19º Domingo Comum

8 de Agosto de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança – Az. Oliveira, NRMS, 53

Salmo 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor recorre muitas vezes à vida de cada dia para nos ajudar a compreender as realidades sobrenaturais.

Partindo da necessidade que temos do alimento para a vida natural, neste este Domingo fala-nos do Alimento da nossa vida sobrenatural e das condições para o podermos tomar.

Temos consciência de que foi precisamente para ser nosso Alimento sobrenatural que Jesus Cristo ficou vivo, real e glorioso na Santíssima Eucaristia e que comungar não é um luxo, mas uma necessidade inadiável?

 

Ato penitencial

 

Falta-nos ainda fazer a descoberta do valor e da necessidade inadiável de comungar nas condições que Jesus estabeleceu.

Queremos pedir perdão da nossa falta de fé na Santíssima Eucaristia que nos leva a faltar-Lhe ao respeito e a comungar de tal modo que desagradamos a Deus.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Sabemos que a Sagrada Comunhão é o Alimento da Vida eterna

    e, apesar disso, comungamos poucas vezes, vamos mal preparados e com frieza.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Sabemos quais as condições para podermos comungar como quereis

    mas somos descuidados em nos confessarmos e comungamos com distração.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Não sabemos aproveitar o tempo em que estais dentro de nós,

    para Vos agradecermos e pedirmos tudo aquilo de que temos necessidade.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Elias fugiu à perseguição da rainha que lhe queria dar a morte, por ele ter destruído o culto dos ídolos. Cansado, pediu a Deus a morte e adormeceu.

Um anjo despertou-o e deu-lhe um alimento com o qual pôde caminhar durante quarenta dias e quarenta noites. Este alimento é uma figura da Santíssima Eucaristia.

 

1 Reis 19,4-8

Naqueles dias, 4Elias entrou no deserto e andou o dia inteiro. Depois sentou-se debaixo de um junípero e, desejando a morte, exclamou: «Já basta, Senhor. Tirai-me a vida, porque não sou melhor que meus pais». 5Deitou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Nisto, um Anjo do Senhor tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come». 6Ele olhou e viu à sua cabeceira um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água. Comeu e bebeu e tornou a deitar-se. 7O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer». 8Elias levantou-se, comeu e bebeu. Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb.

 

A leitura é extraída do chamado ciclo de Elias, na parte final do Livro 1º dos Reis. Jezabel, a esposa pagã do rei Acab, patrocinadora do culto de Baal no reino do Norte, obriga ao exílio o profeta Elias, depois de este ter exterminado os sacerdotes Baal, que colaboravam com a rainha na destruição da religião de Yahwéh. Na leitura, o profeta aparece-nos totalmente desalentado na sua fuga a caminho do Horeb (provavelmente, outro nome do Sinai), onde pensava refugiar-se, esperando alguma comunicação divina (vv. 9-14), que lhe garantisse a continuidade da Aliança e a preservação da religião javista, naquele mesmo monte onde Deus comunicara com Moisés, por isso se chama «monte de Deus» (v. 8). É bastante clara a alusão à viagem de Israel, perseguido pelo faraó, através do deserto até ao Sinai. Este «pão cozido nas brasas»subcinericius panis – é considerado uma figura da Sagrada Eucaristia: «confortados com a sua força, podem os cristãos, depois do caminho desta peregrinação cheia de misérias, chegar à pátria celestial» (Concílio de Trento, DzS 1649).

 

Salmo Responsorial     Sl 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a)

 

Monição: O salmista convida-nos a voltarmo-nos de uma vez para sempre para o Senhor, fazendo a Sua vontade por amor, para saborearmos como Ele é bom.

Façamos deste salmo que o Espírito Santo nos convida a cantar uma oração cheia de alegria e confiança.

 

Refrão:        Saboreai e vede como o senhor é bom!

                    

Bendigo o Senhor a cada momento;

o Seu louvor está sempre na minha boca.

Deus é a minha glória.

Que os humildes O escutem e se alegrem.

