7º Domingo da Páscoa

16 de Maio de 2021

 

Esta Celebração destina-se aos locais onde a solenidade da Ascensão se celebra na quinta-feira da Semana VI do Tempo Pascal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Caminhamos na alegria – NRMS, 8

Salmo 26, 7-9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Diz-me o coração: «Procurai a sua face». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nalgumas regiões, a solenidade da Ascensão de Jesus ao Céu, já foi celebrada na passada Quinta-feira. Após a Ascensão de Jesus, os Apóstolos, reuniram-se no cenáculo com Maria, Mãe de Jesus, preparando-se para receber o Espírito Santo: “Não vos afasteis de Jerusalém até serdes revestidos da força do alto”. No próximo Domingo vamos celebrar a festa do Pentecostes. O Espírito Santo, prometido por Jesus, desceu visivelmente sobre os Apóstolos: “todos ficaram cheios do Espírito Santo”.

Na segunda leitura, São João revela-nos a verdadeira identidade do nosso Deus. “Deus é amor.” Deus é Pai e nós somos filhos muito amados. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e nós permanecemos n’ Ele.

O Evangelho deste sétimo Domingo situa Jesus no Cenáculo, reunido com os Apóstolos. Depois de os ter preparado para a sua despedida, reza por eles: Pai santo guarda-os em teu nome.

 

Oração colecta: Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo e fazei que, assim como acreditamos que o Salvador do género humano está convosco na glória, assim também sintamos que, segundo a sua promessa, está connosco até ao fim dos tempos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Senhor, indicai-nos qual destes dois (Matias e Barsabás) escolhestes para ocupar o lugar que Judas abandonou. Deitaram sortes sobre eles e a sorte caiu em Matias que foi agregado aos onze Apóstolos.»

São Pedro, como chefe do Colégio Apostólico, interpretando o que estava escrito no Livro dos Salmos, tomou a iniciativa de escolher alguém para substituir Judas. “Pedro levantou-se e disse: É necessário escolher de entre nós alguém dos que andaram connosco todo o tempo que Jesus passou no meio de nós, até ao dia em que foi levado para o alto para que se torne connosco testemunha da Ressurreição” Depois de orarem, deitaram sortes e a sorte caiu em São Matias.

 

Actos dos Apóstolos 1,15-17.20a.20c-26

15Naqueles dias, estavam reunidas cerca de cento e vinte pessoas. Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse: 16«Irmãos, era necessário que se cumprisse o que o Espírito Santo anunciou na Escritura, pela boca de David, a respeito de Judas, que foi o guia dos que prenderam Jesus. 17Na verdade, era um dos nossos e foi-lhe atribuída uma parte neste ministério. 20aEstá escrito no Livro dos Salmos: 20c'Receba outro o seu cargo'. 21É necessário, portanto, que de entre os homens que estiveram connosco durante todo o tempo que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, 22desde o baptismo de João até ao dia em que do meio de nós foi elevado ao Céu, um deles se torne connosco testemunha da sua ressurreição. 23Apresentaram dois: José, chamado Barsabás, de sobrenome Justo, e Matias. 24E oraram nestes termos: 'Senhor, que conheceis o coração de todos os homens, indicai-nos qual destes dois escolhestes 25para ocupar, no ministério apostólico, o lugar que Judas abandonou, a fim de ir para o seu lugar'. 26Deitaram sortes sobre eles e a sorte caiu em Matias que foi agregado aos onze Apóstolos.»

 

O relato da eleição de Matias para o lugar de Judas põe em relevo características importantes da constituição da Igreja de Cristo. Refazer o número doze dos Apóstolos mostra-se extraordinariamente importante para que se perceba que a Igreja é o novo povo de Deus, assente não em doze tribos, mas num colégio de doze homens eleitos por Deus. Por outro lado, deixa-se ver como Pedro é o chefe do Colégio Apostólico, ao tomar uma iniciativa tão importante: «Pedro levantou-se no meio dos irmãos» (v. 15). É de notar como Lucas dá importância à figura de Pedro na sua obra, pois este aparece sempre como figura central dos episódios em que intervém juntamente com os outros Apóstolos ou com os discípulos (cf. Act 2,14.37; 3,3-26; 4,8.19; 5,2-9.29; 8,14.20…); é ele quem primeiramente admite os gentios na Igreja (Act 10 – 11) e quem no Sínodo dos Apóstolos intervém primeiramente, como quem marca o rumo a tomar (Act 15,6-11).

