Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Jesus tomou consigo – C. Silva, OC, pg 145

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Festa da Transfiguração do Senhor, que no dizer das Igrejas Orientais se chama “a Páscoa do Verão”. Jesus chama-nos a subir com Ele, para um lugar retirado num alto monte (Mc 9, 2), para nos sentirmos mais perto do céu. E ali, naquele encontro luminoso, manifesta-nos a beleza das duas faces do Seu rosto: rosto doloroso da Cruz e rosto glorioso da ressurreição. Que a celebração desta Eucaristia, penhor da futura glória, favoreça o encontro com esta presença transformadora, até alcançarmos a imagem de Cristo glorioso.

 

Kyrie - Ato penitencial

Senhor, Palavra de amor do Pai, tende piedade de nós!

 

Cristo, Rosto luminoso da Vida do Pai, tende piedade de nós!

 

Senhor, Corpo transparente do mistério do Pai, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A visão aqui proposta apresenta Deus como um ancião que se senta com a sua corte nos tronos de fogo com rodas de lume vivo. Depois aparece um filho do homem que dissolve no Amor, que é o poder manso que lhe é dado para sempre, as nossas raivas e violências, manifestações das bestas bravas que nos habitam.

 

Daniel 7,9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias») é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36,26; Salm 101[102],25-26; Is 41,4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26,11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal direto desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24,30; 26,64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1,32-33; Mt 8,20; 24,30; 26,64; Apoc 1,7; 14,14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem). Uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial     Sl 96(97),1-2.5-6.9 e 12

 

Monição: Como justos alegremo-nos no Senhor e cantemos o seu nome santo.

 

Refrão:        O Senhor é rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas;

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pedro, na sua segunda carta, coloca-se como testemunha ocular, quer do poder do amor que Jesus recebeu de Deus Pai, quer da sua manifestação gloriosa que recebeu no monte santo, que confirma a palavra e os profetas.

“Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo” diz Pedro, para entendermos que recebemos a verdade e não fantasias e é nesta verdade que encontramos a luz que nos ilumina até que chegue o dia do Senhor.

 

2 São Pedro 1,16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17,1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3,3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos, pois a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a “estrela da manhã” (cf. Apoc 2,28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1Tes 5,4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22,16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22,17.20).

 

Aclamação ao Evangelho          Mt 17, 5c

 

Monição: Marcos mostra-nos que a ressurreição é o acontecimento fundamental para a experiência de fé em Jesus. A subida ao monte dos três discípulos com o Mestre é uma antecipação do mistério que se revelará na ressurreição e que Jesus quer mostrar a Pedro, Tiago e João.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 9,2-10

Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. 3As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. 4Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 5Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». 6Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. 7Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». 8De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. 9Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. 10Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

 

A cena da Transfiguração situa-se nos inícios da segunda parte do Evangelho de Marcos. A primeira parte (Mc 1,1 – 8,29) parece querer ser a resposta à incompreensão das pessoas que se interrogam – “quem é este homem? ”– sem atinarem com a resposta certa, culminando com a confissão de Pedro: “Tu és o Cristo!” (8,29). Mas perante a revelação da natureza da obra messiânica de Jesus, que passa pela aparente derrota da Paixão e da Cruz, surge a incompreensão dos próprios discípulos, a começar pelo próprio Pedro (8,31-33). A visão antecipada da glória do Messias na Transfiguração serve de correctivo para aqueles que ficaram confundidos com o primeiro anúncio da Cruz como meio de salvação (8,31 – 9,1). Para nós, é também uma visão antecipada da vinda gloriosa de Cristo, a encher-nos de esperança (cf. Filp 3,21). A Transfiguração do Senhor nada tem a ver com os mitos gregos das metamorfoses. O próprio S. Lucas, melhor conhecedor da cultura grega, teve o escrupuloso cuidado de evitar o verbo grego usado por S. Marcos – metamorfôthê, transfigurou-Se – substituindo-o por um circunlóquio: “ao rezar, ficou outro o aspecto do seu rosto”. Nos mistérios gregos, chega-se progressivamente à transformação da natureza – a metamorfose –, através duma iniciação mistagógica, ao passo que esta transfiguração de Jesus foi repentina e passageira, uma manifestação do que Jesus já era antes.

