Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

3 de Junho de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor alimentou-nos – C. Silva, NRMS, 60 

Salmo 80,17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Esta grande solenidade pretende ajudarmos a compreender a beleza da Aliança que Deus celebra connosco na Eucaristia. Aliança celebrada no seu Corpo e no seu Sangue entregue e derramado, como sinal máximo do seu amor por nós. Ele se oferece por nós como vítima sem mancha e revela o seu amor infatigável por cada pessoa. Em cada dia, Deus, pela eucaristia, diz-nos quanto nos ama e dá a vida por nós.

Nenhum cristão pode viver sem a eucaristia. Tal tesouro precioso é oferecido a todos e tem de ser partilhado com todos. Por isso somos convidados a descobrir a presença amiga de Deus e a responder com fé genuína e com o máximo de amor! É o Deus vivo que se entrega: “Isto é o meu Corpo… Este é o cálice da nova Aliança: Comei, bebei! Seu sangue e seu corpo: sua vida, sua pessoa.

Se o mundo de hoje está mais frio, insensível e fechado em seu egoísmo sistémico é também fruto da indiferença, frieza, insensibilidade ao seu Deus que se fez e se faz Pão da Vida, se torna presença de amor.

Que haja um compromisso de transmitir este dom precioso às crianças, aos jovens e a todos. Que em cada domingo e dias santos façamos presença ativa a celebrar o grande mistério da fé e do amor. E que tal celebração tenha impacto positivo na nossa vida. Que todos os dias, ao menos em pensamento, o visitemos nos sacrários das nossas igrejas. E O descobramos presente no sacrário do nosso coração e nos irmãos.

 

Acto penitencial

Senhor, pelo teu sangue derramado que nos reconcilia com o Pai.

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, pelo teu Corpo entregue com que alimentas o teu povo.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, que ofereces a tua vida e trazes ao mundo a salvação.

Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos”. Fazer tudo com amor é o que Deus, em cada eucaristia, espera de cada um de nós.

 

Êxodo 24,3-8

Naqueles dias, 3Moisés veio comunicar ao povo todas as palavras do Senhor e todas as suas leis. O povo inteiro respondeu numa só voz: «Faremos tudo o que o Senhor ordenou». 4Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, levantou-se muito cedo, construiu um altar no sopé do monte e ergueu doze pedras pelas doze tribos de Israel. 5Depois mandou que alguns jovens israelitas oferecessem holocaustos e imolassem novilhos, como sacrifícios pacíficos ao Senhor. 6Moisés recolheu metade do sangue, deitou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. 7Depois, tomou o Livro da Aliança e leu-o em voz alta ao povo, que respondeu: «Faremos quanto o Senhor disse e em tudo obedeceremos». 8Então, Moisés tomou o sangue e aspergiu com ele o povo, dizendo: «Este é o sangue da aliança que o Senhor firmou convosco, mediante todas estas palavras».

 

Este texto refere a ratificação da antiga Aliança, por mediação de Moisés, entre dois protagonistas, Deus e o povo de Israel. O rito é descrito com dois elementos, a saber: um (vv. 3a. e 7), a leitura das cláusulas postas por Deus – «as palavras do Senhor» (debarim: ou Decálogo, cf. Ex 20) e «as leis (mixpatim: ou Código da Aliança, cf. Ex 21 – 22) –, com a correspondente aceitação pela parte do povo – «nós o poremos em prática» (vv. 3b e 7). O outro elemento é o sacrifício para selar a Aliança (vv. 4b-6). É interessante notar como a descrição deste sacrifício conserva uns traços muito primitivos, pois quem imola os animais não são sacerdotes, mas «alguns jovens» (v. 5), num altar construído ad hoc e tendo à volta doze estelas (v.4). Os ritos de sangue eram correntes entre os povos nómadas daqueles tempos, mas, para o povo de Israel, este rito encerra um significado particular. Com efeito, o sangue é a vida (cf. Gn 9,4) e a vida é pertença só de Deus, por isso ele só deve ser derramado sobre o altar, ou ser usado para ungir pessoas consagradas a Deus (cf. Ex 29,19-21); ao dizer-se que Moisés «aspergiu com ele o povo» todo (v. 8), deixa-se ver que esta aliança não apenas vincula o povo às cláusulas, para obedecer às leis de Deus, mas sobretudo que este povo fica a pertencer a Deus, como um povo santo, que Lhe é consagrado, um povo sacerdotal (cf. Ex 19,3-6). O sangue derramado em partes iguais – «metade sobre o altar» (v. 6), que representa a Deus, e a outra «metade» sobre o povo (v. 8) – mostra os laços estreitos da comunhão de vida que a aliança cria entre Deus e o povo, num impressionante simbolismo. Uma tal união e aliança é a prefiguração da nova, universal e definitiva aliança, aquela que unirá para sempre, de modo sobrenatural, o homem com Deus, através do sangue de Cristo (cf. Mt 26,28; Heb 9,11.28: 2.ª leitura de hoje)

