Solenidade da Santíssima Trindade

30 de Maio de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ao Senhor do Universo – J. F. Silva, NRMS, 8

 

Antífona de entrada: Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigénito, bendito o Espírito Santo, pela sua infinita misericórdia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Cada Domingo, como família reunida, somos chamados a sentir com particular intensidade a nossa condição de “povo reunido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”! Mas, para avivar em nós a consciência e a experiência do imenso amor de Deus, a Igreja celebra, hoje, de modo solene, o este mistério central da sua fé: o mistério da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Peçamos ao Senhor, presente no meio de nós, que o saibamos adorar, como verdadeiros discípulos, pois “a Eucaristia é o maior ato de adoração da Igreja” (Bento XVI, SC 66).

 

Kyrie - Ato penitencial

Criados à imagem e semelhança deste Deus, peçamos perdão pelas vezes em que desfiguramos a beleza do Seu amor.

 

Vós que sois compassivo e misericordioso, Senhor, tende piedade de nós!

 

Vós que sois rico em clemência e lealdade, Cristo, tende piedade de nós!

 

Vós que sois a fonte da vida, Senhor, tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A imagem de Deus que nos é dada, pelo Livro do Deuteronómio, não é a de um deus longínquo, como eram e ainda são hoje os deuses pagãos, mas a de Alguém que acompanha de perto os acontecimentos da vida do seu povo, de Alguém que Se interessa pelos seus problemas e intervém em seu favor. Escutemos e gravemos em nosso coração.

 

Deuteronómio 4,32-34.39-40

Moisés falou ao povo, dizendo: 32«Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? 33Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? 34Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? 39Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. 40Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».

 

Terá presidido à escolha deste texto para este dia, a preocupação de, por um lado, pôr em evidência que o mistério da Trindade divina em nada fere a sua indivisível unidade: «o Senhor é o único Deus… e não há outro» (v. 39), e, por outro, abrir-nos para a consideração de que Deus não é um mero princípio explicativo do que existe, uma força cega, mas um ser pessoal – «o Senhor teu Deus» – um pai providente, que fez pelo seu povo «tremendas maravilhas» (v. 34). A leitura é tirada da 2ª parte do 1.° discurso de Moisés, nas estepes de Moab, que aqui atinge o seu ponto culminante ao exaltar, em estilo oratório e comovente, o incomparável amor de Deus para com o seu Povo. Mas Ele não aparece como um Deus cool (fiche), para quem tudo está sempre bem, pelo contrário, como um verdadeiro pai, que quer ver os seus filhos felizes, por isso lhes recorda como é indispensável «cumprir as suas leis e os seus mandamentos» (v. 40). Esta é uma daquelas passagens, fervorosas e ardentes, que vieram a moldar a alma do piedoso israelita.

 

Salmo Responsorial      Sl 32 (33), 4-5.6.9.18.19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: Este salmo é um verdadeiro canto novo a fazer vibrar as fibras do nosso coração, cantando a confiança e a certeza de que Deus vela por nós.

 

Refrão:         Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

                     

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo diz, com palavras comoventes, qual é a nossa condição de baptizados. Não somos já simples criaturas, não somos escravos que servem um patrão na esperança de ter um prémio ou no temor de receber um castigo. Somos filhos que receberam d’Ele a sua mesma vida.

 

Romanos 8,14-17

Irmãos: 14Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai». 16O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. 17Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

 

Esta belíssima passagem põe em relação com as três Pessoas divinas a nossa vida cristã, que é uma vida trinitária. Pela obra redentora de «Cristo» – o Filho (v. 17) –, recebemos o «Espírito Santo» que se une ao nosso espírito (v. 16) e que nos põe em relação com o «Pai», levando-nos a bradar: «Abbá, ó Pai!» (v. 15). Esta filiação adoptiva, põe-nos em relação com cada uma das Pessoas divinas. Tem-se discutido muito sobre o sentido desta repetição: Abbá, ó Pai!; parece não se tratar de uma simples tradução do próprio termo arameu usado pelo Senhor, mas antes de uma filial explosão de piedosa ternura para com Deus – Pai Nosso! –, uma espécie de jaculatória pessoal, correspondente à exclamação: «ó Pai, Tu que és Pai!» (M. J. Lagrange).

