18.º Domingo Comum

1 de Agosto de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Deus, vinde em meu auxílio – F. Silva, NRMS, 53

Salmo 69, 2.6

Antífona de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que fica para a vida eterna”, nos vai dizer o Senhor.

Quão importante é saber que é infinitamente superior ter connosco o Senhor de tudo, do que possuir tudo, sem o Senhor! Esta maravilhosa realidade é-nos garantida pela virtude fundamental da fé. Com esta virtude sobrenatural temos a certeza de não podermos estar melhor acompanhados nos caminhos da vida. Ele é omnipotente, ama-nos com amor infinito, está connosco e até se nos dá em alimento!

Vamos mais uma vez refletir nestas tão consoladoras realidades. Elas nos levarão a agradecer ao Senhor e a termos mais segurança na vida.

 

Ato penitencial

 

    Porque tantas vezes nos afastamos dos apelos amorosos do Senhor, trocando-os, por ignorância, engano ou pouca fé, por outras seguranças terrenas tão enganadoras, comecemos por LHE pedir perdão.

 

    (Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus,

que, por leviandade, com tanta facilidade nos afastamos de Vossa amável companhia e de apelos tão ternos e claros que nos fazeis, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que nos revelastes o Amor infinito do Pai do Céu

    e n’Ele tão pouco temos meditado e correspondido, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia! 

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na travessia do deserto do Sinai, a caminho da Terra Prometida, Deus alimentou o Povo com o maná, que seria uma das figuras da Eucaristia. Apesar das demonstrações de carinho recebidas durante os 40 anos da travessia do referido deserto, o Povo de Israel pensava ainda no alimento do corpo, nas panelas de carne e no pão com fartura que tinha comido no Egito.

 

Êxodo 16,2-4.12-15

2Naqueles dias, toda a comunidade dos filhos de Israel começou a murmurar no deserto contra Moisés e Aarão. 3Disseram-lhes os filhos de Israel: «Antes tivéssemos morrido às mãos do Senhor na terra do Egipto, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne e comíamos pão até nos saciarmos. Trouxestes-nos a este deserto, para deixar morrer à fome toda esta multidão». 4Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a minha lei. 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Vai dizer-lhes: 'Ao cair da noite comereis carne e de manhã saciar-vos-eis de pão. Então reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus'». 13Nessa tarde apareceram codornizes, que cobriram o acampamento, e na manhã seguinte havia uma camada de orvalho em volta do acampamento. 14Quando essa camada de orvalho se evaporou, apareceu à superfície do deserto uma substância granulosa, fina como a geada sobre a terra. 15Quando a viram, os filhos de Israel perguntaram uns aos outros: «Man-hu?», quer dizer: «Que é isto?», pois não sabiam o que era. Disse-lhes então Moisés: «É o pão que o Senhor vos dá em alimento».

 

Este relato é tirado daquela parte do Êxodo que refere a caminhada pelo deserto em direcção ao monte Sinai, o cenário da Aliança que é o ponto central do livro (Ex 15,22 – 17,16). As grandes contrariedades desta duríssima viagem são remediadas por uma extraordinária providência divina que multiplica os seus prodígios, engrandecidos por toda a tradição posterior: o saneamento das águas amargas (Ex 15,22-27), o abundante envio de alimento, o maná e as codornizes (Ex 16), o fornecimento de água em horas de sede desesperada (Ex 17,1-7) e a vitória sobre os amalecitas (Ex 17,8-16).

2-4 «Israel começou a murmurar… Então o Senhor disse…» O autor sagrado insiste em pôr em evidência o impressionante contraste entre as queixas persistentes do povo sem fé e a fidelidade amorosa de Deus, que, apesar das murmurações contra Ele, está sempre pronto a vir em socorro deste povo (cf. Ex 14,11; 15,24; 17,3; Nm 11,1.4; 14 2; 20,2; 21,4-5).

13 «Apareceram codornizes». O aparecimento das codornizes costuma ser entendido como um fenómeno natural, embora providencial; ainda hoje enormes bandos destas aves pousam na península do Sinai, nos seus voos periódicos entre as regiões quentes da África e as zonas mais temperadas da Europa e da Ásia; cansadas pelo longo voo sobre o Mar Vermelho, facilmente podem ser apanhadas.

