missa do dia

4 de Abril de 2021

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aleluia, Aleluia. Cristo ressuscitou – J. Santos, NRMS, 02

Salmo 138, 18.5-6

Antífona de entrada: Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.

Ou:

Lc 24, 34; cf. Ap 1, 5

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos o Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, depois de uma longa preparação de quarenta dias – a Quaresma – na qual meditamos os principais mistérios da nossa Fé.

Toda a preparação foi encaminhada para que pudéssemos renovar solenemente na Vigília da noite santa a nossa Aliança baptismal.

Hoje desejamos às pessoas de família e a todos os que encontramos no nosso caminho, uma Páscoa Feliz

Vale a pena perguntar: Que felicidade desejo para os outros e para mim?

Não esqueçamos a felicidade verdadeira não é a embriaguez dos sentidos, mas a intimidade com Deus neste caminhar para o Céu.

 

Acto penitencial

 

(Sugere-se, no Tempo Pascal, que o Ato penitencial seja substituído pela aspersão a assembleia com água lustral, com evocação do Batismo)

 

Ou:

 

No nosso encontro semanal com Jesus Cristo Ressuscitado, na Santa Missa, encontramos sempre muitas coisas de que nos queremos e devemos arrepender.

Vamos fazê-lo agora, para que celebremos com a menor indignidade possível esta renovação do mistério Pascal de Jesus Cristo que é a Santa Missa.

Concretizemos algum ponto da nossa vida em que nos propomos emenda de vida e peçamos para isso a ajuda do Senhor.

 

Confessemos os nossos pecados: Confesso a Deus...

Senhor, tende piedade de nós....

Glória a Deus nas alturas...

 

Oração colecta: Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição de Cristo, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Pedro, na manhã do Pentecostes, fala à multidão que se reuniu junto do Cenáculo e dá um vibrante testemunho sobre a divindade e ressurreição de Jesus.

Não há verdadeira Salvação em mais ninguém, a não ser em Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos.

 

Actos dos Apóstolos 10,34a.37-43

 

Naqueles dias, 34aPedro tomou a palavra e disse: 37«Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. 39Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz. 40Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, 41não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. 42Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. 43É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

 

O texto faz parte do corpo do discurso de Pedro em Cesareia na casa do centurião Cornélio, o qual tinha mandado chamar Pedro a Jope, ilustrado por uma visão (cf. Act 10,1-33). Este discurso tem um carácter mais catequético e apologético do que propriamente missionário, como seria de esperar num primeiro anúncio da fé a um gentio (embora se tratasse dum «temente a Deus»: v. 2). Lucas redige este discurso a pensar mais nos leitores da sua obra, do que com a preocupação de reconstruir exactamente a cena originária e as mesmas palavras pronunciadas naquela circunstância; com efeito, começa por fazer referência ao Evangelho já antes pregado aos ouvintes: «vós sabeis o que aconteceu…», e também parece que dá por suposta a fé no valor salvífico da Cruz (cf. v. 39b), e não termina, como seria de esperar, com um apelo explícito à conversão. Assim, Lucas nos deixou mais uma bela síntese do que era o Evangelho pregado pela Igreja primitiva.

38 «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus». Esta tradução litúrgica desfez a hendíadis tão própria da estilística hebraica (ungiu de Espírito Santo e de fortaleza), recorrendo, por motivo de clareza, a uma equivalência dinâmica, (a força que é o Espírito Santo). Deus (o Pai) concedeu à natureza humana de Jesus todos os dons do Espírito Santo, que Lhe competiam a partir do momento da Incarnação; estes dons manifestam-se visivelmente nos milagres de Jesus, nas teofanias do Baptismo e da Transfiguração e muito particularmente na Ressurreição. A unção era o rito que constituía os reis e os sacerdotes na sua função; assim, a união hipostática em Jesus aparece como uma unção da natureza humana de Jesus, «que passou fazendo o bem e curando a todos» (maravilhoso resumo da vida de Jesus, bem ao sabor do Evangelista da bondade).

41 «Não a todo o povo». Jesus não se mostra a todos depois de ressuscitado, não só para não violentar a liberdade das pessoas, mas também porque está nos planos divinos conduzir o mundo à salvação mediante o ministério dos seus discípulos (testemunhas de antemão designadas por Deus) e mediante a fé, que é meritória (cf. Rom 1,16-17). Note-se o acento que se põe no testemunho acerca da Ressurreição; não estamos apenas perante uns simples pregadores (cf. v. 42a) duma mensagem salvadora, mas diante de verdadeiras testemunhas (cf. v. 42b), que dão testemunho – o verbo grego tem um matiz forense – capaz de fazer fé em tribunal. A ideia de testemunho é fortemente acentuada neste breve texto, não só por ser repetida quatro vezes (vv. 39.41.42.43), mas também por se tratar de testemunhas escolhidas por Deus para esta missão (v. 41), que conviveram com o Ressuscitado, comendo e bebendo com Ele, o que exclui logo à partida a hipótese de se tratar de mera fantasia (Lucas mostra especial sensibilidade a este problema: cf. Lc 24,37-43).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)

 

Monição: O Salmo que o Espírito Santo nos convida a entoar é um cântico de ação de graças pela Ressurreição gloriosa de Jesus.

Que as palavras passem pelo nosso coração agradecido, antes de soarem na nossa garganta e saírem pela boca.

 

Refrão:        Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

 

Ou:               Aleluia.

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Colossos, lembra-nos que o facto de termos ressuscitado com Cristo exige que levemos uma vida nova, cheia de amor e de generosidade.

 

Colossenses 3,1-4  (de manhã)

 

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

 

Com estas palavras é introduzida a parte final da Carta, uma série de exortações morais para que os fiéis tenham um modo de viver coerente com a fé cristã. A sua conduta moral é uma consequência natural da profunda união com Cristo ressuscitado produzida pelo Baptismo recebido.