 

Salmo Responsorial      Sl 115 (116), 12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)

 

Monição: Como agradecerei ao Senhor o dom precioso da Eucaristia? Cantarei elevando o cálice da salvação e invocado o nome do Senhor!

 

Refrão:         Tomarei o cálice da salvação

                      e invocarei o nome do Senhor.

 

Ou:               Elevarei o cálice da salvação,

                      invocando o nome do Senhor.

 

Como agradecerei ao Senhor

tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

invocando o nome do Senhor.

 

É preciosa aos olhos do Senhor

a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

quebrastes as minhas cadeias.

 

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

na presença de todo o povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Cristo é Sacerdote, Altar e Cordeiro.

 

Terra, exulta de alegria,

Louva o teu pastor e guia,

Com teus hinos, tua voz.

 

Quanto possas tanto ouses,

Em louvá-l’O não repouses:

Sempre excede o teu louvor.

 

Hoje a Igreja te convida:

O pão vivo que dá vida

Vem com ela celebrar.

 

Este pão – que o mundo creia –

Por Jesus na santa Ceia

Foi entregue aos que escolheu.

 

Eis o pão que os Anjos comem

Transformado em pão do homem;

Só os filhos o consomem:

Não será lançado aos cães.

 

Em sinais prefigurado,

Por Abraão imolado,

No cordeiro aos pais foi dado,

No deserto foi maná.

 

Bom pastor, pão da verdade,

Tende de nós piedade,

Conservai-nos na unidade,

Extingui nossa orfandade

E conduzi-nos ao Pai.

 

Aos mortais dando comida,

Dais também o pão da vida:

Que a família assim nutrida

Seja um dia reunida

Aos convivas lá do Céu.

 

 

Hebreus 9,11-15

Irmãos: 11Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas, nem pertence a este mundo, 12e entrou de uma vez para sempre no Santuário. Não derramou sangue de cabritos e novilhos, mas o seu próprio Sangue, e alcançou-nos uma redenção eterna. 13Na verdade, se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que estão impuros, os santificam em ordem à pureza legal, 14quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo! 15Por isso, Ele é mediador de uma nova aliança, para que, intervindo a sua morte para remissão das transgressões cometidas durante a primeira aliança, os que são chamados recebam a herança eterna prometida.

 

Cristo é apresentado como Sumo Sacerdote, numa alusão aos ritos judaicos do Dia da Expiação (Yom Kipur), em que só o sumo sacerdote entrava na parte mais sagrada do santuário, o Santo dos Santos. Ele «atravessou o tabernáculo maior e mais perfeito» (v. 11), isto é, segundo a interpretação feita pela tradução, o Santuário do Céu, aonde subiu e onde continua a exercer a sua mediação salvífica.

12-15 O sacrifício de Cristo, com a oferta do seu próprio sangue, isto é, da sua vida imolada, tem uma eficácia infinitamente superior à dos sacrifícios antigos que não obtinham mais do que uma pureza legal e exterior.

14 «Quanto mais o sangue de Cristo… pelo espírito eterno». É em virtude da sua natureza divina que o seu sacrifício tem um valor infinito, que não apenas supera os sacrifícios oferecidos no templo de Jerusalém, mas os torna obsoletos.

 

Aclamação ao Evangelho           Jo 6, 51

 

Monição: Preparar espaços exteriores e interiores. Celebrar com fidelidade e amor. Fazer Memória até à plenitude da Páscoa Eterna.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC, pg 534

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São Marcos 14,12-16.22-26

12No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 13Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. 14Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?» 15Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». 23Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 24Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. 25Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». 26Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

 

Estamos no relato evangélico da última Ceia de Jesus, segundo Marcos. Tratando-se duma Ceia Pascal, é deveras impressionante que nenhum evangelista relate a comida do cordeiro, o elemento central da ceia judaica. É que todo o interesse se centra nas palavras e nos gestos de Jesus. Aqui tudo é diferente, porque o cordeiro é Ele próprio.