14 «Apareceu uma fina substância granulosa». O maná aqui descrito parece ter semelhanças com uma espécie de resina açucarada que o tamariz ou tamargueira da península do Sinai (tamarix manífera) continua a segregar, quando picadas por insectos, que ali existem (em vias de extinção); as gotas brancas que se formam na casca da planta solidificam com o ar fresco da noite e chegam a cair no chão, em pequenos grãos. Se não se apanham cedo, o sol derrete-as aos 20 graus centígrados (cf Ex 16,21). Os beduínos do Sinai ainda hoje aproveitam este produto como guloseima e exportavam-no até há pouco para doçaria.

15 A verificação destes fenómenos naturais nada tira à visão de fé com que o autor sagrado pretende exaltar a providência de Deus, apresentando-os como uma das maravilhas de Deus a favor do seu povo. A providência ordinária, bem vistas as coisas, não significa menos amor ou menos poder divino, como poderia pensar uma mentalidade milagreira. O próprio nome «maná» presta-se a um jogo de palavras, a partir duma etimologia popular, que põe em evidência a surpresa que havia de marcar a memória e a tradição religiosa deste povo em face do sucedido. Com efeito, maná diz-se em hebraico «man», que também é um pronome interrogativo aramaico, significando «que coisa?»(é isto=hu). O dom do maná espevitará a fé e a gratidão do povo de Deus ao longo dos séculos, por isso, há-de ser recordado e engrandecido com sucessivas actualizações: «nem só de pão vive o homem» (Dt 8,3); «um trigo do Céu… pão dos fortes» (Salm 78,24-25; 105,40), «alimento do Céu, pão dos anjos, pão sem esforço, capaz de todos os sabores e adaptado a todos os gostos, que se acomodava ao gosto de quem o comia e se transformava segundo o desejo de cada um» (Sab 16,20-21); mas sobretudo há-de servir de figura da SS. Eucaristia (cf. Jo 6,32 e o Evangelho deste domingo).

 

Salmo Responsorial    Salmo 77 (78), 3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b )

 

Monição: O Senhor, na Sua Providência amorosa, não nos falta nunca com o pão de cada dia, não só para o corpo, mas também para a alma. O Salmo que vamos meditar convida-nos a ser agradecidos.

 

Refrão:        O Senhor deu-lhes o pão do céu.

 

Nós ouvimos e aprendemos,

os nossos pais nos contaram

os louvores do Senhor e o seu poder

e as maravilhas que Ele realizou.

 

Deu suas ordens às nuvens do alto

e abriu as portas do céu;

para alimento fez chover o maná,

deu-lhes o pão do céu.

 

O homem comeu o pão dos fortes!

Mandou-lhes comida com abundância

e introduziu-os na sua terra santa,

na montanha que a sua direita conquistou.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo exorta-nos a viver segundo o homem novo, criado à imagem e semelhança de Deus, na justiça e na santidade verdadeiras, e não como os pagãos.

 

Efésios 4,.20-24

17Eis o que vos digo e aconselho em nome do Senhor: Não torneis a proceder como os pagãos, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. 20Não foi assim que aprendestes a conhecer a Cristo, 21se é que d'Ele ouvistes pregar e sobre Ele fostes instruídos, conforme a verdade que está em Jesus. 22É necessário abandonar a vida de outrora e pôr de parte o homem velho, corrompido por desejos enganadores. 23Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência 24e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus na justiça e santidade verdadeiras.