 

Comigo proclamai a grandeza do Senhor,

juntos exaltemos o Seu nome.

Busquei a Deus, e Ele ouviu-me,

livrou-me da minha ansiedade.

 

Contemplai-O e ficareis radiantes;

o vosso rosto não ficará confundido.

Um pobre gritou e foi atendido,

foi salvo de todas as angústias.

 

O anjo do Senhor está velando

sobre todos os Seus fiéis para os salvar.

Provai e vede como o Senhor é bom,

ditoso o que n'Ele se refugia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Quando não fazemos a vontade de Deus, mas nos deixamos arrastar pelas paixões desregradas, entristecemos o Espírito Santo que, desde o Batismo, vive em nós como num templo.

Por isso, S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, convida-nos a renovar os nossos propósitos de caridade mutual, para não contristar o Divino Hóspede.

 

Efésios 4,30 – 5, 2

Irmãos: 30Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos assinalou para o dia da redenção. 31Seja eliminado do meio de vós tudo o que é azedume, irritação, cólera, insulto, maledicência e toda a espécie de maldade. 32Sede bondosos e compassivos uns para com os outros e perdoai-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo. 1Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. 2Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus.

 

Continuamos a ter como 2ª leitura, desde o XV Domingo comum deste ano B, textos respigados da Epístola aos Efésios. Na sequência do Domingo anterior, continua a exortação a um novo modo de vida cristã e à prática das virtudes.

30 «Não contristeis o Espirito Santo». O cristão é pertença de Deus, trazendo na sua alma a marca dessa pertença (carácter baptismal), que o destina a glorificar a Deus e à glória celeste, «para o dia da redenção». O Espírito Santo é o vinculo da unidade dos cristãos dentro do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja (cf. vv. 4-5), por isso qualquer pecado que ensombre a unidade e a santidade deste Corpo, magoa-O e entristece-O. Os vícios que no contexto são fustigados são os contrários à caridade e à castidade.

5, 1 «Procurai imitar a Deus, como filhos...» É próprio dum filho parecer-se com o pai, possuir os seus modos, as suas qualidades. É fácil de descobrir a alusão às próprias palavras do Senhor: «sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5,48; cf. 1Cor 11,1; 1Tes 1,6).

2 «Oferecendo-se como vítima...» A tradução, embora não literal, ajuda a tornar mais explícito um sentido que geralmente os exegetas querem ver na associação dos dois termos cultuais – «oferta e sacrifício de agradável odor» (proforá e thysía) – numa referência à dupla função de Jesus, como sacerdote e como vítima. Este é um dos textos clássicos para falar da Morte de Cristo como um verdadeiro sacrifício.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 6, 51

 

Monição: Estamos aqui nesta celebração da Eucaristia, porque desejamos viver na amizade do Senhor nesta vida e contemplá-lo eternamente no Céu.

Jesus Cristo revela-nos a maravilhosa verdade de que, quem O comungar com as devidas disposições, viverá eternamente. Aclamemos o Evangelho que nos anuncia esta verdade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu, diz o Senhor;

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6,41-51

Naquele tempo, 41os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu». 42E diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: 'Eu desci do Céu'?» 43Jesus respondeu-lhes: «Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. 45Está escrito no livro dos Profetas: 'Serão todos instruídos por Deus'. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. 46Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. 50Mas este pão é o que desce do Céu para que não morra quem dele comer. 51Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. 52Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

 

Continuamos com o discurso do pão da vida, na forma dialogada característica do IV Evangelho. A escolha litúrgica, feita com a preocupação de pôr em evidência o sentido eucarístico do discurso, incluiu os vv. 51-52, em que a Eucaristia é claramente referida, pois se passa da designação de «pão da vida» para a de «pão vivo», a saber, passa de Jesus (Palavra de Deus), em quem é preciso crer (o pão da vida, a verdade que dá o sentido da vida), para Jesus Eucaristia, que é preciso comer (o pão vivo). Com estes dois versículos também irá começar a leitura do Evangelho do próximo Domingo.

