Bem-Aventurada Virgem Santa Maria, Mãe da Igreja

24 de Maio de 2021

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Avé Maria, Mãe da Igreja – Rocha Monteiro, CNPL, 228

 

Antífona de entrada: Os discípulos perseveravam unidos na oração com Maria, Mãe de Jesus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

 

Com um Decreto publicado no dia 03 de Março de 2018, pela Congregação do Culto Divino o Santo Padre, Papa Francisco, determinou a inscrição da Memória da Bem-aventurada Virgem, Mãe da Igreja, no Calendário Romano. Esta memória é celebrada na Segunda-feira depois de Pentecostes e destina-se a favorecer o crescimento do sentido maternal da Igreja nos Pastores, nos religiosos e nos fiéis. Destina-se também a fazer crescer em nós a verdadeira piedade mariana. Esta celebração ajuda-nos a viver na fé, imitando a Virgem Maria, nossa Mãe.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia, cujo Filho Unigénito, pregado na cruz, nos deu sua própria Mãe, a Virgem Santa Maria, como nossa Mãe, fazei que a Igreja, assistida pelo seu amor materno, exulte com o número e a santidade dos seus filhos e reúna numa só família todos os povos da terra. Por Nosso Senhor...

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os discípulos perseveravam unidos na oração com Maria, Mãe de Jesus. (Actos 1, 14) 

Ontem celebrámos a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Jesus cumpriu a promessa feita antes de subir para junto do Pai: “Vós sereis baptizados no Espírito Santo dentro de poucos dias. Recebereis a foça do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas desde Jerusalém até aos confins da terra.” Hoje recordamos que os Apóstolos regressaram à cidade e “perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.”

 

Génesis 3,9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72),9; Is 49,23; Miq 7,17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Nova Vulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se tivesse querido designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial     Sl 86(87),1-2. 3 e 5. 6-7

 

Monição: “O Senhor ama a cidade.” Jerusalém começou a ser importante quando o rei David fez dela a capital do seu reino e cidade do templo de Deus. No plano espiritual a glória de Jerusalém será ainda maior porque será mãe de muitos povos, iguais em direitos, uma vez que “todos lá nasceram.” Este salmo é uma profecia acerca da Igreja, a nova morada de Deus entre os homens, construída sobre o alicerce dos Apóstolos e que tem Cristo Jesus como pedra angular. (Saltério Litúrgico, 635)

 

 

Refrão:         Grandes coisas se dizem de ti,

ó cidade de Deus. O Senhor ama a cidade,

 

por Ele fundada sobre os montes santos;

ama as portas de Sião

mais que todas as moradas de Jacob.

 

Grandes coisas se dizem de ti,

ó cidade de Deus.

Dir-se-á em Sião: «Todos lá nasceram,

o próprio Altíssimo a consolidou».

 

O Senhor escreverá no registo dos povos:

«Este nasceu em Sião».

E irão dançando e cantando:

«Todas as minhas fontes estão em ti».

 

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Aleluia. Oh, ditosa Virgem, que destes à luz o Senhor. 

Oh, admirável Mãe da Igreja, 

que reavivais em nós o Espírito do vosso Filho, Jesus Cristo!

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Bendita seja a Virgem Maria, que, sem passar pela morte,

mereceu a palma do martírio, ao pé da cruz do Senhor

 

 

Evangelho

 

São João 19,25-27

25Naquele tempo, estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E, a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

25-27. Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco relatadas por João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação (“ao ver… disse… eis…” ). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo – note-se que Jesus começa por Lhe entregar o discípulo! –; o Evangelista atribui-lhe um significado simbólico profundo. Com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2,4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3,15) na obra redentora. A designação de “Mulher” assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão co-redentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à “mulher” da profecia messiânica de Gn 3,15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12,1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que “a acolheu como coisa própria”. A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: “recebeu-a em sua casa”, mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega “élabon eis tà idía”, uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão tà idía – “as coisas próprias” – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade. A nova Tradução da CEP propõe: «recebeu-a entre os seus».

