Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

23 de Maio de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito do Senhor - M. Simões – NRMS, 9

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A beleza e densidade desta celebração proporciona-nos a experiência gratificante de Deus Espírito Santo que nos conduz ao amor, à graça e a misericórdia do Pai. Nos conduz à Pessoa de Jesus, Deus e Homem verdadeiro, feito doação e entrega por nós.

É pois o Deus vivo e verdadeiro que contemplamos, que celebramos e que amamos. O Deus que está no meio de nós e nos envia como testemunhas da amorosa palavra do Pai, da sua misericórdia. Nos envia como testemunhas do amor incondicional do Filho. Nos envia como seus arautos, desejando incendiar o mundo com um fogo que cresce e se multiplica, tornando o mundo mis belo, mais saudável, mais humano e mais divino.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Línguas de fogo que suscitam palavras de verdade e de sabedoria, imprescindíveis para que todos se entendam e partilhem as maravilhas de Deus.

 

Actos dos Apóstolos 2,1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11,1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16,17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16,17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1Cor 14,2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1Cor 14,27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13), «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1ab.24c.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: Cantemos sempre e instantemente para que seja enviado o Espírito Santo. Ele torna o nosso ver, ouvir e falar expressão de beleza, de gratidão e de compromisso.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo é o segredo mais belo da sabedoria. Ele conduz à comunhão com o Pai e com o Filho. Conduz pelos caminhos da vida, da unidade e do compromisso.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade da Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons, que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1Tes 5,12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo; apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19,5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Cristo Jesus é o centro. Centro de perdão, de misericórdia, de paz e de reconciliação. Centro da nossa missão, da nossa vida e da humanidade.

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (II)

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis

e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20,19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa).

Apraz-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

SEQUÊNCIA

 

Vinde, ó Santo Espírito,

vinde, Amor ardente,

acendei na terra

vossa luz fulgente.

 

Vinde, Pai dos pobres:

na dor e aflições,

vinde encher de gozo

nossos corações.

 

Benfeitor supremo

em todo o momento,

habitando em nós

sois o nosso alento.

 

Descanso na luta

e na paz encanto,

no calor sois brisa,

conforto no pranto.

 

Luz de santidade,

que no Céu ardeis,

abrasai as almas

dos vossos fiéis.

 

Sem a vossa força

e favor clemente,

nada há no homem

que seja inocente.

 

Lavai nossas manchas,

a aridez regai,

sarai os enfermos

e a todos salvai.

 

Abrandai durezas

para os caminhantes,

animai os tristes,

guiai os errantes.

 

Vossos sete dons

concedei à alma

do que em Vós confia:

 

Virtude na vida,

amparo na morte,

no Céu alegria.

 

Sugestões para a homilia

 

“Encheu toda a casa onde se encontravam”.

Soprou sobre eles: “recebei o Espírito Santo”.

Deixai-vos conduzir pelo Espírito.

 

1- “ Encheu toda a casa onde se encontravam”.

A primeira leitura situa o envio do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Lucas quer referir a grande festa da aliança que Deus estabelece com todos os povos celebrada no sangue precioso de Jesus Cristo que fez de nós um só povo. O Espírito Santo derramado sobre todos.

Evangelho situa o envio do Espírito Santo no encontro de Cristo Ressuscitado com os seus discípulos. São dimensões e sinais da mesma manifestação do Espirito do Senhor: manifestação do Deus de amor que é consequência da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Os sinais do rumor semelhante a forte rajada de vento revelam o Espírito sem fronteiras, sem barreiras, sem preconceitos e sem acepção de pessoas, irrompe em dinamismo de vida, de graça, de surpresa e renovação.

Os sinais de “espécie de línguas de fogo”, salienta a força motriz que faz mover e projeta comunicação. Lembremos os motores, que na base de explosão de fogo, possibilitam máquinas potentes, meios de comunicação rápidos e eficazes. E também o fogo simples que veio dar à vida mais qualidade: na comida, na comodidade e bem-estar. Um fogo que é sinal da força da palavra que queima como facho ardente e tudo transforma (cf. Ecls.48,1). João Batista batizará também no fogo (Lc3,16) e Jesus vem trazer o fogo à terra (Lc.12,49). E na manhã de Pentecostes o Espírito desce e se derrama sobre os discípulos de Cristo numa efusão de vida, de missão fecunda.