21-22 «Testemunha da Ressurreição» de Jesus era uma condição essencial para os candidatos ao lugar de Judas, pois era isto o que mais garantia podia dar ao testemunho que o Apóstolo tinha a dar.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-2.3-4.8.10.12-13 (R. 8a)

 

Monição: Este salmo de louvor e acção de graças fala do perdão e das provas de amor de Deus para connosco. “Bendiz ó minha alma o Senhor e não esqueças nenhum dos seus benefícios. Como o Oriente dista do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos pecados.” 

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Ou:               Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades;

salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade;

não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como o Oriente dista do Ocidente,

assim Ele afasta de nós os nossos pecados;

como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

 

Segunda Leitura

 

Monição: “Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e acreditamos no seu amor.

Deus é amor.” São João fala-nos do fundamento do amor mútuo: “Se Deus nos amou assim, também devemos amar-nos uns aos outros. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito.” São João apela para o testemunho alicerçado, não apenas numa experiência interior, mas na própria experiência sensorial, ver, tocar, conhecer. E não se trata apenas de uma experiência individual, mas de uma experiência colectiva feita pelos Apóstolos: «Nós vimos e damos testemunho. Nós conhecemos o amor de Deus e acreditámos no seu amor. Deus é amor.” 

 

1 São João 4, 11-16

Caríssimos: 11Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12A Deus ninguém jamais O viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. 13Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. 16Nós conhecemos o amor de Deus por nós e acreditamos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.

 

(Veja-se o comentário feito atrás para esta mesma leitura alternativa do 6º Domingo de Páscoa)

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: “O vosso coração alegrar-se-á.”

Antes de subir ao Céu, Jesus tranquiliza os seus discípulos. “Não vos deixarei órfãos.” Jesus está connosco até ao fim dos tempos. Antes de partir, prometeu: “Virei de novo e alegrar-se-á o vosso coração. (Jo 14,18) “Mas agora vou para Ti, ó Pai. Que eles tenham em si mesmos a plenitude da mina alegria.” João 17, 13

 

Aleluia

 

Cântico: J. F. Silva, NRMS, 50-51 (I)

 

Não vos deixarei órfãos, diz o Senhor:

vou partir mas virei de novo e alegrar-se-á o vosso coração.

 

 

Evangelho

 

São João 17, 11b-19

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: 11b«Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que Me deste, para que sejam um, como Nós. 12Quando Eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que Me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição; e assim se cumpriu a Escritura. 13Mas agora vou para Ti; e digo isto no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da minha alegria. 14Dei-lhes a tua palavra e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 18Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade».

 

(Veja-se o comentário feito acima para esta mesma leitura alternativa do 6º Domingo de Páscoa)

 

 

Sugestões para a homilia

 

Deus é Amor. Nós conhecemos o amor de Deus e acreditamos no seu amor.

Que todos sejam um, como eu e tu somos um.

 

Deus é Amor.

O tempo pascal celebra o infinito amor de Deus para connosco. Deixemo-nos inundar pela alegria que nos vem da leitura da primeira carta de São João, que acabámos de escutar. “Deus é Amor.”

Deus prova assim o seu amor por nós: “Enviou-nos o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.” Jesus Cristo amou-nos e purificou-nos dos nossos pecados pelo seu sangue. Tinha ensinado que a maior prova de amor consiste em da a vida por aqueles a quem amamos. Deu-nos o exemplo para que sigamos os seus passos, para que O imitemos. Se Deus nos amou assim, também devemos amar os nossos irmãos. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele. O Discípulo amado acrescenta: “Nós conhecemos o amor de Deus e acreditamos no seu amor.” Os Apóstolos conviveram com Jesus durante três anos. Foram testemunhas da pregação do divino Mestre e dos milagres que realizou. Foram testemunhas da Sua Paixão e da Sua morte. Foram testemunhas da Sua Ressurreição gloriosa. Não se cansavam de anunciar: “Jesus morreu, mas ressuscitou.” Ressuscitando restaurou a vida. Nos três primeiros Domingos deste tempo pascal os Evangelhos descreveram as aparições de Jesus ressuscitado. Podiam falar da sua experiência maravilhosa: “Nós vimos o Senhor Jesus ressuscitado!” Durante cerca de quarenta dias, “comeram e beberam com Jesus ressuscitado.” Ficaram cheios de alegria com a presença de Jesus, que ao vê-los perplexos, lhes dizia com toda a familiaridade, palavras como estas: “Tocai-me e vede. Um fantasma não tem carne nem ossos. Vinde comer.” Mais tarde, cheios do Espírito Santo, anunciaram ao povo e às autoridades judaicas: “Nós não podemos calar o que vimos e ouvimos. Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel. Esse Jesus que vós crucificastes, ressuscitou de entre os mortos e foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.”

