PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

VIGÍLIA PASCAL

3 de Abril de 2021

 

No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte. Abstém-se do sacrifício da Missa (a mesa sagrada continua despida) até ao momento em que, depois da solene Vigília ou expectativa nocturna da ressurreição, se dará lugar à alegria pascal, que na sua plenitude se prolonga por cinquenta dias.

Neste dia não é permitido distribuir a sagrada comunhão, a não ser como viático.

 

VIGÍLIA PASCAL

 

Coisas a preparar

 

1. Círio pascal: tocheiro (para o círio); 5 grãos de incenso; estilete; material para a fogueira; turíbulo; fogareiro ou fogueira para aceder, com brasas; incenso; velas para os ministros e fiéis.

 

2. Campainhas e preparação para o roque dos sinais ao Glória.

3. Livros litúrgicos próprios; música para o canto do precónio pascal; paramentos brancos.

4. Leitores e salmistas.

5. Preparação do Baptistério (ou água num recipiente digno); coisas necessárias para os Baptismos (se os houver); caldeirinha e hissope para a aspersão.

6. Pão e vinho para a Liturgia Eucarística.

7. Alguém que tome o encargo de apagar e acender as luzes.

8. Foco para a leitura, etc.

9. Amplificação sonora.

 

Segundo uma antiquíssima tradição, esta é uma noite de vigília em nome do Senhor (Ex 12, 42), noite que os fiéis celebram, segundo a recomendação do Evangelho (Lc 12, 35 ss.), de lâmpadas acesas na mão, à semelhança dos servos que esperam o Senhor, para que, quando Ele vier, os encontre vigilantes e os faça sentar à sua mesa.

A Vigília desta noite ordena-se deste modo: depois de um breve lucernário (primeira parte), a santa Igreja medita nas maravilhas que o Senhor, desde o princípio dos tempos, realizou em favor do seu povo confiante na sua palavra e na sua promessa (segunda parte: liturgia da palavra), até ao momento em que, ao despontar o dia da ressurreição, juntamente com os novos membros renascidos pelo Baptismo (terceira parte), é convidada para a mesa que o Senhor, com a sua morte e ressurreição, preparou para o seu povo (quarta parte).

Toda a celebração da Vigília Pascal se realiza de noite, isto é, não se pode iniciar antes do anoitecer do Sábado e deve terminar antes do amanhecer do Domingo.

A Missa da Vigília Pascal, ainda que termine antes da meia noite, é a Missa pascal do Domingo da Ressurreição. Quem participar nesta Missa pode comungar de novo na segunda Missa da Páscoa.

Quem celebrar ou concelebrar a Missa da Vigília pode celebrar ou concelebrar de novo na segunda Missa da Páscoa.

O sacerdote e os ministros revestem-se, desde o princípio, com paramentos brancos, como para a Missa.

Preparam-se velas para todos os que tomam parte na Vigília.

 

 

Primeira parte

Solene início da Vigília ou Lucernário

 

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Vigília Pascal é a “mãe de todas as vigílias” que celebramos durante o ano litúrgico.

Revivemos a libertação dos hebreus da escravidão do Egito. Eles passaram através das águas do Mar Vermelho, da escravidão, para a liberdade.

Tudo isto era uma figura da verdadeira libertação que alcançamos em Jesus Cristo. Passamos da escravidão do pecado dos nossos primeiros pais e dos que cometemos pessoalmente, através das águas do Baptismo, para a liberdade de filhos de Deus, a caminho da verdadeira Pátria.

E assim como os Hebreus, alcançada a liberdade, iniciaram uma caminhada pelo deserto até à Terra da Promissão, também nós seguimos pelos caminhos do deserto da vida até ao paraíso, a Jerusalém celeste, onde seremos felizes para sempre.

Evocamos também os nossos irmãos na fé que, na Igreja primitiva, passavam a noite inteira em vigília de oração e escuta da Palavra de Deus, à espera da Ressurreição de Jesus, o sol que se levanta na noite do mundo, para nunca mais ter ocaso.

Temos presentes os cristãos da Igreja do silêncio — na China, na Coreia do Norte, no Laos, na Nigéria, na república Centro Africana, em Moçambique e em muitos outros países, muçulmanos ou não, — que a esta mesma hora celebram a Vigília Pascal às escuras, escondendo-se dos perseguidores.

Celebramos todas estas maravilhas na nossa Vigília Pascal e vivemos em comunhão com os cristãos do mundo inteiro.

Preparemo-nos já para esta celebração festiva em que vamos renovar as promessas do Baptismo, ao longo de toda a caminhada quaresmal.

 

Bênção do fogo

 

As luzes da igreja devem estar apagadas.

Fora da igreja, em lugar apropriado, acende-se o lume. Reunido o povo nesse lugar, o sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, um dos quais leva o círio pascal.

 

Monição: O fogo aparece na Sagrada Escritura como revelador do poder de Deus. Moisés contempla, no Sinai, a sarça ardente que não se consome.

Na Vigília Pascal o lume novo é o símbolo de Cristo Ressuscitado que ilumina a noite do mundo com a luz da Ressurreição.

Com o lume novo se acende o Círio Pascal que ficará a arder junto do ambão, onde é proclamada a Palavra de Deus, durante todo o Tempo Pascal.

 

Onde não for possível acender o fogo fora da igreja, o rito será como se indica no n. 13.

O sacerdote saúda o povo na forma habitual e faz uma breve admonição sobre o significado desta vigília nocturna, com estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Nesta noite santíssima, em que Nosso Senhor Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos, dispersos pelo mundo, a reunirem-se em vigília e oração. Vamos comemorar a Páscoa do Senhor, ouvindo a sua palavra e celebrando os seus mistérios, na esperança de participar no seu triunfo sobre a morte e de viver com Ele para sempre junto de Deus.

 

Em seguida, benze-se o fogo:

 

Oremos.

Senhor, que por meio do vosso Filho destes aos homens a claridade da vossa luz, santificai este lume novo e concedei-nos que a celebração das festas pascais acenda em nós o desejo do céu, para merecermos chegar com a alma purificada às festas da luz eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Do fogo novo acende-se o círio pascal.

 

Preparação do Círio

 

Se a mentalidade do povo o aconselhar, pode ser oportuno realçar a dignidade e o significado do círio pascal mediante alguns símbolos. Isto pode fazer-se do seguinte modo:

Depois da bênção do lume novo, um acólito ou um dos ministros apresenta o círio pascal ao celebrante, o qual, com um estilete, grava no círio uma cruz; depois grava a letra grega Alfa por cima da cruz e a letra grega Ómega por debaixo e, entre os braços da cruz, grava os quatro algarismos do ano corrente. Enquanto grava estes símbolos, diz:

 

1. Cristo, ontem e hoje

Grava a haste vertical da cruz.

 

2. Princípio e fim

Grava a haste horizontal da cruz.

 

3. Alfa

Grava o Alfa por cima da haste vertical.

 

4. e Ómega.

Grava o Ómega por debaixo da haste vertical.

 

5. A Ele pertence o tempo

Grava no ângulo superior esquerdo o primeiro algarismo do ano corrente.

 

6. e a eternidade.

Grava no ângulo superior direito o segundo algarismo do ano corrente.

 

7. A Ele a glória e o poder

Grava no ângulo inferior esquerdo o terceiro algarismo do ano corrente.

 

8. para sempre. Amen.

Grava no ângulo inferior direito o quarto algarismo do ano corrente.