O Evangelho situa o envio do Espírito Santo no encontro de Jesus Ressuscitado com os seus Apóstolos. Aquele que jesus tinha prometido aos seus é agora doado de forma solene e sensível. Na verdade o amor de Deus, invisível, tornou-se bem visível e audível, foi tocado de tantas maneiras na visibilidade do Deus feito Homem, sobretudo nas suas chagas. Agora é doado aos seus discípulos para que caminhe com eles ao longo da história e da vida da Igreja e da humanidade. Ele lembrará a frescura das palavras e da gesta de Jesus, removerá os obstáculos e dificuldades, vencerá pelo amor os monstros devoradores da vida, renovará todas as coisas e trará sempre a frescura da manhã de páscoa e da manhã de Pentecostes.

 

2-Soprou sobre eles: “recebei o Espírito Santo”.

A presença de Jesus ressuscitado no meio dos seus apóstolos e discípulos faz com experimentem a relação com o Mestre, o ressuscitado, o mesmo mas diferente. Ele é o Deus livre que abre as portas dos nossos medos, pessimismos e faltas de coragem. Ele nos convida a saber encarar as realidades hostis ou as dificuldades acrescidas como oportunidade de inovar, crescer, amar e servir.

Colocou-se no centro. É o lugar que corresponde a Jesus Cristo. Tem de estar no centro de cada um, das comunidades e da sua Igreja. E é sabedoria colocá-Lo no centro do mundo e das dimensões onde se alicerçam a vida dos homens. E será a tarefa dos seus discípulos levar Cristo ressuscitado ao centro de cada coração e de toda a humanidade. Tal tarefa parece muitas vezes intransponível, mas hoje Ele nos diz, que pelo dom do seu Espírito, tudo será possível.

A paz esteja convosco, partilha Jesus com os seus. Já dizia D. José Maria Cirarda, Bispo de Pamplona, que depois de tanta infidelidade dos discípulos de Jesus e de tanta fuga, o que lhe valeu, foi Jesus ter Ressuscitado muito bem-disposto, bem-humorado!

Sim o nosso Deus é bem-disposto, bem-humorado, misericórdia plena que oferece a sua paz. Não vem pedir contas, ou humilhar depois do fracasso, mas vem oferecer a paz que reconstrói a vida e nos faz saborear o mistério do amor insondável de Deus, que é superior e maior, que toda a infidelidade. Enquanto o homem ouvir e acolher a palavra de paz de Jesus tudo de bom acontecerá.

Mostrou-lhes as mãos e o lado. Diz D. António Couto: “A identidade do Senhor Ressuscitado está para além do rosto. Por isso, vê-lo não implica necessariamente reconhecê-lo, como sucede em não poucas páginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado não é do domínio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a nós dada por amor até ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus mostra as mãos e o lado, sinais abertos para entrar no sacrário da sua intimidade, dádiva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso coração empedernido. Entenda-se também que a missão que nos é confiada é mostrar Jesus. Está bom de ver que não basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis. Só o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida”.

E Jesus envia-os: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio.” Ele conhece os seus. Sabe das suas fragilidades e também da sinceridade dos seus corações e da vontade que têm de realizar a tarefa pedia. A missão é exigente e o confronto com determinados estilos difícil, a exigir a coragem e a fortaleza, que supera a mera coragem e lógica humana. Daí que lhes ofereça o Espírito do Pai e do Filho, “soprou sobre eles”, isto é, deu-lhes a mesma força, o mesmo Espírito Santo, amor derramado que renova corações e mentes. Enviou-os como testemunhas privilegiadas da reconciliação e da misericórdia. Todos eles ficaram marcados pelo amor de Cristo que os acolheu nas suas fragilidades, os reconciliou e apostou em cada um.

 

3-Deixai-vos conduzir pelo Espírito.