Jesus não aparece a falar às mulheres junto à Cruz que são 4 ou apenas 3 conforme se contam por 2 ou por 1 pessoa a irmã de sua Mãe, Maria, a mulher de Cléofas. S. Mateus fala de muitas mulheres no Calvário, a distância (Mt 27,35-36; cf. Mc 15,40-41; Lc 23,49).

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

 

Sugestões para a homilia

 

“Eis o teu filho...Eis a tua Mãe”

 

Acabámos de escutar o Evangelho escolhido para esta festa de Nossa Senhora, Mãe da Igreja. “Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua Mãe.” Aos pés da Cruz, a Virgem Maria participa mediante a fé no mistério desconcertante desse despojamento, no dizer de São João Paulo II, “a mais profunda ‘kénose’ da fé na história da humanidade.” Mediante a fé, a Mãe participa na morte redentora do Filho. Esta nova maternidade de Maria, gerada pela fé, é fruto do novo amor, que nela amadureceu definitivamente aos pés da Cruz, mediante a sua participação no amor redentor do Filho.[1]

À Virgem Santa Maria foi atribuído o título de “Mãe da Igreja”, porque Ela deu à luz a Cabeça da Igreja, Jesus Cristo. Ela tornou-se a Mãe dos redimidos quando seu Filho ia morrer na cruz. O Papa São Paulo VI confirmou solenemente a mesma designação na alocução aos Padres do Concílio Vaticano II, no dia 21 de Novembro de 1964 e decidiu que todo o povo cristão honrasse, agora ainda mais, com este santíssimo nome, a Mãe de Deus. Maria é Mãe da Igreja, Mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos Pastores. Mais tarde, na Profissão de Fé conhecida ou «Credo do Povo de Deus»,[2] repetiu essa afirmação, usando estas palavras: «Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua função maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos»[3].

 

Considerando a importância do mistério da maternidade espiritual de Maria, que desde a manhã do Pentecostes, nunca mais parou de se ocupar maternalmente da Igreja peregrina no tempo, o Santo Padre Francisco estabeleceu que na Segunda-feira depois do Pentecostes, a Memória de Maria, Mãe da Igreja, seja obrigatória para toda a Igreja de Rito Romano.[4] Esta celebração lembra-nos a todos que, se queremos crescer e enchermo-nos do amor de Deus, temos de enraizar a nossa vida sobre o Mandamento Novo, a Eucaristia e a Virgem Maria. Estes são os três pontos principais do testamento que Jesus deixou à Igreja para nos santificarmos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

que não deseja a morte do pecador,

mas antes que se converta e viva.

 

1.     Pela Igreja que nos fez renascer em Cristo

 para que tenha a alegria de gerar sempre novos filhos

e de os ver alcançar o reino eterno, oremos.

 

2.     Para que os cristãos sejam um só coração e uma só alma

 e perseverem em oração com Maria, Mãe de Jesus, oremos.

 

3.      Por todos os discípulos de Cristo,

para que se alegrem por terem a Virgem Maria por Mãe, oremos.

 

4.     Pelo nosso país e pelos povos de toda a terra

para que vejam nascer um tempo novo,

onde não haja mais fome, nem miséria, oremos.

 

5.     Por todos nós aqui presentes em assembleia,

 para que Deus nos dê a graça da humildade,

 à imitação da vida simples da Virgem Maria, oremos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

Que convocastes estes vossos filhos

para celebrarem os louvores da Virgem Maria, Mãe da Igreja,

fazei que olhando para Ela, aprendam a imitá-la e a progredir na santidade.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra – A. F. Santos, NRMS, 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor as nossas oferendas e transformai-as em sacramento de salvação, pelo qual nos confiemos mais fervorosamente ao amor da Virgem Maria, Mãe da Igreja, e colaboremos com maior diligência na obra da redenção. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

Dar-vos graças sempre e em toda a parte,

e exaltar a vossa infinita bondade

ao celebrarmos a memória da Virgem Maria.

