aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

Vaticano:

«A Igreja não dispõe do poder

de abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo»

– Congregação para a Doutrina da Fé

 

A Congregação para a Doutrina da Fé divulgou um esclarecimento sobre “projetos e propostas de bênçãos” de homossexuais afirmando que “a Igreja não dispõe, nem pode dispor, do poder de abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo”.”

Em comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, assinado pelo cardeal Luis Ladaria, prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, o Vaticano esclarece o sentido da impossibilidade de abençoar uniões de pessoas homossexuais, afirmando que não corresponde a uma “injusta discriminação”.

“A declaração de ilicitude das bênçãos de uniões entre pessoas do mesmo sexo não é, e não quer ser, uma injusta discriminação, mas quer relembrar a verdade do rito litúrgico e de quanto corresponde profundamente à essência dos sacramentais, assim como a Igreja os entende”, afirma o comunicado.

A nota explicativa foi emitida pela Congregação da Doutrina da Fé no contexto da difusão de “projetos e propostas de bênçãos para uniões de pessoas do mesmo sexo”, muitas vezes “motivados por uma sincera vontade de acolher e acompanhar as pessoas homossexuais”, que são consideradas “sacramentais” nas ações litúrgicas da Igreja.

“Para ser coerente com a natureza dos sacramentais, quando se invoca a bênção sobre algumas relações humanas, é necessário – além da reta intenção daqueles que dela participam – que aquilo que é abençoado seja objetiva e positivamente ordenado a receber e a exprimir a graça, em função dos desígnios de Deus inscritos na Criação e plenamente revelados por Cristo Senhor. São pois compatíveis com a essência da bênção dada pela Igreja somente aquelas realidades que de per si são ordenadas a servir a tais desígnios”, explica o comunicado.

A Congregação da Doutrina da Fé acrescenta, como consequência, que “não é lícito conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimônio (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher, aberta por si à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

O comunicado conclui que o Papa Francisco foi informado e deu seu assentimento à publicação do comunicado da Congregação para a Doutrina da Fé, durante uma audiência ao cardeal Luis Ladaria.

 

Papa:

evoca «terríveis» efeitos da pandemia

e pede à Cimeira Ibero-Americana vacina para todos

 

O Papa enviou uma mensagem à XXVII Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que decorreu em Andorra, evocando as “milhões de vítimas e doentes” da pandemia e apelando à solidariedade na distribuição de vacinas.

“A pandemia não fez distinções e atingiu pessoas de todas as culturas, credos, camadas sociais e económicas. Todos nós conhecemos e sentimos a perda de uma pessoa próxima que morreu de Covid-19 ou que sofreu os efeitos do contágio”, assinala o pontífice.

 “Todos nós vimos como as consequências desta trágica situação afetaram tantas crianças e jovens e acompanhamos com preocupação os efeitos que pode ter no seu futuro”, aponta.

O Papa aborda, em particular, a questão da vacina contra a Covid-19, sustentando que “a imunização extensiva deve ser considerada um bem comum universal”.

“São particularmente bem-vindas as iniciativas que procurem criar novas formas de solidariedade a nível internacional, com mecanismos que visem garantir uma distribuição equitativa das vacinas, não com base em critérios puramente económicos, mas tendo em conta as necessidades de todos, especialmente dos mais vulneráveis e necessitados”, acrescenta.

A mensagem assinala os “enormes sacrifícios de cada nação e dos seus cidadãos”, convidando toda a comunidade internacional a “comprometer-se, unida, com espírito de responsabilidade e fraternidade” para enfrentar os próximos desafios.

Francisco elogia o “árduo trabalho” dos médicos, enfermeiras, pessoal de saúde, capelães e voluntários que acompanharam os doentes.

“Devemos unir forças para criar um novo horizonte de expectativas onde o benefício económico não seja o objetivo principal, mas sim a proteção da vida humana”, refere.

A intervenção sublinha a necessidade de “coragem política” para que “não sejam os pobres a pagar o maior custo pelos dramas que atingem a família humana”.

O Papa pede um modelo de recuperação capaz de gerar “soluções novas, mais inclusivas e sustentáveis”, defendendo uma reforma da “arquitetura” da dívida internacional, como parte integrante da resposta comum à pandemia.

A comunidade ibero-americana é composta por 22 países, dos quais três europeus, Portugal, Espanha e Andorra, e 19 latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana.

Portugal esteve representado conjuntamente pelos chefes de Estado e de Governo, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respetivamente.