2 Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser “colunas da Igreja” (Gal 2,9) particularmente firmes, também testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e da agonia de Jesus no Horto (Mt 26,37), diríamos, uma espécie de núcleo duro dos Doze.

“Subiu… a um alto monte”: Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré, segundo uma antiga tradição já referida por Orígenes. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes. Mas acima das considerações topográficas o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger/Bento XVI no “simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário” (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

“E transfigurou-Se diante deles”: o acontecimento é descrito, não como uma visão, mas como uma epifania, pois foi Ele mesmo a “manifestar” a sua própria glória divina, enquanto estava com eles. O facto deveras notável não foi tanto a visão de Moisés e Elias, mas a da glória de Jesus.

3 “As vestes… resplandecentes…” S. Marcos não faz referência ao rosto de Jesus que ficou brilhante como o Sol (Mt 17,2). O Evangelista não precisava de pormenorizar mais, pois a referência da brancura sobrenatural das vestes era o suficiente para que o leitor tomasse consciência da personalidade celestial de Jesus (cf. Dan 7,9; Act 1,10; Apoc 3,4-5; 4,4; 7,9).

4 “Moisés e Elias”. A sua presença à volta de Jesus deixa ver como a Lei e os Profetas convergem para Ele, uma vez que tinham preparado e anunciado a sua vinda. A própria tradição rabínica falava de Moisés como precursor do Messias e Malaquias anunciara a vinda de Elias nos tempos messiânicos (Mal 3,23). “Moisés e Elias puderam receber a revelação de Deus no monte, eles aparecem agora, na Transfiguração, a conversar com Aquele que é a Revelação de Deus em pessoa” (J. Ratzinger/Bento XVI, ibid. p. 384).

5-7 “Três tendas”. Assim se prestava Pedro a facilitar que se prolongasse aquele êxtase paradisíaco. Fala de três e não de um único refúgio, tendo em conta a desigual dignidade de cada uma das pessoas. “Não sabia o que dizia”: Pedro, tomado de assombro, pensa em categorias de um messianismo glorioso e pretende que aquela situação extraordinária se prolongue e mantenha, totalmente alheado da realidade do dia a dia. “Veio então uma nuvem”: mas esta não era uma resposta à sugestão de Pedro para construir um abrigo; a nuvem – a tenda de Deus (cf. 2Sam 22,12; Salm 18(17),12), que cobriu e envolveu Jesus “com a sua sombra” –, aparece sobretudo como um sinal bíblico da presença de Deus, que simultaneamente O revelava e O ocultava (cf. Ex 13,22; 19,9; 24,15-16; 33,9; Lv 16,2; Nm 9,15-23; 11, 25). De acordo com Lc 9,32, este prodígio deve-se ter verificado de noite, enquanto o Senhor fazia oração (Lc 9,29). Mas não consta que Jesus se tenha elevado, levitando no ar, como O pintou Rafael. “Este é o meu Filho”. Com estas palavras a cena atinge o apogeu: a voz vinda do Céu (a bat-qol, como garantia divina na teologia rabinica) é mais uma confirmação divina da anterior confissão da fé de Pedro (Mc 8,29). S. Tomás comenta: “Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa”.

