5º Domingo da Páscoa

2 de Maio de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo – M. Faria, CEC I, pg 145

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Exulta em festa a Igreja, porque é Páscoa e é Domingo. 5º domingo de Páscoa. A Liturgia da Palavra à medida que nos adentra no clima de despedida de Jesus, avança na demonstração do crescimento da Igreja, unida a Jesus Cristo. A alegoria da videira e dos ramos é hoje uma expressão clara da nossa união a Cristo e da comunhão dos cristãos no seu único Senhor.

Neste dia da Mãe, neste mês tão belo, dedicado a Maria, colhemos o amor, como melhor fruto da Páscoa do Senhor. Em cada mãe, podemos contemplar, em carne viva, o rosto daquele amor, “não com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade”. Deixemos enraizar toda a nossa vida, na videira que é Cristo, para que possamos frutificar no amor.

 

 

Aspersão da Água benta (Missal, 1362)

 

Através da aspersão da água, recordemos que somos ramos, enxertados em Cristo pelo Batismo, e que dependemos da graça, da vida e da pessoa do Senhor Jesus, sempre atuante em nós. Só unidos a Ele, daremos frutos que permanecem.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Saulo, o perseguidor de cristãos, encontra-se pessoalmente com Jesus Cristo no caminho de Damasco e agora quer anunciar o Evangelho. Mas não a título pessoal, na comunhão com a Igreja de Jerusalém. É apresentado por Barnabé ao Grupo dos Doze.

 

Actos dos Apóstolos 9,26-31

Naqueles dias, Saulo 27chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos o temiam, por não acreditarem que fosse discípulo. 28Então, Barnabé tomou-o consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como Saulo, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe tinha falado, e como em Damasco tinha pregado com firmeza em nome de Jesus. 29A partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusalém e falava com firmeza no nome do Senhor. Conversava e discutia também com os helenistas, mas estes procuravam dar-lhe a morte. 30Ao saberem disto, os irmãos levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. 31Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e vivendo no temor do Senhor e ia crescendo com a assistência do Espírito Santo.

 

A leitura relata a primeira visita do cristão Saulo a Jerusalém, após a fuga de Damasco, onde a sua vida corria perigo. Há uma correspondência perfeita com os dados que o próprio S. Paulo fornece no início da sua Carta aos Gálatas (Gal 1,19-19). Também a vida do convertido, que não se calava, não estava segura em Jerusalém (v. 30).

27 «Barnabé». Era levita e cipriota; o seu nome de origem aramaica, «bar-nahmá», podia significar «filho da consolação», isto é, o amigo de consolar (também se pode entender como «filho da profecia», isto é, profeta). Foi ele que apresentou Saulo aos Apóstolos, concretamente a Pedro (cf. Gal 1,18) acabando-se assim com o receio de que ele fosse um falso irmão, um espião. Havia de ser o mesmo Barnabé que, passados bastantes anos, após a retirada de Saulo para a sua terra natal, Tarso na Cilícia, o vai buscar para o trabalho apostólico em Antioquia da Síria (Act 11,22-26), grande centro helenista, onde os cristãos tomam este nome e a fé se expande extraordinariamente. Daqui sairá Paulo e Barnabé para a primeira grande viagem missionária

29 «Helenistas». Judeus provenientes da diáspora, isto é, emigrantes de passagem para Jerusalém ou mesmo já retornados que falavam grego e nesta mesma língua liam a Bíblia, em sinagogas próprias.

 

Salmo Responsorial    Salmo 21 (22), 26b-27.28.30.31-32

 

Monição: Este salmo reflete a vocação universal do Povo de Deus, sem fronteiras de qualquer espécie. O Evangelho deve chegar a todos.

 

Refrão:        Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.

 

Ou:               Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multidão.

 

Cumprirei a minha promessa na presença dos vossos fiéis.

Os pobres hão-de comer e serão saciados,

louvarão o Senhor os que O procuram:

vivam para sempre os seus corações.

