6º Domingo da Páscoa

9 de Maio de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada:  Anunciai com voz de júbilo – Az. Oliveira, NRMS, 32

cf. Is 48, 20

Antífona de entrada: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Desde a nossa infância aprendemos, na catequese, os Mandamentos da Lei de Deus.

O Senhor, nesta Missa, vai, Ele mesmo, explicar-nos a Sua Lei que se resume no Amor. Convida-nos a amá-l’O com todo o nosso coração e a amarmo-nos como Ele nos ama.

 

Rito penitencial pela aspersão da água

Introdução: Irmãos, abençoamos e aspergimos esta água como sinal do nosso baptismo, a nossa iniciação à vida em Jesus Cristo. Ouçamos hoje o amor que Jesus nos manifesta mandando-nos que nos amemos uns aos outros. [Aspersão]

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: São Pedro, imitando o Divino Mestre, procura acolher todas as pessoas, convidando-as a receber o Batismo, para ficarem a pertencer à Igreja que Ele fundou.

 

Actos dos Apóstolos 10, 25-26.34-35.44-48

Naqueles dias, 25Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». 34Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». 44Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. 45E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, 46pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. 47Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» 48E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-Lhe que ficasse alguns dias com eles.

 

A leitura refere a vinda de Pedro a anunciar a salvação a um gentio, «Cornélio». Era centurião romano do destacamento militar de Cesareia, e bem podia ser descendente dalgum daqueles dez mil escravos que libertou Cornélio Sila, cerca do ano 80 a. C., os quais tomaram o apelido deste. Pertenceria à «coorte itálica», de que nos chegaram várias inscrições. Era «justo e temente a Deus» (v. 22), isto é, homem que aceitava o único Deus de Israel e a sua lei moral, mas sem aderir ao judaísmo pela circuncisão e outras práticas rituais. Segundo Act 10,1-8, tinha recebido uma mensagem angélica para mandar chamar Pedro a Jope (Jafa, hoje Yafo), a fim de lhe vir anunciar a «Boa-Nova da paz» (cf. v. 36). Pedro, dada a visão que teve – «o que foi purificado por Deus não o chames impuro» (v. 15) –, vendo como o Espírito Santo, com manifestações semelhantes às do Pentecostes, nomeadamente a glossolalia (cf. vv. 45-46), descia sobre os ouvintes da sua pregação, não hesitou em fazer entrar os ouvintes directamente na Igreja pelo Baptismo (vv. 47-48). Isto aparece como um passo de extraordinário alcance para a vida da Igreja (por isso se conta mais uma vez no cap. 11); com efeito, a Igreja é católica desde o princípio, isto é, destinada aos homens de todas as raças, e não apenas ao fechado e estreito âmbito de judeus e judaizados. Mas nem todos os cristãos afeitos à Lei de Moisés haviam de compreender isto facilmente, o que motivou o sínodo de Jerusalém (ano 49-50); os cristãos judaizantes, porém, haveriam de continuar na sua e a fazer grande oposição a S. Paulo.

34-35 Estes versículos representam uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa de Cornélio, em Cesareia Marítima, quando Pedro recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem terem de passar primeiro pelo judaísmo. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (mas não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10,17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107,20), «anunciando a paz» (cf. Is 52,7); v. 38 – «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61,1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» (v. 36) deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas», e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso literário de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

 

Salmo Responsorial    Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b)

 

Monição: Rezemos ( cantando ) em louvor do Senhor pelas maravilhas que Ele operou, concedendo-nos a graça da Salvação.

 

Refrão:        O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

 

Ou:               Diante dos povos manifestou Deus a salvação.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São João convida-nos a amarmo-nos uns aos outros como Deus nos ama. Se formos fiéis, atrairemos, com o nosso exemplo, as outras pessoas a viverem assim.