 

Papa:

«Quando rezamos, nunca o fazemos sozinhos»

 

O Papa disse no Vaticano que a oração dos cristãos é sempre parte de um “rio majestoso” de intercessões que atravessa a história da humanidade, numa catequese dedicada à “comunhão dos santos”.

“Quando rezamos, nunca o fazemos sozinhos: mesmo que não pensemos nisso, estamos imersos num majestoso rio de invocações que nos precede e que continua, depois de nós.

Francisco destacou que a Bíblia conserva, ainda hoje, orações ligadas a “histórias antigas, de libertações prodigiosas, de deportações e exílios tristes, de regressos emocionantes, de louvores derramados diante das maravilhas da criação”.

“Essas vozes são transmitidas de geração em geração, num entrelaçamento contínuo entre a experiência pessoal e a do povo, a da humanidade a que pertencemos”, precisou.

Essa “herança” de oração, assinalou o Papa, continua hoje a difundir-se, “com ou sem mensagens nas redes sociais”, nos momentos de “dor e felicidade”.

“As orações renascem sempre: cada vez que juntamos as nossas mãos e abrimos os nossos corações a Deus, encontramo-nos na companhia de santos anónimos e santos reconhecidos que rezam connosco, que intercedem por nós, como irmãos e irmãs mais velhos que passaram pela nossa mesma aventura humana”, indicou.

Na Igreja não há luto solitário, não há uma lágrima que se derrama no esquecimento, porque tudo respira e participa numa graça comum”.

Francisco rejeitou a ideia de que os católicos “adorem” os santos, sublinhando que esta veneração remete para “Cristo, único Senhor e Mediador entre Deus e o homem”. “O santo faz recordar Jesus Cristo, porque ele percorreu esse caminho, de viver como cristão”, observou.

A intervenção realçou que esta santidade pode ser manifestada “até ao último momento” da vida. “A santidade é um percurso de vida de encontro com Jesus, longo, breve, um instante. Mas é sempre testemunho”, apontou, elogiando os santos de todos os dias, escondidos, “da porta ao lado”.

 

Vaticano:

Arquivos mostram esforço de Pio XII

para salvar judeus da perseguição nazi

 O investigador Johan Ickx, responsável pelo Arquivo da Secção das Relações com os Estados, do Vaticano, publicou o livro “Pio XII e os judeus”, com documentos inéditos sobre a ação da Santa Sé durante a II Guerra Mundial.

A obra resulta da análise de textos que ficaram acessíveis pela primeira vez após a abertura dos Arquivos do Vaticano relativos ao pontificado de Pio XII (1939-1958), documentando “a tentativa de salvar milhares de judeus das perseguições nazis durante a II Guerra Mundial. “A série de arquivos denominada ‘Judeus’ que se encontra no nosso Arquivo demonstra o cuidado diário com que, 24 horas por dia, o Papa e os onze pessoas do seu “gabinete” estavam ocupadas, juntamente com os núncios e outros colaboradores no exterior, para ir em ajuda aos perseguidos de toda a Europa”, refere Ickx, em entrevista ao portal ‘Vatican News’.

O historiador contabilizou cerca 2800 pedidos de ajuda ou intervenção, entre 1938 e 1944.

“É realmente surpreendente como homens e mulheres em perigo, em Milão, mas também em Praga ou Budapeste, consideravam como único verdadeiro último recurso recorrer a Roma e pedir ajuda ao Papa. Portanto, para os judeus era evidente e claro que Pio XII estava do seu lado, que ele e sua equipa fariam tudo ao seu alcance para salvá-los”, indica o autor.

Johan Ickx considera que os esforços do Vaticano visavam “salvar cada ser humano, independentemente da cor ou credo”, até porque à medida que as leis raciais se tornaram mais rigorosas, “a distinção entre judeus e judeus batizados se perdeu”.

 

Santa Sé:

Papa Francisco recorda os 500 anos do cristianismo nas Filipinas

 

O Papa Francisco celebrou a Eucaristia na Basílica de São Pedro, no Vaticano, por ocasião dos 500 anos da chegada do cristianismo às Filipinas.

Concelebraram com o Papa, os cardeais Luis Antonio G. Tagle e Angelo De Donatis e também 8 sacerdotes da comunidade filipina.

As Filipinas ficam situadas na Ásia e a capital é a cidade de Manila. Com uma população de mais de 100 milhões de habitantes, as Filipinas são o sétimo país mais populoso da Ásia e o 12º mais populoso do mundo.