13-14 O pormenor aqui relatado mostra como Jesus tinha tudo previsto cuidadosamente e parece até indiciar que Ele quereria ocultar a Judas o local da Ceia para evitar a consumação da traição neste momento.

15 «Uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta». Estes pormenores, que não aparecem nos outros evangelistas podem denunciar, de acordo com a tradição, que o Cenáculo era propriedade de Maria de Jerusalém, a mãe de Marcos, o próprio evangelista que no-los relata.

22 «Isto é o meu Corpo». A expressão de Jesus é categórica e terminante, com exactamente as mesmas palavras nos quatro relatos paralelos que há no Novo Testamento; não deixa lugar a mal entendidos. Não diz: aqui está o meu Corpo, nem isto é o símbolo do meu Corpo, mas sim: isto é o Meu Corpo, como se dissesse: «este pão já não é pão, mas é o Meu Corpo», isto é, «sou Eu mesmo». Todas as tentativas de entender estas palavras num sentido simbólico fazem violência ao texto; com efeito, «ser» no sentido de «ser como», «significar», só se verifica quando do contexto se possa depreender que se trata duma comparação, o que não se dá aqui, pois não se vê facilmente como o pão seja como o Corpo de Jesus, ou como o signifique. Por outro lado, Jesus, com a palavra «isto» não se refere à acção de partir o pão, pois não pronuncia estas palavras enquanto parte o pão, mas depois de o ter partido; por isso, não tem sentido dizer que com a fracção do pão o Senhor queria representar o despedaçar do seu Corpo por uma morte violenta. E Jesus não podia querer dizer uma tal coisa; se o tivesse querido dizer, teria de o explicitar, uma vez que o gesto de partir o pão era, afinal, um gesto usual do chefe da mesa, em todas as refeições, e ninguém lhe podia descobrir outro sentido; por outro lado, o gesto de beber o cálice muito menos condizia com esse tal suposto sentido. Os Apóstolos entenderam as palavras no seu verdadeiro realismo (cf. Jo 6,51-58). Assim as entende e prega S. Paulo (1Cor 11) e a Igreja Católica assistida indefectivelmente por Cristo e pelo Espírito Santo. O mistério eucarístico é tão transcendente que não podia passar pela cabeça humana sequer sonhá-lo (cf. a Encíclica de S. João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia). Assim fala São Justino a meados do século II: «Não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso Salvador, se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciado a acção de graças com as mesmas palavras de Cristo e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e o sangue de Jesus que se incarnou».

 

Sugestões para a homilia

 

“Este é o sangue da Aliança”.

Sangue da Nova Aliança: Cristo dá a Sua vida por nós.

Faremos tudo o que o senhor nos pede. “Fazei isto em memória de mim”.

 

“Este é o sangue da Aliança”.

O Sangue é o elemento comum às três leituras que nos são oferecidas nesta solenidade. Sangue de Aliança que se estabelece entre Deus e o seu Povo. Sangue da Nova Aliança que Jesus derrama sobre todos.

Moisés comunica ao povo as palavras e a lei. Tal comunicação encontra eco no coração desse povo. Ele comunga tal projeto e responde positiva e resolutamente prometendo fazer tudo o que o Senhor lhe pede. E na verdade Moisés e o povo cumprem zelosamente a celebração prescrita como celebração de aliança, geradora de vínculo pessoal e comunitário, com Deus e com as pessoas.

É uma celebração cheia de compromisso, de dinamismo, de colaboração. Todos estão activos e interpelados, desde os mais jovens aos mais velhos. E simbolicamente foi derramado sangue sobre o Altar, e depois de lido o livro da Aliança, sobre todo o povo. Sangue que exprime o sacrifico e sangue de aliança vinculativa que encontra eco na vontade de servir e obedecer a Deus.

A Aliança será sempre o ponto central, referência essencial. Mesmo quando o povo se desviar, se esquecer, se iludir terá sempre a aliança como ponto central de referência. Os profetas manterão sempre a aliança na sua frescura primordial apontando para a sua total perfeição no Messias. E só n’Ele será plenamente celebrada e realizada.

 

Sangue da Nova Aliança: Cristo dá a Sua vida por nós.