9 “Ordenou-lhes que não contassem…” Esta ordem pertence à chamada disciplina do segredo messiânico – a que Marcos dá especial ênfase pela preocupação teológica de fazer ressaltar a incompreensão perante Jesus, a ser superada pelos seus só após a glória da Ressurreição – visa evitar possíveis agitações populares, que só contribuiriam para perturbar e dificultar a missão de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

Todos os anos, no segundo Domingo da Quaresma, a Igreja propõe aos fiéis a contemplação e meditação na Eucaristia do quarto Mistério Luminoso: a Transfiguração de Jesus. Esse acontecimento que, como diz o Papa Francisco, nos oferece uma mensagem de esperança: também tu podes ser transfigurado em Cristo e com Cristo. Naquele contexto, este episódio aponta para a meta última do caminho quaresmal: a Ressurreição, à qual não se chega sem uma transfiguração, isto é, sem uma mudança, sem uma transformação, sem uma vitória sobre o pecado e a morte.

Embora a Igreja Universal só celebre esta festa desde 1457, desde muito cedo, quer no Oriente quer no Ocidente, este Mistério da transfiguração, começou a ser celebrado em clima festivo, fora dos rigores da Quaresma. Tendo adquirido maior relevo ao converter-se na Festa Titular da Basílica de Latrão ou Basílica do Divino Salvador, que é sede do Bispo de Roma – o Santo Padre.

 

Encontrar-se com Jesus

Meditar este momento da vida do Divino salvador é, antes de mais, convite a refletir acerca da importância de nos desapegarmos das coisas mundanas, a fim de fazer um caminho rumo ao alto e contemplar Jesus... É escutar o convite do Senhor à desinstalação permanente para subir com Ele à montanha, num desejo de estar com Ele, de nos pormos à escuta atenta e orante do Filho amado do Pai, procurando momentos de oração que permitam o acolhimento dócil e generoso da Palavra de Deus.... É proposta de uma pausa silenciosa e sem palavras, de um tempo a céu aberto, de três tendas prontas para o repouso, para nos enchermos da beleza da luz divina que dimana do rosto de Cristo, ao mesmo tempo, doloroso e glorioso!

E assim, com Pedro, Tiago e João, admirar extasiados o esplendor do Senhor transfigurado; “contemplar o encontro misterioso entre a história, que vamos construindo cada dia, e a herança bem-aventurada que nos espera no Céu, na união plena com Cristo” (João Paulo II)...; Fazermos a experiência da proximidade de Deus, descobrindo, ao mesmo tempo, quem é realmente Jesus Cristo: o Salvador enviado pelo Pai a quem é preciso escutar; a palavra definitiva do Pai, anunciada pela Lei e pelos profetas, de que é preciso tomar conta, porque só Ele tem palavras de vida eterna; a porta que abre de par em par a entrada na vida de comunhão com Deus, o caminho único e absoluto de salvação.

 

Encontrar-se e servir os irmãos

No final da admirável experiência da Transfiguração, os discípulos desceram do monte (cf. Mt 9, 9), com os olhos e o coração transfigurados pelo encontro com o Senhor. É o percurso que devemos realizar também nós. Pois nenhuma experiência espiritual extraordinária pode dispensar do esforço quotidiano da fé, do seguimento e do testemunho...

A redescoberta cada vez mais viva de Jesus e a experiência de luz que Ele nos proporciona e que transmite uma nova luz à nossa vontade, à nossa inteligência, a todas as nossas faculdades, não constituem um fim em si, mas induzem-nos a descer do monte decididos a novos passos de conversão, a novos testemunhos de caridade a novos compromissos de semeadores de esperança... Transformados pela presença de Cristo e pelo fervor da sua Palavra, devemos ser um sinal concreto do amor vivificador de Deus tornando-nos “tabor” para os outros, comunicando-lhes o que vimos e sentimos para que também eles possam conhecer e seguir o Filho bem amado do Pai que tem um projeto de salvação e felicidade para oferecer a todos... Tornando-nos “tabor” para os outros sendo sinal concreto do amor vivificador de Deus por todos os nossos irmãos, sobretudo por quem sofre, por quantos se encontram na solidão e no abandono, pelos doentes e pela multidão de homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, são humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência.