 

Que todos sejam um, como eu e tu somos um.

Jesus, por tês vezes, anunciou aos discípulos a sua paixão, morte e ressurreição. Assim os foi preparando para a sua despedida. “Anuncio-vos todas estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.” (João 10,27. 15,11)

Na Última Ceia, celebrada no Cenáculo, em Jerusalém, Jesus dá-nos o mandamento novo: “Dou-vos um mandamento novo. Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” (João 13, 34) Ao longo de vários capítulos (13-17), São João narra o discurso da despedida, que termina com a Oração Sacerdotal. Jesus conforta os discípulos e fortalece-os para os acontecimentos dolorosos da paixão, que se avizinha. Como um pai cheio de ternura, antes de morrer, junta os seus filhos ao seu redor, para lhes dirigir as últimas palavras, Jesus falou-lhes assim: “Filhinhos, já é por pouco tempo que vou estar convosco.” Por cinco vezes promete o Espírito Santo. “Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco. O Espírito Santo vos ensinará tudo e vos recordará tudo quanto vos disse. (João 14,15.26. 16,7.13-15) Promete voltar de novo. Deixa-nos a sua paz. Dá-nos a sua paz. Enche de coragem os Apóstolos, pedindo-lhes: “Tende confiança, Eu venci o mundo.”[1]

Depois de assim ter falado com os discípulos, São João mostra-nos Jesus, rezando a seu eterno Pai. “Jesus, levantou os olhos ao Céu e exclamou: Pai chegou a hora. Pai santo consagra-os na verdade. Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de acreditar por meio da sua palavra. Que todos sejam um, como Eu e Tu somos um.” Jesus revela a sua infinita bondade para connosco. Quis morrer pela unidade dos seus seguidores. Jesus ofereceu a Sua vida pela unidade dos cristãos. A unidade é a comunhão entre o Pai e o Filho. E nós estamos unidos com Deus através da união com Jesus.

Todos os anos, de 18 a 25 de Janeiro, a Igreja celebra o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Conhecemos o desejo de Jesus, o Bom Pastor: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor.” [2]

 

Fala o Santo Padre

 

«A missão confiada por Jesus aos Apóstolos prosseguiu através dos séculos,

e prossegue ainda hoje: ela exige a colaboração de todos nós.»

Hoje, em Itália e em muitos outros países, celebra-se a solenidade da Ascensão do Senhor. Esta festa inclui dois elementos. Por um lado, orienta o nosso olhar para o céu, onde Jesus glorificado está sentado à direita de Deus (cf. Mc 16, 19). Por outro, recorda-nos o início da missão da Igreja: porquê? Porque Jesus ressuscitado e elevado ao céu envia os seus discípulos a difundir o Evangelho por todo o mundo. Portanto, a Ascensão exorta-nos a elevar o olhar para o céu, para o dirigir logo a seguir para a terra, cumprindo as tarefas que o Senhor ressuscitado nos confia.

Eis quanto nos convida a fazer a página evangélica hodierna, na qual o evento da Ascensão vem imediatamente depois da missão que Jesus confia aos discípulos. Trata-se de uma missão incomensurável — ou seja, literalmente sem confins — que supera as forças humanas. Com efeito, Jesus diz: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura» (Mc 16, 15). Parece deveras demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais! Contudo, esta restrita companhia, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia de Jesus a todos os recantos da terra.

Mas este projeto de Deus só pode ser realizado com a força que o próprio Deus concede aos Apóstolo. Neste sentido, Jesus garante-lhes que a sua missão será apoiada pelo Espírito Santo. Diz: «descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8). Por conseguinte, foi possível realizar esta missão, e os Apóstolos deram início a esta obra, que depois foi continuada pelos seus sucessores. A missão confiada por Jesus aos Apóstolos prosseguiu através dos séculos, e prossegue ainda hoje: ela exige a colaboração de todos nós. Com efeito, cada um de nós, em virtude do Batismo que recebeu, está habilitado por sua vez a anunciar o Evangelho. É precisamente o batismo que habilita e também nos impele a ser missionários, que anuncia o Evangelho.

A Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos.

A Virgem Maria que, como Mãe do Senhor morto e ressuscitado, animou a fé da primeira comunidade dos discípulos, nos ajude também a manter «elevados os nossos corações», como a Liturgia nos exorta a fazer. E, ao mesmo tempo, nos ajude a ter “os pés no chão”, e a semear com coragem o Evangelho nas situações concretas da vida e da história.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça São Pedro, 13 de maio de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

Jesus pede-nos hoje, no Evangelho: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei!”

Supliquemos cheios de confiança:

 

Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

1.  Pela Igreja que caminha com os homens,

Para que os ensine a amarem-se uns aos outros

na alegria de Jesus ressuscitado, oremos, irmãos.

 

2.      Por aqueles que proclamam o Evangelho

e procuram levá-lo a toda a parte,

para que cresça o número dos que os escutam, oremos, irmãos.

 

3.      Pelos que sofrem tribulações,

para que Deus enxugue as lágrimas dos seus olhos

e lhes mostre a sua misericórdia, oremos, irmãos.

 

4.      Pelos pais cristãos e pelos seus filhos,

para que acreditem em Jesus, aceitem o seu Mandamento

 e se amem uns aos outros na verdade, oremos, irmãos.

 

5.      Por todos nós aqui reunidos em assembleia,  

para que a Ceia do Senhor que celebramos

nos recorde que sem Ele nada podemos fazer, oremos, irmãos.

 

 

Senhor nosso Deus, que glorificastes o Vosso Filho,

Ressuscitando-o de entre os mortos e o coroaste de glória,

sentando-O à Vossa direita, fazei-nos cumprir o que Ele nos mandou,

para nos tornarmos seus discípulos.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Honra Glória e Louvor – J. F. Silva, NRMS, 1 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473; ou da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

Santo: J. F. Silva – NRMS, 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus ressuscitado oferece-nos o seu corpo imolado, presente no Pão consagrado: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” São Paulo fala desta unidade com Jesus, dizendo: “Já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim.”

“Deus é amor. Quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele”

São João da Cruz lembra-nos, que “no entardecer da vida, sermos julgados sobre o Amor!”

“A alma que anda no Amor, nem cansa, nem se cansa!”

Unidos a Jesus, nesta comunhão, rezemos pela unidade do povo cristão: “Que todos sejam um, em ti ó Pai, como Eu e Tu somos um.” (Jo 17, 21)

Guardai-nos unidos, Trindade Santíssima, guardai-nos no vosso amor, Pai, filho e Espírito Santo.

 

Cântico da Comunhão: Habitarei para sempre – C. Silva, OC, pg 134

cf. Jo 17, 22

Antífona da comunhão: Eu Vos peço, ó Pai: assim como Nós somos um, também eles sejam consumados na unidade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Ouvi-nos, Deus nosso salvador, e, por estes sagrados mistérios, confirmai a nossa esperança de que todo o Corpo da Igreja alcançará um dia o mistério de glória inaugurado em Cristo, sua Cabeça. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito. Há uma só esperança na vida a que fomos chamados.” Ef 4,3-4

O desejo de “reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Jesus Cristo excede as forças humanas. Por isso, pomos inteiramente a nossa esperança na oração de Jesus pela sua Igreja.” Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio, 24.

 

A unidade é sempre superior ao conflito. Este ano, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Santo Padre recordou-nos o pedido de Jesus: “Permanecei no meu amor e produzireis muito fruto.”[3] Jesus associa este pedido à imagem da videira e dos ramos. “Eu sou a videira e vós sois os meus ramos.» Nesta videira, todos nós os baptizados, estamos enxertados, como ramos. Só unidos a Jesus é que podemos crescer e dar fruto. Pensando na videira, poderíamos imaginar a unidade formada por três círculos concêntricos, como num tronco.