 

Recebendo o vosso Verbo em seu Coração Imaculado,

Ela concebeu-O em seu seio virginal

E, dando á luz o Criador do universo,

preparou o nascimento da Igreja.

 

Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina

E recebeu todos os homens como seus filhos,

Pela morte de Cristo gerados para a vida eterna.

 

Enquanto esperava, com os Apóstolos,

A vinda do Espírito Santo,

Associando-se às preces dos discípulos,

tornou-se modelo admirável da Igreja em oração.

 

Elevada à glória do Céu,

Assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra,

Protegendo misericordiosamente os seus passos

A caminho da pátria celeste,

Enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor.

 

Por isso, com os Anjos e os Santos,

Proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, santo, santo...

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

“Isto é o meu Corpo, tomai e comei.” Aceitemos o convite e recebamos o alimento que permanece para a vida eterna. Lembremo-nos que “Caro Christi, caro Mariae.” O trigo que Deus semeou no seio de Maria tornou-se para nós Pão do Céu que nos dá a vida e vida com abundância. Com Nossa Senhora damos graças a Jesus, que neste admirável sacramento da Eucaristia nos dá o penhor da redenção. Com o auxílio maternal da Virgem Maria, pedimos ao Espírito Santo que nos ajude a levar a todos a alegria do Evangelho.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

 

Antífona da comunhão: Suspenso na cruz, Jesus disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe».

 

Ou

 

Bendita sejais, Maria, Mãe e Virgem, cheia de graça,

Que resplandeceis na Igreja como exemplo de fé, esperança e caridade.

 

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste admirável sacramento, Nos destes o penhor da redenção e da vida, Fazei que a vossa Igreja, com o auxílio materno da Virgem Santa Maria, leve a todos os povos o anúncio do Evangelho e renove a face da terra com os dons do vosso Espírito. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

São José Padroeiro e Guardião da Igreja

1.   Depois da Virgem Maria, nenhum Santo ocupa tanto espaço no magistério pontifício como São José, seu esposo. Os Papas aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: O Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica», o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»; e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor».

2. No fim de cada acontecimento que tem São José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua Mãe e faz o que Deus lhe ordena (Mateus 1, 24; 2, 14.21). Jesus e Maria são o tesouro mais precioso da nossa fé. No plano da salvação, o Filho não pode ser separado da Mãe.

Sempre nos devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas forças Jesus e Maria, que misteriosamente estão confiados à nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, à nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem e o mesmo faz Maria, que encontra em José aquele que, não só lhe quer salvar a vida, mas sempre a sustentará a Ela e ao Menino.

 São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo. Ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria. São José, continuando a proteger a Igreja, continua a proteger o Menino e sua Mãe. Também nós, amando a Igreja, continuamos a amar o Menino e sua Mãe. São José é invocado como protector dos necessitados, exilados, aflitos, pobres, moribundos. Pela mesma razão, a Igreja não pode deixar de amar em primeiro lugar os últimos, porque Jesus conferiu-lhes a preferência ao identificar-Se pessoalmente com eles. De São José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Deus Menino e sua Mãe; amar os Sacramentos; amar a Igreja e amar os pobres. Cada uma destas realidades é sempre o Menino e sua Mãe. [5]

 

Cântico final: Maria Mãe de Jesus – J. Santos, NRMS, 101

 

 

HomiliaS FeriaIS

 

TEMPO COMUM

 

8ª SEMANA

 

3ª Feira, 25-V: A generosidade de Deus e a nossa.

Sir 35, 1-12 / Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais casas e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

A generosidade de Deus fica bem patente nestas palavras de Jesus (EV). É muito maior que a nossa generosidade. Mas somos convidados a tentar pagar na mesma moeda: procura dar ao Altíssimo consoante Ele te deu, e não apareças diante do Senhor de mãos vazias (LT). Oferece a Deus um sacrifício de louvor (SR).