1 «Aspirai às coisas do alto» corresponde ao mesmo incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Sursum corda! Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós (cf. Rom 6). Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivemos vida de ressuscitados. É a «vida» da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém nos pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixos no Céu.

 

Em vez da leitura anterior pode ler-se a seguinte:

 

1 Coríntios 5,6b-8  (de tarde)

 

Irmãos: 6bNão sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa? 7Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, visto que sois pães ázimos. Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8Celebremos a festa, não com fermento velho nem com fermento de malícia, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.

 

Parece haver aqui (v. 6b) uma referência ao incestuoso de que acaba de falar (vv. 1-5); um mau exemplo é um mau fermento. Mas S. Paulo faz imediatamente uma aplicação mais vasta da ideia de mau fermento, e isto talvez pela proximidade da festa da Páscoa, que já então, pelo ano 55, os cristãos celebravam em Corinto como festa da Ressurreição do Senhor, segundo o que se lê no v. 8: «celebremos pois a festa». Na exortação do Apóstolo há uma alusão ao costume judaico, que ainda hoje se conserva, de limpar escrupulosamente as casas de todo o fermento e pão fermentado durante os sete dias que duravam as festas pascais. Nós os cristãos, para celebrarmos a Páscoa – «Cristo, nosso Cordeiro pascal» (v. 7) –, temos que o fazer sem o fermento (o princípio corruptor) da malícia e da perversidade, mas «com os pães ázimos da pureza e da verdade», isto é, da sinceridade de vida. Poderia haver, nesta referência a Cristo como «Cordeiro imolado», uma alusão à própria celebração da Eucaristia.

 

Sequência

 

À Vítima pascal

ofereçam os cristãos

sacrifícios de louvor.

 

O Cordeiro resgatou as ovelhas:

Cristo, o Inocente,

reconciliou com o Pai os pecadores.

 

A morte e a vida

travaram um admirável combate:

Depois de morto,

vive e reina o Autor da vida.

 

Diz-nos, Maria:

Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo

e a glória do Ressuscitado.

 

Vi as testemunhas dos Anjos,

vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:

precederá os seus discípulos na Galileia.

 

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

tende piedade de nós.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Cor 5, 7b-8a

 

Monição: A santa Igreja do mundo inteiro vive, neste dia de Páscoa, uma alegria extraordinária, pela vitória de Cristo sobre a morte.

Aclamemos o Evangelho que proclama este grande acontecimento, cantando, como os primeiros cristãos, o aleluia.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado:

celebremos a festa do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 20,1-9 (de manhã)

 

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. 2Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». 3Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. 4Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. 5Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. 6Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão 7e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. 8Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. 9Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

 

Nenhum dos quatro Evangelhos narra o momento da Ressurreição de Jesus, pois não foi presenciado por testemunhas; era um facto sobrenatural que, de si mesmo, escapava à experiência humana. E isto só vem dar credibilidade ao facto da Ressurreição, pois, se se tratasse duma ficção, era de esperar que se dessem os seus pormenores. S. João começa com a verificação do túmulo vazio feita pela Madalena, mas vão ser os dois discípulos, que vão fazer o reconhecimento do local e que verificam indícios eloquentes, aptos para levarem à fé na Ressurreição de Jesus.

2 «Não sabemos…». Este plural parece aludir à tradição sinóptica que conhece a ida de mais mulheres ao sepulcro. É evidente que não houve a mínima preocupação de harmonizar os diferentes relatos evangélicos do sepulcro vazio e das aparições, o que é um forte motivo de credibilidade a favor da realidade da ressurreição, facto misterioso, que é a base de toda a fé cristã (cf. 1Cor 15,12-19).

7-8 «Viu e acreditou». Porque começou a crer o discípulo? A explicação habitual é que um ladrão não deixaria ficar os panos, e muito menos em ordem. Mas há mais dados a ter em conta: porque é que o Evangelista atribui tanta importância à diferente posição dos panos? É que as ligaduras e o lençol estavam espalmados no chão da pedra tumular, ao passo que o pano que envolvera a cabeça do Senhor não estava espalmado no chão, mas mantinha a forma da cabeça que envolvera (cf. a nossa tradução na Nova Bíblia da Difusora Bíblica). Não sabemos se Pedro partilhou da fé do Discípulo Amado, mas S. Lucas diz que ficou maravilhado (cf. Lc 24,12). Os panos com que Jesus foi amortalhado eram com toda a probabilidade: 1) um lençol mortuário (síndone), tecido largo e comprido que envolvia todo o corpo; 2) um lenço (sudário) que cobria a cabeça e caia sobre o rosto (e ajudaria a manter a boca fechada); 3) várias ligaduras que não só serviam para manter apertados os pés um contra o outro e as mãos unidas ao corpo, mas também que poderiam ajudar a aconchegar a«síndone» síndone ao corpo. S. João não fala especificamente desta síndone,«síndone» mas deve englobá-la na designação genérica de «ligaduras» (em grego, othónia).

9 «Ainda não tinham entendido a Escritura». Os discípulos não estavam psicologicamente predispostos a admitir a Ressurreição, para que esta pudesse ser fruto de uma alucinação; com efeito, só depois de confrontados com a realidade da ressurreição de Jesus é que se recordaram das Escrituras (cf. 1Cor 15,4; Act 2,24-32; Jo 2,22) e as entenderam. A ressurreição era uma realidade só admissível para o fim do mundo (cf. Jo 11,24), pois, apesar de Jesus ter anunciado a sua ressurreição ao terceiro dia, este só poderia ser o dia final, de acordo com a profecia de Oseias (Os 6,2). Diante do sepulcro vazio, só pensam num roubo (vv. 2.13.15) e não dão crédito a quaisquer notícias das aparições (cf. Mc 6,11.13; Lc 24,21-24; Jo 20,25).