. O primeiro círculo, o mais interno, é o permanecer em Jesus. Daqui parte o caminho de cada um rumo à unidade. Na realidade mutável e complexa de hoje, arrastados daqui e dali, é fácil perder a linha. Muitos se sentem intimamente divididos, incapazes de encontrar um ponto firme, uma estrutura estável nas circunstâncias variáveis da vida. Jesus indica-nos o segredo da estabilidade: “Permanecer n’Ele”. Jesus mostrou-nos como fazer isso, dando-nos o exemplo: “Retirava-se para lugares desertos para orar.” Precisamos da oração, como de água, para viver. Centrados em Jesus na oração, experimentamos o seu amor. E daí recebe vida a nossa existência, como o ramo que toma a seiva do tronco. Esta é a primeira unidade, a nossa integridade pessoal, obra da graça, que recebemos permanecendo em Jesus.

. O segundo círculo é o da unidade com os cristãos. Somos ramos da mesma videira, somos vasos comunicantes. Além disso, na vida espiritual, vigora uma espécie de «lei da dinâmica»: na medida em que permanecemos em Deus, aproximamo-nos dos outros e, na medida em que nos aproximamos dos outros, permanecemos em Deus. Significa que, se invocarmos Deus em espírito e verdade, daí brota a exigência de amar os outros e, vice-versa, «se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós.» A oração leva-nos ao amor. Não é possível encontrar Jesus sem o seu Corpo, composto de muitos membros, tantos quantos são os baptizados. Se a nossa adoração for genuína, cresceremos no amor por todos aqueles que seguem Jesus, independentemente da comunhão cristã a que pertençam, porque, mesmo se não são «dos nossos, são d’ Ele.”

Segundo o Papa, constatamos que amar os irmãos não é fácil, porque se apresentam imediatamente os seus defeitos e as suas faltas e voltam à mente as feridas do passado. Aqui vem em nosso auxílio a acção do Pai que, como sábio agricultor, sabe bem o que fazer: «Ele corta todo o ramo que não dá fruto em Mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda». O Pai corta e poda. Porquê? Porque, para amar, precisamos de ser despojados daquilo que nos extravia e nos faz debruçar sobre nós mesmos, impedindo-nos de dar fruto. Por isso peçamos ao Pai para cortar em nós os preconceitos contra os outros e os apegos mundanos que impedem a plena unidade com todos os seus filhos. Assim, purificados no amor, saberemos colocar em segundo plano os empecilhos terrenos e os obstáculos doutrora, que hoje nos desviam do Evangelho”.

 

. O terceiro círculo da unidade, o mais amplo, é a humanidade inteira. Neste âmbito, podemos reflectir sobre a acção do Espírito Santo. Na videira que é Cristo, Ele é a seiva que chega a todas as partes. Mas o “Espírito sopra onde quer” e por todo o lado quer reconduzir à unidade. Leva-nos a amar não só àqueles que nos amam e pensam como nós, mas a todos, como Jesus nos ensinou. Torna-nos capazes de perdoar aos inimigos, e as injustiças sofridas. Impele-nos a ser activos e criativos no amor. Lembra-nos que o próximo não é só quem partilha os nossos valores e ideias, mas que somos chamados a fazer-nos próximo de todos, bons Samaritanos duma humanidade vulnerável, pobre e sofredora – hoje, tão sofredora –, que jaz por terra nas estradas do mundo e que Deus, na sua compaixão, deseja levantar. O Espírito Santo, autor da graça, nos ajuda a viver na gratuidade, a amar mesmo quem não nos retribui, porque é no amor puro e desinteressado que o Evangelho dá fruto. É pelos frutos que se reconhece a árvore: pelo amor gratuito, se reconhece se pertencemos à videira de Jesus.”

 

O Espírito Santo ensina-nos o amor concreto por todos os irmãos com quem partilhamos a mesma humanidade, aquela humanidade que Cristo uniu inseparavelmente a Si, dizendo-nos que O encontraremos sempre nos mais pobres e necessitados. Servindo-os juntos, descobrir-nos-emos irmãos e cresceremos na unidade. O Espírito Santo, que renova a face da terra, exorta-nos também a cuidar da nossa casa comum, a fazer opções ousadas no modo como vivemos e consumimos, porque o contrário de dar fruto é a exploração e é indigno desperdiçar os preciosos recursos de que muitos estão privados.

 

Cântico final: Com profundo amor – M. Faria, NRMS, 2 (I)

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       José Roque

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 



[1] João 14, 27.16,33

[2] João 10, 16

[3] Cf. Jo 15,5-9


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