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A SANTÍSSIMA TRINDADE

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

A preparação dos Pastorinhos de Fátima para a Mensagem da Mãe de Deus foi mais importante, digamos, do que as próprias Aparições. Sem a prévia união com a adoração angélica da Santíssima Trindade e a mística união com Cristo na Sagrada Eucaristia, os «recados» de Maria seriam, como foram, uma extraordinária bênção a Portugal e ao mundo; mas apenas «recados», e não o apelo urgente à intimidade com a Deus, Uno e Trino. E mais importante é, sem dúvida, essa intimidade do que a melhor paz e a maior justiça neste mundo.

Aliás, a essa mesma «ousadia» apelou Nossa Senhora nas suas Aparições, confirmando assim que o amor a Deus vale mais, sem comparação, do que tudo o que nos preocupa de momento.

Dessa correspondência ao amor de Deus dependerá a maior ou menor tranquilidade social, é certo. Mas tudo passa: «Tout passe, tout casse, tout lasse…» E em breve estaremos com o Criador. O que nos deve preocupar sobretudo é, pois, a sorte das almas, a começar pela nossa.

Essa preparação dos pastorinhos, que enquadra e dá a maior grandeza às Aparições de Fátima, deve ser nossa também. Não cessemos de contemplar a intimidade divina, que se nos revela em Cristo. Aliás, para que revelou Nosso Senhor a Santíssima Trindade, senão porque nos criou e nos salvou para entrar nessa mesma intimidade?

O que mais perturba muitas inteligências – Deus Uno e Trino – para nós é mais um sinal da sua veracidade, pois como esperaríamos que a nossa mente captasse perfeitamente  Deus infinito? De qualquer forma, como observava Ratzinger, nessa busca, teríamos de concluir que algo de plural há-de haver no Criador da pluralidade. E se desejamos conhecê-Lo na medida das nossas possibilidades naturais, olhemos para a sua melhor imagem trinitária:  o homem, o seu autoconhecimento e o próprio amor.

Com a imperfeição de criaturas, somos, portanto, verdadeiros filhos de Deus, não só pela graça, mas ainda antes, por semelhança.

E, se nos criou à Sua imagem, para podermos amá-Lo unir-nos a Ele, a que devemos aspirar, senão ao Seu amor, pela nossa correspondência?

A isso nos apela Fátima, antes de qualquer benefício terreno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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