 

Hão-de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele

todos os confins da terra;

e diante d’Ele virão prostrar-se

todas as famílias das nações

 

Só a Ele hão-de adorar

todos os grandes do mundo,

diante d’Ele se hão-de prostrar

todos os que descem ao pó da terra.

 

Para Ele viverá a minha alma,

há-de servi-l’O a minha descendência.

Falar-se-á do Senhor às gerações vindouras

e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir: «Eis o que fez o Senhor».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Amar, sim. Em obras e em verdade. Fazer bem o bem, pela força do Bem maior, que é a graça de Deus.

 

1 São João 3,18-24

Meus filhos, 18não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. 19Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque, se o nosso coração nos acusar, 20Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o coração não nos acusa, tenhamos confiança diante de Deus 22e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. 23É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. 24Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.

 

19-20 A ideia central é a de uma absoluta confiança em Deus, consequência da nossa filiação divina, de que falava o texto do passado Domingo (1Jo 3,1-3). É assim que, embora a consciência nos possa acusar de pecado, o cristão nunca tem motivo para deixar abalar a sua confiança em Deus, pois o amor de Deus é maior, isto é, supera toda a miséria humana; e, mesmo que não tivéssemos consciência de ter pecado, Ele, que «conhece todas as coisas», não deixaria de nos perdoar, pois despacha favoravelmente «tudo o que Lhe pedirmos» (v. 22; cf Jo 16,26-27); e «a pedra de toque da aceitação da parte de Deus é a boa vontade para «fazer o que Lhe é agradável» (cf. Jo 8,29)» (Ph. Perkins).

23 «Este é o seu mandamento: acreditar […] em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros». A expressão aparece aqui como uma fórmula joanina correspondente ao amar a Deus e ao próximo nos Sinópticos (cf. Mc 12,28-31 par). Há mesmo quem veja nesta fórmula uma síntese da essência do cristianismo, a saber, a fé em Jesus Cristo e o amor fraterno; também podemos ver outra síntese que define o cristianismo como amor, em 1Jo 4,21: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão». O Papa Bento XVI desenvolve este tema que escolheu para a sua primeira encíclica.

24 «Permanece em Deus e Deus nele». A imanência mútua é uma noção típica joanina, que aparece muitas vezes para indicar, mais que uma adesão firme de alma e coração, uma íntima comunhão, uma união vital; daí o aparecer por vezes em contextos eucarísticos (Jo 6,56; cf. 15,4.5.6.7.9.10). Permanecer é uma das palavras-chave tanto no IV Evangelho (cf. Evangelho de hoje: Jo 15,1-8), como nesta Carta (cf. 1Jo 2,6.10.14.24.28; 3,6.17.24; 4,12.13.15.16. Mais ainda, se temos em conta o lugar paralelo do Evangelho de hoje: «Permanecei em Mim e Eu… em vós» (Jo 15,3), pode-se pensar numa actualização destas palavras de Jesus feita na Carta (certamente posterior, por aparecer mais elaborada), constituindo assim o que penso poder classificar-se como um «deraxe cristológico intraneotestamentário», isto é, uma actualização (dentro do N. T.) alusiva à divindade de Cristo, ao actualizar as palavras de Cristo apontando-o como Deus (Muñoz-León, Derash). A permanência no amor implica uma observância dos mandamentos (cf. tb. 1Jo 2,3-8; 5,2-3; Jo 15,9-17; 13,34; 14,15.21).

«E sabemos… pelo Espírito…»: O Espírito Santo também aparece como garantia nos Escritos Paulinos (cf. Rom 8,14; 2Cor 1,22); como nota Muñoz-León, «o dom do Espírito é sinal da Comunhão divina».

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 15, 4a.5b

 

Monição: Uma alegoria que não carece de grandes explicações. É preciso ouvir para entrar na comunhão com as palavras de Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – C. Silva, OC (pg 534)

 

Diz o Senhor: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós;

quem permanece em Mim dá muito fruto».