Acolher o Espírito Santo que o Pai e Jesus Cristo nos dão é imprescindível para a nossa vida e nossa missão. Em cada manhã, ao retomar a minha consciência e ao lançar de relance uma visão sobre o meu dia, devo pedir a presença do Espírito Santo.

O Espírito Santo dá-me a conhecer o amor do Pai e de Jesus Cristo. Faz-me conhecer a sua misericórdia e o seu chamamento à construção de um mundo novo e do homem novo. Ele me dará a conhecer a torrente de amor de Cristo que continua a dar a vida e se torna presente em atitude amorosa.

O Espírito faz-me ser dinâmico doando-me dons, carisma e frutos para que seja fecundo e projete sementeiras e primaveras de esperança e de vida nova.

Ele me torna dinâmico no meu amor à comunidade dos fiéis, amor à Igreja de cristo a quem Ele ofereceu a sua vida para que esta apareça jovem e bela. Para isso me fará instrumento de paz, de misericórdia, de unidade e do mais genuíno contributo para a sua renovação e juventude.

Ele me fará olhar o mundo com o olhar do Pai e de Jesus num desejo profundo de salvar a todos e de que todos sejam irmãos. Um olhar com resposta concreta aos pequeninos, aos abandonados e aos perdidos. Um amor serviçal aos pecadores para descubram o amor insondável de Deus, para quem nunca ninguém está de antemão perdido. Um olhar de amor e de reposta aos pobres, aos que estão na margem da torrente caudalosa da economia, da justiça, da liberdade. Um olhar de ternura e ajuda para com os que sofrem, os emigrantes e os refugiados.

Na realidade no nosso tempo não bastam as palavras. O Evangelho será eficaz se tem como base o testemunho de vida como o dos primeiros cristãos: “Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos...” (cf.1Jo1). Na realidade o mundo estaria bem diferente e será bem diferente, se pudéssemos dizer, como os primeiros cristãos: “Vede como se amam, e estão prontos a dar a vida uns pelos outros”. E este amor tem de ser concreto.

Onde não habita o Espirito do Senhor continuarão os preconceitos, as divisões, a acepção de pessoas. Continuarão as divisões, o apego feroz ao passado sem capacidade para descobrir a primavera e os raios de sol das surpresas de Deus.

Maria e São José foram dóceis ao Espírito Santo e a fecundidade das suas vidas são bênção para todos.

 

Fala o Santo Padre

 

«A partir daquele dia de Pentecostes, e até ao fim dos tempos, esta santidade, cuja plenitude é Cristo,

é proporcionada a quantos se abrem à ação do Espírito Santo.»

Na hodierna festa de Pentecostes tem o seu ápice o tempo pascal, centrado sobre a morte e ressurreição de Jesus. Esta solenidade faz-nos recordar e reviver a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre os outros discípulos, reunidos em oração com a Virgem Maria no Cenáculo (cf. At 2, 1-11). Naquele dia teve início a história da santidade cristã, pois o Espírito Santo é a fonte da santidade, que não é um privilégio para poucos, mas vocação para todos.

Com efeito, mediante o Batismo, todos somos chamados a participar na mesma vida divina de Cristo e, com a Confirmação, a tornarmo-nos suas testemunhas no mundo. «O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus» (Exort. ap. Gaudete et exsultate, 6). «Aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente» (Const. dogm. Lumen gentium, 9).

Já por meio dos antigos profetas o Senhor tinha anunciado ao povo este seu desígnio. Ezequiel: «Dentro de vós porei o meu espírito, fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos. [...] sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus» (36, 27-28). O profeta Joel: «derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne: os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão. [...] Naqueles dias, derramarei o Meu espírito também sobre os escravos e as escravas. [...] Todo o que invocar o nome do Senhor será salvo» (3, 1-2.5). E todas estas profecias se realizam em Jesus Cristo, «mediador e garantia da perene efusão do Espírito» (Missal Romano, Prefácio depois da Ascensão). E hoje é a festa da efusão do Espírito.