Jesus é para nós sacerdote, altar e cordeiro. Celebra connosco uma aliança, nova e eterna, aliança de amor incomensurável que atinge a sua síntese na Paixão, na Cruz e na sua Ressurreição. Ressuscitado e vivo celebra connosco oferecendo-nos abundantemente a Sua vida.

Em contexto pascal, Jesus antecipa a sua entrega e estabelece a Aliança, fazendo os seus apóstolos participantes e comprometendo-os a fazer tal gesto de amor em sua memória. Jesus assume toda a nossa fragilidade e pecado e os destrói com o Seu sangue, isto é, com o seu amor sobre todos os homens e mulheres.

Ele é o Altar que se oferece e intercede por nós como vítima de obediente amor. E nesse Altar nos une, nos congrega, nos aproxima do Deus vivo, nos nutre dando-se em comunhão.

No altar da sua entrega diz-nos de forma surpreendente, com a medida de Deus: “Tomai: Isto é o meu corpo”; “Este é o meu sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens”. Com estes elementos simples, acessíveis, do nosso alimento quotidiano, faz algo de extraordinário e maravilhoso, dando-se a nós: Mistério de Deus doado na simplicidade e na proximidade, acessível a todos! Não faz falta fazer grandes exercícios de concentração ou ter técnicas especiais para O encontrar. O Anjo, em Fátima, lembrou-nos e mostrou-nos como é fácil deixar-se encontrar por este amor na Eucaristia. E como aquelas crianças penetraram no amor incomensurável de Deus, d’Ele se encheram em experiência apaixonante que os marcou definitiva e santamente.

 

Faremos tudo o que o senhor nos pede. Fazei isto em memória de mim.

A Eucaristia que celebramos desafia-nos a uma correspondência pronta, fiel, sábia, comprometida. Aquilo que o concilio Vaticano II nos propõe: seja o centro, o vértice e o cume da vida pessoal do cristão e da vida da Igreja.

Sendo a eucaristia síntese maravilhosa da história viva da salvação, experiência máxima com o Deus vivo, celebração da nova e eterna Aliança exige de nós toda a verdade e entrega. Daí a celebrarmos em estado de graça, com consciência, com calma e com alma, com fé e com amor.

É Cristo que vem ao nosso encontro. Ele escuta e sabe das nossas angústias, tristezas, medos, perplexidades, alegrias e sonhos. Ele toma a iniciativa do diálogo e partilha connosco a Palavra que aquece o coração, que abre horizontes, que permite reconhecê-Lo. Ele aceita sentar-se com homens e mulheres pobres, frágeis, mas com uma pequena porção de vontade, liberdade e amor que permitem dizer-lhe: entra e fica connosco. E aceita imediatamente ficar connosco. Essa é a sua alegria: ficar connosco em nossa casa, em nossa vida. Fica feliz dando-se em comunhão, partilhando-Se como Pão da Vida. E iluminando o sentido mais belo e profundo da nossa vida, e dando-se inteiramente, leva-nos à alegria plena e ao entusiasmo, gerador de dinamismo, de anúncio, de testemunho, de novidade atraente de evangelho.

Neste sacramento de amor tudo deve ser belo. Assim a preparação do espaço celebrativo. Simples, acolhedor e que permita celebrar centrando o coração, e a vida, n’Aquele que lhe dá sentido e é o Centro. Mais ainda a preparação pessoal do coração em simplicidade, verdade, abertura à graça e às propostas que o Ressuscitado faz. Uma preparação interior de fé e de amor.

O saber acolher o Ressuscitado que vem ao nosso encontro. Escutar e comungar na Mesa da Palavra, guardando no coração o tesouro da Palavra de Deus. Acolher e comungar a pessoa de Jesus, o Seu Corpo e o Seu Sangue, com fé, gratidão e compromisso de amor.

 Fazer tudo o que o Senhor pede e fazer memória é sentir o convite ao testemunho de uma vida doada, é levar a eucaristia à vida pessoal, comunitária e ao mundo. Uma vida que se torna um verdadeiro sacrário da presença viva de Deus. Uma vida que tem imenso respeito por cada pessoa, que sabe perdoar as incompreensões, as perseguições, as afrontas e humilhações sabendo que essa atitude é dom de mudança e conversão.

Fazer tudo o que o Senhor nos pede é acolher cada irmão e cada irmã que connosco celebram a mesma fé e o mesmo amor, acolher a Igreja. Mas é também acolher a todos, as alegrias e angústias do mundo, procurando ser luz e sal, ser mãos e pés do ressuscitado que oferece a paz, a bondade, a misericórdia e a vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Enquanto nos nutrimos do Corpo e Sangue de Cristo, somos assimilados a Ele e recebemos em nós o seu amor,

não para o conservar ciosamente, mas para o partilhar com os outros.»