 

Este trecho é tirado da segunda parte da epístola, em que o Apóstolo se detém a considerar e expor as consequências práticas para a vida do cristão, que derivam da sua inserção em Cristo e incorporação no seu Corpo, que é a Igreja, como «membros da família de Deus» (2,19). Temos aqui um forte apelo a não voltar a «proceder como os pagãos» (v. 17); o cristão tem de «abandonar a vida de outrora» – a vida anterior à conversão (v. 22) –; e isto não apenas por razões de uma simples ética natural, mas por uma profunda exigência do novo ser, da nova criatura que é (2,10; cf. Gal 6,15), «o homem novo, criado à imagem de Deus» (v. 24).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: Aclamemos o Evangelho de Jesus Cristo, Palavra de Deus, que nos revela qual é o verdadeiro Pão da Vida.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São João 6,24-35

Naquele tempo, 24quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. 25Ao encontrá-l'O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?» 26Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. 27Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». 28Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?» 29Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n'Aquele que Ele enviou». 30Disseram-Lhe eles: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? 31No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: 'Deu-lhes a comer um pão que veio do céu'». 32Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. 33O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo». 34Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». 35Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

 

Continuamos hoje com o capítulo 6 de São João. O milagre da multiplicação dos pães (vv. 1-15), vai dar origem ao discurso da sinagoga de Cafarnaum, o discurso do pão da vida (vv. 35-58). Este é introduzido, à boa maneira joanina, por um diálogo (vv. 25-34) que culmina num mal-entendido; os ouvintes ao pedirem a Jesus o pão do Céu (v. 34), continuam a pensar numa fácil solução económica (v. 26). O mal-entendido deixa ver o confronto entre duas posições extremas e irredutíveis: a do egoísmo interesseiro, centrado na obtenção de vantagens terrenas, e a da fé, empenhada em alcançar a vida eterna. O discurso de Jesus aborda dois temas bem diferenciados, o tema do pão da vida (vv. 35-50) – Jesus em quem é preciso crer –, e o tema do pão vivo (vv. 51-58) – Jesus-Eucaristia que é preciso receber –, temas que serão objecto das leituras dos próximos domingos.

27. «A marca», com que o Pai assinalou a Jesus como seu Filho enviado ao mundo, são os milagres, precisamente designados em S. João como «sinais»; mas há quem pense que se alude antes à consagração e missão de Jesus (cf. Jo 10,36; 17,18-19); por outro lado, segundo alguns exegetas apoiados na tradição patrística, haveria aqui uma alusão à descida do Espírito Santo sobre Jesus, por ocasião do seu Baptismo no Jordão, e à voz vinda do Céu, como a proclamação solene e autêntica da sua condição de Messias.

31-32. O judaísmo da época, apoiando-se na promessa de Ex 16,4, esperava que, com a vinda do Messias, se renovariam os prodígios do Êxodo (nesta linha está a tentação de Jesus de Mt 4,3-4). O texto citado parece ser o do Salm 78,24 (cf. Ex 16,14-15; Sab 16, 20). Repare-se na força da argumentação, à maneira rabínica: «não foi Moisés quem vos deu… meu Pai é quem vos …»; aqui o sentido mais profundo das Escrituras obtém-se por um método de actualização (chamado al tiqrey=não leias), que consiste em ler as consoantes do verbo hebraico (ntn) não com as vogais do perfeito (natan=deu), mas com as do presente (noten=dá), de modo a pôr em evidência que o verdadeiro pão do Céu não é algo do passado, «o maná», mas o próprio Jesus («pão da vida», isto é, pão que dá a vida), o qual procede do Pai. Ao longo do A. T., o maná também foi tema de reflexão e de actualização (cf. Dt 8,3; Ne 9,20-21; Salm 78,24-25; 105,40; Sab 16,20-21).

 

Sugestões para a homilia

 

1.      “O Senhor deu-lhes o pão do Céu.”

2.      O novo e verdadeiro Pão do Céu.

3.      Quão importante é ter fé!

 

1.      “O Senhor deu-lhes o pão do Céu.”

 

A caminhada pelo deserto estava a ser muito difícil para o Povo de Israel, depois da saída do Egito. Por isso o povo começou a murmurar contra o Senhor.

Apesar de se terem libertado da escravatura do Egito, diziam que lá comiam carne e pão em abundância e agora estavam a sentir fome. Perante tais lamentações, o Senhor realizou mais prodígios em seu favor: deu-lhes o maná, água e carne em abundância, fazendo com que uma grande quantidade de codornizes poisasse no acampamento. Estes prodígios vão acompanhá-los durante os quarenta anos da travessia do deserto.

 

2.      O novo e verdadeiro Pão do Céu.

 

O Evangelho da Missa de hoje regista a procura do Senhor, feita por uma numerosa multidão que tinha sido beneficiada com o milagre da multiplicação dos pães e peixes, a que se referiu o Evangelho do passado Domingo. O Senhor aproveita a ocasião para lhes anunciar um outro alimento mais importante. Esse novo Pão que lhes promete dar será Ele mesmo. E quem a Ele recorrer não terá mais fome. Quem n’Ele acreditar não terá mais sede. Só Ele nos pode verdadeiramente saciar, como experimentou, viveu e se expressou Santo Agostinho “o nosso coração foi feito para Deus, só n’Ele encontra descanso”. Ele é o verdadeiro Pão do Céu.

 

3.      Quão importante é ter fé!

 

Todos estes prodígios hoje recordados têm em mente fazer acordar os homens para a importância da virtude sobrenatural da fé. De fato, só pela fé os homens terão acesso a estas maravilhas. Com ela não se deixarão enganar pelas ilusões do mundo e não irão proceder como os pagãos, como nos recorda S. Paulo, na Carta aos Efésios na segunda leitura da Missa de hoje.

Só pela fé seremos revestidos do homem novo, vivendo na justiça e santidade verdadeira (2ª Leitura). De quanto se privam os que não têm fé ou não são coerentes com ela!

Que todos estes prodígios realizados por Deus em favor de seu Povo a todos acordem para a virtude sobrenatural da fé. Ao longo dos séculos da história da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, muitos outros prodígios se têm verificado, a confirmar a presença real de Jesus nas Hóstias consagradas Presentemente, mesmo sem sair de casa, todos através da Internet, podem ter acesso a muitas dessas manifestações miraculosas. Ainda recentemente foram apresentados 136 desses sinais divinos. Existem milagres Eucarísticos, reconhecidos pela Igreja: 3 na Argentina, 3 na Áustria, 7 na Bélgica, 1 na Colômbia, 1 na Croácia, 3 no Egito, 12 na França, 9 na Alemanha, 1 na Ilha Martinica, 1 na ilha da Reunião, 35 na Itália, 1 no México, 9 na Holanda, 1 no Perú, 4 na Polónia, 1 em Portugal (Santarém), 19 na Espanha, 1 na Suíça, 1 na Venezuela. Bendito seja Deus!

A fé é sempre uma virtude sobrenatural, que pressupõe humildade da nossa parte. Perante tantos fatos, só podem ser ignorados por quem os quer ver ou estudar, uma vez que já foram examinados cientificamente por peritos das mais variadas universidades do mundo.

Que todos estes prodígios, que Deus, na Sua infinita Bondade nos quis oferecer, contribuam para o crescimento da nossa fé e, com ela, saibamos recorrer com amor e reconhecimento ao Pão de Deus, que desceu do Céu para nos fazer companhia durante a travessia do deserto da vida e para nos alimentar espiritualmente, dando-nos a alegria e a segurança de que necessitamos para chegarmos à felicidade eterna do Céu, para a qual todos fomos criados.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus, verdadeiro «pão da vida», deseja saciar não só os corpos, mas também as almas,

oferecendo o alimento espiritual que pode satisfazer a fome profunda.»

Nestes últimos domingos, a liturgia mostrou-nos a imagem cheia de ternura de Jesus que vai ao encontro das multidões e das suas necessidades. Na narração evangélica de hoje (cf. Jo 6, 24-35), a perspetiva muda: é a multidão, saciada por Jesus, que se põe novamente em busca d’Ele, vai ao encontro de Jesus. Mas para Jesus não é suficiente que as pessoas o procurem, Ele quer que elas o conheçam; quer que a busca d’Ele e o encontro com Ele vão além da satisfação imediata das necessidades materiais. Jesus veio para nos trazer algo mais, para abrir a nossa existência a um horizonte mais vasto em relação às preocupações quotidianas do alimentar-se, do vestir-se, da carreira, e assim por diante. Por isso, dirigindo-se à multidão, exclama: «Buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos» (v. 26). Assim estimula as pessoas a dar um passo em frente, a interrogar-se sobre o significado do milagre, e não apenas a aproveitar-se dele. Com efeito, a multiplicação dos pães e dos peixes é sinal do grande dom que o Pai concedeu à humanidade e que é o próprio Jesus!

Ele, verdadeiro «pão da vida» (v. 35), deseja saciar não só os corpos, mas também as almas, oferecendo o alimento espiritual que pode satisfazer a fome profunda. Por isso, convida a multidão a procurar não o alimento que perece, mas aquele que permanece para a vida eterna (cf. v. 27). Trata-se de um alimento que Jesus nos concede todos os dias: a sua Palavra, o seu Corpo, o seu Sangue. A multidão ouve o convite do Senhor, mas não compreende o seu sentido — como acontece muitas vezes também connosco — e pergunta-lhe: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?» (v. 28). Os ouvintes de Jesus pensam que Ele lhes pede a observância dos preceitos para obter outros milagres, como o da multiplicação dos pães. Trata-se de uma tentação comum de reduzir a religião unicamente à prática das leis, projetando na nossa relação com Deus a imagem do relacionamento entre os servos e o seu senhor: para obter a sua benevolência, os servos devem cumprir as tarefas que o patrão atribuiu. Todos nós sabemos isto. Por esta razão, a multidão quer saber de Jesus quais são as ações que deve realizar para agradar a Deus. Mas Jesus dá uma resposta inesperada: «A obra de Deus é esta: que creiais naquele que Ele enviou» (v. 29). Hoje, estas palavras são dirigidas também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em “fazer” coisas, mas em “acreditar” n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite cumprir as obras de Deus. Se nos deixarmos arrebatar por esta relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas obras que têm o perfume do Evangelho, para o bem e as necessidades dos irmãos.

O Senhor convida-nos a não esquecer que, se é necessário preocupar-nos pelo pão, é ainda mais importante cultivar a relação com Ele, fortalecer a nossa fé n’Ele que é o «pão da vida», que veio para saciar a nossa fome de verdade, a nossa fome de justiça, a nossa fome de amor. No dia em que recordamos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, a Virgem Maria, a Salus populi romani, nos ampare no nosso caminho de fé e nos ajude a abandonar-nos com alegria ao desígnio de Deus sobre a nossa vida.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 5 de agosto de 2018

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus nosso Pai,

para que atenda as preces que Lhe dirigimos

pela intercessão de Seu amado Filho Jesus Cristo,

verdadeiro Pão da vida e presente no meio de nós,

dizendo cheios de confiança

 

R. Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

 

1.       Pela Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que conduzam sempre com sabedoria

o rebanho de Cristo às pastagens da Fé e do Amor de Deus,

e todos os sigam com docilidade,

oremos, irmãos.

 

R. Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

2       Pelos que governam os povos,

para que trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

promovam sempre a verdade, a justiça e a paz,

oremos, irmãos.

 

    R.  Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

3       Pelos que sofrem no corpo ou no espírito,

para que glorifiquem a Deus em suas vidas,

como templos que são do Espírito Santo,

oremos, irmãos.

 

    R.  Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

4       Pela paz e prosperidade de todo o mundo,

feita com a descoberta da presença de Jesus

em todos os Sacrários da Terra,

oremos, irmãos.

 

    R.  Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

5       Pelas famílias de todo o mundo,

para que o encontro com Jesus Cristo Pão da Vida,

seja a preocupação principal de cada dia,

oremos, irmãos.

 

    R.  Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

    6.  Por todos os fieis defuntos,

para que, por intercessão de Nossa Senhora

alcancem de Deus a Sua misericórdia,

oremos, irmãos.

 

    R. Nós Vos rogamos, ouvi-nos Senhor.

 

    Senhor, que em Jesus Cristo nos dais todos os bens,

    fazei que O procuremos em tudo e acima de tudo,

    para que nos identifiquemos com Ele,

    e sejamos n’Ele vossos filhos muito amados.

    Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai Senhor e recebei – J. Santos, NRMS, 70

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, imolado por nós e ressuscitado para nossa salvação e elevado para glória do Pai, é penhor de glória eterna.

Comunguemos, com muita devoção, amor e fé, o verdadeiro Pão Vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: Saciastes o vosso povo – F. Silva, NRMS, 90-91

Sab 16, 20

Antífona da comunhão: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

 

Ou

Jo 6, 35

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear – F. Silva, NRMS, 17

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa existência cristã, configurada pela Palavra de Deus, comporta uma relação pessoal com Jesus Cristo e um caminhar unidos a Ele. A Eucaristia é fonte de graça e fortaleza que transforma a nossa vida e que, por nós, há-de transformar o mundo.

Com a graça do Senhor, a intercessão de Nossa Senhora e as nossas boas obras, ajudem todos os homens a entrar por caminhos de conversão, de encontro pessoal com o verdeiro Pão do Céu. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor – M. F. Borda, NRMS, 43

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

2ª Feira, 2-VIII: O maná e o pão eucarístico.

Num 11, 4-15 / Mt 14, 13-21

Mas foi só aos teus antepassados que Ele dedicou o seu amor; depois deles, escolheu-vos a vós de preferência a todos os povos.

O povo de Israel descobriu que Deus tinha uma razão para o ter escolhido entre todos os povos: o seu amor gratuito (LT). Mas esse mesmo povo queixou-se no deserto, por não gostar do maná. O meu povo não ouviu a minha voz (SR).

Com o milagre da multiplicação dos pães, Jesus pode alimentar a multidão (EV). Além do maná, agora deixou mais uma figura da Eucaristia. Esta é mais uma manifestação do seu amor pelos homens. Agradeçamos ao Senhor o «pão nosso de cada dia», e procuremos recebê-lo cada dia com mais devoção: Amor com amor se paga.

 

3ª Feira, 3-VIII: As dificuldades e a ajuda de Deus

Num 12, 1-13 / Mt 14, 22-36

Mas Pedro, ao ver a ventania, teve medo e, começando a afundar-se, lançou um grito: Salva-me, Senhor.

Pedro começou a afundar-se porque reparou mais nas dificuldades (a ventania) e esqueceu-se de se apoiar em Deus. Homem de pouca fé, por que duvidaste? (EV). Mas Jesus apoiou o pedido de Pedro.

Também Moisés recorreu ao Senhor, pedindo-lhe que curasse a lepra de Maria, apesar da censura que ela tinha feito a Moisés. E foi atendido. Misericórdia, Senhor, por vossa bondade (SR). Para termos mais segurança nas nossas ‘pequenas tempestades diárias’, não olhemos só para as dificuldades, mas com esperança na ajuda do Senhor.

 

4ª Feira, 4-VIII:  Qualidades da boa oração.

Num 13, 1-2. 25 - 14, 1, 26-30, 34-35 / Mt 15, 21-28

Jesus: Mulher, é grande a tua fé. Terás aquilo que desejas.

Os exploradores enviados à terra de Canaã (LT) aumentam o tamanho dos obstáculos encontrados e, com receio, o povo recusa-se a entrar nela. Esqueceram a Deus que os salvou (SR).

Pelo contrário, a mulher cananéia (EV), apesar de uma primeira reacção negativa de Jesus, continua a pedir a cura da sua filha. Os primeiros foram impedidos por Deus de entrar na terra prometida, enquanto a mulher cananeia conseguiu um milagre do Senhor. Assim deve ser a nossa oração: pedir, insistir, até que o Senhor nos atenda.

 

5ª Feira, 5-VIII: Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.

Num 20, 1-13 / Mt 16, 13-23

Dar-te-ei as chaves do reino dos céus. Tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus.

Moisés, enviado por Deus para conduzir o seu povo à terra prometida, encontra diversas dificuldades como, por exemplo, a falta de água. Mas Deus resolve o problema e, de um rochedo, sai água (LT). Aclamemos o rochedo da nossa salvação (SR).

Pedro recebe uma autoridade específica: dar-te-ei a chave do reino dos céus (EV). Agora é o Papa que nos vai encaminhar para a vida eterna. Além disso, contamos com a ajuda de Nª Senhora. Hoje celebramos a Dedicação da Basílica de Sta Maria Maior e Nossa Senhora é a Porta do Céu (Ladainha do Terço).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Alves Moreno

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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