A generosidade está em dar a Deus o melhor da nossa vida, uma vez que Cristo é o centro de toda a vida cristã. A união com Ele prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer sociais, etc. (EV).

 

4ª Feira, 26-V: A partilha do sofrimento de Cristo.

Sir 38, 1. 4-5.10-17 / Mc 10, 32-45

Não sabeis o que estais a pedir! Podeis beber o cálice que eu vou beber?

Para obter um lugar na vida eterna, é preciso partilhar o cálice com o Senhor, isto é, participar na sua Paixão, Morte e Ressurreição.

A nossa resposta há-de ser igualmente: Podemos! (EV). Com os nossos sofrimentos completamos, de certo modo, o que falta à Paixão de Cristo (Col 1, 24). Procuremos oferecer ao Senhor as contrariedades, as enfermidades, as dores, etc. E melhoremos a nossa participação na Eucaristia, oferecendo as várias actividades da nossa vida diária. E peçamos: Senhor, tende compaixão do povo (LT). Socorrei-nos, ó Deus (SR).

 

5ª Feira, 27-V: Deter o Senhor com a nossa oração.

Sir 42, 15-25 / Mc 10, 46-52

Bartimeu: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim. Jesus parou e disse: Chamai-o.

Jesus também passa continuamente ao nosso lado durante todo o dia (EV). Aproveitando algum momento, durante o trabalho, na vida familiar, etc., peçamos-lhe que nos oiça, e voltemos ao que estávamos a fazer.

Procuremos também imitar o Senhor, pois Ele sonda o abismo e o coração do homem (LT), ajudando os que estão ao nosso lado, escutando-os e descobrindo os seus problemas profissionais ou familiares, e indicando-lhes alguma solução: Justa é a palavra do Senhor, do seu amor está cheia a terra (SR).

 

 

6ª Feira, 28-V: Que frutos encontra o Senhor na nossa vida?

Sir 44, 1. 9-13 / 11 Mc 11, 11-26

Mas, ao chegar perto da figueira, nada encontrou senão folhas.

Cada dia, o Senhor espera encontrar alguns frutos na nossa vida EV): trabalhar muito e com perfeição; melhorar a vida familiar, através das virtudes, como a compreensão, a alegria, o optimismo; o cuidado da vida de oração, etc. Que não sejamos uma árvore estéril, mas que lhe apresentemos os frutos que Ele espera encontrar.

Alguns, no entanto, não deixaram lembrança, mas outros foram homens virtuosos (LT). Procuremos entrar no segundo grupo, para deixarmos aos outros uma excelente herança (LT). O Senhor coroará vitoriosos os humildes (SR).

 

Sábado, 29-V: Podemos recristianizar a sociedade?

Sir 51, 12-20 / Mc 11, 27-33

Os escribas e os anciãos: Com que direito fazes tudo isto? Quem te deu o direito de o fazeres?

A pergunta feita a Jesus (EV), pode ser igualmente feita nos nossos dias: Por que quereis implantar os valores cristãos na sociedade? Os filhos de Deus têm um direito de recristianizar a sociedade actual, como fizeram os primeiros cristãos, procurando dar bom exemplo nas actuações privadas e públicas.

Quando ainda era jovem, procurei abertamente a Sabedoria nas minhas orações (LT). Os mandamentos do Senhor são justos, são claros, são luz para os nossos olhos. Encontraremos muitas sugestões nos documentos do Magistério da Igreja.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                José Carlos Azevedo

 



[1] São João Paulo II, Redemptoris Mater 18,23

[2] Paulo VI, Credo do povo de Deus, 30 de Junho de 1968

[3] Discurso Paulo VI, Discurso de 21 de Novembro de 1964.

[4] Cardeal Sarah.

[5] Papa Francisco, Patris Corde, Introdução e nº 5


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial