28º Domingo Comum

10 de Outubro de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Se tiverdes em conta os nossos pecados – A. Alivara, NRMS, 19-20

Sl 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Continuamos a escutar o Evangelho de São Marcos no qual Jesus instrui os seus discípulos enquanto caminham para Jerusalém. Se no domingo passado o tema da liturgia era a fidelidade conjugal, hoje é a pobreza voluntária exigida para, de forma livre, seguir a Cristo. O apelo à pobreza evangélica constitui um desafio para todos os tempos da Igreja.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Salomão, a quem é atribuído o livro da Sabedoria, oferece-nos o elogio à verdadeira e autêntica sabedoria, bem como a forma de a alcançar. 

 

Sabedoria 7,7-11

7Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. 8Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. 9Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. 10Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. 11Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis.

 

A leitura é tira da 2ª parte da obra (Sab 6,22 – 9,18), que trata da verdadeira sabedoria, aquela que leva a Deus, e do modo de a alcançar. Estas palavras inspiradas – um maravilhoso hino à Sabedoria, a terminar com uma bela oração a pedi-la – são postas na boca de Salomão, rei sábio por excelência (cf. 1Re 4,25-30). Trata-se dum artifício literário destinado a chamar a atenção do leitor, pois o livro foi escrito em grego tardiamente, já no séc. I a. C, o último livro do cânon do A. T.

7-11 «Orei… implorei…». A sabedoria tem em Deus a sua origem: o próprio Salomão não a tinha por nascimento, mas como fruto da sua oração. Ela excede todos os bens terrenos, mesmos os mais preciosos, e «com ela me vieram todos os bens», numa alusão a 1Re 3,7-14, onde se conta como Deus concedeu a Salomão um acréscimo de outros bens, tendo ele pedido apenas a sabedoria.

 

Salmo Responsorial      Sl 89 (90), 12-13.14-15.16-17 (R. 14)

 

Monição: “Ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração”. É a oração de Moisés, o homem de Deus, como súplica Àquele que é o Autor de toda a sabedoria.

 

Refrão:         Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade

                      e exultaremos de alegria.

 

Ou:                Enchei-nos da vossa misericórdia:

                      será ela a nossa alegria.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando?

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Compensai em alegria os dias de aflição,

os anos em que sentimos a desgraça.

 

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.

Desça sobre nós a graça do Senhor.

Confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos Hebreus oferece-nos um elogio à Palavra que nos foi revelada em Cristo, o Verbo Encarnado. Ele é a Palavra viva e eficaz que alimenta a vida da Igreja.

 

Hebreus 4,12-13

12A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração. 13Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto a seus olhos. É a ela que devemos prestar contas.

 

Este célebre texto constitui não só um elogio da Palavra de Deus, mas também um veemente apelo à responsabilidade para todos os que a ouviram, a fim de não deixarem «endurecer o coração» (Hebr 3,8.15; 4,7; cf. Salm 95 (94),8-11), sobretudo quando essa Palavra foi proclamada pelo próprio Filho de Deus (cf. Hebr 1,2).

«A Palavra de Deus» é a sua voz (cf. v. 7), que se faz ouvir na Escritura, na pregação da Igreja, no íntimo da alma e que continua viva e actuante: «viva e eficaz…» (cf. Dt 32,47; Jo 6,68; Is 55,10-11). A força penetrante da Palavra é descrita com a linguagem de Filon de Alexandria, para aludir ao seu poder de julgar. Ela penetra até naquele reduto impenetrável da consciência, onde o homem é o senhor exclusivo das suas decisões, onde se situam as próprias intenções mais secretas; ela invade até nas mais recônditas profundidades do ser humano, de tal maneira que este não pode esquivar-se nem dissimular o que se passa no seu interior. «As qualidades da Palavra de Deus são tais que uma pessoa não se pode esquivar à sua imperiosa autoridade, nem à hipótese de iludir a nossa responsabilidade em face dela» (W. Leonard). O seu poder discriminatório para julgar e discernir é expresso em termos de «dividir» aquilo que é impossível de destrinçar («alma e espírito»), ou muito difícil de separar («articulações e medulas»). E é atribuído à Palavra um conhecimento que só Deus possui, identificando-a expressamente com Deus no v. 13 (cf. Salm 139): «tudo está patente e descoberto a seus olhos»; note-se que «descoberto» é um particípio perfeito passivo grego derivado de «trákhlelos» (pescoço), o que faz lembrar a imagem do sacerdote que descobre o pescoço das vítimas a fim de desferir o golpe de misericórdia, sugerindo-se assim a seriedade e o dramatismo daquilo que é o «prestar contas» a Deus.

 

Aclamação ao Evangelho           Mt 5, 3

 

Monição: Marcos apresenta “um homem” que se dirige a Jesus, interrogando sobre o que fazer para alcançar a vida eterna. Respondendo ao homem, Jesus ensina como lidar com as riquezas e os caminhos a percorrer para alcançar o Reino dos Céus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

*Forma longa: São Marcos 10,17-30     Forma breve: São Marcos 10,17-27

Naquele tempo, 17ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d'Ele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» 18Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. 19Tu sabes os mandamentos: 'Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe'». 20O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». 21Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». 22Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. 23Então Jesus, olhando à volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!» 24Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! 25É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». 26Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?» 27Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».

[28Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». 29Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, 30receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».]

 

O protagonista desta cena é alguém «muito rico», que era jovem (cf. Mt 19,22) e pessoa importante (cf. Lc 18,18), humanamente vistas as coisas, alguém que deveria ser aproveitado para uma grande empresa, como era o Reino de Deus. O episódio mostra que o Reino não só não consiste em bens materiais, como também exige o desprendimento deles. O diálogo entre Jesus e o jovem é profundo, como profundo, exigente e amável é o olhar de Jesus, que Marcos refere por três vezes (vv. 21.23.27). O próprio jovem começa por pôr a questão mais profunda, a que ninguém se pode esquivar, a da salvação: «que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» (v. 17). O jovem cumpria os mandamentos, mas não passava além duma aurea mediocritas. Para ser apto para o Reino de Deus, não bastava cumprir; faltava-lhe uma coisa (v. 21): a entrega, a generosidade, a alegria profunda de dar e de se dar sem pôr condições. A cena do jovem que se retirou triste oferece uma ocasião para Jesus voltar a expor a doutrina da pobreza evangélica e do desprendimento. Mas não se limita a insistir (vv. 23.24) no perigo das riquezas para se ser bom, à maneira dum sábio grego: «é impossível que um homem extraordinariamente bom seja extraordinariamente rico» (Platão, Leis, V,12); Jesus fala da impossibilidade de entrar no Reino de Deus, o que deixa os discípulos assombrados (vv. 24.26). No entanto, atalha: «a Deus tudo é possível» (v. 27), pois Ele pode conceder a graça de uma pessoa usar bem as riquezas, ou mesmo até de renunciar radicalmente aos bens terrenos. A cena termina com as garantias para os primeiros discípulos que deixaram tudo e seguiram Jesus, umas garantias válidas para todos em todos os tempos (vv. 28-30). Notar como em Marcos as promessas de felicidade e bem-aventurança incluem as perseguições por causa de Jesus e do Evangelho (v. 29; cf. Mt 5,10-12).

25 «É mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha…». Note-se como Jesus, falando de coisas sérias, o faz com bom humor, pondo os seus ouvintes a sorrir ao imaginarem a divertida cena de um camelo nas suas repetidas tentativas de passar por um lugar por onde não podia caber.

 

Sugestões para a homilia

 

A verdadeira sabedoria

“Que devo fazer para alcançar a vida eterna?”

 

 

A verdadeira sabedoria

 

Saber é algo que todos apreciam. A designação de "ignorante" não agrada a ninguém. Porém, “estar certo” ou “saber das coisas” costuma ser algo que a todos agrada. Existem, no entanto, muitas maneiras de saber. Há o sábio naturalista que classifica as plantas pela forma das suas folhas e pelas qualidades das suas flores e frutos. O arqueólogo também é um homem sábio que decifra nos vestígios de antigas civilizações a vida e os costumes dos ancestrais. Também o astrónomo é sábio pois conhece com propriedade os passos do firmamento. O homem que estuda os costumes humanos também é sábio e consegue penetrar profundamente no conhecimento do homem na sua relação múltipla com o mundo ao seu redor. O filósofo é sábio. Existe, de igual forma, o sábio linguista, o sábio matemático e outros saberes. Mas é tudo parcial.

A sabedoria, da qual nos fala o autor da primeira leitura, é a sabedoria autêntica e genuína que vem de Deus. Ela nos dá o conhecimento preciso das coisas na sua relação com Deus e na relação connosco, seus usufrutuários. É a arte do conhecimento correcto de Deus e de nós mesmos em relação a Deus. É o que Deus vê e o que Deus deseja. É a arte de viver segundo esse ver e querer de Deus: a arte de usar as coisas, de apreciá-las e de viver segundo a vontade divina. Esta é a única sabedoria que realmente interessa a todos. É a arte de chegar ao fim último que é Deus.

“Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue” (Sab 7,10). Diante desta sabedoria tudo o mais é inferior. Sem ela as coisas, por mais apreciáveis que sejam, não valem nada. A sabedoria conduz à vida, não a uma vida qualquer ou ilusória, mas à vida eterna. É por isso que ela é mais apreciável do que tudo o que existe fora dela, uma vez que ela não passa e nem se destrói. Assim, a primeira leitura insiste na sua origem divina. Ela chega até nós como dom de Deus, por meio dos nossos pedidos e buscas. O ouro, a beleza, o poder, a saúde e até a própria vida passam. Tudo isso é secundário. Só Deus é necessário. Ele dá-nos a vida e não as riquezas que porventura temos e que, por vezes, nos levam a cometer impiedades e injustiças. A sabedoria é puro dom de Deus, revelada em Jesus Cristo como “sabedoria de Deus” (1 Cor 1,24).

 

 

“Que devo fazer para alcançar a vida eterna?”

 

“Que devo fazer para alcançar a vida eterna?”. Com esta pergunta tem início o breve diálogo, que ouvimos na página evangélica, entre um tal, algures identificado como o jovem rico, e Jesus. Não possuímos muitos pormenores sobre esta personagem anónima; das poucas linhas conseguimos contudo compreender o seu desejo sincero de alcançar a vida eterna, levando uma existência terrena honesta e virtuosa. De facto, conhece os mandamentos e observa-os fielmente desde a juventude. Contudo isto, que certamente é importante, não é suficiente – diz Jesus – falta uma só coisa, mas que é essencial. Ao vê-lo bem disposto, o Mestre fixa-o com amor e propõe-lhe o salto de qualidade, chama-o ao heroísmo da santidade, pede-lhe para abandonar tudo a fim de o seguir: "Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres... depois, vem e segue-Me!" (v. 21).

Sem dúvida que uma das advertências que mais repetida e insistentemente aparece na pregação de Jesus é a que encontramos no Evangelho de hoje: as riquezas constituem um perigo. Em alguns versículos até três vezes, Jesus insiste como é difícil para um homem rico ser salvo. Deus, em seu amor infinito, chama todo o homem a servi-Lo e a pertencer-Lhe total e indivisivelmente. Ora, a riqueza leva a confiar nos bens obtidos e a esquecer de Deus e a desprezar os pobres que nos rodeiam. As riquezas tornam os homens gananciosos, orgulhosos e duros, ao ponto da sedução das riquezas abafar a palavra de Deus, sempre viva e eficaz. No entanto, o ensinamento de Jesus não patrocina a miséria e o subdesenvolvimento como clima ideal para o Reino de Deus e a sua justiça, mas o desprendimento que sabe conformar com o necessário e compartilhar com os outros o que se tem, sem entesourar nem incorrer na idolatria do dinheiro como bem supremo.

Uma vez ouvida a Palavra de Deus, pede-se uma resposta e uma opção diante da mesma, pois a sua eficácia é indiscutível. Todos queremos alcançar a vida eterna e corremos em sua busca, mas também a nós o Senhor exige que nos libertemos de tudo quanto possa impedir um seguimento fiel e total a Cristo, que nos enriqueceu com a Sua pobreza.

 

Fala o Santo Padre

 

«O nosso coração é como um íman: só se pode apegar a um lado e tem de escolher:

amar a Deus ou as riquezas do mundo; viver para amar ou viver para si mesmo.»

A segunda Leitura disse-nos que «a palavra de Deus é viva, eficaz e cortante» (cf. Heb 4, 12). É mesmo assim: a Palavra de Deus não é apenas um conjunto de verdades ou uma história espiritual edificante. Não! É Palavra viva que toca a vida, que a transforma. Nela, Jesus pessoalmente – Ele que é a Palavra viva de Deus – fala aos nossos corações.

Particularmente o Evangelho convida-nos a ir ao encontro do Senhor, a exemplo daquele «alguém» que «correu para Ele» (cf. Mc 10, 17). Podemo-nos identificar com aquele homem, de quem o texto não diz o nome parecendo sugerir-nos que pode representar cada um de nós. Ele pergunta a Jesus como deve fazer para «ter em herança a vida eterna» (10, 17). Pede vida para sempre, vida em plenitude; e qual de nós não a quereria? Mas pede-a – notemos bem – como uma herança a possuir, como um bem a alcançar, a conquistar com as suas forças. De facto, para possuir este bem, observou os mandamentos desde a infância e, para alcançar tal objetivo, está disposto a observar ainda outros; por isso, pergunta: «Que devo fazer para ter…?»

A resposta de Jesus mexe com ele. O Senhor fixa nele o olhar e ama-o (cf. 10, 21). Jesus muda-lhe a perspetiva: passar dos preceitos observados para obter recompensas ao amor gratuito e total. Aquele homem falava em termos de procura e oferta; Jesus propõe-lhe uma história de amor. Pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me» (10, 21). E Jesus diz também a ti: «Vem e segue-Me». Vem: não fiques parado, porque não basta não fazer nada de mal para ser de Jesus. Segue-Me: não vás atrás de Jesus só quando te apetece, mas procura-O todos os dias; não te contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações: encontra n’Ele o Deus que sempre te ama, o sentido da tua vida, a força para te entregares.

E Jesus diz mais: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres». O Senhor não faz teorias sobre pobreza e riqueza, mas vai direto à vida. Pede-te para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-te de bens para dar lugar a Ele, único bem. Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se. Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos; sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar. Neste sentido, São Paulo recorda-nos que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tim 6, 10). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem.

Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso. Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada.

Queridos irmãos e irmãs, o nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo (cf. Mt 6, 24); viver para amar ou viver para si mesmo (cf. Mc 8, 35). Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele? Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo? Peçamos a graça de saber deixar por amor do Senhor: deixar riquezas, deixar sonhos de funções e poderes, deixar estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo. Sem um salto em frente no amor, a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 95): procura-se a alegria em qualquer prazer passageiro, fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados.

Aconteceu assim com aquele homem que – diz o Evangelho – «retirou-se pesaroso» (10, 22). Ancorara-se aos preceitos e aos seus muitos bens, não oferecera o coração. E, embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade. O Santo Papa Paulo VI escreveu: «É no meio das suas desgraças que os nossos contemporâneos precisam de conhecer a alegria e de ouvir o seu canto» (Exort. ap. Gaudete in Domino, I). Hoje, Jesus convida-nos a voltar às fontes da alegria, que são o encontro com Ele, a opção corajosa de arriscar para O seguir, o gosto de deixar tudo para abraçar o seu caminho. Os Santos percorreram este caminho.

Fê-lo Paulo VI, seguindo o exemplo do Apóstolo cujo nome assumira. Como ele, consumiu a vida pelo Evangelho de Cristo, cruzando novas fronteiras e fazendo-se testemunha d’Ele no anúncio e no diálogo, profeta duma Igreja extroversa que olha para os distantes e cuida dos pobres. Mesmo nas fadigas e no meio das incompreensões, Paulo VI testemunhou de forma apaixonada a beleza e a alegria de seguir totalmente Jesus. Hoje continua a exortar-nos, juntamente com o Concílio de que foi sábio timoneiro, a que vivamos a nossa vocação comum: a vocação universal à santidade; não às meias medidas, mas à santidade. […]

 Papa Francisco, Homilia, Praça São Pedro, 14 de outubro de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Só Deus é bom e só Ele pode converter os corações.

Peçamos-Lhe por nós mesmos e pela Igreja

e por todos os homens da terra,

dizendo (ou: cantando), humildemente:

R. Deus omnipotente, vinde em nosso auxílio.

Ou: Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Ouvi, Senhor, o vosso povo.

 

1.     Para que a Igreja, suas comunidades e movimentos,

dêem testemunho do Senhor que Se fez pobre

e encontrem n’Ele a única riqueza, oremos.

 

2.     Para que surjam muitos homens e mulheres

que considerem a riqueza como nada

e se deixem apaixonar pela pobreza evangélica, oremos.

 

3.     Para que Deus faça com que muitos jovens

deixem pais, irmãos, terras e tudo o mais,

por causa de Jesus e do Evangelho, oremos.

 

4.     Para que os cristãos acreditem na palavra de Deus,

experimentem que ela é viva e eficaz

e a ponham em prática nas suas vidas, oremos.

 

5.     Para que os membros da nossa assembleia

creiam que a Deus tudo é possível,

e que Ele é o nosso Pai, que está nos céus, oremos.

 

(Outras intenções: religiosos e religiosas; fiéis defuntos ...).

Deus, Pai de todos os homens, que nos chamais a seguir o vosso Filho,

fazei que os nossos corações se disponham a ouvir a sua voz

e se coloquem ao serviço do seu reino. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Ao recebermos a comunhão eucarística, Cristo é dado como sabedoria, como caminho, como força que atinge o mais íntimo da alma. O Corpo de Cristo é o que de mais precioso nos pode ser dado. É um alimento com penhor de vida eterna, porque quem comer terá vida abundante.

 

Cântico da Comunhão:    Os ricos empobrecem – C. Silva – OC, pg. 205

Sl 33, 11

Antífona da Comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:   

cf. 1 Jo 3, 2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei eternamente – M. Luís, NRMS, 6 (I)

 

Oração depois da Comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Pão e o Vinho que bebemos é Cristo. A comunhão com ele exige uma mudança de vida, desprezando tudo por ele. Exige uma vida santa. Talvez até a renúncia total e efectiva do que possuímos. A participação na Eucaristia deve-nos levar a viver com e para Cristo, pois Ele vale mais do que o ouro, o poder e até a própria vida.

 

Cântico final: Dai graças ao Senhor – A. F. Santos, CNPL, 335

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira,11-X: Jesus é sempre um sinal para nós.

Rom 1, 1-7 / Lc 11, 29-32

Tal como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim também o Filho do Homem o será para esta geração.

Jonas conseguiu a conversão dos habitantes de uma cidade; Salomão era ouvido pela sua sabedoria (EV.). Para nós, o sinal será sempre Cristo, ajuda para as nossas conversões: nEle encontraremos a sabedoria para todos os nossos problemas. As suas palavras entendem-se (SR).

A Ele devemos a graça da filiação divina (LT). E será para nós o modelo de comportamento dos filhos de Deus. Agradeçamos a Nª Senhora que, com o seu fiat, nos abriu as portas da filiação divina, e como imitar Jesus.

 

3ª Feira, 12-X: O Evangelho, fonte de salvação.

Rom 1, 16-25 / Lc 11, 37-41

Eu não me envergonho do Evangelho, porque ele é a força de Deus para a salvação de todo o crente.

O Evangelho deve ser a fonte de toda a nossa salvação. Mas infelizmente, às vezes, trocamos a verdade de Deus pelos nossos interesses (LT). As suas palavras têm um sentido que é para levar à prática (SR).

A Boa Nova também nos pede que cuidemos muito do nosso interior (EV), para evitar que a nossa vida seja apenas uma fachada, para que os nossos sentimentos sejam os de Jesus. Nossa Senhora orientava toda a sua vida apoiada na palavra de Deus: faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

4ª Feira, 13-X: A conversão do coração.

Rom 2, 1-11 / Lc 11, 42-46

Pelo teu coração duro e impenitente, estás a acumular sobre ti a indignação do coração.

O coração pode endurecer na medida em que julga os outros sem piedade, esquecendo-se dos seus próprios defeitos (LT). E também por perder-se no cumprimento de detalhes insignificantes, esquecendo que o mais importante é o amor de Deus (EV).

 Nos nossos tempos, esta atitude da mente e do coração corresponde talvez à perda do sentido do pecado (S. João Paulo II). Precisamos ter confiança em Deus: Confia no teu Deus! Desafoga com Ele (SR).

 

5ª Feira, 14-X: A expiação pelos nossos pecados.

Rom 3, 21-29 / Lc 11, 47-54

Deus apresentou-se como aquele que expia os pecados pelo seu sangue derramado e por meio da fé.

Todos pecámos e ficámos privados da glória de Deus. Mas Jesus expiou pelos pecados de todos, pelo Sangue derramado na Cruz (LT). Jesus fala do sangue derramado pelos profetas, desde a criação do mundo (EV).

Participaremos nesta corrente com pequenos sacrifícios e penitências, pois no Senhor está a misericórdia (SR). Desagravemos mais os Corações de Jesus e de Maria, pelas muitas ofensas que diariamente se cometem. Na missa tenhamos presente a expiação realizada por Jesus.

 

6ª Feira, 15-X: Deus não se esquece de ninguém.

Rom 4, 1-8 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um só deles está esquecido diante de Deus.

Deus não se esquece de nada nem de ninguém: estamos sempre presentes diante dEle (EV). É um Pai que se preocupa por todas as coisas de seus filhos, mesmo as mais insignificantes: até os cabelos da vossa cabeça estão contados (EV).

Seremos felizes se nos aproximarmos da Confissão sacramental: felizes a quem foram perdoados os delitos (LT)  E se evitarmos qualquer tipo de pecado (SR). E recorrendo à nossa Mãe:  atende as nossas súplicas.

 

Sábado, 16-X: Deus bem sabe o que nos convém.

Rom 4,16-18 / Lc 12, 8-12

Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso tornou-se pai de muitas nações.

Abraão não vacilou, apesar de ser muito idoso e sua mulher estéril. Teve esperança e promessa de Deus cumpriu-se (LT). O Senhor recorda a sua Aliança para sempre (SR).

Todos estamos sujeitos ao sofrimento. E quando ele vier, peçamos luzes ao Espírito Santo. Ele ensinará na própria hora o que haveis de dizer (EV). Deus sabe melhor o que mais nos convém. Nossa Senhora entregou-se plenamente nas mãos de Deus: faça-se em mim segundo a vossa palavra.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Bruno Barbosa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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