 

 

Evangelho

 

São João 15,1-8

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. 3Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. 4Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. 5Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. 7Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. 8A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

 

O pano de fundo para esta solene afirmação de Jesus – Eu sou a videira autêntica! – bem poderia ser a representação de uma videira de ouro com ramos e cachos, que, segundo conta Flávio Josefo, estava representada sobre a porta principal do Templo.

1-8 A imagem bíblica da «videira» designava o povo escolhido e tantas vezes infiel (cf. Os 10,1; Is 5,1-7; Jer 2,21; Ez 15,1-8; 19,10-14; Salm 80,9-17). Jesus inaugura um novo povo de Deus, por isso diz que Ele é «a verdadeira» (no sentido de autêntica, em grego, alêthinê) «videira» (cf. Sir 24,17-21), que com os seus discípulos forma uma unidade vital e não uma simples comunidade, como a de Israel, pois nela se vive a própria vida de Cristo (cf. Ef 4,16; 1Cor 12,27; Gal 2,20), em ordem a dar «fruto» para a vida eterna. Esta íntima comunhão exprime-se com o insistente apelo: «permanecei em Mim» (vv. 4.5.6.7). Pode-se mesmo vislumbrar uma alusão à Eucaristia (cf. Jo 6,56); o melhor fruto desta videira seria o vinho eucarístico, que prefigura e antecipa o do banquete escatológico do Reino de Deus (cf. Mc 14,15; 1Cor 11,26). Mas uma tão profunda união pressupõe a purificação, a «poda» (cf. v. 2: o verbo grego katháirei tanto significa podar como purificar). O termo traduzido por vide, ou videira, tanto designa a árvore toda (v. 1), como a cepa ou o tronco (vv. 4-5). Permanecer em Cristo aparece com toda a radicalidade evangélica, como uma questão de vida ou morte: «sem Mim, nada podeis fazer» (v. 5); caso contrário, é-se ramo seco, que não pode dar fruto (v. 4); só serve para ser cortado, ser laçado fora, ser lançado ao fogo (v. 6).

 

Sugestões para a homilia

 

“A glória de meu Pai é que deis muito fruto”! (Jo.15,8)

 

1. “A glória de meu Pai é que deis muito fruto” (Jo.15,8). E que fruto espera de nós o Senhor? Qual é o fruto que verdadeiramente permanece? Caríssimos pais, caríssimas mães, que tendes já uma rica experiência: Olhai, atentamente, para a vossa vida e vede: de tudo o que passa, o que é que fica? De tudo o que produzis, que fruto é que vos sobra? O que é que permanece, depois de tudo aquilo que desaparece? Não permanece o dinheiro! Também os edifícios das nossas casas, não permanecem, mesmo se construídas à prova de bala e pagas com tanto custo! E, por exemplo, os bons livros permanecem? Porventura, mais algum tempo! Mas, depois de um certo tempo, mais ou menos longo, todas estas coisas desaparecem…

 

2. A única coisa, o fruto que permanece eternamente é a pessoa humana, criada por Deus, para a eternidade. Todos nós somos fruto de um pensamento amoroso de Deus. Não somos obra do acaso. Por isso, o fruto que permanece é tudo quanto semeámos nos nossos corações: o amor, o conhecimento, o gesto capaz de tocar e transformar vidas, a palavra que abre à alegria de viver. O que permanece não é, pois, qualquer coisa, obra ou produto do nosso trabalho. É o fruto do nosso amor! O amor é, portanto, o verdadeiro fruto que permanece; o amor é o fruto que Deus espera de nós!

 

3. Neste Dia da Mãe, percebemos isto que estamos a dizer, de maneira muito clara: para uma mãe o melhor fruto da vida são os frutos do amor: são os filhos. E isso não é resultado de nenhum “produto” de trabalho, mas de uma entrega de amor, paciente, noite e dia, amadurecida no ardor e no calor dos afetos e na frescura e na secura das lágrimas. O melhor fruto de uma mãe é o fruto do seu ventre: são os filhos. Vede: o amor de uma mãe não é, pois, resultado de uma profissão produtiva e rentável, mas fruto de uma entrega, que dá vigor aos ramos, que de si dependem: os seus próprios filhos. Os filhos ficam para sempre ligados, como ramos, a esta “videira”. A ligação à Mãe é um mistério, tão profundo, como o da própria vida. Fico sempre surpreendido quando, no extremo da dor ou da agonia, vejo o doente chamar pela mãe. Não chama pela esposa. Não chama pelos filhos. Chama pela Mãe. Por vezes, no limiar que separa a morte da vida nova, chamam pela mãe e dizem que ela veio, em sonhos, dar-lhes uma mão. Nova maternidade, para uma vida nova! A Mãe é um berço de vida, que nunca se desfaz, uma ligação que permanece até à vida eterna.