 

Aclamação ao Evangelho           cf. Ap 1, 8

 

Monição: Antes de voltar para o Pai, Cristo Ressuscitado transmite à Sua Igreja, representada pelos Apóstolos, os Seus mesmos poderes. Estes são o Seu prolongamento no mundo e recebem d’Ele o encargo de realizar a sua obra levando a todos a sua salvação, pelo anúncio da mensagem evangélica e pelo Baptismo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 28,16-20

16Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram-n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

 

Estamos perante o final, sóbrio mas solene, de Mateus, que condensa todo o seu Evangelho num tríptico deveras paradigmático. Assim, temos: no v. 18 Jesus ressuscitado, como o Pantokrátor – «todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!» –; no v. 17, temos a Igreja nascente que O reconhece como Senhor, apesar da vacilação de alguns – «adoraram-no, mas alguns ainda duvidaram» –; nos vv. 19-20 está a sua Igreja em missão – «ide… até ao fim dos tempos». Ao mesmo tempo, o Evangelista introduz-nos numa visão holística e cósmica da história da salvação centrada em Cristo (cf. Ef 1,10.23; 3,9; Filp 3,21; Col 1,16.17.18.20; 3,11), projectada para todo o Universo na abrangência dos quatro pontos cardeais, através do recurso à quádrupla repetição da palavra todo:» todo o poder» (v. 18), «todas as nações» (v. 19), «tudo o que vos mandei» (v. 20a), «todos os dias» (v. 20b), que a tradução litúrgica traduziu por «sempre», empobrecendo assim a força expressiva do texto.  

16 «O monte que Jesus lhes indicara», na Galileia, mas sem mais precisão. Há quem queira ver esta aparição como a referida por S. Paulo a mais de 500 irmãos (1Cor 15,6).

19-20 «Baptizando… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Em nome de não significa em vez de, mas, tendo em conta o sentido dinâmico da preposição grega eis, trata-se de ser baptizado para Deus; tenha-se em conta que o nome não é um simples apelativo, mas um hebraísmo que designa o próprio ser de alguém. Sendo assim, as palavras da forma do Baptismo sugerem a substância cristã deste Sacramento, a saber, ficar radicalmente dedicado para Deus, a fim de, em todas as circunstâncias da vida, Lhe dar glória (é o chamado sacerdócio baptismal comum de todos os fiéis: LG 10; cf. 1Pe 2,4-10). A fórmula encerra a referência mais explícita ao mistério da própria vida de Deus, o mistério da SS. Trindade: a unidade de natureza é sugerida pelo singular – em nome, não nos nomes –, e a distinção de hipóstases (não se trata de pessoas como indivíduos ou realidades separadas e autónomas!), pela indicação de cada uma delas como realmente distintas, pois para cada uma se usa o artigo grego: «em nome de o Pai e de o Filho e de o Espírito Santo». Por outro lado, a proposição de parece corresponder à tradução de um genitivo epexegético (à maneira dum aposto), o que nos leva a entender a fórmula assim: baptizando… para (dedicar a) Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.

20 «Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim dos tempos». Podemos ver todo o Evangelho de Mateus marcado por uma inclusão: Mt 1,23 – «Deus connosco» – e Mt 28,20 – «estou sempre convosco» –. Jesus garante a assistência contínua e a indefectibilidade à sua Igreja. A História da Igreja é a melhor confirmação destas palavras de Jesus; mas Ele não prometeu que não haveria crises na sua Igreja – as provocadas quer por perseguições, quer pelo mau comportamento dos seus filhos –, mas sim que todas estas seriam seguramente superadas.

 

Sugestões para a homilia

 

Como os nossos irmãos Hebreus e Muçulmanos, nós proclamamos que o nosso Deus é o único: nós acreditamos num único Deus. Contudo, nós cristãos sabemos que este Deus único não é um ser solitário, perdido nos espaços, mas um Deus comunitário; é uma Família divina; é uma comunidade de vida e de amor, que convida cada ser humano a fazer parte deste projeto de vida e de amor.