 

Depois de ter gravado a cruz e os outros símbolos, o sacerdote pode colocar no círio cinco grãos de incenso, em forma de cruz, dizendo:

 

1. Pelas Suas chagas                                                   1

2. santas e gloriosas,

3. nos proteja                                                    4       2       5

4. e nos guarde

5. Cristo Senhor. Amen.                                             3

 

O sacerdote acende do lume novo o círio pascal, dizendo:

A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.

 

Estes elementos podem ser utilizados, no todo ou em parte, conforme as circunstâncias pastorais do ambiente e do lugar. Entretanto, as Conferências Episcopais também podem determinar outras formas mais adaptadas à índole dos povos.

Quando, por justas razões, não se acende o fogo, a bênção do lume será adaptada convenientemente às circunstâncias. Reunido o povo na igreja, o sacerdote dirige-se para a porta da igreja, acompanhado dos ministros com o círio pascal. O povo, na medida do possível, volta-se para o sacerdote.

Feita a saudação e a admonição, como acima no n. 8, procede-se à bênção do lume (n. 9) e, se parecer oportuno, prepara-se e acende-se o círio (nn.10-12).

 

 

Procissão

 

O diácono, ou, na falta dele, o sacerdote, toma o círio pascal e, levantando-o, canta sozinho:

 

V. A luz de Cristo.     Lumen Christi

R. Graças a Deus.    Deo gratias

 

As Conferências Episcopais podem estabelecer uma aclamação mais solene.

Dirigem-se todos para a igreja, indo à frente o diácono com o círio pascal. Se se usa o incenso, o turiferário, com o turíbulo aceso, vai à frente do diácono.

À porta da igreja, o diácono pára e, levantando o círio, canta pela segunda vez:

 

V. A luz de Cristo.     Lumen Christi

R. Graças a Deus.    Deo gratias

 

Acendem então as velas do lume do círio pascal. A procissão continua; e, ao chegar junto do altar, o diácono, voltado para o povo, canta pela terceira vez:

 

V. A luz de Cristo.     Lumen Christi.

R. Graças a Deus.    Deo gratias.

 

Cântico: A Luz de Cristo – Az. Oliveira, NRMS, 88

 

E acendem-se as luzes da igreja (mas não as velas do altar: cf. n. 31).

 

 

Precónio Pascal

 

Monição: É o anúncio solene da Páscoa no qual se cantam as maravilhas operadas por Deus para a salvação de todos nós.

 

Ao chegar ao altar, o sacerdote dirige-se para a sua cadeira. O diácono coloca o círio pascal no respectivo candelabro, preparado no meio do presbitério ou junto ao ambão. Em seguida, se se usa incenso, faz-se como para o Evangelho na Missa: o diácono pede a bênção ao sacerdote, que diz em voz baixa:

 

V. O Senhor esteja no teu coração e nos teus lábios, para anunciares dignamente o seu precónio pascal. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R. Amen.

 

Se o precónio é cantado por outro que não seja diácono, omite-se esta bênção.

O diácono, ou, na sua falta, o sacerdote, depois de incensar o livro e o círio (se se usa o incenso), proclama o precónio pascal no ambão ou no púlpito, conservando-se todos de pé, com as velas acesas na mão.

O precónio pascal pode ser proclamado, se for necessário, por um cantor que não seja diácono. Nesse caso, omitirá as palavras Quapropter astantes vos (E vós, irmãos caríssimos) até ao fim do invitatório, bem como a saudação Dominus vobiscum (O Senhor esteja convosco).

O precónio pode ser cantado na forma mais breve.

Além disso, as Conferências Episcopais podem introduzir no precónio certas aclamações para serem ditas pelo povo.

As aclamações previstas pela Conferência Episcopal Portuguesa para se intercalarem no precónio pascal:

a. A luz de Cristo venceu as trevas da noite.

b. Cristo venceu o pecado e a morte.

c. Glória ao Senhor.

 

Precónio Pascal

 

Exulte de alegria a multidão dos Anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de glória para anunciar o triunfo de tão grande Rei. Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo.

Alegre-se a Igreja, nossa mãe, adornada com os fulgores de tão grande luz, e ressoem neste templo as aclamações do povo de Deus.

[E vós, irmãos caríssimos, aqui reunidos para celebrar o esplendor admirável desta luz, invocai comigo a misericórdia de Deus omnipotente, para que, tendo-Se Ele dignado, sem mérito algum da minha parte, admitir-me no número dos seus ministros, infunda em mim a claridade da sua luz, para que possa celebrar dignamente os louvores deste círio] .

 

 

[V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.]

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

É verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação proclamar com todo o fervor da alma e toda a nossa voz os louvores de Deus invisível, Pai omnipotente, e do seu Filho Unigénito, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ele pagou por nós ao eterno Pai a dívida por Adão contraída e com seu Sangue precioso apagou a condenação do antigo pecado.

 

Celebramos hoje as festas da Páscoa, em que é imolado o verdadeiro Cordeiro, cujo Sangue consagra as portas dos fiéis.

 

Esta é a noite, em que libertastes do cativeiro do Egipto os filhos de Israel, nossos pais, e os fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho.

 

Esta é a noite, em que a coluna de fogo dissipou as trevas do pecado.

Esta é a noite, que liberta das trevas do pecado e da corrupção do mundo aqueles que hoje por toda a terra crêem em Cristo, noite que os restitui à graça e os reúne na comunhão dos Santos.

Esta é a noite, em que Cristo, quebrando as cadeias da morte, Se levanta vitorioso do túmulo. De nada nos serviria ter nascido, se não tivéssemos sido resgatados.

 

Oh admirável condescendência da vossa graça! Oh incomparável predilecção do vosso amor! Para resgatar o escravo, entregastes o Filho.

Oh necessário pecado de Adão, que foi destruído pela morte de Cristo! Oh ditosa culpa, que nos mereceu tão grande Redentor!

Oh noite bendita, única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro!

Esta é a noite, da qual está escrito: A noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz.

Esta noite santa afugenta os crimes, lava as culpas; restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos tristes; derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz.

Nesta noite de graça, aceitai, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor, que, na solene oblação deste círio, pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja.

Agora conhecemos o sinal glorioso desta coluna de cera, que uma chama de fogo acende em honra de Deus: esta chama que, ao repartir o seu esplendor, não diminui a sua luz; esta chama que se alimenta de cera, produzida pelo trabalho das abelhas, para formar este precioso luzeiro.

 

Oh noite ditosa, em que o céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!

 

Nós Vos pedimos, Senhor, que este círio, consagrado ao vosso nome, arda incessantemente para dissipar as trevas da noite; e, subindo para Vós, como suave perfume, junte a sua claridade à das estrelas do céu. Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã, aquele astro que não tem ocaso: Jesus Cristo vosso Filho, que, ressuscitando de entre os mortos, iluminou o género humano com a sua luz e a sua paz e vive glorioso pelos séculos dos séculos.

 

R. Amen.

 

Segunda parte

Liturgia da Palavra

 

Para a Vigília Pascal são propostas nove leituras: sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento. Se, por motivos particulares, as circunstâncias o requerem, pode-se reduzir o número das leituras. Façam-se, pelo menos, três leituras do Antigo Testamento, ou, em casos mais urgentes, só duas, antes da Epístola e do Evangelho. Mas nunca se deve omitir a leitura do Êxodo sobre a passagem do Mar Vermelho (Leitura III).

 

Todos os presentes apagam as suas velas e se sentam. Antes de se iniciarem as leituras, o sacerdote dirige ao povo uma breve admonição, com estas palavras ou outras semelhantes:

 

Irmãos caríssimos:

Depois de iniciarmos solenemente esta Vigília, ouçamos agora, de coração tranquilo, a palavra de Deus. Meditemos como Deus outrora salvou o seu povo e como, na plenitude dos tempos, enviou Jesus Cristo, nosso Salvador. Oremos para que Deus realize esta obra pascal de salvação e seja consumada a redenção do mundo.

 

Seguem-se as leituras. O leitor vai ao ambão e faz a primeira leitura. Seguidamente o salmista ou cantor diz o salmo, a que o povo responde com o refrão. Depois todos se levantam; o sacerdote diz Oremos e todos oram em silêncio durante alguns momentos; o sacerdote diz então a oração colecta.

Em vez do salmo responsorial, pode guardar-se um tempo de silêncio sagrado; neste caso, omite-se a pausa depois do Oremos.

 

 

Primeira Leitura

 

Monição: A fé ensina-nos que Deus criou do nada todas as coisas visíveis e invisíveis. Fez do mundo um berço cheio de maravilhas para que nele o homem pudesse caminhar ao encontro do seu Criador.

A narração da criação do universo é obra da omnipotência e do amor de Deus. Aparece aludido o optimismo com que Deus criou todas as coisas com a frase várias vezes repetida: «E Deus viu que isto era bom

 

* O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

 

Forma longa: Génesis 1,1 – 2,2            Forma breve: Génesis 1,1.26-31a

No princípio, Deus criou o céu e a terra. [A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a superfície do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas. Disse Deus: «Faça-se a luz». E a luz apareceu. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou ‘dia’ à luz e ‘noite’ às trevas. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: era o primeiro dia. Disse Deus: «Haja um firmamento no meio das águas, para as manter separadas umas das outras». Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por cima dele. E ao firmamento chamou ‘céu’. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia. Disse Deus: «Juntem-se as águas que estão debaixo do firmamento num só lugar e apareça a terra seca». E assim sucedeu. À parte seca Deus chamou ‘terra’ e ‘mar’ ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom. Disse Deus: «Cubra-se a terra de verdura: ervas que dêem sementes e árvores de fruto, que produzam sobre a terra frutos com a sua semente, segundo a própria espécie». E assim sucedeu. A terra produziu verdura: erva que produz semente, segundo a sua espécie, e árvores que dão frutos com a sua semente, segundo a própria espécie. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia. Disse Deus: «Haja luzeiros no firmamento do céu, para distinguirem o dia da noite e servirem de sinais para as festas, os dias e os anos, para que brilhem no firmamento do céu e iluminem a terra». E assim sucedeu. Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas. Deus colocou-os no firmamento do céu para iluminarem a terra, para presidirem ao dia e à noite e separarem a luz das trevas. Deus viu que isto era bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia. Disse Deus: «Povoem as águas inúmeros seres vivos e voem as aves na terra sob o firmamento do céu». Deus criou os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, segundo as suas espécies, e todos os animais voadores, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom; e abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei as águas dos mares e multipliquem-se as aves sobre a terra». Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia. Disse Deus: «Produza a terra seres vivos, segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis e animais selvagens, segundo as suas espécies». E assim sucedeu. Deus fez os animais selvagens, segundo as suas espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. Deus viu que isto era bom.] Disse Deus: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre os animais selvagens e sobre todos os répteis que rastejam pela terra». Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher. Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na terra». Disse Deus: «Dou-vos todas as plantas com semente que existem em toda a superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que se movem na terra dou as plantas verdes como alimento». E assim sucedeu. Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom. Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm. Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado.

 

Salmo Responsorial    Salmo 103 (104),1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. cf. 30)

 

Monição: O mundo criado por Deus, com tantas maravilhas que mostram a omnipotência e sabedoria do nosso Deus convida-nos à adoração e acção de graças.

Sentimo-nos ainda mais reconhecidos, quando pensamos que Deus criou tudo isto para nós e nos constituiu coroa da criação.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto!

 

Fundastes a terra sobre alicerces firmes:

não oscilará por toda a eternidade.

Vós a cobristes com o manto do oceano,

por sobre os montes pousavam as águas.

 

Transformais as fontes em rios

que correm entre as montanhas.

Nas suas margens habitam as aves do céu;

por entre a folhagem fazem ouvir o seu canto.

 

Com a chuva regais os montes,

encheis a terra com o fruto das vossas obras.

Fazeis germinar a erva para o gado

e as plantas para o homem, que tira o pão da terra.

 

Como são grandes as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas.

Glória a Deus para sempre.

 

Oremos.

Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem

e de modo mais admirável o redimistes,

dai-nos a graça de resistir às seduções do pecado

com a sabedoria do espírito,

para merecermos chegar às alegrias eternas.

Por Nosso Senhor...

 

Segunda Leitura

 

Monição: Uma das leituras obrigatórias nesta solene vigília pascal é a narração da libertação dos hebreus da escravidão do Egipto, operada pela intervenção directa de Deus.

Nela tem origem a celebração da Páscoa, e recorda-nos a nossa libertação do pecado e de Satanás, operada pela misericórdia divina.

 

Êxodo 14,15-31; 15,1

 

Naqueles dias, disse o Senhor a Moisés: «Porque estás a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha. E tu ergue a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel entrem nele a pé enxuto. Entretanto, vou permitir que se endureça o coração dos egípcios, que hão-de perseguir os filhos de Israel. Manifestarei então a minha glória, triunfando do Faraó, de todo o seu exército, dos seus carros e dos seus cavaleiros. Os egípcios reconhecerão que Eu sou o Senhor, quando Eu manifestar a minha glória, vencendo o Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros». O Anjo de Deus, que seguia à frente do acampamento de Israel, deslocou-se para a retaguarda. A coluna de nuvem que os precedia veio colocar-se atrás do acampamento e postou-se entre o campo dos egípcios e o de Israel. A nuvem era tenebrosa de um lado e do outro iluminava a noite, de modo que, durante a noite, não se aproximaram uns dos outros. Moisés estendeu a mão sobre o mar e o Senhor fustigou o mar, durante a noite, com um forte vento de leste. O mar secou e as águas dividiram-se. Os filhos de Israel penetraram no mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda. Os egípcios foram atrás deles: todos os cavalos do Faraó, os seus carros e cavaleiros os seguiram pelo mar dentro.

Na vigília da manhã, o Senhor olhou da coluna de fogo e da nuvem para o acampamento dos egípcios e lançou nele a confusão. Bloqueou as rodas dos carros, que só dificilmente conseguiam avançar. Então os egípcios disseram: «Fujamos dos israelitas, que o Senhor combate por eles contra os egípcios». O Senhor disse a Moisés: «Estende a mão sobre o mar e as águas precipitar-se-ão sobre os egípcios, sobre os seus carros e os seus cavaleiros». Moisés estendeu a mão sobre o mar e, ao romper da manhã, o mar retomou o seu nível normal, quando os egípcios fugiam na sua direcção. E o Senhor precipitou-os no meio do mar. As águas refluíram e submergiram os carros, os cavaleiros e todo o exército do Faraó, que tinham entrado no mar, atrás dos filhos de Israel. Nem um só escapou. Mas os filhos de Israel tinham andado pelo mar a pé enxuto, enquanto as águas formavam muralha à direita e à esquerda. Nesse dia, o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios e Israel viu os egípcios mortos nas praias do mar. Viu também o grande poder que o Senhor exercera contra os egípcios, e o povo temeu o Senhor, acreditou n'Ele e em seu servo Moisés. Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este hino em honra do Senhor: «Cantemos ao Senhor, que fez brilhar a sua glória, precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro».

 

Salmo Responsorial    Êxodo 15, 1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 1a)

 

Monição: O triunfo de Israel sobre o Egipto é como uma profecia e antecipação da nossa vitória pascal. Pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Deus arrebatou a humanidade ao império da escravidão do pecado e da morte.