Hoje em muitos países, entre os quais a Itália, celebra-se a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ou, segundo a mais célebre expressão latina, a solenidade de Corpus Christi. O Evangelho recorda-nos as palavras de Jesus, pronunciadas na última Ceia com os seus discípulos: «Tomai, isto é o meu Corpo». E em seguida: «Isto é o meu Sangue, o Sangue da aliança, que é derramado por muitos» (Mc 14, 22.24). Precisamente em virtude daquele testamento de amor, a comunidade cristã reúne-se todos os domingos, e cada dia, em volta da Eucaristia, sacramento do Sacrifício redentor de Cristo. E, atraídos pela sua presença real, os cristãos adoram-no e contemplam-no através do sinal humilde do pão que se torna o seu Corpo.

Cada vez que celebramos a Eucaristia, mediante este Sacramento tão sóbrio e ao mesmo tempo tão solene, nós fazemos experiência da Nova Aliança, que realiza plenamente a comunhão entre Deus e nós. E enquanto participamos nesta Aliança, não obstante sejamos pequeninos e pobres, nós colaboramos para edificar a história como Deus a quer. Por isso, enquanto constitui um ato de culto público a Deus, cada celebração eucarística remete para a vida e para as vicissitudes concretas da nossa existência. Enquanto nos nutrimos do Corpo e Sangue de Cristo, somos assimilados a Ele e recebemos em nós o seu amor, não para o conservar ciosamente, mas para o partilhar com os outros. Esta lógica está inscrita na Eucaristia: recebemos em nós o seu amor e partilhamo-lo com os outros. Eis em que consiste a lógica eucarística. Com efeito, nela contemplamos Jesus, Pão partido e oferecido, Sangue derramado pela nossa salvação. Trata-se de uma presença que, como fogo, faz arder em nós as atitudes egoístas, nos purifica da tendência a doar somente quando recebemos, e acende o desejo de nos fazermos, também nós em união com Jesus, pão partido e sangue derramado pelos irmãos.

Portanto, a festa de Corpus Christi é um mistério de atração a Cristo e de transformação nele. E é escola de amor concreto, paciente e sacrificado, como Jesus na Cruz. Ensina-nos a ser mais hospitaleiros e disponíveis em relação a quantos estão em busca de compreensão, de ajuda e de encorajamento, e vivem marginalizados e sozinhos. A presença de Jesus vivo na Eucaristia é como uma porta, uma porta aberta entre o templo e a estrada, entre a fé e a história, entre a cidade de Deus e a cidade do homem.

Expressão da piedade eucarística popular são as procissões com o Santíssimo Sacramento que, na hodierna solenidade, têm lugar em muitos países. Também eu, esta tarde em Ostia — como fez o Beato Paulo VI há cinquenta anos — celebrarei a Missa, à qual se seguirá a procissão com o Santíssimo Sacramento. Convido todos a participar, também espiritualmente, mediante a rádio e a televisão. Que Nossa Senhora nos acompanhe neste dia!

  Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 3 de junho de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Elevemos a nossa oração a Jesus Cristo,

que, antes de Se entregar pelos homens,

celebrou com os discípulos a Ceia pascal,

e digamos (ou: e cantemos), iluminados pela fé:

 

R. Cristo, Pão do Céu, dai-nos a vida.

Ou: Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

 

1. Pelas Igrejas dos quatro pontos cardeais,

para que sejam congregadas na unidade da mesma fé

em torno da Santíssima Eucaristia,

oremos.

 

2. Pelo Papa, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que façam, em memória de Jesus,

o que Ele mandou ao celebrar a sua última Ceia,

oremos.

 

3. Pelos cristãos perseguidos, e sem liberdade,

impedidos de celebrar a eucaristia,

que o Senhor os una à sua Paixão e sua Ressurreição,

oremos.

 

4. Pelas crianças que comungam pela primeira vez,

e pelos adultos que os ajudam a amar a eucaristia,

que o Corpo de Cristo traga às suas vidas frutos abundantes,

oremos.

 

5. Pelos nossos irmãos Judeus,

o povo da primeira Aliança, para que o Senhor os guarde

na fidelidade e se abram à Aliança em Cristo,

oremos

 

6. Pelos pobres, pelos doentes e aflitos,

para que haja quem os defenda e socorra

e lhes recorde que Deus se faz seu companheiro,

oremos.