 

4. Maria, a Mãe de Jesus, que recordamos hoje e neste mês, não comandou nenhuma empresa de sucesso, mas foi – no dizer do evangelho - «a mais feliz» e a mais «bendita entre as mulheres», precisamente “pelo fruto do seu ventre: Jesus”! Dizemo-lo todos os dias ao rezar a Ave-Maria!

 

5. Talvez, por isso, possamos imaginar Nossa Senhora, entre as meninas da sua terra, a dar a mesma resposta que uma criança de 4 anos deu. Perguntava-se às crianças mais pequeninas “o que queriam ser quando fossem grandes”. A pequenina respondeu simplesmente: «eu quando for grande, quero ser mãe”. Ora aqui está, porque é que a glória do Pai, é que demos muito fruto. E a glória de uma Mãe, como a de Maria, é sempre um filho, fruto do seu ventre!

 

Fala o Santo Padre

 

«Se formos íntimos com o Senhor como a videira e os ramos,

seremos capazes de dar frutos de vida nova,

de misericórdia, de justiça e de paz, derivantes da Ressurreição do Senhor.»

A Palavra de Deus, também neste quinto Domingo de Páscoa, continua a indicar-nos o caminho e as condições para sermos comunidade do Senhor Ressuscitado. Domingo passado foi realçada a relação entre o crente e Jesus Bom Pastor. Hoje o Evangelho propõe-nos o momento no qual Jesus se apresenta como a verdadeira videira e convida-nos a permanecer unidos a Ele a fim de dar muito fruto (cf. Jo 15, 1-8). A videira é uma planta que forma um todo com os ramos; e os ramos são fecundos unicamente se estiverem unidos à videira. Esta relação é o segredo da vida cristã e o evangelista João expressa-a com o verbo «permanecer», que no trecho de hoje é repetido sete vezes. «Permanecei em mim», diz o Senhor: permanecer no Senhor.

Trata-se de permanecer com o Senhor para encontrar a coragem de sair de nós mesmos, dos nossos confortos, dos nossos espaços limitados e protegidos, para nos adentrarmos no mar aberto das necessidades dos outros e dar amplo respiro ao nosso testemunho cristão no mundo. Esta coragem de sair de nós mesmos e de nos adentrarmos nas necessidades dos demais brota da fé no Senhor Ressuscitado e da certeza que o seu Espírito acompanha a nossa história. Com efeito, um dos frutos mais maduros que surge da comunhão com Cristo é o compromisso de caridade para com o próximo, amando os irmãos com abnegação de si, até às últimas consequências, como Jesus nos amou. O dinamismo da caridade do crente não é fruto de estratégias, não nasce de solicitações externas, de instâncias sociais nem ideológicas, mas do encontro com Jesus e do permanecer em Jesus. Ele é para nós a videira da qual absorvemos a linfa, ou seja, a “vida” para levar à sociedade uma maneira diversa de viver e de se comprometer, que ponha no primeiro lugar os últimos.

Se formos íntimos com o Senhor como a videira e os ramos são íntimos e unidos, seremos capazes de dar frutos de vida nova, de misericórdia, de justiça e de paz, derivantes da Ressurreição do Senhor. Foi o que fizeram os Santos, aqueles que viveram em plenitude a vida cristã e o testemunho da caridade, porque foram verdadeiros ramos da videira do Senhor. Mas para sermos santos «não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. [...] Todos», todos nós, «somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra» (Exot. ap. Gaudete et exsultate, 14). Todos nós somos chamados a ser santos; devemos ser santos com esta riqueza que recebemos do Senhor ressuscitado. Qualquer atividade — o trabalho e o repouso, a vida familiar e social, o exercício das responsabilidades políticas, culturais e económicas — qualquer atividade, pequena ou grande, se for vivida em união com Jesus e com a atitude de amor e de serviço, é ocasião para viver em plenitude o Batismo e a santidade evangélica.

Nos seja de ajuda Maria, Rainha dos Santos e modelo de comunhão perfeita com o seu Filho divino. Ela nos ensine a permanecer em Jesus, como ramos na videira, e a nunca nos separarmos do seu amor. Com efeito, nada podemos sem Ele, porque a nossa vida é Cristo vivo, presente na Igreja e no mundo.

  Papa Francisco, Regina Coeli, Praça São Pedro, 29 de abril de 2018

 

Oração Universal

 

P. Ao Senhor, nosso Deus, que conhece todas as coisas e é maior que o nosso coração, confiemos as preces do seu Povo, invocando-o por meio do seu Filho e dizendo

 

R. Permanecei em nós, Senhor!

 

1.      Pela Igreja, para que unida a Cristo,

em comunhão de fé, de vida e de amor, goze de paz

e anuncie com firmeza o nome do Senhor, invoquemos:

 

2.      Pelos que governam as nações,

para que realizem em obras e em verdade

o que anunciam por palavras e com a língua, invoquemos:

 

3.      Por todas as mães,

para que ponham toda a sua glória, no fruto bendito do seu ventre

e contem sempre com o apoio da família, da sociedade e do Estado, invoquemos:

 

4.      Por todos nós, para que, assistidos pelo Espírito Santo,

vivamos no temor de Deus e cresçamos na fé, na esperança e na caridade, invoquemos:

 

5.      Por todos os que sofrem as consequências da atual pandemia,

para que Deus nosso Senhor, conceda a cura aos enfermos,

força aos que trabalham na saúde, conforto às famílias

e a salvação a todas as vítimas mortais, invoquemos.

 

P- Senhor, nosso Deus, que cuidais com amor o vosso povo,

atendei-nos ao que vos pedimos com fé, por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O templo de Deus é santo C. Silva, OC, pg 192

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno – COM, (pg 189)

 

Monição da Comunhão

 

Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. Amamos de verdade o Senhor amando como Ele nos amou.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou a verdadeira vide – C. Silva, OC, pg 107

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Vós sois o caminho – J. Santos, NRMS, 42

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Páscoa continua. A Igreja vive a alegria do Senhor Ressuscitado e caminha para a celebração do Dom do Espírito Santo no Pentecostes. Que este Domingo de Páscoa, seja vivido nessa perspetiva do último dia, dos novos céus e da nova Terra. Bom Domingo. Boa Páscoa. Aleluia.

 

«A glória de meu Pai é que deis muito fruto».

 

Ide em paz…

 

Cântico final: Louvai ao Senhor com tudo o que vive e respira – M. Simões, NRMS, 2 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 3-V: SS. Filipe e Tiago, Apóstolos.

1 Cor 15, 1-8 / Jo 14, 6-14

Há tanto tempo que estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem me vê, vê o Pai.

Toda a vida de Jesus é revelação do Pai; as suas palavras e actos, os seus silêncios e sofrimentos, a maneira de ser e falar. Jesus pode dizer: Quem me vê, vê o Pai (EV). E podemos socorrer-nos da meditação dos mistérios do Santo Rosário para chegarmos até Cristo, tal como O viu Nossa Senhora.

Outro modo de conhecer Jesus são os Evangelhos: Recordo-vos do que vos anunciei (LT). Filipe e Tiago foram fiéis ao espírito do Evangelho e procuraram transmiti-lo: A sua notícia chegou até aos confins do mundo (SR).

 

3ª Feira, 4-V: O valor das tribulações.

Act 14, 19-28 / Jo 14, 27-31

E acrescentavam: Através de muitas tribulações é que temos que entrar no reino de Deus.

S. Paulo tinha acabado de ser apedrejado e dado como morto (LT). No entanto, no dia seguinte, ele e outros partiram para outra cidade a anunciar a Boa Nova a outra cidade. Aqueles que vos amam proclamam a glória do vosso nome (SR). Jesus anuncia a chegada do demónio, que nada pode contra Ele (Jesus) (EV).

Para ultrapassarmos os nossos obstáculos e vencermos, temos que recorrer ao Senhor. Pois Ele alcançou a vitória, de uma vez para sempre, entregando-se à morte para nos dar a vida. Recorramos também a Nª Senhora, contra a qual o demónio nada pode.

 

4ª Feira, 5-V: Frutos da união com Cristo.

Act 15, 1-6 / Jo 15, 1-8

Se alguém permanece em mim e Eu nele, esse dará muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revela-nos mais uma realidade misteriosa: uma comunhão mais íntima entre Ele e os que O seguem: Permanecei em mim, como Eu em vós (EV). Isto acontece especialmente na Eucaristia; e, através de sua Mãe, especialmente neste mês de Maio.

Esta comunhão com Ele deve estender-se também ao campo doutrinal. Os Apóstolos reuniram-se em Jerusalém para resolver o problema da circuncisão (LT) e (SR). É muito importante conhecer os ensinamentos do Senhor e dos seus sucessores. Há muitas publicações: o Catecismo da Igreja Católica, os documentos doutrinais dos Papas, etc.

 

5ª Feira, 6-V: A permanência no amor de Deus.

Act 15, 7-21 / Jo 15, 9-11

Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor.

Jesus convida-nos a permanecer no seu amor (EV). Para isso, dá-nos um conselho: imitar o Seu amor. Ao amar os seus até ao fim, manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe.  Os discípulos, ao se amarem uns aos outros, também imitaram o amor de Cristo. Não esqueçamos de permanecer unidos ao amor que nos tem a Mãe de Deus.

O Senhor pede também que guardemos os seus mandamentos, para permanecermos no seu amor (EV). Os Apóstolos pediram a todos os cristãos que permanecessem unidos, seguindo as decisões recentemente tomadas no Concílio de Jerusalém.

 

6ª Feira, 7-V: A verdadeira amizade.

Act 15, 22-31 / Jo 15, 12-17

Não há maior amor do que dar a vida pelos outros.

Jesus explica como se pode viver a amizade com os outros. Em primeiro lugar: dar a vida por eles (EV), com o nosso apoio e dedicação; depois, dar-lhes a conhecer o que sabemos de Deus: dei-vos a conhecer o que ouvi de meu Pai (EV); e finalmente, levar à prática o que Jesus nos ensinou: que vades e deis fruto (EV).

Os Apóstolos enviaram dois discípulos à igreja de Antioquia, com uma carta, para evitar mal entendidos (LT). Assim daremos aos outros o melhor que temos. É o conselho que nos dá a nossa Mãe do Bom Conselho: fazei tudo o que Ele vos disser.

 

Sábado, 8-V: Empenho em dar a conhecer a Boa Nova.

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

Paulo teve de noite uma visão: Um macedónio dirigia-lhe este pedido: faz a travessia para a Macedónia e vem ajudar-nos.

Estas são também as palavras que nos são dirigidas actualmente (LT). É uma súplica de muitas pessoas, que têm fome e sede de Deus, e de uma esperança que não desiluda as suas vidas, tão enganadas com vãs promessas.

Bem tentaram calar Jesus e persegui-lo: Se me perseguiram também vos hão-de seguir a vós (EV), e o mesmo aconteceu a Paulo. Agora procuram ridicularizar os valores cristãos, desprezando a lei de Deus e os seus ensinamentos. O Espírito Santo dar-nos-á forças para cumprir este mandato. Para isso, Ele desceu sobre Nª Senhora e os Apóstolos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       nuno Westwood

Nota Exegética:                Geraldo Morujão

Homilias Feriais:               Nuno Romão

Sugestão Musical:            José Carlos Azevedo

 


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