Demos graças ao Senhor nosso Deus, fazendo nossa a oração do salmo de meditação.

 

 

Refrão:        Cantemos ao Senhor, que fez brilhar a sua glória.

 

Ou:               Deus fez maravilhas: o seu nome é Senhor.

 

Cantarei ao Senhor, que fez brilhar a sua glória:

precipitou no mar o cavalo e o cavaleiro.

O Senhor é a minha força e a minha protecção:

a Ele devo a minha liberdade.

 

Ele é o meu Deus: eu O exalto;

Ele é o Deus de meu pai: eu O glorifico.

O Senhor é um guerreiro, Omnipotente é o seu nome;

precipitou no mar os carros do Faraó e o seu exército.

 

Os seus melhores combatentes afogaram-se no Mar Vermelho,

foram engolidos pelas ondas, caíram como pedra no abismo.

A vossa mão direita, Senhor, revelou a sua força,

a vossa mão direita, Senhor, destroçou o inimigo.

 

Levareis o vosso povo e o plantareis na vossa montanha,

na morada segura que fizestes, Senhor,

no santuário que vossas mãos construíram.

O Senhor reinará pelos séculos dos séculos.

 

Oremos.

Senhor nosso Deus, que iluminastes com a luz do Novo Testamento

as maravilhas operadas nos tempos antigos,

revelando no Mar Vermelho a imagem da fonte baptismal

e no povo libertado da escravidão do Egipto os mistérios do povo cristão,

fazei que todos os homens, elevados pela fé à dignidade de povo escolhido,

se tornem em Cristo nova criação pela graça do vosso Espírito.

Por Nosso Senhor....

 

Terceira Leitura

 

Monição: Deus promete, pelo profeta Ezequiel que nos dará um coração novo, limpo de todo o pecado.

Enche-nos de esperança as palavras com que nos promete: «Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo. Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne

 

Ezequiel 36,16-17a.18-28

 

A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: «Filho do homem, quando os da casa de Israel habitavam na sua terra, mancharam-na com o seu proceder e as suas obras. Fiz-lhes então sentir a minha indignação, por causa do sangue que haviam derramado no país e dos ídolos com que o tinham profanado. Dispersei-os entre as nações, espalhei-os entre os outros povos; julguei-os segundo o seu proceder e as suas obras. Em todas as nações para onde foram, profanaram o meu santo nome; e por isso se dizia deles: 'São o povo do Senhor: tiveram de deixar a sua terra'. Quis então salvar a honra do meu santo nome, que a casa de Israel profanara entre as nações para onde tinha ido. Por isso, diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Não faço isto por causa de vós, israelitas, mas por causa do meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. E as nações reconhecerão que Eu sou o Senhor – oráculo do Senhor Deus – quando a seus olhos Eu manifestar a minha santidade, a vosso respeito. Então retirar-vos-ei de entre as nações, reunir-vos-ei de todos os países, para vos restabelecer na vossa terra. Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; e purificar-vos-ei de todos os falsos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo. Arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis. Habitareis na terra que dei a vossos pais; sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus».

 

Salmo Responsorial    Salmo 41(42), 2-5.5; 42 (43), 3-4 (R. 41(42), 2)

 

Monição: Israel, desterrada, da Cidade Santa e escravizada em Babilónia, suspira pelo templo do Senhor.

Também a Igreja, nesta noite santa, tem nostalgia de contemplar o Senhor, embora saiba que hoje mesmo vai contemplar, sobre o altar festivo da Páscoa, Jesus Cristo Ressuscitado, que é o deus da alegria.

 

Refrão:        Como suspira o veado pelas correntes das águas,

                     assim minha alma suspira por Vós, Senhor.

 

Ou:               Como o veado em busca das águas,

                     assim, ó Deus, a minha alma Vos deseja.

 

Como suspira o veado pelas correntes das águas,

assim minha alma suspira por Vós, Senhor.

Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo:

Quando irei contemplar a face de Deus?

 

A minha alma estremece ao recordar

quando passava em cortejo para o templo do Senhor,

entre as vozes de louvor e de alegria

da multidão em festa.

 

Enviai a vossa luz e verdade,

sejam elas o meu guia e me conduzam

à vossa montanha santa

e ao vosso santuário.

 

E eu irei ao altar de Deus,

a Deus que é a minha alegria.

Ao som da cítara Vos louvarei,

Senhor, meu Deus.

 

Oremos. Senhor nosso Deus, poder imutável e luz sem ocaso,

olhai com bondade para a vossa Igreja,

sacramento da nova aliança, e confirmai na paz,

segundo os vossos desígnios eternos, a obra da salvação humana,

para que todo o mundo veja e reconheça como o abatido se levanta,

o envelhecido se renova e tudo volta à sua integridade original,

por meio d'Aquele que é o princípio de todas as coisas,

Jesus Cristo vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou, se houver catecúmenos a baptizar

 

Oremos.

Deus eterno e omnipotente,

estai presente neste mistério do vosso amor

e enviai o Espírito de adopção para renovar

aqueles que vão nascer pela água do Baptismo,

de modo que a acção do nosso humilde ministério

se torne eficaz pela intervenção do vosso poder.

Por Nosso Senhor...

 

Depois da última leitura do Antigo Testamento com o salmo responsorial e a oração correspondente, acendem-se as velas do altar. O sacerdote entoa o hino Glória a Deus nas alturas (Gloria in excelsis Deo), que é cantado por todos.

Repicam festivamente os sinos e campainhas da Páscoa e o órgão pode associar-se com alguns acordes festivos.

 

Terminado o hino, o sacerdote diz a oração colecta, na forma habitual:

 

Oremos.

Deus de infinita bondade,

que fazeis resplandecer esta sacratíssima noite

com a glória da Ressurreição do Senhor,

renovai na vossa Igreja o Espírito da adopção filial,

para que, renovados no corpo e na alma,

nos entreguemos plenamente ao vosso serviço.

Por Nosso Senhor...

 

 

Quarta Leitura

 

Monição: São Paulo recorda-nos, na sua carta aos fieis de Roma, que pelo Baptismo, fomos sepultados com Cristo na Sua morte e ressuscitamos com Ele para uma vida nova.

Devemos, pois, a partir de agora, renovar as promessas do Baptismo, para levarmos uma vida de ressuscitados em Cristo.

 

Romanos 6,3-11

 

Irmãos: 3Todos nós que fomos baptizados em Cristo fomos baptizados na sua morte. 4Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. 5Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua, também o estaremos por uma ressurreição semelhante à sua. 6Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. 7Quem morreu está livre do pecado. 8Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, 9sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer, a morte já não tem domínio sobre Ele. 10Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. 11Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.

 

Esta leitura resume o tema central da Vigília Pascal: a passagem da morte à vida em Cristo e em nós pelo Baptismo. A nossa Páscoa é a transposição deste mistério da Morte e Ressurreição de Cristo para a nossa própria vida.

3-4 S. Paulo faz apelo à simbologia do Baptismo por imersão: o facto de ser imergido para dentro da água representa a morte e sepultura; o emergir da água, já tornado «nova criatura», significa a ressurreição, a nova vida divina. S. Paulo, ao dizer que nós «fomos baptizados na sua morte», quer dizer que nos unimos pelo Baptismo tão intimamente à morte de Cristo, destruidora de todo o pecado, que também nós morremos para o pecado, a tal ponto que este já não deve dominar mais a nossa vida. A nossa vida tem que ser uma vida de ressuscitados: «vivos para Deus, em Cristo Jesus» (v. 11). Mas nós não somos uns meros beneficiários, estranhos ao mistério pascal de Cristo: a nossa nova vida é uma vida em Cristo Jesus, pois estamos incorporados n’Ele pela fé e pelo amor, feitos membros do seu Corpo, sendo Ele a Cabeça.