 

7. Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

para que a celebração da Eucaristia do Senhor

nos dê a esperança de O contemplar na eternidade,

oremos.

 

Senhor Jesus Cristo,

que alimentais continuamente a vossa Igreja

com o mistério do vosso Corpo e Sangue,

concedei-lhe a graça de encontrar a verdadeira alegria

na riqueza infinita dos vossos dons.

Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó verdadeiro Corpo do Senhor – C. Silva, NRMS, 42

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

dar-Vos graças, sempre e em toda a parte,

por Cristo, nosso Senhor.

Verdadeiro e eterno sacerdote,

oferecendo-Se como vítima de salvação,

instituiu o sacrifício da nova aliança

e mandou que o celebrássemos em sua memória.

O seu Corpo, por nós imolado,

é alimento que nos fortalece;

e o seu Sangue, por nós derramado,

é bebida que nos purifica.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes,

proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo…

 

Santo: A. Cartageno – COM, pg 189

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor quer viver verdadeiramente em nosso coração. É o sacrário onde gosta de permanecer e de sentir o nosso amor, a nossa atenção, o nosso testemunho.

Gosta de ir connosco junto de cada pessoa partilhar um sorriso, uma palavra de esperança, um acolhimento de gratidão e de misericórdia, um pouco do nosso suor, da nossa partilha e da nossa vida.

Celebremos sempre com exigência pessoal. Celebremos na graça de Deus, na fé genuína, na docilidade da nossa entrega a quem se nos entrega.

O amor tão grande que recebo de Deus me impulsione sempre a amar. Assim Cristo verdadeiramente presente na Eucaristia e no Sacrário seja também presença real em minha vida que partilho com a Igreja e com todos.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é Alimento – A. Cartageno, NRMS, 60

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Devotamente eu Te adoro – J. Santos, NRMS, 77-79

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levo Deus em meu coração. Sou um sacrário vivo, um tabernáculo do altíssimo. Como Jesus dizia a Santa Teresa: “Procura-me em ti e te acharás em mim”. E também que os outros possam achar Jesus em mim.

Tenha a eucaristia como vértice, centro e cume da minha vida. Mantenha tempos de oração, se possível, junto de Jesus no sacrário. Na eucaristia, no sacrário, em cada irmão, Deus vivo, torna-se próximo, acessível, simples.

Celebrar bem a Eucaristia e assumi-la na vida, torna-se dinamismo poderoso de testemunho, de apostolado e de renovação.

Como Maria e com Maria saibamos acolher e levar Jesus, apressadamente, por todos os caminhos até às montanhas!

“Como fez São José, cuidemos de Jesus em nós, quando o recebemos na Eucaristia e na escuta de sua Palavra” Papa Francisco

 

Cântico final: O vosso Corpo é o Pão – J. Santos, NRMS, 77-79

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 4-VI: A importância da Palavra de Deus.

Tob 11, 5-17 Mc 12, 35-37

Naquele tempo, Jesus estava a ensinar no Templo, tomou a palavra…

Jesus, a propósito da afirmação dos escribas, invoca as palavras da Escritura para esclarecer as dúvidas (EV). Também nos pode ser muito útil para esclarecermos as dúvidas dos nossos amigos.

Através das Escrituras obteremos a sabedoria que nos indica os caminhos para a nossa salvação. Foi isso que aconteceu com o Anjo Rafael, que salvou Tobias de abundantes perigos que enfrentaram (LT). E também nós somos beneficiados pela inspiração de Deus, que não se engana nem nos engana a nós.

 

Sábado, 5-VI: O valor da esmola.

Tob 12,1. 5-15. 20 / Mc 12, 38-44

Esta viúva pobre deitou na caixa mais do que todos os outros.

Jesus criticou a atitude dos escribas pela ostentação que manifestavam nas suas actuações. Pelo contrário, a viúva pobre deitou na caixa das esmolas mais do que todos os outros: Era tudo o que tinha (EV).

O Anjo Rafael chama a atenção para os benefícios da esmola: (LT): vale mais a esmola com justiça, do que a riqueza com injustiça; a esmola salva da morte e purifica de todos os pecados; os que dão esmola terão vida em abundância. Nas mãos de Deus estão o castigo e o perdão, a vida e a morte (SR).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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