A partir daquele dia de Pentecostes, e até ao fim dos tempos, esta santidade, cuja plenitude é Cristo, é proporcionada a quantos se abrem à ação do Espírito Santo e se esforçam por ser dóceis. É o Espírito que faz experimentar uma alegria plena. O Espírito Santo, derramando-se sobre nós, derrota a aridez, abre os corações à esperança e estimula e favorece a maturação interior na relação com Deus e com o próximo. É quanto nos diz São Paulo: «o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança» (Gl 5, 22). O Espírito faz tudo isto em nós. Por isso hoje festejamos esta riqueza que o Pai nos dá.

Peçamos à Virgem Maria que obtenha também hoje para a Igreja um Pentecostes renovado, uma juventude renovada que nos proporcione a alegria de viver e testemunhar o Evangelho e «infunda em nós um desejo intenso de ser santos para a maior glória de Deus» (Gaudete et exsultate, 177).

 Papa Francisco, Regina Coeli, Praça São Pedro, 20 de maio de 2018

 

Oração Universal

 

Caríssimos cristãos:

Imploremos a Deus nosso Pai

que envie o Espírito Santo sobre a Igreja,

para confirmar a sua renovação pascal,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Mandai, Senhor, o vosso Espírito.

Ou: Abençoai, Senhor, a vossa Igreja.

Ou: Ouvi, Senhor, o vosso povo.

 

1. Pela santa Igreja de Deus,

para que, cheia dos dons do Espírito Santo,

seja reunida e confirmada na unidade,

oremos.

 

2. Pelo Papa Francisco, pelo nosso Bispo, seu presbitério e diáconos,

para que Deus lhes conceda em abundância

o espírito de sabedoria e de santidade,

oremos.

 

3. Pelos responsáveis políticos dos povos,

para que promovam a solidariedade entre as nações

e a justa distribuição dos bens em toda a terra,

oremos.

 

4. Pelos que são vítimas da fraqueza humana

e dos extravios do próprio coração,

para que o Espírito do Senhor os ilumine,

oremos.

 

5. Pelo povo de Deus aqui reunido

e pelos fiéis da nossa Diocese,

para que o Espírito nos faça crescer na caridade,

oremos.

 

6- Por todos os que hoje foram crismados,

para que compreendam que ser cristão é algo dinâmico

a exigir conhecer, seguir e o comprometer-se

com Cristo e com a sua Igreja.

oremos.

 

Deus eterno e omnipotente,

que, na manhã do Pentecostes,

enviastes o Espírito Santo sobre os Apóstolos,

tornai-nos, como eles, testemunhas do Evangelho,

para proclamarmos, com alegria, as vossas maravilhas.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Divino Espírito Santo – M. Faria, NRMS, 35

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

“Santificai estes dons, derramando sobre eles o vosso Espírito, de modo que se convertam, para nós, no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

O Espírito Santo oferece-nos todo o amor do Pai e do Filho. Ele quer encontrar em nós um coração e uma vida dócil para acolhermos este amor. Ele nos toca interiormente para a santidade e para acolhermos com liberdade, responsabilidade e amor este Deus que se torna presente e vivo.

Que eu saiba receber este Amor de Deus e viver em coerência com Ele. E que perceba a missão inerente a este amor: amor e serviço a todas as pessoas, sobretudo aos frágeis.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede – M. Carneiro, NRMS, 82-83

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: – Abri os corações ao sopro do Senhor – J. Santos, NRMS, 35

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sou enviado em missão. Esta é a tarefa que Jesus Cristo Ressuscitado me confia. Ele me envia o Espírito Santo para que a minha coragem seja a força do Evangelho. Para que as minhas armas sejam a paz, a mansidão e a misericórdia. Para que o caminho seja a vivência dos discípulos de Emaús. Para que o rosto do Pai e do Filho sejam refletidos no rosto de cada homem e cada mulher. Para que os meus pés sejam de mensageiro que anuncia a paz. Pés que saem ao encontro, pés leves, pés que voam. Para que as minhas mãos abracem, levantem, curem, abençoem, partilhem.

Levemos connosco Maria e José. São ótimos companheiros e amigos. Ficarão felizes por nos acompanharem e a ajudarem na missão.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro – F. Silva, NRMS, 82-83

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Armando R. Dias

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial