro para o futuro, estão a gastá-lo pouco a pouco. Aqueles que não têm vivem a pão e água”, disse a religiosa ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

E exemplifica que “os produtos cada vez mais caros”, seja a comida mas, sobretudo, as roupas. “Uma peça de roupa [custa] quase metade de um salário, tal como um quilo de carne”, exemplifica.

A religiosa portuguesa, da Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara, e adianta também que há falhas no fornecimento de eletricidade, dificuldade no acesso ao gás e nos combustíveis, com “muita falta de gasolina”, o que obriga as famílias a “calcular onde é que podem ir com a gasolina que recebem”.

“No verão diziam que ia haver apenas duas horas de eletricidade por dia, o que não dá para o congelador conservar a comida, nem para o frigorífico. Também ter gás para um mês inteiro é extremamente difícil, uma botija de gás só chega a cada família a cada mês e meio, mais ou menos”, desenvolveu.

“No mosteiro temos um bocadinho de sorte porque estamos na linha do poço que bomba a água para a vila e temos mais eletricidade do que em Qara”, acrescentou.

Segundo a irmã Maria Lúcia Ferreira, a crise económica está também a afetar os projetos humanitários e de desenvolvimento que as religiosas promovem no Mosteiro de São Tiago Mutilado, como o projeto das lãs, que “procura dar trabalho e ser uma fonte de rendimento extra para as mulheres da vila de Qara”.

“Eu comprava a lã a 3 mil liras sírias há um ano e meio. Agora, passou a 25 mil o quilo, é enorme a diferença”, explicou.

 

Irlanda:

Primeiro centenário da Fundação da legião de Maria

 

Dublin celebrou com júbilo o primeiro centenário da fundação da associação de leigos Legião de Maria.

Foi, com efeito, ao cair da noite de 21 de setembro de 1921 que um grupo de leigos guiados por Frank Duf, um empregado das Finanças, se reuniram para tentarem uma experiência apostólica, afim de porem em prática o Tratado da verdadeira Devoção, de S. Luís Maria de Monforte.

O jovem apostólico tinha lido, relido e meditado este tratado de espiritualidade mariana e interrogava-se como poderiam tornar-se instrumentos de Maria, na ajuda espiritual aos seus irmãos.

Começaram por invocar o Espírito Santo, rezar o terço e fazer uma pequena leitura espiritual

Na Conferência Vicentina a que todos pertenciam, já abordavam muitas pessoas e, pela ajuda material, chegavam aos auxílios espirituais. Mas havia muitas portas se lhes fechavam, porque não queriam expor-se ao labéu de serem julgadas pobres mendicantes.

Marcaram a primeira visita ao Hospital da Misericórdia de Dublin e combinaram voltar daí a oito dias, para contarem a experiência vivida.

Regressaram, de facto e contaram, com lágrimas de comoção, o calor humano com que tinham sido acolhidos.

Em breve a Legião de Maria – assim foi batizada – ultrapassou as fronteiras da Irlanda que, entretanto, se tinha tornado independente em 1922.

Em poucos anos de vida, esta Associação apostólica podia contar com mais de 50.000 grupos em todo o mundo.

Em Portugal, a Legião de Maria entrou fins da década de quarenta do século passado e existe praticamente em todas as dioceses. Peregrina todos os anos a Fátima, no último fim de semana de outubro e prepara-se agora para, ao princípio da tarde de 7 de novembro, celebrar em todas as dioceses uma missa de ação de graças pelo dom de um século de vida.

Volvidos cem anos, a Legião de Maria mantém a vitalidade e frescura da primeira hora, e continua a prestar grandes trabalhos, sobretudo nos países de missão ou onde a Igreja corre perigo.

Entretanto, espera-se a realização de um milagre para que Frank Duf possa ser beatificado.

 


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