 

1 São João 4,7-10

Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. 8Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

 

A Carta de S. João que temos vindo a ler no tempo pascal deste ano B atinge agora o seu ponto mais alto (vv. 1-16). O tema central da Epístola é o amor, um tema a que volta repetidas vezes, desenvolvendo-o em espiral. A chamada espiral joanina consiste em que, cada vez que volta a um tema, avança e aprofunda-o um pouco mais.

7-8 «Amemo-nos uns aos outros» é como que um refrão que S. João não se cansa de repetir (cf. 1Jo 3,11.23); mas aqui não se limita a apelar para «o mandamento do Senhor» (1Jo 3,23; cf. Jo 15,12), pois vai até ao ponto de tocar na mais profunda razão de ser deste mandamento. É que «Deus é amor», por isso o cristão, que «nasceu de Deus» e «conhece a Deus», não pode deixar de amar; sendo assim, «quem não ama não conhece a Deus», isto é, não participa da sua vida e do seu ser, não entra na sua intimidade. Notar que em S. João «conhecer» não é «ter notícia ou informação», mas é «ter experiência pessoal, penetrar na intimidade de outro»; é assim que «conhecer a Deus» implica agir na mesma linha do amor de Deus.

9-10 A afirmação de que Deus é amor não é uma afirmação teórica, ou uma definição metafísica de Deus; é uma afirmação sapiencial, é o resultado da contemplação estonteante da sua obra salvadora, a saber, do modo como «se manifestou o amor de Deus para connosco», que chegou ao ponto de que «enviou ao mundo o seu Filho Unigénito» (v. 9), como «vítima de expiação pelos nossos pecados» (v. 10). Este amor de Deus – a entrega do Criador à sua criatura para se dar dando a vida – é tão fascinante e inimaginável, que é expresso no Novo Testamento com um substantivo novo, não usado na literatura grega profana: agápê. Não estamos perante qualquer espécie de amor, mas em face da mais absoluta gratuidade, pois a referência é o próprio amor que Deus nos manifesta: «não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou» (v. 10).

 

Ou

1 São João 4,11-16

Caríssimos: 11Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12A Deus ninguém jamais O viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. 13Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. 16Nós conhecemos o amor de Deus por nós e acreditamos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.

 

A espiral joanina à volta do amor, a que nos referíamos no comentário aos versículos anteriores (vv. 7-10), progride aprofundando e esclarecendo o fundamento do amor mútuo: «se Deus nos amou assim, também nós nos devemos (o grego, ofeîlomen, indica obrigação estrita) amar uns aos outros» (v. 11). Com efeito, são os outros que visibilizam (cf. Mt 25,40) a Deus invisível, «que nunca ninguém viu», como filhos do mesmo Deus. Também se pode ver neste pormenor do v. 12 uma alusão aos gnósticos que se ufanavam de uma intuição directa de Deus, a epopteia das religiões mistéricas. Por outro lado, temos aqui a mais séria justificação da maravilhosa realidade da vida cristã, que ao longo de todos os séculos se tem manifestado na doação e no serviço aos outros, nomeadamente àqueles que, por serem carenciados, nada têm com que retribuir, sendo o apostolado a forma mais sublime do amor cristão.

Também o voltar ao outro tema fulcral da Carta – permanecer – atinge aqui (vv. 13-16) o seu clímax (ver supra o comentário feito a 1Jo 3,24, na 2ª leitura do 5º Domingo de Páscoa): «Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chega à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos n’Ele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito» (vv. 12-13). O autor, ao mover-se na densidade de expressões de fé tão elevadas, com uma referência explícita ao mistério da Trindade e da Incarnação (vv. 13-15), apela, de uma maneira tipicamente joanina, para o testemunho alicerçado, não apenas numa experiência interior, de comunhão vital e mística (cf. v. 13), mas na própria experiência sensorial – hêmeîs tetheámetha (v. 14), «nós vimos (contemplámos)» –, não se tratando de uma mera experiência individual isolada, mas de um colectivo (pode pensar-se na dita comunidade do Discípulo amado em ligação com as primeiras testemunhas directas).

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 14, 23

 

Monição: Jesus exorta-nos a permanecermos no Seu Amor, observando os Mandamentos. Cumpramos sempre a Sua vontade!

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – Az. Oliveira, NRMS, 36

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.

Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São João 15,9-17

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. 11Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. 12É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. 16Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. 17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

 

Temos hoje a continuação do chamado discurso do adeus, centrada no tema central do amor e no permanecer, correspondentes à 2ª leitura (1Jo 4,11-16).

9-17 Estes versículos constituem um dos cumes mais elevados de todo o Evangelho e uma das chamadas «sínteses do cristianismo»: o anterior apelo permanecei em Mim (v. 3) concretiza-se agora em permanecei no meu amor (vv. 9.10). A referência básica é o amor do Pai, «como o Pai Me amou»: é assim que Jesus nos ama (v. 9); trata-se, pois, de um amor de eleição de Jesus (v. 16), que exige uma correspondência de fidelidade aos seus mandamentos (vv. 10.12.14.17; 13,34; 14,15.21). Este amor divino constitui os discípulos numa relação totalmente nova com Jesus: a da amizade (vv. 13-15; 13,34; 1Jo 3,11), a tal ponto que fica esbatida a infinita distância entre Deus e o homem, entre o Senhor e os «servos», facultando liberdade interior. Esta nova situação conduz à alegria, a uma «alegria completa» (v. 11; 16,24; 17,13; 1Jo 1,4), e à fecundidade, dando um fruto sobrenatural, «que permaneça» (v. 16). Por outro lado, este amor é exigência do amor mútuo, fornecendo-lhe a sua mais sólida base e a sua mais elevada medida: como Eu vos amei (v. 12), até dar a vida (v. 13). E não se pode permanecer no amor de Jesus, se não se guardarem os seus mandamentos (cf. v. 10).

15-16 «Já vos não chamo servos». Bela forma de mostrar as especiais relações de amizade que Jesus tem com os seus; um servo enquanto tal, é indigno da amizade do seu senhor e limita-se a receber ordens, mas os discípulos recebem de Jesus as mais íntimas confidências: «porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai». É evidente que se trata de uma amizade que não se baseia em igualdade de natureza; é fruto duma eleição gratuita: «fui Eu que vos escolhi e destinei…». Escolhidos para dar frutos que permaneçam, isto é, frutos espirituais, frutos de vida eterna – de santidade, de apostolado –; e só darão esses frutos na dependência e união com Cristo (cf. v. 5); daí o apelo à oração, a qual dá garantia de eficácia: «tudo quanto pedirdes… Ele vo-lo concederá» (v. 16 ). A oração sempre ouvida pelo Pai é a que é feita «em nome de Jesus» (v. 16) isto é, em plena sintonia com Jesus, numa perfeita união de vontades; esta forma de se dirigir ao Pai tornou-se a pauta para a oração litúrgica: «por Cristo, Nosso Senhor».

 

Ou:

São João 17,11b-19

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: 11b«Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que Me deste, para que sejam um, como Nós. 12Quando Eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que Me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição; e assim se cumpriu a Escritura. 13Mas agora vou para Ti; e digo isto no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da minha alegria. 14Dei-lhes a tua palavra e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 18Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade».

 

O capítulo 17 de S. João veio a ser chamado «a oração sacerdotal de Jesus», a partir das observações de S. Cirilo de Alexandria (PG 74, 505-508); constitui «a síntese mais completa e elevada da teologia do evangelista» (Segalla). Lê-se no 7º Domingo de Páscoa, distribuída pelos anos A, B e C, mas sempre introduzida pelo v. 1: «Jesus ergueu os olhos ao céu…», uma forma de orar muito ao jeito de Jesus (cf. Jo 11,41; Mt 14,19; Mc 6,41; Lc 9,16; Mc 7,34), mas mal documentada no judaísmo. Com este gesto, «Jesus dava uma expressão corporal à dimensão fundamental do ser humano, a saber, a sua relação com a fonte que o ultrapassa, que está acima dele e o envolve…» (D. Mollat). Nos países, como o nosso, onde a Ascensão é celebrada no 7º Domingo, Jo 17 pode ler-se, como alternativa, no 6º Domingo de Páscoa. O trecho lido no ano B corresponde àquela parte da oração em que Jesus intercede pelos seus discípulos.

11b «Pai santo». A circunstância de não estarmos perante uma forma usual de Jesus se dirigir ao Pai, leva a pensar numa influência litúrgica (cf. Didakhê 10, 2) na redacção desta belíssima oração, a oração mais longa que aparece nos lábios de Jesus. «O nome que Tu Me deste» pode entender-se como a própria essência divina, comum ao Pai e ao Filho, que é Jesus; e o pedido «um só, como Nós», sugere já uma primitiva reflexão trinitária. Com efeito, a unidade dos discípulos tem como primeira referência (analogatum princeps) a unidade do ser divino, na distinção de pessoas, visando uma unidade que transcende a meramente moral e sociológica; por outro lado, podemos ver, no semitismo «dar o nome», um sentido aberto, coadunando-se bem com a doutrina teológica da processão, ou geração eterna do Filho pelo Pai. Esta prece pela unidade dos primeiros discípulos, vai ser feita, mais adiante (vv. 20-23), de forma mais desenvolvida, pela unidade de todos os que depois hão-de vir a crer em Jesus.

12-15 Jesus, que, como Bom Pastor, guardou os discípulos, agora, consciente da sua partida, intercede «para que eles tenham sem si a plenitude da alegria», própria de Jesus, uma alegria que deriva da sua união com o Pai. Por outro lado, roga «que os guarde do Maligno», pois eles terão de ficar no mundo, que está «todo sob o poder do Maligno» (cf. 1Jo 5,19). «O mundo» é aqui tomado no seu aspecto negativo: são os homens que recusam a graça e, na sua auto-suficiência, se fecham a Deus, a ponto de odiarem a Cristo e os seus seguidores (v. 14). Os discípulos, vivendo no mundo, estão sujeitos às suas seduções, e Jesus não suplica que os tire do mundo, onde se desenrola a sua vida e está o seu campo de acção, mas que os guarde de serem mundanizados, deixando-se influenciar pelo «dominador deste mundo» (cf. Jo 12,31).

17-19 «Consagra-os na verdade», à letra, santifica-os; santificar é retirar da esfera do profano para destinar a uma missão divina (cf. Hebr 2,11). Estas palavras não são apenas o centro da oração, mas um dos pontos altos do Evangelho: a consagração e missão dos discípulos. Este envio ao mundo encerra um mistério que se exprime através dum paradoxo: escolhidos mas não retirados do meio do mundo. É que não se trata de um simples envio pragmático, mas insere-se no mistério do envio de Jesus ao mundo (v. 18; cf. 10,36; 15,27; 20,21); os discípulos não se limitam a continuar a sua missão; participam da sua própria vida (15, 1-16), uma vida que não pertence a este mundo e a que se tem acesso apenas pela palavra (v. 17) da revelação, a «verdade». Mas, para além desta misteriosa realidade bipolar – a vocação-missão –, o texto deixa ver um outro aspecto: «Eu consagro-Me por eles» tem uma conotação sacrificial, como se dissesse «ofereço-Me em sacrifício por (em vez de ou a favor de) eles», pois corresponde à linguagem cultual do A. T. (cf. Ex 13,2.12.15; 28,41; Dt 15,19-20) e tem paralelos no N. T. (cf. 1Cor 11,24; 15,3). É por isso que a oração sacerdotal adquire a dimensão de ofertório do sacrifício do Senhor, que vai ser consumado no Calvário e também a de uma declaração de intenção: Jesus entrega a sua vida por todos (cf. 11,51-52; 15,13), em sacrifício, a fim de que os seus, uma vez purificados, venham a ser pertença exclusiva de Deus, isto é, «consagrados», ou santificados (v. 19). A alusão a Cristo como sumo sacerdote da nova Aliança – sacerdote oferente e vítima oferecida (cf. Hebr 9,11-14; 10,10) – pode ver-se na ressonância vétero-testamentária de Ex 28,36-38. Há quem veja também alusões à Eucaristia, em especial nos vv. 21-24 (cf. Jo 15,4-7; 6,56; 1Cor 10,17).

 

Sugestões para a homilia

 

Observemos os Mandamentos

Vivamos no Amor de Deus

Façamos apostolado no mundo

 

Observemos os Mandamentos

No dia- a- dia cruzamo-nos com pessoas que acreditam em Deus e vivem cumprindo a Sua vontade. Também convivemos com outras que não acreditam ou vivem como se Ele não existisse.

Nós somos felizes porque temos fé. Sem Jesus a nossa vida não teria sentido. Ele diz-nos no Evangelho: « Se guardardes os Meus Mandamentos permanecereis no Meu Amor ».

Agradeçamos ao Senhor durante toda a vida. Ele, o Omnipotente, o criador de tudo quanto existe, permanece connosco para nos animar, ajudar, proteger e salvar.

Só o pecado impede esta união com o Senhor. Nunca O ofendamos. A felicidade sem Deus não existe: no fim fica sempre o remorso…

Se vivermos com o Senhor, amando-O com todo o coração, sentiremos paz e alegria, teremos a esperança e a certeza da salvação.

 

Vivamos no Amor de Deus

São João diz-nos na Segunda Leitura: «Amemo-nos uns aos outros porque o amor vem de Deus ».

Os homens impõem tantas e tantas leis… Já assim era no Antigo Testamento. Por isso Jesus regressou até Moisés que recebeu de Deus os dez Mandamentos. Não é preciso mais nenhuma lei para cumprir a Lei De Deus. Pode ser necessário explicar em que consiste a Sua Lei.

Ao ser-Lhe perguntado qual era o maior mandamento da Lei, Jesus respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente» ( Mt 22, 37 ) e acrescentou: « o segundo é semelhante: amarás ao teu próximo como a ti mesmo » ( Mt 22, 39 ).

No mundo atual verificamos que, em vez do Amor, há ódio, violência, atentados, guerras… Porquê?! Por que não hão-de os homens respeitar-se, ajudar-se, praticando boas ações para com todos?!

Ah! como o mundo seria diferente se todos vivessem no Amor de Deus! Será isto utopia? Não. Nós acreditamos que Deus está presente no mundo e quer salvá-lo, pedindo-nos apenas que dêmos testemunho d’Ele e da Sua Doutrina no mundo.

 

Façamos apostolado no mundo

Muitos que viveram antes de nós no mundo sofreram o martírio por anunciarem Jesus e viverem como bons cristãos.

A perseguição continua em vários países, como nunca antes aconteceu, nem mesmo nos três primeiros séculos do cristianismo.

Será que os cristãos vão desaparecer em alguns países onde são perseguidos? Cremos que isso não vai acontecer pois já dizia Tertuliano: « o sangue dos mártires é semente de cristãos ».

Não desanimemos. Aproveitemos a vida que o Senhor nos concede para difundir a Sua Lei, a Lei do Amor, a todo o mundo.

Imitemos São Pedro, anunciando a Doutrina do Senhor e convidando todas as pessoas para receberem o Batismo, ficando a pertencer à Igreja ( Primeira Leitura ).

Às crianças e aos jovens digamos que esta nobre missão é para ser vivida agora e no futuro.

O Senhor não nos abandona. Ele tranquilizou-nos dizendo: « Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos » ( Mt 28,20 ). Com Ele venceremos. Com Ele seremos felizes para sempre.

Ó Mãe de Deus e nossa querida Mãe, caminha connosco, ampara-nos nas dificuldades, dá-nos alento para prosseguirmos sempre na senda do bem! Aponta-nos o caminho da perfeição e santidade! Intercede, ó Virgem Maria, para que Contigo, com todos os Anjos e Santos, louvemos, adoremos e amemos a Deus eternamente no Céu! Amém!

 

Fala o Santo Padre

 

«Se eu permanecer unido a Jesus, o seu amor pode alcançar o outro e atraí-lo a si, à sua amizade.»

Neste tempo pascal a Palavra de Deus continua a indicar-nos estilos de vida coerentes para sermos a comunidade do Ressuscitado. Entre eles, o Evangelho de hoje apresenta a recomendação de Jesus: «Permanecei no meu amor» (Jo 15, 9): permanecer no amor de Jesus. Habitar na corrente do amor de Deus, habitar estavelmente nele, é a condição para fazer com que o nosso amor não perca pelo caminho o seu fervor e a sua audácia. Também nós, como Jesus e n’Ele, devemos acolher com gratidão o amor que vem do Pai e permanecer neste amor, procurando não nos separarmos dele com o egoísmo e com o pecado. É um programa exigente mas não impossível.

Antes de mais é importante tomar consciência de que o amor de Cristo não é um sentimento superficial, não, é uma atitude fundamental do coração, que se manifesta vivendo como Ele quer. Com efeito, Jesus afirma: «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor» (v. 10). O amor realiza-se na vida de cada dia, nas atitudes, nas ações; se assim não for, é apenas algo ilusório. São palavras, palavras, palavras: isto não é amor. O amor é concreto, todos os dias. Jesus pede-nos para observar os seus mandamentos, que se resumem nisto: «que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (v. 12).

Como fazer para que este amor que o Senhor ressuscitado nos oferece possa ser partilhado pelos outros? Várias vezes Jesus indicou o outro que devemos amar, não por palavras mas por obras. É aquele que encontro no meu caminho e que, com o seu rosto e com a sua história, me interpela: é aquele que, com a sua presença, me leva a sair dos meus interesses e das minhas seguranças; é aquele que espera a minha disponibilidade para ouvir e percorrer um pouco de caminho juntos. Disponibilidade em relação ao irmão e irmã, quem quer que ele seja e qual for a situação em que se encontra, começando por quem está próximo de mim na família, na comunidade, no trabalho, na escola... Desta maneira, se eu permanecer unido a Jesus, o seu amor pode alcançar o outro e atraí-lo a si, à sua amizade.

E este amor pelos outros não pode acontecer só em momentos extraordinários, mas deve tornar-se a constante da nossa existência. Eis por que somos chamados, por exemplo, a preservar os idosos como um tesouro precioso e com amor, mesmo se causam problemas económicos e inconvenientes, mas devemos preservá-los. Eis por que devemos dar aos doentes, até no último estádio, toda a assistência possível. Eis por que se devem acolher sempre os nascituros; eis por que, em síntese, a vida deve ser sempre tutelada e amada desde a conceção até ao seu fim natural. E isto é amor.

Nós somos amados por Deus em Jesus Cristo, que nos pede para nos amarmos como Ele nos ama. Mas não podemos fazer isto se não tivermos em nós o mesmo Coração. A Eucaristia, na qual somos chamados a participar todos os domingos, tem a finalidade de formar em nós o Coração de Cristo, de modo que toda a nossa vida seja guiada pelas suas atitudes generosas. A Virgem Maria nos ajude a permanecer no amor de Jesus e a crescer no amor para com todos, sobretudo para com os mais débeis, a fim de corresponder plenamente à nossa vocação cristã.

  Papa Francisco, Regina Coeli, Praça São Pedro, 6 de maio de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Interceda por nós a Virgem cheia de graça

 

1.      Pedimos, Senhor, pela Santa Igreja,

para que seja una e santa

a fim de tornar o mundo melhor,

oremos.

 

2.      Pedimos, Senhor, pela paz na Terra,

para que não haja mais guerra e violência

e possamos viver, amando-nos como irmãos,

oremos.

 

3.      Pedimos, Senhor, pelos doentes e por todos os que sofrem,

para que ofereçam a sua vida de dor

a Ti que sofreste por nós o martírio da cruz,

oremos.