Tivemos acesso a este mistério de amor, pelo Batismo e temo-lo cada vez que celebramos a Eucaristia que é a celebração do amor do Pai, na entrega do Filho, pela força do Espírito Santo... Evocamos este mistério de amor quando fazemos o sinal da cruz dizendo: em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo... e professamos este mistério quando rezamos o credo: Creio em Deus Pai, criador do céu e da terra; Creio em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor; creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida...

É neste contexto que, dentro do Ano Litúrgico, consagramos, de modo especial, um Domingo à Santíssima Trindade, procurando, assim, prolongar e completar a nossa “descoberta” de Deus, a fim de que a nossa vida seja um sinal do amor de Deus para os nossos irmãos.

Falar da Santíssima Trindade não é falar de uma espécie de fórmula de Deus, impossível de decifrar... ou uma fórmula matemática, para resolver ou decifrar o enigma teológico de Deus, em que permanecem Um só, em três pessoas diferentes.

A Trindade diz-nos que Deus não é uma definição, mas é vida, caminho, experiência... Deus é comunidade de vida e de amor de pessoas, que vivem e convivem, existem e subsistem eternamente na doação recíproca e voluntária, numa comunhão perfeita e plena de vida e amor. Por isso, Deus não se explica, mas ama-se, reza-se, experimenta-se e vive-se... sabendo que Ele é nosso amparo e protetor... que nós somos filhos no Filho... e, pelo Espírito Santo, somos participantes da sua vida...

 

O Senhor é Deus... e não há outro

Começa a Liturgia da Palavra desta Solenidade com o convite de Moisés ao povo a comtemplar a sua história e aí descobrir a presença atuante de Deus que ama e salva o seu Povo.

Na verdade, diz o Livro do Deuteronómio, Deus deixa a sua marca, a sua impressão digital, em toda a obra da criação e na História da Salvação. Ele elegeu e formou para si um povo, uma nação, e, em todo o mundo, ninguém jamais ouviu dizer que um deus tenha agido com tanto poder para libertar o seu povo como fez o Deus de Israel. Ele é um Deus que sai ao encontro, fala ao coração e realiza gestos e prodígios para nos conduzir ao encontro da vida. Ele é um Deus que acompanha de perto os acontecimentos da vida do seu povo, se interessa pelos seus problemas e, de mil formas, faz ouvir a sua voz a indicar caminhos de liberdade...

Desta descoberta devem nascer consequências concretas para o povo de Deus e também para nós povo da Nova e Eterna Aliança. Em primeiro lugar, humildemente, devemos reconhecer que só o Senhor é Deus… e não há outro e renunciar a tantos ídolos que nos seduzem e nos querem vender propostas de uma felicidade enganadora. Em segundo lugar, sabendo que dele e só dele brotam a vida, a salvação, a liberdade então devemos cumprir as suas Leis e Mandamentos caminho seguro de felicidade.

 

Viver no Espírito

Viver assim, é, diz S. Paulo, na 2ª leitura, viver no Espírito, que guia o ser humano para que viva como filho de Deus. Pois na nossa condição de batizados, não somos já simples criaturas ou escravos que servem um patrão na esperança de termos um prémio ou no temor de termos um castigo. Somos filhos queridos e amados por um amor infinito; filhos que receberam d’Ele a sua vida pelo Espírito Santo que nos leva a dizer Abá Pai.

 

Continuadores da missão

E assim, sabendo, por experiência, que Deus é Salvador, que Deus perdoa, que é rico de misericórdia, que é tão próximo que nos dá o seu Filho como alimento, então o nosso rosto transborda de alegria, a alegria do Evangelho, a alegria da fé, e a alegria de se sentir amado por Deus... E a nossa vida torna-se missão: Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei! (Evangelho)...

Sabendo também, que o Senhor está connosco até ao fim dos tempos, que o seu Espírito vem ao nosso espírito e nos consola, a partir de dentro, levando-nos ao íntimo da ternura de Deus, então a Solenidade da Santíssima Trindade desafia-nos ainda, em Igreja, em família e em sociedade a viver a caridade e em caridade, pois como disse Santo Agostinho: Se vês a caridade, vês a Trindade” (Santo Agostinho, De Trinitate, VIII, 8, 12).