41 «Os judeus». A designação tem em S. João uma conotação habitualmente negativa, pois refere aqueles contemporâneos incrédulos que deliberadamente rejeitaram Jesus como o Messias, sobretudo os guias do povo (daí a tradução que alguns adoptam: dirigentes judeus ou autoridades judaicas). Também aparece com sentido étnico-religioso (Jo 2,6.13; 3,1; 5,1; 6,11,54; 19,42) e até com o sentido de Povo da Aliança (Israel) em 4,22. Como este Evangelho se destina a cristãos vindos do paganismo, justifica-se uma tal generalização, mas deve descartar-se que a designação joanina envolva qualquer tipo de ódio racial, hostilidade religiosa ou intolerância.

44 «Ninguém pode vir a Mim, se o Pai… o não atrair». Vir a Jesus é crer nele e segui-lo; ora isto é algo que supera uma simples atitude de atracção humana, é algo divino, é uma graça, um dom sobrenatural. Com efeito, quem se aproximasse de Jesus sem a graça da fé não seria capaz de ver mais do que um homem, ou até um profeta singular, mas não poderia reconhecer o próprio Deus incarnado e não entenderia as suas palavras, como aquela gente que procurava Jesus, de forma egoísta e interesseira, sem aderir à sua palavra. E por isso «murmuravam» (v. 41).

52 «É a minha Carne». A clareza das palavras de Jesus é o fundamento da certeza e da firmeza da fé da Igreja, que o Magistério sempre tem proclamado sem ambiguidades: «Realizada a transubstanciação, as espécies do pão e do vinho adquirem sem dúvida um novo significado e um novo fim, dado que já não são o pão e a bebida correntes, mas são o sinal duma coisa sagrada, sinal dum alimento espiritual; adquirem, porém, um novo significado e um novo fim enquanto contêm uma realidade, que com razão denominamos ontológica porque, sob as ditas espécies, já não existe o que havia antes, mas uma coisa completamente diversa; e isto é assim não unicamente em virtude do juízo da fé da Igreja, mas em razão da própria realidade objectiva, uma vez que, convertida a substância ou natureza do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo, já não fica nada do pão e do vinho, mas somente as espécies: sob elas Cristo, todo integralmente está presente na sua realidade física, mesmo corporalmente, embora não do mesmo modo como os corpos estão num lugar» (Paulo VI, encíclica Mysterium Fidei).

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus convida-nos para o Banquete

• O banquete da Santíssima Eucaristia

 

1. Deus convida-nos para o Banquete

 

O profeta Elias foi o defensor corajoso da fidelidade dos israelitas ao Deus verdadeiro. Ele aparece como o representante dos membros fiéis do Povo de Deus que se recusavam a adorar falsos deuses, especialmente Baal.

Defendeu o direito de propriedade contra as ambições do rei e da rainha que condenaram a morte infame Nabot, para se apoderarem da sua vinha (cf 1 Reis, 21) e os direitos dos pobres contra a prepotência dos grandes proprietários.

Depois de ter exterminado o culto e 400 os sacerdotes de Baal, no monte Carmelo, (no século IX a.C.), no Reino do Norte, Elias fugiu de Jezabel, mulher do rei Acab, a qual jurou matá-lo.

Quando se deitou sob o junípero, dois males o afligiam: o cansaço da fuga contra o tempo, durante um dia inteiro, para fugir à perseguição da rainha; e o desamparo. Arriscara a vida pela causa de Deus e agora sabia que não podia confiar em ninguém.

Depois de tanto heroísmo em defesa da fé, Elias parece vencido pelo medo e pela angústia, amargurado pela decepção que lhe causam os bons de braços cruzados perante o mal.

O sono profundo libertou-o da angústia e cansaço. O lugar onde se encontrava era relativamente seguro, por enquanto, até porque ninguém sabia que ele estava ali. 

Deus cuida dos seus amigos. Deus nunca abandona aqueles que O amam e servem.  Talvez o modo de agir de Deus nos desconcerte, porque esperávamos que Ele castigasse os perseguidores de Elias, mas é assim que Ele atua. Deus não resolve o problema da perseguição, substituindo o que o profeta podia fazer, mas fortalece-o para se poder defender e levar a cabo a sua missão.

Muitas vezes ficamos desconcertados com a sucessão dos acontecimentos porque preferíamos que Deus nos substituísse e não tivéssemos o trabalho de nos defendermos. Aquilo que o homem pode fazer, Deus não o substitui, não nos dá o peixe, mas a cana para o pescar.

Alimento especial. O anjo apresenta-lhe um pão cozido sobre pedras quentes, como se usava então, e uma bilha de água. Elias pensa que se trata de uma solução provisória, apenas para aquele momento, mas o anjo acorda-o uma segunda vez e insiste para que coma todo o pão e beba toda a água. «O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse: “Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer”.»

Este alimento aparece aqui como uma figura da Santíssima Eucaristia que Jesus havia de nos oferecer.

Recuperação das forças. Com esta comida e bebida, Elias recuperou as forças e o otimismo. «Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb

O número quarenta é simbólico. Foram quarenta os anos de travessia do deserto e quarenta os dias em que Jesus jejuou.

Significativo é o lugar para onde se dirigiu, fortalecido por este pão: para o Horeb, o monte de Deus. A Eucaristia fortalece-nos para irmos ao encontro de Deus, no Céu.

O texto parece sugerir que não basta comer uma vez este pão maravilhoso, mas muitas vezes, até ficar suficientemente forte para a longa caminhada.

Também nos ajuda a compreender que este alimento da Eucaristia se destina à nossa vida sobrenatural. Elias alimentou-se para caminhar ao encontro do Senhor, no Horeb.

 

2. O banquete da Santíssima Eucaristia

 

Aqueles que Jesus tinha saciado miraculosamente, multiplicando os pães e os peixes, recusam-se agora a aceitar a Sua missão de enviado do Pai, para nos dar a vida e ensinar o caminho da Casa do Pai. Deixam-se ficar presos numa visão meramente humana, teimando em vê-l’O apenas como qualquer homem vulgar.

Jesus Alimento da nossa vida sobrenatural. Jesus apresenta-Se como o pão vivo que desceu do Céu para ser o nosso Alimento.  Não temos qualquer outra opção: ou alimentamos a nossa vida da graça com Ele, ou não conseguiremos conservá-la e desenvolvê-la.

A afirmação de Jesus não deixa lugar para dúvidas: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente».

Jesus presente na Eucaristia. Jesus está vivo, real e sacramentalmente presente sob as aparências do pão e do vinho. A vista, o tacto e o gosto, diante da Santíssima Eucaristia não nos dizem a verdade da fé. Só a podemos ter com segurança, fiando-nos pelo que Jesus nos diz.

A hóstia consagrada, embora pareça pão de trigo, É Jesus Cristo, verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Não tem outro sentido a Sua formação: «E o pão que Eu hei-de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Comungar ou não, questão de vida ou morte. Quando Jesus nos diz que quem comungar viverá eternamente (em graça, na terra e no Céu), também o contrário está contido nesta afirmação: Quem não comer, não viverá, será vencido pelas tentações e arrastado para longe de Deus e do Céu.

«Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.»

Alimento divino. Nos alimentos que tomamos para o nosso corpo – o pão, os vegetais e a carne ou peixe – o alimento transforma-se no corpo da pessoa.

No Alimento da Santíssima Eucaristia somos nós que nos transformamos n’Ele, na medida em que nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo.

Condições para comungar. À semelhança com o alimento corporal, é preciso estar em condições de o fazer.

– Em graça. Estar vivo é a primeira condição para se poder alimentar. Os mortos não comem e, por isso, de algum modo, tentar dar-lhes comida é estragá-la e, de algum modo, profaná-la.

A primeira condição para poder comungar – alimentar-se com a Santíssima Eucaristia, na Sagrada Comunhão – é estar vivo, estar na graça de Deus. A Igreja ensina-nos que se alguém cometeu um pecado mortal, não lhe basta, em regra, fazer o ato de contrição para poder comungar, mas é indispensável a confissão sacramental.

Uma pessoa que vive numa situação de pecado não pode confessar-se nem comungar, porque lhe faltam duas condições essenciais para ser perdoada: o arrependimento e o propósito firme de emenda. Como pode dizer que está arrependido quem não quer mudar de vida, embora manifeste um certo sentimentalismo?

Também não tem propósito de emenda que não está disposto a mudar imediatamente. Não bastaria que uma pessoa dissesse: “Quando eu tiver possibilidade, vou mudar de vida.!”  

Por que insistem tanto em comungar as pessoas que estão em situação de pecado?

É certo e sabido que estas pessoas, mesmo quando viviam externamente uma vida limpa, não queriam comungar. Agora, a “exigência” teimosa nasce, muitas vezes, do querer provar às outras pessoas que a sua situação é boa e aceitável.

Não basta comungar às escondidas, num lugar onde não nos conhecem. Deus tudo vê. Podemos esconder-nos aos olhos das pessoas, mas de Deus, não.

Nenhum sacerdote nem leigo tem poder para autorizar alguém a comungar, se ela não está nas condições estabelecidas por Jesus Cristo. A verdadeira misericórdia não está em dizer ao doente que está bom, sem que ele o esteja, mas em animá-lo a tratar-se para alcançar a cura.

Delicadeza de consciência. S. Paulo, na Carta aos efésios, pede-nos que não contristemos o Espírito Santo, deixando-nos arrastar para a tibieza. «Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos assinalou para o dia da redenção

Ele mesmo nos ajuda a concretizar esta luta ascética: eliminar do meio de nós o azedume, a irritação, a cólera, o insulto, a maledicência e toda a espécie de maldade.

Pede-nos também que cultivemos a bondade, a compaixão e o perdão das ofensas e caminhemos na caridade.

Para nos prepararmos condignamente para cada comunhão, pensemos com que disposições terá comungado Nossa Senhora e procuremos imitá-la.

 

Fala o Santo Padre

 

«Ouvimos muitas vezes certas pessoas dizerem: “Eu não pratico o mal contra ninguém”.

E julga-se um santo. Muito bem, mas praticas o bem?»

Na segunda Leitura de hoje, São Paulo dirige-nos um convite urgente: «Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção» (Ef 4, 30). Mas eu pergunto-me: como se contrista o Espírito Santo? Todos o recebemos no Batismo e na Crisma; portanto, para não contristar o Espírito Santo, é necessário viver de maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma. De forma coerente, não com hipocrisia: não vos esqueçais disto. O cristão não pode ser hipócrita: deve viver de modo coerente. As promessas do Batismo têm dois aspetos: renúncia ao mal e adesão ao bem.

Renunciar ao mal significa dizer «não» às tentações, ao pecado, a satanás. De modo mais concreto, significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma felicidade falsa que se exprime na mentira, na fraude, na injustiça e no desprezo pelo outro. “Não” a tudo isto. A vida nova que nos foi concedida no Batismo, e que tem o Espírito como fonte, rejeita uma conduta dominada por sentimentos de divisão e de discórdia. Por isso, o Apóstolo Paulo exorta a tirar do próprio coração «toda a amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia, bem como toda a malícia» (v. 31). Assim diz Paulo. Estes seis elementos, ou vícios, que perturbam a alegria do Espírito Santo, envenenam o coração e levam a imprecações contra Deus e contra o próximo.

Mas para ser um bom cristão não é suficiente deixar de praticar o mal; é necessário aderir ao bem e praticar o bem. Eis, então, que São Paulo continua: «Antes, sede bondosos e compassivos uns com os outros. Perdoai-vos reciprocamente, como também Deus vos perdoou em Cristo» (v. 32). Ouvimos muitas vezes certas pessoas dizerem: “Eu não pratico o mal contra ninguém”. E julga-se um santo. Muito bem, mas praticas o bem? Quantas pessoas não praticam o mal, mas nem sequer o bem, e a sua vida passa na indiferença, na apatia, na tibieza. Esta atitude é contrária ao Evangelho, e oposta também à vossa índole, jovens, que por natureza sois dinâmicos, apaixonados, corajosos. Recordai isto — se vo-lo recordais, podemos repeti-lo juntos: “É bom não praticar o mal, mas é mau não praticar o bem”. Quem o dizia era Santo Alberto Hurtado.