 

4.      Pedimos, Senhor, pelas crianças que nos encantam,

para que ninguém manche a sua inocência,

continuando a ser felizes na adolescência e juventude,

oremos.

 

5.      Pedimos, Senhor, pelas nossas intenções,

para que cumpramos a missão que nos confiaste,

sem nunca nos separarmos do Teu Amor,

oremos.

 

6.      Pedimos, Senhor, pelos familiares e amigos falecidos,

para que rezem por nós, que nunca os esquecemos,

a fim de com eles vivermos eternamente no Céu,

oremos.

 

 

Deus Pai, Todo Poderoso,

atende estas nossas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concede-nos o que for melhor para nós.

Por Cristo Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Recebestes um Espírito C. Silva, CNPL, pg 855

 

Oração sobre as oblatas: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. F. Santos – BML, 27

 

Monição da Comunhão

 

É na Comunhão que mais se manifesta a união com o Senhor. Como São Paulo, pode também, cada um de nós, exclamar: « Já não sou eu que vivo mas é Cristo que vive em Mim » ( Gl 2, 20 ).

 

Cântico da Comunhão: Vós sereis meus amigos – M. Luís, CEC I, pg 151

cf. Jo 14, 15-16

Antífona da comunhão: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente ao Senhor – M. Luís, NRMS, 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Foi tão bom estarmos aqui reunidos na Celebração da Eucaristia! Nossa Senhora vai connosco para darmos testemunho de Jesus no mundo que veio salvar.

 

Cântico final: Glória ao Senhor, louvor em terra e Céus – M. Faria, (dos 20 cânticos), IC pg 835

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-V: A actuação do Espírito Santo.

Act 16, 11-15 / Jo 15, 26-16, 4

Quando vier o Defensor, que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito da Verdade...

Jesus promete o envio do Espírito Santo, o Paráclito, isto é, o Consolador. Temos necessidade dEle, sobretudo nos momentos difíceis, para não sucumbirmos (EV).

É no momento do Baptismo e, depois na Confirmação, que recebemos este dom de Deus. Assim aconteceu com Lídia, ao receber o Baptismo, juntamente com os seus familiares (LT). Exultemos de alegria, porque Ele apaga a mancha do pecado original e dá-nos a graça santificante. Também O encontramos na vida de Nossa Senhora, desde o princípio; e na Santa Missa, no momento da Consagração.

 

3ª Feira, 11-V:  A verdade sobre a família.

Act 16, 22-34 / Jo 16, 5-11

O carcereiro logo recebeu o Baptismo, juntamente com todos os seus E encheu-se de alegria com toda a família.

O carcereiro, depois da sua conversão, pediu aos Apóstolos que fossem a sua casa e todos receberam o Baptismo (LT). Foi tudo uma consequência da acção do Espírito Santo, que Jesus tinha prometido que enviaria (EV).

Muitos factores estão actualmente a contribuir para uma crise profunda da instituição familiar como, por exemplo, ideologia do género, a pandemia que divide a família, etc. É também necessário que se baptizem, quanto antes, as crianças. Para restaurar a crise familiar, Deus instituiu a Sagrada Família de Nazaré.

 

4ª Feira, 12-V: O despertar da religiosidade.

Act 17, 15. 22- 18, 1 7 jo 16, 12-15

Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens. Encontrei um altar com esta inscrição: Ao deus desconhecido.

O homem sempre procurou Deus através de crenças e comportamentos religiosos. Por isso, podemos dizer que o homem é um ser religioso, pois, na verdade Deus não está longe de nós (LT). Louvem todos o nome do Senhor (SR).

Por vezes, esta religiosidade está oculta. Aproveitemos as ocasiões para falar de Deus, como fez S. Paulo (LT) e invoquemos a ajuda do Espírito Santo: Ele vos guiará para a verdade plena (EV). Nossa Senhora é igualmente um caminho seguro e rápido para chegar até Deus. Para muita gente assim acontece.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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