A chegada do navegador português Fernão de Magalhães, em 1521, marcou o início da colonização europeia e a entrada do cristianismo naquele país asiático

 

Vaticano:

Papa abre caminho à beatificação de religiosas

que morreram no antigo Zaire, ajudando vítimas do Ébola

 

O Papa Francisco abriu caminho à beatificação de três religiosas italianas da Congregação das Irmãs dos Pobres que morreram em 1995, na atual República Democrática do Congo, prestando ajuda aos pobres durante uma epidemia de Ébola.

A informação é dada pelo Vaticano, que publicou os decretos relativos ao reconhecimento das “virtudes heroicas” das missionárias, à imagem do que já tinha acontecido a 20 de fevereiro de 2021, com outras três religiosas da Congregação, falecidas nas mesmas condições.

As irmãs Annelvira Ossoli (1936-1995), Vitarosa Zorza (1943-1995) e Danielangela Sorti (1947-1995) faleceram todas em maio de 1995, na localidade de Kikwit, do antigo Zaire, durante um surto de Ébola

Os restos mortais das seis religiosas, a pedido expresso do bispo de Kikwit, D. Edouard Mununu, repousam em frente à Catedral de Kikwit e são conhecidas como “mártires da caridade”, informa o portal de notícias do Vaticano.

 

Vaticano:

Papa deixa conselhos aos confessores

 

O Papa deixou uma série de recomendações aos confessores, sublinhando a importância da misericórdia, numa intervenção dirigida aos 870 sacerdotes e seminaristas de todo o mundo que participaram, online, na 31ª edição do Curso do Foro Interno.

Francisco recebeu alguns dos participantes, no final da iniciativa, no auditório Paulo VI, do Vaticano, falando da Quaresma como um “tempo de deserto e de conversão, de penitência e de acolhimento da misericórdia”, que valoriza o sacramento da Reconciliação.

“O primeiro passo para uma boa Confissão é o ato de fé, de abandono, com o qual o penitente se aproxima da Misericórdia. Todo confessor deve ser sempre capaz de se surpreender com os irmãos que, pela fé, pedem perdão a Deus e, somente pela fé, se abandonam a Ele, entregando-se em Confissão”, indicou, numa intervenção divulgada pelo Vaticano.

Francisco sublinhou que ninguém muda “por causa de uma árida série de preceitos”, mas pelo amor.

“O bom confessor é sempre chamado a perceber o milagre da mudança, a ver o trabalho da Graça no coração dos penitentes, encorajando o máximo possível a ação transformadora. A integridade da acusação é o sinal desta transformação que o Amor realiza: tudo é entregue para que tudo seja perdoado”, apontou.

O Papa convidou os participantes a ter a preocupação de indicar o “indispensável amor ao próximo, como um exercício diário no qual se treina o amor por Deus”.

“A celebração frequente do Sacramento da Reconciliação torna-se, tanto para o penitente como para o confessor, um caminho de santificação, uma escola de fé, de abandono, de mudança e de correspondência ao amor misericordioso do Pai”, declarou.

 

Papa:

«Mudanças na Igreja, sem a oração, não são mudanças de Igreja,

são mudanças de grupo»

 

 

O Papa censurou no Vaticano quem propõe “mudanças eclesiais” sem referências espirituais, confiando apenas nos resultados da sua própria discussão.

“Estão todas as organizações, estão os media que informam tudo, mas a oração não se vê, não se reza”, referiu Francisco, falando em “certos grupos que se colocam de acordo, para levar por diante reformas eclesiais, mudanças na vida da Igreja”.

A intervenção, incluída no ciclo semanal de catequeses que o pontífice tem dedicado à oração, alertou mesmo para a intervenção do “maligno” na tentativa de “secar as fontes” da vida eclesial. “As mudanças na Igreja, sem a oração, não são mudanças de Igreja, são mudanças de grupo”, indicou.

Francisco citou o Evangelho de Lucas para repetir uma “pergunta dramática” de Jesus: ‘Quando o Filho do Homem vier, encontrará porventura a fé sobre a terra?».’ (Lc 18, 8).

“Ou encontrará apenas organizações, como se fosse um grupo de empreendedores da fé, todos bem organizados, que fazem beneficência?”, questionou.

Se a oração parar, durante algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente, por inércia; pouco tempo depois, a Igreja percebe que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a fonte do calor e do amor”.

O Papa apresentou a Igreja como uma “grande escola de oração”, que começa ao “colo dos pais ou dos avós”.

“Aquele dom, que recebemos na infância com simplicidade, compreendemos que é um património grande, um património riquíssimo, e que a experiência da oração merece ser aprofundada cada vez mais”, acrescentou.

Francisco destacou que a fé cresce “até através dos momentos de crise e ressurreição”.

A intervenção destacou o papel dos mosteiros, conventos e eremitérios como “centros de irradiação espiritual”, na Igreja e na sociedade, evocando o impacto do monaquismo “no nascimento e no crescimento da civilização europeia”. “Pequenos oásis em que se partilha uma oração intensa e se constrói a comunhão fraterna dia após dia”, realçou.

“Rezar e trabalhar em comunidade faz avançar o mundo. É um motor”, acrescentou.

O Papa sustentou que, na vida da Igreja, “tudo cresce graças à oração”, que ilumina o “caminho para evangelizar”. “Sem fé, tudo se desmorona; sem a oração, a fé apaga-se”, alertou.

 

Papa:

Perto das pessoas e longe do dinheiro

– os conselhos aos novos padres da Diocese de Roma

 

O Papa presidiu, no dia do Bom Pastor, no Vaticano, à ordenação de nove sacerdotes, que desafiou a serem “pastores” próximos das pessoas e sem ambições de carreira nem apego ao dinheiro. “Por favor, afastai-vos da vaidade, do orgulho, do dinheiro. O diabo entra pelo bolso. Pensai nisto, sede pobres, como é pobre o santo povo fiel de Deus”, declarou, durante a Missa que assinalou o 58.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Francisco convidou os novos sacerdotes a imitar um Deus que “não se cansa de perdoar” e a evitar a ideia de “carreira eclesiástica”, para que os padres não sejam “funcionários” nem “arrivistas”. “Isto não é uma carreira, é um serviço. Um serviço como o que Deus fez ao seu povo”, indicou.

O Papa lamenta que alguns membros do clero se tornem “empresários sem coração” e insistiu na necessidade da proximidade no ministério sacerdotal.

“Pastores, próximos de Deus, ao bispo, entre vós e ao Povo de Deus”, recomendou.

Não fecheis os corações aos problemas. E vereis tantos, os problemas da gente: quando as pessoas vêm partilhá-los, perdei tempo escutando-as e consolando-as. A compaixão leva ao perdão, à misericórdia. Por favor, sede misericordiosos”.

Francisco aconselhou aos sacerdotes um “estilo de proximidade, estilo de compaixão, estilo de ternura”.

A homilia, num tom coloquial, destacou a necessidade de oração, advertindo que “um sacerdote que não reza, lentamente, apaga o fogo do Espírito, dentro de si”.

O Papa recomendou a proximidade ao bispo, símbolo da “unidade”, mesmo nos momentos mais difíceis, e a proximidade entre os membros do clero, falando “cara a cara”. “Nunca falem mal de um irmão sacerdote”, pediu.

A intervenção sublinhou a centralidade da proximidade “ao Santo Povo fiel de Deus”, de onde vieram os novos padres. “Sacerdotes do povo, não clérigos de Estado”, apontou.

Francisco disse que este é um caminho “bonito”, que conta com a ajuda de Jesus e da Virgem Maria. “Não tenhais medo”, concluiu.

 

Roma:

Religioso gravemente doente emociona o Papa

e é ordenado no hospital

 

Religioso gravemente doente de leucemia, o pe. Livinus Esomchi Nnamani, da congregação Mater Dei, foi ordenado nesta última Quinta-Feira Santa em pleno hospital onde está internado em Roma. A cerimônia foi celebrada por dom Daniele Libanori, bispo auxiliar de Roma, que concedeu entrevista à Rádio Vaticano – Vatican News testemunhando a força dessa experiência de fé no dia em que Jesus Cristo estabeleceu o sacerdócio e a Eucaristia.

Livinus é da Nigéria e chegou à Itália em 2019. Enquanto lutava contra a doença, continuou estudando para o sacerdócio com determinação. Uma recente piora em seu quadro de saúde levou-o a solicitar do Papa Francisco a especial autorização de adiantar a sua ordenação sacerdotal. O religioso escreveu uma carta a mão neste dia 31 de março, durante a Semana Santa, provavelmente sem imaginar que o seu intenso desejo se realizaria em apenas 24 horas.

Dom Libanori relatou: “Fiquei sabendo deste jovem religioso, doente e hospitalizado aqui em Roma; do desejo dele de se tornar sacerdote; soube que ele precisava de permissão especial. Então eu disse ao superior dele que ele próprio devia fazer este pedido. Uma hora mais tarde, ou pouco mais, mas ainda não tinham passado duas horas, o Santo Padre deu a sua permissão para que ele fosse ordenado. Tudo aconteceu no dia 31 de março, na manhã de Quarta-Feira Santa. Tudo em menos de duas horas”.

No dia seguinte, Quinta-Feira Santa, dom Libanori se encontrou com o Papa Francisco na Basílica de São Pedro:

 “Fui até ele em sua sacristia e lá ele me deu o documento com o consentimento para a ordenação de Livinus. Na mesma tarde, no Centro de Saúde, fizemos a liturgia da ordenação. Livinus estava muito emocionado, mas também sofrendo por conta do seu estado de saúde. Celebramos a Missa com dignidade, tentando não cansá-lo muito. Ele ficou feliz com isso. Acredito que tenha sido um momento muito íntimo”.

As mãos do novo sacerdote foram ungidas com o Crisma consagrado pelo Papa poucas horas antes, na Basílica de São Pedro.

“Eu disse a Livinus que ele vive o seu sacerdócio nesta oferenda de si mesmo, na doença que lhe pesa, que talvez até o humilhe e que certamente o impede de viver o seu ministério como tantos outros. Mas a única, verdadeira, grande Missa que todo cristão celebra é aquela em que ele mesmo se oferece vivendo a vida diária e, quando Deus quiser, sua morte em união com Cristo. Portanto, o sacerdócio de Livinus não é mortificado em sua condição; pelo contrário, é exaltado, porque se torna ainda mais evidente quem é o sacerdote”.

O novo sacerdote morreu poucos dias depois.

 

Vaticano:

simpósio internacional sobre o sacerdócio

 

O prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet, apresentou em 12 de abril o simpósio internacional "Por uma Teologia Fundamental do sacerdócio", que acontecerá no Vaticano de 17 a 19 de fevereiro de 2022.

Segundo o cardeal Ouellet, serão três dias de sessões “especialmente destinadas aos bispos, e a todos aqueles, homens e mulheres, interessados em teologia, para aprofundar nossa compreensão das vocações e da importância da comunhão entre as diferentes vocações na Igreja”.

O cardeal Marc Ouellet especificou que “a questão do celibato é importante e será abordada, mas não será a questão central do simpósio”. “Não é um simpósio sobre o celibato sacerdotal, como se esta questão tivesse que ser retomada fundamentalmente... É uma perspectiva mais ampla, que começa com o Batismo”, destacou o cardeal.

O prefeito da Congregação para os Bispos disse que o Concílio Vaticano II "voltou a colocar em primeiro plano o sacerdócio dos batizados, mas esta perspectiva não penetrou profundamente na vida e na pastoral da Igreja" e acrescentou que “é preciso continuar trabalhando, e o simpósio servirá para aprofundar a questão, partindo não da organização e distribuição de funções, mas do mistério da Igreja: o 'povo santo de Deus' de que fala o Papa, habitado pela comunhão da Santíssima Trindade”.

Além disso, o cardeal Ouellet reconheceu que o sacerdócio “não é um tema novo, mas é um tema central, cuja originalidade é colocar em uma relação fundamental o sacerdócio dos batizados que o Concílio Vaticano II reavaliou, e o sacerdócio ministerial, bispos e padres, dos quais a Igreja Católica sempre afirmou a especificidade”.

Entre as questões relacionadas com o sacerdócio que serão abordadas neste simpósio, o Cardeal mencionou o testemunho dos batizados e o exercício do ministério sacerdotal nas sociedades secularizadas.

Por último, o cardeal Ouellet sublinhou que “um simpósio teológico não pretende oferecer soluções práticas a todos os problemas pastorais e missionários da Igreja, mas pode ajudar-nos a aprofundar no fundamento da missão da Igreja”.

 

Vaticano:

Revelado tema para I Dia Mundial dos Avós,

destacando importância da proximidade

 

O Vaticano revelou o tema para o I Dia Mundial dos Avós, que a Igreja Católica vai celebrar a 25 de julho, destacando a importância da proximidade.

“O tema escolhido pelo Santo Padre para a ocasião é ‘Eu estou contigo todos os dias’ (cf. Mt 28,20) e tem por objetivo expressar a proximidade do Senhor e da Igreja à vida de cada idoso, especialmente neste momento difícil de pandemia”, refere um comunicado do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé).

Segundo a nota, enviada à Agência Ecclesia, esta celebração “é uma promessa de proximidade e de esperança que jovens e idosos possam entender-se mutuamente”.

“Não são só os netos e os jovens que são chamados a estar presentes na vida dos idosos, mas os avós e as pessoas idosas também têm uma missão evangelizadora, uma missão de anunciar, de rezar e de gerar jovens para a fé”, acrescenta o comunicado.

Para fomentar a celebração desse dia nas igrejas locais e nas realidades associativas, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida vai propor, a partir de junho, algumas ferramentas pastorais que estarão disponíveis no site www.amorislaetitia.va

O “Dia Mundial dos Avós e dos Idosos”, vai ser assinalado no quarto domingo de julho, junto à celebração litúrgica de São Joaquim e Santa Ana (26 de julho).

“Os avós, tantas vezes, são esquecidos e esquecemos esta riqueza de cuidar das raízes e transmiti-las”, referiu Francisco, no final da recitação do ângelus, com transmissão desde a biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano.

A intervenção sublinhou a importância do encontro entre gerações, para a Igreja e para a sociedade. “É importante que os avós se encontrem com os netos e os netos com os avós, porque como diz o profeta Joel, os avós, diante dos nossos, sonharão, terão ilusão; e os jovens, encontrando força nos avós, seguirão em frente e hão de profetizar”, declarou o Papa.

O cardeal Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, salienta que “este é o primeiro fruto do ‘Ano da Família Amoris Laetitia’, um dom a toda a Igreja que se vai manter ao longo dos anos”.

“A pastoral dos idosos é uma prioridade inadiável para todas as comunidades cristãs. Na encíclica Fratelli tutti, o Santo Padre nos lembra que ninguém é salvo sozinho. Nesta perspetiva, é necessário valorizar a riqueza espiritual e humana que foi passada de geração em geração”, acrescenta o responsável.

 

Vaticano:

Número de católicos continua a aumentar, com impulso de África

 

Os novos dados estatísticos sobre a Igreja Católica, divulgados pelo Vaticano, mostram que em 2019 o número de católicos aumentou 1,12% face ao ano anterior.

O crescimento vem na sequência do que se tinha verificado entre 2013 e 2018, quinquénio em que se registou um aumento de 6% no número de católicos em todo o mundo: o número de batizados passou de 1,25 mil milhões para 1,33 mil milhões de pessoas.

O total de batizados registado pelo ‘Annuarium Statisticum Ecclesiae’ chegava, em 2019, a 1,34 mil milhões, um aumento de 16 milhões de pessoas face a 2018; a percentagem de católicos face ao total da população mundial mantém-se nos 17,7%.

Os dados do Departamento Central de Estatística da Igreja são relativos ao número de católicos em todo o mundo, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, diáconos permanente e seminaristas.

O Anuário Pontifício 2021 e o ‘Annuarium Statisticum Ecclesiae 2019’ procuram retratar a presença e da ação pastoral da Igreja Católica nas 3026 circunscrições eclesiásticas do planeta.

Em África, registou-se um aumento de 3,4% do número de católicos na África, situação que se verifica também nos continentes asiático e americano (1,3% e 0,84% respetivamente), bem como na Oceânia (1,1%); na Europa, constata-se uma “ligeira diminuição do número de católicos”, informa a Santa Sé.

A América representa quase metade do total de católicos a nível mundial (48,1%) seguindo-se a Europa (21,2%) e a África (18,7%).

O número de sacerdotes, quer diocesanos como religiosos, manteve-se estável nos 414 mil, com aumentos na África e Ásia (3,45% e 2,91%, respetivamente) e quebras na Europa e América (1,5% e 0,5%).

Já o total de diáconos permanentes aumentou 1,5% em 2019, face ao ano anterior, superando os 48 mil.

A Santa Sé assinala a “clara diminuição” do número de religiosas, que em 2019 caiu em 1,8% face a 2018, situando-se agora num total de 630 mil; o total de seminaristas também desceu, em 1,6%, registando-se 114 mil candidatos ao sacerdócio.

O continente com maior número de seminaristas foi a Ásia, com 33 821; seguem-se a África, com 32 721; a América, com 30 664; a Europa, com 15 888; e a Oceânia, com 964 seminaristas.

 


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