Hoje exorto-vos a ser protagonistas no bem! Protagonistas no bem. Não vos sintais bem quando não praticais o mal; cada um é culpado do bem que podia praticar e não o fez. Não é suficiente não odiar, é preciso perdoar; não basta deixar de ter rancor, é necessário rezar pelos inimigos; não é suficiente não ser causa de divisão, é preciso levar a paz onde ela não existe; não basta deixar de falar mal dos outros, é necessário interromper quando ouvimos falar mal de alguém: impedir a bisbilhotice: isto significa praticar o bem. Se não nos opusermos ao mal, alimentamo-lo de modo tácito. É necessário intervir onde o mal se propaga; porque o mal se difunde onde faltam cristãos audazes que se opõem com o bem, “caminhando na caridade” (cf. 5, 2), segundo a admoestação de São Paulo.

[…]. A Virgem Maria nos ampare com a sua intercessão maternal, para que cada um de nós, todos os dias, com as ações, possa dizer “não” ao mal e “sim” ao bem.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 12 de agosto de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos fiéis cristãos, filhos da Igreja,

Oremos cheios de confiança a Deus nosso Pai,

que nos enviou o seu Filho Jesus Cristo,

para nos dar a conhecer a vida eterna.

Oremos (cantando) com verdadeira fé.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

1. Pelo Santo Padre, o Bispo de Roma e sucessor de Pedro,

    para que receba da Eucaristia a força para dirigir a Igreja,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

2. Pelos que se dedicam a trabalhar ao serviço dos irmãos,

    para que Deus lhes revele a sua bondade e misericórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

3. Pelos que entristecem o Espírito, resistindo ao dom do amor,

    para que saibam perdoar as ofensas, por amor de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

4. Pelas pessoas que murmuram contra tudo e contra todos,

    para que recebam de Jesus o dom de acolher a verdade,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

5. Pelos membros desta comunidade, já cansados de caminhar,

    para que a Palavra de Deus e o Pão da Vida os reanimem,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

6. Pelos nossos familiares e amigos, chamados à Vida Eterna,

    para que o Senhor os purifique e os acolha na glória eterna,

    oremos, irmãos.

 

    Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

 

Pai santo, que nos chamastes à fé

e nos dais a comer o Pão do Céu,

ensinai-nos a acreditar com toda a alma

 na palavra verdadeira do Evangelho

e no alimento salvador da Eucaristia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de nos ter instruído com a Sua Palavra, Jesus vai agora, pelo ministério do sacerdote, transubstanciar o pão e o vinho que levamos ao altar no Seu Corpo e Sangue.

Quem comer deste pão – diz o Senhor – viverá eternamente.

 

Cântico do ofertório: Cantai, cantai alegremente – M. Faria, NRMS, 30

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

A santíssima Eucaristia é a verdadeira fonte da paz entre os homens, se a recebermos com as necessárias disposições.

Ela é um apelo constante ao amor sem fronteiras entre nós. Este é o sólido fundamento da verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Antes de nos aproximarmos da Sagrada Comunhão, recordemos, por instantes, a afirmação de Jesus: quem comer deste pão viverá eternamente.

Para que isto aconteça, devemos comungar com as disposições que Ele nos ensinou: na graça de Deus, com fé ardente e profunda devoção.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo – C. Silva, NRMS, 36

Salmo 147, 12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou

Jo 6, 52

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor, é a minha carne pela vida do mundo.

 

Cântico de acção de graças: Louvado sejais, Senhor – F. Silva, NRMS, 02

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus ficou na Sagrada Eucaristia para ser o Alimento da vida de Deus – vida da graça – que trazemos em nós desde o Batismo.

Comungar não é um luxo. É uma necessidade inadiável para quem vai a caminho do Céu.