 

Em vez deste Evangelho, pode ler-se o que se leu na Vigília da Noite Santa.

 

Nas missas vespertinas pode ler-se o Evangelho de Lc 24,13-35.

 

São Lucas 24,13-35   (de tarde)

 

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais. Podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições; não temos, porém, elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a maior parte deles regista 60 estádios; outros, de grande valor, têm 160 (o que equivale a uns 32 Km, leitura mais difícil e por isso a mais credível). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã, sendo as mais venerados Al-Qubeibeh, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa e Nicópolis (a árabe Amuás, correspondente aos 160 estádios), a visitada por Bento XVI; a caminho deste local ainda temos Abu-Ghosh (a 12 Km) com a abadia beneditina, o santuário de Nossa Senhora Arca da Aliança e Saxum Visitor Center.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19,25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Klôpás; em Al-Qubeibeh venera-se o seu túmulo.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos». Aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23,56b – 24,9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que «os nossos» são «Pedro e o outro discípulo» (certamente João, cf. v. 12 e Jo 20,1-10). «Mas a Ele não O viram»: se este não é um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro, referida adiante, no v. 34; (cf. 1Cor 15,5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia – a fracção do pão do v. 30 – constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus); Jesus, depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto mesmo nos sucede muitas vezes na vida cristã. Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25,40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia. Com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença». É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real.  Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato também se põe em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus ressuscitou

• A Ressurreição, verdade de fé

 

1. Jesus ressuscitou

 

a) Jesus, nosso Redentor. «Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n’O, suspendendo-O na cruz

Na manhã do Pentecostes, diante da multidão que tinha acorrido ao Cenáculo, atraída pelo ruído que acompanhara a vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e todos os demais que se encontravam ali reunidos, S. Pedro deu um vibrante testemunho sobre Jesus Cristo. «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou.»

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assumiu a nossa natureza humana no seio virginal de Maria, para pagar por nós a dívida contraída por Adão e pelos nossos pecados pessoais; e para nos ensinar e guiar no caminho do Céu.

Viveu cerca de trinta anos exercendo a profissão de carpinteiro com a qual ganhava a vida para si e para os Seus, como qualquer homem do Seu tempo.

Dedicou os últimos três anos da Sua vida a socorrer e a ajudar todos os que vinham ao Seu encontro e a ensinar-nos a viver como bons filhos de Deus, como condição indispensável para nos podermos salvar.

Depois destes três anos, Satanás entrou no coração de algumas pessoas e foram elas o instrumento da Paixão e Morte de Jesus.

Não há salvação em nenhum outro. Ou O seguimos, ou nos perdemos no caminho do Céu.

O Demónio, cheio de inveja e ódio, porque Deus nos chama a sermos felizes com Ele eternamente no Paraíso, não se cansa de nos ensinar falsos caminhos para nos perder e até procura convencer-nos que Deus não existe, ou que não cumprirá o prémio que nos prometeu no fim desta vida.

Enganados por ele, muitos correm atrás de falsos deuses e correm por caminhos errados à procura da felicidade.

São estes os caminhos enganosos que muitos seguem e pelos quais nunca podem chegar ao Céu:

O prazer dos sentidos. Correm por este caminho os que se entregam à sensualidade sob todas as formas; os que se preocupam somente a boa mesa, o álcool e outros alienantes, fazendo da barriga o seu deus.

A mesa e o sexo são as suas únicas preocupações e, por isso, não têm disposição para rezar nem cumprir os Mandamentos e acham que isto basta e não vale a pena lutar para ir para o Céu.

Para estes, Deus e os deveres religiosos são uns intrusos que perturbam ou seu comodismo e, por isso, não rezam, não frequentam os Sacramentos nem guardam os Mandamentos da Lei de Deus, contentando-se com as aparências.

Os bens terrenos. São muitos os que acham que o dinheiro lhes dá tudo o que precisam e, por isso, procuram amealhá-lo, mesmo à custa de passarem sobre a sua consciência.

Deixam-se apanhar pela tentação que o Demónio apresentou a Jesus no Monte da Quarentena: «Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares

A importância social. Há quem procure apenas brilhar diante dos outros, aparecer maiores do que eles, por meio de uma importância artificial.

Perdeu-se Santa Teresa na Serra Nevada, quando ia fundar um mosteiro, com um grupo de carmelitas. De repente, os cavalos estacaram e recusaram-se teimosamente a seguir em frente. Veio então do fundo do vale uma voz que ecoou: «Não é esse o caminho! Ides parar ao abismo!» De facto, saindo fora, com uma débil luz reparam os condutores dos caros de cavalos que bastaria mais um passo para o carro, os cavalos e os passageiros rolarem até ao fundo do vale, feitos em pedaços.

O Senhor, que nos ama, diz-nos precisamente o mesmo: pelo caminho errado não alcançaremos a felicidade mas a perdição eterna.

 

b) Ressuscitou verdadeiramente. «Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos

A Ressurreição de Jesus não é um mito ou lenda. É uma verdade histórica e um grande mistério da nossa fé.

Não é fácil compreender algo deste mistério. Quando Jesus explicava aos Doze que ao terceiro dia ressuscitaria dos mortos, eles ficavam a interrogar-se sobre o que isto queria dizer.

 Em que consiste a Ressurreição gloriosa de Jesus?

Regresso à vida. Jesus morreu cerca das três horas da tarde de Sexta feira Santa e foi sepultado num jardim que havia ali ao lado, num sepulcro novo cavado na rocha.

Preveniu assim todas as possíveis dúvidas sobre a Sua Ressurreição gloriosa:

Um sepulcro novo no qual ainda ninguém tinha sido sepultado. Deste modo, sabe-se que quem ressuscitou na manhã de Páscoa foi o mesmo que tinha sido sepultado.

Cavado na rocha. Isto exclui a possibilidade de alguém ter podido roubar o corpo de Jesus, cavando do lado oposto.

Rolaram uma grande pedra. Eram precisos vários homens e muito trabalho para fazer rolar a pedra.

Sepulcro guardado. Os judeus pediram a Pilatos que mandasse guardar o sepulcro e ele colocou lá guardas.

Com os dotes do Corpo glorioso. Este regresso de Jesus à vida não foi para a que tinha anteriormente. Esta, como a nossa, era mortal, limitada e passível. Jesus ressuscita com o mesmo Corpo que nasceu da sempre Virgem Maria, mas agora está intrinsecamente transformado pelos dotes do corpo glorioso:

Impassibilidade. Não mais pode sofrer. Além disso não tem necessidade de se alimentar, não adoece, nem envelhece, mas guarda uma eterna juventude e perfeição.

Claridade. O Corpo de Jesus Ressuscitado irradia uma luz que deslumbrou e fez cair por terra os guardas do sepulcro.

Agilidade. Jesus move-se com toda a facilidade e com a velocidade que quer. Aparece às santas mulheres junto do sepulcro, naquela mesma manhã. Acompanhou os dois discípulos a caminho de Emaús e logo apareceu aos que se tinham reunido no Cenáculo.

– Subtilidade. Não encontra obstáculos para se mover. Jesus sai do sepulcro sem ser necessário remover a grande pedra que fechava a entrada. Entra no cenáculo com as portas e janelas trancadas por dentro, com medo da agitação que havia em Jerusalém e receio de que os judeus os atacassem no cenáculo.

 Além disso, deixa-se ver apenas por quem quer. Assim, apareceu diversas vezes, mas não viam passar, como outrora, pelos caminhos da Terra Santa.

Em Fátima, as pessoas que estavam junto da azinheira não viram Nossa Senhora, mas só os três Pastorinhos.

De uma vez para sempre. A vida de um copo glorioso é definitiva, para sempre. Nunca mais será alterada.

Foi assim que os Pastorinhos de Fátima viram Nossa Senhora gloriosamente ressuscitada sobre a azinheira. Estava muito perto deles, porque a azinheira só tinha cerca de um metro de altura.

 

c) Testemunhas da Ressurreição. «Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados

Pedro dirige um vibrante testemunho sobre Jesus Cristo, à multidão que se reuniu junto do Cenáculo.

Cada um de nós é também chamado a dar este mesmo testemunho junto das pessoas que vivem ao nosso lado.

Pela alegria. Alguém discutia com um ator célebre de cinema e atirou-lhe à cara como argumento final a afirmação: “O vosso Deus morreu!” E logo o nosso ator: “É verdade, mas ressuscitou!”

Nós não seguimos umas ideias belas, um ideal apaixonante, mas Alguém que vive, que é nosso Amigo e com quem vamos a caminho do Céu.

Não tempos, portanto razão para andar tristes, resmungões, pessimistas e desanimados. O nosso canto pascal é o aleluia.

Pela vida coerente. Na peça teatral O processo de Jesus, de Diego Fabri, em determinada altura, em que os personagens investigam se Jesus era ou não verdadeiro Deus, os diversos factos miraculosos apresentados vão sendo desvalorizados por uma visão racionalista, até que Pedro apresenta com prova irrefutável a ressurreição de Lázaro morto há quatro dias.

Então, perante o silêncio comprometedor do adversário, Pedro lança-lhe um desafio: “Explica agora, se podes!”

Há um momento de embaraço, até que o outro argumenta vitorioso: “Tu viste a ressurreição de Lázaro? Acreditas firmemente que Jesus Cristo é Deus? Entoa... por que O negaste?”

Uma falta de coerência entre o que se acredita e o que se faz deita por terra o melhor testemunho.

Quem acredita na ressurreição de Jesus segue-O sem hesitar, a caminho do Céu. Desfazer com o exemplo o que se proclama com a palavra não vale.

A coerência exige que sejamos leais a Jesus Cristo na vida, alegres, optimistas e preocupados, como Ele, pela salvação das outras pessoas. 

 

2. A Ressurreição, verdade de fé

 

a) A surpresa da Ressurreição. «No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram”.»

Nem os Apóstolos, nem as santas mulheres, estavam a contar com a Ressurreição gloriosa de Jesus. Jesus morreu às três horas da tarde e um pouco depois das cinco caía a noite. Depois da morte de Jesus, na tarde de Sexta-Feira Santa, não puderam preparar o Seu Corpo para a sepultura, porque tiveram de fazer antes muitas diligências: decidir onde O sepultariam, conseguir que Pilatos permitisse tirar o Corpo da Cruz, comprar um lençol, etc.

O velório de Jesus. Há na igreja do Santo Sepulcro uma pedra sempre com muitas velas acesas. Ali, segundo a tradição, esteve deitado o Corpo de Jesus velado por Sua Mãe, enquanto várias pessoas faziam esta diligências.

Envolveram num grande lençol o Corpo do Senhor, colocaram-lhe sobre os olhos, como era uso, duas pequenas moedas, para que se mantivesse fechados, e assim O depuseram no sepulcro, sem O terem lavado do Sangue.

Partiram apressadamente para casa, porque às cinco e pouco da tarde, depois do sol posto, começava um dia de descanso rigoroso: o sábado pascal.

Ao encontro de um Morto. Na madrugada de domingo de Páscoa, terminado já o descanso rigoroso, estas santas mulheres começaram as diligências para preparar definitivamente o Corpo de Jesus para a sepultura, como qualquer outro. Compraram um novo lençol – o que usaram na sexta feira estava todo manchado de Sangue –, ligaduras e uma grande quantidade de perfumes para O embalsamar.

Quando depararam com a pedra do sepulcro retirada da frente e não viram o Corpo do Senhor, pensaram imediatamente num roubo e alarmaram-se.

A primeira queixa que fazem junto dos Apóstolos é que o Corpo de Jesus tinha sido levado. Naquele ambiente doloroso em que tinham sofrido tanto, a única hipótese que lhes ocorreu é que tinham roubado o cadáver.

Foi esta notícia alarmante que fez correr Pedro e João para o Horto. João era mais novo e, correndo, chegou em primeiro lugar, mas não entrou, por respeito a Pedro, que fora escolhido para Chefe visível da Igreja.

Jesus Ressuscitado aparece-lhe. Madalena ficou um pouco para trás, enquanto as outras santas mulheres iam ao Cenáculo queixarem-se aos Apóstolos, quando Jesus ressuscitado se lhe manifestou, nem pela cabeça lhe passou que podia ser o mestre ressuscitado. Tomou-O pelo jardineiro do Horto.

Os Apóstolos aderiram facilmente ao boato do roubo, porque também não estavam a contar com a Ressurreição. Levou o seu tempo até que se convencessem de que o mestre ressuscitara verdadeiramente.

 

b) Cremos na Ressurreição. «Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. [...]. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte

A situação dos Apóstolos era muito insegura e dolorosa. Tinham deixado a família, o trabalho profissional e a sua terra, para seguirem jesus. Nele estava toda a sua esperança.

Da desolação à esperança. Mas eis que a morte d’Ele, na tarde de Sexta feira Santa deixa-os mergulhados na angústia e sem saberem o que fazer. Alguns refugiam-se no cenáculo, sem saberem que rumo dar à vida, enquanto revivem o que acaba de acontecer ao Mestre. Parecia que tudo tinha ruído e acabara sem qualquer esperança de futuro.

A notícia do túmulo encontrado vazio que as santas mulheres trouxeram ao Cenáculo, deixou-os perturbados, mas não crentes.

Os primeiros a fazer um exame sério e cuidadoso ao sepulcro, para tentar perceber o que tinha acontecido, foram Pedro e João.

O cuidado com que fora arrumado o lenço que estivera sobre o rosto de Jesus convenceu-os de que não tinha havido roubo, de outro modo teria ficado tudo em desordem.

Uma mensagem de alegria. Havia no tempo de Jesus uma tradição. Quando o amo de uma casa se levantava da mesa e deixava o guardanapo ou lenço enrolado, queria dizer que tinha terminado a refeição; se dobrava o guardanapo ou lenço, queria dizer voltaria em breve. Talvez Jesus tenha querido deixar-lhes este sinal como que a dizer aos Apóstolos que se encontrariam em breve.

Talvez por isso, Pedro e João viram no lenço dobrado mais um sinal de que Jesus estava vivo e iriam encontrar-se em breve.

Pedro e João voltam para o Cenáculo e voltam a fechar-se nele, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

Ao cair da tarde, estão fechados com as portas e janelas trancadas por dentro, com medo dos judeus, porque a cidade está muito agitada, por causa da morte de Jesus.

Jesus, cheio de misericórdia, aparece-lhes, deslumbrando-os com a luz e beleza da ressurreição gloriosa e anuncia-lhes que ressuscitou. É Ele mesmo que está ali.

É uma notícia tão bela que precisam de algum tempo para acreditar nela e recomeçar uma vida de esperança e alegria.

 

c) Verdade fundamental da fé. «Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos

Jesus manifesta, desde o primeiro momento, uma grande preocupação em convencer os Apóstolos, as santas mulheres e os discípulos, da veracidade da Sua Ressurreição, porque ela é uma verdade fundamental da nossa fé cristã. 

Aparece às santas mulheres, vai ao Cenáculo, acompanha os dois discípulos de Emaús, volta a aparecer de aí a oito dias, por causa da dúvida de Tomé, aparece aos discípulos junto do lago e toma uma refeição com os Onze.

Deseja também que a fé na Sua Ressurreição gloriosa seja o fundamento da nossa fé.

Seguimos a Cristo vivo. Nós não estamos agarrados à Bíblia, embora tenhamos a maior veneração por ela, porque nos ensina o que Deus nos quis dizer; nem andamos atrás de uma doutrina muito bonita e muito atraente. Nós seguimos uma Pessoa viva, imortal, Jesus Cristo vivo.

Ele acompanha-nos na vida, e continua a realizar maravilhas em nosso favor, na Igreja; está vivo como no Céu nos nossos Sacrários e aí podemos encontrá-l’O e falar-Lhe.

Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé (S. Paulo), porque andamos atrás de fantasmas, chios de falsas esperanças.

Daí que temos de fazer uma escolha: ou acreditamos que Cristo ressuscitou e vive connosco, ou a nossa fé não tem qualquer sentido.

Também ressuscitaremos. Custa-nos ver os corpos das pessoas da nossa família, conhecidas e amigas descerem à sepultura e sabermos que dentro de pouco tempo, tudo aquilo ficará reduzido a pó.

Mas a fé ensina-nos que, no fim do mundo, o nosso corpo há-de ressuscitar glorioso e imortal, unir-se-á à alma e estaremos felizes com Deus e com todos os bem-aventurados para sempre na glória.

Estamos com Ele em cada Domingo. Como aos Apóstolos no Cenáculo e às santas mulheres junto do sepulcro, Jesus quer fortalecer a nossa fé na Sua Ressurreição, encontrar-se connosco para nos ensinar a doutrina e fortalecer com o Seu Corpo e Sangue.

Para isso, instituiu um encontro semanal connosco no primeiro dia da semana. O Domingo é a Páscoa semanal.

Foi Jesus Cristo que instituiu o Domingo: Ressuscitou ao Domingo, neste mesmo dia apareceu às santas mulheres junto do sepulcro, foi ao Cenáculo para confortar os Apóstolos e resolveu as dúvidas e hesitações dos dois discípulos de Emaús.

Oito dias depois, no Domingo, voltou ao cenáculo para Se encontrar com Tomé.

Escolheu um Domingo para que o Espírito Santo descesse sobre Nossa Senhora e a Igreja nascente no cenáculo, na manhã do Pentecostes.

Os primeiros cristãos compreenderam e acolheram esta escolha feita pelo Divino Mestre.

Nossa Senhora escolheu o Domingo para começar a aparecer em Fátima; e quando, em 13 de agosto, os Pastorinhos foram levados para Vila Nova de Ourém e não puderam estar com Ele, Maria escolheu o Domingo seguinte, 19 de agosto, para se encontrar com eles.

Agradeçamos o dom do Domingo e façamos dele o dia do Senhor, dia da família e dia da caridade.

 

Missa da Tarde

 

Atos 10, 34a. 37-43

I Cor 5, 6b-8.

Lc 24, 13-35.

 

• O desânimo e a desilusão

• O recomeço da alegria

 

S. Pedro, na casa do Centurião romano Cornélio, de Cesareia, onde foi conduzido pelo Espírito Santo, depois da visão que teve no terraço da casa de Simão Curtidor, em Jope, dá um vibrante testemunho sobre a Jesus que passou na terra fazendo o bem e foi morto, mas ressuscitou ao terceiro dia. Ele é o Messias prometido aos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento e não há salvação em mais nenhum outro.

S. Paulo, na primeira Carta aos fiéis de Corinto, pede-lhes que se purifiquem do velho fermento da malícia e perversidade, mas com os pães ázimos pascais da pureza e da verdade.

S. Lucas conduz-nos ao Domingo da Ressurreição à tarde e convida-nos a acompanhar Jesus Cristo Ressuscitado a caminho de Emaús, a uns 12 quilómetros de Jerusalém.

 

O desânimo e a desilusão

 

Pela conversa que tiveram com Jesus, ficamos a saber que estão profundamente desanimados e desiludidos.

São dois discípulos que tinham acompanhado Jesus na Sua vida pública

Razões da desilusão. Quando nos deixamos cair na desilusão, encontramos muitas razões para nos justificarmos.

É um deles que, ao explicar a Jesus a razão do seu desânimo, nos dá conta da razão porque estão desiludidos.

– Agarraram-se a uma falsa esperança. «Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.» Não andamos também atrás de falsas esperanças? Queremos um Céu na terra: a saúde, o bem estar económico... e esquecemo-nos de que o mais importante é seguir na barca da Igreja até às portas do Céu.

Que pedimos nas nossas orações? Sobre que fazemos as nossas promessas? Quais são os desejos habituais que alimentamos?

Temos de confessar que muitas vezes erramos nas nossas esperanças, quando uma só coisa é necessária.

Além disso, parece-nos que Deus tem obrigação de satisfazer todos os nossos caprichos, mesmo que não agradem a Deus.

– Não aceitaram a mediação da Igreja na sua fé. Esta atitude chama-se soberba. «afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo.»

Uma pessoa que recusa a ajuda que Jesus deixou na Igreja – falta sem razão à Missa dominical, onde temos o encontro com Jesus ressuscitado, dispensa a confissão e a comunhão bem feita e acha que fazer oração é perder tempo, recusa toda a ajuda que Jesus Cristo lhe quer dar na sua Igreja.

Em geral, estas pessoas acabam por tentar justificar-se com desculpas que não são desculpa. Assim fizeram os dois discípulos de Emaús. «Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram

A verdadeira razão. Refletindo nas Palavras de Jesus – Caminho, Verdade e Vida – chegamos à conclusão de que não tinham razão para desanimar.

O querer deles não acerta pelo querer de Deus a seu respeito.

A causa dos nossos desânimos. É também esta a causa dos nossos desânimos e queixas.

– Deus não quer atuar diretamente em cada pessoa, mas pede a mediação das pessoas. Recusamos a ajuda que o Senhor nos dá por meio daqueles que pôs à frente da Sua Igreja.

Aquele conselho de um amigo que te fez murmurar orgulhosamente “Olha por quem Deus me manda avisar...”; aquela insistência para que te confesses com mais frequência, para que rezes mais... não tem como finalidade aborrecer-te, mas ajudar-te.

 

O recomeço da alegria

 

Com paciência divina, Jesus explica-lhes, à luz do que estava profetizado no Antigo Testamento, aquilo que acaba de acontecer. Era este o caminho querido por Deus. «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?»

Embora as palavras de Jesus sejam uma repreensão corajosa e amiga, eles gostam, como hão-de confessar mais tarde um ao outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?».

Agora acreditam. Os seus olhos míopes abriram-se depois de terem recebido o Corpo e Sangue do Senhor. Depois do desaparecimento de Jesus, sentem necessidade de partir nessa mesma noite – tinham andando cerca de doze quilómetros e iam andar outros doze – ao encontro dos outros discípulos para lhes darem testemunho de que Cristo tinha Ressuscitado de verdade.

Anunciam a alegria do Evangelho. Cumprem esta missão com alegria e recebem também dos Apóstolos o testemunho sobre a Ressurreição de Jesus.

A fé recebida no Batismo e alimentada na Igreja é uma luz para orientar os nossos passos e iluminar o caminho das outras pessoas.

Difundimos esta luz com um bom conselho, uma atitude de fé na vida, perante uma dificuldade, e sempre com a alegria do anúncio do evangelho.

Peçamos perdão ao Senhor das nossas hesitações, dúvidas e amuos, no caminho da fé de cada dia.

Aquele que esconde a luz da fé recebida, debaixo do alqueire, e não a põe a brilhar na sua vida, iluminando os familiares e amigos, arrisca-se a que ela vá perdendo brilho e acabe por se apagar.

Que Nossa Senhora, na alegria da Ressurreição de Jesus, nos anime e ajude a sermos bons discípulos do seu Divino Filho.

 

Fala o Santo Padre

 

«João e Pedro foram à pressa ao sepulcro. E eu, hoje, nesta Páscoa, o que faço? E tu, o que fazes?»

Depois da escuta da Palavra de Deus, deste trecho do Evangelho, quero dizer três coisas.

Primeiro: o anúncio. Está ali um anúncio, o Senhor ressuscitou! Aquele anúncio que, desde os primeiros tempos dos cristãos, corria de boca em boca; era a saudação: o Senhor ressuscitou! E as mulheres, que foram ungir o Corpo do Senhor, depararam-se com uma surpresa. A surpresa... Os anúncios de Deus são sempre surpresas, porque o nosso Deus é o Deus das surpresas. Foi assim desde o início da história da salvação, desde o nosso pai Abraão, Deus surpreende-te: «Mas vai, vai, deixa, parte da tua terra e vai». E há sempre uma surpresa atrás da outra. Deus não sabe fazer um anúncio sem te surpreender. E a surpresa é aquilo que comove o teu coração, que te toca precisamente ali, onde não esperas. Usando a linguagem dos jovens, a surpresa é um golpe baixo; não a esperas. E Ele vem e comove-te. Primeiro: o anúncio que se torna surpresa.

Segundo: a pressa. As mulheres correm, vão à pressa e dizem: «Mas encontramos isto!». As surpresas de Deus põem-nos a caminho, imediatamente, sem esperar. E assim correm para ver. E Pedro e João correm. Os pastores, naquela noite de Natal, correm: «Vamos a Belém, para ver aquilo que nos disseram os anjos». E a Samaritana corre para dizer à sua gente: «Esta é uma novidade: encontrei um homem que me disse tudo o que eu fiz». E as pessoas sabiam o que ela tinha feito. E aquelas pessoas correm, deixam o que estão a fazer, até a dona de casa deixa as batatas na panela — encontrá-las-á queimadas — mas o importante é ir, correr, para ver aquela surpresa, aquele anúncio. Também hoje acontece. Nos nossos bairros, nos povoados, quando acontece algo extraordinário, as pessoas correm para ver. Ir depressa. André não perdeu tempo e, à pressa, foi ter com Pedro para lhe dizer: «Encontramos o Messias». As surpresas, as boas notícias, dão-se sempre assim: depressa. No Evangelho há alguém que hesita; não quer arriscar. Mas o Senhor é bom, espera por ele com amor, é Tomé. «Acreditarei quando vir as chagas», diz. O Senhor tem paciência também com quantos não vão com muita pressa.

O anúncio-surpresa, a resposta apressada e a terceira coisa que gostaria de vos dizer hoje é uma pergunta: e eu? Tenho o coração aberto às surpresas de Deus, sou capaz de ir apressadamente ou estou sempre com aquela choradeira: «Mas, verei amanhã, amanhã, amanhã?». O que me diz a surpresa? João e Pedro foram à pressa ao sepulcro. De João, o Evangelho diz-nos: “Acreditou”. Também de Pedro: “Acreditou”, mas à sua maneira, com uma fé misturada a remorso por ter renegado o Senhor. O anúncio que se faz surpresa, a corrida/ir à pressa, e a pergunta: e eu, hoje, nesta Páscoa de 2018, o que faço? E tu, o que fazes?

Papa Francisco, Homilia, Praça São Pedro, 1 de abril de 2018

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Elevemos ao Pai do Céu as nossas súplicas,

para que a luz esplendorosa do Seu Filho

inunde de alegria a terra inteira.

Oremos (cantando), com a alma em festa:

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

1. Pela santa Igreja de Deus, presente em toda a terra a celebrar a Páscoa,

    para que viva cada vez mais fielmente a alegria pascal de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

2. Pelos fiéis dispersos pelo mundo, a anunciar aos homens que Jesus vive,

    para que a Ressurreição de jesus dê novo impulso à sua vida baptismal,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

3. Pela humanidade inteira, à procura do caminho da verdadeira felicidade,

para que receba com alegria o anúncio de que em Jesus Cristo está a paz,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

4. Pela nossa comunidade paroquial, pelos seus doentes e pelos idosos

    para que em cada lar se viva a santa Páscoa e aí se acolham os pobres

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

5. Pelos jovens que procuram, sem descanso a verdadeira felicidade,

    para que a encontrem na amizade fiel com o Senhor Ressuscitado,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

5. Pelos fiéis que já partiram desta vida na esperança da ressurreição,

    para que celebrem este banquete no Paraíso, pelos séculos sem fim,

    oremos, irmãos.

 

    Pela Ressurreição do vosso Filho,

    ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai do Céu,

que, na Ressurreição do vosso Filho,

destes ao mundo a maior das vossas bênçãos,

concedei a cada um dos vossos fiéis

a graça da verdadeira renovação pascal.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Os dois Apóstolos, cumprindo um mandato de Jesus, foram com antecedência preparar tudo para a Última Ceia: também o pão e o vinho que o Mestre iria consagrar durante a Ceia.

Também neste momento o sacerdote prepara tudo para que, no momento próprio, Jesus, pelo ministério do sacerdote, possa transubstanciar o pão e o vinho no Corpo e Sangue do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Nasceu o Sol da Páscoa – M. Luís, NRMS, 21

 

Oração sobre as oblatas: Exultando de alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.

Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Saudação da Paz

 

Jesus conquistou para o mundo, pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição, o segredo da verdadeira paz.

Na união com Jesus Cristo encontraremos a verdadeira paz e alegria entre todas as pessoas de boa vontade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Quando comungamos, recebemos Jesus Cristo Ressuscitado, verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está nos Céus.

Peçamos ao Senhor Sacramentado que guarde o nosso corpo e alma sempre na Sua graça, até à vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: O hino da alegria – M. Faria, NRMS, 21

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da verdade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Neste dia que o Senhor fez – B. Salgado, NRMS, 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Demos testemunho de Cristo ressuscitado no nosso dia a dia, imitando-O, sobretudo, na solicitude em ir consolar os que estavam tristes no Cenáculo e nos caminhos de Emaús.

 

Cântico final: O Senhor ressuscitou verdadeiramente – M. Faria, NRMS, 25

 

Na despedida, durante toda a Oitava, diz-se:

 

V. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

R. Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL - OITAVA

 

2ª FEIRA, 5-IV: A Ressurreição e a nossa alegria

Act 2, 14. 22-32 / Mt 28, 8-15

Pedro: Mas como David era profeta, viu de antemão e anunciou a ressurreição do Messias.

No dia de Pentecostes, Pedro recorda a profecia de David acerca da ressurreição de Cristo (LT). E as Santas mulheres foram as primeiras a encontrar-se com o Ressuscitado, e também foram as primeiras mensageiras da Ressurreição junto dos Apóstolos (EV).

Jesus ressuscitado é a causa da nossa alegria, porque venceu o pecado e a morte. Por isso, o meu coração se alegra e a minha alma exulta (SR). Se aparecer o desânimo, procuremos a sua companhia. E demos testemunho, como as Santas mulheres, da nossa alegria a todos os que nos rodeiam.

 

3ª Feira, 6-IV: A Ressurreição e a conversão.

Act 2, 36-41 / Jo 11-18

Disse-lhe Jesus: Mulher, por que estás a chorar?

No dia de Pentecostes, Pedro comove os seus ouvintes ao falar da paixão de Cristo (LT). Maria Madalena chora intensamente junto do túmulo de Jesus, porque tinha desaparecido o seu corpo (EV). E os discípulos perguntam: O que havemos de fazer? Aceitaram as palavras de Pedro e baptizaram-se cerca de três mil pessoas.

É Deus quem nos dá a coragem para recomeçarmos. O nosso coração abatido, pelo desânimo e pelo pecado, descobre a misericórdia de Deus e converte-se. Os olhos do Senhor estão voltados para os que esperam a sua bondade (SR).

 

4ª Feira, 7-IV: A fortaleza vem de Deus.

Act 3, 1-10 / Lc 24, 13-35

Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho vou dar-te: Em nome de Jesus de Nazaré, anda!

Pedro cura um homem coxo, dando-lhe a força de Deus (LT), e ele começa a andar de novo. Jesus encontra dois discípulos desorientados e dá-lhes o alimento da Palavra de Deus e o Pão eucarístico (EV), e eles recomeçam, cheios do fogo do amor de Deus.

Já sabemos onde procurar a força para recomeçarmos a andar pelos caminhos de Deus. Procurai o Senhor e o seu poder (SR). Por um lado, é preciso rezar mais e pedir ajuda a Deus. Por outro lado, procuremos participar na Eucaristia: o Pão e a Palavra são indispensáveis para ultrapassarmos os desânimos.

 

5ª Feira, 8-IV: Deus concede-nos a sua paz.

Act 3, 11-26 / Lc 24, 35-48

E Jesus disse-lhes: Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dos mortos.

Para explicar o milagre da cura do homem coxo, Pedro fala da morte e Ressurreição de Cristo, e pede-lhes a conversão (LT). Jesus aparece aos discípulos e abre-lhes o entendimento com a mesma finalidade (EV).

E, ao começo deste encontro, começa por dar-lhes a paz. A paz esteja convosco (EV). A paz é um dos grandes dons do Ressuscitado. A paz terrena é apenas imagem e fruto da paz de Cristo. Na Santa Missa recebemos essa paz: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Procuremos difundir esta paz do Senhor no nosso ambiente familiar e profissional.

 

6ª Feira, 9-IV: Em nome do Senhor.

Act 4, 1-12 / Jo 21, 1-14

Pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré é que este homem se encontra na vossa presença, perfeitamente são.

Pedro explica aos chefes do povo, aos anciãos e aos escribas, o milagre do homem coxo: Em nome de Jesus Cristo (LT). A pesca milagrosa também se leva a cabo pelo mesmo poder: Pedro lança as redes conforme o Senhor lhe indicava (EV). Bendito o que vem em nome do Senhor (SR).

Para que haja muitos frutos na vida corrente continua a ser necessário recorrer ao nome do Senhor, para que haja um modo de vida cristã implantado na família, na escola, na comunicação social, no mundo da cultura, do trabalho, da economia, etc.

 

Sábado, 10-IV: O mandato de Cristo.

Act 4, 13-21 / Mc 16, 9-15

Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas.

O milagre da cura do homem coxo continua a preocupar as autoridades, de modo que proíbem terminantemente os Apóstolos de falarem nisso (LT). Mas estes, seguindo o mandato de Cristo: Ide por todo o mundo (EV), não podem deixar de dizer o que viram e ouviram (LT). Hei-de viver para anunciar as obras do Senhor (SR).

A despedida no fim da Missa constitui um mandato, que leva o cristão a empenhar-se na propagação do Evangelho e na presença cristã da sociedade. Actuemos como os Apóstolos, apesar das proibições que ouvimos: não falem dos vossos valores num estado laico, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 

 


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