Amor com amor se paga. Como discípulos temos a missão de ir ao encontro dos irmãos para os introduzir na família de Deus; temos a missão de levar o Amor de Deus a todas as criaturas… Pois só entende a Trindade e mostra o Seu verdadeiro rosto, quem oferece amizade, quem constrói humanidade, quem cultiva o perdão, quem promove solidariedade, quem luta pela justiça, quem não vive para si mesmo, quem se gasta pelos outros, quem é capaz de dar vida e dar a vida.

Sejamos cristãos missionários e solidários. E sabendo que Maria caminha connosco, como Ela, levemos Cristo aos outros, para que eles possam exultar de alegria no Senhor; testemunhemos o amor de Deus que nos impele a ser mais humanos cuidando uns dos outros.

 

Fala o Santo Padre

 

«O que Deus quer não é tanto revelar-nos que Ele existe, mas, ao contrário, que é o “Deus connosco”,

próximo de nós, que nos ama e cuida de cada um de nós.»

 

Hoje, domingo depois de Pentecostes, celebramos a festa da Santíssima Trindade. Uma festa para contemplar e louvar o mistério do Deus de Jesus Cristo, que é Uno na comunhão de três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, a fim de celebrar com admiração sempre renovada Deus-Amor, que nos oferece gratuitamente a sua vida e nos pede para a difundir no mundo.

As leituras bíblicas de hoje fazem-nos compreender que o que Deus quer não é tanto revelar-nos que Ele existe, mas, ao contrário, que é o “Deus connosco”, próximo de nós, que nos ama, que caminha connosco, se interessado pela nossa história pessoal e cuida de cada um de nós, a partir dos mais pequeninos e necessitados. Ele «é Deus em cima no céu» mas também «embaixo na terra» (cf. Dt 4, 39). Portanto, não acreditemos numa entidade distante, não! Numa entidade indiferente, não! Mas, ao contrário, no Amor que criou o universo e gerou um povo, se fez carne, morreu e ressuscitou por nós, e como Espírito Santo tudo transforma e leva à plenitude.

São Paulo (cf. Rm  8, 14-17), que experimentou pessoalmente esta transformação realizada por Deus-Amor, comunica-nos o seu desejo de ser chamado Pai, aliás “Pai” — Deus é “nosso Pai” —, com a total confiança de uma criança que se abandona nos braços de quem lhe deu a vida. O Espírito Santo — recorda ainda o Apóstolo — agindo em nós faz com que Jesus Cristo não se reduza a um personagem do passado, não, mas que o sintamos próximo, nosso contemporâneo, e experimentemos a alegria de ser filhos amados por Deus. Por fim, no Evangelho, o Senhor ressuscitado promete ficar connosco para sempre. E precisamente graças a esta sua presença e à força do seu Espírito podemos realizar com serenidade a missão que Ele nos confia. Qual é a missão? Anunciar e testemunhar a todos o seu Evangelho e deste modo dilatar a comunhão com Ele e a alegria que dela deriva. Deus, caminhando connosco, enche-nos de alegria e a alegria é um pouco a primeira linguagem do cristão.

Por conseguinte, a festa da Santíssima Trindade faz-nos contemplar o mistério de Deus que incessantemente cria, redime e santifica, sempre com amor e por amor, e a cada criatura que o acolhe dá a possibilidade de refletir um raio da sua beleza, bondade e verdade. Ele desde sempre escolheu caminhar com a humanidade e forma um povo que seja bênção para todas as nações e para cada pessoa, sem excluir ninguém. O cristão não é uma pessoa isolada, pertence a um povo: este povo que Deus forma. Não se pode ser cristão sem esta pertença e comunhão. Nós somos povo: o povo de Deus. A Virgem Maria nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 27 de maio de 2018

 

Oração Universal

 

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Elevemos a nossa oração a Deus Pai,

que revelou ao mundo o seu grande amor

no dom do Filho e do Espírito Santo,

e digamos (ou: e cantemos), cheios de confiança:

R. Pai nosso, que estais nos céus, ouvi-nos.

Ou: Senhor, Pai Santo, escutai-nos.

Ou: Ouvi, Senhor, a nossa súplica.

 

1. Pelas Igrejas do mundo inteiro

que acreditam no mistério da Santíssima Trindade,

para que vivam na Comunhão da qual nasceram, oremos.

 

2. Pelos governantes e legisladores,

para que não ponham obstáculos à liberdade

a que Deus chama os homens pelo seu Espírito, oremos.

 

3. Por todos os povos e nações da terra,

para que recebam a palavra de Deus e o Baptismo

e reconheçam em Jesus Cristo o Salvador, oremos.

 

4. Por todos aqueles que vivem no sofrimento,

envolvidos por conflitos ou por doenças,

para que sintam a graça e a consolação do Espírito Santo, oremos.

 

5. Pelos membros da nossa comunidade (paroquial),

para que, guardando os mandamentos do Senhor,

tenham longa vida e encontrem a felicidade, oremos.

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, escutai com bondade as orações

que o Espírito Santo pôs em nossos lábios

e dai-nos a graça de fazermos sempre a vossa vontade.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Com os benditos Anjos, M. Faria, NRMS, 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério da Santíssima Trindade

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade.

Por isso Vos louvam os Anjos e os Arcanjos, os Querubins e os Serafins, que Vos aclamam sem cessar, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Monição da Comunhão

 

Felizes somos porque convidados para a Ceia do Senhor. Assim, pelo Cordeiro de Deus, temos acesso à vida trinitária.

 

Cântico da Comunhão: Glória ao Pai que nos criou – C. Sila, OC, pg128

cf. Gal 4, 6

Antífona da comunhão: Porque somos filhos de Deus, Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai.

 

Cântico de acção de graças: Louvor e Glória a Vos para sempre – M. Faria NRMS, 21

 

Oração depois da comunhão: Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que a ternura do Pai, ilumine o nosso rosto; que o exemplo de vida de Cristo, abra os nossos braços para a caridade; que o amor do Espírito Santo, encha o nosso coração para a todos amarmos como irmãos.

 

Cântico final: Com a bênção do Pai, – J. Santos, NRMS, 38

 

 

Homilias Feriais

 

9ª SEMANA

 

2ª Feira, 31-V: A Visitação de Nª Senhora a sua prima Santa Isabel.

Sof 3, 14-18 / Lc 1, 39-56

Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?

Quando Nossa Senhora teve conhecimento que a prima Isabel, já de idade avançada, estava grávida, partiu imediatamente para ajudá-la e lá ficou durante três meses. É de notar o clima de alegria: filha de Sião, solta brados de alegria (LT), e também no momento em que Nossa Senhora abre a sua alma no Magnificat (EV): Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas (SR)

Também sobressai a humildade de Nossa Senhora: o Todo poderoso olhou para a humildade da sua Serva. Para melhorarmos a nossa vida cristã precisamos de humildade.

 

3ª Feira, 1-VI: Deus e as realidades temporais.

Tob 2, 10-23 / Mc 12, 13-17

Jesus replicou-lhes: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

O Senhor distingue os deveres do cristão para com Deus e para com a sociedade (EV). Mas isso não significa que se tenha uma dupla existência: tanto na vida pública como na privada, o cristão deve inspirar-se na doutrina de Cristo. Feliz o homem que ama de coração a lei do Senhor (SR).

É verdade que há uma justa autonomia das realidades temporais, mas isso não significa que a realidade criada seja independente de Deus e que os homens a podem usar sem referência ao Criador, pois a criatura, sem o Criador, desaparece (GS, 36).

 

4ª Feira, 2-VI: A ressurreição da carne.

Tob 3, 1-11. 24-25 / Mc 12, 18-27

Ele não é um Deus de mortos, mas de vivos.

Sara (LT) e a mulher referida pelos saduceus (EV), já tinham ficado viúvas sete vezes. Jesus aproveita esta questão para falar claramente da sua Ressurreição e da nossa: Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? Os nossos olhos voltam-se para Deus, até que movam a sua piedade (SR).

A ressurreição da carne é um dos artigos fundamentais do Credo. A Igreja acredita na ressurreição dos mortos e entende que essa ressurreição se refere a todo o homem. Na celebração eucarística anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua Ressurreição.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Avelino dos Santos Mendes

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 


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