 

Cântico final: Seguros e fortes, – – J. F. Silva, NRMS, 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-VIII: Sta. Teresa Benedita da Cruz. O heroísmo de cada dia.

Os 2, 16. 21-22 / Mt 25, 1-13

À meia noite ouviu-se um brado: Aí vem o esposo: saí-lhe ao encontro.

Celebramos a festa de Sta Teresa B. da Cruz, uma das três padroeiras da Europa, nomeada por S. João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com Cristo (SR), enchendo de azeite (a graça de Deus),a  lâmpada da sua vida, que culminou no martírio.  Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor (LT).

A Europa precisa dos testemunhos dos seus filhos. No entanto, há uma maneira desleixada de percorrer os caminhos de Deus (a das virgens insensatas), e uma maneira heróica (a das virgens prudentes), vivendo com fidelidade as coisas de cada dia (EV).

 

3ª Feira, 10-VIII: S. Lourenço: a fecundidade do sofrimento.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio, poucos dias depois do Papa, durante a perseguição de Valeriano. Deu-nos um exemplo de fidelidade à sua vocação. O seu coração está firme, confiado no Senhor (SR).

Graças ao seu martírio, e de tantos outros, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: quem semeia com lágrimas também colherá com largueza (LT). Deus conta com a nossa colaboração na obra da Redenção, oferecendo as nossas dores, sofrimentos, contrariedades, etc. É o nosso grão de trigo (EV), que dará frutos abundantes.

 

4ª Feira, 11-VIII: Modos da presença de Cristo.

Dt 34, 1-12 / Mt 18, 15-20

Nunca mais apareceu um profeta semelhante a Moisés, que o Senhor conheceu face a face.

O Senhor esteve sempre presente na vida de Moisés, nos momentos de oração, nas intervenções para salvar o seu povo, etc, (LT). Meus lábios O invocaram (SR).

É preciso convencer-nos de que Cristo está presente, vive e actua na Igreja. Deixou-nos muitos sinais da sua presença. Está presente na Sagrada Escritura; e sob as espécies eucarísticas e outras acções litúrgicas da Igreja. E, além disso, está presente no mundo de outros modos, especialmente nos seus discípulos: Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei eu (EV).

 

5ª Feira, 12-VIII: Aprender a perdoar

Jos 3, 7-10. 11. 13-17 / Mt 18, 21- 19. 1

Assim vos há-de fazer também meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do íntimo do coração.

A parábola do servo desapiedado termina com estas palavras: se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração (EV). É de facto no fundo do coração onde tudo se ata ou desata. Por vezes não podemos deixar de sentir e esquecer as ofensas, mas o nosso coração, com ajuda do Espírito Santo, pode mudar a ferida em compaixão e transformar a ofensa em intercessão.

Diariamente há conflitos com aqueles com quem convivemos. Para haver perdão é necessário lembrar que «Eu estarei contigo, como estive com Moisés» (LT).

 

6ª Feira, 13-VIII: A dignidade do matrimónio.

Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído por Deus no princípio da criação (EV). Infelizmente o ambiente continua a desfigurar essa dignidade: pedem-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, e a aceitação de casais sem interessar a diferença de sexos (S. João Paulo II).

Ajuda a viver esta dignidade a lembrança de que Deus está sempre presente para ajudar a ultrapassar as dificuldades que se vão apresentando ao longo da vida, como aconteceu com a Aliança entre Deus e o seu povo (LT: relato de Josué).

 

Sábado, 14-VIII: Deus e as crianças

Jos 24, 14-29 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos Céus é daquelas que que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é a condição para receber a revelação de Deus, pois Jesus revela-se aos pequeninos; e também para entrar no reino dos Céus (EV).

Para isso, é necessário um coração contrito e confiante, que nos faça voltar ao estado de criança. Além disso, precisamos converter-nos e criar um coração novo e uma alma nova, que exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova. E aceitarmos o que nos é dito da parte de Deus: Hás-de recomendá-las (as palavras do Senhor) a teus filhos e delas falarás (LT). Está nas vossas mãos o meu destino (SR).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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