 

Terminada a leitura da Epístola, todos se levantam.

O sacerdote entoa solenemente o Aleluia, que todos repetem. O salmista ou um cantor canta o salmo e o povo responde cantando Aleluia.

Se for necessário, o próprio salmista, em vez do sacerdote, entoa o Aleluia.

 

Salmo Responsorial    Salmo 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23 (R. Aleluia)

 

Monição: O Povo de Israel cantava este mesmo salmo que agora a liturgia nos propõe, nas procissões litúrgicas para o Templo de Jerusalém, no qual se reuniam para cantar as maravilhas de Deus.

Jesus Cristo, Morto de Ressuscitado, é o verdadeiro Templo da Nova Aliança em que fomos inseridos pelo Baptismo.

Com o coração em acção de graças, entoemos, nós também, este hino que celebra a Ressurreição do Senhor.

 

Presidente entoa o Aleluia.

 

Refrão:        Aleluia. Aleluia. Aleluia.

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver

para anunciar as obras do Senhor.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

 

Para a proclamação do Evangelho não se levam círios, mas apenas incenso, se este se usar.

 

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 16,1-7

1Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. 2E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. 3Diziam umas às outras: «Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?» 4Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. 5Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. 6Mas ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. 7Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse».

 

O relato de Marcos, muito semelhante ao de Mateus, é dotado de mais frescor e espontaneidade. As pequenas divergências não envolvem contradição, antes põem em evidência a peculiaridade de cada evangelista e as suas próprias perspectivas. O facto de não se tratar dum texto unificado joga a favor da autenticidade. Caso não correspondesse à verdade dos factos, uma «mentira» tão monstruosa teria de ter sido mais bem urdida, para se impor, além de que não se lembrariam de apresentar as mulheres como testemunhas, quando entre os judeus o seu testemunho não tinha valor. Marcos diz que as Santas Mulheres «não disseram nada a ninguém, porque tinham medo» (v. 8b, suprimido na leitura), ao passo que Mateus afirma que «elas saíram à pressa do sepulcro com medo e com grande alegria e correram a dar a notícia aos discípulos» (Mt 28,8), o que parece ser uma generalização que tem em conta a aparição de Jesus a elas, logo a seguir (Mt, 28,9; cf. Mc 16,9-11). Com efeito, é evidente que os evangelistas não pretenderam dar-nos um filme do que aconteceu naquela primeira manhã de Páscoa. A espontaneidade e a liberdade ao referir o acontecimento é mais um apreciável sinal de historicidade.

1 «Depois de passar o sábado»: Embora a unção do cadáver não fosse coisa proibida em dia de sábado, já não era assim a compra dos perfumes e uma caminhada de mais de mil passos, o que deve ter levado a adiar este obséquio para o primeiro dia da semana.

7 «Ide dizer aos seus discípulos e a Pedro». A referência particular a Pedro dever-se-á, mais do que à sua preponderância entre os companheiros, a uma delicadeza de Jesus para com o discípulo que O negara e que não cessaria de chorar amargamente o seu pecado (cf. Mc 14,72). Não deixa de ser interessante que só Marcos refira este pormenor; o «intérprete de Pedro» fixou-o certamente por lho ter ouvido contar como algo que o terá impressionado vivamente; e isto tem tanto mais valor, quanto é certo que Marcos costuma omitir os pormenores honrosos para Pedro, que por humildade ele omitiria na sua pregação.

N.B. – No domingo de Páscoa podem ver-se mais comentários sobre a Ressurreição, especialmente nas notas ao Evangelho.

 

Sugestões para a homilia

 

• A Páscoa, nossa libertação

• A caminho da Felicidade

 

1. A Páscoa, nossa libertação

 

Depois de muitos anos de escravidão progressiva, os hebreus foram livres da escravidão do Egito. Esta libertação, figurada na Vigília da Páscoa, realiza-Se em nós pelo Batismo pelo qual nos são aplicados os merecimentos de Jesus, Cordeiro Pascal, imolado na Cruz.

O pecado, escravidão progressiva. A escravidão dos egípcios sobre os israelitas aumentava sem cessar. Primeiro, foi a exploração desumana do trabalho forçado e sem salário.

Veio, depois, a condenação à morte das crianças filhas dos hebreus, do sexo masculino; como as enfermeiras eram tementes a Deus e recusaram matá-las, veio a lei que obrigava a afogá-las no rio Nilo.

Quando Moisés foi interceder pelo seu Povo, começaram a tornar o trabalho ainda mais duro, exigindo maior esforço.

O pecado em que as pessoas se deixam enredar vai apertando nas malhas da escravidão aqueles que se deixam enredar nele. Acontece assim com a impureza, o álcool, a droga e tantas outras prisões em que as pessoas se deixam encurralar.

Uma noite de libertação. Depois de vários incidentes, o Senhor libertou o Seu povo da cruel escravidão em que se encontrava.

O Mar Vermelho abriu-se como duas muralhas ladeando o caminho enxuto através do Mar, e eles passaram facilmente, enquanto os soldados egípcios que os perseguiam, ficaram sepultados no mar com os seus carros e cavalos.

O Mar Vermelho era a figura da água do Batismo. Depois de banhados nela, passamos da escravidão do pecado para a liberdade de filhos de Deus e caminhamos para o Céu, nossa terra da Promissão.

A tentação de voltar para trás. Várias vezes na peregrinação do deserto os hebreus foram tentados e revoltaram-se contra a sua situação, a pesar de mimados pelo carinho do Senhor com o maná, as codornizes, a água que brotou do rochedo em Meribá, a cura das mordeduras da serpente e a proteção contra os inimigos que lhes saíam ao caminho.

A tentação levou alguns a tentarem eleger um novo chefe e voltar para a escravidão do Egito.

Os cristãos de hoje são tentados a voltar para trás, para se entregarem novamente à escravidão, depois de terem sido libertados pelo Senhor no Batismo.

Procuram outras religiões, como se fosse possível escolher à vontade, como no hipermercado, ou põem mesmo de lado qualquer atividade religiosa.

 – A tentação da carne. Sentiam saudades das panelas cheias de carne que tinham no Egito. Era um sonho, porque nunca viveram na fartura.

De novo hoje os cristãos sentem-se tentados a procurar a saciedade dos sentidos na boa mesa e no sexo. Escravizados por estas, sentem-se enjoados das coisas de Deus e deixam a oração, a missa dominical e os sacramentos.

A tentação da sede. Esquecendo-se de que Deus os protegia sempre, os israelitas murmuraram contra Moisés e queriam apedrejá-lo. O Senhor fez brotar a água do rochedo.

A sede de dinheiro, de honras, de vida cómoda – do sofá, em vez dos chinelos para andar caminho, como lembra o Papa Francisco – leva muitos a viverem descontentes, queixando-se de tudo o que há na Igreja e tornando-a culpada da sua infelicidade.

Quando uma pessoa põe de lado os Mandamentos, a começar pela missa ao domingo, nunca se pode prever até onde irá o seu descaminho.

A murmuração. Um espírito hipercrítico, nascido da tentação de olhar só para os outros, leva alguns a descrer da Igreja, vendo nos que procuram ser-lhe fiéis, a causa de todos os males.

Aceitemos com alegria a libertação que o Senhor nos oferece de novo nesta noite e façamos o propósito de não desanimar no caminho.

São muitos os que nesta noite são batizados, já adultos, também em várias dioceses de Portugal.

Comunguemos na sua alegria e agradeçamos ao Senhor o dom do nosso Batismo recebido pouco depois de nascer.

 

2. A caminho da Felicidade

 

Cristo saiu glorioso do sepulcro, na noite de Páscoa e iluminou as nossas trevas com a luz da Sua Palavra.

Ressurreição gloriosa. Não foi apenas um corpo que recuperou a vida. O Corpo de Jesus, morto na Cruz na tarde de Sexta Feira Santa, voltou à vida intrinsecamente transformado pelos dons do Corpo Glorioso.

A claridade. Deslumbrou os guardas do sepulcro para a claridade que irradiava do Seu Corpo glorificado. Os Pastorinhos Fátima viram Nossa Senhora com os dotes do corpo Glorioso: “vestida de luz.”

A impassibilidade. Cristo nunca mais sofrerá, nem voltará a morrer. Não precisará de se alimentar e, se conserva as chagas, é como troféu de vitória sobre a morte e o sofrimento.  

A agilidade. Cristo move.se com toda a facilidade. Vai ao cenáculo, ao Emaús, à beira mar e volta a Jerusalém, sem qualquer fadiga, e com rapidez.

A subtilidade. Atravessa com facilidade qualquer obstáculo: sai do túmulo sem que seja necessário rolar a pedra; entra no cenáculo com as portas e janelas trancadas por dentro, por medo dos judeus, e sai da casa e Emaús sem que seja necessário abrir-lhe qualquer porta ou janela.

Com Cristo Ressuscitado. A verdade de fé na Ressurreição de Jesus é fundamental para nós. S. Paulo lembra que, se Cisto não ressuscitou também nós não ressuscitaremos e é vã a nossa fé.

Nós não seguimos um ideal bonito, umas ideias atraentes, mas uma Pessoa Viva – Jesus Cristo – que vai connosco a caminho do Céu. Podemos falar com Ele, pedir-Lhe ajuda e entregar-Lhe o nosso coração.

Além disso, a ressurreição de Jesus é promessa e garantia da nossa ressurreição, porque formamos com Ele um Corpo do qual Ele é a Cabeça gloriosa.

Também nós, se formos fiéis, o nosso corpo será revestido destes dons sobrenaturais.

Caminhemos sem desânimo e com alegria, até ao Céu. Vale a pena ser generoso na vida presente para reinar eternamente com a Santíssima Trindade, com Maria Santíssima e todos os eleitos, para sempre no Paraíso.

Alegremos com a Ressurreição de Jesus, com Maria e peçamos-lhe, nesta hora de alegria: Mostrai que sois minha Mãe!

 

Fala o Santo Padre

 

«Ressuscitou da morte, ressuscitou do lugar donde ninguém esperava nada e espera-nos

– como esperava as mulheres – para nos tornar participantes da sua obra de salvação.»

Começamos esta celebração no átrio externo, imersos na escuridão da noite e no frio que a acompanha. Sentimos o peso do silêncio diante da morte do Senhor, um silêncio em que cada um de nós se pode reconhecer e que penetra profundamente nas fendas do coração do discípulo, que, à vista da cruz, fica sem palavras.

São as horas do discípulo emudecido face à amargura gerada pela morte de Jesus: Que dizer diante desta realidade? O discípulo que fica sem palavras, tomando consciência das suas reações durante as horas cruciais da vida do Senhor: diante da injustiça que condenou o Mestre, os discípulos guardaram silêncio; diante das calúnias e falsos testemunhos sofridos pelo Mestre, os discípulos ficaram calados. Durante as horas difíceis e dolorosas da Paixão, os discípulos experimentaram, de forma dramática, a sua incapacidade de arriscar e falar a favor do Mestre; mais ainda, renegaram-No, esconderam-se, fugiram, ficaram calados (cf. Jo 18, 25-27).

É a noite do silêncio do discípulo que se sente enrijecido e paralisado, sem saber para onde ir diante de tantas situações dolorosas que o oprimem e envolvem. É o discípulo de hoje, emudecido diante duma realidade que se lhe impõe fazendo-lhe sentir e – pior ainda – crer que nada se pode fazer para vencer tantas injustiças que vivem na sua carne muitos dos nossos irmãos.

É o discípulo perplexo porque imerso numa rotina avassaladora que o priva da memória, faz calar a esperança e habitua-o ao «fez-se sempre assim». É o discípulo emudecido e ofuscado que acaba por se habituar e considerar normal a frase de Caifás: «Não vos dais conta de que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50).

E no meio dos nossos silêncios, quando calamos de modo tão oprimente, então começam a gritar as pedras (cf. Lc 19, 40: «Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras») dando lugar ao maior anúncio que alguma vez a história tenha podido conter dentro de si: «Não está aqui, pois ressuscitou» (Mt 28, 6). A pedra do sepulcro gritou e, com o seu grito, anunciou a todos um novo caminho. Foi a criação a primeira a fazer ecoar o triunfo da Vida sobre todas as realidades que procuraram silenciar e amordaçar a alegria do evangelho. Foi a pedra do sepulcro a primeira a saltar e, à sua maneira, a entoar um cântico de louvor e entusiasmo, de júbilo e esperança no qual todos somos convidados a participar.

E se ontem, com as mulheres, contemplamos «Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37, cf. Zc 12, 10), hoje, com elas, somos chamados a contemplar o túmulo vazio e ouvir as palavras do anjo: «Não tenhais medo! (…) Ressuscitou» (Mt 28, 5-6). Palavras que querem alcançar as nossas convicções e certezas mais profundas, as nossas maneiras de julgar e enfrentar os acontecimentos diários; especialmente o nosso modo de nos relacionarmos com os outros. O túmulo vazio quer desafiar, mover, interpelar, mas sobretudo quer encorajar-nos a crer e confiar que Deus «Se faz presente» em qualquer situação, em qualquer pessoa, e que a sua luz pode chegar até aos ângulos mais imprevisíveis e fechados da existência. Ressuscitou da morte, ressuscitou do lugar donde ninguém esperava nada e espera-nos – como esperava as mulheres – para nos tornar participantes da sua obra de salvação. Esta é a base e a força que temos, como cristãos, para gastar a nossa vida e o nosso ardor, inteligência, afetos e vontade na busca e, especialmente, na criação de caminhos de dignidade. «Não está aqui... Ressuscitou!» (28, 6). É o anúncio que sustenta a nossa esperança e a transforma em gestos concretos de caridade. Como precisamos de deixar que a nossa fragilidade seja ungida por esta experiência! Como precisamos que a nossa fé seja renovada, que os nossos horizontes míopes sejam questionados e renovados por este anúncio! Jesus ressuscitou e, com Ele, ressurge a nossa esperança criativa para enfrentar os problemas atuais, porque sabemos que não estamos sozinhos.

Celebrar a Páscoa significa voltar a crer que Deus irrompe sem cessar nas nossas vicissitudes, desafiando os nossos determinismos uniformizadores e paralisantes. Celebrar a Páscoa significa deixar que Jesus vença aquela atitude pusilânime que tantas vezes nos cerca procurando sepultar qualquer tipo de esperança.

A pedra do sepulcro desempenhou o seu papel, as mulheres fizeram a sua parte, agora o convite é dirigido mais uma vez a ti e a mim: convite a quebrar os hábitos rotineiros, renovar a nossa vida, as nossas escolhas e a nossa existência; convite que nos é dirigido na situação em que nos encontramos, naquilo que fazemos e somos; com a «quota de poder» que temos. Queremos participar neste anúncio de vida ou ficaremos mudos perante os acontecimentos?

Não está aqui, ressuscitou! E espera por ti na Galileia, convida-te a voltar ao tempo e lugar do primeiro amor, para te dizer: «Não tenhas medo, segue-Me».

Papa Francisco, Homilia, Basílica Vaticana, 31 de março de 2018

 

Terceira parte

Liturgia baptismal

 

Introdução

 

Depois de termos escutado e meditado a Palavra de Deus iremos continuar a nossa celebração participando na Liturgia Baptismal. Invocaremos a intercessão de todos os santos, a fim de que a nossa oração contribua para uma consciencialização mais efectiva da missão que a todos nós nos é cometida pela recepção do sacramento do Baptismo.

 

O sacerdote, acompanhado dos ministros, dirige-se para a fonte baptismal, se esta se encontra à vista dos fiéis; caso contrário, coloca-se um recipiente com água no presbitério.

Se houver catecúmenos para serem baptizados, faz-se a respectiva chamada; são apresentados pelos padrinhos, ou, se forem crianças, são levados pelos pais e padrinhos à presença da assembleia eclesial.

O sacerdote faz aos presentes uma admonição com estas palavras ou outras semelhantes:

 

– Se há administração do Baptismo:

 

Ajudemos com as nossas preces estes nossos irmãos, preparados para receberem a vida nova do Baptismo. Oremos a Deus nosso Pai, para que, na sua grande misericórdia, os guie e acompanhe até à fonte baptismal.

 

– Se não há administração do Baptismo, mas apenas a bênção da fonte baptismal:

 

Supliquemos a Deus nosso Pai que santifique esta água, para que todos os que nela receberem a vida nova do Baptismo, sejam incorporados em Cristo e contados entre os filhos de Deus.

 

Dois cantores entoam as Ladainhas e todos, de pé (em virtude do Tempo Pascal), respondem.

 

Se a procissão para o Baptistério é longa, as Ladainhas cantam-se durante a procissão. Neste caso, os baptizandos são chamados antes da procissão. Esta organiza-se do modo seguinte: à frente, o círio pascal; em seguida, os catecúmenos acompanhados dos padrinhos; depois, o sacerdote acompanhado dos ministros. A admonição faz-se antes da bênção da água.

 

Se não houver baptizandos nem bênção da fonte baptismal, omitem-se as Ladainhas e faz-se imediatamente a bênção da água (n. 45).

 

Nas Ladainhas podem acrescentar-se alguns nomes de Santos, sobretudo o do titular da igreja, dos padroeiros do lugar e dos baptizandos.

 

A invocação Senhor, tende piedade de nós pode ser substituída por Senhor, misericórdia ou Kyrie, eleison, como na Missa.

 

Ladainha dos Santos

 

Senhor, tende piedade de nós.                                             Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.                                Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.                                             Senhor, tende piedade de nós.

 

Santa Maria, Mãe de Deus,                                                   rogai por nós.

São Miguel,                                                                               rogai por nós.

Santos Anjos de Deus,                                                                           rogai por nós.

São João Baptista,                                                                  rogai por nós.

São José,                                                                                  rogai por nós.

São Pedro e São Paulo,                                                         rogai por nós.

Santo André,                                                                                            rogai por nós.

São João,                                                                                  rogai por nós.

Santa Maria Madalena,                                                          rogai por nós.

Santo Estêvão,                                                                         rogai por nós.

Santo Inácio de Antioquia,                                                     rogai por nós.

São Lourenço,                                                                         rogai por nós.

São João de Brito,                                                                   rogai por nós.

Santa Perpétua e Santa Felicidade,                                    rogai por nós.

Santa Inês,                                                                                rogai por nós.

 

São Gregório,                                                                           rogai por nós.

Santo Agostinho,                                                                     rogai por nós.

Santo Atanásio,                                                                        rogai por nós.

São Basílio,                                                                                               rogai por nós.

São Martinho,                                                                           rogai por nós.

São Bento,                                                                                rogai por nós.

São Martinho de Dume, São Frutuoso e São Geraldo,     rogai por nós.

São Teotónio,                                                                           rogai por nós.

São Francisco e São Domingos,                                                          rogai por nós.

Santo António de Lisboa,                                                       rogai por nós.

 

São João de Deus,                                                                  rogai por nós.

São Francisco Xavier,                                                                             rogai por nós.

São João Maria Vianney,                                                       rogai por nós.

Santa Isabel de Portugal,                                                       rogai por nós.

Santa Catarina de Sena,                                                        rogai por nós.

Santa Teresa de Jesus,                                                                          rogai por nós.

Santa Beatriz da Silva,                                                                           rogai por nós.

Todos os Santos e Santas de Deus,                                    rogai por nós.

 

Sede-nos propício,                                                                  livrai-nos, Senhor.

De todo o mal                                                                           livrai-nos, Senhor.

De todo o pecado                                                                    livrai-nos, Senhor.

Da morte eterna                                                                       livrai-nos, Senhor.

 

Pela vossa encarnação,                                                                         livrai-nos, Senhor.

Pela vossa morte e ressurreição,                                                         livrai-nos, Senhor.

Pela efusão do Espírito Santo,                                                              livrai-nos, Senhor.

 

A nós, pecadores,                                                                   ouvi-nos, Senhor.

 

Se houver baptizandos:

 

Dignai-Vos dar uma vida nova a estes eleitos

pela graça do Baptismo,                                                        ouvi-nos, Senhor.

 

Se não houver baptizandos:

Santificai esta água, para o renascimento

espiritual dos vossos filhos,                                                   ouvi-nos, Senhor.

 

Jesus, Filho de Deus,                                                                             ouvi-nos, Senhor.

Cristo, ouvi-nos.                                                                       Cristo, ouvi-nos.

Cristo, atendei-nos.                                                                 Cristo, atendei-nos.

 

Bênção da água

 

Senhor nosso Deus: Pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos preparastes a água para manifestar a graça do Baptismo.

Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar.

Nas águas do dilúvio destes-nos uma imagem do Baptismo, sacramento da vida nova, porque as águas significam ao mesmo tempo o fim do pecado e o princípio da santidade.

Aos filhos de Abraão fizestes atravessar a pé enxuto o Mar Vermelho, para que esse povo, liberto da escravidão, fosse a imagem do povo santo dos baptizados.

 

O vosso Filho, Jesus Cristo, ao ser baptizado por João Baptista nas águas do Jordão, recebeu a unção do Espírito Santo; suspenso na cruz, do seu lado aberto fez brotar sangue e água e, depois de ressuscitado, ordenou aos seus discípulos: «Ide e ensinai todos os povos e baptizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

Olhai agora, Senhor, para a vossa Igreja e dignai-Vos abrir para ela a fonte do Baptismo. Receba esta água, pelo Espírito Santo, a graça do vosso Filho Unigénito, para que o homem, criado à vossa imagem, no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo.

 

Introduzindo, conforme as circunstâncias, o círio pascal, uma ou três vezes na água, continua:

 

Desça sobre esta água, Senhor, por vosso Filho, a virtude do Espírito Santo,

 

com o círio na água, prossegue:

 

para que todos, sepultados com Cristo na sua morte pelo Baptismo, com Ele ressuscitem para a vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Retira o círio da água; entretanto, o povo faz a seguinte aclamação ou outra semelhante:

 

Fontes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.

 

Cântico: Fontes do Senhor – C. Silva, OC, pg 125

 

Os catecúmenos, cada um por sua vez, renunciam ao demónio, professam a fé e são baptizados.

Os catecúmenos adultos, porém, se está presente o Bispo ou um sacerdote com poderes para confirmar, recebem também a Confirmação.

 

 

Bênção da água lustral

 

Se não houver baptizandos nem bênção da água baptismal, o sacerdote procede à bênção da água, dizendo a admonição e oração seguintes:

 

Oremos, irmãos caríssimos, a Deus nosso Senhor, suplicando-Lhe que Se digne abençoar esta água, que vai ser aspergida sobre nós para memória do nosso Baptismo, e nos renova interiormente, a fim de permanecermos fiéis ao Espírito que recebemos.

 

Todos oram em silêncio durante alguns momentos. Depois, o sacerdote diz:

 

Senhor nosso Deus, estai connosco e assisti ao vosso povo em vigília nesta sacratíssima noite. Ao celebrarmos a obra admirável da nossa criação e a maravilha ainda maior da nossa redenção, dignai-Vos abençoar esta água.

Vós a criastes para dar fecundidade à terra e frescura e pureza aos nossos corpos. Vós a fizestes instrumento de misericórdia, libertando da escravidão o vosso povo e matando a sua sede no deserto. Por meio dos Profetas, Vós a proclamastes sinal da nova aliança que quisestes estabelecer com os homens.

Finalmente, nas águas do Jordão, santificadas por Cristo, inaugurastes o sacramento da regeneração espiritual, que renova a nossa natureza humana, libertando-a da corrupção do pecado.

Esta água, Senhor, nos faça reviver o Baptismo que recebemos e nos leve a participar na alegria dos nossos irmãos baptizados na Páscoa de Cristo Nosso Senhor, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Renovação das promessas do Baptismo

 

Terminado o rito do Baptismo (e da Confirmação), ou, se este não se realizou, depois da bênção da água, todos os presentes, de pé, com as velas acesas na mão, renovam as promessas do Baptismo.

O sacerdote dirige-se aos fiéis com estas palavras ou outras semelhantes:

 

Irmãos caríssimos:

Pelo mistério pascal, fomos sepultados com Cristo no Baptismo, para vivermos com Ele uma vida nova. Por isso, tendo terminado os exercícios da observância quaresmal, renovemos as promessas do santo Baptismo, pelas quais renunciámos outrora a Satanás e às suas obras e prometemos servir fielmente a Deus na santa Igreja católica.

 

Sacerdote: Renunciais a Satanás?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Sacerdote:                 E a todas as suas obras?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Sacerdote:                 E a todas as suas seduções?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Ou

 

Sacerdote:                 Renunciais ao pecado, para viverdes na liberdade dos filhos de Deus?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Sacerdote:                 Renunciais às seduções do mal, para que o pecado não vos escravize?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Sacerdote:                 Renunciais a Satanás, que é o autor do mal e pai da mentira?

Todos:        Sim, renuncio.

 

Se convier, esta segunda fórmula pode ser adaptada pelas Conferências Episcopais às circunstancias do tempo e do lugar.

Depois o sacerdote continua:

 

Sacerdote:                 Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?

Todos:        Sim, creio.

 

Sacerdote:                 Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está sentado à direita do Pai?

Todos:        Sim, creio.

 

Sacerdote:                 Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?

Todos:        Sim, creio.

 

Sacerdote:                 Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos perdoou todos os pecados, nos guarde com a sua graça, em Jesus Cristo Nosso Senhor, para a vida eterna.

 

Todos:        Amen.

 

 

O sacerdote asperge o povo com água benta, enquanto todos cantam a antífona seguinte ou outro cântico de índole baptismal:

 

Vi a água sair do lado direito do templo. Aleluia.

E todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos. Aleluia. Aleluia.

 

 

Entretanto os neófitos são conduzidos para os seus lugares no meio da assembleia dos fiéis.

Se a bênção da água baptismal não tiver sido feita no baptistério, os ministros levam com reverência o recipiente da água para o baptistério.

Se não houve bênção da água baptismal, a água benta coloca-se num lugar conveniente.

Feita a aspersão, o sacerdote volta para a sua sede e, omitindo o Credo, dirige a oração universal, em que os neófitos participam pela primeira vez.

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, reunidos para celebrar a Páscoa:

A Cristo, que Se levantou vitorioso do túmulo,

elevemos as nossas orações, com grande alegria

para que o Céu se una à terra em celebração 

e o homem se encontre para sempre com Deus.

Oremos (cantando), com a alma em festa:

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

1. A Cristo, nosso Senhor, que ressuscitou glorioso do sepulcro,

    para que dê a vida eterna aos que n’Ele acreditam e O amam,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

2. A Cristo, nosso Senhor, que ressuscitou, em glória, do túmulo,

    para que inunde da sua paz, alegria e santidade a terra inteira,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

3. A Cristo, nosso Senhor, que Se levantou triunfante de glória

    para que dissipe entre nós as trevas do pecado e da discórdia,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

4. A Cristo, nosso Senhor, que Se ergueu glorioso ao terceiro dia,

    para que encha da Sua alegria todo os que estão tristes ou aflitos,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

5. A Cristo, nosso Senhor, que ressuscitou glorioso do sepulcro,

    para que faça de nós Seus discípulos e testemunhas da alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

6. A Cristo, Ressuscitado, Senhor glorioso da Morte e da Vida,

    para que acolha no Seu Coração os nossos irmãos falecidos,

    oremos, irmãos.

 

    Cristo, Rei da glória, ouvi a nossa prece.

 

Senhor Jesus Cristo, triunfante do pecado e da morte,

que sois glorificado pelos Anjos e Santos no Céu

e, na terra, pelas aclamações de todos os vossos fiéis,

salvai e inundai com a Vossa infinita misericórdia

a santa Igreja, vossa Esposa e nossa Mãe.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Quarta parte

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Cristo, nosso Páscoa, prepara agora para nós a Santíssima Eucaristia, o Alimento que nos sustenta até à Vida Eterna.

Pelo ministério do sacerdote transubstanciará o pão e o vinho que levamos ao altar no Seu Corpo e Sangue.

 

O sacerdote dirige-se para o altar e dá início à liturgia eucarística na forma habitual.

É conveniente que o pão e o vinho sejam levados ao altar pelos neófitos.

 

Cântico do ofertório: - Rainha dos Céus alegrai-vos – J. F. Silva, NRMS, 17

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, com estas oferendas, as orações dos vossos fiéis e fazei que o sacrifício inaugurado no mistério pascal por vossa graça nos sirva de remédio para a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade nesta noite]: p. 53

 

No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios.

 

Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

Nas aparições aos Apóstolos no Cenáculo, Jesus começa por saudá-los dando-lhes a paz: A paz esteja convosco!

Com este mesmo espírito, saudemo-nos uns aos outros, nesta noite ditosa em que celebramos a Páscoa do Senhor.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

É Cristo Ressuscitado, vivo e glorioso como está no Céu, que vamos receber na Sagrada Comunhão.

Comunguemos com fé, humildade e desejo de nos parecermos com Ele na vida de cada dia.

 

Cântico da Comunhão: Cristo, nosso Cordeiro Pascal – M. Simões, NRMS, 25   

1 Cor 5, 7-8

Antífona da comunhão: Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza a da verdade. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Aclamai o Senhor, terra inteira – J. Santos, NRMS, 48

 

Oração depois da comunhão: Infundi em nós, Senhor, o vosso espírito de caridade, para que vivam unidos no vosso amor aqueles que saciastes com os sacramentos pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebremos com o coração em festa a Ressurreição gloriosa do Senhor, lembrados de que também nós um dia ressuscitaremos para uma vida ditosa que não tem fim.

 

Cântico final: Vencida foi a morte – J. S. Bach, NRMS, 57

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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