 

Conclusão

A Transfiguração e a participação na glória de Jesus é uma meta possível para quem escuta Jesus. Para isso, não podemos, como Pedro querer ficar aqui. Pois não podemos ser amigos do Tabor e inimigos do Horto das Oliveiras... Que cada um de nós, que se encontrou com Cristo, escutou a voz do Pai e se sentiu seu Filho bem amado, receba do Senhor a graça de uma transformação e conversão permanente, enquanto sobe a montanha que é esta vida, para poder adquirir uma morada nos céus. Que cada um de nós seja para todos, na bondade, compreensão, justiça, reconciliação e paz, convite à transfiguração, convite a escutar e a seguir Cristo, nosso Divino Salvador e redentor... Que cada um de nós ponha em prática o seu desafio: assim como eu fiz, fazei vós também (Jo 13, 15).

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo:

Invoquemos a Deus nosso Pai,

que nos revelou a divindade de seu Filho muito amado

e nos mandou escutá-l’O,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou: Senhor, iluminai as nossas trevas.

 

1.      Para que Deus transfigure a santa Igreja,

peregrina nos quatro cantos da terra,

e a faça brilhar de santidade, oremos.

 

2.      Para que Deus transfigure os homens públicos,

os ensine a trabalhar para o bem comum

e a promover a paz e a justiça, oremos.

 

3.      Para que Deus transfigure aqueles que sofrem,

os ajude a levar a sua cruz e a seguir os passos do seu Filho,

oremos.

 

4.      Para que Deus transfigure o nosso olhar

e nos ensine a descobrir, dia após dia,

a sua presença na pessoa dos que sofrem, oremos.

 

5.      Para que Deus nos transfigure inteiramente

e nos faça ver, como aos Apóstolos,

a glória de Jesus no monte santo, oremos.

 

6.      Para que Deus transfigure os moribundos

e os leve a contemplar, na eternidade,

o rosto de Jesus, o Redentor, oremos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas súplicas e envolvei-nos com a luz santíssima

que aos Apóstolos foi dado ver brilhar, para escutarmos a voz do vosso Filho,

imagem e esplendor da vossa glória. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Na glória do teu rosto – C. Silva, OC, pg 320

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo mistério da transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

O mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça.

Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Comunguemos na graça de Deus, com fé viva, humildade e devoção o mesmo Senhor que não deixou ninguém sem um gesto de Amor divino.

 

Cântico da Comunhão: Senhor Tu és a luz – A. Oliveira, NRMS, 6

 

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Louvai, louvai o Senhor – J. F. Silva, NRMS, 85

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Queira a nossa Mãe e Mãe de Deus ajudar-nos a entrar em sintonia com a Palavra de Deus, de modo que Cristo se torne luz e guia de toda a nossa vida. A Ela confiemos as férias de todos, para que sejam serenas e proveitosas, mas sobretudo o verão de quantos não podem ir de férias porque a idade não permite, por motivos de saúde ou de trabalho, por dificuldades económicas ou por outros problemas, a fim de que seja contudo um tempo de descanso, alegrado por presenças amigas e por momentos felizes” (Papa Francisco, Angelus, 6 de Agosto de 2017).

 

Cântico final: Louvai ao Senhor, louvai – J. Santos, NRMS, 37

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 7-VIII: Para Deus não há impossíveis.

Dt 6, 4-13 / Mt 17, 14-20

Se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda direis a esse monte: muda-te daqui para acolá, e ele há-de mudar-se. E nada vos será impossível.

Se a nossa fé for grande podemos levar a cabo empreendimentos, considerados impossíveis (EV). Moisés apela à fé do povo, falando das dificuldades, antes de chegar à terra prometida, e das suas maravilhas. O Senhor há-de introduzir-te no país que jurou dar-te (LT). Vós sois a minha força e a minha fortaleza (SR).

Se alguma vez nos parece que há muitas dificuldades, e que somos muito fracos, lembremo-nos do conselho de Sto Agostinho: «Deus não pede coisas impossíveis. Faz o que podes e pede o que não podes».

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial